O Comportamento Neurótico

O Comportamento Neurótico

(Por Antonio Carlos Navarro)

O Comportamento Neurótico

O grande pensador espírita Hermínio Correa de Miranda, no excepcional livro A Memória e o Tempo, assim descreve a memória:

“é um receptáculo de ideias que em algum tempo foram ali depositadas e que podem, com relativa facilidade e presteza, ser recuperadas ou relembras. Diríamos com a terminologia da moderna informática que a memória é um banco de dados. A expressão pressupõe a ideia de um registro ou gravação e uma classificação ordenada, permanentemente aberta à consulta, com respostas, na maioria das vezes, instantâneas.”

 O registro a que alude Hermínio Miranda realmente apresenta uma classificação ordenada, conforme se depreende da questão trezentos e oito (1) de O Livro dos Espíritos:

“…não se lembra de uma maneira absoluta de todos os atos, lembra-se dos fatos em razão da influência que têm sobre seu estado presente.”

 Deduz-se então, que a memória é atributo do espírito imortal com participação ativa na sua consciência, e não devemos esquecer que é na consciência que está escrita a Lei de Deus, segundo nos ensina a questão seiscentos e vinte e um.

 Ao agredirmos a Lei Divina, promovemos um “arquivamento” na consciência daquilo que poderíamos chamar de “pacote de energia psíquica” em desajuste com a Lei, portanto fora sintonia, que reclamará uma solução para que o equilíbrio se estabeleça no íntimo do espírito, o que se dará em maior ou menor tempo, sempre de acordo com a Justiça Divina.

 Na primeira parte do capítulo sete do livro O Céu e o Inferno, Allan Kardec nos esclarece:

– “Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se o não for em urna existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes, porque todas as existências são solidárias entre si. Aquele que se quita numa existência não terá necessidade de pagar segunda vez.”.

 Isso ocorre, a despeito de todo esquecimento do passado espiritual, que é da vontade Divina, conforme se observa na questão trezentos e noventa e dois:

“Por que o Espírito encarnado perde a lembrança de seu passado?
– O homem não pode nem deve saber tudo. Deus em Sua sabedoria quer assim. Sem o véu que lhe encobre certas coisas, o homem ficaria deslumbrado, como aquele que passa sem transição do escuro para a luz. O esquecimento do passado o faz sentir-se mais senhor de si.”

A respeito das desarmonias implantadas na consciência do espírito, a Benfeitora Joanna de Angelis, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, no livro O Homem Integral, nos esclarece:

“Produtos do inconsciente profundo, a se manifestarem como comportamentos neuróticos, os fatores psicogênicos tem suas raízes na conduta do próprio paciente em reencarnações passadas, nas quais se desarmonizou interiormente. Fosse mediante conflitos de consciência ou resultados de ações ignóbeis, os mecanismos propiciadores da reabilitação íntima imprimem no inconsciente atual as matrizes que se exteriorizam como dissociações e fragmentações da personalidade, alucinações, neuroses e psicoses.

Ínsitas no indivíduo, essas causas endógenas se associam às outras, de natureza exógena, tornando-se desagregadoras da individualidade vitimada pelas pressões que experimenta.

 As pressões de qualquer natureza são decisivas para estabelecer o clima comportamental da criatura.”

 Decorrem, portanto, dos erros cometidos no passado, e do modo de vida no presente, os distúrbios comportamentais da criatura humana, e a Benfeitora encerra suas observações a respeito dizendo que:

“Os comportamentos neuróticos são desgastantes, extrapolando os limites das resistências orgânicas, que passam a somatizá-los, abrindo campo para várias enfermidades que poderiam ser evitadas.”

 Nessa mesma obra, Joanna de Ângelis nos apresenta a solução:

“O amor é o antídoto mais eficaz contra quaisquer males. Age nas causas e altera as manifestações, mudando a estrutura dos conteúdos negativos quando estes se exteriorizam.

…instaura a paz e irradia a confiança, promove a não-violência e estabelece a fraternidade que une e solidariza os homens, uns com os outros, anulando as distâncias e as suspeitas. É o mais poderoso vínculo com a Causa Geradora da Vida. É o motor que conduz à ação bondosa, desdobrando o sentimento de generosidade, ao mesmo tempo estimulando à paciência.”

Com isso podemos fazer um paralelo à recomendação do Apóstolo Pedro, conforme o versículo oito do capítulo quatro de sua Primeira Epístola:

“Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.”

 Como a aplicação do amor é a prática do bem, e o bem é prescrição Divina, quanto mais se pratica, mais se tranquiliza a consciência, eliminando paulatinamente a pressão provocada pelos erros, diminuindo em consequência, os distúrbios comportamentais e aumentando a percepção da felicidade possível de ser percebida na Terra.

 Pensemos nisso.

 Referência:

(1) Todas as questões citadas no presente artigo são de O Livro dos Espíritos.

 Confira também do mesmo autor:

Ciência e Verdade (Antônio Carlos Navarro)

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