VAIDADE OU INVEJA? (por Vladimir Alexei)

Publicado por Amigo Espírita

Vaidade ou inveja?

Vladimir Alexei

Belo Horizonte das Minas Gerais,

15 de fevereiro de 2019

O movimento espírita brasileiro também tem sido sacudido pelas mudanças e transformações vigentes no mundo. Isso causa dor e alegria. Dor porque o processo de mudança exige adaptação. Alegria porque vislumbram-se novos horizontes.

Ulrich Beck (2016), ousou dizer – e defendeu a sua ousadia –, que não se trata de mudança ou transformação e sim “metamorfose”. Na busca por explicar o processo que se vive na atualidade, o autor alegou “falência” de definições. Se ele tivesse conhecido a doutrina espírita, talvez compreendesse que se trata de um período de “regeneração” com profundos ajustes acontecendo em diversos campos da vida.

A mudança no movimento espírita vem ocorrendo a partir do enfraquecimento de instituições seculares, que antes ditavam o ritmo da divulgação doutrinária e consequentemente dos seus profitentes. A rede mundial de computadores (www.), encurtou distâncias e permitiu a proliferação de pensamentos e sentimentos que demonstram necessidades diferentes daquela estrutura patriarcal estabelecida no campo físico. O exemplo da Igreja Católica é inequívoco: o Papa “saiu” do Vaticano pelas redes sociais e conseguiu arrebanhar mais simpatizantes do que se estivesse apenas em seu trono dourado. Ele apresentou ao mundo um pensamento contemporâneo, sensibilidade e fraternidade, pautados nas diretrizes do Cristo. Aliás, ele foi ousado e demonstrou riqueza de caráter quando trocou o trono de ouro, por uma cadeira de espaldar alto. 

Nas décadas de 1980 e 1990, palestrante espírita conhecido em todo Brasil era o Divaldo Franco. Um ou outro, de forma voluntária e anônima, se deslocava pelo país, sem projeção como ocorreu com Divaldo. Divaldo não chegou a ser o que é, em termos de divulgação, de um dia para o outro. Fez o seu trabalho com uma vida de dedicação. Há quem goste e aqueles que não gostam do trabalho de divulgação realizado por ele. É um direito de cada um pensar diferente. É oportuno dizer, em tempos obtusos, que pensar diferente não significa desrespeitar. Criticar o trabalho não significa diminuir o trabalhador, apenas apresentar outros entendimentos sobre o assunto.  

Nessa linha de divulgação doutrinária, via rede mundial, muitos nomes surgiram com contribuições relevantes para que o pensamento espírita pudesse alcançar corações sofridos e auxiliá-los no processo reeducativo por meio de palestras, seminários e congressos. Os congressos, ditos, “espíritas”, se perderam em pompas e circunstâncias totalmente materialistas, em lugares amplos, para arrebanhar grupos dispostos a pagar e fazer circular moedas entre palestras, atividades e dinâmicas.

Existe, na rede mundial de computadores, trabalhadores espíritas contabilizando quantas palestras e quantas pessoas participaram de suas atividades ao longo de uma vida, como se esse “quantitativo” significasse “progresso espiritual”. Pasmem: existem ainda, canais de vídeo na rede, de espíritas, que aceitam ofertas financeiras, como uma espécie de “leilão”, para que as perguntas dos ouvintes que ofertaram, sejam atendidas pelo expositor. Será que, às custas de um internauta, vale a pena manter uma estrutura “profissional” para se divulgar opiniões pessoais? Porque não são estudos doutrinários e sim, “bate-papos” com “famosos”. São momentos de tietagem, estimulados pela simpatia e educação dos expositores que se prestam a esse papel, de receber dinheiro por causa da estrutura que se montou.

Isso nos remete ao pensamento de Allan Kardec quando proferiu uma “alocução” (discurso curto, pronunciado em solenidades), para os espíritas de Bruxelas e Antuérpia, narrado na Revista Espírita de novembro de 1864. Kardec ao cumprimentar os espíritas daquelas localidades, demonstrou alegria sóbria ao informar que ele teria direito de envaidecer-se pela acolhida daqueles Irmãos, mas ele sabia que aqueles testemunhos “se dirigiam menos ao homem do que à Doutrina, da qual sou humilde representante”.

Onde há humildade nesses Congressos ou Seminários ou Palestras virtuais em que os expositores se colocam como “seres missionários”? Que falam que os outros são vaidosos, mas incapazes de reconhecerem a própria vaidade?

No passado, os Congressos Espíritas produziam anais. Os primeiros registros sobre “anais” datam da Roma Antiga e hoje seriam registros de trabalhos científicos publicados no contexto do evento. Se o congresso espírita não tem o cunho de apresentar trabalhos científicos, fruto de estudos mais elaborados, ele serve para o que? Angariar fundos para instituições privadas ou interesses pessoais? O objetivo de Allan Kardec realizar visitas aos centros espíritas, ainda no relato de sua viagem de 1864, era para, “além de contribuírem para estreitar os laços de fraternidade entre os adeptos”, colher elementos de observação e de estudo. Os elementos que se colhem na atualidade, demonstram total divergência com os princípios postulados pela Doutrina Espírita. São ações motivadas por interesses pessoais, ainda que traduzidos ou motivados por causas “nobres”. Nobre é o que o Cristo disse: “não saiba vossa mão esquerda o que faz a direita”.

O texto de Allan Kardec é perfeito para a atualidade. Para concluir essa ilustração, Kardec diz o seguinte: “Está provado que o Espiritismo é mais entravado pelos que o compreendem mal do que pelos que não o compreendem absolutamente (…).” Uma divulgação malfeita, com valorização do “amor próprio”, aquele que se traduz por pessoas que “se acham” detentoras do conhecimento espírita, causa essa perda de referência doutrinária que se encontra no movimento espírita brasileiro.

O que fazer então? Essa pergunta paira no ar, a cada reflexão, porque remete a outro pensamento: seria inveja? É possível, por que não? Cabe análise pela relevância do tema. Se estivéssemos na mesma condição, teríamos feito diferente? Com esse entendimento, ousaria dizer que faríamos diferente, até por ver tudo isso. Entretanto, não é um caminho fácil de se modificar. O despreparo do espírita é tão grande que as repercussões ocorrem no campo pessoal: relacionamentos desfeitos, empregos que se modificam, filhos que se rebelam, olhares de desconfiança, depressão, ansiedade e uma série de outras sequelas que podem ser observadas. Será que estamos realmente preparados para uma profissão de fé Espírita? “Abrir mão” do que é politicamente ou convenientemente adequado, no plano terreno, para as conquistas do espírito?

É necessário e premente que se modifique, para o bem das lideranças que ainda conseguem lembrar, em meio aos holofotes, que a Doutrina Espírita educa, consolando, transforma, orientando, estimula, fazendo-nos trabalhar nas fragilidades egoístas que ainda se manifestam gritantes em seus adeptos. Que essas fragilidades pessoais não sejam superiores ao brilho perene e regenerador da Doutrina Espírita.    

Vladimir Alexei

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Os Erros Alheios

Os Erros Alheios

Que vivemos em um mundo cujos espíritos a ele vinculados trazem a marca da imperfeição, não padece dúvidas. Todos somos Espíritos imperfeitos, em maior ou menor grau.

Mundo de Expiação e Provas, o Planeta Terra apresenta uma variedade enorme de entendimento moral que também se reflete nas instituições humanas.

Vivendo ombro a ombro com o erro, torna-se difícil não se deixar envolver pelo senso crítico e a consequente emissão de juízo.

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec trata do assunto:

É errado estudar os defeitos dos outros?

– Se é para divulgação e crítica há grande erro, porque é faltar com a caridade. Porém, se a análise resultar em seu proveito pessoal evitando-os para si mesmo, isso pode algumas vezes ser útil. Mas é preciso não esquecer que a indulgência com os defeitos dos outros é uma das virtudes contidas na caridade. Antes de censurar os outros pelas imperfeições, vede se não se pode dizer o mesmo de vós. Empenhai-vos em ter as qualidades opostas aos defeitos que criticais nos outros, esse é o meio de vos tornardes superiores; se os censurais por serem mesquinhos, sede generosos; por serem orgulhosos, sede humildes e modestos; por serem duros, sede dóceis; por agirem com baixeza, sede grandes em todas as ações. Em uma palavra, fazei de maneira que não se possa aplicar a vós estas palavras de Jesus: “Vê um cisco no olho de seu vizinho e não vê uma trave no seu”. (1)

De claridade ímpar, que não reclama maiores comentários, a resposta dos Benfeitores Espirituais remete-nos ao exame de nossa própria consciência.

Em sentido mais amplo, ainda em direção aos erros cometidos pelo próximo no que diz respeito às instituições humanas, pergunta Kardec:

É errado investigar e revelar os males da sociedade?

– Depende do sentimento com que se faz; se o escritor quer apenas produzir escândalo, é um prazer pessoal que procura, apresentando quadros que mostram antes um mau do que bom exemplo. Apesar de ter feito uma avaliação, como Espírito, pode ser punido por essa espécie de prazer que tem em revelar o mal. (2)

Insiste o Codificador:

Como, nesse caso, julgar a pureza das intenções e a sinceridade do escritor?

– Isso nem sempre é útil mas, se escreve coisas boas, aproveitai-as. Se forem más, ignorai-as. É uma questão de consciência dele. Afinal, se deseja provar sua sinceridade, deve apoiar o que escreve com seu próprio exemplo.

Em Seu Evangelho de amor e luz, Nosso Senhor Jesus Cristo, adverte-nos sobre o julgamento dos erros alheios ao dizer, entre outras coisas, que a fórmula de julgamento aplicada aos outros será a mesma aplicada a nós mesmos, sem nos esquecer da regra de ouro que diz para fazermos aos outros, aquilo que gostaríamos que nos fosse feito.

É preciso, pois, muito cuidado com comentários e divulgação de erros alheios, porque, além de expor ao ridículo dos homens aquele ou aqueles que erram, ao fazê-lo tornamo-nos ainda mais responsáveis diante da Lei Divina, com a obrigação natural de não cairmos no mesmo erro.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Referências Bibliográficas:

(1) O Livro dos Espíritos; item 903;

(2) O Livro dos Espíritos; item 904;

(3) O Livro dos Espíritos; item 904 a.

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O filme e o estudo da vida e obra de Kardec

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

O filme “Kardec”, em exibição no Brasil, tecnicamente composto de forma primorosa foi produzido por Wagner de Assis e fundamenta-se no livro Kardec, de autoria de Marcel Souto Maior (Editora Record, 1ª edição em 2013).

Mas muitos ficam em dúvida sobre a veracidade de algumas cenas, ou se seriam enquadradas na chamada “licença cinematográfica”, e que inclusive não constam do livro básico para o enredo cinematográfico.

Além da biografia já citada, que não foi totalmente utilizada no enredo do filme, coincidentemente e independente de outras biografias tradicionalmente evocadas na literatura espírita, atualmente surgem muitos fatos e documentos que ampliam as informações biográficas do Codificador.

Embora existissem publicações antigas que apontavam para as deturpações na 5ª edição francesa de A Gênese lançada em 1872, mais de três anos após a desencarnação de Kardec, o assunto tomou vulto a partir de posições da Confederação Espírita Argentina, que editou em espanhol a 1ª. edição de A Gênese (de janeiro de 1868) e em outubro de 2017 levou informações para a reunião do Conselho Espírita Internacional, em Bogotá (Colômbia), e também lançou o livro El legado de Allan Kardec (**), de Simoni Privato Goidanich, que reúne documentos oficiais coletados em pesquisas junto aos Arquivos Nacionais da França e na Biblioteca Nacional da França, localizadas em Paris. Comprovou-se que apenas o exemplar da 1ª. edição de A Gênese (de janeiro de 1868), foi depositado legalmente durante a existência física de Allan Kardec na Biblioteca Nacional da França. Assim o Codificador não teria modificado o conteúdo.

Episódios históricos ficam mais claros no livro Beaucoup de Lumière (1884), de Berthe Fropo, disponibilizado em 2017 em edição digital bilíngue. A autora foi espírita fiel a Kardec, amiga e vizinha de Amélie Boudet e comenta ações polêmicas e desvirtuamentos doutrinários nas mãos de Leymarie por influência de interpretações e ideologias outras… Ainda no final de 2018, vieram a lume documentos e manuscritos franceses, publicados em artigo de Charles Kempf e Michel Buffet na edição do 4º. trimestre de 2018 da Revue Spirite e que comprovam adulterações em A Gênese após a desencarnação de Kardec.

Interessante é que tanto tempo após a desencarnação de Kardec, recentemente estão sendo valorizados documentos, periódicos e livros franceses, quase desconhecidos no Brasil, que trazem esclarecimentos sobre episódios que ficaram ocultados ou obscurecidos sobre a vida de Kardec e sua esposa, e sobre a divulgação de suas obras imediatamente após sua desencarnação.

Um Site riquíssimo de documentos franceses do Facebook: “Imagens e registros históricos do Espiritismo”, oferece dados até então não conhecidos, como a existência de uma irmã de Rivail, desencarnada na infância; a presença de uma jovem junto ao casal Rivail e Amélie, praticamente como se fosse uma “filha adotiva”, que também desencarnou na juventude; dados sobre a propriedade do casal na Villa Ségur; comprovações de adulteração de manuscrito de Kardec sobre A Gênese, posteriormente incluído em Obras Póstumas (1890); comprovação do nome verdadeiro da médium conhecida como Céline Japhet; documentos sobre a fundação da União Espírita Francesa.

Em nosso país surge o início da divulgação de manuscritos e de documentos, o Projeto “Cartas de Kardec”, riquíssimo acervo que estava em poder da família de Silvino Canuto Abreu, finalmente doados à Fundação Espírita André Luiz, de São Paulo.

O filme “Kardec”, gerando algumas dúvidas entre espectadores mais atentos, deve ser motivo de estímulo para se estudar a vida e a obra de Kardec, e, coincidentemente, em 2018 e 2019 transcorreram dois sesquicentenários, respectivamente, do lançamento de A Gênese, a última obra do Codificador, e, de sua desencarnação.

Daí, inclusive, a oportunidade de se valorizar a importante “Campanha Comece pelo Começo”, idealizada por Merhy Seba, patrocinada pela USE-SP em meados dos anos 1970 e aprovada pelo CFN da FEB em novembro de 2014.

(*) – Ex-presidente da USE-SP e da FEB; e ex-membro da Comissão Executiva do CEI.

(**) – Tradução em português editada pela USE-SP.

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Preconceitos

Diante do autor que autografava seu livro numa exposição, apresentou-se uma senhora mulata com o exemplar adquirido. Ele a cumprimentou, sorridente, e pediu seu nome.

– Iracema.

Passou, então, a escrever a dedicatória.

Em dado momento, ela o interrompeu:

– Por que o senhor escreveu meu nome com inicial minúscula?

– Desculpe, mas é assim que grafo o i maiúsculo. Pode notar que é maior do que as demais letras de seu nome.

– Não é nada disso! – respondeu ela, irritada.

E, tomando-lhe a caneta das mãos, rasurou seu nome na dedicatória, escrevendo por cima o que ela considerava a inicial correta. Livro debaixo do braço, afastou-se pisando duro, deixando aturdido o autor, bem como outras pessoas que aguardavam na fila.

***

Sabemos que o preconceito envolve vários segmentos da sociedade, nos aspectos cultural, espiritual, racial, religioso, algo que a reencarnação elimina.

Segundo a lei de causa e efeito, que sempre nos devolve o que fazemos ao próximo, não tenhamos dúvida de que o preconceituoso de hoje provavelmente estará amanhã, em futura experiência reencarnatória, vivenciando a condição daqueles que discriminou.

Lembro-me da revelação de um Espírito, em reunião mediúnica. Após ter sido cruel senhor de engenho no Brasil colonial, a judiar de seus escravos, reencarnou duas vezes no seio da raça negra, escravo também, para vencer o orgulhoso preconceito. E dizia:

– Foi uma bênção. Aprendi muito, principalmente a não discriminar as pessoas, independentemente de sua condição social, raça ou cor.

Nada melhor para nos ensinar a respeitar as pessoas do que a experiência de colher o desrespeito que semeamos.

No caso citado temos o preconceito invertido. Parte de alguém que fantasia atitudes discriminatórias do próximo a seu respeito, sempre com um pé atrás, procurando penugem em ovo.

Impossível ser feliz com semelhante comportamento. O problema é o orgulho. Se conjugarmos o verbo de nossas ações na primeira pessoa do singular, sempre cogitando de nossos interesses, estaremos propensos a cultivar preconceitos.

Podem vir de cima para baixo, das maiorias.

São aqueles que se julgam melhores que os outros, em face de sua etnia, da cor de sua pele, da posição social, da cultura, da profissão, da religião, do partido político…

Podem vir de baixo para cima, das minorias.

São pessoas que adotam postura de vítima, julgando-se perseguidas, injuriadas, incompreendidas, desprezadas… Tendem ao perturbador isolamento, imaginando que todos estão contra elas, sem perceber que, na realidade, elas estão contra todos.

O móvel das ações humanas é a felicidade.  Em última instância, seria nos sentirmos bem, alegres, em paz, em qualquer situação. Elementar que se trata de uma conquista interior. Por isso Jesus enfatizava que o Reino de Deus está dentro de nós.

Há um passo inicial, indispensável, enunciado pelo Mestre (Mateus, 5:3): Bem-aventurados os humildes, porque deles é o reino dos céus.

A humildade é indispensável, a fim de que não nos imobilizemos no orgulho, que gera todos os preconceitos.

Se tenho consciência de minhas limitações, jamais me julgarei melhor do que ninguém, nem cultivarei a discriminação invertida que me leve a ficar ofendido porque alguém escreveu meu nome com inicial minúscula.

Richard Simonetti

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Em pauta, a gratidão

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI em 29 setembro 2019 às 20:12

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O psiquiatra Roberto Shinyashiki, em sua obra Pais e filhos – companheiros de viagem, aborda a questão da gratidão. Diz ele que na Índia, alguns mestres ensinam que a pessoa iluminada é aquela que vive em estado de gratidão. É iluminado quem sabe reconhecer a beleza de um olá e de um adeus, do sol e da chuva, do dia e da noite, porque todos os acontecimentos e todas as pessoas trazem uma oportunidade de crescimento.

Se o marido agradece à sua esposa por ter-lhe mostrado sua falta de paciência com os filhos, ele reconhece quanto os dois estavam sintonizados e garante a possibilidade de tais situações de sintonia se repetirem. Assim a vida, por vezes, tem formas muito incomuns de nos permitir realizar algumas coisas.

Conta o ilustre psiquiatra que, há alguns anos, o sítio de sua família foi assaltado, várias vezes. A família dava queixa à polícia mas os assaltos continuavam. Certo dia, o Dr. Roberto recordou-se de que um primo de seu pai era investigador numa cidade próxima. Como não o via há muito tempo, pediu a seu pai que falasse com o primo a fim de que ele, junto com os seus amigos policiais, encontrassem uma solução para o caso.

Os meses se passaram e um belo dia, os assaltantes foram presos. A cidade voltou à calma, os assaltos ao sítio cessaram e o Dr. Roberto sentiu uma grande vontade de agradecer ao policial que havia cuidado do caso. Por isso, planejou um almoço com toda a família, incluindo seu pai, o primo e o policial. Foi o pai quem acabou auxiliando para que toda a grande família fosse convidada, não ficando ninguém esquecido.

Há que se dizer que o genitor ficou muito feliz com a ideia. Todos os dias que antecederam o almoço, ele ligava para o filho, acertando detalhes da organização e incluindo mais alguém na lista de convidados. Foi um domingo especial. O sítio estava lotado de pessoas importantes para os seus corações e Dr. Roberto agradeceu ao policial pelo seu empenho na solução do caso.

Depois, ele e o pai saíram para uma longa caminhada. Cada um falou a respeito da sua vida, das suas experiências. Ao final, o pai disse da sua satisfação com a realização daquele almoço e expressou o orgulho de ser seu pai. Quando, no cair da tarde, o pai se retirou, Dr. Roberto chamou os filhos para que abraçassem e se despedissem do avô. Depois, eles mesmos se demoraram em um abraço. Foi, sem dúvida, um dia maravilhoso.

Naquela noite, Dr. Roberto e a esposa foram ao teatro. Quando estavam retornando para casa, o telefone tocou. Era sua irmã lhe informando que o pai havia morrido. Mesmo sentindo uma grande dor pela separação do pai, ele sentiu uma enorme sensação de paz. E se deu conta que fora graças à ação de alguns ladrões que ele havia recebido, no dia mesmo da desencarnação de seu pai, o melhor abraço de sua vida, a bênção final.

***

Às vezes, precisamos de algum tempo para entendermos as razões de certos acontecimentos de nossas vidas. É importante, contudo, que prestemos atenção em todos eles e, antes de reclamar, dessa ou daquela circunstância que nos pareça ruim, aguardemos.

Possivelmente, o tempo nos mostrará como tudo foi exatamente planejado pela Divindade a fim de nos beneficiar a existência. Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.

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OS ESPÍRITOS INFERIORES – por Léon Denis

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Os Espíritos Inferiores

O Espírito puro traz em si próprio sua luz e sua felicidade, que o seguem por toda parte e lhe Integram o ser. Assim também o Espírito culpado consigo arrasta a própria noite, seu castigo, seu opróbrio. Pelo fato de não serem materiais, não deixam de ser ardentes os sofrimentos das almas perversas.

O inferno é mais Que um lugar quimérico um produto de imaginação, um espantalho talvez necessário para conter os povos na Infância, porém que, neste sentido, nada tem de real.

É completamente outro o ensino dos Espíritos sobre os tormentos da vida futura; ai não figuram hipóteses.

Esses sofrimentos, com efeito, são-nos descritos por aqueles mesmos que os suportam, assim como outros vêm patentear-nos a sua ventura. Nada é imposto por uma Vontade arbitrária; nenhuma sentença é pronunciada o Espírito sofre as consequências naturais de seus atos, que, recaindo sobre ele próprio, o glorifica ou acabrunham. O ser padece na vida de além-túmulo não só pelo mal que fez, mas também por sua inação e fraqueza.

Enfim, essa vida é obra sua: tal qual ele a produziu. O sofrimento é inerente ao estado de imperfeição, mas atenua-se com o progresso e desaparece quando o Espírito vence a matéria.

A punição do Espírito mau continua não só na vida espiritual, mas, ainda, nas encarnações sucessivas que o levam a mundos inferiores, onde a existência é precária e a dor reina soberanamente; mundos que podemos qualificar de infernos.

A Terra, em certos pontos de vista, deve entrar nessa categoria.

Ao redor desses orbes, galés rolando na imensidade, flutuam legiões sombrias de Espíritos Imperfeitos, esperando a hora da reencarnação.

Vimos quanto é penosa, prolongada, cheia de perturbação e angústia, a fase do desprendimento corporal para o Espírito entregue às más paixões. A ilusão da vida terrena prossegue para ele durante anos. Incapaz de compreender o seu estado e de quebrar os laços que o tolhem, nunca elevando sua inteligência e seu sentimento além do círculo estreito de sua existência, continua a viver, como antes da morte, escravizado aos seus hábitos, às suas inclinações, indignando-se porque seus companheiros parecem não mais vê-lo nem ouvi-lo, errante, triste, sem rumo, sem esperança, nos lugares que lhe foram familiares.

São as almas penadas, cuja presença já de há muito se tem
suspeitado em certas residências, e cuja realidade é demonstrada diariamente por muitas e ruidosas manifestações.

A situação do Espírito depois da morte é resultante das aspirações e gostos que ele desenvolveu em si. Aquele que concentrou todas as suas alegrias, toda a sua ventura nas coisas deste mundo, nos bens terrestres, sofre cruelmente desde que disso se vê privado. Cada paixão tem em si mesmo a sua punição.

O Espírito que não soube libertar-se dos apetites grosseiros e dos desejos brutais torna-se destes um joguete, um escravo.

Seu suplício é estar atormentado por eles sem os poder saciar.

Pungente é a desolação do avarento, que vê dispersar-se o ouro e os bens que amontoou. A estes se apega apesar de tudo, entregue a uma terrível ansiedade, a transportes de indescritível furor.

Igualmente digna de piedade é a situação dos grandes orgulhosos, dos que abusaram da fortuna e de seus títulos, só pensando na glória e no bem estar, desprezando os pequenos, oprimindo os fracos. Para eles não mais existem os cortesões servis, a criadagem desvelada, os palácios, os costumes suntuosos. Privados de tudo o que lhes fazia a grandeza na Terra, a solidão e o abandono esperam-no no espaço. Se as massas novamente os seguem é para lhes confundir o orgulho e acabrunhá-los de zombarias.

Mais tremenda ainda é a condição dos Espíritos cruéis e rapaces, dos criminosos de qualquer espécie que sejam, dos que fizeram correr sangue ou calcaram a justiça aos pés. Os lamentos de suas vítimas, as maldições das viúvas e dos órfãos soam aos seus ouvidos durante um tempo que se lhes afigura a eternidade. Sombras irônicas e ameaçadoras os rodeiam e os perseguem sem descanso.

Não pode haver para eles um retiro assaz profundo e oculto; em vão, procuram o repouso e o esquecimento. A entrada numa vida obscura, a miséria, o abatimento, a escravidão somente lhes poderão atenuar os males.

Nada iguala a vergonha, o terror da alma que, diante de si, vê elevar-se sem cessar as suas existências culpadas, as cenas de assassínios e de espoliação, pois se sente descoberta, penetrada por uma luz que faz reviver as suas mais secretas recordações. A lembrança, esse aguilhão incandescente, a queima e despedaça.

Quando se experimenta esse sofrimento, devemos compreender e louvar a Providência Divina, que, no-lo poupando durante a vida terrena, nos dá assim, com a calma de espírito, uma liberdade maior de ação, para trabalharmos em nosso aperfeiçoamento.

Os egoístas, os homens exclusivamente preocupados com seus prazeres e interesses, preparam também um penoso futuro. Só tendo amado a si próprios, não tendo ajudado, consolado, aliviado pessoa alguma, do mesmo modo não encontram nem simpatias nem auxílios nem socorro nessa nova vida.

Insulados, abandonados, para eles o tempo corre uniforme, monótono e lento. Experimentam triste enfado, uma Incerteza cheia de angústias. O arrependimento de haverem perdido tantas horas, desprezado uma existência, o ódio dos interesses miseráveis que os absorveram, tudo isso devora e consome essas almas.

Sofrem na erraticidade até que um pensamento caridoso os toque e luza em sua noite como um ralo de esperança; até que, pelos conselhos de um Espírito, rompam, por sua vontade, a rede fluídica que os envolve e decidam-se a entrar em melhor caminho.

A situação dos suicidas tem analogia com a dos criminosos; muitas vezes, é ainda pior. O suicídio é uma covardia, um crime cujas consequências são terríveis. Segundo a expressão de um Espírito, o suicida não foge ao sofrimento senão para encontrar a tortura. Cada um de nós tem deveres, uma missão a cumprir na Terra, provas a suportar para nosso próprio bem e elevação.

Procurar subtrair-se, libertar-se dos males terrestres antes do tempo marcado é violar a lei natural, e cada atentado contra essa lei traz para o culpado uma violenta reação.

O suicídio não põe termo aos sofrimentos físicos nem morais. O Espírito fica ligado a esse corpo carnal que esperava destruir; experimenta, lentamente, todas as fases de sua decomposição; as sensações dolorosas multiplicam-se, em vez de diminuírem. Longe de abreviar sua prova, ele a prolonga indefinidamente; seu mal-estar, sua perturbação persiste por muito tempo depois da destruição do invólucro carnal.

Deverá enfrentar novamente as provas às quais supunha poder escapar com a morte e que foram geradas pelo seu passado. Terá de suportá-las em piores condições, refazer, passo a passo, o caminho semeado de obstáculos, e para Isso sofrerá uma encarnação mais penosa ainda que aquela à qual pretendeu fugir.

São espantosas as torturas dos que acabam de ser supliciados, e as descrições que delas nos fazem certos assassinos célebres podem comover os corações mais duros, mostrando à justiça humana os tristes efeitos da pena de morte. A maioria desses infelizes acha-se entregue a uma excitação aguda, a sensações atrozes que os tornam furiosos.

O horror de seus crimes, a visão de suas vítimas, que parecem persegui-los e trespassá-los como uma espada, alucinações e sonhos horrendos, tal é a sorte que os aguarda. Muitos, buscando um derivativo a seus males, lançam-se aos encarnados de tendências semelhantes e os impelem ao crime.

Outros, devorados pelo fogo inextinguível dos remorsos, procuram, sem tréguas, um refúgio que não podem encontrar. Sob seus passos, ao seu redor, por toda parte, eles julgam ver cadáveres, figuras ameaçadoras e lagos de sangue.

Os Espíritos maus sobre os quais recai o peso acabrunhador de suas faltas não podem prever o futuro; nada sabem das leis superiores. Os fluídos que os envolvem privam-nos de toda relação com os Espíritos elevados que queiram arrancá-los à sua inércia, às suas inclinações, pois isso lhes é difícil por causa de sua natureza grosseira, quase material, e do limitado campo de suas percepções; resulta daí uma ignorância completa da própria sorte e uma tendência para acreditarem que são eternos os seus sofrimentos.

Alguns, imbuídos ainda de prejuízos católicos, supõem e dizem viver no inferno. Devorados pela inveja e pelo ódio, muitos, a fim de se distraírem de suas aflições, procuram os homens fracos e inclinados ao mal. Apegam-se a eles e lhes insuflam funestas aspirações. Destes excessos, porém, advêm-lhes, pouco a pouco, novos sofrimentos. A reação do mal causado prende-os numa rede de fluídos mais sombrios. As trevas se fazem mais completas; um círculo estreito forma-se e à sua frente levanta-se o dilema da reencarnação penosa, dolorosa.

Mais calmos são aqueles a quem o arrependimento tocou e que, resignados, vêem chegar o tempo das provas ou estão resolvidos a satisfazer a eterna justiça. O remorso, como uma pálida claridade, esclarece vagamente sua alma, permite que os bons Espíritos falem ao seu entendimento, animando-os e aconselhando-os.

Do livro – Depois da Morte (Léon Denis) Cap.36 “Os Espíritos Inferiores”

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REENCARNAÇÃO: ENCONTRANDO EXPLICAÇÕES

           É comum para todos os eventos que acontecem em nossa vida querermos achar explicações. É da natureza humana o ato investigativo, pois que todos nós temos anseios de querer saber o motivo pelo qual determinado fato aconteceu, mesmo que o evento tenha sido com outra pessoa.

           Existem situações na vida que embora procuremos esclarecimentos a respeito, não recebemos uma resposta condizente, pois o acontecido vai depender de quem detém a informação liberá-la, embora a maioria das pessoas fique satisfeita em saber pelo menos um mínimo sobre o ocorrido.

           Quando não achamos nenhuma explicação para o que causou alguma dificuldade em nossa vida, dizemos que tal ocorrência faz parte do que sabe apenas Deus, e não deixamos de ter razão, pois quando nascemos esquecemo-nos do que aconteceu em vidas passadas, isto para quem acredita que já viveu anteriormente.

           Como explicar, por exemplo, não gostar de determinado alimento se nunca o provamos, medo de altura, medo de dirigir, dificuldade em falar em público, e tantas outras situações que não conseguimos ou temos dificuldade enfrentar.

           Vamos encontrar explicações que a causa respectiva está em acontecimentos em vidas passadas. Dizemos que onde estão nossas deficiências nesta vida, foram os excessos praticados em outra. Citamos como exemplo pessoas que ingerem alimentação exagerada. Certamente numa próxima reencarnação, nascerá com problemas digestivo e/ou aversão a certos alimentos.

           Isto muitas vezes é nos imposto como efeito e causa, mas também pode que antes de nascer, quando estamos no planejamento de nossa nova vinda, optarmos por certos limites para que possamos experimentar entraves que servirão para nosso aprendizado e evolução espiritual. Não é castigo e sim maneira de sentirmos necessidade de reparação, no caso nosso organismo carnal que é cópia do espiritual.

           Se nesta vida cometemos excessos, seja da natureza que for certamente numa próxima vinda à Terra vamos ter que enfrentar dificuldades, pois se assim não fosse, continuaríamos a cometer os mesmos equívocos, e nossa evolução em direção ao Criador estaria prejudicada, pois não aprenderíamos nada.

           Quando nos referimos que temos que nascer novamente, estamos tomando por base as declarações de Jesus que assim nos esclareceu quando por aqui esteve há muito tempo. Certamente devemos considerar que somos espírito num corpo carnal e que sobreviveremos a morte física. O espírito, que habita o corpo que vai decompor-se, aporta novamente em outra existência, em outro corpo por ocasião da gestação, normalmente da união carnal de homem e mulher.

          Portanto nosso corpo atual sofre os reflexos do que fomos em vidas passadas.

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Dolorosa advertência

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI

A imagem pode conter: nuvem, noite e céu

8ª reunião | 22 de novembro de 1956

Presentes: Arnaldo Rocha, Ênio Santos, Elza Vieira, Francisco Gonçalves, Geni Pena Xavier, Francisco Teixeira de Carvalho, Geraldo Benício Rocha, Edmundo Fontenele, Joaquim Alves, Francisco Cândido Xavier, Zínia Orsine Pereira, Áurea Gonçalves, Izaura Garcia e Waldemar Silva.

“Trazida aqui por desveladas mãos, venho contar a vocês o quanto sofre, depois do túmulo, uma criatura fraca, leviana e ingrata. Por mais fértil nos seja a imaginação, ninguém poderá calcular a minha dor, o meu sofrimento e o abandono a que fui relegada. Meu coração sangra ainda com a repercussão dos dolorosos fatos que culminaram com a minha morte.

Sabia que havia morrido, pois acompanhei o meu próprio enterro, mas apesar de tudo isso, não sei o porquê, continuava viva e a minha agonia me parecia eterna.

Venho trazer-lhes um libelo contra mim mesma, de vez que estou sinceramente arrependida e porque também me disseram que não devia fugir à confissão do meu erro, porque a humildade é o caminho mais seguro e menos penoso para a nossa reabilitação.

Sei que errei e fali quando tudo me concitava a vencer.

Abandonei o meu lar, esquecendo o esposo e sobrecarregando-o ainda com os cuidados de uma menina de quatro anos, flor de carne que brotara do meu próprio seio e que morreria, meses depois, com saudade de sua mãe.

Insensata, entreguei-me a novo amor, esquecida de todos os meus deveres e responsabilidades, e talvez até do próprio Deus. Mas logo tive notícias de que minha filhinha havia morrido, reclamando a minha presença até sua última hora de vida… Eu, exasperada, desalentada, procurei a morte também, com um tiro no coração.

Daí para adiante a minha agonia não teve fim e não sei porquê, não podendo chorar, as minhas lágrimas ferventes escaldavam-me o coração, que se desfazia em pedaços de sangue, a escaparem constantemente da minha boca!…

Estou exausta e não posso mais!…

Afirmaram-me, aqui nesta casa, de que não há penas eternas e que Deus é bom. E eu agora acredito, pois desde que aqui cheguei não senti mais as terríveis hemoptises que me dominavam e já posso chorar, porque isso é um grande alívio para mim.

Entrevejo também, nos semblantes aqui presentes, alvo da tranquilidade que tanto me falta.

Sofri, sofro e sofrerei até que consiga encontrar de novo a minha filha e o marido abandonados. Serei escrava de ambos, pois estou muito saudosa do lar. E se essas minhas dolorosas palavras servirem de advertência para alguém já será um pouco de felicidade para mim!

Sou tão sofredora e tão infeliz!

Piedade! Piedade! É a bênção que suplico na bênção da prece que rogo a todos.”

Ernestina Vilar

Comunicação recebida pela médium Zínia Orsine Pereira, do Grupo Meimei, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais.

Registros imortais — F. C. Xavier e outros médiuns do Grupo Meimei — Autores diversos

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