MALES QUE VÊM PARA O BEM

Sidney Fernandes

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“Paralítico de nascença, o magro doentinho, com oito anos de idade, não falava, não andava, não chegava a sentar-se, via muito mal, quase nada ouvia da esfera humana. O choramingo do menino enfermo inspirava piedade. André Luiz”

Perguntei a Richard Simonetti:

— Como explicar que uma criança tenha uma doença grave ou terminal? Trata-se de castigo divino?

Respondeu Richard:

— A criança não está sendo castigada, nem punida, pois a lei divina não é punitiva e sim educativa. Nós estamos vendo o presente da criança, não estamos considerando aquele espírito que veio com comprometimentos do pretérito.

Sofrimentos pessoais ou de familiares abalam nossas convicções. Infelizmente, nem sempre as filosofias e religiões têm respostas consoladoras. Para melhor entendermos os mecanismos da vida, melhor seria se considerássemos a dor e a deficiência como reflexos de atos negativos que cometemos. Como assim? A criança da narrativa inicial nunca fez nada de errado. Como justificar esse sofrimento?

Fomos programados para o bem e para o equilíbrio. Todavia, se não correspondemos às regras divinas, desajustamo-nos espiritualmente. Se não encontramos justificativa para nossos sofrimentos na presente existência, surge a chave da reencarnação para indicar que, provavelmente, as causas das nossas dores residem em vidas pretéritas.

Dores físicas e morais desbastam nossas arestas e formam nossa experiência. Para nós, espíritos rebeldes e endividados, o sofrimento às vezes passa a ser o único caminho para a elevação.

Deus nos oferece diariamente oportunidades de conhecimento do bem, a fim de evitarmos o mal. Nem sempre, contudo, aproveitamo-nos desses meios, tornando-se necessárias providências mais amargas para que despertemos do orgulho, do egoísmo e da vaidade.

André Luiz continua com a narrativa a respeito do enfermo do início deste texto:

Há quase dois séculos, decretou a morte de muitos compatriotas numa insurreição civil. Valeu-se da desordem político-administrativa para vingar-se de desafetos pessoais, semeando ódio e ruínas.

Na espiritualidade, foi perseguido por suas vítimas. Muitas delas já o perdoaram, mas remanescem duas almas obstinadas, em processo final de transformação.

O outrora verdugo, revestido agora de piedosa criança, está em fase final de resgate. A presente encarnação completará sua cura efetiva.

Voltemos a Simonetti:

Essa breve existência vai representar uma espécie de escoamento dos desajustes perispirituais que esse espírito acumulou no passado, para que, numa próxima encarnação, ele possa vir em melhores condições.

Fiquemos com as sábias palavras de Eckhart Tolle:

O sofrimento é necessário até que você se dê conta de que ele é desnecessário.

Sidney Fernandes1948@uol.com.br
Fonte: Kardec Rio Preto

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A INVEVITÁVEL SOLIDÃO HUMANA

Leda Maria Flaborea

Diante do aparente silêncio do Universo, o homem encontra-se absolutamente só. De todos os seres da Natureza, somente ele vive só, porque deve viver consigo mesmo. E é natural que assim seja, pois é o único que pode, através do processo evolutivo ao qual se encontra submetido, ser consciente da sua condição de criatura, do mesmo Criador de tudo que existe ao seu redor. Essa condição se ser consciente, portanto, pensante e responsável pelos seus pensamentos, é o que o diferencia de todos os outros seres viventes que habitam o Universo e aonde mais o imaginário de cada um puder levar.

Nessa condição, tornamo-nos assim – homens que somos – diferentes entre si por características que nunca se repetem, pois inerentes à condição de criaturas divinas e juízes dos próprios atos. Apenas nós e somente nós nos condenamos, nos absolvemos, criando para nós as punições que tantas vezes nos martirizam a existência, num processo de culpas que parece não ter fim. Nem mesmo o deus punitivo, celebrado por diferentes crenças, é capaz de tanta perversidade quando se trata de punir faltosos. Não necessitamos de advogados que nos defendam, nem de promotores que nos acusem. Nossos atos representam todo um processo de acusações ou aprovações pelos quais nossa consciência, juiz implacável, nos demandará as penas que se fizerem justas. Está aí, certamente, o maior erro que cometemos. Auto flagelamo-nos psiquicamente, criando quadros de punições que se refletem, com o tempo, nas doenças do Espírito e do corpo material. Doenças psíquicas inexplicáveis, doenças físicas de diagnósticos impossíveis…

Orgulho e egoísmo são certamente duas molas que movem os homens nesse julgamento. Imaginando-se sabedor de todas as coisas, não admitindo errar e vendo-se diante do fato inconteste, impõem-se penas tão severas como a mostrarem a si próprios que podem suportá-las, porque se julgam mais fortes e mais corajosos diante das tribulações inerentes à existência terrena. Não têm misericórdia para consigo e não terão, certamente, para com os outros. Penas brandas ou perdão pelos próprios erros não fazem parte das atitudes de quem se julga mestre, e não aprendiz da Vida. Essa posição, na maioria das vezes inconsciente, acaba por levar a comportamentos de rebeldia, inconformismo e intolerância para com tudo e com todos que os cercam, como vítimas perenes da existência. Tempo roubado na caminhada evolutiva…

Ninguém consegue penetrar nesse recesso, e somente na solidão de suas experiências e lembranças podem os homens encontrar-se consigo mesmos e com Deus. Essa viagem interior é absolutamente necessária, mais cedo ou mais tarde, mas deve ser feita sempre sozinha. Impossível ser de outra forma. Pretender fugir à própria consciência é tarefa inútil. Talvez se consiga por algum tempo, mas mesmo quando acreditamos não ter que prestar contas de nossos atos a quem quer que seja, nem ao nosso juiz interior, percebemo-nos falando sozinhos. Sozinhos? Realmente alguém fala sozinho? E quem é esse interlocutor com quem falamos? Por ventura, não será nossa consciência a nos direcionar caminhos?

As ciências humanas nos dizem que o homem é um ser gregário e isto é um fato. Em nenhuma outra circunstância podem-se colocar em prática os valores morais indispensáveis à nossa evolução, a não ser na troca e nas oportunidades que surgem, quando nos relacionamos com o outro. Entretanto, as resoluções que tomarmos ao vivenciar esses valores serão, incontestavelmente, individuais e, nesse momento, ninguém, absolutamente ninguém, deverá interferir sem que com isso acarrete prejuízos para ambos. A decisão de um ao aceitar ou não as sugestões do outro será de sua total responsabilidade, porque será sua a escolha; o outro, ao sugerir o que quer que seja, estará assumindo diante de sua consciência a responsabilidade por todas as consequências que advierem de sua interferência.

É importante não se perder de vista que ao falarmos de interferência não incluamos as amorosas orientações que recebemos dos que nos querem bem e que nos acenam, dentro do possível, com possibilidades que nos permitam escolhas acertadas ou, ao menos, com menores chances de erros e, portanto, com menores comprometimentos futuros. Se para quem ouve e segue as sugestões recebidas a responsabilidade é grande, para quem orienta ela não é menor, pois em nome desse bem querer quantos enganos se tem cometido. Nesse momento, somente o bom senso, o comedimento e o equilíbrio devem ser as molas propulsoras de cada ato, de ambas as partes, quando existirem as condições de discernimento para tal.

Sempre a escolha para o Espírito… Sempre a solidão do Espírito…

Mas, mesmo sendo o homem um ser gregário, se tivermos o olhar um pouco mais atento, perceberemos esse ser só. Igual a todos os corpos do Universo, os homens se atraem e se repelem num constante movimento de aproximação e afastamento. Tantos chegam e passam em nossas existências. Seres simpáticos ou não, respirando a mesma atmosfera de desejos e ideais, ou contrários às nossas expectativas, vão e vêm enriquecendo-nos sempre, porque aprendemos sempre, mesmo que só venhamos a nos dar conta disso muito mais tarde. Todavia, apesar de toda movimentação ao nosso redor, permanecemos sozinhos.

E como assusta essa solidão para aqueles que confundem essa intrínseca necessidade com a ausência constante ou não de pessoas ao redor! Quantos buscam permanecer na superficialidade das relações por medo de estarem sós… Sensação de abandono ou profundo receio de ficar só consigo mesmo que se traduz, muitas vezes, pela aceitação de qualquer coisa, em lugar de nenhuma. Perde-se qualidade com a ilusão de se ganhar em quantidade; banalizam-se ideais e esperanças em troca da não tomada de posição perante seu juiz interior. Porém, cedo ou tarde, teremos de nos colocar frente a frente com nossa consciência.

Entendemos claramente essa imensa dificuldade que o ser humano tem em não enxergar a riqueza do seu mundo interior, postergando esse encontro com seu íntimo; de não se sentir capaz de realizar dentro de si as mudanças necessárias que o levarão a entender, de vez, que pode caminhar junto com outros, embora totalmente isolado na sua individualidade.

Se a troca é imperativa ao crescimento, ela é também igual para todos. Uns caminham já à nossa frente; outros, todavia, ainda se encontram mais atrás. Entretanto, existe a imensa massa de seres que como nós prosseguem com as mesmas dificuldades, em busca do progresso. Podemos, certamente, nos dar as mãos ajudando-nos mutuamente, amparando-nos uns aos outros, até mesmo nos solidarizando, mas ninguém caminhará por nós. É tarefa individual, intransferível e absolutamente solitária.

Leda Maria Flaborea

Fonte: Espiritismo na Rede

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PREOCUPAÇÕES E MORTE

Joanna de Ângelis

Vives os impositivos da carne em regime de absoluta submissão, como se a neblina material que te envolve não se diluísse ao impacto da morte.

Entregas-te às preocupações imediatas qual molusco aderido a rocha, como se a existência física não fosse um breve instante da vida plena, diante da qual te colocará a morte.

Afadigas-te com as opiniões alheias sofrendo dores não programadas, como se os conceitos dos outros pudessem acompanhar-te além da morte.

Pensas no futuro, envidando esforços e sacrifícios infindáveis para o dia de amanhã, sem lembrares que ele termina por aqui, para recomeçar depois da morte.

Experimenta as angústias que se multiplica na vestimenta celular, mas amas o corpo de tal modo que o negarias se pudesses, para a viagem da morte.

Conceituas o mundo como ingrato e cruel, onde o amor não viceja e a bondade não produz frondes, mas o aceitas como se não te libertasses dele ao chamado inexorável da morte.

Programas tarefas e ensaias atividades, perdido no turbilhão do carro somático, emprestando à existência colorido mentiroso que se desmancha ao fragor da morte.

* * *

Muitos desavisados consideram os discípulos da codificação Kardequiana como um grupo de pessoas frustradas em franco desequilíbrio mental, porque eles falam sobre a morte, pensam na morte, esperam a morte, qual se conhecessem a vida depois da morte.

E a verdade é que os espiritistas conhecem realmente o continente estuante de vida que se alonga além das vibrações do decesso carnal.

Mensageiros da erraticidade lhes falaram das realidades do após túmulo, ensejando-lhes meditações apuradas sobre os valores legítimos e os imaginários que acompanham o espírito na vida futura.

Para tais, o corpo, vestimenta temporária, merece o que vale. Indumentária que carece de respeito e zelo, conservação e cuidado, amizade e gratidão.

Crescer através do corpo – é o seu lema – em vez de viver para o corpo.

O corpo é oportunidade. Liame entre o berço e o túmulo, facultada entrada e saída da vida física no processo incessante do evoluir.

Não te atenhas as questiúnculas passageiras do domicílio corporal.

Unge o coração de amor e alça a mente aos elevados programas da vida exuberante, preparando-te sempre para a desencarnação, matando lentamente vans ambições, infelizes querelas e secundários valores.

Fiandeiros da inutilidade gastam o tempo na roca da ilusão.

Operários da atividade reta despertam com os instrumentos do dever movimentados nas mãos.

Não te deixes consumir. A vida real é além da morte, onde se programam tarefas, ajusta-se roteiros e se organizam atividades… A erraticidade é a esfera das causas…

* * *

Quando o Sublime Governador da Terra corporificou entre os homens, considerou o trabalho atendendo aos impositivos da ação na comunidade; respeitou a indumentária, submetendo-se as contingências da época; manteve amigos em círculo de afeição, atento à vida em sociedade; aceitou problemas comuns, compreendendo as limitações mentais dos que o cercavam; mas, sobretudo, preparou-se para o serviço de salvação dos espíritos, entregando-se, Ele mesmo, às maiores renúncias, às mais pungentes dores, às mais graves aflições para, através da cruz, em morte imerecida, atestar que as fronteiras do Reino da Alegria Perfeita começam com as primeiras tintas da madrugada, que brilha na esfera excelsa da Imortalidade, depois de todas as preocupações, vencida a morte…

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo P. Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 33

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DISTORÇÕES

Orson Peter Carrara

Sabemos bem o que é o Espiritismo?

Embora lamentável o que se vem assistindo no movimento espírita – igualmente contagiado por fatores estranhos à sua genuína proposta, como acontece em tantos segmentos –, é natural que aconteça, face à imaturidade que ainda nos caracteriza. Muitos já reconhecemos sua real natureza e seus objetivos, mas seduzidos por interesses e paixões variadas, ainda nos mostramos incapazes de viver o que sabemos. A essência do Espiritismo está na caridade em sua ampla configuração, não restrita – é claro – à doação de bens materiais passageiros, mas sim e especialmente na atenção, na gentileza, no acolhimento (presente no abraço, no aperto de mão, no estímulo sincero em favor da felicidade alheia por exemplo), e também na fé e na esperança que se materializam na postura de retidão, na solidariedade e no respeito que nos devemos mutuamente, de vez que todos precisamos uns dos outros. E conforme encontramos no item 292 de O Livro dos Médiuns, o objetivo principal, prioritário, do Espiritismo está na nossa melhora moral, ou, em outras palavras, nos esforços que possamos desenvolver na aquisição de virtudes e na superação das más tendências.

Infelizmente, porém, nos dividimos, levados por fanatismos momentâneos ou visões distorcidas da realidade que conseguimos assimilar, iludidos que ainda estamos por posições, imposições, por ideias ou posturas dispensáveis, pois que incompatíveis com a moral de Jesus. Será uma ilusão de domínio de consciências alheias, será fruto do orgulho que ainda nos caracteriza ou da vaidade que se permite cultivar? Não sei exatamente, cada um descobrirá dentro de si mesmo tais razões, já que só o tempo nos levará ao amadurecimento que se busca.

Felizmente, porém, por outro lado, tudo isso é ação humana, bem própria de nossa mediocridade moral, e que nada tem a ver com a grandeza da Doutrina Espírita. Esta sim, impecável, inatacável e que recebe os impactos ingratos de todos nós, os espíritas, que embora reconheçamos devidamente sua grandeza e benefícios em favor da humanidade, que poderíamos multiplicar continuamente, permitimo-nos contagiar pela vaidade, pelo egoísmo ou pelo ciúme, e simplesmente iludidos por tolas e dispensáveis pretensões para quem pretende afirmar-se discípulo de Jesus.

Isso é pessimismo? Não! Absolutamente! É até um processo natural, bem próprio de aprendizados que nos amadureçam. Mas grita dentro de nós um apelo ao bom senso, ao discernimento, virtudes que tão bem caracterizaram a inigualável personalidade de Allan Kardec. Seja por gratidão à própria vida, ou aos exemplos marcantes de nomes veneráveis (e quantos não são?!) que abriram os primeiros caminhos e os mantiveram íntegros. Vamos, pois, rever os caminhos? Já não é hora de nos mostrarmos coerentes, agindo dentro da ética que aprendemos com o Espiritismo?

Sei que essa reflexão será ignorada ou desprezada pela maioria – somos assim mesmo, é de nossa natureza, nunca achar que somos nós os protagonistas de ações em desserviço do Espiritismo e que isso é culpa dos outros, nunca somos os responsáveis –, apreciada por outros com reserva e assimilada por minoria muito significativa, mas isso é secundário. O que é preciso é que se fale. Quem sabe um mínimo trovão consiga despertar alguns, até o próprio autor, sujeito também a equívocos de todo tipo, como criatura humana também em lutas.

O lamento, porém, é pela supervalorização de ações (e aqui é um universo delas) sempre em detrimento do estudo e da consciência doutrinária – que esclarecem e orientam –, substituindo prioridades por interesses que estimulam vaidades e supremacias, criando exércitos que seguem pessoas e não o Espiritismo, quando deveria ser o contrário, face à nossa condição de criaturas falíveis.

Mas a Lei do Progresso é determinante. Não há como impedi-la. A vida nos colocará devidamente no lugar no tempo certo, quando então deveremos rever posturas e reparar os estragos que causamos com nossas vãs e tolas pretensões. Felizmente, porque nos levará à maturidade de consciência que estamos tentando construir.

Mas a história pode ser diferente desde já. Basta o olhar da humildade e da constatação de nossa própria fragilidade, aprendizes ainda incapazes de domar a si próprios.

Orson Peter Carrara

Fonte: Centro Espírita Irmão Agostinho

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O EVANGELHO E O “NOVO”

Constantemente escuto alguns companheiros ou companheiras de jornada espírita, após um seminário ou uma palestra pública, ou outro determinado evento, fazerem o seguinte questionamento:

– O que o facilitador, orador, expositor ou palestrante trouxe “de novo” do Evangelho?

Essa interrogação soa, aos meus abençoados ouvidos, em forma de eco, e me leva a trocar miúdos com os meus botões:

– O que o Evangelho tem “de novo”? Será que foi aumentado ou retirado um til ou um jota da tão devassada fonte de conhecimentos sublimes para a vida eterna?

E, logo após, volto os meus ditos sentidos normais ao chão da fábrica do nosso movimento espírita e percebo que há uma preocupação, até alarmante, de muitos confrades e confreiras, na busca de facilitadores, expositores ou palestrantes ilustres, de oratória cuja eloquência acima do normal, proferindo seminários, exposições ou palestras espetaculosos, e que tragam o “novo” do Evangelho de Jesus.

Por que trazer o “novo” do Evangelho, se o Evangelho é sempre “novo”?

Por que não trazer apenas o Evangelho na sua pura simplicidade?

* * *

Se observarmos que o Evangelho é a boa nova, ou se preferirmos, a boa notícia do reino de Deus, e que é o nosso principal manual de trabalho de aperfeiçoamento moral e espiritual, concluiremos que Ele é sempre “novo”, sempre atual.

Então, caro leitor, com base na lógica, a pergunta que sugiro seja elaborada é o inverso, assim vejamos:

– O que “de novo de mim mesmo” estou extraindo do Evangelho a cada dia, numa perspectiva de evolução de minha visão em relação ao seu conteúdo?

– Em cada contato com o estudo do Evangelho, eu estou me tornando uma pessoa renovada, estou me tornando um “homem novo”?

Logo, a questão é que, se diante dos desafios das sendas evolutivas da vida, estou deixando emergir “o novo de mim mesmo” com base nos ensinamentos evangélicos. Se eu estou me tornando “novo” a cada instante.

Se eu estou me tornando “novo” no pensar e no agir, bem como na visão da verdade da vida e de mim mesmo.

Se eu estou me tornando “novo para mim mesmo”, domando as minhas más inclinações ou más tendências, transformando-as em atos de bondade, de misericórdia.

Então, nessa perspectiva, o “novo” deve partir de cada um de nós, da maneira como estamos vivenciando o Evangelho nas tarefas do cotidiano, ou seja, na administração do lar, da empresa, da conduta no trabalho profissional, no trânsito, na forma de se expressar e de posicionar-se diante de tal assunto, situação ou acontecimento, dentre outros exemplos.

E assim, não mais preocuparemos com o que “de novo” os oradores, expositores, facilitadores e palestrantes trarão do Evangelho; mas, acima de tudo, o que cada um de nós estará levando “de novo” para uma melhor compreensão do Evangelho, e dessa forma colaborando positivamente, em vibrações fraternais, com os trabalhos dos oradores, facilitadores, expositores e palestrantes em trazer “o novo de si mesmo”, a fim de despertar “o novo” de cada espectador ou telespectador, acerca do Evangelho que é sempre “novo” e sempre a fonte de renovação e de redenção de nós outros, espíritos imortais, na eternidade do aprendizado constante da vida.

Yé Gonçalves

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

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A SAUDADE COMO UM BÁLSAMO DE LUZ

Adriana Machado

Um dia, eu estava sentindo muita saudade de alguém especial e percebi que isso trazia muita tristeza ao meu coração.

Chorei um pouco em razão das lembranças que parecem estar sempre vinculadas à saudade e que, por vezes, maltratam o espírito e que nos fazem perceber que poderíamos ter aproveitado melhor a presença daquela pessoa que nos era, ou ainda é, tão preciosa.

Em determinado momento daquele processo de dor, tive a benção de poder escutar um espírito amigo que me disse: “Que bom que você sente saudade!” Eu respondi no impulso: “Mas, ela me entristece, me traz dor…” Então, ele continuou: “Mas, ela demonstra que o amor que vocês construíram nesta existência fez valer cada experiência vivida. Você preferiria não tê-la em sua vida só para evitar agora a dor da separação? Sentir tristeza é natural, tente somente não exacerbar o sofrimento alimentado por você nestes momentos”.

Eu nunca tinha pensado assim. Eu sabia, por já me ter sido explicado antes, que o sofrimento era uma escolha minha (já até comentei em outros artigos desse blog), mas pensar que a saudade era um reflexo de algo maravilhoso, nunca!

Quantas vezes nos deparamos com situações que nos fazem sentir como se o mundo ao nosso redor estivesse desabando e não sobreviveríamos a mais um dia? Quantas vezes, alimentamos um sofrimento desenfreado por acreditarmos que aquela “perda” foi um golpe da vida contra nós?

Se pudéssemos compreender que todas essas intempéries são alavancas para o crescimento de nosso ser, talvez, não nos sentíssemos tão desamparados!

Pensando na mensagem daquele amigo espiritual, a saudade é um momento de luz que, na maioria das vezes, transformamos em trevas através do sofrimento. Se entendermos que a saudade é o resultado positivo de nossos sentimentos pelo outro, que não está mais tão perto de nós, e que foi construída em razão de nossos esforços coletivos e diários para nos superarmos naquilo que ainda não compreendemos ou não colocamos em prática, talvez a possamos ver como um momento gratificante de nosso viver e não sofrer tanto por isso.

E não estou falando somente de sentir saudade de pessoas queridas, que desencarnaram ou estão longe de nós, mas também de lugares, de situações que vivemos e que gostaríamos de vivenciar mais um pouquinho, por nos ter feito sentir muito bem.

A saudade é um aviso nosso para nós mesmos dizendo que conseguimos amar alguém, que conseguimos viver um momento ou uma circunstância em que nos permitimos sentir a felicidade, nos sentir mais realizados, mais donos de nossos destinos…

A saudade é como um alerta para nós daquilo que realmente vale a pena termos em nossa vida, não como um retorno ao passado, mas como uma viagem ao futuro com o ser modificado que já nos transformamos, e com as pessoas e circunstâncias que nos são de grande valor e que estão conosco em nosso presente.

A saudade é como um sentimento que nos assola, vez por outra, para nos lembrar que podemos fazer algo que antes não nos sentíamos capazes de fazer (amar esse alguém) e que agora já é passível de ser vivenciado mais e mais se assim o desejarmos (viver, dividindo com o outro ou consigo mesmo aquilo que nos completa).

Mas, enquanto não aprendermos que o sofrimento é diferente da dor, que aquele é uma construção pessoal e que a sua intensidade somos nós que determinamos, ainda não conseguiremos enxergar a luz que se dá a cada momento da saudade.

Quem já não sorriu quando teve lembranças de momentos vivenciados com alguém que já se “foi”? Esse é um momento de luz! Quem já não agradeceu a Deus por ter tido essa pessoa em sua vida, apesar de agora ela não poder mais estar ao seu lado? Esse é um outro momento de luz! Quem não fez outros planos para adaptar a sua vida a uma circunstância baseada na saudade dos sentimentos vivenciados? Tudo isso é luz! Tudo isso nos traz saudades e, se desejarmos, também a felicidade.

Quero deixar claro que, em nenhum momento, devemos nos criticar ou julgar por sentirmos tristeza pela ausência de quem amamos ou pela impossibilidade de vivenciarmos aquela circunstância que desejamos uma vez mais em nossa vida, isso é natural. Contudo, que não transformemos a saudade em um momento de sofrimento, e sim a enxerguemos como uma reação que nos leva a valorizar tudo aquilo que foi importante para nós e ainda é.

“A saudade é um bálsamo de luz, quando bem a entendemos”, – disse-me um espírito amigo.

 Adriana Machado

Fonte:  Adriana Machado

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O QUE SÃO ESPÍRITOS AGÊNERES?

Tereza Cristina D’Alessandro

O que é um agênere? É uma aparição em que o desencarnado se reveste de forma mais precisa, das aparências de um corpo sólido, a ponto de causar completa ilusão ao observador, que supõe ter diante de si um ser corpóreo.

Esse fato ocorre devido à natureza e propriedades do perispírito que possibilitam ao Espírito, por intermédio de seu pensamento e vontade, provocar modificações nesse corpo espiritual a ponto de torná-lo visível.

Há uma condensação (os Espíritos usam essa palavra a título de comparação apenas) tal, que o perispírito, por meio das moléculas que o constituem, adquire as características de um corpo sólido, capaz de produzir impressão ao tato, deixar vestígios de sua presença, tornar-se tangível, conservando as possibilidades de retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível.

Para que um Espírito condense seu perispírito, tornando-se um agênere, são necessárias, além da sua vontade, uma combinação de fluidos afins peculiares aos encarnados, permissão, além de outras condições cuja mecânica se desconhece. Nesses casos a tangibilidade pode chegar a tal ponto que é possível ao observador tocar, palpar, sentir a resistência da matéria, o que não impede que o agênere desapareça com a rapidez de um relâmpago, através da desagregação das moléculas fluídicas.

Os seres que se apresentam nessas condições não nascem e nem morrem como os homens; daí o nome: agênere – do grego: a privativo, e géine, géinomai, gerado: não gerado, ou seja, que não foi gerado.

Podendo ser vistos, não se sabe de onde vieram, nem para onde vão. Não podem ser presos, agredidos, visto que não possuem um corpo carnal. Desapareceriam, tão logo percebessem a intenção diferente ou que os quisessem tocar, caso não o queiram permitir.

Os agêneres, embora possam ser confundidos com os encarnados, possuem algo de insólito, diferente. O olhar não possui a nitidez do olhar humano e, mesmo que possam conversar, a linguagem é breve, sentenciosa, sem a flexibilidade da linguagem humana. Não permanecem por muito tempo entre os encarnados, não podendo se tornar comensais de uma casa, nem figurar como membros de uma família.

Transcrevemos a seguir um exemplo extraído da Revista Espírita de 1859 – Fevereiro (EDICEL):

“Uma pobre mulher estava na igreja de Saint-Roque em Paris, e pedia a Deus vir em ajuda de sua aflição. Em sua saída da igreja, na rua Saint-Honoré, ela encontrou um senhor que a abordou dizendo-lhe: “Minha brava mulher, estaríeis contente por encontrar trabalho? – Ah! Meu bom senhor, disse ela, pedia a Deus que me fosse achá-lo, porque sou bem infeliz. – Pois bem! Ide em tal rua, em tal número; chamareis a senhora T…; ela vo-lo dará.” Ali continuou seu caminho. A pobre mulher se encontrou, sem tardar, no endereço indicado – Tenho, com efeito, trabalho a fazer, disse a dama em questão, mas como ainda não chamei ninguém, como ocorre que vindes me procurar? A pobre mulher, percebendo um retrato pendurado na parede, disse: – Senhora, foi esse senhor ali, que me enviou. – Esse senhor! Repetiu a dama espantada, mas isso não é possível; é o retrato de meu filho, que morreu há três anos. – Não sei como isso ocorre, mas vos asseguro que foi esse senhor, que acabo de encontrar saindo da igreja onde fui pedir a Deus para me assistir; ele me abordou, e foi muito bem ele quem me enviou aqui.

O Espírito São Luiz consultado a respeito, forneceu instruções muito interessantes:

  • Reafirma: – não basta a vontade do Espírito; é também necessário permissão para ocorrer o fenômeno.
  • Existem, muitas vezes na Terra, Espíritos revestidos dessa aparência.
  • Podem pertencer à categoria de Espíritos elevados ou inferiores.
  • Têm as paixões dos Espíritos, conforme sua inferioridade; se inferiores buscam prazeres inferiores; se superiores visam fins elevados.
  • Não podem procriar.
  • Não temos meios de identificá-los, a não ser pelo seu desaparecimento inesperado.
  • Não têm necessidade de alimentação e não poderiam fazê-la; seu corpo não é real.

Encerrando nosso estudo sobre os agêneres, relembramos que, por mais extraordinário que possam parecer, esses fatos se produzem dentro das leis da Natureza, sendo apenas efeito e aplicação dessas mesmas leis. Recomendamos aos leitores continuem a pesquisa sobre o tema nas Obras Básicas e na Revista Espírita, Fevereiro de 1859, 1860 e 1863.

Tereza Cristina D’Alessandro

Fonte: Letra Espírita

Bibliografia:

KARDEC, Allan – O Livro dos Médiuns: 2. ed. São Paulo: FEESP, 1989 – Cap VII – 2ª Parte.

KARDEC, Allan – Revista Espírita – 1859 – Fevereiro: 1. ed. São Paulo: EDICEL, 1985.

Postagem de G. E. Casa do Caminho de São Vicente

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INIBIÇÕES MENTAIS

Emmanuel

Embora o advento do Cristianismo sobre a Terra, espalhando amor e paz nos corações humanos, por muito tempo ainda, em favor da segurança e da ordem, não poderemos prescindir da justiça, que rearticula as peças vivas da comunidade, buscando recuperá-las para a harmonia.

Assim é que o magistrado, à maneira do cirurgião competente, trata o organismo social, usando o bisturi da lei para vazar a tumoração do vício, esvurmar as chagas morais ou interferir em regiões cancerosas ou gangrenadas, impondo-lhes a inevitável extirpação.

Por isso, o delinquente – como zona enfermiça que é preciso regenerar – sofre a internação nas casas de socorro ou nos presídios adequados à pena que os tribunais lhe cominam.

Nesse mesmo critério, a alma que abusa da inteligência, transformando-a em laço escuro de exploração inferior, a detrimento dos semelhantes, padece, em nova romagem física, a prisão indispensável e justa, recebendo no cérebro doentio ou imperfeito a redentora detenção de que necessita.

É desse modo que vemos a idiotia e a loucura, a epilepsia e a obsessão garantindo processos de cura espiritual, tantas vezes dolorosos à visão daqueles que somente enxergam a existência da carne.

E é aí, nesses calabouços de sombra, que todos nós, quando malfeitores do pensamento, expiamos os delitos de lesa-fraternidade, não através de estagnação fria e inútil, mas por intermédio da inibição e do sofrimento, que nos apressam o reajuste.

Diante do companheiro segregado em semelhantes grades mentais, exerce o santo dever da caridade e da paciência, aprendendo na triste lição, sob teus olhos, que é preciso usar a cabeça para o bem comum, mentalizando e agindo em termos de compreensão e solidariedade, serviço e progresso de todos, a fim de que as forças do mal não nos apaguem a lâmpada divina do discernimento e da razão, a luz que Deus nos concede para os caminhos da Eternidade.

Pelo Espírito: Emmanuel

DO LIVRO: Semeador em Tempos Novos

Psicografia: Francisco Cândido Xavier

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CONSIDERAÇÕES

Joanna de Ângelis

Gemendo, no solo, aterrada, clamava a pequenina a semente: “Que será de mim, esmagada neste abismo de sombra e morte?” E, tendo morrido, renasceu em vetusta árvore que espraiou sombra protetora, flor perfumada e fruto saboroso, em vasta gleba verdejante e nobre.

Retorcido, em brasa viva, sofrido pelo malho e a bigorna, murmurava, sem resistência, a lâmina de ferro: “Que me acontece sob tortura que me aniquila, desça respeitando minhas forças?” E, submetido a vontade do metalúrgico, converteu-se em segurança numa ponte grandiosa.

Picada pela abelha diligente e operosa reclamava a flor: “Porque me roubam pólen e néctar, candidatando-me à extinção, em violenta morte prematura?” Todavia, enquanto cede, fecunda-se e, ao morrer na haste, revive no mel que atende a colmeia feliz, mais além… Extirpado da furna em que em clausurava, grita, sob vigorosos golpes, o humilde carbono cristalizado: “Destroem-me, levando-me a nada, eu que venho da poeira dos milênios, em transformações intérminas”. Ferido, no entanto, e habilmente lapidado e engastado em precioso adereço fulge iridescente e valorizado.

* * *

Não olvides o impositivo da disciplina no programa da educação em família, preparando os que vivem contigo e seguirão a longa via por onde deambulas.

O mundo está miniaturizado no lar.

A família é a sociedade em embrião.

O indivíduo é o próton do átomo social.

Quando o lar desarmoniza, a sociedade cambaleia.

Sem a submissão aos impositivos do respeito à ordem e da valorização do caráter, com amplas considerações à honra, são improfícuas quaisquer arregimentações doutrinárias desta ou daquela filosofia, tendo em vista um mundo melhor ou uma sociedade mais feliz.

Tergiversando com o velho-novo Código do Sinai, abrasado pelo calor da loucura que grassa, infrene, levando de roldão aspirações superiores e condutas irreprocháveis, justificando a criminalidade e a degenerescência estarem em toda parte, o homem de bem com o desequilíbrio e a insânia por comodismo e assimilação, para despertar, logo mais, vencido e desesperado.

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Por essa razão o Cristão Espírita não se deve permitir veleidades e aspirações rocambolescas, longe do impositivo kardequiano: “O verdadeiro espírita é um verdadeiro cristão”.

Como o cristão verdadeiro entendemos o homem que se renova interiormente cada dia para melhor, plasmando, pelos atos corretos, uma mentalidade mais elevada em relação a ele e em torno dele.

Vivendo o século do áureo poder de Roma, em que o imediato da posse e da força elegia os seus comandantes, cantados por menestréis da frivolidade, nas galerias da honra transitória, Jesus chamou humildes e sonhadores corações entre escravos e gente considerada de má vida, aspiravam por uma Era Nova; e com eles renovou os conceitos de honra e de valor, conduzindo várias gerações pelos caminhos da sublimação, no legado de esperança e consolo aos que se encontram, ainda hoje, atados aos eitos de mentira e de ilusão, adorando as paixões e as vacuidades que logo passam…

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo P. Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 34

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SINTONIA E OBSESSÃO

Maísa Intelisano

Obsessão, assédio, encosto, mau-olhado, quebranto, ou seja, lá qual for o nome que se queira dar, é, acima de tudo, uma questão de atitude pessoal nossa. Somos nós que abrimos a nossa frequência para que entidades perturbadas, com ou sem ligações conosco, se aproximem e nos causem perturbações.

No universo tudo é uma questão de sintonia. Os semelhantes se atraem e, quando entram em ressonância uns com os outros, intensificam sua própria frequência, aumentando também seus efeitos e suas qualidades, boas ou más.

Isso não quer dizer que todos nós sejamos pessoas perturbadas e que, por isso, atraiamos só entidades perturbadas. Mas que, como todo mundo, cada um de nós passa por perturbações no seu dia a dia, as quais podem durar mais ou menos tempo, dependendo da gravidade da situação, da própria força para encarar e superar as contrariedades, do ambiente em que estamos ou que normalmente “frequentamos” no nosso dia a dia, etc.

Na maioria das vezes, não temos qualquer obsessor ou perseguidor de outras vidas ou de outras situações, mas nos permitimos ficar mais tempo remoendo uma determinada mágoa ou raiva, visualizando uma discussão ou briga. Ficamos deprimidos ou aborrecidos por mais tempo e alimentamos as formas astrais destas situações, que ficam circulando ao nosso redor. Com isso, diminuímos nossa frequência vibratória e, consequentemente, nos sintonizamos com as mentes que vibram na mesma faixa vibratória.

Normalmente, as frequências mais baixas são de entidades mais perturbadas, sofredores, ignorantes espirituais, etc. Eles não têm nada contra nós, mas simpatizam-se conosco simplesmente porque encontram “eco” em nós para os seus pensamentos e sentimentos. Acontece exatamente a mesma coisa conosco, encarnados: procuramos a companhia das pessoas que nos são mais afins, que combinam mais conosco, que pensam mais ou menos como a gente.

Afinidade

Da mesma forma, essas entidades ficam conosco simplesmente porque se sentem bem ao nosso lado, mais nada. Então, como elas gostam do que sentem, ajudam, inconscientemente, a alimentar esse quadro para mantê-lo enquanto puderem. Como estamos vulneráveis a essas sugestões, também intensificamos esse padrão. E, se não tomamos cuidado, isso rapidamente se transforma em assédio mais complicado ou mesmo obsessão, que começou apenas porque resolvemos dar guarida a pensamentos e sentimentos menos felizes que nós mesmos criamos e com os quais atraímos esses espíritos desavisados para nós. E aí, muitas vezes, não somos responsáveis só por nós mesmos, mas também um pouco responsáveis por eles que foram “fisgados” pelos nossos pensamentos e sentimentos, sem saberem onde estavam entrando.

Assediador ou obsessor?

Alguém já parou para pensar que somos nós que podemos estar perturbando esses espíritos mais do que eles a nós? Quem, então, seria o assediador ou o obsessor?

Mesmo que essas entidades sejam nossos “personal obsessors”, ou seja, mesmo que tenhamos com eles dívidas ou compromissos passados de outras vidas ou de outras situações desta vida mesmo, é sempre a nossa atitude íntima o que vai determinar se a sua influência vai ser mais profunda ou não, mais demorada ou não, mais extensa ou não, mais prejudicial ou não.

Existem, sim, muitos espíritos cruéis, oportunistas, frios, calculistas – exatamente como aqui no mundo físico –, mas o grau de influência que eles têm sobre nós sempre vai depender do nosso próprio grau de luz, amor e serenidade interior! Eles não têm mais poder do que nós. O poder é igual para todos, ou seja, temos tanto poder quanto eles.

Então, seja em que situação for, o melhor é sempre manter a “mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo” (acho que o verso é mais ou menos assim), para que, com vibrações mais saudáveis, mais luminosas e mais suaves, nós possamos transformar até aquele obsessor mais duro e cruel em amigo. Na pior das hipóteses, mesmo que ele não se torne nosso amigo, vai desistir da perseguição, pois vai se cansar de tentar nos desequilibrar sem sucesso e vai procurar outra “vítima”.

O problema é que, muitas vezes, queremos simplesmente afastar os assediadores e/ou obsessores, sem nos preocuparmos realmente com eles. Ou seja, tomamos uma atitude egoísta do tipo “eu quero mais é ficar livre deles e que eles se danem”.

Só que isso não resolve o problema. Primeiro porque, na verdade, não estamos sendo nada caridosos ou bondosos. Muito pelo contrário: nós os estamos tratando como nossos inimigos e, portanto, reforçando os sentimentos deles para conosco. Segundo, porque, se eles não melhoram intimamente, poderão voltar amanhã ou depois, assim que tivermos qualquer fraqueza ou abrirmos qualquer brecha vibratória.

Mude seu pensamento

O mais correto é pensar neles como irmãos ou amigos espirituais, temporariamente desviados de seu próprio caminho de iluminação interior, porque ninguém fica obsessor para sempre, ninguém permanece desorientado ou perturbado para sempre.

E quem garante que nós mesmos já não estivemos na condição de assediadores ou obsessores nos períodos em que estivemos desencarnados pela eternidade afora? E se estivéssemos nessas condições hoje? Como gostaríamos de ser tratados? Como iríamos querer que a nossa “vítima” agisse? Será que não iríamos gostar que nos perdoasse e nos ajudasse a sair dessa situação?

Infelizmente, toda uma “tradição” espiritual equivocada foi criada em relação às obsessões e assédios, fazendo parecer que os desencarnados que obsidiam e perturbam encarnados são sempre os carrascos, criminosos espirituais merecedores da nossa fúria e da nossa frieza, como se os encarnados fossem sempre pobres vítimas sofredoras.

Só que, em minha opinião, não é bem assim. Ainda mais se considerarmos que, em grande parte dos casos, eles são mais vítimas do que provocadores da situação.

Assim, sugiro que, acima de tudo, todos procuremos vibrar sempre luz, em todos os lugares e em todos os momentos de nossa vida.

Com isso, estaremos garantindo que os nossos possíveis obsessores pensem duas vezes antes de quererem nos atacar ou perturbar.

Além disso, claro, as preces, orações, vibrações de amor, direcionadas a Deus ou ao ser supremo do universo, são, sim, excelentes, desde que sejam sinceras e profundas, emitidas com as melhores intenções, inclusive por aqueles que supostamente nos perseguem.

Maísa Intelisano

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, Ed. 141.

Fonte: Vivência Espiritualista

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