O PRAZER DE PROPAGAR O ESCÂNDALO

“Não nos dirigimos nem aos curiosos nem aos apreciadores de escândalo, mas àqueles que querem seriamente instruir-se”. — Allan Kardec, O céu e o inferno.

Quem gasta certo tempo de sua vida no noticiário do momento facilmente se comove com os dramas, desgraças e análises pessimistas destilados todos os dias por inúmeros meios de informação. Em parte, esses resumos diários, excessivamente ruidosos e carregados de infortúnios alheios, revelam um excesso de sensacionalismo, potencializado pelo alcance e rapidez das mídias sociais, dos meios de comunicação digital em um mundo cada vez mais conectado. Nunca foi tão fácil e rápido noticiar. Um verdadeiro exército de jornalistas improvisados bombardeia todos os dias as pessoas com informações, na sua maioria sem qualquer utilidade prática, mas que servem para definir a pauta do ânimo de cada dia.

Grupos com interesses altamente específicos, indivíduos desqualificados e propagandistas sem escrúpulos têm seus ‘multiplicadores’ em uma guerra silenciosa, cujo objetivo é captar o máximo interesse do público e atingir grupos e inimigos diversos. O analfabetismo filosófico e a incapacidade de perceber mesmo as mais grosseiras fraudes argumentativas acabam ressoando entre multidões imensas, sedentas de informação, mas cativas de suas próprias faltas de formação e equilíbrio.

Em comum, os informantes seguem o mais puro materialismo, a ausência completa de discernimento sobre a vida futura. A noção de justiça que transmitem é quase sempre a do aqui e agora, a dos ânimos embrutecidos na revolta pelo não cumprimento aparente de uma justiça idealizada, que muda conforme os interesses. De fato, é deveras sem sentido entre os que nada creem exigir justiça: se nada existe para além dessa vida, por que se preocupar? A justiça clamada por eles é uma convenção transitória em um universo brutal em que os desejos, aspirações e mais nobres intenções humanas desfazem-se lentamente como espuma para cada criatura que morre…

Diante desse quadro em que o nada é propaganda velada de todos os dias, faz bastante sentido ver se espalharem os crimes, as mais torpes transgressões, as mais incríveis iniquidades e o aumento do suicídio entre os que não conseguem suportar. É como se estivesse em curso uma gigantesca ‘catástrofe anunciada’, em que cada um pensa poder sobreviver, faz o que pode para garantir os seus direitos, e passa por cima de qualquer um no ‘salve-se quem puder’ de cada dia.

Afogados nesse apocalipse de desgraças, nunca foi tão necessário o discernimento — separar o joio da verdade do trigo da ilusão — e o equilíbrio moral, não se deixar abater pela revolta, que cria o estado de desânimo e pode trazer para nossas vidas problemas que são dos outros. Ainda mais porque, muitos dos que clamam por justiça, porque querem ser vistos, pregam o ódio como método. Ora, é bastante óbvio que nada de bom pode resultar de meios que pregam o ódio de forma sistemática, ou que acreditam poder gerar o bem fazendo o mal.

A antítese da combinação mórbida do ódio com o nada é o amor e a certeza da vida futura. Contra essas duas crenças, por que se impõe a dúvida? Porque a certeza da eficácia dessas duas verdades é também um bem que o indivíduo deve conquistar todos os dias, se a ele faltam os recursos internos. Esses recursos são semeados ao longo de sucessivas vidas, razão porque eles se encontram tão desigualmente distribuídos entre as pessoas. Não se trata, portanto, de uma injustiça desde o nascimento. Aqui vemos um sujeito que em nada acredita, que nutre rancor contra seu semelhante ou que segue amargurado, sem ânimo para o vida. Mas eis que, ao seu lado, alguém o suporta bravamente, escorando-se na fé ou em pequenos atos de gratidão, muitas vezes desapercebidos, mas que pouco a pouco surtem efeito. E tal quadro multiplica-se aos milhões em todas as partes do globo.

Essa é também a principal razão porque a humanidade, não obstante todas as conquistas tecnológicas, continua em sua maioria crente em Deus através das inúmeras religiões, que têm suas próprias formas de conceber a vida futura. O que seria do mundo se não fosse a fé que conforta e permite viver? Independentemente de como concebem Deus e o futuro no além-túmulo, em certo sentido profundo, todas as religiões estão certas ao mesmo tempo. Investem a seu modo na certeza da vida maior, adaptadas conforme a formação e o grau de discernimento de cada pessoa. Não se deve imputar às religiões (ou seja, às doutrinas que professam) a culpa pelos males praticados em seu nome: de fato, tratam-se de aberrações que surgem quando a incúria e a iniquidade reinterpretam do seu jeito as lições da vida superior. As distorções observadas se explicam porque alguns religiosos apenas se apegam intelectualmente a uma verdade maior e continuam a viver do mesmo jeito. Ainda assim, quem poderia garantir que não seriam muito piores se não fosse a parca luz que pregam?

Em resumo, temos como certo que é “necessário o escândalo”, pois ele faz parte do processo de aprendizado a que cada pessoa está sujeita neste mundo de testes morais incessantes. Mas, entre ser afetado pela onda do mal e viver com serenidade, podemos escolher semear a certeza de que o amor e a vida futura são patrimônios inalienáveis da alma dos quais somos todos herdeiros no futuro. O quão distante esse futuro se encontra, depende inteiramente de nós.

Fique esperto!

É preciso atenção para não perdermos tempo, deixando nos levar em vibrações negativas, emanadas pelas notícias que nos são bombardeadas o tempo todo.

Você pode filtrar a circulação de mensagens negativas pelas redes sociais:

  • Configure seu aplicativo de mensagens para que vídeos e fotos não sejam baixados de forma automática. Assim você evita de ver imagens indesejadas, além de não ocupar espaço no seu celular.
  • Não compartilhe e nem curta imagens de violência. As redes sociais trabalham por número de compartilhamentos e curtidas.

Quanto mais você curte e compartilha, mais irá visualizá-las em seu perfil.

  • Não siga nas redes sociais portais que foquem a violência. Busque aqueles que valorizam a informação sem foco no sensacionalismo.
  • Deixe claro em sua rede que você não curte e não deseja receber esse tipo de material.
  • Ao receber informação ou notícia sobre acidentes, catástrofes, crimes hediondos, conecte-se à equipe espiritual e peça socorro aos necessitados e conforto a todos os envolvidos. (Colab. Alessandra Simões)

O que dizem os Espíritos

  • A culpa de quem sonda as chagas da sociedade e as expõe em público depende do sentimento que o mova. Se o escritor apenas visa produzir escândalo, não faz mais do que proporcionar a si mesmo um gozo pessoal, apresentando quadros que constituem antes mau do que bom exemplo. O Espírito aprecia isso, mas pode vir a ser punido por essa espécie de prazer que encontra em revelar o mal.
  • Se ele escrever boas coisas, aproveitai-as. Se proceder mal, é uma questão de consciência que lhe diz respeito, exclusivamente. Ademais, se o escritor tem empenho em provar a sua sinceridade, apoie o que disser nos exemplos que dê. — O livro dos espíritos, Allan Kardec. Perg. 946 e 946a.
    Ademir Xavier

    Reprodução de:  Grupo Espírita Casa do Caminho de São Vicente

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ESPÍRITO DE SISTEMA

Orson Peter Carrara

A palavra sistema é bastante utilizada atualmente, representando um conjunto de programas que executam tarefas definidas em sua programação de trabalho, especialmente considerando a realidade virtual, hoje totalmente expandida nos diversos segmentos sociais.

Por outro lado, também pode representar um padrão de condução de uma empresa, ou um sistema de vida, pessoal ou familiar, com critérios escolhidos livremente, como bem sabemos da condição humana e seus variados comportamentos, suas múltiplas escolhas. Em síntese, podemos dizer que é uma maneira de se conduzir, transformando-se em hábitos ou costumes, que acabam estabelecendo padrões de comportamento, saudáveis ou não.

No conhecido livro “Parábolas e Ensinos de Jesus”, o ilustre Cairbar Schutel, no capítulo “O Espírito de Sistema e as novas verdades” faz lúcidas referências às sucessivas e penosas lutas das grandes personalidades humanas que transformaram o mundo, trazendo progressos variados, mas que tiveram – todos eles enfrentaram resistência em seu tempo – que lutar contra o “espírito de sistema”, ou esta mentalidade de resistência às novas descobertas ou às mudanças de modelos ultrapassados. Isso é histórico. É aquela mentalidade de desvalorizar esforços alheios, é aquela posição de desprezo para com as pessoas que se destacam e pensam diferente do modelo antes estabelecido.

Por suas ideias e projetos muitos foram mortos, sacrificados, torturados, outros sacrificaram-se, imolaram-se no isolamento e na renúncia silenciosa, para legar – todos eles – os esforços de suas pesquisas, seus estudos, que ao longo do tempo, beneficiaram toda a humanidade. Não foram compreendidos quando apresentaram suas ideias, quando as divulgaram, sofrendo desprezos, humilhações, perseguições, morte, enfrentando os poderosos de os matizes que outro interesse não tinha senão manter o padrão estabelecido de que se beneficiam.

E isso não mudou. A realidade atual mostra isso. O egoísmo ainda nos domina e ainda permanecemos fechados e irredutíveis aos pontos de vistas, aos sistemas a que nos escravizamos, nos condicionamos, deixando-nos conduzir por automatismos deploráveis, sem dar chance de abertura aos novos tempos, `às novas ideias, aos transformadores da sofrida realidade social.

Mas novos clarões já se projetam, pois, a Lei de Progresso é inevitável.

Afirma Schutel no primeiro parágrafo de sua reflexão: “O mundo não tem progredido senão à custa de lutas e sofrimentos. Todas, as novas descobertas, todas as grandes verdades, todos os grandes homens não têm conseguido exercer a sua missão no nosso planeta senão com grandes sacrifícios e depois de uma luta terrível contra o espírito de ignorância, que ensombra todas as camadas sociais!”. E depois de valiosas considerações (sugerimos ao leitor buscar o texto na íntegra), ele coloca com propriedade:

“Cada jato de luz que vibra na mansão das trevas agita os ignorantes sistemáticos, assim como os lampejos do Sol alvoroça os morcegos e as corujas que só se comprazem com a noite.”

Não vou ficar nas transcrições, quero estimular o leitor a buscar o texto integral. Ele conclui referindo-se à luta das ideias espíritas frente à truculência das ideias materialistas, gradativamente sendo vencidas pela clareza de uma realidade patente que hoje já compreendemos.

Há uma frase, todavia, que chama muito a atenção nessas lutas. E que motivou a presente abordagem. Considera o benfeitor: “(…) a árvore dos bosques não cai ao primeiro golpe do machado; é preciso muitas “machadadas” (…)”.

A comparação é belíssima nessas lutas que nunca cessam. É preciso mesmo perseverar, prosseguir e dar as constantes “machadadas” (a comparação em hipótese alguma é com a violência, mas com o trabalho continuado) da perseverança que vai vencer o preconceito, o orgulho, e especialmente o espírito de sistema, que teima em escravizar, prender, coibir iniciativas ou impedir o progresso e a felicidade, justamente pela mentalidade de egoísmo que ainda nos domina e que nos faz esquecer a solidariedade….

Mas como somos potencialmente bons, esse quadro vai passar e conquistaremos com trabalho a dignidade que deve nos caracterizar como filhos de Deus.

Fonte: G. E. Casa do Caminho de S. Vicente

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SOBREVIVÊNCIA E LIBERTAÇÃO

Os cristãos primitivos, convencidos da sobrevivência do Espírito aos despojos materiais, enfrentavam a morte cantando hinos de alegria.

No corpo, consideravam-se encarcerados, anelando pela liberdade.

Na limitação orgânica, sentiam-se em área estreita e sombria, desejando a luminosidade do amanhecer eterno.

Sob a constrição da matéria, experimentavam cativeiro perturbador e, por isso mesmo, esforçavam-se para alcançar a libertação.

Para esses cometimentos, desenvolviam os sentimentos nobres, refundiam a esperança no futuro, guardavam as reflexões em torno do amor eterno, nunca se detendo a considerar o trânsito carnal como realidade plenificadora.

Viviam as experiências terrenas com lucidez, preservando a certeza de que, por mais se alongassem, paralisariam na interrupção do corpo através da morte, a fim de as prosseguirem noutra dimensão imperecível, compensadora.

Em face dessa convicção, jamais se atemorizavam diante da própria morte, como da dos seres amados.

Fixando a mente e os ideais na sobrevivência, viviam no mundo como alunos numa escola, como hóspedes e não como residentes fixos, aguardando que o fluxo da vida mudasse de direção…

Martirizados ou perseguidos, recebiam a penalidade como forma de sublimação e de mais fácil ascensão à glória imortal.

O infortúnio do exílio, a separação dos bens e da família, embora os fizessem sofrer, não os desesperavam, por confiarem no reencontro futuro e na conquista de mais valiosos tesouros de paz e autorrealização.

O Cristianismo é doutrina de imortalidade que exalta a sobrevivência do ser, estruturado na Ressurreição de Jesus, o momento glorioso do Seu ministério ímpar.

* * *

A Idade Média, porém, com as suas superstições e fanatismos, envolveu a morte em terríveis sombras, vestindo-a de pavor e de exóticas formulações.

Exéquias demoradas, tecidos negros e roxos, ritos soturnos, cantochões deprimentes, carpideiras profissionais, cerimônias macabras, davam a impressão de horror e desalento em referência à morte.

Descambando para comportamentos monetários e realizações negociáveis, o espetáculo mortuário fez-se aparvalhante pela forma, desvirtuando o conteúdo da realidade imortalista…

O conhecimento da sobrevivência brinda a certeza em torno da continuação da vida depois do decesso carnal, e a morte passa a ser recebida com serenidade, com alegria.

À medida que os fatos confirmam a indestrutibilidade da vida, morrer deixa de ser tragédia, transformando-se em mecanismo que facilita o renascimento em outra esfera, no mundo espiritual.

A sobrevivência é o coroamento da existência física, que se transforma através do fenômeno biológico da morte.

* * *

Viva cada ser com elevação e desprendimento, treinando a libertação e, adaptando-se mentalmente, aguarde a hora feliz do retorno à pátria de onde veio para breve aprendizagem terrestre.

Deve recear a morte quem se encarcera nas paixões inferiores, aquele que se escraviza nos apetites insaciáveis, o ser que se agarra às manifestações do corpo transitório.

* * *

Passadas as angústias da saudade, diminuídas as amarguras da aparente solidão, o reencontro com os seres queridos, sobrevivendo à forma orgânica, constituirá o verdadeiro prêmio à confiança em Deus e à entrega ao Bem.

Guarda-te nessa confiança do reencontro com os teus familiares queridos e trabalha por ele, qual agricultor que vê a semente morrer hoje, a fim de acompanhar a planta exuberante, as flores desabrochando e os frutos saborosos que colherá mais tarde.

A sobrevivência é luz brilhante no fim do túnel, atraindo-te, fascinante.

Segue na sua direção com tranquilidade e nunca temas a morte.

* * *

A ilusão é responsável por inúmeros sofrimentos.

Valorizando, excessivamente, os bens transitórios e apegando-se em demasia aos interesses materiais — paixões sensuais, valores amoedados, propriedades, juventude, saúde orgânica, entre outros —, o indivíduo teme vê-los desaparecer, transformar-se ou gerar conflitos, no entanto deixando-os todos, um dia, mediante o fenômeno biológico da morte.

Acreditando que esses empréstimos da vida — os valores físicos — são perenes, o que lhe constitui uma ilusão, quando defrontado ou dominado pela realidade, desarmoniza-se, padece dores, desespera-se.

A sobrevivência da vida à morte é a única e legítima expressão da existência humana.

Preparar-se para essa luminosa experiência inevitável, treinando o desapego e a solidariedade fraternal, é uma forma eficaz de diluir a ilusão, evitando perdas e sofrimentos futuros.

Somente, porém, sobrevive livre aquele que aprendeu no corpo a desatar-se das amarras das paixões enganadoras, nas quais em algum momento tentaram aprisioná-lo.

 

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo P. Franco

Livro: Desperte e seja Feliz – 29

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É NECESSÁRIO MORRER

Processo De Desencarne Desligamento Passo A Passo ! Doutrina Espírita

Quando iremos morrer?

O simples mencionar dessa pergunta causa calafrios, medo ou repulsa a muitas pessoas.

A grande maioria de nós nos recusamos mesmo a pensar em tal assunto.

Seja por medo, por desconhecimento, por fatores culturais ou aspectos religiosos, a morte nos surge como um grande tabu.

Por isso, poucas vezes, refletimos ou percebemos a morte como um processo natural e necessário para a vida.

Nas florestas, árvores centenárias perdem o vigor, morrem para ceder espaço para outras, que crescem frondosas, se alimentando da matéria orgânica decomposta dessas.

Nas tempestades, sob ventos fortes, galhos e folhas se desprendem dos troncos, dando espaço para outros, que surgirão, com maior viço e pujança.

Esse é o ciclo da vida: a decadência cede lugar à nova vida, para logo mais a morte prenunciar novo ciclo.

A morte não é sinônimo de fim, de conclusão ou de eliminação.

Ela sempre será o prenúncio de nova etapa, de momento que se inicia.

Assim pode se dar com nosso mundo íntimo.

Há muita coisa que precisa fenecer, perecer, morrer em nossa intimidade para dar vazão a outras possibilidades.

Há muitos valores que nos prejudicam, que atrapalham nossa felicidade, que perturbam nosso caminhar.

É importante empreender todo esforço para a morte desses valores.

Ao morrerem, darão lugar a possibilidades de outras paisagens, de outros conceitos.

Nesse raciocínio, percebemos ser inadiável que façamos morrer o egoísmo que carregamos.

Dessa forma, o nos preocuparmos com o outro, nos doarmos ao próximo, permitirá que, aos poucos, nosso egoísmo perca força e morra em nossa intimidade. Seremos, então, mais solidários e fraternos.

O empenho que empreguemos para perdoar, ou compreender o outro, ter empatia em relação às suas falhas e limitações, irá acabando com nosso eu orgulhoso, pretensioso, arrogante.

Somente com a morte lenta e gradual desses sentimentos de difícil lida, é que abriremos espaço para o desabrochar de virtudes.

Portanto, se faz necessário o esforço da morte das paixões inferiores para que se faça nova luz em nossos corações.

Tudo isso nos demonstra que a morte sempre se fará necessária, para dar espaço à renovação, ao novo ciclo, à melhora.

Nada diferente quando falamos da vida física.

A morte, inevitavelmente, visitará nosso corpo físico, impossibilitando a continuidade da vida biológica, orgânica.

Contudo, esse momento, de forma alguma, indicará o fim de tudo. Será apenas o final de um ciclo.

Será a etapa concluída de uma reencarnação, que nos deu inúmeras chances, possibilidades e oportunidades de aprendizado e renovação.

Findo tudo isso, apresenta-se o momento de retornarmos para casa, para o mundo espiritual.

E, como inscrito no dólmen da sepultura do mestre Allan Kardec, em Paris, a lição é de imortalidade e evolução: Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.

Lei da vida, lei de progresso.

Redação do Momento Espírita
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O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO?

  • Paulo Henrique de Figueiredo

Dúvida antiga e muito incompreendida. Mas a resposta é simples, quando buscamos a resposta em sua origem, nas explicações de Kardec.

A doutrina espírita pode ser útil a todas as religiões. Só não pode tornar-se ela uma delas. Senão sai da condição de conhecimento fundamental e se equipara na disputa pela salvação, como promessa aos fiéis de uma seita.

Nem pode associar-se a um corpo dogmático, senão sincretiza-se e deixa de ser basilar e progressivo. Sua essência é como a Física, Biologia, Cosmologia: um entendimento das leis universais, no caso, pelo ponto de vista dos espíritos sábios.

Além disso, considerando o sentido filosófico do termo “religião”, Kardec se referia a um significado bastante presente em seu tempo, o de religião natural. Vem do fato de naquela época as ciências humanas se fundamentarem no espiritualismo racional, independente de credo religioso. Estando Deus presente na natureza como causa e imanente, estamos todos relacionados naturalmente com ele.

Há quem busque o significado etimológico da palavra no latim religare, que significa religação. Mas esse significado é confuso, pois nunca, jamais nos desligamos de Deus. O sentido que a doutrina espírita promove, pela natureza de sua mensagem, é o laço natural que nos une de forma solidária, entre nós, e entre nós e o Criador.

Dessa forma, o importante está no que ele representa para nós, pois compreendendo o Espiritismo como filosofia de vida, não haverá diferença entre compreensão e ato, ou seja, será uma doutrina vivenciada, transformadora. As religiões tradicionais colocam o fiel em postura de submissão, de espera, de pedinte de recompensas e também temeroso de castigos. Nada disso será encontrado no Espiritismo bem compreendido. É dever daquele que bem o compreendeu divulgar essa visão original, para resgatarmos sua essência primeira!

Paulo Henrique de Figueiredo
Fonte: Revolução Espírita

Postado por: G.E. Casa do Caminho de S. Vicente

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DEVORAR O PRÓPRIO CORAÇÃO

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Acredito que você, leitor amigo, nunca ouviu falar de Hipônoo, nome obscuro de um cidadão grego, filho de Eurímede e Glauco, também ilustres desconhecidos.

Mas certamente conhece Belerofante, o herói mitológico.

Ambos são a mesma pessoa.

Tendo matado Beleros, tirano de Corinto, Hipônoo ficou famoso como “o matador de Beleros” ou Belerofante.

Suas aventuras fabulosas apresentam lances dramáticos, ações indômitas, tragédias, mortes e horrores.

Montado no Pégaso, o célebre cavalo alado, realizou proezas memoráveis, como vencer as amazonas, as mulheres guerreiras.

A mais gloriosa foi matar a quimera, fabuloso ser com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão, que aterrorizava populações, expelindo chamas, destruindo rebanhos e matando gente.

Contando com a ligeireza de Pégaso, escapava dos jatos de fogo arremessados pelo monstro, até que, com fulminante golpe de espada, o liquidou.

Não obstante suas vitórias como guerreiro, Belerofante terminaria seus dias melancolicamente, obscuro Hipônoo.

Segundo Homero, em A Ilíada, os deuses voltaram-se contra ele e o condenaram a vagar sem rumo, coxo, cego e solitário, a devorar o próprio coração.

A saga de Belerofante, como sempre ocorre com a mitologia, tem pontos de contato com a realidade: os desafios existenciais, os temores e as dúvidas em torno de situações difíceis que imaginamos ou superestimamos.

Surgem como “monstros” ameaçadores que podemos vencer, desde que trabalhemos intensamente para isso.

O mais interessante está na expressão de Homero – devorar o próprio coração.

Representa, simbolicamente, o comportamento de pessoas que, em face das atribulações da existência, entregam-se a sentimentos negativos, resvalando para a angústia, a revolta, o desespero, a depressão… Nutrem-se das próprias mágoas, como se cometessem um ato de antropofagia moral, atormentados Hipônoos, nos caminhos da Vida, esmagados ao peso da própria desdita.

É preciso resgatar o herói que há em nós; não a fantasiosa e contraditória figura mitológica, mas o filho de Deus, dotado de suas potencialidades criadoras, capaz de enfrentar as atribulações da existência, reduzindo-as às suas dimensões reais.

São quimeras que podemos derrotar com as asas do conhecimento espírita, que nos permite pairar acima das misérias humanas, desvendando os mistérios do destino.

O ente amado que pranteamos não se consumiu nas cinzas da sepultura.

Continua a viver em outros planos do infinito, acompanhando-nos os passos, torcendo por nós, esperando pelo reencontro feliz, quando chegar nossa hora.

A enfermidade que nos aflige não objetiva impor-nos perturbações e angústias.

Tratamento de beleza para a alma, conduz a valiosas disciplinas e convida-nos à oração e a reflexão em torno da jornada humana.

As dificuldades que surgem em nosso caminho não são obstáculos intransponíveis, convites ao desalento.

São estímulos à mobilização de nossas potencialidades criadoras, tornando-nos mais fortes e capazes.

A desilusão amorosa que nos angustia não implica em aniquilamento de nossas esperanças.

Apenas revela que estivemos iludidos e a experiência nos ensinará a erguer o edifício de nossas realizações afetivas sobre bases mais sólidas.

Se o leitor amigo, sente-se um Hipônoo, e anda a devorar o próprio coração, nos grotões do desânimo e da tristeza, lembre-se: Há um Belerofante adormecido em você!

Desperte-o!

Tome o seu Pégaso, nas asas abençoadas do conhecimento espírita, paire acima das misérias humanas com a gloriosa visão do infinito e derrote as quimeras com a mais poderosa de todas as certezas: Deus nos reserva o melhor, num glorioso porvir!

Richard Simonetti

Livro: Luzes no Caminho

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TEU OLHAR É UM RUIM PORQUE EU SOU BOM?Resultado de imagem para imagens de mau olhar

Marcelo Teixeira

Eu adoro a pergunta que abre este texto. É uma das minhas passagens preferidas do Novo Testamento. Está contida na Parábola dos Trabalhadores da Vinha (Mateus, 20: 1 a 16). Allan Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, analisa esta parábola no cap. 20, intitulado “Os trabalhadores da última hora”. Vamos a ela para entender o caminho que chega à frase sobre a qual me debruço.

Diz Jesus que o reino dos céus (estado pleno de consciência limpa e tranquila) se assemelha a um pai de família que saiu de madrugada para contratar trabalhadores com o intuito de atuarem na sua vinha. Curioso notar que o contratante não é nenhum empresário, fazendeiro ou similar. É um pai de família, o que pressupõe zelo, justiça e equanimidade. Afinal, pai que é pai nunca toma partido eternamente de um só filho. Por ser pai de todos, sabe aplicar a justiça com bondade e sabedoria.

Àquela época, não havia trabalho fixo, carteira assinada e similares. Os trabalhadores eram contratados por dia de trabalho. Para consegui-lo, iam para a praça desde as primeiras horas da manhã, a fim de aguardar quem aparecesse para contratá-los. É por isso que, no Pai-Nosso, Jesus diz a frase “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Se alguém não conseguisse trabalho, não teria pagamento e, por conseguinte, não levaria para casa os proventos necessários àquele dia.

Imaginem a praça cheia de homens por volta das 6h. Todos ávidos por garantir o pão do dia. O pai da parábola chega e lhes oferece um denário (moeda que correspondia ao salário diário) pelo dia. Eles aceitam sem pestanejar e vão para a vinha, que aqui simboliza o mundo, campo de atividades cujo aprimoramento compete a nós.

Só que o pai precisava de mais trabalhadores e volta à praça às 9h. Lá encontra outros homens e os chama para a vinha. Eles topam na hora, agradecidos. Às 12h e 15h esse paizão retorna ao local e chama outros homens para a lida. Eles, que já deveriam estar para lá de agoniados, aceitam de bate-pronto. Por fim, esse genitor para ninguém botar defeito (leia-se Deus) retorna à praça às 17h, já quase no final do expediente. Havia homens por lá, decerto desesperados porque o dia já ia embora e eles ainda estavam sem labor (e sem perspectiva de ganho). O pai os chama também, e eles vão, decerto dando graças! Notem que só houve estipulação de pagamento com a turma que foi contratada às 6h. Os demais foram apenas chamados e aceitaram sem se preocuparem em saber quanto ganhariam! Esse é o pulo do gato para que entendamos a moral da história!

Ao final do dia (18h), findas as atividades na vinha, o pai ordenou que os que chegaram por último (17h) e só trabalharam uma hora fossem pagos em primeiro lugar. E recebessem o mesmo denário que foi combinado com a turma que pegou no pesado às 6h. Os recrutados nos demais horários também receberiam a mesma quantia.

A turma que pegou no batente às 6h não gostou, sentiu-se injustiçada. Afinal, eles haviam aguentado o peso e o calor do dia. Eles resolveram, então, nomear um representante para conversar com o dono da vinha. Este, ao ouvir a reclamação, redarguiu:

“Meu amigo, não te causo mal algum. Não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te. Apraz-me a mim dar a este último tanto quanto a ti. Não me é lícito fazer o que quero? Tens mau olho porque sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.”

Não está em jogo, neste ensinamento, a quantidade do trabalho, mas a qualidade. Não importa a hora em que a pessoa foi recrutada ou se chegou de livre e espontânea vontade para trabalhar. O que importa é a qualidade do que ela irá produzir.

Mas voltemos à frase que me mobilizou para escrever estas linhas – “Tens mau olho porque sou bom?” Ou, conforme, minha adaptação coloquial, “Teu olhar é ruim porque sou bom?”.

Ao proferir esta frase, Jesus está querendo chamar atenção dos que são movidos pelo despeito, sentimento que é produzido quando nos sentimos desconsiderados; desgosto quando algo é dado a outro e não a nós. E como somos despeitados, não é? Sei de várias histórias a respeito. Entre elas, a de Luísa, uma moça que armou uma baita confusão dentro de casa porque a irmã caçula, Lídia, havia ganhado um vestido de presente de uma amiga da mãe. A confusão foi tanta que a mãe aconselhou à caçula: – Lídia, dê esse vestido para a Luísa e depois eu compro outro para você! Há também o caso de Firmino, que sempre queria o presente que Milton, o irmão mais velho, havia ganhado. Detalhe: Firmino também ganhava algo do gênero. Exemplo: uma camisa, um brinquedo… Mas na visão de Firmino, o de Milton era sempre o mais bonito. Puro despeito!

Despeito é achar que, quando o outro é considerado, nós estamos sendo desconsiderados. Por quê? O outro está sendo promovido ou agraciado pelos méritos que ele possui, e não pelos deméritos que possuímos. Mas o despeitado está sempre ocupado com o que o outro recebe por mérito próprio.

É comum vermos isso em ambiente de trabalho. O funcionário com 20 anos de empresa (será que ainda existe isso nos dias de hoje?) sempre exerceu sua função corretamente, mas nunca ousou. Chega outro para trabalhar na empresa, demonstra ousadia e, em três anos de casa, é promovido. O mais antigo sente-se preterido. Não deveria. Talvez ele seja mais útil na função que exerce. Como líder ou inovador, talvez não daria certo. O recém-chegado possui pendores para tal. Quem sabe até, será o novo chefe que fará brotar no colega acomodado talentos que ele não sabia que possuía? Enquanto isso, ele é produtivo e considerado na função que desempenha.

Na Parábola dos Trabalhadores da Vinha, ninguém saiu prejudicado. No entanto, a turma que chegou primeiro ficou incomodada pelo fato de os últimos terem recebido o mesmo. Jesus mostra que não devemos cuidar do que o próximo está recebendo por mérito próprio, mas sim, executar bem o nosso trabalho. Difícil apreender essa lição, eu sei. Mas necessário!

A frase que me mobiliza, no entanto, leva-me mais além. O Cristo também está se referindo a grandes benfeitores de coletividade que, muitas vezes, são perseguidos por – Pasmem! – serem bons! Vide Chico Mendes (1944 – 1988), seringueiro e ambientalista acreano premiado internacionalmente e que foi assassinado por um grileiro de terras porque lutava pelo meio ambiente e por melhores condições de trabalho para os de sua classe. É também o caso de Irmã Dorothy Stang (1931-2005), missionária americana naturalizada brasileira que, por lutar pela causa ambiental e pelos pequenos agricultores do interior do Pará, foi igualmente assassinada por grileiros. É o caso de perguntar: – Prezado grileiro, teu olhar é ruim porque eu sou bom?

Essa frase se encaixa em vários episódios que envolvem perseguição e/ou morte de gente que só queria fazer o bem. De Sócrates e Martin Luther King, de Joanna D’arc a Gandhi, passando pelo próprio Cristo, há sempre despeitados à espreita, sentindo-se ameaçados em suas intenções escusas e também ressentidos por serem ofuscados pelos que possuem luz própria. Vide as críticas enviesadas das quais o médium Chico Xavier era vítima e também os muitos achaques que o Papa Francisco volta e meia recebe.

Olho para o momento atual e vejo líderes mundiais impondo sanções econômicas a órgãos humanitários. Vejo também, outros tantos governantes batendo de frente com subordinados providos de um mínimo de bom senso por mero despeito. E enxergo, com muita tristeza, classes sociais vociferando contra governos que querem dar melhores condições de vida para os menos favorecidos. Em todas essas ocasiões, a pergunta contida na Parábola dos Trabalhadores da Vinha me vem à mente. – Teu olhar é ruim porque sou bom?

Marcelo Teixeira
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ONDE FICAM OS ESPÍRITOS APÓS A MORTE?Resultado de imagem para nosso lar imagens

Neuza Brienze

 

Esta é a grande preocupação dos que temem a morte. Não há lugar especialmente destinado ao sofrimento ou à paz e à felicidade. Os espíritos se reúnem segundo a afinidade vibratória, consequência do estado moral. Ao desencarnar cada um é o que é, o produto dos seus pensamentos, sentimentos e atos. “A cada um segundo suas obras”.

Surgem daí as esferas, planos ou mundos espirituais. Os espíritos voltados para o mal se reúnem em regiões dimensionais conhecidas como Trevas. Suas formas perispirituais não são nada agradáveis devido às suas vibrações inferiores, consequência das faltas cometidas. Aí estão os criminosos endurecidos, os que cometeram faltas pesadas, que só conheceram gozos vis, que só tiveram sentimento de ódio e maldade para com seus semelhantes.

É o Umbral mais pesado. Aí permanecerão por longo tempo, mas não eternamente, pois a bondade de Deus é infinita e ampara a todos.

Em outro plano, provavelmente correspondente à superfície da Terra (na dimensão espiritual) ou pouco acima, vivem os que ficaram ligados à matéria, que viveram para si mesmos, sem ideal, sem fé, podem ter feito pouco mal mas de bem nada fizeram. É o Umbral mais ameno. Nele há vegetação e moradias. Os espíritos do bem encontram aí mais facilidade para assistência.

A terceira esfera ou plano, também Umbral, é uma região de transição para planos superiores como também abriga espíritos necessitados de reencarnar, isto é, voltar a renascer na Terra novamente. Aí fica a colônia-cidade Nosso Lar, local de trabalho e reeducação. Existem outras centenas de colônias-cidades em torno da Terra. O livro “Nosso Lar”, que recomendamos para leitura, dá notícias sobre estas três esferas.

O suicida provoca um rompimento brusco do funcionamento dos órgãos. Por ficar o perispírito saturado de fluidos vitais (não era chegada a hora) permanece ligado ao corpo físico. Dependendo das circunstâncias, o espírito sente os efeitos da decomposição, revê o ato e sofre intensamente.

Suicida também é quem desencarna antes da hora porque lesou o corpo físico com desgastes desnecessários, alimentação desregrada, prazeres desmedidos, uso de tóxicos, desajustes emocionais (ódio, raiva, inveja, ciúmes, preguiça etc). Por estarem imantados ao nosso mundo material são agrupados por afinidade a determinados locais da espiritualidade. As nossas preces por eles ajudam a se libertarem dos fluidos materiais. Muitas vezes são conduzidos por espíritos amigos às sessões mediúnicas onde são esclarecidos e confortados.

Os espíritos que já alcançaram determinados graus de superioridade se reúnem nas esferas superiores, onde reinam a paz, a harmonia e o trabalho.

“Nos planos imediatos à experiência física, os felizes estão sempre dispostos ao trabalho em favor dos infelizes, os mais fortes em benefício dos mais fracos, os bons em socorro dos desequilibrados e os mais sábios em apoio aos desorientados e ignorantes”, conforme explica-nos André Luiz no livro “Cidade no Além”.

“Para morrer bem é preciso viver bem”, ensinava Confúcio. Para viver bem basta seguir o ensinamento de Jesus: “Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo”.

G.E. Casa do Caminho de São Vicente

Bibliografia:

“O Céu e o Inferno”, Allan Kardec

“Espiritismo e Vida Eterna”, Ariovaldo Caversan e Geziel Andrade

“O que nos Espera Depois da Morte”, George Gonzalez

“Cidade no Além”, Francisco Cândido Xavier e Heigorina Cunha, ditado pelos espíritos André Luiz e Lucius

“Evolução para o Terceiro Milênio”, Carlos Toledo Rizzini.

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HITLER – SOMBRAS E LUZES

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Sidney Fernandes

Uma Nova York repleta de símbolos nazistas, a bandeira americana adornada por uma suástica, a Estátua da Liberdade vestida para comparecer a um comício de Adolf Hitler, saudando-o com o braço direito erguido, em autêntico Heil Hitler…

Esse insólito e provocativo cenário compôs a série americana The Man in the High Castle, inspirada na mente imaginativa do escritor Philip K. Dick, e mostrou o que teria ocorrido se as forças aliadas tivessem perdido a segunda grande guerra

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Um dos sinais mais preocupantes para o mundo livre dessa época foi o comportamento do povo alemão. Diante dos desmandos do exército nazista, as pessoas mantiveram-se em suas atividades normais, completamente alheias às mortes e incinerações. Será que o povo alemão pensou que nada tinha a ver com aquele assunto tão desagradável e mórbido?

Outro sinal preocupante foi a aparente proteção das sombras em torno de Adolf Hitler. Parecia que os céus conspiravam em favor do ditador. Aconteceram seguidamente vários atentados contra o führer, que fracassaram em virtude de acasos atribuídos ao clima, à sorte ou à proteção das forças do mal.

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O que a Doutrina Espírita nos esclarece sobre esse aparente patrocínio das sombras? Assim como o homem de bem conta sempre com espíritos, mais ou menos elevados, que com ele simpatizam, que dedicam afeto e por ele se interessam, os que se desviam para o mau caminho têm junto de si outros que o assistem no mal[1].

Os Espíritos maus farejam as chagas da alma, como as moscas farejam as chagas do corpo. [2]

Adolf Hitler contava com exímios estrategistas desencarnados, de alta envergadura intelectual, jungidos, todavia, à inferioridade moral. Esses correram para auxiliá-lo no mal, prestando-lhe autêntico apoio logístico na arquitetura de seus planejamentos, estratégias e políticas, incensando-o em suas guerras de conquista e domínio.

Devemos destacar, no entanto, o perene acompanhamento da espiritualidade maior, diante de situação tão grave, que pôs em risco a vida de milhões de espíritos encarnados e a própria estabilidade do Planeta Terra.

Descreve-nos André Luiz, em seu livro Nosso Lar, a grande preocupação que tomou conta dos páramos celestes, diante da perspectiva dos fachos incendiários que iriam cercar as nações europeias.

A par das influências das ignorâncias malignas, milhões de encarnados e desencarnados atenderam aos apelos da espiritualidade maior, em busca da reestruturação do planeta, a fim de minimizar os efeitos da hecatombe mundial, que atingiu mansos, inocentes e pacíficos.

Pudemos perceber, amigo leitor, que, se as forças do mal se movimentaram, com muita intensidade, força, energia e determinação, também agilizaram-se as forças do bem, para que as dores fossem amenizadas e a tragédia não se agravasse.

André Luiz, quando em missão de assistência à Europa, demonstrou como a luz da oração, do bem e da verdade puderam superar qualquer ameaça:

A nobre cidade inglesa de Bristol estava sendo sobrevoada por alguns aviões pesados de bombardeio. No seio da noite, porém, destacava-se, à nossa visão espi­ritual, um farol de intensa luz, enquanto as bombas eram arremessadas ao solo. Na descida ao ponto luminoso, verifiquei que estávamos numa igreja. Alguns cristãos corajosos reuniam-se ali e cantavam hinos. Enquanto rebentavam estilhaços lá fora, os discípulos do Evangelho cantavam, unidos, em celestial vibração de fé viva. Conservamo-nos em pé, diante daquelas almas heróicas, que recordavam os primeiros cristãos perseguidos, em sinal de respeito e reconhe­cimento.

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Os políticos construíram abrigos antiaéreos, mas os homens de bem edificaram abrigos antitrevosos.

Sidney Fernandes

G.E.Casa do Caminho S. Vicente

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A RELIGIÃO – Joanna de Ângelis

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A religião bem orientada, pelo conteúdo psicológico de que se reveste, desempenha um papel de alta relevância em favor do equilíbrio de cada pessoa e, por extensão, do conjunto social, no qual se encontra localizada.

A religião que se fundamenta, no entanto, na conduta científica de comprovação dos seus ensinamentos, que documenta a realidade do Espírito imortal e a sua transitoriedade nos acontecimentos do corpo, como é o caso do Espiritismo, melhores condições possui para auxiliá-la na escolha do caminho a trilhar com os próprios pés, propondo-lhe renovação interior e adesão natural aos princípios que promovem a vida, que a dignificam, portanto, que representam o Bem.

Por outro lado, proporciona-lhe uma conduta responsável, esclarecendo-a que cada qual é responsável pelos atos que executa, sendo semeadora e colhedora de resultados, cabendo-lhe sempre enfrentar os desafios de superar-se, porque toda conquista valiosa é resultado do esforço daquele que a consegue. Nada existe que não haja sido resultado de laborioso esforço.

Ainda mais, faculta-lhe o entendimento de como funcionam as Leis da Vida, em cuja vigência todos os seres somos participantes, sem exceção, cada qual respondendo de acordo com o seu nível de consciência, o seu grau de pensamento, as suas intenções intelecto-morais.

Abre, ademais, um elenco de novas informações que a capacitam para a luta em prol da saúde, explicando-lhe que existe um intercâmbio mental e espiritual entre as criaturas que habitam os dois planos do mundo: o espiritual ou da energia pensante e o físico ou da condensação material.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo P. Franco

Livro: Amor, imbatível amor – Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

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