SEXO E ESPIRITISMO – Adultério e Prostituição

Fernanda Machado

Queridos irmãos, neste artigo da série “Falando sobre sexo”, abordaremos os temas adultério e prostituição. Ao longo deste nosso estudo, já pudemos notar que é necessário compreender o sexo sob o ponto de vista espiritual, e não apenas material. Além disso, o assunto deve ser estudado com respeito e sem tabus, de forma clara para que possamos aprender a controlar as nossas paixões.

É interessante notar que Moisés trouxe, em um dos dez mandamentos, o tema adultério. É assim que o sétimo mandamento diz: “não cometais adultério”. Devemos entender, então, que desde muito tempo o homem entende o equívoco existente em tal atitude. Porém, até os dias de hoje, vemos muitos casos acontecerem, o tempo todo.

Nos relacionamentos conjugais em que há afeição verdadeira e recíproca, não há espaço para traição. Aqui, estamos nos referindo à afeição real, duradoura, que ocorre entre almas e que sobrevive à morte do corpo material. Haverá um dia em que os casais entenderão esse conceito e saberão que devem estar unidos, se apoiando mutuamente para que cada um progrida em sua evolução moral.

Já em uma relação adúltera, o infiel atrai a companhia de espíritos mal intencionados, já que encarnados e desencarnados estão sempre ligados por pensamentos parecidos. Em zonas boêmias onde impera a luxúria e a devassidão, é comum encontrarmos muitos espíritos acompanhando os homens e mulheres, pois conseguem participar e gozar de todo o ato sexual em conjunto com os encarnados. Também pode acontecer de um encarnado visitar o plano espiritual durante o sono, buscando lugares em que se concentram espíritos que buscam o sexo.

No livro Sexo Além da Morte, um dos personagens, que é casado, ao dormir acaba frequentando um bordel, em zonas inferiores do plano espiritual. Lá, se entrega ao adultério enquanto está em seu corpo espiritual. Ele justifica sua atitude dizendo que nunca obteve carinho da esposa e que optou por encontrar o prazer sexual dessa forma, já que não iria traí-la publicamente entre os homens da Terra.

Ao acordar, guarda a lembrança dessas orgias, porém acha que foram apenas sonhos ou pesadelos. Essa história deixa um alerta para que estejamos sempre vigilantes, a fim de evitar situações penosas e consequências ainda mais devastadoras.

Há maridos e esposas que, ao invés de traírem seus parceiros, optam por pagar uma ou um garota/garoto de programa. É importante salientar que no comércio do sexo, todos saem perdendo: quem paga, quem se vende e quem produz. Isso vale também para os filmes pornográficos. Em ambos os casos, o materialismo e o desejo de posse imperam.

Pode até ser que, de início, a prostituta se deslumbre com o tão falado “dinheiro fácil”: no entanto, ao longo do tempo percebe que a realidade é perversa e seu coração fica cada vez mais torturado. Mas e nos casos de necessidade financeira? Seria então permitido que a mulher venda seu próprio corpo?

Para esclarecer essa pergunta, vamos citar o livro Esculpindo o próprio destino, em que uma jovem chamada Rosimeire se vê em uma situação complicada. Sua mãe tem câncer de mama, porém elas não têm dinheiro para os tratamentos necessários e muito menos plano de saúde. O ex-chefe de Rosimeire, Rodrigo, se mostra disposto a pagar por todo o tipo de cuidados que a mãezinha precisasse, mas para isso a jovem deveria se entregar a ele fisicamente.

Rosimeire fica em dúvida de qual seria o correto proceder, e em suas reflexões entende que ficar com Rodrigo seria um erro, pois Jesus nos pediu que buscássemos a Ele nos momentos difíceis. Dessa forma, a jovem vence suas paixões, pois quando era ainda mais nova tinha sido garota de programa. Ela age certo ao recusar a oferta de Rodrigo e buscar outras formas de ajudar a mãe tão amada.

Portanto, prezados irmãos, aprendemos que sexo é sublime tesouro e não deve ser tratado com desrespeito. Deus nos concedeu esse corpo material como empréstimo, para podermos viver na Terra e superarmos as provas e expiações. Não devemos descuidar da nossa casa física de forma a aumentar ainda mais nossos débitos com as leis divinas. Que nós possamos ter sabedoria e discernimento para guiar nosso livre arbítrio rumo à evolução!

Que possamos aprender e evoluir juntos, rumo ao Criador!

Fernanda Machado

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

  • BARCELOS, W. Sexo e evolução. 3ª ed, FEB, Rio de Janeiro, 1994.
  • CHAGAS, J. Qual a visão espírita do adultério? 2017. Disponível em: https://radioboanova.com.br/estudo_espirita/qual-visao-espirita-do-adulterio/. Acesso em: 25 jun. 2019.
  • KARDEC, A. O evangelho segundo o espiritismo. FEB, Rio de Janeiro. Edição em formato digital.
  • KARDEC, A. O Livro dos espíritos. FEB, Rio de Janeiro. Edição em formato digital.
  • KÜHL, E. Sexo sublime tesouro, 1ªed, Editora espírita cristã Fonte Viva, Belo Horizonte, 1992.
  • NEILMORIS, L. Sexualidade sob um olhar espírita. Distribuição em formato digital pelo portal Luz Espírita, 2011.
  • RANIERI, R. A. O Sexo além da morte, orientado pelo espírito André Luiz. 10ªed, Editora da Fraternidade, Guaratinguetá, 1991.
  • RUIZ, A. L. Esculpindo o próprio destino, pelo espírito Lucius. 1ª ed e-book, Ide Editora, Araras, 2011.
  • VIEIRA, W. XAVIER, F. C. Evolução em dois mundos, pelo espírito André Luiz.
  • VIEIRA, W. XAVIER, F. C. Sexo e destino, pelo espírito André Luiz. 12ªed, FEB, 2008.
  • XAVIER, F. C. Vida e sexo, pelo espírito Emmanuel. 1ªed, FEB, 1970.
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DESENCANTO

Joanna de Ângelis

Por que te dizes frustrado ante os fatos que transcorrem de maneira inesperada, totalmente fora da tua programação e aturdindo-te?

Tens o roteiro seguro, que é a mensagem irretocável do Evangelho de Jesus, para seguir sem a menor margem de equivocação, ao tempo que os benfeitores espirituais te inspiram e socorrem?!

Quaisquer previsões dos técnicos em população e futurologia, cujas informações não têm sido confirmadas por motivos diversos, produzem-te choque emocional.

A sociedade da tecnologia e da computação tem comportamentos inesperados de acordo com as máquinas que rapidamente deixam de ser controladas e passam a conduzir as mentes para fins adrede estabelecidos.

A fascinante inteligência artificial parece pretender substituir os seres humanos em muitos misteres transcendentes quanto simples, condenando-os ao ócio dourado, à inutilidade, a novos vícios para a sobrevivência.

O excesso de prazeres produz o tédio, e as façanhas antes aterradoras passam a constituir-lhe motivo e estímulo para viver.

As máquinas destituídas de sentimentos fomentam o progresso intelectual e permanecem insensíveis aos efeitos emocionais e morais.

Os longos séculos de castração cultural foram substituídos pela liberação total e o ser humano passou a ser consumidor em processo de consumpção pessoal.

Afirmou com segurança Carl G. Jung que o ser humano é um animal eminentemente religioso, emocional, que necessita do outro para sentir-se completo.

Esse sentimento religioso não é em torno de uma crença metafísica, um teísmo qualquer ou ausência dele. Trata-se de uma religiosidade em torno dos seus ideais de transformação, de crescimento, de conquista do ser transcendente.

Ele raciocina que a vida, na sua magnitude, não pode finar-se com a morte, com a desintegração celular. Tudo à sua volta fala-lhe de complexidade, de infinitude, porque a ele e ao seu pensamento a fatalidade seria o aniquilamento.

A razão proclama-lhe a perenidade de pensar mediante a presença ou não das funções cerebrais.

Passada a atual crise pandêmica os valores indubitavelmente serão outros e a sobrevivência das massas se dará em gloriosos campos de fraternidade e auxílio recíproco.

Neste período de fragmentação social e de cada qual por si mesmo, na alucinada busca do prazer a qualquer custo, a alegria e a revolta andam juntas, de acordo com os ventos que as conduzem. Passa-se do prazer à violência por qualquer motivo e até mesmo quando esse não existe, por interpretação precipitada de algum gesto ou expressão.

O respeito pelo direito do outro, o dever de ser aquele quem proporciona a bênção, a satisfação de ser útil, cederam lugar ao aproveitar da oportunidade para desfrutar, possuir, mesmo que desonestamente e até por meios escusos e danosos.

Desse modo, é muito fácil passar do entusiasmo de um empreendimento ou de um plano ao desencanto, porque se espera mais do outro, do parceiro do que da própria capacidade de oferecer.

* * *

Não te decepciones com os fatos e pessoas dos quais esperavas muito, na expectativa de diferentes ações e reações.

Afligidos por distúrbios íntimos, neste momento de vanglórias, astúcia e deslealdade, também o amor floresce em incontáveis existências que constituem os biótipos do porvir.

Eles já estão chegando, os mensageiros do Evangelho, sem alarde e com abnegação, chamando a atenção pela grandeza dos seus sentimentos, os ideais de grande envergadura que contrastam com as ocorrências nefárias dos enfermos espirituais.

Empunham a arma do bem em vez da arma de agressão, possuem espírito de persuasão e são nobres sob quaisquer aspectos considerados.

Desde a infância demonstram serem diferentes na estrutura moral e psíquica, optando por valores que os aturdidos agridem, mas que são as bases da harmonia interior e da existência feliz.

Outros parecem vencidos ou fora desta realidade de desperdício e de ultrajes, no entanto, estão despertos para realidades mais significativas com as quais se identificam e lutam pela sua implantação.

Assim, continua aspirando o melhor, e se por acaso a resposta da vida é negativa, tem paciência, porque ainda não é este o momento do êxito, ainda faltam ser expungidos muitos venenos que permanecem nas mentes e sentimentos de ódio, derivados do orgulho ferido, que a dor não alcançou, mas que não será evitado. O tempo é um grande amigo da verdade. Tudo quanto não se consegue em um momento, quando menos se espera, acontece,

Crê sinceramente na vitória do amor, esse hálito de vida que tudo sustenta, e dá-lhe ocasião para que conquiste a área perversa que o aguarda.

Assim, busca a tua alma no labirinto do teu corpo e sonha que virão os dias que anelas e as pessoas que concebes nos seus dignificantes programas traçados pelo Alto.

Neste momento, evita a contaminação do mal, dos céticos e cínicos que desdenham da vida e temem a morte, de que não escaparão, satisfazendo-te com as conquistas que te pertencem.

Como pensas e ages em favor da assepsia do corpo, não postergues a da natureza psicológica, cuidando além do visível e preparando-te para alcançar as estrelas além da tua visão.

Desde que te enganaste em relação ao que está acontecendo, muitos existem que te estão utilizando como paradigma e não tens o direito de decepcioná-los também.

Na tua condição de modelo, deves permanecer irretocável quando outros já não o consigam. Os que te amam e confiam esperam alcançar-te, enquanto laboras por unir-te a Jesus.

Mudanças físicas, emocionais, sociais e sobretudo morais estão acontecendo e a ti cabe a tarefa de adaptar-te como os teus ancestrais em os novos tempos da industrialização.

O ser humano tem realizado incomparáveis conquistas, caminhando agora para a iluminação interior.

* * *

Olha em tua volta com lentes que apresentem as paisagens abençoadas que estão sendo organizadas para o futuro.

Pensa em Jesus e Seu amor, recordando o que Ele afirmou: Antes que vós fôsseis eu já era, equivalendo assinalar que tudo isso Ele sabia que iria acontecer. No entanto, não desanimou, não se frustrou e continua ajudando-nos até hoje.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão da noite de 8.3.2021, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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PRERROGATIVAS – O progresso inevitável

Joanna de Ângelis

A existência na Terra, em si mesma, é alta concessão da Divindade, para todos que nos encontramos no afã de conseguir a libertação dos atavismos ancestrais, que nos jugulam, ainda, no primarismo da origem orgânica.

Viver, portanto, no corpo somático, dando curso ao impositivo da evolução, é bênção que não pode ser desconsiderada ou malbaratada inutilmente.

O progresso é lei irreversível, e ninguém consegue evadir-se da sua injunção.

Passo a passo, a criatura avança, conquistando o conhecimento que ajuda a discernir e aprimorando o sentimento que facilita a emoção sublimada.

Na inevitável correnteza da reencarnação, o Espírito ascende atraído pela grande luz do amor de Nosso Pai, que lhe constitui a aspiração máxima.

Esse fatalismo resulta da própria origem do ser, que se encontra ínsita no Psiquismo Divino.

Passando pelos diferentes níveis do processus, superou o entorpecimento no mineral, adquiriu a sensibilidade no vegetal, conseguiu o instinto no animal, despertando, por fim, para a razão hominal e continuando futuro afora, galgando patamares mais elevados, que culminarão na plenitude que o aguarda, quando concluídas as etapas indispensáveis que lhe cumpre vencer.

Direcionado por essa compreensão, obstáculo algum pode impedir-lhe o avanço, antes lhe constituindo desafio que o fascina e aguarda pela superação.

À medida que o Espírito desenvolve as suas aptidões, mais percebe que as dificuldades são testes de avaliação para sua capacidade solucionadora de problemas, porquanto, convidado a novos embates, mais amplia o discernimento e melhor desenvolve os recursos que lhe dormem latentes, jamais lhe constituindo impedimento à marcha.

Quem se resolve pela lamentação ante a montanha que deve galgar nunca desfruta da paisagem imensa, atraente, que se descortina do alto. Assim também, aquele que se compraz com o vale estreito perde a oportunidade de viajar pelos horizontes infinitos que deslumbram.

O estágio prolongado na planície ou a montanha depende de quem aí se instala. A vida propõe sempre a elevação, a conquista de mais felizes patamares, em intérmina luta de valorização do ser. Quem, portanto, propõe-se à libertação dos vínculos com a retaguarda, com a horizontalidade, facilmente alcança as metas plenificadoras.

O ser humano está fadado à glória estelar. No entanto, cumpre-lhe avançar sem descanso, jamais se entregando ao desânimo ou recuando ante as dificuldades. Se para, tem como objetivo recuperar as forças, a fim de da continuidade ao programa estabelecido.

Nenhuma prerrogativa, portanto, de exceção, nesse programa iluminativo, que faculte ao indivíduo honestamente dedicado ao crescimento interior permitir-se ascensão sem as experiências nas fases iniciais do desenvolvimento que lhe cumpre conquistar.

As suas prerrogativas, aquelas que lhe dizem respeito, são assinaladas pelas lutas de superação de si mesmo, nas variadas etapas pelas quais deve passar, assinalando o caminho com as vitórias que são conseguidas.

A própria consciência do dever estabelece os limites de repouso e as diretrizes de trabalho para a empresa encetada, que não pode sofrer solução de continuidade.

Quando o Espírito descobre o real significado da existência, empenha-se na conquista de si mesmo e dos valores que proporcionam o desenvolvimento infinito, não mais se submetendo às circunstâncias limitadoras.

* * *

Certamente existem prerrogativas nem sempre levadas em conta pelo indivíduo, destacando-se a de servir sempre e sem desfalecimento, assim construindo o bem por onde passa, deixando marcas positivas das suas realizações, que equivalem a tesouros que o iluminam por dentro.

Sempre se pensa que, diante de algumas conquistas, credencia-se a merecer prestígio e consideração que, em realidade, são sinais de decadência no cumprimento dos deveres morais abraçados.

Todo aquele que aspira à felicidade labora sem descanso para consegui-la, investindo energia e capacidade intelectual para deslindar-se dos difíceis cipoais da comodidade, do prazer, da ociosidade que espera sempre poder desfrutar privilégios que não merece.

As leis da Evolução funcionam em regime de igualdade para com todos os seres do Universo, abrindo o elenco das possibilidades de triunfo para aqueles que se lhes submetem através do empenho e do interesse por consegui-lo.

Prerrogativas, pois, disputadas pelas criaturas humanas encontram-se fora dos códigos que regem a vida, propondo, em si mesma, a solidariedade que a todos deve unir, o trabalho que não cessa, a alegria de realizar-se, que significa, estímulos para novos avanços.

Uma análise profunda em torno das prerrogativas que devem assinalar o indivíduo no seu processo de crescimento espiritual deve ter em conta a honra de estar consciente das suas responsabilidade e tarefas, o júbilo de encontrar-se desperto para a realidade estrutural, que é transcendente.

Aquele que está consciente do que deve fazer e de como proceder brilha e age em consonância com o grau de entendimento, porque já não crê na sua vitória sobre as paixões dissolventes, mas sabe que o triunfo é inevitável, pois para conquistá-los é que luta.

* * *

Empenha-te na vivência da prerrogativa de que és filho de Deus, rumando para o Infinito, e segue intimorato, fazendo o melhor ao teu alcance, sem preocupar-te com os problemas do cotidiano.

Quem se não esforça para atingir o cume da subida, reclama na baixada, vencendo pela comodidade perturbadora.

Somente os heróis sobre si mesmos merecem os lauréis da paz e da plenitude – prerrogativas, estas sim, da batalha sem quartel travada nos campos da consciência.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

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Culpa e Espiritismo

Marisa Fonte

Então, aproximando-se dele, disse-lhe Pedro: “Senhor, quantas vezes perdoarei a meu irmão, quando houver pecado contra mim? Até sete vezes?” – Respondeu-lhe Jesus:

“Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes.” (S. MATEUS, 18:15, 21 e 22.)

– O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 10

Perdoemos sempre. E como disse o nosso Mestre, Jesus, não sete vezes, mas até setenta vezes sete. Essa é uma atitude realmente nobre, pois muitas vezes o outro erra conosco simplesmente por desconhecer uma forma diferente de fazer as coisas. Mas, será que aplicamos esse mesmo ensinamento de Jesus a nós mesmos? Será que perdoamos as nossas faltas ao menos sete vezes a fim de não vivermos nos acusando por havermos feito coisas das quais nos arrependemos e por causa das quais muitas vezes amargamos uma existência inteira de infortúnio? Será que perdoarmos a nós mesmos é difícil? Tudo indica que sim, pois a multidão de seres que se arrastam pela vida carregando culpas por vezes inexistentes e sempre inúteis é bem numerosa.

Por um lado, é o desconhecimento de como se fazer de modo diferente ou de como fazer melhor que nega a nós mesmos o perdão. Outras vezes é a falta de olhar para si usando da mesma compaixão que se aplica ao nosso próximo que nos impede de oferecermos a nós mesmos o tão necessário perdão das nossas faltas. E lá vamos nós carregando um fardo muito maior do que aguentamos levar, colocado em nossas costas por nós mesmos, que sem analisarmos os fatos simplesmente nos julgamos e condenamos, ou – ainda pior – muitas vezes apenas nos condenamos e sem qualquer julgamento ou análise, a carregar miseravelmente uma culpa que nunca deveria estar nas nossas costas.

A culpa é, na verdade, algo que nasce por entendermos que alguém errou, e, normalmente, não se para a fim de entender que cada um oferece apenas aquilo que possui. Ora, se eu errei foi por não saber fazer de modo diferente, ou por pensar que estava fazendo o mais acertado, uma vez que segundo o meu entender aquele era o melhor a fazer naquele momento.

Todos nós temos um lado chamado de sombra, que fica oculto no nosso inconsciente. Essa ideia da sombra foi desenvolvida pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), e podemos definir a sombra como o lado da nossa personalidade que engloba tudo o que julgamos negativo, seja por pensarmos assim, seja por aprendermos assim. Dessa forma, raiva, ciúme, inveja, entre outros sentimentos, ficam ocultos em nós, e a culpa por sentirmos coisas consideradas erradas ou menos nobres começa a pesar na nossa vida, assim como coisas que sabemos que poderíamos ter feito melhor, mas não sabíamos como, ou coisas que outros julgam que deveríamos ter feito de outro modo, mas que também não fizemos por não sabermos na ocasião, agir de modo diferente. O fato é que não podemos contentar a todos, e se indagarmos a várias pessoas sobre como teriam agido em nosso lugar, muitas teriam feito exatamente como fizemos e outras teriam agido de forma totalmente distinta.

Para muitos, esse lado sombrio é sinônimo de algo ruim de que não queremos nos lembrar, ou que evitamos reconhecer que temos. Porém, é preciso reconhecer esse lado da nossa personalidade, a fim de que possamos olhar tudo de frente e controlar e também equilibrar essas “qualidades negativas” que escondemos às vezes até de nós mesmos, e que se rejeitamos pode eclodir em algum momento da nossa vida.

E o sentimento de culpa? Ele também faz parte desse nosso lado sombra. E como lidar com esse sentimento nocivo? Antes de qualquer coisa, pare de se deixar sentir culpado, pois a culpa é o idealismo, o “eu deveria”. Nós erramos por ignorância, pois ignoramos como fazer de modo diferente. Concorda que se soubesse teria feito diferente? Pois é, fez como soube, como acreditou que seria melhor na ocasião. E, vamos parar de usar aquela ideia que sempre nos vem à mente quando sentimos que gostaríamos de ter feito diferente: “se eu soubesse teria feito diferente”. Aí está. Não sabia, não fez, fez o que soube, e é impossível voltar ao passado para mudar qualquer coisa. O importante é aprender com as lições e fazer melhor daqui em diante usando a experiência e o conhecimento que adquiriu. E aceite que haverá de errar ainda muitas vezes no decorrer da vida. E aqui cabe dizer que não falamos de erros absurdamente grandes, mas até de simples “foras” que damos a todo o momento. Então, aprenda a se perdoar e tenha a humildade de aceitar que não sabe tudo.

Segundo os preceitos espíritas, há duas causas psicológicas da culpa: a que procede da sombra escura do passado devido a males praticados contra outras pessoas e a que tem a sua origem na infância.

O espírito Nise da Silveira, diz que precisamos utilizar a culpa para o nosso crescimento. Segundo ela, é preciso reconhecer a culpa, arrepender-se e de, pois se transformar. Portanto, é preciso refletir e agir.

Concluindo, o primeiro passo para se livrar do peso da culpa é aceitar você sem se deixar sentir errado/a. Se insistir em sentir culpa a energia gira contra você. Então, seja melhor para você e dê força para você! Aceite os seus pontos fracos, assuma o seu poder e procure melhorar os seus pontos fortes e fortalecer os pontos fracos. Siga a sua intuição, o seu eu interior e a sua essência espiritual. Seja verdadeiro/a com você e assim se torne imune ao mal. Essa é a sua melhor proteção e a sua melhor defesa.

Fique do seu lado sempre, pois se ficar contra você, qual a reação que espera que os outros tenham em relação a você?

Marisa Fonte

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

  • KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução e redação final de Matheus Rodrigues de Camargo. 43ª Reimpressão. Capivari-SP. Editora EME. 2019.
  • XAVIER, Francisco Cândido. Pensamento e vida. Pelo espírito Emmanuel, psicografia, edição FEB
  • NORONHA, Iraci Campos. Reconstruindo Emoções. Pelo espírito Nise da Silveira, psicografia, Consciência/Intelítera
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Conversa com os Espíritos: na teoria e na prática com Kardec

Izabel Vitusso

Neste ano, em janeiro, O livro dos médiuns completou 160 anos, lançado por Allan Kardec, em Paris, como complemento de O livro dos espíritos. Segunda obra da codificação espírita, seu conteúdo está voltado ao ensino dos espíritos sobre a teoria e a parte experimental de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do espiritismo.

Kardec se referiu à obra como um “repositório de instrução prática”, alertando não se destinar exclusivamente aos médiuns, mas a todos os que estivessem em condições de ver e observar os fenômenos espíritas.

O codificador não cansou de chamar a atenção para o fato de a prática do espiritismo ser um ‘campo vasto’, rodeada de dificuldades, nem sempre isenta de inconvenientes a que só o estudo comprometido e completo poderia auxiliar, não se admitindo experiências levianas ou divertimento. “Dirigimo-nos aos que veem no espiritismo um objetivo sério, que lhe compreendem toda a gravidade e não fazem das comunicações com o mundo invisível um passatempo”, advertiu.

Passados 160 anos e o alerta continua fundamental, uma lição inesquecível, como um código de conduta para quem tem compromisso com o trabalho da divulgação do espiritismo, considerando a interação com os espíritos e a responsabilidade na análise e na publicação do material que deles possa vir, em nome da propagação correta da doutrina espírita.

Expansão da literatura

Pelo crivo da razão é que passaram as incontáveis obras que enriqueceram as bases do espiritismo e auxiliaram no maior entendimento da nova realidade trazida pelos espíritos. Muitos deles, clássicos escritores, como Léon Denis, Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano, Camille Flammarion, Albert de Rochas, Amália Domingos Soler, Cesare Lombroso, Gustave Geley, para citar muito poucos, deixaram sua marca na literatura que se seguiu às obras da codificação.

Já no Brasil, nas primeiras décadas do século 20, a produção literária espírita contou com o grande apoio das obras psicografadas, que revelaram nomes de médiuns, como Zilda Gama, Dolores Bacelar, Yvonne do Amaral Pereira, Divaldo Franco, tendo o médium Francisco Cândido Xavier, nesse período, dado grande contribuição, com o legado de mais de 400 obras ditadas pelos espíritos, em grande parte romances históricos, crônicas, coleção de estudos e reflexões sobre mensagens do Evangelho.

Ampliando o diálogo

Numa dessas publicações, de 1941, Chico Xavier psicografa uma obra até então genuína, com respostas de Emmanuel sobre temas propostos, ideia acatada pelo espírito numa das reuniões do Grupo Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, MG, quando os participantes buscavam ampliar o entendimento sobre os três aspectos do espiritismo.

A obra, O consolador1, tornou-se uma das referências na literatura espírita, com mais de 400 perguntas sobre temas doutrinários. Antes de respondê-las, o mentor espiritual precaveu o grupo de que não seria dele a última palavra sobre os assuntos, e com modéstia colocava-se à disposição para cooperar da melhor forma. Também esclareceu Emmanuel que não se deteria em exames técnicos de questões científicas, ou no objeto das polêmicas da filosofia e das religiões, intensamente movimentados “nos bastidores da opinião”.

Sobre o fato de se inquirir os espíritos, Allan Kardec elucida em O livro dos médiuns (questões 286 a 296) que é preciso se ter um fim útil para o intercâmbio e que se deve atentar sempre para “a forma e o fundo”, devendo as perguntas ser redigidas com clareza e precisão, evitando-se questões complexas. Lembrou sabiamente que “é a natureza da pergunta que provoca uma resposta correta ou falsa”.

O codificador também disse que as perguntas, longe de serem um inconveniente, são de grande utilidade, do ponto de vista da instrução, “quando se sabe encerrá-las nos limites desejados”.

Saber questionar

Sobre o fato de se organizar em forma de perguntas uma interação mais direta com os espíritos, a Sociedade Espírita Primavera, de Juiz de Fora, MG, lançou em 2019 um livro – Diálogos espíritas – fruto de um trabalho semelhante ao citado e que teve início através do contato em reuniões espíritas, por muito tempo, com o espírito Ivon. Ele se revelou, durante o extenso convívio, um grande defensor dos princípios filosóficos espíritas, e um expressivo trabalhador, na instrução e no amadurecimento dos grupos em que se fazia presente.

O grupo, que tem à frente os organizadores Daniel Salomão, Humberto Schubert Coelho e o médium Vinícius Lara – todos com sólido conhecimento, vivência doutrinária e apurada formação acadêmica –, propôs à entidade questões e problemas atuais da reflexão espírita, como o rumo do próprio movimento espírita, os embates ideológicos e culturais, a mediunidade aplicada ao trabalho em suas mais amplas acepções, temas filosóficos sobre os postulados espíritas à luz da atualidade, e tantos outros, cuidadosamente pensados e apresentados, seguindo a orientação de que fossem bem trabalhadas, pouco ambíguas e compatíveis com a experiência e competência individuais do espírito.

Leitura crítica

Conscientes da tarefa e com o senso crítico apurado, ao disponibilizar o resultado do trabalho de anos em formato de livro, o grupo faz o convite para que o leitor também exercite a recomendação de uma leitura criteriosa, com o uso do bom senso e da atenção ao ‘método do controle universal do ensino dos espíritos’, que coloca toda informação frente a frente com o conhecimento já consolidado.

Ao falar sobre a necessidade da leitura crítica de qualquer obra, Daniel Salomão lembra também que, se por um lado há os que aceitam indiscriminadamente tudo o que é admitido como mediúnico, há no outro extremo os que rejeitam todo trabalho psicográfico. “Para alguns, tudo estaria pronto em Kardec”, ressalta o pesquisador, complementando ser esse pensamento contrário à proposta do codificador, que nunca se colocou como único apto, nem pretendeu ter em sua obra o esgotamento do assunto.

Salienta também que não há como haver ‘controle universal do ensino dos espíritos’ se textos e possíveis ensinos não forem publicados!

“Não é possível encontrar concordância em mensagens que não são lidas e divulgadas responsavelmente. Não devemos temer a mediunidade nos dias de hoje, pois nunca tivemos tanto à disposição para acolhê-la com segurança”, conclui.

Algumas abordagens do livro

Poder-se-ia dirigir mais frequentemente questões de caráter científico e problemático aos espíritos de modo ainda mais específico do que se tem praticado?

Compreendemos que o desenvolvimento da ciência humana é atribuição dos encarnados, pois que se ancora ao tempo e ao espaço em que se desenvolve, não cabendo aos desencarnados maiores intervenções do que a sugestão intuitiva daquilo que poderia ser mais útil neste ou naquele campo de saber, em relação com o amadurecimento coletivo das populações. Foi assim inclusive, que grandes projetos artísticos e científicos se desenvolveram ao longo da história, mas sempre reservando aos homens a função de protagonistas na evolução do planeta.

De que forma devemos aplicar hoje o princípio do ‘controle universal do ensino dos Espíritos?

Exatamente da mesma maneira que Allan Kardec, Léon Denis e outros pioneiros do espiritismo o faziam. Inicialmente, entre as atividades mediúnicas da própria instituição, para, em seguida, através do contato salutar com as demais agremiações irmãs, expandir o controle das informações espíritas às raias do que chamamos movimento organizado. Para tanto, todavia, cumpre que a mediunidade seja encarada novamente como parte do corpo de práticas e pesquisas, saindo do campo do tabu religioso e adentrando novamente no espaço da ciência natural de consequências morais.

Estando a lei moral escrita na consciência, é da falta de meditação ou da malícia que decorrem os erros dos homens?

Os erros decorrem da inércia reencarnatória. Por séculos a mente acumula camadas e mais camadas de hábitos iludidos ao longo das encarnações sucessivas. O ego, que deve ser entendido enquanto estrutura mental consolidada, aprendeu no tempo quais os meios mais eficazes para supostamente fugir do sofrimento, sendo esta a origem das especificidades psicológicas e psíquicas assumidas por cada indivíduo, em busca da manutenção de sua visão de mundo. Diálogos espíritas, org. Daniel Salomão e Humberto Schubert Coelho, Editora Sociedade Espírita Primeira, 2019.

Controle universal do ensino dos espíritos

Estava nos planos superiores a nova revelação chegar aos homens por um meio mais rápido e autêntico. Eis porque os espíritos manifestaram-se por toda parte, sem dar a ninguém a exclusividade de ouvir a sua palavra, porque um homem poderia ser enganado, mas não aconteceria assim se milhões deles ouvissem a mesma coisa, o que é uma garantia para cada um e para todos. Os espíritos, comunicando-se por toda parte, seriam aceitos por todos, sem nacionalidade exclusiva e independe de todos os cultos particulares. Esta universalidade do ensino dos espíritos faz a força do espiritismo e também encerra uma garantia contra dissidências que poderiam ser suscitadas, quer pela ambição de alguns, quer pelas contradições de certos espíritos. (Baseado na introdução de O evangelho segundo o espiritismo.)

Izabel Vitusso

Fonte: Correio.News

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Filhos Adotivos e Processo Reencarnatório

Fernanda Oliveira

“Não habitou meu ventre, mas mergulhou nas entranhas da minha alma.

Não foi plasmado do meu sangue, mas alimenta-se no néctar de meus sonhos.

Não é fruto de minha hereditariedade, mas molda-se no valor de meu caráter.

Se não nasceu de mim, certamente nasceu para mim.

E se mães também são filhas, e se filhos todos são duplamente abençoados és, meu filho do coração.” (Autor desconhecido)

Adoção do latim adoptio, do verbo adoptare, escolher, adotar. A adoção cria o vínculo de parentesco civil semelhante ao da paternidade-maternidade e filiação legítimas, análogo ao que resulta da filiação biológica. Constitui um parentesco eletivo, pois decorre exclusivamente de um ato de vontade. Modalidade de filiação construída no amor, constituindo vinculo de parentesco por opção e afeto, enraizado no exercício da liberdade.

Kardec esclarece em O Evangelho segundo o Espiritismo: “Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.” A genética define o físico, não o espírito.

Reencarnação significa o retorno do espírito em um novo corpo carnal. Vivemos uma única vida, já que somos, cada um, apenas um espírito. Ocorre que pela pluralidade de existências corpóreas, temos a oportunidade de inúmeras passagens pela Terra como encarnado para podermos evoluir. Durante essas inúmeras encarnações experimentamos uma serie de biótipos físicos, nascemos ora homem, ora como mulher; ora rico; ora pobre; ora saudável; ora doentes, etc.

Para nós, a vida começa quando Deus nos criou como espíritos. Nosso nascimento na verdade é um novo renascimento, uma nova chance de aprendizagem, Já nascemos e morremos inúmeras vezes antes dessa nova vida atual. Reencarnação é uma benção, é uma lei natural da evolução espiritual.

Grande parte dos fatos que ocorrem em nossa encarnação fazem parte do nosso planejamento reencarnatório, nada é por acaso, tudo foi planejado e elaborado pela espiritualidade para promover as alterações cármicas e de evolução necessárias paras as pessoas envolvidas. Porém durante a caminhada podemos através do nosso livre-arbítrio modificar e alterar esse planejamento com nossas escolhas e atitudes.

A cada encarnação trazemos em nossa “bagagem” o necessário para que nossa experiência seja a mais adequada ao que precisamos viver. Deus nos criou a todos iguais, simples e ignorantes, deixou-nos livres para escolhermos nosso caminho no bem ou no mal. Somos o resultado de múltiplas vivências em diferentes séculos.

Somos seres gregários viemos ao mundo para nos relacionar, o ser humano possui a necessidade de pertencer. Toda oportunidade nos conduz a um aprendizado novo, tornando-nos diferentes do que fomos. O bom vínculo é afetivo, comunicativo – o fato de alguém carregar o seu sangue não implica que não possa prejudicá-lo com o seu comportamento. Os genes estabelecem um vínculo hereditário que não implica um vínculo de afinidade. No conceito espírita de família importam o amor e a afinidade, não apenas a genética. O organograma da família atualmente é diferenciado com vários tipos e ramificações.

Família espiritual são aqueles que possuem afinidade conosco, que pensam e agem de forma parecido. A vida em família é um importante aprendizado para a vida em sociedade. A felicidade vem dos pequenos gestos éticos, pelo exemplo de atitudes de luz e da capacidade de mantermos relações empáticas.

“Procurando o bem para os nossos semelhantes, encontramos o nosso.” (Platão)

Adotar é um processo de procura, encontros e resultados. Ato de amor, aceitação, desprendimento e empatia. Vontade que vem da mente e do coração resgatando em nós o afeto, a compaixão e fraternidade. Na maioria das vezes é um encontro de seres planejado pela superioridade com muitas possibilidades de aprendizado e evolução.

A adoção não precisa necessariamente estar no planejamento de reencarnação dos envolvidos; pois gestos de afeto não estão condicionados necessariamente a outras encarnações ou dividas anteriores; ou ser necessariamente um acerto de contas ou resgate. Podem ser espíritos comprometidos pela lei do retorno e de ação e reação, que combinaram de forma planejada esse reencontro de forma madura e coerente. Há espíritos que reencarnam para serem filhos adotivos e em seu planejamento podem ou não escolherem seus pais. Cada nova encarnação é uma nova oportunidade para crescermos e superarmos imperfeições, a adoção é uma grande e iluminada oportunidade de elevação moral e aprendizado.

Não nos lembramos das nossas escolhas anteriores, que fazem parte da dinâmica natural da vida espiritual, se um acontecimento está no planejamento, ele fará tudo para ser realizado e será sempre para o bem e para o crescimento; mas a maneira que cada indivíduo irá agir será de acordo com as suas escolhas no momento das ocorrências, do uso do seu livre-arbítrio. A consciência pelos atos é proporcional ao entendimento e intenção. Através das escolhas o espírito é autor do seu próprio desenvolvimento.

Os espíritos superiores trabalham intensamente para que esses encontros sejam bem-sucedidos já que a adoção envolve fraternidade, afeto e é uma valorosa atitude de amor.

A doutrina espírita é favorável a tudo que reforce o amor, a caridade, solidariedade, as relações empáticas e de auxílio ao próximo. A gente é mais feliz quando caminha promovendo a felicidade dos outros.

Vamos caminhando com pequenos gestos do querer baseados no afeto e no respeito com muitas energias positivas.

“Somos feitos de átomos, mas a nossa essência tem que ser o amor.” (Samanta Merlin)

Fernanda Oliveira

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das famílias. Editora Juspodium

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Editora Boa Nova

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Editora EME

NETO, Alexandre Caldini. A vida na visão do espiritismo. Editora Sextante

https://ospontosdevista.blogs.sapo.pt/frases-do-facebook-se-nao-nasceu-de-1415083 (acesso em 12 de junho de 2021)

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O CORAÇÃO DO MUNDO

Humberto de Campos

O mundo político e social do Ocidente encontrava-se exausto.

Desde as pregações de Pedro, o Eremita, até a morte do Rei Luís IX, diante de Túnis, acontecimento que colocara um dos derradeiros marcos nas guerras das Cruzadas, as sombras da idade medieval confundiram as lições do Evangelho, ensanguentando todas as bandeiras do mundo cristão.

Foi após essa época, no último quartel do século XTV, que o Senhor desejou realizar uma de suas visitas periódicas à Terra, a fim de observar os progressos de sua doutrina e de seus exemplos no coração dos homens.

Anjos e Tronos lhe formavam a corte maravilhosa. Dos céus à Terra, foi colocado outro símbolo da escada infinita de Jacob, formado de flores e de estrelas cariciosas, por onde o Cordeiro de Deus transpôs as imensas distâncias, clarificando os caminhos cheios de treva. Mas, se Jesus vinha do coração luminoso das esferas superiores, trazendo nos olhos misericordiosos a visão dos seus impérios resplandecentes e na alma profunda o ritmo harmonioso dos astros, o planeta terreno lhe apresentava ainda aquelas mesmas veredas escuras, cheias da lama da impenitência e do orgulho das criaturas humanas, e repletas dos espinhos da ingratidão e do egoísmo.

Embalde seus olhos compassivos procuraram o ninho doce do seu Evangelho; em vão procurou o Senhor os remanescentes da obra de um de seus últimos enviados à face do orbe terrestre. No coração da Umbria haviam cessado os cânticos de amor e de fraternidade cristã. De Francisco de Assis só haviam ficado as tradições de carinho e de bondade; os pecados do mundo, como novos lobos de Gúbio, haviam descido outra vez das selvas misteriosas das iniquidades humanas, roubando às criaturas a paz e aniquilando-lhes a vida.

— Helil — disse a voz suave e meiga do Mestre a um dos seus mensageiros, encarregado dos problemas sociológicos da Terra — meu coração se enche de profunda amargura, vendo a incompreensão dos homens, no que se refere às lições do meu Evangelho. Por toda parte é a luta fratricida, como polvo de infinitos tentáculos, a destruir todas as esperanças; recomendei-lhes que se amassem como irmãos, e vejo-os em movimentos impetuosos, aniquilando-se uns aos outros como Cains desvairados.

— Todavia — replicou o emissário solícito, como se desejasse desfazer a impressão dolorosa e amarga do Mestre — esses movimentos, Senhor, intensificaram as relações dos povos da Terra, aproximando o Oriente e o Ocidente, para aprenderem a lição da solidariedade nessas experiências penosas; novas utilidades da vida foram descobertas; o comércio progrediu além de todas as fronteiras, reunindo as pátrias do orbe. Sobretudo, devemos considerar que os príncipes cristãos, empreendendo as iniciativas daquela natureza, guardavam a nobre intenção de velar pela paisagem deliciosa dos Lugares Santos.

Mas — retornou tristemente a voz compassiva do Cordeiro — qual o lugar da Terra que não é santo? Em todas as partes do mundo, por mais recônditas que sejam, paira a bênção de Deus, convertida na luz e no pão de todas as criaturas. Era preferível que Saladino guardasse, para sempre, todos os poderes temporais na Palestina, a que caísse um só dos fios de cabelo de um soldado, numa guerra incompreensível por minha causa, que, em todos os tempos, deve ser a do amor e da fraternidade universal. E, como se a sua vista devassasse todos os mistérios do porvir, continuou:

— Infelizmente, não vejo senão o caminho do sofrimento para modificar tão desoladora situação. Aos feudos de agora, seguir-se-ão as coroas poderosas e, depois dessa concentração de autoridade e de poder, serão os embates da ambição e a carnificina da inveja e da felonia, pelo predomínio do mais forte.

A amargura divina empolgara toda a formosa assembléia de querubins e arcanjos. Foi quando Helil, para renovar a impressão ambiente, dirigiu-se a Jesus com brandura e humildade:

— Senhor, se esses povos infelizes, que procuram na grandeza material uma felicidade impossível, marcham irremediavelmente para os grandes infortúnios coletivos, visitemos os continentes ignorados, onde espíritos jovens e simples aguardam a semente de uma vida nova. Nessas terras, para além dos grandes oceanos, poderíeis instalar o pensamento cristão, dentro das doutrinas do amor e da liberdade.

E a caravana fulgurante, deixando um rastro de luz na imensidade dos espaços, encaminhou-se ao continente que seria, mais tarde, o mundo americano.

O Senhor abençoou aquelas matas virgens e misteriosas. Enquanto as aves lhe homenageavam a inefável presença com seus cantares harmoniosos, as flores se inclinavam nas árvores ciclópicas, aromatizando-lhe as eterizadas sendas. O perfume do mar casava-se ao oxigênio agreste da selva bravia, impregnando todas as coisas de um elemento de força desconhecida. No solo, eram os silvícolas humildes e simples, aguardando uma era nova, com o seu largo potencial de energia e bondade.

Cheio de esperanças, emociona-se o coração do Mestre, contemplando a beleza do sublimado espetáculo.

— Helil — pergunta ele — onde fica, nestas terras novas, o recanto planetário do qual se enxerga, no infinito, o símbolo da redenção humana?

— Esse lugar de doces encantos, Mestre, de onde se vêem, no mundo, as homenagens dos céus aos vossos martírios na Terra, fica mais para o sul. E, quando no seio da paisagem repleta de aromas e de melodias, contemplavam as almas santificadas dos orbes felizes, na presença do Cordeiro, as maravilhas daquela terra nova, que seria mais tarde o Brasil, desenhou-se no firmamento, formado de estrelas rutilantes, no jardim das constelações de Deus, o mais imponente de todos os símbolos.

Mãos erguidas para o Alto, como se invocasse a bênção de seu Pai para todos os elementos daquele solo extraordinário e opulento, exclama então Jesus:

— Para esta terra maravilhosa e bendita será transplantada a árvore do meu Evangelho de piedade e de amor. No seu solo dadivoso e fertilíssimo, todos os povos da Terra aprenderão a lei da fraternidade universal. Sob estes céus serão entoados os hosanas mais ternos à misericórdia do Pai Celestial.

Tu, Helil, te corporificarás na Terra, no seio do povo mais pobre e mais trabalhador do Ocidente; instituirás um roteiro de coragem, para que sejam transpostas as imensidades desses oceanos perigosos e solitários, que separam o velho do novo mundo.

Instalaremos aqui uma tenda de trabalho para a nação mais humilde da Europa, glorificando os seus esforços na oficina de Deus. Aproveitaremos o elemento simples de bondade, o coração fraternal dos habitantes destas terras novas, e, mais tarde, ordenarei a reencarnação de muitos Espíritos já purificados no sentimento da humildade e da mansidão, entre as raças oprimidas e sofredoras das regiões africanas, para formarmos o pedestal de solidariedade do povo fraterno que aqui florescerá, no futuro, a fim de exaltar o meu Evangelho, nos séculos gloriosos do porvir. Aqui, Helil, sob a luz misericordiosa das estrelas da cruz, ficará localizado o coração do mundo! Consoante a vontade piedosa do Senhor, todas as suas ordens foram cumpridas integralmente.

Daí a alguns anos, o seu mensageiro se estabelecia na Terra, em 1394, como filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, e foi o heróico Infante de Sagres, que operou a renovação das energias portuguesas, expandindo as suas possibilidades realizadoras para além dos mares. O elemento indígena foi chamado a colaborar na edificação da pátria nova; almas bem-aventuradas pelas suas renúncias se corporificaram nas costas da África flagelada e oprimida e, juntas a outros Espíritos em prova, formaram a falange abnegada que veio escrever na Terra de Santa Cruz, com os seus sacrifícios e com os seus sofrimentos, um dos mais belos poemas da raça negra em favor da humanidade.

Foi por isso que o Brasil, onde confraternizam hoje todos os povos da Terra e onde será modelada a obra imortal do Evangelho do Cristo, muito antes do Tratado de Tordesilhas, que fincou as balizas das possessões espanholas, trazia já, em seus contornos, a forma geográfica do coração do mundo.

Pelo Espírito Humberto de Campos

Do livro: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho

Médium: Francisco Cândido Xavier

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PENSAR POSITIVO TRAZ CURA

Fátima Moura

Dados de uma pesquisa muito interessante publicada pela revista “Psychological Science” no fim do ano passado, trouxeram novidades ao universo da longevidade e do público denominado de “terceira idade”. O estudo mostra que as pessoas que sentem-se entusiasmadas e alegres com maior frequência, que cultivam sentimentos positivos em seu dia a dia, têm mais chances de não enfrentar problemas de declínio da memória com o passar do tempo e sentem-se realmente mais dispostos e imunes a algumas doenças. A doutora Claudia Haase, professora da Universidade de Northwestern, em entrevista a vários órgãos científicos, relatou estar bastante animada com os resultados da pesquisa, pois apesar da constatação de que a memória se deteriora com o envelhecimento, “os que dispõem de uma gama maior de sentimentos positivos apresentam um declínio menor dessa capacidade”, afirmou. Paralelamente a esse, outro importante estudo aponta que crianças com maior autocontrole se tornam adultos mais saudáveis.

Aqueles que, na infância, eram capazes de controlar seus sentimentos e comportamentos, envelheciam menos rapidamente do que seus pares da mesma faixa etária. Seus corpos e cérebros eram biologicamente mais jovens e sadios.

Ao longo das entrevistas realizadas durante anos, os que pertenciam ao grupo com maior autocontrole demonstraram estar mais bem preparados para lidar com os desafios, de saúde, sociais ou até financeiros, que ocorrem com frequência na vida adulta.

Para corroborar esse assunto, podemos citar uma abordagem que centra-se no indivíduo doente como responsável por sua própria cura e que podemos denominar de processo de autocura.

O médico Andrei Moreira, formado pela Faculdade de Medicina da UFMG, especializado em Homeopatia, e presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais, em seu curso “Cura e Autocura”, afirma que o autoconhecimento é o caminho para a autocura:

“Amar-se é ir ao encontro de si mesmo. O autoconhecimento é propiciador da base para o autoamor. Amar-se (…) significa ser indulgente consigo mesmo, paciente diante dos desafios e perseverante perante a luta por autodomínio e autossuperação. Aquele que se ama se acolhe com generosidade, permitindo-se ser o que é, valorizando seus aspectos luminosos, sua beleza interior, enquanto luta para ser aquilo que deve ser ou que deseja ser”.

Fátima Moura

Fonte: Correio Espírita

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LEI

Joanna de Ângelis

CONCEITO

Qualquer diretriz ou norma estabelecida no seio de uma comunidade constitui intrinsecamente a Lei.

Desde as primeiras agregações humanas, no recuado dos tempos, surgiram, por exigência do progresso, impositivos para o comportamento social que, a pouco e pouco, adquiriram dimensão jurídica. Assim, hábitos, conceitos, modos e modas, formulações éticas e religiosas surgiram paulatinamente, estabelecendo bases para os conglomerados sociais, com os altos objetivos de preservação do indivíduo, da família, da sociedade.

Os primeiros códigos surgiram da necessidade de o homem manter padrões de equilíbrio individual e geral, impondo-se linhas de segurança, através das quais o grupo se unia para progredir.

Na defesa e preservação da vida, em face dos fatores climatéricos, das agressões animais, os instintos inerentes à individualidade compulsoriamente estabeleceram os primeiros deveres, que foram criando raízes e transformando-se em hábitos – estruturas primeiras das leis humanas. Higiene, convívio comunitário, respeito a si mesmo e aos outros, intercâmbio entre os grupamentos, em prol da sobrevivência, e negociações para preservação grupal lentamente se transmitiram, gerando leis que, aceitas ou não, se transformaram em códigos estruturadores da ética, da religião, da justiça.

Pela intuição pura e simples, graças à interferência dos Espíritos Superiores, o homem hauriu nas imutáveis leis da Natureza, por refletirem as Leis de Deus, definições para a conduta e aprendeu, pela multiplicidade de impositivos que lhe escapavam ao controle, que a própria sobrevivência dependia da solidariedade, do amor, do respeito, deveres que brotavam e se desdobravam como abençoadas flores em extenso campo de esperança.

O natural respeito às forças cósmicas que o dominavam no período primário, em forma de medo, com as consequentes manifestações de culto religioso, a se materializarem em holocaustos, transitando do bárbaro ao sutil, desde a imolação de criaturas à oferenda de flores, construiu a identificação lenta e segura entre o homem aparentemente desarmado e o Criador Paternal.

Pelo mesmo processo – mediante a mediunidade natural – os antepassados retornaram e falaram da Imortalidade, propondo conceitos libertadores e, ao mesmo tempo, de sabedoria sobre os quais se estabeleceriam as futuras normas humanas que se iriam transformar em legislação terrena.

DESENVOLVIMENTO

Mesmo nas guerras em que os grupos se entredevoravam, o impulso gregário fê-los abandonar a antropofagia na tribo, transferindo-a para aquele que considerava adversário, do que surgiram preceitos de combate que, hoje, nas nações civilizadas, se discutem tendo em vista os acordos firmados em Genebra, no respeito aos prisioneiros, e dos quais se faz mediadora a Cruz Vermelha Internacional.

Sem dúvida, há muito ainda por fazer, nesse capítulo da legislação humana, pertinente à guerra. Todavia, merece considerar que o homem sofre a “predominância da natureza animal sobre a espiritual”, que lhe constitui lamentável fator preponderante de guerra. Belicoso para consigo mesmo, expande as paixões irrefreadas e desarticula-se, agredindo, malsinando e engendrando a própria desdita.

No que diz respeito à evolução dos códigos da justiça humana, a Hamurabi se deve o mais antigo conjunto de leis conhecidas pela Humanidade. Reinando de 2067 a 2025 antes de Cristo (1), fez gravar numa coluna de diorito preto, com aproximadamente 2,5 metros de altura, quatro mil linhas, nas quais se encontravam exarados os princípios que diziam respeito ao indivíduo e às propriedades, dividindo-se em subcapítulos, sucessivamente, nos quais se tem uma visão de equidade avançada para a época em que predominava o poder sobre o direito, a supremacia do vencedor sobre o vencido.

Posteriormente, as Civilizações, pela necessidade de estabelecerem códigos destinados a regerem seus membros, ora subordinados às diretrizes religiosas, ora aos impositivos éticos sobre que colocavam suas bases, formaram seus estatutos de justiça e ordem, nem sempre felizes…

Pensadores e profetas de todos os tempos, refletindo a mensagem eterna ou as disposições humanas, não obstante os malogros do passado, criaram as determinações através das quais se levantaram impérios e se construíram povos, sem o que teria dominado o caos e a sobrevivência periclitado.

Dos primeiros moralistas, da escola ingénua, aos grandes legisladores, ressaltam as figuras de Moisés, instrumento do Decálogo, e Jesus, o excelso paradigma do amor, que consubstanciaram as necessidades humanas, ao mesmo tempo facultando os meios liberativos para o ser que marcha na direção da imortalidade.

Adaptando as Leis Divinas, identificadas na Natureza, às faculdades humanas, aquelas permanecem modelos a que o homem, vagarosa, porém, infalivelmente, se adaptará, para a própria felicidade.

Do Direito Romano aos modernos tratados, as fórmulas jurídicas evoluem, apresentando dispositivos e artigos cada vez mais concordes com o espírito de justiça do que com as ambições do comportamento individual e grupai.

Francesco Carrara, o insigne mestre do Direito italiano, deslumbrado com a magnitude da vida imperecível, já preceituava: “O dogma sobre o qual assenta nossa doutrina é o da criação operada pela mente de um Ser eterno e infinito no saber, na bondade e no poder. Renegado este princípio, tudo no Direito se torna arbitrário, ou melhor: o Direito perde a razão de ser, a soberana do mundo é a força. Aceito o princípio, dele deflui como consequência necessária o reconhecimento de uma lei de ordem imposta pelo Criador à criatura”.

E, dominado pela Presença Divina, prossegue, espiritualista: “A alma não está submetida à lei física, mas a compreende e a percebe e dela deseja o melhor, mercê da aspiração do belo”.

Complementando o raciocínio, expõe: “Esta alma inteligente e livre que Deus deu ao homem, a fim de que, com suas obras, pudesse merecer ou desmerecer, sujeitou-o, como ser moralmente livre, a uma outra lei: a lei moral”.

Ora, as leis morais estão estruturadas na lei natural ou Lei de Deus. Por serem imperfeitas, as leis elaboradas pelos homens sofrem diariamente modificações, variando de povo para povo e, ao mesmo tempo, adaptando-se a situações compatíveis com os dias da sua vigência.

Todas as criaturas têm, na sua maioria, no atual estágio da evolução da vida na Terra, consciência da Lei de Deus, sabendo o de que necessita para a própria felicidade.

Os desmandos a que se entrega, os abusos que perpetra, os excessos a que se expõe não lhe permitirão tranquilizar-se, porque, inscrita na consciência, aquela lei superior, a seu turno, no momento justo, convocará o infrator ao reajuste, de que ninguém se furta.

(1) Segundo outras fontes, seu reinado deu-se entre 1792-1750 ou 1730-1685 a.C. – Nota da Editora (FEB).

ESPIRITISMO E A LEI

Sendo o Espiritismo revelação divina para o reencontro do homem com a verdade (noutras palavras: para o religamento da criatura com o seu Criador), todos os seus ensinos se assentam na Lei Natural, aquela que dimana do Pai.

A semelhança de Jesus, que não veio destruir a Lei, antes submeter-se ao seu estatuto, o Espiritismo respeita as instituições humanas e os códigos dos homens, oferecendo, porém, sublimes normas de evolução, todas fundamentadas no amor ao próximo e na caridade, de cujo exercício o homem aprende, mediante o estudo contínuo e sistemático, quais as suas obrigações na Terra, as razões das vidas sucessivas, a justiça e sabedoria celestes, contribuindo, eficazmente, pela submissão e pela ação dinâmica, através do impulso dado ao progresso de todos, para a sua total libertação da dor, do desequilíbrio, da sombra, da morte…

Mediante a observância das leis morais que fluem dos exemplos e da palavra do Cristo, o homem constrói a Nova Era, na qual os códigos da intolerância e do preconceito, fomentadores do mal e do ódio, empalidecem, para que fulgurem as luminosidades do bem e da verdade.

Dia virá em que o homem, amando ao seu irmão, elaborará códigos mais generosos e leis mais justas, em cujas malhas evoluirá, até o momento de plenitude espiritual.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Estudos Espíritas – 10

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REENCARNAÇÃO: A maior prova da infinita bondade de Deus

Eduardo Battel

O conceito da reencarnação não é exclusivo da Doutrina Espírita, ele existe há muito tempo e é descrito em várias filosofias e religiões, mas o Espiritismo nos explica o porquê e como esse processo ocorre. A questão número 171 do O Livro dos Espíritos nos ensina sobre ele: “Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la pelas provações da vida corpórea. Mas, em sua justiça, Ele lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova”.

Se só existisse uma vida e quem agisse de forma incorreta fosse condenado a sofrer, sendo castigado por toda a eternidade, onde estaria a bondade de Deus? Se Jesus nos ensinou que devemos perdoar todos os erros de nossos irmãos, seria Deus então inferior ao homem por não fazer isso? Conforme nos disse Chico Xavier, na sua grandiosa sabedoria: “Sem a ideia da reencarnação, sinceramente, com todo respeito às demais religiões, eu não vejo uma explicação sensata, inclusive, para a existência de Deus”.

Caso tivéssemos uma só vida corpórea, nós seríamos criados por Deus antes dela. Por que algumas pessoas nascem com um corpo biológico saudável, em um lar com pais amorosos e não tem grandes dificuldades durante a sua existência e, já outros, nascem com defeitos físicos, ou tem alguma doença grave já na infância, ficando com sequelas e tendo uma existência breve ou vivem em uma condição social difícil, passando por muitas tribulações? Por que Deus daria privilégios a alguns e dificuldades a outros? Se só houvesse uma existência, seria Ele que escolheria quem teria uma vida mais fácil ou mais difícil. Isso seria justo e imparcial? A única coisa que explica essas e outras questões sobre nossas vidas é a reencarnação.

A doutrina da reencarnação corresponde à ideia que fazemos da Justiça de Deus. Ela nos evidencia como O Criador é infinitamente bom, justo, imparcial e ama a todos indistinta e igualmente. Somos criados simples e ignorantes e temos o livre-arbítrio para que sejamos livres. Porém, todos estamos submetidos às leis universais, como a de causa e efeito ou plantio e colheita, ou seja, nós escolhemos o que iremos plantar, mas colheremos obrigatoriamente tudo aquilo que plantarmos. Assim, os percalços que todos nós temos e as adversidades pelas quais passamos, uns mais, outros menos, são em decorrência de nossas escolhas feitas em nossa atual ou em pretéritas encarnações.

A pluralidade das nossas existências nos oferece a oportunidade de evoluirmos conforme nos explica a questão número 167 de O Livro dos Espíritos: “Qual a finalidade da reencarnação? Resposta: Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isso, onde estaria a Justiça?”. Quando desencarnamos, retornamos à dimensão Espiritual, ou Mundo dos Espíritos, ficamos lá por determinado período e voltamos a nascer na dimensão material, quantas vezes forem necessárias para a nossa evolução. Quando atingirmos um determinado estágio evolutivo, não necessitaremos mais encarnar para progredirmos, embora ainda possamos fazer isso, mas em caráter missionário.

Existem três tipos principais de reencarnações e elas ocorrem de acordo com a nossa necessidade. Pode ser para expiação, que é o resgate, por meio da dor, de erros cometidos em outras existências. Para provação, que são provas voluntariamente solicitadas pelo Espírito, as quais, se bem suportadas, resultarão em seu progresso espiritual. E, por último, em missão, que é a realização de qualquer tarefa, de pequena ou grande relevância.

Todas as nossas encarnações são planejadas, por nós ou por Espíritos que nos auxiliam. Nós nascemos com o corpo que precisamos, na família correta, passamos por certas situações, convivemos com determinadas pessoas, ou seja, tudo ocorre nas condições mais adequadas para o nosso aprendizado. Não existe acaso e nem equívoco, conforme nos ensina Chico Xavier: “Já vivemos muitas vezes, estamos com as pessoas certas para ajustarmos os nossos corações e resolvermos os nossos problemas. Na reencarnação ninguém erra de endereço”.

Eduardo Battel*

Fonte: Agenda Espírita Brasil

*Frequentador do Centro Espírita Nova Luz e Centro Espírita João Batista em Jundiaí/SP. Expositor Espírita. Coordenador da Liga de Medicina e Espiritualidade da Faculdade de Medicina de Jundiaí, SP.

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