Filosofia Espírita

Por Eliana Haddad

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Entrevista com Humberto Schubert

Graduado em filosofia, com especialização em Filosofia da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, Humberto Schubert Coelho concluiu em agosto de 2020 seu pós-doutorado em filosofia no Centro para Ciências e Religião Ian Ramsey da Universidade de Oxford, Reino Unido, sobre os temas Deus, espírito e liberdade. Nascido em berço espírita (ele é neto da escritora Suely Caldas Schubert), Humberto é palestrante internacional, autor espírita com artigos, ensaios e livros espíritas, sobretudo com enfoque filosófico e histórico. Também está à frente do Grupo de Estudo Filosófico Espírita, que se reúne virtualmente todas as semanas, arregimentando espíritas de vários países, atualmente estudando sob sua batuta a obra de Léon Denis. Acompanhe-o na entrevista.

Como vê o espiritismo atualmente? Acredita que seja a vez do seu aspecto filosófico?

Precisamos ter cuidado com as ondas frequentes de pessimismo e de entusiasmo idólatra. Ambas ocorrem em qualquer movimento de ideias, mas como o espiritismo carece de uma barreira institucional, por não ser igreja ou seguir decretos e estatutos fixos, somos mais acometidos por modismos. O fato de não sermos um corpo institucional dogmático e autoritário é uma de nossas maiores vantagens, mas é natural que essa estrutura também crie dificuldades. Vejo o espiritismo envolvido na típica crise propiciada pela proliferação de agentes, vozes, plataformas e segmentos. A maioria dessas vozes dissonantes brota do puro personalismo e da fascinação com novidades. Mas também há crescimento, enriquecimento, diversificação e maturação do movimento espírita nesse processo. Entre outras transformações positivas, parece haver uma tendência ao resgate da natureza filosófica do espiritismo. Os adeptos e praticantes do espiritismo têm se mostrado mais abertos à filosofia, e também a um embate com os clássicos, fora da visão catequética de uma “formação espírita pura”, a partir exclusivamente da literatura espírita.

Você se especializou na academia em filosofia da religião. Como a filosofia pode auxiliar na compreensão do espiritismo?

Optei por estudar filosofia da religião pela análise racional dos elementos da vida religiosa e pela necessidade de compreender a fusão entre filosofia e religiosidade operada pelo espiritismo. Hoje, encontro-me satisfeito com essa escolha de percurso formativo, pois avalio que ela me ajudou nessas que eram grandes demandas do meu espírito.

A primeira contribuição concreta da filosofia para o espiritismo é a possibilidade de aclaramento conceitual, particularmente necessário em uma doutrina que está suspensa a meio do caminho entre filosofia, ciência e religião, cuja falta vem causando, desde o seu surgimento, problemas facilmente solúveis, pelo correto emprego das palavras e o discernimento entre temáticas, tipos de discurso e perspectivas. Também, a filosofia contribui fortemente para o melhor entendimento da ética, da metafísica e da própria religião no seio do mundo contemporâneo. Grande parte dos espíritas mais instruídos são levados a um estado de confusão a respeito desse “lugar” de Deus, da alma e da moralidade, em face de teorias que as reduzem a funções culturais, psicológicas ou sociais.

O que é, afinal, a filosofia espírita?

A filosofia espírita e o espiritismo são a mesma coisa. Diante da emergência dos fenômenos espetaculares que marcaram um renascimento espiritualista no século 19, o espiritismo foi a resposta propriamente filosófica de que careceram inúmeros outros pesquisadores que, apesar de sua indiscutível competência e valor, não extraíram dos fenômenos conclusões morais, deixando-se paralisar diante do pórtico do esclarecimento, talvez por medo das consequências negativas que certamente teriam de enfrentar. Aceitando com abnegação cristã a destruição de sua carreira, seu nome, sua vida profissional e sustento, Allan Kardec cruzou o pórtico, e retornou com lições profundamente consoladoras, que não haviam sido oferecidas pelos seus contemporâneos dedicados à pesquisa psíquica e ao espiritualismo. Sem idealizações idólatras, que suponham ser Kardec autoridade infalível e incapaz de errar, a razão deve ceder a ele o laurel de organizador da filosofia espiritualista, para a qual ele cunhou o nome de espiritismo.

Distinta das demais escolas filosóficas por condição e natureza bem peculiares, o espiritismo não é facilmente reconhecível pela sociedade como projeto filosófico que é, uma vez que assenta sobre o estudo de fenômenos ainda radicalmente negados pela comunidade científica. Este o principal motivo pelo qual desenvolveu-se, enquanto movimento e até certo ponto enquanto doutrina, como religião e não como escola filosófica.

Você reúne um grupo online de espíritas espalhados pelo mundo todo para estudos filosóficos espíritas. Como surgiu esse projeto, como pode ser acessado?

O projeto foi idealizado pelo amigo Fabrício Assunção, fundador da Sociedade Espírita de Bournemouth, na Inglaterra, após um evento que organizamos naquela cidade, focando o aspecto filosófico do espiritismo. Muitos outros membros do movimento espírita na Europa já me haviam relatado que o discurso evangelista é fortemente repudiado naquelas culturas, e que o espiritismo encontra ouvidos mais receptivos quando é apresentado como visão moderna, liberal, científica e filosófica. Rapidamente, contudo, residentes no Brasil, com os quais comentamos sobre a iniciativa, também se interessaram pela proposta. O grupo ainda está em gestação, mas já cresceu para além da Europa, com participantes inclusive da África. Os vídeos estão hospedados nos canais de Youtube de nossas respectivas sociedades espíritas: Spiritist Society Bournemouth e Sociedade Espírita Primavera, à qual pertenço, em Juiz de Fora.

Você acredita que a formação de grupos virtuais para estudos espíritas seja uma tendência que veio para ficar?

Já acreditava no potencial e importância de tais tecnologias desde que surgiram, mas a atual pandemia consolidou e provou que são muito benéficas e ilimitadas. Embora os encontros presenciais sejam fundamentais, e melhores sob muitos aspectos, a liberdade e a radical equalização das oportunidades marcam o encontro virtual como meio de divulgação por excelência. Trata-se de avanço que evidencia a verdadeira primazia do intelecto, do espírito sobre a matéria, pois podemos nos comunicar, compartilhar vivências e estabelecer profundas sintonias estando a milhares de quilômetros uns dos outros.

Atualmente, você está analisando com o grupo a obra O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis? Ele pode ser considerado mesmo um filósofo?

Os estudos e publicações sobre Léon Denis, como sobre outros pensadores espíritas, são ainda lamentavelmente incipientes e aquém do que mereceriam. Na falta total de condições materiais e educacionais, Denis foi capaz de elaborar uma obra monumental e de erudição assombrosa. E ele pode, sim, ser considerado um filósofo. Denis pôde integrar o espiritismo ao todo do saber humano porque pensava como filósofo, filosofava, e não recebeu os textos de Kardec como catequese ou manifestos para serem repetidos mecanicamente. Pensou como espírita, e por isso foi de fato espírita. A obra de Denis oferece uma contribuição grandiosa ao pensamento espírita. Em alguns aspectos ele reforçou ou contextualizou o pensamento kardequiano em face das novas realidades de sua geração. Em outros, como no caso da estética e da aplicação da filosofia espírita à arte, ele realmente expandiu o escopo do próprio espiritismo. Espírita por excelência, Denis refletiu a essência da proposta de Kardec e dos espíritos da Codificação porque soube absorvê-la e pensar de acordo com ela, em vez de a repetir apenas na letra.

Qual sua opinião sobre o espiritismo como proposta de autoconhecimento?

Quando não encarado como seita religiosa, e sim como ferramenta civilizatória acrescentada a um conjunto de outras, o espiritismo contribui extraordinariamente para o autoconhecimento, exatamente em razão das peculiaridades de sua natureza, que incentivam o seu praticante a intensificar ao mesmo tempo a fé e a crítica, a empatia e o bom senso, a disposição caritativa e o entendimento filosófico da perfeita justiça de Deus.

Como o movimento espírita pode aprofundar esse conhecimento sobre o aspecto filosófico da doutrina?

Há muitas décadas esse aspecto basilar da doutrina espírita não tem sido suficientemente enfatizado pelos esforços de divulgação. Acredito que os divulgadores de até meados do século 20 sabiam compreendê-lo melhor. Isso ocorre porque o nível cultural do adepto e do trabalhador espírita hoje está aquém da complexidade e profundidade da proposta. O excesso de romances de fraco propósito, livros de mensagens mais subconscientes do que psicográficas, ao lado de obras outras de baixíssimo nível intelectual e moral exerceram um papel. A construção cultural do palestrante como figura encantadora, cativante e capaz de entreter, sem necessariamente esclarecer e instigar ao despertamento, também exerceu indubitavelmente papel deletério.

O remédio, contudo, está à nossa disposição. Basta comparar a literatura espírita dos primeiros oitenta ou cem anos com a mais recente para percebermos que, na média, algo de errado aconteceu. Em sua natureza, a filosofia espírita é filosofia enquanto tal, evoca nas consciências a urgência da meditação filosófica sobre as mais graves questões humanas, provoca o autoexame, e não se pode dissimular essa natureza para aqueles que conhecem os clássicos e buscam leituras comparativas, como recomendaram e fizeram Kardec e Denis, por exemplo.

Em seu livro Genealogia do espírito (Feb) você afirma que o exercício da intuição seria um grande passo para a mudança da mentalidade atual que tudo divide em extremos. A intuição seria o caminho do meio. Como desenvolvê-la?

Para fugir dos clichês e vocabulário místico que também têm sido prejudiciais, poderíamos identificar a intuição com a lucidez do espírito maduro. Não se trata, portanto, de técnica esotérica, como alguns procuram desenvolver com grande esforço e pouco resultado, nem ocorrência espetaculosa, e sim um “senso” da verdade, do bem e do belo que brota naturalmente na alma dos que conheceram a verdade, o bem e o belo. Esta lucidez do espírito, portanto, desenvolve-se inevitavelmente como somatório dos progressos intelecto-morais do espírito, mas, por isso mesmo, será aquisição lenta e gradual.

Como você analisa o desenvolvimento da mediunidade nos dias atuais e como a enxerga no futuro?

Eu a enxergo muito na esteira da resposta anterior. Para desmistificarmos a mediunidade e integrarmos ao conhecimento espírita o que vem sendo desenvolvido pelas neurociências, pela psicologia e, principalmente, pelas atuais pesquisas em espiritualidade, precisamos nos abrir para novas possibilidades de interpretação de nuanças ainda não percebidas ou pouco exploradas desse que não é um fenômeno, mas todo um campo fenomênico. Nossos maiores especialistas em mediunidade reconhecem que, se temos o roteiro prático e a experiência, a ciência profunda do mediunismo e do psiquismo em geral é realização futura ainda distante.

Suas considerações finais

Precisamos pensar na valorização do aspecto filosófico da cultura espírita. Essa nova luz se caracterizará, certamente, como uma onda de estudos, textos e reflexões sobre o que o espiritismo realmente é, o que representa e como pode e deve ser praticado.

Fonte: correio.news

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Nossos conhecimentos nos ajudam a crescer?

Sérgio Vencio

No livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier e de autoria do espírito Emmanuel, no capítulo 60 vemos um texto maravilhoso, intitulado, Que fazeis de especial?

Nesse texto Emmanuel nos leva a refletir que apesar dos conhecimentos derramados pela espiritualidade maior sobre a Terra, talvez não estejamos aproveitando todo esse potencial pra nós.

– “A vida prossegue vitoriosa após a morte.”

Esse conceito tão disseminado nos coloca em um ponto da história onde nunca estivemos. Ciência e espiritualidade caminham para interagir em uma interface única que provavelmente nos remeterá aos primórdios da criação. Não há mais desculpas para a desinformação. Todos sabemos que a vida pulsa forte após a morte do corpo físico. Mas apesar disso, o que fazemos com essa crença? Será que acreditar nisso está nos levando no caminho do Pai? Esse conceito torna a nossa vida mais feliz?

– “Nos encontramos na escola temporária da Terra, em favor da iluminação espiritual que nos é necessária.”

A temporalidade é um dos grandes atributos do progresso. pensar nos extremos dificulta nossa marcha. Os que pensam que quando a morte chegar não haverá mais nada não se sentem motivados a mudar, aliás, usam essa desculpa esfarrapada para fugir dos compromissos assumidos. Os que agem como se eternamente fossem ficar na Terra, acabam por distorcer a ótica correta de enxergar as coisas, valorizando mais o transitório, material, o aparente.
Acreditar, pensar e agir como se tudo fosse acabar a qualquer momento nessa realidade, sendo substituído por outra melhor, mais sutil e eterna, é o que nos faz atingir o grau de maturidade necessário para continuar lutando, construindo mas entendendo que tudo é do Pai, todas as conquistas e posses. A tudo usamos, mas nada nos pertence de verdade. Mas apesar disso, o que fazemos com essa crença? Será que acreditar nisso está nos levando no caminho do Pai? Esse conceito torna a nossa vida mais feliz?

– “O corpo carnal é simples veste a desgastar-se a cada dia”

Esse é talvez um dos conceitos mais difíceis de colocar em prática. Vivemos na ditadura da beleza a qualquer preço. Ninguém mais pode ser feio, gordo, magro, pobre, todos temos de ser sarados, lindos, ricos e famosos. Mas pouca gente parece se importar em não ser egoísta, nervoso, orgulhoso, ansioso, etc… Desde que seja VIP.
O corpo físico, maravilhoso instrumento, merece mesmo ser cuidado. Alimentação adequada, exercício, cosméticos, tudo é bem vindo, mas sem exageros. Nunca deixar que isso se torne o objetivo final.
Pensar no corpo físico perecível nos faz entender que nossas atitudes, pensamentos, intenções determinam a saúde do corpo espiritual. Vale a pena viver com um corpo físico perfeito, belo, cuidado, mas com a alma em frangalhos, desencarnando como os zumbis, com o corpo astral doente, sem alegria, sem asas para alçar o voo verdadeiro.
Mas apesar disso, o que fazemos com essa crença? Será que acreditar nisso está nos levando no caminho do Pai? Esse conceito torna a nossa vida mais feliz?

– “Que a nossa colheita futura se verificará conforme a sementeira de agora.”

Hoje somos o resultado da somatória de tudo o que já vivenciamos. Colhemos do ontem, do ano passado, da década, do século e dos milênios onde fomos construindo nossa personalidade. Obtemos frutos de tudo aonde colocamos nossos esforços. Investimos na carreira e vamos colhendo os dividendos disso. Assim é com a família, com a saúde, etc, nada foge a essa regra, e assim é com a vida espiritual. Mesmo com tantas horas disponíveis investimos pouco ou nada na nossa relação com o sutil. Sabemos desse conceito. Mas apesar disso, o que fazemos com essa crença? Será que acreditar nisso está nos levando no caminho do Pai? Esse conceito torna a nossa vida mais feliz?

– “Que a justiça não é uma ilusão e que a verdade surpreenderá toda a gente.”

A verdadeira justiça divina age em nós através de nós mesmos, da nossa consciência. Ninguém escapará do autoexame ao desencarnar e por mais que aqui usemos e abusemos das máscaras, vernizes, disfarces do lado de lá estaremos nús, despidos de roda falsidade, nos apresentando como somos de verdade. Mas apesar disso, o que fazemos com essa crença? Será que acreditar nisso está nos levando no caminho do Pai? Esse conceito torna a nossa vida mais feliz?

A pergunta de Emmanuel é muito objetiva. O que fazemos de especial? O que esse conhecimento nos acrescenta. Não como uma cobrança, mas como uma atitude que nos faz mais leves, mais amorosos, mais felizes. Pra que conhecimento das verdades espirituais se elas não nos trazem libertação? Sem esse movimento esses conceitos se transformam em algemas que nos prendem à culpa por não conseguirmos cumprir as indicações.
Eu creio em um Deus misericordioso, amoroso, que age por amor, com luz e sutilidade. Ele nos dá infinitas oportunidades, sem castigos, sem punições. O sofrimento se torna opção nossa, quando escolhemos o caminho mais difícil. É tempo de caminhos leves. É hora de utilizar os conhecimentos para a nossa melhoria.

Paz e luz!

Sérgio Vencio, endocrinologista, vice-presidente eleito da Sociedade Brasileira de Diabetes, fundador e ex-presidente da Comunidade Espírita Ramatís

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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A doença não pode ser instrumento de punição

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília/DF

Os órgãos do corpo físico respondem a todos os estímulos (internos ou externos), determinando um encadeamento de reações, além dos estímulos físicos que impactam, através dos sentidos, as emoções ou sentimentos que também provocam reações. Estas excitam ou bloqueiam os mecanismos de funcionamento. Em verdade, o processo de preservação e deterioração de qualquer órgão tem uma relação direta com as emoções e os sentimentos.

A cólera, a raiva, o temor, a ansiedade, a depressão, o desgosto, a aflição, assim como todas as emoções derivadas delas, sobrecarregam a economia saudável do corpo. Há outros fatores emocionais que podem influenciar patologias físicas, como relacionamentos afetivos infelizes, penúria econômica, desigualdade de renda e estresse relacionado ao trabalho profissional. Quando estamos tristes e depressivos por uma desilusão amorosa, ou quando estamos ansiosos e irritados por causa de dívidas, também desenvolvemos enfermidades.

Mens sana in corpore sano (“uma mente sã num corpo são”) é uma célebre frase latina, proveniente da Sátira X do poeta romano Juvenal. Nós somos o que sentimos. René Descartes já dizia que somos aquilo que pensamos. Quando as nossas emoções são reprimidas, elas acabam se constituindo na fonte de um conflito emocional crônico, segundo Sigmund Freud, que gerará distúrbios físicos ou psicológicos, se não forem aliviadas, mediante os canais fisiológicos competentes.

O estresse é como um conjunto de reações fisiológicas produzidas pelo nosso organismo para reagir e se adaptar às situações apresentadas no dia a dia. O problema é que tais reações, psíquicas e orgânicas, podem provocar um desequilíbrio no nosso organismo caso ocorram de forma exagerada ou intensa, dependendo também do tempo de duração. Quanto mais durar o estresse, obviamente a ruína será maior.

Adquirimos doenças porque não conseguimos conviver em harmonia com o meio e com as pessoas ao nosso redor. Enfermamos porque mantemos antipatias, inimizades, desgostos, culpas, arrependimentos, ressentimentos, temores e frustrações que não queremos superar. Por desconhecermos as nossas próprias emoções, muitas vezes desejamos ocultá-las dos outros, e de nós mesmos, mormente os pensamentos e os sentimentos egoísticos.

Cada doença, cada dor, cada sofrimento, cada frustração, cada sintoma traz uma mensagem única e exclusiva para nós e apenas para nós. Quando estivermos prontos para abrigá-los e compreendermos o que elas querem nos dizer, estaremos aptos a andar firmes pelo caminho do nosso aperfeiçoamento espiritual que decisivamente passa pelas vias da nossa saúde moral.

Naturalmente, as nossas doenças são advertências da vida para que venhamos a ter mais consciência de nós mesmos e dos nossos compromissos na família, na natureza e na sociedade, governando-nos pela vida caridosa, solidária e amorosa.

Precisamos ter consciência de que doença e saúde são consequências das nossas livres escolhas através das emoções ou sentimentos, e tal responsabilidade não pode ser terceirizada. Além do quê, a doença não pode ser instrumento de punição. Na verdade, deve ser um expediente de aprendizado, na sábia pedagogia divina, convidando-nos ao exercício do amor.

Jorge Hessen

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Humanização em centro espírita!

Wellington Balbo

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Costumo dizer que o processo de espiritualização passa necessariamente pelo processo de humanização da criatura. Em outras palavras: necessitamos antes de pensar em “plano espiritual” refletirmos sobre a importância de sermos humanos, solidários e benevolentes uns com os outros antes de olharmos para os Céus. Nosso campo de trabalho por enquanto é aqui na Terra, ou seja, devo atender bem os amigos que estão aqui na Terra, os companheiros da “boa luta” que fazem parte do meu cotidiano e que são meus próximos mais próximos.

Outro dia recebi um e-mail com o seguinte conteúdo: o dirigente de minha reunião mediúnica é educado e gentil com os espíritos que se manifestam, todavia quando dirige a palavra para um membro encarnado de nosso grupo sempre vem bronca e de forma acintosa. Diante do desabafo indago: Por que tratar bem o espírito desencarnado e não dar o mesmo tratamento ao espírito encarnado? Ora, somos todos iguais independentemente da condição em que nos encontramos, ou não?

Então, de que adianta sermos educados com os espíritos se não o somos com os companheiros aqui da Terra? É preciso, pois, humanizar-se!

Outro ponto: algumas pessoas dão mais valor ao que vem dos espíritos do que dos homens. Se um Espírito diz algo ela acredita piamente, mas se é alguém encarnado logo passa pelo crivo da razão. Allan Kardec ensina que os Espíritos são apenas os homens que aqui viveram e deixaram a vestimenta carnal, portanto, não possuem nem todo o saber e nem toda a moral, refletem na espiritualidade suas tendências, manias e outras coisas que os caracterizavam quando encarnados. Diante do ensinamento de Kardec concluímos que os Espíritos não sabem tudo e que palavras boas podem vir tanto dos Espíritos quanto dos homens que ainda estão na Terra. É preciso, pois, humanizar-se!

Dia desses visitei o CE Eterna Amizade de Pederneiras SP e o CE Cairbar Schutel em Matão SP e notei a recepção calorosa dos amigos aos que chegavam à casa. Designaram voluntários para recepcionar as pessoas e entregar mensagens. Ótima iniciativa. Tem muita gente que chega pela primeira vez ao centro espírita e é necessário receber com carinho essas criaturas. O centro espírita precisa ser um lar também para os que ainda estão aqui na Terra. É preciso, pois, humanizar-se!

Outra coisa interessante foi o que ocorreu em CE Eterna Amizade, o mesmo que citei acima. Dia de finados e realizaram uma palestra para abordar o tema: Perda de entes queridos. Entretanto não se restringiram a divulgar aos frequentadores da casa, foram além, arregaçaram as mangas e divulgaram para toda a cidade. Foi uma noite memorável. Mães e pais, católicos, evangélicos e sem religião recebendo em seus corações o consolo proporcionado pela doutrina espírita. Uma beleza!

Por isso estou sempre batendo nesta tecla:

Antes de cogitarmos das bênçãos dos Céus é necessário trabalhar aqui na Terra.

Antes de nos espiritualizarmos é imprescindível sermos mais humanos.

Pensemos nisso.

Wellington Balbo

 (Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano7/317/wellington_balbo.html Crônicas e Artigos)

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Inquietações Sexuais Após a Morte

Marlene Nobre

Como é natural, muitas pessoas têm curiosidade em saber se há constituição de lares no além e, consequentemente, se há relações sexuais entre os seres que se unem em matrimônio e, mais, se existe gestação no mundo espiritual.

As respostas encontrei-as nas mensagens que os desencarnados enviaram a seus pais e parentes encarnados, através de Chico Xavier.

Nas 500 mensagens que estudei, publicadas em mais de uma centena de obras, encontrei as respostas que procurava e coloquei-as no meu livro Nossa Vida no Além. No capítulo Inquietações da Libido, abordo muitas dessas questões.

Aprendi que nas regiões mais evoluídas há também o casamento das almas, que se unem conjugadas pelo amor puro, gerando obras admiráveis de progresso e beleza.

No caso, porém, em que esse enlace deva ser adiado, por circunstâncias inamovíveis, os Espíritos de comportamento superior aceitam, na Terra, a luta pela sublimação das forças genésicas, aplicando-as em trabalho digno.

Por isso vemos muitas criaturas encarnadas que, embora separadas de sua alma gêmea, desenvolvem serviços de amor aos semelhantes, a fim de aplicarem de forma útil suas energias sexuais, até que, um dia, possa reencontrá-la, nas outras dimensões da vida infinita, e integrar-se em seu halo energético, na complementação ideal.

Ivo de Barros Correia Menezes, o Ivinho, enviou vinte cartas para sua mãe, através do médium Chico Xavier, seis delas estão no livro Retornaram Contando, cinco outras em Gratidão e Paz, e algumas esparsas. Em 1983, cinco anos após a sua desencarnação, ocorrida aos 18 anos, desabafou com sua mãe Neide (28):

Continuo desencarnado e prossigo querendo casar-me e ser pai de família. Estimo os avós que me favorecem aqui com os melhores ensejos de ser feliz, mas, no fundo de mim mesmo, o que desejo realmente será formar na juventude do meu tempo e adotar uma vida caseira, pródiga de bênçãos de paz. Mãe Neide, é que seu filho anda partido em dois, tamanho é o meu anseio de realizar-me na condição de homem.

Em sua sexta carta, psicografada em 26 de maio de 1984, Ivinho continuou a dialogar francamente com o coração materno, expondo seus anseios mais íntimos: aquele desejo de passear com uma garota a tiracolo observando se ela nos serviria para um casamento futuro prevalece comigo.

Muitos rapazes se desligam com facilidade desses anseios. Tenho visto centenas que me participam estarem transfigurados pela religião e outros adotam exercícios de ioga com o objetivo de cortarem essas raízes da mocidade com o mundo. (…)

Meu tio Ivo fala em amor entre os jovens, apenas usufruindo o magnetismo das mãos dadas, e até já experimentei, mas a pequena não apresentava energias que atraíssem para longos diálogos sobre as maravilhas da vida por aqui. Fiz força e ela também; no entanto, nos separamos espontaneamente, porque não nos alimentávamos espiritualmente um ao outro.

Creio que meu caso é uma provação que apenas vencerei com o apoio do tempo. (…)

Se estivesse aí faria 25 anos em janeiro próximo; um tempo lindo para se erguer um lar e criar filhos (…)

Realmente a provação, com vistas à disciplina emotiva, parece implícita no caso de Ivinho, à semelhança de milhares de outros jovens, como ele mesmo pôde constatar, entre seus companheiros de Vida Nova. Mas é interessante anotar a sinceridade de seu coração, abrindo a alma por inteiro para a mãe à procura de apoio.

Nesta mesma carta, continuou:

Mamãe Neide, por que será que o homem passa por este período de necessidade de integração com uma outra criatura no casamento? Sei lá… A minha avó Celeste considera fácil esta abstenção por aqui, porque nos afirma que, em nossa esfera não há possibilidade de gravidez. Mas com gravidez ou sem ela eu queria uma companheira loura ou morena, que se parecesse com você, que me protegesse, que me conseguisse organizar os lugares para descanso, que eu pudesse beijar muitas vezes para compensá-la do carinho que me consagrasse. (…)

Dizem por aqui que os pares certos trocam emoções criativas e maravilhosas no simples toque de mãos; no entanto, estou esperando o milagre.

Em seus apontamentos, Ivinho lembrou que, na Terra, rapazes e moças buscam dedicar-se aos esportes na tentativa de liberar o magnetismo do sexo, no entanto, para ele nem mesmo isso daria jeito.

O jovem não disse, mas o esporte na Espiritualidade tem outras modalidades uma vez que o sistema muscular estriado ou esquelético existente no corpo físico não permanece no perispírito, é transformado, durante a histogênese espiritual. Lá não se utiliza senão a força mental e os deslocamentos individuais operam-se na faixa da volitação.

Referiu-se aos estudos e trabalho que desenvolve sob a orientação dos instrutores espirituais, e quando interrogado por eles, não teve coragem de mentir quanto ao seu verdadeiro estado mental em relação ao sexo:

Enfim, esta é minha atualidade e não podia omitir o que sinto perante você, minha mãe, minha confidente e minha melhor amiga. Com o tempo, vamos regularizar tudo isso. Esteja tranquila. Refiro-me ao assunto, porquanto noto que a maioria dos jovens desencarnados, que se comunicam dão uma volta no caso e passam por cima; no entanto, sei que a maioria deles está em posição semelhante à minha. Mas não há de ser nada. Acredito que vou entrar no cordão das mãos entrelaçadas e depois lhe darei notícias.

As cartas do jovem Ivo à sua mãe constituíram, a nosso ver, um esforço enorme de seu Espírito para adaptar-se ao Plano Espiritual. Com esse desabafo, possibilitado, durante tantos anos, pela psicografia, ganhou forças para resistir, contando principalmente com a compreensão da mãe e da avó.

No mundo espiritual, seu avô Barros chegou a sugerir-lhe uma nova encarnação, mas o jovem apavorou-se: (…) isso é um assunto grave, porque não desejo assumir outra personalidade esquecendo os vínculos que me ligam ao seu querido coração.

Enganam-se lamentavelmente quantos possam admitir a incontinência sexual como regra de conduta nos planos superiores da Espiritualidade. (…)

Como vemos, ainda temos muito que aprender lendo as cartas recebidas por Chico Xavier, enviadas por aqueles que partiram, sobretudo os jovens, aos entes queridos que ficaram na Terra.

Marlene Nobre

Fonte: kardecriopreto

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A MEDIUNIDADE RECONHECIDA PELOS PAPAS

Recebemos o texto seguinte e dispomos aqui para a apreciação de nossos amigos. Seu autor é Washington L. N. Fernandes, originalmente publicado na Revista Espiritismo e Ciência, da Mythos Editora.

A MEDIUNIDADE RECONHECIDA PELOS PAPAS

Já se sabe que os fenômenos envolvendo a mediunidade não são recentes, mas que têm sido registrados desde os tempos mais antigos da civilização. A Igreja também reconheceu o fenômeno, e muitos papas estiveram envolvidos em ocorrências mediúnicas.

Em 18 de abril de 2005, ocorreu a eleição de Joseph Ratzinger (1927), o novo papa da Igreja Católica Apostólica Romana, que adotou o nome Bento XVI, em substituição a Karol Wojtyla (1920-2005), chamado papa João Paulo II.

Aproveitaremos a oportunidade para destacar a mediunidade e a comunicabilidade dos Espíritos, presentes entre os papas desde a origem do papado e ao longo de sua história de quase dois mil anos. Tínhamos ouvido referência de fenômenos espirituais com Pio V e Pio XII, em palestras do médium Divaldo Franco (1927-), e quisemos aprofundar e completar o assunto.

Consultando a historiografia católica sobre a origem doutrinária do papado, o imperador romano Constantino (272-337) é apontado entre os teólogos como um dos seus principais precursores, pois foi ele quem historicamente começou a dar forma ao Sistema Católico Romano. Constantino presidiu o 1º Concílio das Igrejas, no ano 313, construindo depois a primeira basílica em Roma, tornando o cristianismo religião oficial do Império, seguido de Teodósio (347-395) e outros imperadores.

Começava-se a criar os fundamentos que possibilitaram que Valentiniano III (Flávio Plácido, 419-455), no ano 445, reconhecesse oficialmente ao papa (a palavra “papa” significa pai) o exercício de autoridade sobre as Igrejas, ganhando o papado poder mundial com Carlos Magno (747-814), no século 8.

Ocorre que Constantino, que os católicos consideram como o precursor da estruturação papal, converteu-se ao cristianismo através de uma visão espiritual, conforme relatou o historiador católico Eusébio de Cesaréia (275-339), em sua obra Vita Constantini (Cap. XXVIII). Durante a batalha contra o imperador Maxêncio (séc. 3/4), com seu exército em desvantagem, Constantino viu no céu um grupo de Espíritos, liderados pelo Espírito (chamado Anjo) São Miguel, mostrando-lhe uma cruz luminosa com os dizeres: “Com este sinal vencerás”.

O impacto que sentiu foi tão grande que mandou pintar uma cruz em todas as bandeiras, venceu a batalha e se converteu ao cristianismo, estabelecendo o famoso Edito de Milão, do ano de 313. O escritor Nicéforas (séc. 16) escreveu que Constantino viu este Espírito mais duas vezes – numa delas, orientando-o a edificar Constantinopla; e, na outra, para ajudá-lo numa revolta por parte dos moradores da antiga Bizâncio.

Portanto, encontramos visões espirituais nos primórdios da estruturação da Igreja e da criação do papado.

Encontramos exemplos de mediunidade dos papas numa ocorrência com Antônio Michele Ghislieri (1504-1572), o papa Pio V, que foi o Sumo Pontífice no período de 1566 a 1572. Em 1570, os turcos otomanos invadiram a ilha de Chipre e tomaram Veneza, e os venezianos pediram ajuda. O papa Pio V enviou uma frota de 208 navios, sob o comando de Don John da Áustria. Essa frota encontrou 230 navios turcos em Lepanto, Grécia, em 7 de outubro de 1571. A batalha durou três horas. Miguel de Cervantes (1547-1616), o novelista espanhol, autor de D. Quixote, participou dessa batalha histórica. Em Roma, Pio V aguardava notícias, orava e jejuava, juntamente com monges, cardeais e fiéis. Em 7 de outubro, ele trabalhava com seu tesoureiro, Donato Cesi, que lhe expunha problemas financeiros. De repente, separou-se de seu interlocutor, abriu uma janela, entrou em êxtase e teve uma visão em desdobramento espiritual. Voltou-se para Donato e lhe disse: “Ide com Deus. Agora não é hora de negócios, mas sim de dar graças a Jesus Cristo, pois nossa esquadra acaba de vencer a batalha”. Duas semanas depois chegaram as notícias da vitória de sua esquadra, confirmando sua visão espiritual.

Mais recentemente, no século 20, encontramos outro exemplo de ação espiritual entre os papas, com o Cardeal Eugênio Pacelli (1876-1958), que viria a ser o papa Pio XII, no período de 1939 a 1958. O fato foi relatado pela própria Igreja Católica, em seu jornal oficial L’Observatore Romano, e depois publicado no Brasil, no jornal Ave Maria, de Petrópolis, transcrito pelo Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, em setembro de 1956.

Em 19 de fevereiro de 1939, nos aposentos do Vaticano, na ala esquerda da Catedral de São Pedro, o cardeal Eugênio Pacelli estava orando; ele era um diplomata da Santa Sé junto aos governos do Ocidente. Em seus aposentos de cardeal, ele ouviu uma voz chamando: “Pacelli, Pacelli”. Ele se voltou e viu o Espírito do papa Pio X (1835-1914). Emocionado, ele se ajoelhou e chamou-o de Santidade. O Espírito respondeu-lhe: “Não sou Santidade, mas apenas um irmão; venho avisá-lo que, dentro de alguns dias, se tornará papa, e que a Terra será devorada por uma avalanche de tragédia.

É da vontade do Senhor que seja papa para governar a Igreja com sabedoria, bondade diplomática e equilíbrio”.

O cardeal Eugênio Pacelli redarguiu dizendo que não entendia aquilo, porque Pio XI (1857-1939) era o papa de então, e governava a Igreja com sabedoria. O Espírito Pio X não discutiu com o cardeal, desvaneceu-se.

Emocionado, Eugênio Pacelli desceu de seus aposentos e adentrou na Catedral de São Pedro. Foi até o subterrâneo, onde estão os túmulos papais, ajoelhando-se na cripta de Pio X, permanecendo em oração até o amanhecer. Ao raiar do dia, adentrou novamente na Catedral de São Pedro, e um guarda suíço perguntou-lhe se estava sentindo-se bem, pois estava muito pálido. Eugênio Pacelli respondeu que tinha dialogado com Pio X. Surpreso, o guarda contrapôs que Pio X estava morto. Mas Eugênio Pacelli disse que, naturalmente, o sabia, pois fora ele quem tinha feito o discurso laudatório. Além do quê, Pio X tinha sido seu padrinho de cardinalato.

Pio X disse-lhe que ele seria papa e, em seguida, a humanidade entraria em guerra. O fato permaneceu em sigilo, mas dois ou três meses depois, Pio XI morreu de uma doença misteriosa. Eugênio Pacelli foi eleito o novo papa, Pio XII, e logo depois eclodiu a Segunda Guerra Mundial, conforme lhe dissera o Espírito Pio X. É mais um fato mediúnico, registrado pela história, de comunicabilidade espiritual com os papas.

É interessante registrar que não foi por acaso que Pio X apareceu em Espírito e se comunicou mediunicamente com Pio XII. O papa Pio X conhecia os fenômenos espíritas, pois seu médico, dr. José Lapponi (1851-1906), foi uma pessoa interessada nos estudos espíritas e até publicou um livro à época – Hipnotismo e Espiritismo (1897) – aprovado pelo papa Leão XIII, e que foi traduzido e publicado no Brasil pela editora da Federação Espírita Brasileira.

O Dr. Lapponi também foi médico do papa Leão XIII (1810-1903). Vale anotar que, quando da segunda edição do livro Hipnotismo e Espiritismo, em 1904, o periódico Diário de Noticias, de Madri, do dia seis de julho, publicou carta do dr. Lapponi na qual ele comentava que o órgão jesuíta La Civilitá Cattolica censurava seu livro porque ele divulgava teorias que não eram aprovadas pela Igreja, e que o próprio papa Pio X reprovara a obra. Mas à época, dom Eduardo Checci, redator do Giornale d’Italia, foi entrevistado sobre isso, desmentindo que o papa Pio X tivesse reprovado a obra. O dr. Lapponi acrescentou que Pio X conhecia o trabalho desde sua primeira edição e o tinha aprovado, e que o livro tinha merecido louvores até do papa Leão XIII, que disse que a ciência católica não devia ser contrária ao estudo do Espiritismo e suas manifestações.

É importante esclarecer que o dr. Lapponi não era espírita e, nesse livro, ele adotou uma postura até de prevenção com relação aos fenômenos do hipnotismo e do Espiritismo, porque poderiam ensejar fraudes e mistificações. Chega a ser curiosa essa sua atitude, pois a verdade é que, se ele admitiu os fenômenos espíritas (e, para nós, é o que importa), não se compreende por que ele recrimina sua prática.

O dr. Lapponi demonstrou que não conheceu realmente o Espiritismo, uma vez que se ateve somente à parte fenomênica; não conheceu a parte filosófica e ética da Doutrina Espírita. Nem no aspecto fenomênico ele se aprofundou, pois só se referiu às situações duvidosas; por temer fraudes e a ação de Espíritos brincalhões e zombeteiros (que, portanto, ele admitia), achou temerário e perigoso ocupar-se do Espiritismo.

Para nós vale que o dr. Lapponi, médico de dois papas, historiou a ocorrência de fenômenos espíritas desde a Antiguidade e reconheceu a intervenção dos Espíritos no mundo material.

A transfiguração de Jesus é citada como exemplo de fenômeno mediúnico que aparece na Bíblia, com Moisés e Elias aparecendo em espírito material. Ao final do livro, ele afirmou que o Espiritismo só deveria ser estudado com as necessárias precauções e por ação de pessoas reconhecidamente competentes (op.cit., pág. 219).

Portanto, a Doutrina Espirita e os fenômenos mediúnicos transitaram pelo Vaticano no século 19, entre os papas e pelo médico que cuidou de dois deles nesse período e escreveu um livro sobre o assunto, reconhecendo sua existência, apesar de sua atitude de temor.

Mesmo nos tempos mais recuados, os fenômenos mediúnicos estavam presentes na sociedade, em todos os lugares, já que fazem parte da Natureza. Por isso, encontramos referência a eles desde há dois mil anos. Basta citarmos o apóstolo Pedro, que é considerado como o primeiro papa da Igreja. Na Bíblia, encontramos várias ocorrências mediúnicas e de interferência dos Espíritos, ocorridos com Pedro. Por exemplo:

a) em Mt: 17, 1-6, está descrita a transfiguração de Jesus na qual, estando Ele num monte, acompanhado por Pedro, Tiago e João, apareceram, em Espírito, Moisés e Elias, que já estavam mortos havia séculos, e conversaram com Jesus;

b) em At: 2, 1-14, ocorreu o fenômeno chamado Pentecostes, no qual os doze apóstolos ouviram um som vindo do céu, como um vento, e como que línguas de fogo pousaram sobre cada um deles, que então começaram a falar em diversos idiomas;

c) At: 3, 2-8, é descrita a mediunidade curativa de Pedro, quando ele curou um coxo de nascimento que todo dia ia à porta do templo para pedir esmolas. Ele tomou o coxo pela mão e ordenou-lhe que se levantasse e andasse, e assim ocorreu;

d) At: 11,5-10, Pedro teve um arrebatamento espiritual e teve vidência e audiência. Viu, a céu aberto, um vaso que descia, como grande lençol atado pelas quatro pontas, vindo para a terra, e ouviu uma voz: “Levanta-te Pedro, mata e come”. Pedro disse ao Senhor que nunca tinha comido coisa imunda. A Voz disse-lhe que não devia chamar de imundo o que Deus purificou; isso se repetiu por três vezes;

e) At:11, 11-1, Pedro viu três homens de Cesaréia que o buscavam, e estavam em frente à casa onde estava; um Espírito lhe disse que fosse com eles, nada duvidando;

f) At:12, 5-11, Pedro estava dormindo na prisão, vigiado por dois guardas. Quando Herodes ia chamá-lo, houve uma luz na prisão, e apareceu um Espírito (chamado anjo) despertando-o, rompendo as correntes e dizendo-lhe para fugir; e conduziu-o, fazendo-o passar pelos guardas, chegando à porta da cidade, pela qual saíram. E Pedro percebeu que Deus havia enviado um Espírito para ajudá-lo.

Para encerrar esse importante registro histórico sobre a mediunidade e seu reconhecimento entre os papas, temos necessariamente que citar o recém-falecido papa João Paulo II, reconhecido como um grande missionário do bem. A revista Veja, de 6 de abril de 2005, na página 93, transcreveu uma frase pronunciada por ele numa pregação na Basílica de São Pedro, em novembro de 1983, e que dispensa comentários: “O diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo”.

Portanto, fica registrado, segundo as próprias fontes católicas e as não espíritas, que a mediunidade e a comunicabilidade espiritual têm se manifestado e sido reconhecidas pela Igreja, mesmo entre os seus maiores representantes, desde a Antiguidade. E ainda hoje ocorre, demonstrando que a vida não se restringe à realidade material nem é interrompida com a morte.

By LUZ ESPÍRITA – dezembro 29, 2010

Extraído de: Espiritismo em Movimento

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Resignação Espírita

José Herculano Pires

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Uma das acusações que se fazem ao Espiritismo é a de levar o homem ao conformismo. “Os espíritas se conformam com tudo, – escrevem-nos – e dessa maneira acabarão impedindo o progresso, criando entre nós um clima de marasmo, favorável às tiranias políticas do Oriente. A idéia da reencarnação é o caldo de cultura do despotismo, pois as massas crentes se entregam a qualquer jugo.”

Muitos confundem a resignação espírita com o conformismo religioso. Mas, contraditoriamente, acusam o Espiritismo e não acusam as religiões. Por outro lado, tiram conclusões teóricas de fatos que podem ser observados na prática. A idéia da reencarnação não é nova, não nasceu com o Espiritismo, e não precisamos teorizar a respeito, pois temos toda a história da humanidade ante os olhos, para nos mostrar praticamente os seus efeitos.

Vamos, entretanto, por ordem. E tratemos, primeiro, da resignação e do conformismo. A resignação espírita decorre, não de uma sujeição místico-religiosa a forças incontroláveis, mas de uma compreensão do problema da vida. Quando o espírita se resigna, não está se submetendo pelo medo, mas apenas aceitando uma realidade à qual terá de sujeitar, exatamente para superá-la, para vencê-la. Não é, pois, o conformismo que se manifesta nessa resignação, mas a inteligente compreensão de que a vida é um processo em desenvolvimento, dentro do qual o homem tem de se equilibrar.

Acaso não é assim que fazemos todos, espíritas e não-espíritas, em nossa vida diária? O leitor inconformado não é também obrigado, diariamente, a aceitar uma porção de coisas a que gostaria de furtar-se? Mas a diferença entre resignação ou aceitação, de um lado, e conformismo, de outro, é que a primeira atitude é ativa e consciente, enquanto a segunda é passiva e inconsciente. O Espiritismo nos ensina a aceitar a realidade para vencê-la.

“Se a doença o acossa, – dizem – o espírita entende que está sendo vítima do fatalismo cármico, do destino irrevogável. Se a morte lhe rouba um ente querido, ele acha que não deve chorar, mas agradecer a Deus. Se o patrão o pune, ele se submete; se o amigo o trai, ele perdoa; se o inimigo lhe bate na face esquerda, ele lhe oferece a direita. O Espiritismo é a doutrina da despersonalização humana.”

Mas acontece que essa despersonalização não é ensinada pelo Espiritismo, e sim pelo Cristianismo. Quando o Espiritismo ensina a conformação diante da doença e da morte, o perdão das ofensas e das traições, nada mais está fazendo do que repetir as lições evangélicas. Ora, como o leitor acusa o Espiritismo em nome do Cristianismo, é evidente que está em contradição. Além disso, convém esclarecer que não se trata de despersonalização, mas de sublimação da personalidade. O que o Cristianismo e o Espiritismo querem é que o homem egoísta, brutal, carnal, agressivo, animalesco, seja substituído pelo homem espiritual. A “personalidade” animal deve dar lugar à verdadeira personalidade humana.

Quanto ao caso das doenças, seria oportuno lembrar ao leitor as curas espíritas. Não chega isso para mostrar que não há fatalismo cármico? O que há é a compreensão de que a doença tem o seu papel na vida humana. Mas cabe ao homem, nesse terreno, como em todos os demais, lutar para vencê-la. O Espiritismo, longe de ser uma doutrina conformista, é uma doutrina de luta. O espírita luta incessantemente, dia e noite, para superar o mundo e superar-se a si mesmo. Conhecendo, porém, o processo da vida e as suas exigências, não se atira cegamente à luta, mas procurando realizá-la com inteligência, num constante equilíbrio entre as suas forças e o poder dos obstáculos.

Fonte: (as crônicas do irmão Saulo)

Extraído de Espiritualidade e Sociedade

A verdade sobre o pseudônimo “Irmão Saulo”

A missão de Herculano Pires começava a exigir muito mais e o mestre passou a atender os pedidos de instituições sediadas fora de São Paulo para realizar palestras e cursos de Espiritismo. No mês de agosto de 1948 esteve em Matão. Hospedou-se na residência de seu amigo e médium Urbano de Assis Xavier e proferiu no Centro Espírita “Amantes da Pobreza”, fundado pelo notável apóstolo Cairbar Schutel, três conferências: “O Espiritismo e o Cristianismo”, “O Espiritismo e os Problemas Humanos” e “O Espiritismo em face da Educação da Mocidade”. A reportagem do tradicional jornal de Matão “A Comarca” esteve presente e em crônica na primeira página assim se referiu a Herculano Pires:

“Ouvimos as primeiras conferências do jovem espírita e brilhante jornalista, de quem podemos dizer que é um orador completo, pela maneira simples de explicar os assuntos de suas teses, pela simpatia com que se apresenta na tribuna e pela sinceridade que imprime às suas palavras.”

Um pormenor que não pode passar despercebido: Herculano Pires, para bem realizar sua missão espírita, se viu obrigado em 1948 a reduzir a atividade profissional. Deixou a “folha da Manhã” e o “Jornal de São Paulo”, ficando apenas nos “Diários Associados”, embora o salário fosse pequeno. É quando passou a fazer uso do pseudônimo “Irmão Saulo”, cuja história com lances dramáticos merece registro especial.

Em 1948 publicava o “Diário de São Paulo” uma coluna espírita diária sob a responsabilidade da Federação Espírita do Estado de São Paulo. O precioso espaço era mal aproveitado porque a FEESP divulgava apenas mensagens psicografadas já conhecidas do público e trechos da obra A Grande Síntese, de Pietro Ubaldi. Foi por essas razões que a coluna saiu das mãos do redator da FEESP para as de “Irmão Saulo”, que a tornou famosa. O fato serviu para que Adenolf Póvoas, que se dizia espírita, mas era autor de Lama no Espiritismo (tenebroso livro que caluniava companheiros nossos) acusasse “Irmão Saulo” de haver roubado da FEESP a coluna. Herculano Pires achou melhor calar-se, já que Adenolf era escritor desacreditado; mas a pulga ficara atrás da orelha de alguns confrades invejosos… O tempo, no entanto, tudo esclarece. Vamos, pois, agora narrar com detalhes a verdade.

Em seu diário íntimo, escreveu Herculano Pires estas palavras:

“Acusava-me de haver roubado a coluna Espírita, que durante vinte e tantos anos publiquei no “Diário de São Paulo”, das mãos dos dirigentes da Federação Espírita do Estado de São Paulo. E citava, como sua fonte de informações, Benedito Godoy Paiva, autor de Quando o Evangelho diz não. Nunca me interessei por apurar a verdade. Tratava-se de uma tolice. Passei a fazer a crônica quando Hermínio Sacchetta, assumindo a direção do “Diário”, considerou inútil a coluna que a Federação mantinha e resolveu suprimi-la.23 Chamou então Wandick de Freitas e eu, que éramos redatores, e propôs-nos que assumíssemos a seção e lhe déssemos um caráter jornalístico mais dinâmico e atualizado.”

E Herculano Pires prossegue:

“Eu e o Wandick nos prontificamos a atender, evitando a perda da coluna, e convidamos Odilon Negrão para nos ajudar. Foi então que inventei o pseudônimo coletivo de Irmão Saulo, em homenagem a Saulo de Tarso, o apóstolo espírita da 1ª Epístola aos Coríntios, onde expõe vários princípios espíritas e relata como se faziam sessões mediúnicas no seu tempo. Wandick e Odilon me deixaram só e o pseudônimo coletivo se tornou individual. Póvoas não sabia nada disso.”

Adenolf Póvoas padecia de forte obsessão espiritual. Desencarnou em São Paulo quando intervinha em um assalto a mão armada no armazém que ele frequentava. Recebeu três tiros no peito por haver aconselhado os delinquentes a desistirem do assalto. O infeliz Adenolf contava mais de setenta anos de idade.

A seção espírita do “Diário de São Paulo” tinha, aproximadamente, quinze centímetros de altura e era diária. Manteve-se assim por quinze anos, mas depois tornou-se dominical e em compensação passou a ocupar duas colunas de vinte centímetros de altura, ganhando destaque. Além de uma crônica ou artigo, divulgava nela Herculano Pires os principais acontecimentos, mas se necessário defenderia a integridade da Doutrina, mesmo se atacada dentro do movimento doutrinário, porque entendia o apóstolo que “aqueles que desejam oferecer ao público uma imagem artificial do movimento espírita enganam-se a si mesmos, antes de enganar os outros”. E mais: O Espiritismo, por oferecer a Verdade, “não pode conciliar-se com as simulações e fantasias das convenções humanas”.

A Coluna Espírita marcou época. Boa parte do público interessado nos problemas espirituais adquiria o jornal devido às crônicas. O pseudônimo tornara-se respeitado porque “Irmão Saulo” discutia os temas com profundidade jamais igualada, encantando os leitores; inclusive, porque era seu estilo literário incisivo e elegante, mas sóbrio, pleno de musicalidade e magia. Estilo olímpico. Redigidas com o bom senso kardeciano, ou seja, com muita sabedoria, mas sem paixão, as crônicas do apóstolo movimentavam a opinião pública. Uma delas, por exemplo, transcrita em setembro de 1960 pelo jornal “O Imparcial”, de Araraquara, e intitulada “Praticar a caridade é cumprir o mandamento do amor ao próximo”, repercutiu na Câmara Municipal daquela cidade. Os vereadores Célio Biller Teixeira e Flávio Thomaz de Aquino, fizeram constar em ata um voto de louvor a Irmão Saulo por haver “defendido de maneira impecável sua fé espírita com profundo respeito à opinião de outros religiosos”.

Herculano Pires, agradecendo o voto de louvor, declarou: “O gesto de Vossas Excelências é tanto mais significativo por ter partido de quem não segue os meus ideais religiosos. Essa compreensão humana, que supera os sectarismos exclusivistas do passado, é característica da civilização. Defendendo-a, defendemos o próprio homem, cuja essência e cujo destino devem estar sempre acima dos sistemas de ideias ou de crenças.”

O célebre médium Chico Xavier, em carta datada de 31 de outubro de 1971 endereçada a Herculano Pires, assim se referiu às crônicas:

“As suas crônicas aos domingos, no “Diário” estão admiráveis. A Doutrina Espírita sempre brilhando em seus conceitos e esclarecimentos com o equilíbrio, elegância, elevação e bom senso que lhe caracterizam os recursos de Missionário da Nova Revelação.”

É evidente que as crônicas do apóstolo de Kardec não poderiam permanecer soterradas no arquivo dos jornais. E, por sugestão de Jorge Rizzini, o editor Frederico Giannini lançou em 1962, com o selo da Editora Edicel, uma coletânea que recebeu de Herculano Pires o título Os Três Caminhos de Hécate. Vinte anos depois a Editora Correio Fraterno do ABC lançaria mais quatro coletâneas: O Homem Novo, O Infinito e o Finito, Visão Espírita da Bíblia e O Mistério do Bem e do Mal. É de esperar-se que outras surjam…

A extinção da coluna espírita no “Diário de São Paulo” foi um momento amargo na vida de Herculano Pires. Ele a redigiu por mais de vinte anos, ininterruptamente – e sem aceitar um centavo a mais do jornal.

Fonte: A verdade sobre o pseudônimo “Irmão Saulo” – J. Herculano Pires, considerado o maior intelectual espírita brasileiro… (se-todo.com)

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As aparições de espíritos e os agêneres

José Reis Chaves

Os agêneres são espíritos encarnados e desencarnados que aparecem, podendo eles, inclusive, ser materializados e palpáveis. Esse fenômeno é chamado também pelo espiritismo de emancipação, pela Igreja Católica de bilocação, fenômeno esse que aconteceu com alguns santos católicos, sendo os mais conhecidos os ocorridos com Santo Antônio de Pádua e Santo Afonso Maria de Ligório. Os cientistas de prêmio Nobel de física e química William Croques e Charles Riches e outros, também famosos como o russo Acasakov comprovaram a realidade desse fenômeno, chamado também de viagem astral.

Geralmente, os agêneres são fenômenos rápidos, mas há exceções. O sacerdote Melquisedeque da Bíblia, sem genealogia, sem pai e sem mãe, seria um agênere? Mas vamos tratar é do Anjo Rafael, sem dúvida nenhuma, um agênere, do Livro de Tobias da Bíblia Católica. Porém, antes de entrarmos no assunto, queremos deixar claro que, para a doutrina espírita, na sua parte científica, e para a Bíblia, os anjos, “aggelos” em grego, significam espíritos humanos enviados. E os demônios, “daimones” em grego, são também espíritos humanos apenas atrasados e não de outra categoria. Daí que até se diz anjos bons e anjos maus. O que os diferencia, pois, é o nível de evolução. Aliás, Deus não criaria espíritos de categoria má eles, por serem imortais, vão se tornar anjos no decorrer das eternidades, como já ensinava o grande iluminado teólogo do cristianismo primitivo Origenes, com sua tese “Apokatastase”.

A Igreja Católica aceita esse fenômeno de agêneres com o nome de bilocação, mas de modo incompleto e confuso, por ela ter uma visão errada dos espíritos humanos já anjos (super evoluídos ou super adiantados) e os ainda muito atrasados que ela e uma tradição cristã passaram a chamar de demônios. Numa visão espírita, bíblica e científica, geralmente, os fenômenos de agêneres são aparições rápidas de espíritos desencarnados ou encarnados. Mas há exceções. E, assim, por exemplo, a história do Livro de Tobias fica fantasiosa e, pois, sem crédito, uma vez que o Anjo Rafael é um agênere. Ele curou de uma cegueira o Tobias pai, e acompanhou o Tobias filho numa longa e importante viajem, além de ajeitar para ele o casamento com Sara.

Mas os teólogos cristãos, querendo explicar o Livro de Tobias, com sua visão antiga errada de anjos e demônios, transformam este livro numa história que parece ser da carochinha… aliás, os protestantes até consideram esse livro como apócrifo, o qual não consta, pois, da Bíblia Protestante.

E eis uma prova inquestionável dada pelo próprio Anjo Rafael de que ele era um agênere, ao identificar-se para o Tobias pai, em Tobias 5: 13: “Eu sou o Azarias, filho do grande Ananias, um dos teus irmãos.”

Autor: José Reis Chaves

Fonte:  Portal do Espírito (espirito.org.br)

O que são Espíritos Agêneres?

Você já ouviu falar em espíritos agêneres? O que a doutrina espírita fala sobre o assunto? Confira as considerações a seguir.

A novela espiritualista Espelho da Vida também trata de temas relacionados a doutrina espírita, por exemplo, reencarnação, vidas passadas, espíritos agêneres, etc.

O que o espiritismo tem a nos ensinar sobre os espíritos agêneres?

Os espíritos agêneres dizem respeito ao estado de certos espíritos que podem se apresentar e revestir com formas de uma pessoa viva, causando assim, uma ilusão de estarmos interagindo com uma pessoa encarnada. Ou seja, eles possuem a aparência de um corpo sólido.

De acordo com Allan Kardec, na Revista Espírita de 1859, o espírito agênere é:

“Um Espírito cujo corpo fosse assim visível e palpável teria, para nós, toda a aparência de um ser humano; poderia conversar conosco e sentar-se em nosso lar qual se fora uma pessoa qualquer, pois o tomaríamos como um de nossos semelhantes”.

Allan Kardec completou:

“O Agênere propriamente dito não revela sua natureza e aos nossos olhos não passa de um homem comum, sua aparição corpórea pode ter longa duração, conforme a necessidade, a fim de estabelecer relações sociais com um ou vários indivíduos”.

Por que isto ocorre?

Por causa da natureza e das propriedades do perispírito, que possibilita ao espírito, por meio de seus pensamentos e suas vontades, mudanças no corpo espiritual tornando-se visível.

De acordo com Heloísa Pires, no programa O Espírito e o Tempo, o perispírito é formado da mesma matéria cósmica que forma o corpo físico. Porém, devido às leis divinas, da presença de Deus, essa condensação se realiza de forma diferente. Já que ele têm certas propriedades que o corpo físico não tem, por exemplo, a flexibilidade, a absorção.

E devido a esta condensação, o perispírito através das moléculas que o constituem adquire características de um corpo sólido que é capaz de produzir impressão ao tato, deixar vestígios, além de tornar-se tangível as possibilidades desse espírito retornar instantaneamente ao seu estado etéreo e invisível.

Com isso, o que é necessário para que um espírito condense seu perispírito e se torne Agênere?

Vontade;

Combinação de fluidos afins peculiares aos encarnados;

Permissão do plano superior;

Vale lembrar que em alguns casos de espíritos agêneres, a tangibilidade é tão forte que é possível tocar, sentir a resistência da matéria, o que não impede que o espírito desapareça rapidamente.

Quais as características dos espíritos agêneres?

Embora eles possam ser confundidos com encarnados, o olhar deles não são nítidos. E ainda, mesmo que possam conversar, a linguagem é breve, sentenciosa, além de não permanecerem por muito tempo entre os encarnados.

Para finalizar, confira a seguir uma história que está presente na Revista Espírita de 1859:

“Uma pobre mulher estava na igreja de Saint-Roque em Paris, e pedia a Deus vir em ajuda de sua aflição. Em sua saída da igreja, na rua Saint-Honoré, ela encontrou um senhor que a abordou dizendo-lhe:

“Minha brava mulher, estaríeis contente por encontrar trabalho?

– Ah! Meu bom senhor, disse ela, pedia a Deus que me fosse achá-lo, porque sou bem infeliz.

– Pois bem! Ide em tal rua, em tal número; chamareis a senhora T…; ela vo-lo dará.”

Ali continuou seu caminho. A pobre mulher se encontrou, sem tardar, no endereço indicado

– Tenho, com efeito, trabalho a fazer, disse a dama em questão, mas como ainda não chamei ninguém, como ocorre que vindes me procurar?

A pobre mulher, percebendo um retrato pendurado na parede, disse:

– Senhora, foi esse senhor ali, que me enviou.

– Esse senhor! Repetiu a dama espantada, mas isso não é possível; é o retrato de meu filho, que morreu há três anos.

– Não sei como isso ocorre, mas vos asseguro que foi esse senhor, que acabo de encontrar saindo da igreja onde fui pedir a Deus para me assistir; ele me abordou, e foi muito bem ele quem me enviou aqui”.

E ainda, o Espírito São Luís foi consultado sobre os espíritos agêneres e passou as seguintes informações: De acordo com o espírito:

como foi dito acima, é necessária uma permissão para que ocorra este fenômeno; os espíritos agêneres pertencem às categorias tanto inferiores como superiores; não possuem a necessidade de alimentação, afinal, seu corpo não é real; não há meios de identificá-los, a não ser pelo desaparecimento inesperado;

Fonte: Rádio Boa Nova

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A Aura e os Chakras no Espiritismo

Escrito por Paulo Neto

artigo 23

 “O que é evidente, para nós, pode não ser para vós outros; cada qual julga as coisas debaixo de certo ponto de vista, e do fato mais positivo nem todos tiram as mesmas consequências. (KARDEC, O que é o Espiritismo, cap. I)

Introdução

Esses dois temas – aura e chakras ([1]) – são, geralmente, tratados como alheios à Doutrina Espírita e aceitos por uns como pertencentes exclusivamente ao esoterismo e, por outros, como afetos à correntes espiritualistas.

Temos visto que, quando determinada coisa tem alguma semelhança com crenças esotéricas, muitos espíritas imediatamente a rechaçam, mesmo sem terem pesquisado nas obras da Codificação espírita para saber se nelas há alguma coisa a respeito ou não.

O nosso propósito neste estudo é exatamente esse, ou seja, pesquisar nas obras da Codificação e também nas de estudiosos ou pesquisadores espíritas, para confirmarmos ou não, se nessas fontes poderemos encontrar algum ponto de apoio para aceitar, doutrinariamente, a aura e os chakras como integrantes dos postulados espíritas, ou, quem sabe, na pior das hipóteses, abrir portas para isso, de forma que outros pesquisadores, que se destacam no movimento espírita, possam desenvolver a questão com maior propriedade que nós.

Quanto à questão de estar ou não na Codificação, é importante levarmos em conta esta fala de Allan Kardec (1804-1869): “O Livro dos Espíritos não é um tratado completo do Espiritismo; não faz senão lhe colocar as bases e os pontos fundamentais, que devem se desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação.” ([2])

Recomendamos a você, caro leitor, que faça uma comparação entre o que consta da 1ª e da 2ª edição de O Livro dos Espíritos, quanto ao momento da ligação do Espírito com o corpo, como também em relação a evolução do princípio inteligente. Acrescentamos, ainda a questão da possessão física, veja o que consta nas obras: O Livros dos EspíritosO Livro dos MédiunsRevista Espírita 1863, mês de dezembro e A Gênese, e observe o que aconteceu.

Compreendemos que existem, pelo menos, três hipóteses em relação a aura e os chakras, sobre cada um podemos afirmar:

1) é coisa totalmente contrária;

2) parte dela consta; e

3) não consta de forma alguma.

Tomando dessa fala de Kardec, gostaríamos de ressaltar que, no caso de ocorrer a opção 2, necessariamente, não significa que não possa ser um ponto doutrinário, porquanto, para se afirmar isso devemos demonstrar que, a nível mundial, em nenhuma mensagem de origem espiritual nada podemos encontrar que nos permita  fazer alguma correlação com o que estamos querendo verificar, ou seja, aplicação prática do Controle Universal do Ensino dos Espíritos, conforme proposição de Kardec, para os dois pontos – aura e os chakras.

Perispírito

Como os dois pontos estão diretamente relacionados ao corpo espiritual, designado pelo Codificador de perispírito, algumas explicações serão necessárias.

Na Revista Espírita 1866, Kardec, entre várias coisas, esclarece que:

O perispírito é uma das engrenagens mais importantes da economia. A Ciência o observou em alguns de seus efeitos e, sucessivamente, tem sido designado sob o nome de fluido vital, fluido ou influxo nervoso, fluido magnético, eletricidade animal, etc., sem se dar conta precisa de sua natureza, de suas propriedades e, ainda menos, de sua origem. Como envoltório do Espírito após a morte, foi suspeitado desde a mais alta antiguidade. Todas as teogonias atribuem aos seres do mundo invisível um corpo fluídico. São Paulo diz em termos precisos que renascemos com um corpo espiritual (1ª epístola aos Coríntios, 15:35 a 44 e 50). ([3])

Embora Kardec tenha tratado de sua formação e propriedades, observamos uma certa carência quanto às suas funções, porém, o Codificador, em O Livro dos Médiuns, deixou bem claro:

[…] Não conhecemos a natureza íntima do perispírito. Imaginemo-lo, todavia, formado de matéria elétrica, ou de outra tão sutil quanto esta; por que, quando dirigido por uma vontade, não teria propriedade idêntica à daquela matéria? ([4]) (grifo nosso)

Essa confissão de Kardec, sobre o seu desconhecimento da natureza íntima do perispírito, é importante para não achar que sabemos mais do que ele, colocando-nos, portanto, acima do mestre de Lyon.

Em O Livro dos Espíritos, Kardec, em o “Ensaio teórico da sensação nos Espíritos”, e em O Livro dos Médiuns, cap. I – Ação dos Espíritos sobre a matéria, item 54, pela ordem, explica:

O perispírito é o laço que à matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do meio ambiente, do fluido universal. Participa ao mesmo tempo da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é quintessência da matéria. É o princípio da vida orgânica, porém não o da vida intelectual, que reside no Espírito. E além disso, o agente das sensações exteriores. No corpo, os órgãos servindo-lhes de condutos, localizam essas sensações. Destruído o corpo, elas se tornam gerais. […]. ([5]) (grifo nosso)

Esse segundo invólucro da alma, ou perispírito, existe, pois, durante a vida corpórea; é o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe e pelo qual transmite sua vontade ao exterior e atua sobre os órgãos do corpo. Para nos servirmos de uma comparação material, diremos que é o fio elétrico condutor, que serve para a recepção e a transmissão do pensamento; é, em suma, esse agente misterioso, imperceptível, conhecido pelo nome de fluido nervoso, que desempenha tão grande papel na economia orgânica e que ainda não se leva muito em conta nos fenômenos fisiológicos e patológicos. ([6]) (grifo nosso)

Considerando que o corpo material, para se manter vivo, precisa de uma fonte energética, que é tirada dos elementos sólidos e líquidos que ingere, a questão que se coloca é: será que o perispírito, que não deixa de ser material, ainda que quintessenciado, também não necessitaria de algum tipo de fonte energética?

Na Revista Espírita 1863, encontramos algo curioso relacionado à doenças:

O perispírito, como se viu, desempenha um papel importante em todos os fenômenos da vida; é a fonte de uma multidão de afecções das quais o escalpelo procura em vão a causa na alteração dos órgãos, e contra a qual a terapêutica é impotente. […]. ([7]) (grifo nosso)

[…] A homeopatia, provando a força da matéria espiritualizada, se liga ao papel importante que o perispírito desempenha em certas afecções; ela ataca o mal em sua própria fonte que está fora do organismo, do qual a alteração não é senão consecutiva. Tal é a razão pela qual a homeopatia triunfa numa multidão de casos onde a medicina comum fracassa: mais do que isto, toma em conta o elemento espiritualizado tão preponderante na economia, o que explica a facilidade com a qual os médicos homeopatas aceitam o Espiritismo, e porque a maior parte dos médicos espíritas pertence à escola de Hahnemann. […]. ([8]) (grifo nosso)

Eis um ponto interessante, que não foi desenvolvido na época da Codificação, o fato do perispírito ser “fonte de uma multidão de afecções” prova que suas funções são muito mais complexas do que imaginamos, talvez até mesmo as restringimos em excesso.

Bem interessante esta fala de Jorge Andréa dos Santos (1916-2017), psiquiatra e pesquisador espírita, em Lastro Espiritual nos Fatos Científicos, no cap. Buscando o Perispírito:

O físico Nizar Mullani, em Huston, nos Estados Unidos, vem desenvolvendo interessante técnica a fim de detectar doenças antes de sua instalação na organização física. Assim, com certa aparelhagem, os distúrbios seriam revelados muito antes de se instalarem nas células, não só os de origem metabólica, mas, também, os de características degenerativas, como o caso do câncer. As coisas se tornam mais importantes diante a possibilidade de serem conhecidas, em tempo, certos distúrbios nas células nervosas responsáveis por futuros componentes das doenças mentais.

A máquina para tal fim é o hoje chamado TEP – Tomógrafo de emissões de pósitrons –, diferente do já bem conhecido TAC – Tomógrafo axial computorizado. Enquanto este último detecta as doenças já instaladas na organização física, o TEP, recebe aviso das desordens no campo energético, isto é, percebe no campo organizador o metabolismo em sua real atividade. ([9]) (grifo nosso)

Assim, temos a comprovação de que o Perispírito registra as afecções como dito por Kardec.

Completando essa informação, tomemos de Obras Póstumas, uma outra fala de Kardec:

Sendo um dos elementos constitutivos do homem, o perispírito desempenha importante papel em todos os fenômenos psicológicos e, até um certo ponto, nos fenômenos fisiológicos e patológicos. Quando as ciências médicas tiverem na devida conta o elemento espiritual na economia do ser, terão dado um grande passo e horizontes inteiramente novos se lhes patentearão. As causas de muitas enfermidades serão a esse tempo descobertas e encontrados poderosos meios de combatê-las. ([10])

Kardec, portanto, confirma o que havia falado antes.

Em A Gênese, cap. XIV – Os Fluidos, no item 17, lemos:

O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito. É por seu intermédio que o Espírito encarnado tem a percepção das coisas espirituais que escapam aos sentidos carnais. Pelos órgãos do corpo, a visão, a audição e as diversas sensações são localizadas e limitadas à percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, eles estão generalizam. O Espírito vê, entende e sente, por todo o seu ser o que está na esfera de irradiação do seu fluido perispiritual. ([11]) (grifo nosso)

Observa-se, também, uma certa diferença entre o perispírito do encarnado do de um desencarnado, pois, neste as sensações estão localizadas por todo o perispírito e não em órgãos específicos como naquele, embora “estranhamente” sente dor em membros amputados, designados de membros fantasmas.

Daí resulta na possibilidade de que certas funções do perispírito no encarnado se manifestem de forma bem diferente do que no desencarnado, razão pela qual, em alguns casos, não se pode fazer comparações como se fossem exatamente iguais as suas funções, levando-se em conta a questão, por exemplo, de que no encarnado a alma vê pelos olhos físicos, enquanto que na condição de desencarnado, esse sentido se espalha por todo o seu corpo espiritual, ou seja, pelo perispírito. Portanto, não se deve tomar as explicações de maneira generalizada, é necessário que distingamos sobre qual das duas situações se está falando.

Antes de passarmos para a análise dos dois tópicos, vejamos estas falas de Kardec, respectivamente na Revista Espírita 1860 e Revista Espírita 1862, que, num mesmo sentido, trazem algo que merece reflexão de nossa parte:

[…] Na maioria das crenças populares há, quase sempre, um fundo de verdade, embora desnaturada e amplificada. São os acessórios, as falsas aplicações que, a bem dizer, constituem a superstição. […]. ([12])

[…] A lógica sã diz que a adoção de uma ideia, ou de um princípio, pela opinião geral, é uma prova de que ela repousa sobre um fundo de verdade. ([13])

Talvez, não seria também o caso de aplicarmos, o que Kardec diz, a esses dois tópicos que estamos analisando?

Na obra A Reencarnação, Gabriel Delanne (1857-1926), notável pesquisador experimental do Espiritismo, ao tratar das Experiências de Renovações de Memória,  traz a seguinte informação:

[…] Sabemos que a alma humana está associada a uma substância infinitamente sutil, à qual Allan Kardec deu o nome de perispírito. Esse corpo espiritual existe durante a vida e sobrevive à morte. É ele o molde no qual a matéria física se incorpora, ou, mais exatamente, o plano ideal que contém as leis organogênicas do ser humano. O perispírito está ligado ao corpo por intermédio do sistema nervoso; toda sensação, que abala a massa nervosa, desprende essa espécie de energia, à qual se deram os mais diversos nomes: fluido nervoso, fluido magnético, força ectênica, força psíquica, força biológica… Essa energia age sobre o perispírito, para comunicar-lhe o movimento vibratório particular, segundo o território nervoso que foi excitado (vibração visual, auditiva, táctil, muscular, etc.), de maneira que a atenção da alma seja acordada e que se produza o fenômeno da percepção; desde esse momento, essa vibração faz parte, para sempre, do organismo perispiritual, porque, em virtude da lei da conservação da energia, ela é indestrutível. Sem dúvida, poderá desaparecer do campo da consciência, mas, como vimos, persiste inalterada nas profundezas dessa memória latente a que hoje se chama inconsciente. Foram as experiências espíritas que estabeleceram a certeza absoluta desse corpo espiritual, que se torna visível durante o desdobramento do ser humano e que demonstra a sua persistência depois da morte, pelas aparições, e, sobretudo, pelas materializações. ([14]) (grifo nosso)

Sua informação de que o perispírito está ligado ao corpo por intermédio do sistema nervoso, remete-nos aos plexos nervosos, que, como veremos, encontram-se ligados aos chakras.

Em Evolução Anímica, Delanne, faz as seguintes afirmações:

Lembremos ainda uma vez que o sistema nervoso não é senão a com     dição orgânica, terrestres, das ações psíquicas da alma e que, de si mesmo, não é inteligente nem instintivo, visto que, depois de sua destruição, a alma sobrevive, tanto a humana como a animal.

Mas, enquanto subsiste a incorporação, ele é a reprodução material do perispírito e toda alteração grave de sua substância engendra consecutivas desordens nas manifestações do princípio pensante. ([15]) (grifo nosso)

Já dissemos que o perispírito é o molde do corpo. Estudar, pois, as modificações do sistema nervoso valem por estudar o funcionamento do perispírito, do qual esse sistema nervoso mais não é que uma reprodução material. ([16]) (grifo nosso)

É muito sintomática a informação de que o sistema nervoso é a reprodução material do perispírito, pois, como ainda veremos, é exatamente nos plexos nervosos que se localizam os centros energéticos, designados de chakras.

Em Estudos Espíritas, a autora espiritual, Joanna de Ângelis, desenvolve um capítulo ao tema Perispírito, dele destacamos o seguinte trecho: “[…] Também considerado corpo astral, exterioriza-se através e além do envoltório carnal, irradiando-se como energia específica ou aura. ([17]) (grifo nosso) O próximo tópico será justamente sobre a aura.

No desenrolar de nossa pesquisa, percebemos que todos os autores que fazem referência a aura, também mencionam os chakras e vice-versa.

Aura

artigo 23

Encontramos no Dicionário Houaiss a definição da aura para a Parapsicologia como sendo: “suposto campo de energia que irradia dos seres vivos”.

Observamos que a grande maioria dos autores que a citam, também fazem referência aos chakras, isso foi algo que notamos em nossa pesquisa.

Ao se pesquisar nas obras da Codificação, é fato que não encontraremos a palavra “aura” mencionada em nenhuma delas. Porém, devemos procurar ver se algo que nos remete a essa ideia pode ser encontrada em alguma das explicações, de forma que não restem dúvidas de que se trata dela.

Na Revista Espírita 1862, mês de dezembro, Kardec publicou o artigo “Estudo sobre os possessos de Morzine”, do qual destacamos o seguinte parágrafo:

Sabemos que os Espíritos estão revestidos de um envoltório vaporoso, formando neles um verdadeiro corpo fluídico, ao qual damos o nome de perispírito, cujos elementos são hauridos no fluido universal ou cósmico, princípio de todas as coisas. Quando o Espírito se une ao corpo, nele existe com seu perispírito, que serve de laço entre o Espírito propriamente dito e a matéria corpórea; é o intermediário das sensações percebidas pelo Espírito. Mas esse perispírito não está confinado no corpo como dentro de uma caixa; pela sua natureza fluídica, irradia ao redor e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera, como o vapor que dele se libera. Mas o vapor que se libera de um corpo malsão é igualmente malsão, acre e nauseabundo, o que infecta o ar dos lugares onde se reúnem muitas pessoas malsãs. Do mesmo modo que esse vapor está impregnado das qualidades do corpo, o perispírito está impregnado das qualidades, quer dizer, do pensamento do Espírito, e faz irradiar essas qualidades em torno do corpo. ([18]) (grifo em itálico do original, em negrito nosso)

Destaca-se a informação de que o perispírito, por não estar confinado no corpo como numa caixa, irradia a seu derredor, formando uma atmosfera, que tem as qualidades do pensamento que emana do Espírito, sejam elas boas ou más. Ora, essa irradiação do perispírito é justamente aquilo que se entende ser a nossa aura.

Na Revista Espírita 1865, mês de outubro, e na Revista Espírita 1867, mês de junho, descobrimos, em trechos de considerações de Kardec, novas referências ao perispírito. Dois deles merecem destaque:

Compreende-se, até um certo ponto, o desenvolvimento da faculdade por um meio material, mas como a imagem de uma pessoa distante pode se apresentar no corpo? ([19]) Só o Espiritismo pode resolver este problema pelo conhecimento que dá da natureza da alma, de suas faculdades, das propriedades de seu envoltório perispiritual, de sua irradiação, de seu poder emancipador e de seu desligamento do envoltório corpóreo. […]. ([20]) (grifo nosso)

Seria errado, pensamos, que se considerasse o sonambulismo e a mediunidade como o produto de dois sentidos diferentes, tendo em vista que não são senão dois efeitos resultantes de uma mesma causa. Essa dupla faculdade é um dos atributos da alma, e tem por órgão o perispírito, cuja irradiação transporta a percepção além dos limites da ação dos sentidos materiais. Propriamente falando, é o sexto sentido, que é designado sob o nome de sentido espiritual. ([21]) (grifo itálico do original, em negrito nosso)

Embora ele tenha utilizado um termo diferente, entendemos que essa irradiação do envoltório perispiritual, ou seja, do perispírito, não é outra coisa senão aquilo que se entende por aura.

Em A Gênese, cap. XIV – Os Fluidos, no item 17, se lê: “[…] Encarnado, o Espírito conserva seu perispírito com as qualidades que lhe são próprias e este, como se sabe, não está circunscrito pelo corpo, mas irradia ao seu redor e o envolve, como uma atmosfera fluídica.” ([22]) (grifo nosso)

Em Obras Póstumas, vê-se uma explicação bem interessante no artigo “Manifestações dos Espíritos”, que vem ao encontro do que estamos falando:

O perispírito não se acha encerrado nos limites do corpo, como numa caixa. Pela sua natureza fluídica, ele é expansível, irradia para o exterior e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a força de vontade podem dilatar mais ou menos. Daí se segue que pessoas há que, sem estarem em contato corporal, podem achar-se em contato pelos seus perispíritos e permutar a seu mau grado impressões e, algumas vezes, pensamentos, por meio da intuição. ([23]) (grifo nosso)

Confirma-se, portanto, a irradiação do perispírito, que, para nós, como dito, se trata da aura.

Na obra No Invisível, Léon Denis (1846-1927), fala desse tema:

Os eflúvios do corpo humano são luminosos, coloridos de tonalidades diferentes – dizem os sensitivos – que os distinguem na obscuridade. Certos médiuns os veem, mesmo em plena luz, a escapar-se das mãos dos magnetizadores. Analisados ao espectroscópio, a extensão das suas ondas tem sido determinadas segundo cada uma das cores.

Esses eflúvios formam em torno de nós camadas concêntricas que constituem uma espécie de atmosfera fluídica. É a “aura” dos ocultistas, ou fotosfera humana, pela qual se explica o fenômeno da exteriorização da sensibilidade, estabelecidas pelas numerosas experiências do Coronel De Rochas, do Dr. Luys, do Paul Joire, etc. ([24]) ([25]) (grifo nosso)

As considerações de Denis, que se baseiam em informações de sensitivos, possivelmente os que, nos dias de hoje, chamamos de médiuns videntes, são claras em apontar a irradiação do perispírito como sendo a aura.

Sobre o que fala na nota, fomos conferir e encontramos na Revista Espírita 1860, mês de março, o artigo “Estudos sobre o espírito de pessoas vivas”, no qual se narra a experiência, na Sociedade Espírita de Paris, em 03 de fevereiro de 1860, relativa à evocação de Espírito de pessoa viva. No caso em questão foi evocada a alma do Dr. Vignal. Foram-lhe dirigidas várias perguntas, entre elas a de número 15, da qual Denis tirou a informação.

Vemos em algumas descrições de pessoas que têm a capacidade de ver a aura, no estado de vigília, dando-nos conta de que são coloridas, e também os sentimentos da pessoa estão como que “impregnados” nela. Pessoas com raiva, ódio, desejo de vingança, por exemplo, são, facilmente, detectadas por eles, quando veem as suas auras. A bem da verdade, isso não soa bem, parece mesmo ser algo estranho.

Quanto às cores, além do que foi dito por Léon Denis, logo acima, procuramos ver se encontraríamos algo a respeito nas obras da Codificação. Nelas nada vimos; porém, na obra publicada após o desencarne de Kardec, fruto de alguns de seus manuscritos particulares – Obras Póstumas –, apareceu-nos explicações que nos levaram a confirmar isso.

O fluido perispirítico é imponderável, como a luz, a eletricidade e o calórico. É-nos invisível, no nosso estado normal, e somente por seus efeitos se revela.

Torna-se, porém, visível a quem se ache no estado de sonambulismo lúcido e, mesmo, no estado de vigília, às pessoas dotadas de dupla vista. No estado de emissão, ele se apresenta sob a forma de feixes luminosos, muito semelhante à luz elétrica difundida no vácuo. A isso, em suma, se limita a sua analogia com este último fluido, porquanto não produz, pelo menos ostensivamente, nenhum dos fenômenos físicos que conhecemos. No estado ordinário, denota matizes diversos, conforme os indivíduos que o emitem: ora vermelho fraco, ora azulado, ou acinzentado, qual ligeira bruma. As mais das vezes, espalha sobre os corpos circunjacentes uma coloração amarelada, mais ou menos forte. ([26]) (grifo nosso)

Confirma-se, portanto, a sua coloração, e também a irradiação do perispírito provocando uma certa luminosidade, que, um pouco mais à frente, será novamente mencionada:

[…] Cada um de nós tem, pois, o seu fluido próprio, que o envolve e acompanha em todos os movimentos, como a atmosfera acompanha cada planeta. É muito variável a extensão da irradiação dessas atmosferas individuais. Achando-se o Espírito em estado de absoluto repouso, pode essa irradiação ficar circunscrita nos limites de alguns passos; mas, atuando a vontade, pode alcançar distâncias infinitas. A vontade como que dilata o fluido, do mesmo modo que o calor dilata os gases. As diferentes atmosferas individuais se entrecruzam e misturam, sem jamais se confundirem, exatamente como as ondas sonoras que se conservam distintas, a despeito da imensidade de sons que simultaneamente abalam o ar. Pode-se, por conseguinte, dizer que cada indivíduo é centro de uma onda fluídica, cuja extensão se acha em relação com a força da vontade, do mesmo modo que cada ponto vibrante é centro de uma onda sonora, cuja extensão está na razão propulsora do fluido, como o choque é a causa de vibração do ar e propulsora das ondas sonoras. ([27]) (grifo nosso)

Todos nós vivemos como numa redoma luminosa ou envolto num halo, que nada mais é que a nossa aura irradiando luz e cor.

Na obra Correlações Espírito-Matéria, o autor Jorge Andréa, fala de ambos – aura e chakras –, e também informa das cores da aura:

O duplo etérico, em combinação com as irradiações das células físicas, mostram um campo bem específico de energias que ultrapassam a superfície do corpo, conhecido como sendo a aura. A aura seria o resultado da difusão dos campos energéticos que partem do perispírito, envolvendo-se com o duplo etérico e o manancial de irradiações das células físicas. […]. ([28]) (grifo nosso)

Pela maneira que a aura se mostra, com os seus múltiplos aspectos e combinações de cores, já foi motivo de estudos pelos antigos que traduziam na cor escura para o negro, a presenta do ódio e maldade; no castanho e suas nuanças, avareza, ciúme e egoísmo; no vermelho, a ira ao lado da sensualidade; no cinzento, não só o medo, mas, também, o abatimento e a depressão; no rosa estaria a dedicação e o amor; no violeta, o altruísmo com espiritualidade dilatada; e no amarelo, a intelectualidade. ([29]) (grifo nosso)

Quanto aos sentimentos, vamos encontrar em A Gênese, cap. XIV, explicações sobre as qualidades dos fluidos espirituais, das quais transcrevemos estes trechos dos itens 15 e 18, respectivamente:

A ação dos espíritos sobre os fluidos espirituais tem consequências de uma importância direta e capital para os encarnados. Desde o momento em que esses fluidos são o veículo do pensamento, e que o pensamento pode modificar-lhes as propriedades, é evidente que eles devem estar impregnados das qualidades boas ou más dos pensamentos que os põem em vibração, modificados pela pureza ou impureza dos sentimentos. Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável. […].  ([30]) (grifo nosso)

Conforme esses fluidos atuam sobre o perispírito, este reage sobre o organismo material com que se acha em contato molecular. Se os eflúvios forem de boa natureza, o corpo ressente-se de uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa; se são malignas forem permanentes e enérgicas, elas podem determinar desordens físicas. Certas doenças não têm outra causa.

Os meios onde predominam os maus Espíritos estão impregnados de maus fluidos, que são absorvidos por todos os poros perispirituais, como se absorve pelos poros do corpo os miasmas pestilentos. ([31]) (grifo nosso)

Diante de tão claras explicações não podemos deixar de levá-las em consideração para aceitar, de forma pacífica, a realidade da repercussão dos sentimentos na aura, influenciando-a positiva ou negativamente, o que, se não estivermos enganados, significa dizer que influenciam de alguma forma o nosso perispírito.

O que seriam propriamente esses “poros perispirituais” que absorvem os fluidos? Poderíamos pensar que pode ser os centros de força (centros vitais), ou estaríamos indo longe demais?

Temos na Revista Espírita 1867 algo que corrobora isso:

[…] Segundo os pensamentos que dominam num encarnado, ele irradia raios impregnados desses mesmos pensamentos que os viciam ou os saneiam, fluidos realmente materiais, embora impalpáveis, invisíveis para os olhos do corpo, mas perceptíveis para os sentidos perispirituais, e visíveis para os olhos da alma, uma vez que impressionam fisicamente e tomam aparências muito diferentes para aqueles que estão dotados de visão espiritual. ([32]) (grifo nosso)

Confirma-se que a irradiação vem impregnada dos pensamentos e, além disso, que podem ser vistos pelos que são dotados de vidência, ou por médiuns sonambúlicos.

Chakras

Recorremos a dois dicionários para vermos qual é a definição desse termo:

Chacras locais

Dicionário Houaiss s.m. fil rel em certas formas de hinduísmo e no budismocada um dos centros de acumulação de energia espiritual distribuídos pelo corpo; xacra [Os chacras principais, situados ao longo do eixo vertical que perpassa o centro do corpo, são em número de sete para a ioga e o tantrismo, e quatro para o budismo; são supostamente ativados através de meditação, ássanas, recitação de mantras etc.]. ¤ etim sânsc. chakra ‘roda, círculo’ ([33]) (grifo nosso)

Dicionário Michaelis: s.m. FILOS, REL Cada um dos centros energéticos distribuídos pelo corpo, que captam e distribuem energia. O número de chacras varia de acordo com a linha filosófica ou religiosa, mas existem sete chacras considerados principais: três inferiores (básico, umbilical e plexo solar), assim chamados por estarem localizados abaixo do chacra cardíaco; três superiores (laríngeo, frontal e coronário), por estarem localizados acima do coração; e o central (chacra cardíaco), que representa o ponto de encontro das energias espiritual e material. ([34]) (grifo nosso)

artigo 1

Será que os lexicógrafos têm os chakras como certos, já que não utilizaram a palavra “supostamente”, como, geralmente, se faz com coisas ligadas somente às crenças?

Essa ligação dos chakras com o Hinduísmo ([35]) e Budismo ([36]), citada na definição, pode bem ser o motivo pelo qual alguns confrades não os querem relacionados com o Espiritismo. Aliás, segundo estudiosos do movimento espírita, o termo mais apropriado para uso de seus adeptos seria: centros vitais ou centros vitais perispirituais.

O rev. C. W. Leadbeater (1847-1934), que foi sacerdote da Igreja Anglicana e Bispo da Igreja Católica Liberal, escritor, orador, maçom e uma das mais influentes personalidades da Sociedade Teosófica, em sua obra Os Chakras, no cap. I – Centros de Força, inicia dizendo que “A palavra chakra é sânscrita, e significa roda. […].” ([37]) Um pouco mais à frente, no tópico “Os Centros”, esclarece-os com mais detalhes:

Os chakras, ou centros de força, são pontos de conexão ou enlace pelos quais flui a energia de um a outro veículo ou corpo do homem. Quem quer que possua um ligeiro grau de clarividência, pode vê-los facilmente no duplo etérico, em cuja superfície aparecem sob forma de depressões semelhantes a pratinhos ou vórtices. Quando já totalmente desenvolvidos, assemelham-se a círculos de uns cinco centímetros de diâmetro, que brilham mortiçamente no homem vulgar, mas que, ao se excitarem vividamente, aumentam de tamanho e se veem como refulgentes e coruscantes torvelinhos à maneira de diminutos sóis. Às vezes falamos destes centros como se toscamente se correspondessem com determinados órgãos físicos; mas em realidade estão na superfície do duplo etérico, que se projeta ligeiramente mais além do corpo denso. ([38]) (grifo nosso)

Um tipo de conhecimento como o dos chakras, certamente, que não caiu de paraquedas e muito menos é fruto de imaginação de algum “revelador”, mas algo mais concreto. Sim, os videntes da antiguidade foram, provavelmente, os que deram as primeiras notícias deles. E, entendemos, que esse conhecimento sobrevivendo até os nossos dias lhe dá um certo caráter de coisa séria e, talvez, real, vamos assim dizer.

Há detalhes em textos que lemos e não nos chamam nenhuma atenção, porém um amigo postou uma fala de Kardec, constante do artigo “História do maravilhoso” publicado na Revista Espírita 1860, mês de dezembro, ao se referir à obra Historie du merveilleux, do sr. Louis Figuier, que achei fantástica para o nosso estudo, porque também demonstra um Kardec livre de preconceitos em relação a outros conhecimentos:

[…] Nós o lemos com cuidado, e o que dele ressalta mais claro para nós, é que o autor tratou de uma questão que ele não conhecia de modo nenhum; para isso não queremos outra prova senão as duas primeiras linhas assim concebidas: Antes de abordar a história das mesas girantes e dos médiuns, cujas manifestações são todas modernas, etc. Como o Sr. Figuier não sabe que Tertuliano fala em termos explícitos das mesas girantes e falantes; que os Chineses conhecem esse fenômeno de tempos imemoriais; que é praticada entre os Tártaros e os Siberianos; que há médiuns entre os Tibetanos; que os havia entre os Assírios, os Gregos e os Egípcios; que todos os princípios fundamentais do Espiritismo se encontram nos filósofos sânscritos? É falso, pois, avançar que essas manifestações são todas modernas; os modernos nada inventaram a esse respeito, e os Espíritas se apoiam sobre a antiguidade e a universalidade de sua doutrina, o que o Sr. Figuier deveria saber antes de ter a pretensão de fazer-lhe um tratado ex professo. Sua obra não teve menos as honras da imprensa, que se apressou em render homenagem a esse campeão das ideias materialistas. ([39]) (grifo em itálico do original, negrito nosso)

Pela importância ao nosso estudo, ressaltaremos estes dois trechos, pois, a nosso ver, são falas que merecem sérias reflexões da parte de todos nós: “que todos os princípios fundamentais do Espiritismo se encontram nos filósofos sânscritos”.

Ora, não poderíamos aí incluir os chakras, apesar deles, expressamente, não terem sido desenvolvidos na Codificação? Ademais, se “os Espíritas se apoiam sobre a antiguidade […] de sua doutrina”, não se poderia aceitar os chakras também pela sua antiguidade, levando-se em conta, como dito, não caiu do céu? Pode-se alegar que a antiguidade de um conhecimento não prova que ele seja verdadeiro, sim, porém, que a ciência venha demonstrar que é pura crença e não simplesmente descartar sem apresentar as devidas provas. Por outro lado, há um paradoxo, pois não podemos tomar a própria ciência para dizer que uma coisa existe ou não, haja vista que nós acreditamos que somos um espírito, sobrevivemos à morte física e, do além podemos nos comunicar com os que ainda se encontram presos à carne, porém, nada disso foi provado pela ciência.

A nosso ver, são mais fáceis de identificar na Codificação do que a aura. Vejamos essas duas questões de O Livro dos Espíritos:

  1. Que se deve pensar da teoria da alma subdividida em tantas partes quantos são os músculos e presidindo assim a cada uma das funções do corpo?

“Ainda isto depende do sentido que se empreste a palavra alma. Se se entende por alma o fluido vital, essa teoria tem razão de ser; se se entende por alma o Espirito encarnado, é errônea. Já dissemos que o Espirito é indivisível. Ele imprime movimento aos órgãos, servindo-se do fluido intermediário, sem que para isso se dívida.”

  1. a) Entretanto, alguns Espíritos deram essa definição.

“Os Espíritos ignorantes podem tomar o efeito pela causa.”

A alma atua por intermédio dos órgãos e os órgãos são animados pelo fluido vital, que por eles se reparte, existindo em maior abundância nos que são centros ou focos de movimento. Esta explicação, porém, não procede, desde que se considere a alma o Espírito que habita o corpo durante a vida e o deixa por ocasião da morte.

  1. A alma tem, no corpo, sede determinada e circunscrita?

“Não; porém, nos grandes gênios, em todos os que pensam muito, ela reside mais particularmente na cabeça, ao passo que ocupa principalmente o coração naqueles que muito sentem e cujas ações têm todas por objeto a Humanidade.”

  1. a) Que se deve pensar da opinião dos que situam a alma num centro vital?

“Quer isso dizer que o Espírito habita de preferência essa parte do vosso organismo, por ser aí o ponto de convergência de todas as sensações. Os que a situam no que consideram o centro da vitalidade, esses a confundem com o fluido ou princípio vital. Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma se encontra especialmente nos órgãos que servem para as manifestações intelectuais e morais.” (([40]) (grifo nosso)

Embora não encontremos nas obras da Codificação a especificação dos Centros Vitais, entendemos que, s.m.j., não há como negar a referência a eles tomando-se, por exemplo, como dito acima, de “são centros ou focos de movimento”, que julgamos se tratar dos plexos nervosos. Temos ainda, na questão 146-a, a expressão “centro vital” nominalmente citada por Kardec.

No site Centro Espírita Assistencial Maria de Nazaré – Taubaté, SP, descobrimos que a expressão “o centro da vitalidade”, corresponde ao chakra esplênico. ([41])

Em O Livro dos Espíritos, no item 455, Kardec apresenta um “Resumo teórico do sonambulismo, do êxtase e da segunda vista” ([42]), do qual destacamos:

chacras regioes

A vista da alma ou do Espírito não é circunscrita e não tem sede determinada, razão por que os sonâmbulos não lhe podem assinalar um órgão especial. Veem porque veem, sem saberem o motivo nem o modo, já que, na condição de Espíritos, a vista carece de foco próprio. Se se reportam ao corpo, esse foco lhes parece estar nos centros em que a atividade vital, é maior, principalmente no cérebro, na região do epigástrica, ou no órgão que considerem o ponto de ligação mais forte entre o Espírito e o corpo. ([43]) (grifo nosso)

Entendemos como centros com atividade vital, a designação dos chakras como centros vitais, pelo menos dois são mencionados: o localizado no cérebro (frontal) e o na região epigástrica (esplênico).

Aliás, se sensitivos, conforme afirmara Léon Denis, podiam ver que “Os eflúvios do corpo humano são luminosos, coloridos de tonalidades diferentes” ([44]), por que motivo também não poderiam ver os centros vitais ou chakras? Quem sabe se aqui não temos uma ótima sugestão de tema para se desenvolver uma pesquisa?

Em André Luiz, especialmente, nas obras Evolução em dois mundos, capítulo “Corpo Humano” ([45]) e Entre a Terra e o Céu, capítulo XX “Conflitos da alma” ([46]), temos a especificação dos Centros Vitais ou Centros de Força. Vejamos:

CENTROS VITAIS – Estudado no plano em que nos encontramos, na posição de criaturas desencarnadas, o corpo espiritual ou psicossoma é, assim, o veículo físico, relativamente definido pela ciência humana, com os centros vitais que essa mesma ciência, por enquanto, não pode perquirir e reconhecer.

Nele possuímos todo o equipamento de recursos automáticos que governam os bilhões de entidades microscópicas a serviço da Inteligência, nos círculos de ação em que nos demoramos, recursos esses adquiridos vagarosamente pelo ser, em milênios e milênios de esforço e recapitulação, nos múltiplos setores da evolução anímica.

É assim que, regendo a atividade funcional dos órgãos relacionados pela fisiologia terrena, nele identificamos o centro coronário, instalado na região central do cérebro, sede da mente, centro que assimila os estímulos do Plano Superior e orienta a forma, o movimento, a estabilidade, o metabolismo orgânico e a vida consciencial da alma encarnada ou desencarnada, nas cintas de aprendizado que lhe corresponde no abrigo planetário. O centro coronário supervisiona, ainda, os outros centros vitais que lhe obedecem ao impulso, procedente do Espírito, assim como as peças secundinas de uma usina respondem ao comando da peça-motor de que se serve o tirocínio do homem para concatená-las e dirigi-las.

Desses centros secundários, entrelaçados no psicossoma e, consequentemente, no corpo físico, por redes plexiformes, destacamos o centro cerebral contíguo ao coronário, com influência decisiva sobre os demais, governando o córtice encefálico na sustentação dos sentidos, marcando a atividade das glândulas endocrínicas e administrando o sistema nervoso, em toda a sua organização, coordenação, atividade e mecanismo, desde os neurônios sensitivos até as células efetoras; o centro laríngeo, controlando notadamente a respiração e a fonação; o centro cardíaco, dirigindo a emotividade e a circulação das forças de base; o centro esplênico, determinando todas as atividades em que se exprime o sistema hemático, dentro das variações de meio e volume sanguíneo; o centro gástrico, responsabilizando-se pela digestão e absorção dos alimentos densos ou menos densos que, de qualquer modo, representam concentrados fluídicos penetrando-nos a organização, e o centro genésico, guiando a modelagem de novas formas entre os homens ou o estabelecimento de estímulos criadores, com vistas ao trabalho, à associação e à realização entre as almas. ([47]) (grifo nosso)

Como não desconhecem, o nosso corpo de matéria rarefeita está intimamente regido por sete centros de força, que se conjugam nas ramificações dos plexos e que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem, para nosso uso, um veículo de células elétricas, que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado. Nossa posição mental determina o peso específico do nosso envoltório espiritual e, consequentemente, o “habitat” que lhe compete. Mero problema de padrão vibratório. […] Quanto mais nos avizinhamos da esfera animal, maior é a condensação obscurecente de nossa organização, e quanto mais nos elevamos, ao preço de esforço próprio, no rumo das gloriosas construções do espírito, maior é a sutileza de nosso  envoltório, que passa a combinar-se facilmente com a beleza, com a harmonia e com a luz reinantes na Criação Divina.

[…] Tal seja a viciação do pensamento, tal será a desarmonia no centro de força, que reage em nosso corpo a essa ou àquela classe de influxos mentais. Apliquemos à nossa aula rápida, tanto quanto nos seja possível, a terminologia trazida do mundo, para que vocês consigam fixar com mais segurança os nossos apontamentos. Analisando a fisiologia do perispírito, classifiquemos os seus centros de força, aproveitando a lembrança das regiões mais importantes do corpo terrestre. Temos, assim, por expressão máxima do veículo que nos serve presentemente, o “centro coronário” que, na Terra, é considerado pela filosofia hindu como sendo o lótus de mil pétalas, por ser o mais significativo em razão do seu alto potencial de radiações, de vez que nele assenta a ligação com a mente, fulgurante sede da consciência. […] Logo após, anotamos o “centro cerebral”, contíguo ao “centro coronário”, que ordena as percepções de variada espécie, percepções essas que, na vestimenta carnal, constituem a visão, a audição, o tato e a vasta rede de processos da inteligência que dizem respeito à palavra, à cultura, à arte, ao saber. É no “centro cerebral” que possuímos o comando do núcleo endocrínico, referente aos poderes psíquicos.

Em seguida, temos o “centro laríngeo”, que preside aos fenômenos vocais, inclusive às atividades do timo, da tireoide e das paratireoides. Logo após, identificamos o “centro cardíaco”, que sustenta os serviços da emoção e do equilíbrio geral. Prosseguindo em nossas observações, assinalamos o “centro esplênico” que, no corpo denso, está sediado no baço, regulando a distribuição e a circulação adequada dos recursos vitais em todos os escaninhos do veículo de que nos servimos. Continuando, identificamos o “centro gástrico”, que se responsabiliza pela penetração de alimentos e fluidos em nossa organização e, por fim, temos o “centro genésico”, em que se localiza o santuário do sexo, como templo modelador de formas e estímulos. ([48]) (grifo nosso)

Portanto, conforme essas duas obras, são em número de sete os centros vitais, que se conjugam nas ramificações dos plexos nervosos.

Vejamos, por curiosidade, as colocações de José Herculano Pires (1914-1979) e a resposta de Chico Xavier (1910-2002) que lhe deu com relação à psicografia da primeira obra citada. De Pinga-fogo com Chico Xavier, tomamos este registro de Saulo Gomes:

HERCULANO PIRES: Chico, eu me lembro, entre as suas obras, de algumas obras de psicografia que são bastante importantes do ponto de vista doutrinário para o espiritismo. Por exemplo, Evolução em dois mundos. Eu me lembro que esse livro foi escrito psicograficamente por você e pelo Dr. Waldo Vieira. Na ocasião, você morava, se não me engano, em Pedro Leopoldo, e o Dr. Waldo Vieira, em Uberaba. Os capítulos foram dados a vocês dois pelo mesmo autor espiritual, que é André Luiz, sendo que você não sabia qual era o capítulo que o Waldo havia recebido, e vice-versa. Bom, eu gostaria que você disse alguma coisa sobre isso.

Mas queria lembrar também Mecanismos da mediunidade, que me parece um livro dotado de tanta informação científica atual, dos nossos tempos, e relacionando todas as conquistas da técnica atual com os problemas mediúnicos, que eu creio que você nunca teve oportunidade de obter conhecimentos pessoalmente a respeito desses dois assuntos.

Eu gostaria que você nos dissesse alguma coisa sobre esses dois livros:

CHICO XAVIER: O que eu posso dizer é que tenho a maior dificuldade para compreender esses dois livros, porque eles são baseados numa linguagem quase que inacessível à minha capacidade de entendimento, porque eles foram recebidos nas condições em que o nosso caro amigo, professor Herculano Pires, menciona. É o caso de mediunidade psicográfica.

Eu não posso emitir juízo algum, porque o livro é mais para técnicos, em matéria de evolução e em matéria de comunicações, neste mundo mesmo. Não posso emitir julgamento nenhum, porque não estou à altura, para isso eu precisaria ter de mim mesmo uma diplomação acadêmica para que o Espírito de Emmanuel encontrasse em mim recursos. ([49]) (grifo nosso)

É bem interessante a forma pela qual Herculano Pires inicia a sua fala, dizendo a Chico Xavier que “entre as suas obras, de algumas obras de psicografia que são bastante importantes do ponto de vista doutrinário para o espiritismo”. Ora, a nosso ver, isso, claramente, demonstra o valor que ele dava às duas obras que menciona, não fazendo nenhuma objeção ao conteúdo delas do ponto de vista doutrinário.

Ao que nos parece, na psicografia de Evolução em Dois Mundos, foi utilizada a “correspondência cruzada”, pois somente com os textos recebidos pelos dois médiuns de localidades diferentes pode-se ter a obra por inteiro.

No cap. XIV – Os três corpos do homem, constante de Curso Dinâmico de Espiritismo, Herculano Pires, oferece-nos a seguinte explicação sobre aquele que aqui estamos tratando:

O perispírito, corpo espiritual ou corpo bioplásmico possui, em sua estrutura extremamente dinâmica, os centros de força que organiza o corpo material. É o modelo energético previsto com grande antecedência por Claude Bernard. Os pesquisadores russos compararam esse corpo, visto através das câmaras Kirlian de fotografia paranormal, em conjugação com telescópio eletrônico de alta potência, a um pedaço de céu intensamente estrelado. Esse é o corpo da ressurreição espiritual do homem, dotado de todos os recursos necessários para a vida após a morte. Esse corpo de plasma físico e plasma espiritual vai perdendo seus elementos materiais na vida espiritual, na proporção exata da evolução do espírito. […] O elemento mais importante e vital do ectoplasma é a energia espiritual, que não permanece nas porções colhidas pelos pesquisadores. Nesse corpo, segundo os pesquisadores russos, as condições de doença e saúde e a previsão de doenças nas plantas, nos animais e no homem são feitas com grande precisão através das variações de cores do plasma e um sistema de sinais coloridos ainda em estudo. ([50])

Portanto, Herculano Pires, “o melhor metro que mediu Kardec”, é um dos que também pacificamente aceita a existência dos centros de força ou centros vitais, sem mencionar nenhuma obra da série André Luiz. O que ainda se pode corroborar com esta outra fala, tomada do seu livro Educação para a Morte:

[…] A formação total do organismo é dirigida pelo corpo bioplásmico, provado e pesquisado pelos cientistas soviéticos da Universidade de Kirov, mas os centros energéticos desse corpo se distribuem em subcentros locais que operam no processo genésico de acordo com as funções específicas dos órgãos. Por outro lado, as pesquisas parapsicológicas revelaram a poderosa influência da mente – já há muito aceita pelo povo e suspeitada por diversos especialistas – na formação e desenvolvimento dos organismos humanos. ([51]) (grifo nosso)

Aqui, Herculano Pires, amplia os centros de força, noticiando a existência dos “secundários”, após mencionar os principais, que julgamos serem os sete: 1) coronário, 2) frontal, 3) laríngeo, 4) cardíaco, 5) plexo solar ou gástrico, 6) genésico ou sexual e 7) raiz ou fundamental, utilizando-nos das denominações apresentadas pelo amigo prof. Paulo Cesar Pfaltzgraff Ferreira, mestre em Reiki.

Gabriel Dellane, como vimos, disse que durante a encarnação, o sistema nervoso torna-se a reprodução material do perispírito, com isso podemos ver que a relação deles com os plexos nervosos têm algum sentido.

O escritor Jorge Andréa, presidente de honra do Instituto de Cultura Espírita do Brasil – ICEB ([52]), reforçou-nos essa ideia, pois, em Correlações Espírito-Matéria, sem citar André Luiz, esclarece que:

Carrega o perispírito, em sua estrutura, um componente de centros de força bem específicos, conhecidos como centros-vitais, e descrito pelos antigos, através da teosofia, como chacras. Segundo informações espirituais, existem sete centros principais, salientando-se o centro-coronário, correspondendo ao alto da cabeça, como orientador dos demais, numa verdadeira cadeia de funcionalidade, influenciando as zonas físicas que lhes correspondem. Assim, segue-se o centro-cerebral, ao lado do coronário, o centro-larígeo na altura do pescoço, o centro-cardíaco correspondendo a região do coração, o centro-esplênico na altura do baço, o centro-gástrico na região estomacal e o centro-genésico em correspondência aos órgãos sexuais. Todos esses centros, pelas suas características de impulsão, organização e direção de trabalho podem exteriorizar-se, contrair-se e expandir-se, a fim de absorverem ou emitirem energias com variada finalidade. A sua precípua função seria a de canalizar as energias do espírito, após adaptação vibratória, nos campos materiais. Os campos da matéria que melhor se identificam com os chacras são os plexos nervosos do sistema neurovegetativo, por onde as sugestões espirituais seriam feitas sem interferência da vontade consciente do sistema nervoso cérebro-espinhal ([53]) (grifo nosso)

Portanto, temos aí, com Jorge Andréa, a relação íntima do chakras com os plexos nervosos.

Da mesma forma, vamos também encontrar em Técnica da Mediunidade, o ex-padre Carlos T. Pastorino (1931-2015), que foi um estudioso da fenomenologia mediúnica, argumentando, entre outras coisas, isto sobre os chakras:

Correspondendo aos locais dos plexos, no físico, o corpo astral possui “turbilhões” ou “motos vorticosos”, que servem de ligação e captação das vibrações e dos elementos fluídicos do plano astral – que nos envolve externamente, passando tudo à parte astral solidificada em nosso corpo – os nervos.

O conglomerado dos nervos no físico produz os plexos que ativam e sustentam esses vórtices com mais intensidade, ao passo que no resto do corpo, onde os nervos correm sem formar esses nós, aparece apenas no astral a aura simples. Essa aura, ao chegar à altura dos plexos nervosos, gira com intensidade, estabelecendo verdadeiros canais de sucção ou de expulsão (redemoinhos).

Tal como exaustores ou ventiladores, que giram quando passa por eles o ar, ou que giram por efeito de um motor, movimentando o ar, assim essas “rodas” (chakras em sânscrito) giram ao dar passagem à matéria astral, de dentro para fora ou de fora para dentro. São chamados rodas porque têm a aparência de pequeno exaustor ou ventilador, com suas pás (denominadas “pétalas”), que giram incessantemente quase, já que é constante a “corrente de ar” que por elas passa ([54]). ([55]) (grifo nosso)

Em Bibliografia, Pastorino informa haver estudado “[…] as obras de Kardec e de outros espíritas e espiritualistas, sobretudo as recebidas por Francisco Cândido Xavier (mormente ‘Mecanismos da Mediunidade’ e ‘Evolução em Dois Mundos’).” ([56])

No capítulo 6 – Os Centros Vitais, da obra O Cure-se e Cure pelos Passes, o estudioso Jacob Melo também relaciona os Centros de Força com os plexos nervosos. ([57])

Em Depois da Morte, Léon Denis esclarece que: “É pelas correntes magnéticas que o perispírito se comunica com a alma. É pelos fluídos nervosos que ele está ligado ao corpo. […].” ([59]) (grifo nosso)

Autora espiritual Joanna de Ângelis, através do médium baiano Divaldo Pereira Franco, além de mencionar a aura também fala dos chakras ([60]) ou Centros Vitais, conforme se comprova na obra Estudos Espíritas, capítulo 4, “Perispírito” ([61]), cuja lista desses vórtices energéticos confere exatamente com a mencionada por André Luiz. Fechando o capítulo, temos duas transcrições de obras da Codificação, destacamos esta: “‘[…] Somente faremos notar que no conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas até hoje insolúveis.’ (O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, item 54).”

Em Diretrizes de Segurança, o médium José Raul Teixeira à pergunta “Qual o papel dos centros vitais no intercâmbio mediúnico?” responde o seguinte:

Encontramos os centros vitais como sendo representações do corpo psicossomático ou perispírito, correspondendo aos plexos no corpo físico. São verdadeiras subestações energéticas.

À proporção que encontramos no mapa fisiológico do indivíduo os diversos entroncamentos nervosos, de vasos, de veias, temos aí um foco de expansão de energia.

O nosso centro coronário, que é a porta que se abre para o cosmo, é a “esponja” que absorve o influxo de energia e o distribui para o centro cerebral, para o centro laríngeo, e, respectivamente, para outros centros que se distribuem com maior ou menor intensidade, através do corpo.

Sabemos que tais energias, antes de atingir o corpo físico, abrigam-se no corpo espiritual. Do mesmo modo como se tivéssemos uma grande cisterna de água abastecendo uma cidade, tendo em cada residência a nossa particular, verificamos no organismo a grande “cisterna” que absorve as energias de maior vulto, que é o citado centro coronário, e as pequenas “cisternas” que vão atendendo às outras regiões: […].

Esses centros espalhados são tidos como os mais importantes, mas, ao longo do corpo, temos vários outros centros por onde as energias penetram ou por onde elas são emitidas.

Dessa forma, os centros de força são distribuidores de energia ao longo do corpo psicossomático que têm a função de atender ao corpo somático.

Identificamos a correspondência das veias, das artérias e dos vasos no corpo físico com as “linhas de força” do corpo perispiritual.

Eis porque, quando recebemos o passe, imediatamente, sentimos bem-estar, nos sentimos envolvidos numa onda de leveza que normalmente provoca-nos emoção. Porque as energias penetram o centro coronário e são distribuídas por essas “linhas de força”, à semelhança de qualquer medicamento, elas vão atingir as áreas carentes.

Se estivermos com uma problemática cardíaca, por exemplo, não haverá necessidade de aplicarmos as energias sobre o músculo cardíaco, porque em penetrando nossa intimidade energética, aquele centro lesado vai absorver a quantidade, a parcela de recursos fluídicos de que necessita.

Do mesmo modo, se temos uma dor na ponta do pé e tomamos um analgésico, que vai para o estômago, a dor na ponta do pé logo passa. Então, o nosso cosmo energético está, como diz a Doutrina Espírita, ligado célula por célula ao nosso corpo somático.

Por isso, os centros de força do perispírito têm seus correspondentes materiais nos plexos do corpo carnal, ou, diríamos de melhor maneira, os plexos do corpo carnal são representantes materiais, são a expressão materializada dos fulcros energéticos ou dos centros de força, ou, ainda, dos centros vitais do nosso perispírito. ([62]) (grifo nosso)

O que consta neste último parágrafo parece que há perfeita correlação com o que vimos da opinião de Gabriel Delanne.

Citaremos também a obra Mãos de Luz, como mais uma obra que aborda tanto a aura quanto os chakras ([63]), aliás, observamos que sempre os dois são mencionados, pela ligação íntima entre eles.

Estamos mencionando essa obra pela qualificação da autora Barbara Brennan: “cientista, foi pesquisadora da NASA no Centro de Voo Espacial de Goddard logo após completar seu Mestrado de Ciência em Física Atmosférica na Universidade de Wisconsin. Nos últimos quinze anos vem estudando o campo da energia humana e trabalhando com ele, e envolveu-se em projetos de pesquisa da Drexel University e do Institute for the New Age.” ([64])

Em resumo, temos:

Os Chakras: alguns autores e obras que os mencionam

Autores com transcrições

1 – Espirituais

André Luiz, Evolução em Dois Mundos e Entre a Terra e o Céu

Joanna de Ângelis, Estudos Espíritas

2 – Estudiosos da atualidade

Carlos T. Pastorino, Técnica da Mediunidade

José Herculano Pires, Curso Dinâmico de Espiritismo e Educação para a Morte

Jacob Melo, Cure-se e Cure pelos Passes

Jorge Andréa, Correlações Espírito-Matéria

José Raul Teixeira, Diretrizes de Segurança

Outros autores que os citam, mas dos quais nada foi transcrito

Astolfo Olegário de Oliveira Filho, Seminário “Passes e Passistas”

Carlos Bernardo Loureiro, Perispírito: natureza, funções e propriedades

Durval Chiamponi, Perispírito e Corpo Mental

FEB – Estudo e Prática da Mediunidade – Programa I

João Sérgio Sell, Perispírito

José Náufel, Do ABC ao infinito, Vol. 4

Luiz Gonzaga Pinheiro, O perispírito e suas modelações

Salvador Gentile, O passe magnético: seus fundamentos e sua aplicação

Zalmiro Zimmermann, Perispírito e Teoria da Mediunidade

O certo é que alguns veem coisas onde elas não existem, enquanto outros não veem onde elas existem, daí resulta a polêmica, que, talvez, só o tempo poderá resolver.

É visível que os chakras foram considerados como ponto doutrinário por estudiosos dos primórdios da Codificação e vários outros da atualidade, temos aqui, nesse estudo, apenas duas fontes espirituais, isso é fato. Uma delas, Joanna de Ângelis, em Estudos Espíritas, faz uma colocação bem interessante ao se referir ao Perispírito, diz que:

Desde épocas imemoriais, a filosofia hindu, estudando as suas manifestações no ser reencarnado, relacionou-o com os chakras ([65]) ou centros vitais que se encontram em perfeito comando dos órgãos fundamentais da vida, espalhados pela fisiologia somática, […]. ([66]) (grifo nosso)

Então, temos uma questão a ser resolvida: o que disseram estes dois autores – André Luiz e Joanna de Ângelis – é nova revelação, que necessita passar pelo CUEE, ou trata-se simplesmente de detalhamento de algo não objetivamente abordado na Codificação, mas consta nas entrelinhas…

Abstraindo-se da hipótese de estar na Codificação, como acreditamos que está, julgamos que para se afirmar categoricamente que não é ponto doutrinário, ter-se-á que consultar, em várias fontes mediúnicas da literatura espírita mundial, para se dizer que passou ou não pelo CUEE.

Conclusão

Diante de tudo isso que encontramos, entendemos que, s.m.j., tanto a aura como os chakras (Centros Vitais) são abordados nas obras da Codificação, ainda que sob outras denominações, razão pela qual passamos a aceitá-los como pontos doutrinários.

Claro que, por questão moral, respeitaremos todos aqueles que não comungarem de nossa conclusão, já que estimaríamos que também respeitassem a nossa opinião, que é a de uma pessoa que quer respaldar seus estudos em bases doutrinárias coerentes, procurando, na medida do possível, deixar de lado eventuais “achismos”.

E, finalizamos, com esta frase de Matthieu Tubino (2005): “[…] no que se refere às teorizações ou hipóteses, deve-se ter o cuidado para não tomá-las como afirmações, pois, dependem muito de opiniões próprias de quem teoriza.” Não garantimos que não tenhamos sido vítima de nossas próprias opiniões.

Mesmo que estejamos equivocados em nossa forma de pensar, tendo-os como possível ponto doutrinário, o fato de estarmos alinhados com o pensamento de destacados estudiosos, já consideramos isso um lucro.

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Revisor: Hugo Alvarenga Novaes

Nota explicativa:

Observações do Prof. Paulo Cesar Pfaltzgraff Ferreira, estudioso do tema, a respeito de:

1) Definição – O Chakra do Baço não está situado ao longo do eixo vertical que perpassa o centro do corpo, logo a definição do dicionário fica em contraposição ao fato de colocar o Chakra do Baço como sendo um dos sete principais, fazendo com que o leitor fique confuso.

Na verdade, a palavra no singular é āsana (devanāgarī: आसन; pronúncia: aassana; tradução:

postura, acento) → plural: āsanāni (devanāgarī: आसनानि; pronúncia: aassanaani). O plural “āsanas” é “aportuguesado”.

2) Imagem: – Na figura estamos com 8 chakras principais e creio que seria interessante observar que algumas tradições, conforme a indiana, não incluem o Chakra Esplênico ou do (faltou este “do” na figura) Baço como sendo um dos sete principais, mas incluem o Chakra Genésico ou Sexual. Os teosofistas, seguindo o modelo proposto por Charles Webster Leadbeater, não incluem o Chakra Genésico ou Sexual, porém, incluem o Chakra Esplênico ou do Baço.

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OLIVEIRA FILHO, A. O. Passes e Passistas – Seminário, disponível em: https://pt.scribd.com/document/331829186/Passes-e-Passistas-Astolfo-Olegario-de-Oliveira-Filho. Acesso em 13 jan. 2019.

Região epigástricahttps://simbrazil.mediviewprojects.org/images/stories/Abdomen/ab-fig-1-BR.jpg; Acesso em: 15 mai. 2015.

Este artigo foi publicado:

– revista Espiritismo – o Grande Consolador nº 7, São Paulo: Mythos Editora, jan/2015, p. 36-42 (versão original).

[1]    Optamos por essa grafia, embora, nos Dicionários Houaiss e Michaelis, lemos chacra.

[2]    KARDEC, Revista Espírita 1866, p. 223.

[3]    KARDEC, Revista Espírita 1866, p. 72.

[4]    KARDEC, O Livro dos Médiuns, p. 18.

[5]    KARDEC, O Livro dos Espíritos, p. 189.

[6]    KARDEC, O Livro dos Médiuns, p. 63.

[7]    KARDEC, Revista Espírita 1863, p. 1.

[8]    KARDEC, Revista Espírita 1863, p. 234.

[9]    SANTOS, Lastro Espiritual nos Fatos Científicos, p. 49.

[10]  KARDEC, Obras Póstumas, 50.

[11]  KARDEC, A Gênese, p. 295.

[12]  KARDEC, Revista Espírita 1860, p. 155.

[13]  KARDEC, Revista Espírita 1862, p. 43.

[14]  DELANNE, A reencarnação, p. 144-145.

[15]  DELANNE, Evolução Anímica, p. 112.

[16]  DELANNE, Evolução Anímica, p. 124.

[17]  FRANCO, Estudos Espíritas, p. 39.

[18]  KARDEC, Revista Espírita 1862, p. 355.

[19]  Kardec comenta o caso de um camponês do cantão de Berna que tinha a faculdade de ver, num copo de vidro, as coisas distantes. (KARDEC, Revista Espírita 1865. p. 289)

[20]  KARDEC, Revista Espírita 1865, p. 295.

[21]  KARDEC, Revista Espírita 1867, p. 172.

[22]  KARDEC, A Gênese, p. 292.

[23]  KARDEC, Obras Póstumas, p. 50.

[24]  Nota da transcrição: […] Já desde 1860 (“Revue Spirite”, pág. 81), Allan Kardec afirmava, de acordo com as revelações do Espirito do Dr. Vignal, que os corpos emitem vibrações luminosas, invisíveis aos sentidos materiais, o que mais tarde a Ciência confirmou. O Espiritismo tem, pois, o mérito de haver, em primeiro lugar, sobre esse como sobre tantos outros pontos, apresentado teorias físicas que a Ciência não admitiu senão trinta anos depois, sob a reiterada pressão dos fatos.

[25]  DENIS, No Invisível, p. 177.

[26]  KARDEC, Obras Póstumas, p. 121-122.

[27]  KARDEC, Obras Póstumas, p. 123.

[28]  SANTOS, Correlações Espírito-Matéria, p. 26.

[29]  SANTOS, Correlações Espírito-Matéria, p. 26-27.

[30]  KARDEC, A Gênese, p. 291.

[31]  KARDEC, A Gênese, p. 325-326.

[32]  KARDEC, Revista Espírita 1867, p. 130-131.

[33]  Ver nota explicativa no final deste artigo.

[34]  MICHAELIS ON-LINE: https://michaelis.uol.com.br/palavra/ZojK/chacra-2/.

[35]  Principal religião da Índia, o Hinduísmo é um tipo de união de crenças com estilos de vida. Sua cultura religiosa é a união de tradições étnicas. Atualmente é a terceira maior religião do mundo em número de seguidores. Tem origem em aproximadamente 3.000 a.C. na antiga cultura Védica. (https://suapesquisa.com/religiaosociais/hinduismo.htm)

[36]  O budismo não é só uma religião, mas também um sistema ético e filosófico, originário da região da Índia. Foi criado por Sidarta Gautama (563? – 483 a.C.?), também conhecido como Buda. Este criou o budismo por volta do século VI a.C. Ele é considerado pelos seguidores da religião como sendo um guia espiritual e não um deus. Desta forma, os seguidores podem seguir normalmente outras religiões e não apenas o budismo. § O início do budismo está ligado ao hinduísmo, religião na qual Buda é considerado a encarnação ou avatar de Vishnu. (https://www.suapesquisa.com/budismo/)

[37]  LEADBEATER, Os Chakras, p. 17.

[38]  LEADBEATER, Os Chakras, p. 19-20.

[39]  KARDEC, Revista Espírita 1860, p. 369.

[40]  KARDEC, O Livro dos Espíritos, p. 127-129.

[41]  Passe direcionado no Centro de Força (PDCF), artigo disponível em: http://ceamariadenazaretaubate-sp.blogspot.com.br/2015/05/passe-direcionado-no-centro-de-forca_16.html,

[42]  KARDEC, O Livro dos Espíritos, p. 223-228.

[43]  KARDEC, O Livro dos Espíritos, p. 225.

[44]  DENIS, No Invisível, p. 177.

[45]  XAVIER, Evolução em dois mundos, p. 25-30.

[46]  XAVIER, Entre o céu e a terra, p. 123-129.

[47]  XAVIER, Evolução em Dois Mundos, p. 26-27.

[48]  XAVIER, Entre a Terra e o Céu, p. 126-128.

[49]  GOMES, Pinga-fogo com Chico Xavier, p. 93-94.

[50]  PIRES, Curso Dinâmico de Espiritismo, p. 103-104.

[51]   PIRES, Educação para a Morte, p. 54.

[52]  Biografia de Jorge Andréa, disponível em: http://fraterluz.blogspot.com/2014/07/biografia-jorge-andrea.html.

[53]  SANTOS, Correlações Espírito-matéria, p. 21.

[54]  N.T.: Para estudos especiais mais profundos, enviamos às obras especializadas, publicadas por espiritistas, teósofos, rosa-cruzes, esoteristas e ocultistas. Aqui fazemos simples vulgarização.

[55]  PASTORINO, Técnicas da Mediunidade, p. 111.

[56]  PASTORINO, Técnicas da Mediunidade, p. 143.

[57]  MELO, Cure-se e Cure pelos Passes, p. 73-92.

[58]  Editora Auta de Souza – Curso de Passe – Centros de Força, disponível em: http://www.ocentroespirita.com/centroespirita/download/passe/03-Centros-de-Forca.pdf.

[59]  DENIS, Depois da Morte, p. 176.

[60]  Chakra – Palavra sânscrita que significa roda. Igualmente conhecida, em páli, como Chakka. (Nota da Autora espíritual), em FRANCO, Estudos Espíritas, p. 43, grifo do original.

[61]  FRANCO, Estudos Espíritas, p. 39-45.

[62]  FRANCO e TEIXEIRA, Diretrizes de Segurança, p. 30-32.

[63]  BRENNAN, Mãos de Luz, p. 70-78.

[64]  BRENNAN, Mãos de Luz, p. 17.

[65]  N.T.: Chakra – Palavra sânscrita que significa roda. Igualmente conhecida, em páli, como Chakka – Nota da Autora espiritual. (grifo do original)

[66]  FRANCO, Estudos Espíritas, p. 43.

Sobre o autor:

Paulo Neto: Nascido em Guanhães, MG. Bacharel em Ciências Contábeis e em Administração de Empresas pela Universidade Católica-MG (PUC-BH). Aposentou-se como Fiscal de Tributos pela Secretaria da Fazenda-MG. Adepto do Espiritismo desde Julho/1987. É escritor, articulista e orador espírita com vários artigos publicados em periódicos e imprensa na internet. Autor de livros espíritas com foco em vasta pesquisa da literatura espírita e convencional.

Extraído de geae.net.br

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Jesus e sofrimentos

Quando procurado pelos portadores de enfermidades, Jesus sempre lhes perguntava se realmente desejavam a saúde, ou criam que Ele os poderia curar.

Era de fundamental importância para o restabelecimento do enfermo a sua segurança íntima sobre estes dois requisitos: querer e crer.

Complementando-se um no outro, tornam-se essenciais para o restabelecimento físico e psíquico do candidato à cura.

O querer em profundidade, sem reservas, altera completamente o quadro psicofísico do indivíduo, que se transfere do estado de desarmonia em que se encontra para o de equilíbrio, auxiliando o organismo na restauração dos seus equipamentos danificados.

A doença não é mais do que um sintoma do desarranjo do Espírito, em realidade o portador da mesma.

O ato de querer libera-o dos elementos perniciosos, geradores dos distúrbios que se apresentam na emoção, na mente e no corpo.

Querer é decidir-se, abandonando a acomodação parasitária ou o medo de assumir responsabilidades novas perante a vida, desse modo arrebentando as cadeias da revolta persistente, da autocompaixão, das sombras nas quais o indivíduo se oculta.

Quem quer, investe; e ao fazê-lo, age de forma a colher os resultados almejados.

O crer é uma decisão grave, de maturidade emocional e humana.

A crença vive inata no homem, aguardando os estímulos que a façam desabrochar, enriquecendo de forças a vida.

Há uma crença automática, natural, herança característica das gerações passadas, que induz à aceitação dos fatos, das ideias e experiências, sem análise racional.

E existe outra que é resultado da elaboração da lógica, das evidências dos acontecimentos com os quais a razão concorda.

Crê-se, portanto, por instinto e por conhecimento experimental.

Quando se quer, despojado de dúvida, a crença no êxito já se encontra no bojo do desejo exteriorizado.

O receio aí não tem guarida, nem as vacilações produzem desconfiança.

A paisagem mental banha-se de luz e os componentes da infelicidade se diluem sob os raios poderosos da vontade bem dirigida.

Querer e crer conduzem à luta, mediante a decisão de sair da fumaça sombria para o campo do êxito.

Após a vitória feliz, estes dois valores morais devem prosseguir comandando a integridade emocional, para impedir a recaída.

No episódio do paralítico, que foi descido pelo telhado e posto ao lado de Jesus, como em outros variados, as duas questões são postas em evidência pelo Mestre.

À pergunta direta: Tu crês que Eu te posso curar? o doente respondeu: Sim, demonstrando a fé que o dominava, ao mesmo tempo retratando querer recuperar a saúde, tal o esforço empreendido para estar ali.

Movimentara amigos e pessoas solidárias; submetera-se ao desconforto de ser conduzido, tivera aumentadas as dores e, porque queria, conseguiu.

Sensibilizado por tal esforço, Jesus o libertou da doença, de que ele, sem revolta, desejava despojar-se.

Reflitamos . . .

Nas suas dificuldades e dores, abandona a complacência para com elas e toma a  decisão de querer ser feliz e  com  a certeza  conseguirá.

Nada te impede a tentativa. Basta que estabeleças, no íntimo, o desejo forte de libertação.

Se a dúvida se apresentar, afugenta-a.

Perturbado pelo pessimismo, contempla os triunfadores que lutaram antes de ti.

Não lhes foi diverso o esforço para a vitória.

Sucede que iniciaram o labor sem que o soubesses e agora vês somente o seu resultado.

Ademais, apela para Jesus com firmeza, certo de que a tua rogativa não ficará sem resposta, e abre-te ao influxo da força restauradora, não lhe opondo barreiras.

Se queres a paz e a saúde e crês na sua imediata conquista, não adies o teu momento de consegui-las, pois, este momento é agora.

Redação do Blog Espiritismo Na Rede com base no cap. 18 do livro Jesus e atualidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Pensamento.

Fonte: Espiritismo na Rede

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