Livre arbítrio

A Liberdade do Espírito na sua Trajetória Espiritual

Camila Vieira

Em leitura de algum texto ou obra espírita é bem provável que você tenha se deparado com o termo “livre arbítrio”, que nada mais é que o poder de escolha de um Espírito sobre alguma coisa. Por trás deste conceito razoavelmente simples, guarda um dos grandes pilares do espiritismo: a Lei da Liberdade.

Enquanto algumas doutrinas seguem uma linha de proibição e rígido controle das ações dos indivíduos, a Doutrina Espírita trata a liberdade como uma lei, entendida como a faculdade de escolha do Espírito. Tal liberdade se inicia desde o seu planejamento encarnatório ainda no plano espiritual. O próprio espírito tem o poder de escolha de algumas provas que deseja passar em suas encarnações, visando o desenvolvimento do seu ciclo evolutivo.

Tal planejamento não significa que o Espírito firma um “Contrato de Adesão”, pelo qual é obrigado a segui-lo à risca. O Espírito tem total liberdade de escolha na tomada de decisões no seu ciclo terreno, que podem inclusive alterar substancialmente a jornada programada. Pensar que tudo que acontece em nossa vida é fruto de programação é equivocado, já que dependendo das decisões que tomarmos no curso do caminho seremos aproximados ou desviados do planejamento inicial.

A liberdade é uma das bases da Doutrina Espírita e a chave para a evolução: o Espírito constrói o alicerce da sua trajetória a partir das suas próprias escolhas e decisões, sendo responsável pelas suas ações. Claro que existe o amparo constante da Espiritualidade nestas decisões, mas certo que são fruto da faculdade de escolha do Espírito.

O Livro dos Espíritos contém um capítulo específico sobre a Lei de Liberdade (Capítulo 10). Estudando-o, é possível compreendermos que a liberdade faz parte da natureza do Espírito, mas não de forma absoluta [1]. Na medida que convivemos com outros Espíritos que também estão em caminhada evolutiva, há a necessidade do compartilhamento de suas liberdades. Assim, há um limite entre a liberdade de um para com o outro, visando o equilíbrio das relações.

Ainda, o Livro dos Espíritos ensina que todos os Espíritos, mesmo aqueles com faculdades limitadas, como uma criança, na medida de suas capacidades, têm o livre arbítrio de suas decisões [2]. É inerente do Espírito o poder sobre suas decisões.

Intrinsicamente ligada a ideia do livre arbítrio, vem a ideia da “ação e reação”. O Espírito tem a liberdade de escolha, mas é responsável por suas decisões.

Nesta lógica é possível compreender que a maldade não é inerente ao Espírito, na medida que ele pode escolher entre o bem e o mal. Serão as consequências das escolhas que fez durante a sua trajetória espiritual que definirão sua escala evolutiva.

Não podemos nos confundir que sendo a Terra um planeta ainda de provas e expiações, o ambiente ainda contém grande volume de espíritos com condutas desviadas para o mal, contudo não significa que todos os Espíritos aqui encarnados possuem em sua essência a maldade.

A pergunta 845 do Livro do Espíritos nos responde que por mais que existam predisposições instintivas de um Espírito que possam levá-lo à uma ação ruim, este Espírito tem o livre arbítrio.

A influência do ambiente sobre o Espírito também pode persuadi-lo, na medida que ambientes onde prevalecem paz e a bondade podem inspirá-lo para boas escolhas e ambientes mais carregados negativamente podem motivá-lo à más escolhas.

Sabendo da nossa responsabilidade perante nossas escolhas, daí a importância de buscarmos a melhor sintonia interior e exterior para que sejamos intuídos pela Espiritualidade às escolhas que mais se aproximem dos propósitos que devemos seguir nesta caminhada espiritual, por vezes tão árdua.

Afinal, “Lembrai-vos de que querer é poder”. [3]

Camila Vieira

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

[1] Pergunta 844, Livro dos Espíritos.

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. [Traduzido por Renata Barboza da Silva; Simone T. Nakamura Bele da Silva].São Paulo: Petit, 1999. p.284.

[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. [Traduzido por Renata Barboza da Silva; Simone T. Nakamura Bele da Silva].São Paulo: Petit, 1999. p.284.

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Os Espíritas não têm respostas sobre tudo

– E nem precisam ter…

Franklin Félix

Guardai-vos dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de peles de ovelha e por dentro são lobos. Conhecê-los-ei pelos seus frutos.” Mateus, cap. VII. vv. 15 a 20

“O que o espiritismo diz sobre o novo coronavírus?”, “o que o espiritismo pensa sobre queda de avião?”, “o que o espiritismo afirma sobre crianças índigos?”, “como o espiritismo interpreta os tsunamis?”, “o que o espiritismo fala sobre política?”, “previsões espíritas sobre 2020”, “como o espiritismo vê os LGBTs?”.

Não é incomum ver – com muita tristeza – afirmações para esse tipo de perguntas, do tipo: “quem está morrendo de coronavírus é porque não está vibrando no amor”, “morreu todos juntos no avião porque os irmãozinhos eram romanos que jogavam cristãos na fogueira e estavam resgatando coletivamente um débito de vida passada” ou “LGBTs estão pagando débitos de vidas anteriores”.

Com a crueldade de corações bem distantes das vivências do Evangelho de Jesus e com a profundidade de um pires, negando todo o rigor metodológico de Kardec, esses são apenas alguns dos exemplos de textos, vídeos no Youtube, palestras e mais uma porção de convites à desinformação (fakenews) que alguns espiritas andam divulgando.

Enquanto escrevia esse artigo, chegou mais uma dessas tristes-pérolas. Perguntado sobre corrupção e política, um famoso palestrante espírita e que, por coincidência, também é juiz, tergiversou, enrolou e se manteve em cima do muro, local confortável para alguns desses famosos.

Ora, qualquer cidadão (e não precisa ser religioso, as vezes é até melhor que não seja), com o mínimo de senso ético, será contra qualquer tipo de corrupção dentro ou fora da política, inclusive aquela diária, travestida de “jeitinho brasileiro”, como furar fila, estacionar em local proibido ou mesmo, usurpando a fé e a fragilidade das pessoas, oferecer palestras, workshops, treinamentos, respostas milagrosas, cobrando caro por isso.

Para começo de conversa, o espiritismo não diz nada sobre as questões acima. Quem diz são espíritas que, baseados em suas ideologias (eu também tenho as minhas) e visões de mundo, interpretam, na maioria das vezes, de maneira bem catastrófica, punitivista e sensacionalista.

Como diz Paulo Freire: “Não existe imparcialidade. Todos são orientados por uma base ideológica. A questão é: sua base ideológica é inclusiva ou excludente?”

Por que devemos terceirizar nossas opiniões, nossos valores e nossa capacidade de julgamento?

O espiritismo não acredita em gurus, escolhidos, profetas, pelo contrário, nos incentiva, constantemente, a uma fé racional e ao estudo constante.

Espírita nenhum, que estuda e pratica os ensinamentos dos espíritos, acredita em profecias, psicografias proféticas e mensagens aterrorizantes. Nós não somos uma “experiência” de Deus, tampouco, suas marionetes.

Indagados sobre isso, os espíritos responderam à Kardec:

“Devem, além disso, considerar-se suspeitas, logo à primeira vista, as predições com época determinada, assim como todas as indicações precisas, relativas a interesses materiais.”

Os Espíritas não sabem todas as coisas, muito menos os espíritos. Os Espíritos são as almas dos seres humanos que já perderam o corpo físico. A exemplo do que observamos na humanidade encarnada, o conhecimento que eles têm é correspondente ao seu grau de adiantamento moral e intelectual. A morte é uma passagem para a vida espiritual e não dá valores morais ou de inteligência a quem não os tem.

Para o Espiritismo, a evolução envolve aspectos distintos e plurais, com infinitas trajetórias possíveis. Não é um processo linear, não há um caminho certo. A evolução não é apenas individual, mas do grupo de pessoas, encarnadas e desencarnadas, ao qual se está ligado. Evoluir implica em mudar a mentalidade e a massa crítica do grupo social.

Segundo os ensinamentos dos espíritos, evoluir significa modificarmos alguns comportamentos, por meio das sucessivas experiências (e vidas), ultrapassando limites pessoais, desenvolvendo potencialidades e ampliando a nossa capacidade de fazermos para os outros aquilo que gostaríamos que os outros nos fizessem. Jesus é o nosso modelo e guia.

O espiritismo não faz milagres, nem prodígios. Propicia aos seres humanos o conhecimento de algumas leis espirituais, também leis da natureza, causadoras de muitos fatos, considerados extraordinários, apenas por desconhecimento de sua origem. Ensina o ser humano a usar esses conhecimentos no exercício da sua transformação moral, por meio de um entendimento melhor dos ensinos de Jesus.

Percebam que temos muito trabalho pela frente, dentro e fora do movimento espírita: disputando narrativas, denunciando abusos cometidos por representantes espíritas, eliminando velhos paradigmas, construindo pontes em vez de muros, ensinando, didaticamente, conceitos de bem viver e justiça social e, sobretudo, resgatando os preceitos de amor e diálogo de Kardec, esquecidos pelos pseudo-médiuns midiáticos, pelos dirigentes fanáticos e pelos expositores ensimesmados.

Franklin Félix

Fonte: kardecriopreto

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Do Excesso De Prudência Ao Excesso De Confiança

Orson Peter Carrara

Em suas Impressões Gerais, constante do indispensável livro Viagem Espírita em 1862 (que recomendamos com ênfase aos dirigentes, médiuns e tarefeiros espíritas), de Allan Kardec – com a tradução e precioso Prefácio de Wallace Leal V. Rodrigues (edição do CLARIM), entre valiosas e pertinentes considerações sobre vários ângulos, às páginas 32 a 33 da 2ª. edição, o Codificador refere-se à obsessão, onde afirma:

“(…) os casos de obsessão são muito raros entre aqueles que fizeram um estudo prévio e atento de O Livro dos Médiuns e se identificaram com os princípios nele contido, pois que se mantêm vigilantes, atentos aos menores sinais que podem atrair a presença de um Espírito suspeito. Vimos alguns grupos que, sem dúvida, encontram-se sob uma influência abusiva. Mas é evidente que se comprazem com ela e dela se tornam presa por uma confiança demasiada cega e, além disso, por certas predisposições morais. Outros, pelo contrário, alimentam um tal temor de serem enganados, que levam a desconfiança, por assim dizer, ao excesso (…) preferindo rejeitar o duvidoso a correr o risco de admitir o que seria mau. (…)”.

E continua com sua habitual lucidez: “(…) O excesso em tudo é prejudicial, mas, em semelhante caso, vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança. (…)”.

E antes havia ponderado: “(…) Assim, os Espíritos mentirosos, sentindo-se inúteis, terminam por se retirar, indo se desforrar junto daqueles que percebem menos vigilantes e nos quais encontra fraquezas e exuberâncias de espírito a explorar (…)”.

Prudência e confiança cega são dois extremos.

A prudência solicita a análise cuidadosa que evita desastres futuros; a confiança sem ponderação trará as consequências sempre lamentáveis e desastrosas justamente pela falta de análise racional e imparcial.

Portanto, há que se concordar com Kardec: vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança. A melhor defesa para essas armadilhas que podem surgir no caminho de qualquer pessoa ou instituição será sempre o conhecimento e a prática do bem. O conhecimento clareia o caminho e previne de ilusões, a prática do bem protege, mas ambos precisam andar juntos, pelo mens no que se refere à prática mediúnica.

Registre-se os 160 anos, em 2022, das proveitosas viagens de Kardec, registradas na obra em referência.

Orson Peter Carrara

Fonte: kardecriopreto.com.br

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“Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?”

Renato Confolonieri

QUEM É MINHA MÃE, E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS?

Temos nos evangelhos de Marcos (capítulo III, versículos 20, 21 e 31 a 35) e de Mateus (capítulo XII, versículos 46 a 50) uma passagem de Jesus um tanto curiosa, pois que incompreendida. E até certo modo explicada superficialmente no capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo.

De acordo com essa passagem, “e, tendo chegado à casa, de novo se formou uma grande multidão, de tal maneira que eles não podiam se alimentar. E quando seus parentes tomaram conhecimento disso, vieram apanhá-lo, pois diziam que tinha perdido o juízo.”.

Dando continuidade, os evangelistas contam que “chegaram então sua mãe e seus irmãos, ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada em torno dele. Disseram-lhe: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e te chamam. Mas ele lhes respondeu: Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? E olhando os que estavam sentados ao seu redor, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; pois quem fizer a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”.

Essas palavras supostamente ditas por Jesus parecem realmente estranhas, mostrando-se contraditórias diante de tudo o que ele ensinou, vivenciou e deixou como legado, a lei do amor e da caridade.

A primeira interpretação que se dá vai no sentido de que as palavras atribuídas ao Cristo foram mal reproduzidas, mal compreendidas ou não são do guia e modelo da humanidade. Nos ditos de Allan Kardec no item 7 do citado capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo, “espanta-se com razão de ver, nessa circunstância, Jesus mostrar tanta indiferença para com seus parentes, e, de certa forma, renegar sua mãe.”.

Mais adiante nesse mesmo item 7, o codificador continua analisando as frases imputadas ao Mestre Divino, dizendo que “no que diz respeito a Jesus, supor que tenha renegado sua mãe seria ignorar seu caráter; tal pensamento não poderia animar quem disse ‘honra teu pai e tua mãe’. É preciso, pois, buscar um outro sentido para suas palavras, quase sempre veladas sob forma alegórica.”.

Terminando o item em análise, Kardec diz que “Jesus não negligenciava nenhuma ocasião de dar um ensinamento. Tomou, pois, a que lhe ofereceu a chegada de sua família, para estabelecer a diferença que existe entre o parentesco material e o parentesco espiritual.”.

Acontece, porém, que é no item 2 do capítulo XVII de A Gênese que o mestre de Lyon – logicamente que com a assistência dos benfeitores espirituais – traça maiores e mais profundas explicações sobre o hipotético comportamento de Jesus na ocasião.

Nas palavras do professor Rivail, “o hábito de se verem desde a infância, em todas as circunstâncias ordinárias da vida, estabelece entre os homens uma espécie de igualdade material que, muitas vezes, faz que a maioria deles se negue a reconhecer superioridade moral num de quem foram companheiros ou comensais, que saiu do mesmo meio que eles e cujas primeiras fraquezas todos testemunharam. Sofre-lhes o orgulho com o terem de reconhecer o ascendente do outro. Quem quer que se eleve acima do nível comum está sempre em luta com o ciúme e a inveja. Os que se sentem incapazes de chegar à altura em que aquele se encontra esforçam-se para rebaixá-lo, por meio da difamação, da maledicência e da calúnia; tanto mais forte gritam, quanto menores se acham, crendo que se engrandecem e o eclipsam pelo arruído que promovem.”.

Assim, o fato de terem compartilhado de intimidade na infância, na adolescência, na juventude, dá uma espécie de autorização para as pessoas se arvorarem o direito de não reconhecer a ascensão moral que um companheiro pode ter alcançado. Tal reconhecimento se mostra deveras dolorido, em razão da pequenez espiritual, do orgulho, da inveja e do ciúme que ainda habitam em nós. É preciso muita elevação para agir como João Batista agiu com relação a Jesus, primos carnais que eram…

Tratando especificamente do ocorrido com o Mestre, Allan Kardec explica que “tanto menos podia Jesus escapar às consequências deste princípio, inerente à natureza humana, quanto pouco esclarecido era o meio em que ele vivia, meio esse constituído de criaturas voltadas inteiramente à vida material. Nele, seus compatriotas apenas viam o filho do carpinteiro, o irmão de homens tão ignorantes quanto eles e, assim sendo, não percebiam o que lhe dava superioridade e o investia do direito de os censurar. Verificando então que a sua palavra tinha menos autoridade sobre os seus, que o desprezavam, do que sobre os estranhos, preferiu ir pregar para os que o escutavam e aos quais inspirava simpatia”.

Diante de tudo o que foi apresentado, pode-se aferir que a criatura corpórea, material, por estar amplamente envolta pelos sentidos carnais, praticamente apaga o ser espiritual, percebido somente pelos espíritos. Novamente nas palavras de Allan Kardec, .“depois da morte, nenhuma comparação mais sendo possível, unicamente o homem espiritual subsiste e tanto maior parece, quanto mais longínqua se torna a lembrança do homem corporal. É por isso que aqueles cuja passagem pela Terra se assinalou por obras de real valor são mais apreciados depois de mortos do que quando vivos. São julgados com mais imparcialidade, porque, já tendo desaparecido os invejosos e os ciosos, cessaram os antagonismos pessoais. A posteridade é juiz desinteressado no apreciar a obra do espírito; aceita-a sem entusiasmo cego, se é boa, e a rejeita sem rancor, se é má, abstraindo da individualidade que a produziu”

Dessa forma, esforcemo-nos por ascender espiritualmente, ainda, mesmo e enquanto encarnados, livrando-nos de julgamentos precipitados com relação às demais criaturas, circunstâncias, fatos ou acontecimentos.

Façamos a nossa reforma íntima também nesse sentido, expurgando de nós os sentimentos inferiores de inveja das conquistas dos outros, de ciúme com relação ao próximo, de orgulho em não reconhecer os méritos e conquistas espirituais alheios, de cegueira quanto aos esforços das outras pessoas.

Tenhamos a humilde elevação de “dar a César o que é de César”, no que se refere aos méritos dos demais, reconhecendo as conquistas morais das pessoas, não importa quem elas sejam, se distantes ou próximas.

Não nos esqueçamos, no entanto, que, em essência, somos todos oriundos do mesmo seio, o do Pai Criador. Quanto mais rápido introjetarmos as virtudes em nós, nas nossas atitudes para conosco e para com as demais criaturas, mais rápido alcançaremos as esferas espirituais superiores.

Voltando à passagem de Jesus, é evidente que um espírito da sua envergadura – pertencente às esferas mais elevadas da Espiritualidade, o plasmador do planeta – jamais agiria de modo a renegar ou menosprezar sua mãe e seus irmãos na carne. O que o Mestre fez foi nos ensinar que há diferença entre parentesco material e espiritual, que há famílias espirituais, nas quais se reúnem os que se afinam em ideias e sentimentos, e que existem as corporais, que são provisórias, embora importantes instrumentos para o desenvolvimento moral do espírito.

Renato Confolonieri

Fonte: Espiritismo na Rede

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Parto no Plano Espiritual

Suely Caldas Schubert

Muitas vezes, embora os ensinamentos que a Doutrina Espírita nos oferece, chegamos a pensar que o Mundo Espiritual é algo etéreo, fluido, sem nenhuma constituição material. Esse pensamento advém dos conceitos errôneos, desta e de outras vidas, que trazemos de outras religiões a respeito do “céu”.

Vejamos alguns trechos sobre “parto” na espiritualidade:

Ao fazer um atendimento, juntamente com Oscar, a uma senhora desencarnada, que tentava libertar-se dos liames perispirituais, sem conseguir, debatendo-se muito angustiada, Miranda deu-se conta de que ela desencarnara em adiantado estado de gestação, mantendo junto a si a presença do Espírito-feto, que se encontrava adormecido após a morte orgânica, todavia imantado ao corpo da mãe. Inseguro quanto ao que deveria fazer solicitou a ajuda do mentor que, ao constatar o quadro sugeriu que deveriam primeiramente adormecer a gestante, para depois realizarem o parto (Transição Planetária, Manoel P. de Miranda).

A cena que se seguiu bem que poderia ser denominada de “parto espiritual”. Com a palavra o amigo Miranda: Dr. Charles pediu a Ana que atendesse ao filhinho, enquanto ele aplicava recursos especiais na área do chacra coronário do pequenino, diluindo a energia densa que se foi alterando, mudando de tonalidade e de formato até diluir-se como um fio que se esgarça, sendo separadas totalmente as fibras de energia que os uniam.

Nesse comenos, observamos que a gestante movimentou-se, embora adormecida, e expeliu uma espessa massa informe, como se fora o parto. Logo nos demos conta que se tratava da condensação mental de ambos, filho e genitora, acumulada no útero, em cujo claustro desenvolvia-se a gestação. A partir desse momento, o seu sono tornou-se tranquilo, sendo encaminhado por Ana pra uma das áreas especiais e dali seria levado para uma comunidade infantil. Vários aspectos desse caso merecem algumas reflexões.

Pessoalmente sempre me comoveram as desencarnações violentas e traumáticas de mulheres em gestação. Ficava a conjecturar qual seria o atendimento à gestante e ao Espírito a ela ligado, no processo reencarnatório que não chegara a termo. Perguntava-me como ficariam esses Espíritos, passando por essa experiência dolorosa. Sentiriam a própria morte e daquela que lhe seria mãe? E em relação a esta, por sua vez passaria igualmente por esse mesmo processo? Como se daria o desligamento entre ambos?

As indagações ficavam sem respostas, porém, muitas suposições ocorriam aos estudiosos dessa área, todos buscando as explicações sempre elucidativas da Doutrina Espírita e dentro da lógica notável a que nos habituamos. Ao mesmo tempo aguardávamos as orientações dos benfeitores espirituais, sempre trazendo elucidações avançadas, adiante do tempo.

Eis que o próprio Manoel Philomeno de Miranda traz a lume uma excelente obra, “Painéis da Obsessão” (1983), de sua autoria espiritual, em que relata um fato extraordinário, que eu denominei de “cesariana realizada no plano espiritual”. Devido exatamente a esse caso, escrevi um artigo com esse título, publicado na revista “O médium” de Juiz de Fora, no bimestre de março/abril de 1985.

Embora existam diferenças entre as duas ocorrências, a da gestante desencarnada pelo tsunami (Transição Planetária) e a que está no livro citado acima, existem pontos semelhantes que, sobretudo, atestam a misericórdia divina que atende a todas as criaturas, conforme seus méritos, suas necessidades, ao arbítrio das Leis Divinas. Para que os leitores e leitoras se instruam com o caso em pauta, transcrevo aqui os pontos principais, conforme meu artigo.

O autor narra, pois, no livro “Painéis da Obsessão”, acima citado, no capitulo 16, a desencarnação de uma senhora em adiantado estado de gravidez, em um desastre provocado por obsessores. A cena é chocante como chocante são os acontecimentos do passado que culminaram na sua morte e na morte do filhinho na presente reencarnação. Miranda relata o atendimento e o socorro espiritual que receberam.

Embora não fosse possível evitar ou desviar o curso da trama dos obsessores, em razão dos débitos passados e do comportamento do presente, mãe e filho tiveram a proteção espiritual que fizeram por merecer. A gestante, sem se dar conta do desastre, após ser liberada juntamente como filhinho dos liames carnais, passou a sentir dores sendo, então, conduzida para o centro cirúrgico de um hospital na esfera extrafísica. Adormecida foi submetida a uma “cesariana”, tal qual conhecemos na Terra e o recém-nascido foi colocado no leito ao seu lado.

Surpreso, Miranda recebe a explicação do fato por meio da palavra de um de seus instrutores na referida obra, o Dr. Lustoza, que esclarece: (…) em muitos casos de gestantes acidentadas, em avançados meses de gravidez, em que ocorre, também, a desencarnação do feto, é de hábito nosso, quando as circunstâncias assim nos permitem, proceder como se não houvesse sucedido nenhuma interrupção da vida física.

Em primeiro lugar, porque o Espírito, em tais circunstâncias, quase sempre já se encontra absorvido pelo corpo que foi interpenetrado e modelado pelo perispírito, no processo de reencarnação, merecendo ser deslindado por cirurgia mui especial para poupar-lhe choques profundos e aflições várias, o que não se daria se permanecesse atado aos despojos materiais, aguardando a consumpção deles.

É muito penoso este período para o ser reencarnante, que pelo processo da natural diminuição da forma e perda parcial da lucidez, é colhido por um acidente deste porte e não tem crédito para a libertação mais cuidadosa. Quando isto se dá, os envolvidos são, quase sempre, irmãos calcetas, inveterados na sandice e na impiedade que sofrem, a partir de então, demoradamente, as consequências das torpezas que os arrojam a esses lôbregos sítios de tormentos demorados.

No caso em tela, o pequenino se desenvolverá como se a reencarnação se houvera completado, crescendo normalmente, participando das atividades compatíveis aos seus vários períodos em Institutos próprios, que os amigos conhecem. Outros esclarecimentos são prestados pelo Dr. Lustoza, mas convém encerrar por aqui, com as palavras de Miranda, em uma reflexão pessoal: Vivendo ainda muito próximos dos interesses humanos e considerando ser a vida física uma cópia imperfeita da espiritual, compreender-se-á que, nesta última se encontram todos os elementos da primeira, embora a recíproca não seja verdadeira. (Painéis da Obsessão)

Essa frase de Philomeno de Miranda sintetiza perfeitamente a premissa básica de todos os temas concernentes à conduta do ser humano, da sua vida prática, especialmente no âmbito material, tratados à luz do Espiritismo. Que fique bem claro: tudo o que existe na Terra, como obra do homem, é uma cópia imperfeita do que existe no mundo espiritual.

Portanto, a ciência, por mais avançada e por maiores conquistas que apresente nada mais expressa do que a realidade preexistente na esfera espiritual, o mesmo sucede em relação a invenções, descobertas, progresso da medicina, ideias “novas” que surgem etc.

Suely Caldas Schubert

Fonte: Parto no Plano Espiritual (kardecriopreto.com.br)

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Muitos Pedem e Não Recebem

Orson Peter Carrara

MUITOS PEDEM E NÃO RECEBEM

Com a sabedoria que lhe é peculiar, Emmanuel está sempre nos surpreendendo. Referindo-se a Thiago 4:3: “Pedi e não recebeis, porque pedis mal (…)”, cita as rogativas irrefletidas como as facilidades econômicas, as posições de evidência ou as expressões de poder e autoridade. Em outros casos, comenta, pedimos cessação das lutas purificadoras, as providências descabidas, entre outros pedidos que não levam em conta as necessidades que todos trazemos. Em muitos casos, como comenta, se atendidos, alguns pedidos deslocariam o equilíbrio.

É então que traz a referência de Thiago: “(…) muitos pedem e não recebem, porque pedem mal (…)”. E acrescenta que tais pedintes, por não serem atendidos, partem para acusações e revoltas, abandonando inclusive as preces, esquecendo que o não atendimento é misericórdia de Deus.

No último parágrafo, no entanto, ele conclui: Tais anulações de pedidos não pensados “Impedem que os pedintes vagabundos sejam criminosos, auxiliando-os a preservar a paz de seu próprio futuro”. É que muitos pedidos comprometem o futuro, já que nem sempre temos o panorama completo. Não se assuste com o uso da expressão pedintes vagabundos. A palavra vagabundo significa aquele que perambula sem destino e não tem o sentido pejorativo que normalmente utilizamos.

Estamos sempre aprendendo com Emmanuel. Reflitamos no que pedimos. Podemos estar sendo incoerentes, inconvenientes e pior, comprometendo nosso futuro. A lição em referência tem o título de Más rogativas e está no livro Trilha de Luz (edição IDE).

Orson Peter Carrara

Fonte: Kardec Rio Preto

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Como conviver com as tentações?

Francisco Rebouças

COMO CONVIVER COM AS TENTAÇÕES?

“Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”– (Tiago, 1:14.)

Iniciamos este nosso artigo, recorrendo ao dicionário da língua portuguesa para entender o significado da palavra “Tentação”, conforme segue: Substantivo feminino. Atração por coisa proibida. Movimento íntimo que incita ao mal. Desejo veemente.

Os Espíritos Superiores atendendo às questões formuladas pelo codificador da Doutrina Espírita, sobre o assunto, esclareceram-nos nas perguntas abaixo, extraídas de O Livro dos Espíritos que seguem.

712 – Com que fim pôs Deus atrativos no gozo dos bens materiais?

“Para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e para experimentá-lo por meio da tentação.”

– Qual o objetivo dessa tentação?

“Desenvolver-lhe a razão, que deve preservá-lo dos excessos.”

Se o homem só fosse instigado a usar dos bens terrenos pela utilidade que têm, sua indiferença houvera talvez comprometido a harmonia do Universo. Deus imprimiu a esse uso o atrativo do prazer, porque assim é o homem impelido ao cumprimento dos desígnios providenciais. Mas, além disso, dando àquele uso esse atrativo, quis Deus também experimentar o homem por meio da tentação, que o arrasta para o abuso, de que deve a razão defendê-lo.

713. Traçou a Natureza limites aos gozos?

“Traçou, para vos indicar o limite do necessário. Mas, pelos vossos excessos, chegais à saciedade e vos punis a vós mesmos.”

714. Que se deve pensar do homem que procura nos excessos de todo gênero o requinte dos gozos?

“Pobre criatura! Mais digna é de lástima que de inveja, pois bem perto está da morte!”

– Perto da morte física, ou da morte moral?

“De ambas.”

O homem, que procura nos excessos de todo gênero o requinte do gozo, coloca-se abaixo do bruto, pois que este sabe deter-se, quando satisfeita a sua necessidade. Abdica da razão que Deus lhe deu por guia e quanto maiores forem seus excessos, tanto maior preponderância confere ele à sua natureza animal sobre a sua natureza espiritual. As doenças são, ao mesmo tempo, o castigo à transgressão da lei de Deus.

Parece-nos claro que o desenvolvimento da razão é algo, imprescindível, ao indivíduo para que atenda ao impositivo da Lei Maior, que estabelece que todo excesso é desnecessário, principalmente, em relação aos bens materiais que nos levam ao abuso indiscriminado desses recursos, causando prejuízos não só à sociedade como também a nós mesmos.

Por essa razão, o dinheiro, o poder, a evidência pessoal e etc podem representar obstáculos difíceis de serem vencidos e se tornarem causas de quedas e atrasos em nossa caminhada rumo à felicidade e a paz de espírito que tanto almejamos desfrutar um dia, conforme nos mostra a história da humanidade onde o que não faltam são exemplos de personalidades ilustres, em todos os setores da vida humana, que se deixaram arrastar pelos prazeres ilusórios das tentações.

Precisamos atentar para as instruções que os Emissários Superiores nos falam também sobre o papel da razão, que representa o equilíbrio e se alcança com o desenvolvimento da inteligência que Deus nos concedeu para o nosso crescimento intelectual, moral, e espiritual conforme podemos observar nas questões seguintes.

780. O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?

“Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente.” (192-365)

– Como pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral?

“Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.”

Peçamos a Deus, na prece ensinada por Jesus que “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”, não nos esquecendo dos desafios que, muitas vezes, entendemos por mal e que, na verdade, são oportunidades necessárias ao nosso equilíbrio e quitação dos débitos contraídos diante das sábias e justas Leis Divinas.

Encerrando este artigo com as palavras de Emmanuel no capítulo 88 do livro Religião dos Espíritos conforme segue.

“…Recorda, porém, que toda dificuldade é teste renovador. Todos somos tentados na imperfeição…”

A única fórmula clara e segura de vencer, no teste contra as influências inferiores, será sempre, o que for, com quem for e seja onde for, esquecer o mal e fazer o bem.

Francisco Rebouças

Fontes:  Espiritismo na Rede

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Romances psicografados são melhores?

Gabriela Dias

O romance é um gênero literário que traz uma narrativa em prosa, ficção, conto ou novela.

Os romances espíritas têm por objetivo trazer ensinamentos, lições e respostas de uma forma mais leve e prática, através de narrativas e personagens, baseadas em histórias verídicas ou não (no caso de uma ficção, por exemplo), nos auxiliando na compreensão dos ensinamentos da Doutrina Espírita.

Comumente, entre os apreciadores da literatura espírita, observamos o seguinte questionamento: essa obra é psicografada? ou seja, ela foi ditada por um espírito através da psicografia ou foi o próprio autor que a escreveu? E muitos, diante da negativa à essa pergunta, perdem o interesse pelo livro sem nem ao menos examinar seu conteúdo.

Enquanto adeptos da Doutrina Espírita, não estaríamos caindo em contradição ao dar mais atenção a obras psicografadas em detrimento de obras que não o são? Não estaríamos nos interessando mais pelo misticismo do que pelo espiritismo, de fato?

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XXI, no item 10, Kardec nos aconselha em nota:

Em geral, “desconfiai das comunicações que trazem um caráter de misticismo e de estranheza ou que prescrevem cerimônias e atos bizarros; então, há sempre um motivo legítimo de suspeição.”

Não devemos nos apegar tanto aos misticismos e aos fenômenos mediúnicos, mas ao ensinamento que aquele conteúdo nos traz. A Doutrina Espírita não deve ser palco e seus adeptos não devem ser protagonistas de manifestações de misticismo que pouco agregam e sempre devem ser questionadas.

Se hoje lemos, estudamos e temos capacidade intelectual para escrever sobre assuntos ligados à Doutrina Espírita, devemos esperar o desencarne para ditar o que sabemos a um médium (algumas vezes com menos instrução) para que nossas palavras tenham credibilidade?

Vejam, não se trata de dizer que uns são melhores que os outros por terem mais instrução em nível de conhecimento terreno, material, mas de questionarmos e avaliarmos um trabalho por seu conteúdo doutrinário e não descredibilizá-lo por não ter diretamente um espírito por trás pois, assim, ignoramos o fato presente em O Livro dos Espíritos, na questão 459, onde os espíritos ao serem questionados por Kardec se os Espíritos influem nossos pensamentos e ações, respondem:

“Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”

Assim sendo, todos somos médiuns e, ainda que o trabalho não tenha sido concebido através da psicografia, todo conteúdo que busca instruir e disseminar as leis de amor e caridade pode e, provavelmente foi também inspirado, mesmo que de uma forma inconsciente.

No livro O Que é o Espiritismo, durante diálogo com o visitante Kardec elucida que:

“(…) Fazer a crítica de um livro não é necessariamente condená-lo. Aquele que empreende essa tarefa, deve fazê-la sem ideias preconcebidas. Mas, se antes de abrir o livro já o condenou em seu pensamento, seu exame não pode ser imparcial.”

A crítica se aplica tanto ao lado “negativo”, quando ao “positivo” quando julgamos que um romance é melhor por ter sido concebido através da psicografia.

Analisando ainda mais, se considerarmos bom um romance simplesmente por ter sido psicografado e não nos atentarmos a seu alinhamento doutrinário, como identificaremos possíveis contradições com o espiritismo e até mesmo processos obsessivos? (Sim, mesmo os médiuns psicógrafos que já exercem sua mediunidade de forma ostensiva e trabalham há anos podem ser obsidiados.)

Em Armadilhas da Obsessão, a autora Rafaela Paes de Campos nos explica que:

“(…) a obsessão não é fruto apenas da inferioridade de certos espíritos, mas também, fruto de um descuido do obsidiado, que se deixa levar pela negatividade de pensamentos e sentimentos, abrindo portas imensas para que esses espíritos menos esclarecidos exerçam seu poderio.”

Dessa forma, devemos sempre analisar o conteúdo dos livros sem nos apegar aos misticismos e à possível fama do médium que, independente do tempo que já atua, não detém o conhecimento absoluto da verdade. E, se acha que detém, precisamos desconfiar ainda mais pois, em O Livro dos Médiuns, no capítulo XXIII, intitulado Da Obsessão, Kardec nos explica como os diversos tipos de obsessão podem se manifestar e nos esclarece sobre a fascinação:

A” fascinação tem consequências muito mais graves. É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium, e que paralisa de alguma forma seu julgamento com respeito às comunicações. O médium fascinado não crê ser enganado. (…)”

Portanto, torna-se imprescindível o cuidado e o critério imparcial daqueles que avaliam uma obra durante seu processo de publicação, impedindo que venha a público conteúdos duvidosos que visam apenas o retorno material. E a nós, leitores e amantes dos romances espíritas, cabe o dever de não julgar o livro apenas pela capa ou pela psicografia, mas passar os livros pelo crivo da razão e não desconsiderar o conhecimento e os ensinamentos que nos são oferecidos.

Gabriela Dias

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 365° edição, 2009, p. 202.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillion Ribeiro. Rio de Janeiro, RJ, FEB, 84° edição, 2003, p. 246.

KARDEC, Allan. O Que é o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. Araras, SP, IDE, 74° edição, 2009, p. 13.

CAMPOS, Rafaela Paes de. Armadilhas da Obsessão. Campos dos Goytacazes, RJ, Editora Letra Espírita, 1° edição, 2020, p. 24.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 85° edição, 2008, p. 209.

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Falar e Fazer

Aldevair David

Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não (…) (1)

Sem dúvida deverá sempre existir entre a fala e a ação uma certa coerência, até para que o falante tenha alguma credibilidade.

É certo que esta é a forma ideal de fazer, porém, não existem perfeitos no mundo em que habitamos. Os seres aqui são classificados pelos espíritos superiores como imperfeitos e bem distantes da perfeição, por isso o que ainda predomina no mundo é o mal, fruto do que cada um produz com a sua condição moral a ser aperfeiçoada.

Entender a condição que nos nivela nesse mundo, a de espíritos atrasados moralmente, não nos dá o direito de fazer o que queremos, pois mesmo não tendo total consciência do que fazemos, respondemos por nossos atos, pensamentos e sentimentos perante a lei divina, essa lei que está em nossa consciência e nos mostra sempre o certo e o errado. Nossas paixões nos aconselham mal, ainda cedemos aos impulsos de fazer o que nos agrada, o que nos dá prazer mesmo que em detrimento do outro.

Muitos justificam que não se aventuram a falar do bem porque ainda não são bons, que não opinam sobre a luz uma vez que ainda tateiam em alguma escuridão, então, transformam-se em críticos de plantão, dizendo que não sendo perfeitos aqueles que falam, não deveriam ter a ousadia de se colocarem à frente dos outros para ensinar. Não há dúvida de que nenhum falante possui em plenitude todas as virtudes sobre as quais fala, mas isso não é motivo decisivo para não o fazer, tendo em vista que ao fazê-lo estão recordando para si mesmos os seus deveres morais para com a vida e os seus irmãos. Comenta o codificador do espiritismo que, “se Deus não houvesse concedido a palavra, senão aos que são incapazes de dizer coisas más, haveria mais mudos que falantes”. (2)

Compreendemos que o ideal é que nos esforcemos para sermos melhores, assim, o que estivermos falando encontrará abrigo na alma de quem nos ouve porque vem de um coração sincero que está procurando melhorar-se, se falamos sem desejar nossa própria corrigenda, a hipocrisia provocará irritação e repulsa. Somente a sinceridade de propósitos dará autoridade moral àquele que fala.

Vejamos o Modelo e Guia da humanidade, Jesus, ao procurar seguir os seus ensinamentos, verdadeiramente falaremos com sincero amor e real desejo do bem.

A LUZ QUE ILUMINA A PALAVRA VIRÁ SEMPRE DO EXEMPLO.

Adelvair David

Fonte: Agenda Espírita Brasil

Referências:

(1) Mateus, 5:37; e

(2) O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap XXIV, item 12.

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A Alegria dos Outros

Momento Espírita

Um jovem, muito inteligente, certa feita se aproximou de Chico Xavier e indagou-lhe:

Chico, eu quero que você formule uma pergunta ao seu guia espiritual, Emmanuel, pois eu necessito muito de orientação.

Eu sinto um vazio enorme dentro do meu coração. O que me falta, meu amigo?

Eu tenho uma profissão que me garante altos rendimentos, uma casa muito confortável, uma família ajustada, o trabalho na Doutrina Espírita como médium, mas sinto que ainda falta alguma coisa.

O que me falta, Chico?

O médium, olhando-o profundamente, ouviu a voz de Emmanuel que lhe respondeu:

Fale a ele, Chico, que o que lhe falta é a “alegria dos outros”! Ele vive sufocado com muitas coisas materiais. É necessário repartir, distribuir para o próximo…

A alegria de repartir com os outros tem um poder superior, que proporciona a alegria de volta àquele que a distribui.

É isto que está lhe fazendo falta, meu filho: a “alegria dos outros”.

* * *

Será que já paramos para refletir que todas as grandes almas que estiveram na Terra, estiveram intimamente ligadas com algum tipo de doação?

Será que já percebemos que a caridade esteve presente na vida de todos esses expoentes, missionários que habitaram o planeta?

Sim, todos os Espíritos elevados trazem como objetivo a alegria dos outros.

Não se refere o termo, obviamente, à alegria passageira do mundo, que se confunde com euforia, com a satisfação de prazeres imediatos.

Não, essa alegria dos outros, mencionada por Emmanuel, é gerada por aqueles que se doam ao próximo, é criada quando o outro percebe que nos importamos com ele.

É quando o coração sorri, de gratidão, sentindo-se amparado por uma força maior, que conta com as mãos carinhosas de todos os homens e mulheres de bem.

Possivelmente, em algum momento, já percebemos como nos faz bem essa alegria dos outros, quando, de alguma forma conseguimos lhes ser úteis, nas pequenas e grandes questões da vida.

Esse júbilo alheio nos preenche o coração de uma forma indescritível. Não conseguimos narrar, não conseguimos colocar em palavras o que se passa em nossa alma, quando nos invade uma certa paz de consciência por termos feito o bem, de alguma maneira.

É a Lei maior de amor, a Lei soberana do Universo, que da varanda de nossa consciência exala seu perfume inigualável de felicidade.

Toda vez que levamos alegria aos outros a consciência nos abraça, feliz e exuberante, segredando, ao pé de ouvido: É este o caminho… Continue…

* * *

Sejamos nós os que carreguemos sempre o amor nas mãos, distribuindo-o pelo caminho como quem semeia as árvores que nos farão sombra nos dias difíceis e escaldantes.

Sejamos os que carreguemos o amor nos olhos, desejando o bem a todos que passam por nós, purificando a atmosfera tão pesada dos dias de violência atuais.

E lembremos: a alegria dos outros construirá a nossa felicidade.

Redação do Momento Espírita, com base em relato sobre episódio da vida de Francisco Cândido Xavier, de autor desconhecido, e que circula pela Internet

Fonte: G.E. Casa do Caminho de S. Vicente

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