A Psicologia do Espírito

A Psicologia do Espírito – Adenáuer Novaes

…O desafio de apresentar uma psicologia do Espírito é por de mais audacioso, principalmente considerando os limites da percepção humana. Porém, é preciso tentar romper as barreiras provocando o próprio Espírito a fim de que decrete sua liberdade e a ampliação da “visão” sobre si mesmo.
Não se trata de rever o “olhar” humano sobre si mesmo, mas de buscar um outro ângulo de percepção. Os séculos de predomínio da “visão”, tendo o corpo como identidade e a matéria como paradigma, não permitiram que se buscasse mudar o foco, isto é, deixar de tentar encontrar o espírito na intimidade da matéria para se perceber um Espírito que a usa.
… O campo do Espiritismo, pela “visão” mais ampla, oferece possibilidades de se encontrar uma compreensão mais essencial do Espírito. Considero que é possível à Ciência chegar às mesmas conclusões do Espiritismo, porém é necessário que ela abdique da visão do corpo, qual Tirésias que, mesmo cego do corpo, apresenta suas percepções transcendentes diante dos deuses.
…Embora não haja limites para o saber, compreendo que o há para minha capacidade de entender o Universo, a Vida e o Espírito. Quanto mais nos debruçarmos sobre nós mesmos, mais cedo encontraremos o deus que mora em nós e ao Criador da Vida. Por esse motivo não alcancei a totalidade da compreensão sobre o significado essencial do Espírito.
…É necessário avançarmos na direção do Espírito e na busca da superação dos próprios limites de percepção. Entender-se Espírito é tão ou mais importante quanto perceber o espírito.
Independentemente das conceituações expressas ao longo da história do ser humano e das definições que foram dadas sobre ele mesmo, há que se considerar a maravilha que é sua realidade e a beleza de sua existência. Acima de tudo e de todas as concepções sobre o ser humano, ele é a alma de Deus.
…Quando me refiro a Espírito não estou me referindo à pessoa desencarnada portadora de uma personalidade e perispiritualmente constituída. Estou analisando o ser em si; aquilo que constitui a parte não material e não perispiritual do ser; ao que, na questão 23 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, consta como “O princípio inteligente do Universo.

O Espírito, enquanto ser que sobrevive à morte,
dotado de personalidade singular, se encontra atualmente
assumindo sua cidadania nas ciências acadêmicas. Sua existência, provada e tornada consciente pelos estudiosos da alma humana, agora necessita ser compreendida em sua intimidade. A Psicologia do Espírito pretende avançar em busca da essência divina e de sua constituição.
Dotado de capacidades múltiplas, na maioria desconhecidas, o Espírito tem sua estrutura subdividida pela ciência e pelo próprio ser humano quando quer entender-se a si mesmo. A grande maioria das capacidades do Espírito é transferida para o cérebro e demais partes do corpo humano ,sem que se tenha o cuidado de comprovar ou de dar-se ao trabalho de testar outras hipóteses até mais consistentes.

Reforma íntima.

Pressupõe um processo de transformação efetiva que inclui a aquisição do conhecimento gradativo das leis de Deus.
Não se trata de simples modificação no comportamento, mas educação emocional, intelectual e espiritual. A reforma íntima é um trabalho de conhecimento de si mesmo que permite a ocorrência cotidiana de transformações na forma de construir as próprias idéias e de vivenciar as emoções.

Pensamento.

Produto da necessidade de comunicação, a qual procede do Espírito.
Sua elaboração ocorre pela conexão entre emoções que recebem o influxo do Espírito.
É matéria que nasce no perispírito.
Ele é traduzido através de palavras, sinais, mímica, alterações orgânicas, bem como por todo o tipo de ação humana.
Diferente do instinto que procede do corpo, o pensamento origina-se da mente que o emite com ou sem a consciência do ego.
As idéias são reuniões de pensamentos que se agrupam por similaridade.

Tempo.

Muito embora para a psiquê o conceito de tempo saia da esfera real e interpenetre-se com o de espaço, é preciso entendamos que ele na verdade contém uma idéia associada ao movimento e à sucessão de eventos.
É inegável que a percepção da existência do tempo advém do processo de transformação que se verifica com a matéria, que não é fruto apenas da visão do ser humano.
A identidade do Espírito com o corpo é que permite estabelecer a idéia do tempo.
A palavra tempo resume a idéia da dinâmica externa da Vida. Embora haja tempo para as transformações da matéria, no Espírito ele se torna extremamente diferente e não pode ser contado da mesma forma que o fazemos, isto é, tomando o Sol como referência.
Há um tempo na psique assim como existe um tempo relativo na Física. Esse tempo serve como referencial para uma busca ou para a sensação de crescimento pessoal.
Não existem segundos, nem horas, nem dias, tampouco anos ou séculos. Na psiquê há só processamento de informações e sentimentos para a aquisição ou não das leis de Deus pelo Espírito.
O Espírito vive um eterno presente.
O ego não só se situa no tempo como sua existência está intrinsecamente a ele ligado. O Espírito evolui, porém o tempo de evolução é o de seu ego. Tudo que ocorre no psiquismo se dá ao mesmo instante em face das conexões com os resíduos de eventos passados, como se o tempo fosse único e real.

Vida.

Vida (com V maiúsculo) compreende todos os processos que se referem ao espírito enquanto personalidade no corpo ou fora dele.
A Vida compreende todos os processos em que o ser humano se envolve consciente ou inconscientemente.
Abrange as existências sucessivas do espírito tanto quanto suas próximas encarnações. Refere-se também à providência divina bem como às leis universais que interagem com o espírito.
Embora haja muitas vidas no corpo, só há uma Vida para o Espírito.
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Concebido por Deus o Espírito contém um arranjo virtual
que promove automaticamente reconfigurações estruturais à medida que ele evolui.
Essas reconfigurações o capacitam a novas possibilidades de apreensão das leis de Deus.
Ele se assemelha a um diamante com seu especial arranjo atômico que lhe dá a característica estética peculiar e com uma consistência própria. …………………………………………
…Deve-se entender que o Espírito não é bom nem mau, visto
que esses adjetivos se devem aos sistemas culturais existentes na
humanidade, criados pelo próprio espírito na sua necessidade em
evoluir.
O Espírito em si foi criado simples e ignorante dotado da
capacidade de apreender as leis de Deus. Essa simplicidade o
coloca na condição de acoplar-se à estrutura material mais simples.
A ignorância é sua condição de desconhecimento total das leis de Deus.
O ser humano, portanto espírito, nessa condição já não é mais simples nem ignorante.
Por mais que expressemos conceitos sobre o que é o Espírito para que nossas idéias sejam alcançadas há uma pelo menos que deve ser de antemão compreendida:
você que me lê é um Espírito. Crendo ou não, essa é sua condição essencial.
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…Estar consciente de algo nem sempre é ter consciência de
si mesmo.
O Espírito está sempre consciente, porém nos
primórdios de sua evolução não tem consciência de si nem de
Deus. Seu caminho é o da busca pela consciência de si e aquisi-
ção das leis de Deus a partir desse estado.
Pode-se pensar no Espírito como um campo virtual, como
foi dito antes, que promove as necessárias reconfigurações na
psiquê como também em sua percepção de mundo. Em si, o
Espírito contém uma realidade virtual e não corpórea.
O Espírito não se forma da configuração ou disposição espacial da matéria,mas ele mesmo é uma estruturação flexível de Deus, que o concebeu como Sua expressão.
Em outras palavras o Espírito não se depreende da matéria nem ela dele. Não é produto da evolução material, mas evolui com a matéria. Prescinde dela para existir,porém não a dispensa para evoluir.
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O perispírito com suas funções é a alma do corpo físico.
Ele lhe dá substancia, muito embora não seja responsável direto
pelo seu funcionamento. Ele é uma estrutura acessória do corpo
físico, tanto do ponto de vista energético como psicológico.
Minha abordagem será voltada para o aspecto psicológico
dessa estrutura, a qual parece responder por todas as funções do
Espírito e é seu meio de ligação com o Universo enquanto ele não
se depurar o suficiente para tornar-se Espírito Puro.
Há um limite do saber para o ser humano. Sua estrutura
psíquica lhe impõe condicionantes. É necessário que se proceda
a reestruturação de seus modos de concepção e apreensão da
realidade para que ele alcance novo nível de conhecimento, quer
na Terra ou fora dela.

Não basta saber ou aprender intelectualmente.
As experiências devem ser vividas e internalizadas a cada momento.
O perispírito exerce influência decisiva nesse processo.
É ele o psiquismo do Espírito.

Evolução do Espírito

O Espírito foi criado simples e ignorante, como consta na
questão 115 de “O Livro dos Espíritos”. Sua evolução se dá através das experiências no contato com a matéria. Através delas o
Espírito apreende o conhecimento das leis de Deus, capacitando-se a novos desafios em sua jornada rumo a perfeição, ou seja,
à condição de Espírito Puro.
As aquisições do Espírito adjetivadas como amor e sabedoria encerram mais do que o conteúdo formal das palavras.

O Espírito evolui reconfigurando-se, capacitando-se a melhor
entender e viver no Universo. Sua evolução significa capacidade
de lidar com o que Deus dispôs. Necessariamente não significa
adquirir grande quantidade de informações.
Os primeiros estágios do Espírito, ainda como Princípio
Espiritual, no contato com a matéria, lhe proporcionarão, através
de sua contraparte, o perispírito, a aquisição de condições para
apreensão das leis de Deus.
A matéria, tal como concebida pela ciência e constante em nosso psiquismo, não é sólida como nos parece. Tampouco é constituída de minúsculos corpúsculos apenas visíveis microscopicamente. Ela se torna perceptível quando sobre ela aplicamos nossa observação. Isso quer dizer que ela se torna sólida ao ser observada. Ela assim nos parece por que a vemos e percebemos dessa forma, mas ela não é assim. Essa forma com que Deus dispôs o mundo permite ao Espírito evoluir considerando-se ligado à matéria.

É da comunhão dos dois princípios que surge a evolução.
Nos primórdios da evolução, ainda sob o domínio completo do automatismo, o Princípio Espiritual, pelo seu estado embrionário, provoca, no contato com aquilo que lhe constitui a
matéria, a aquisição da sensação. Durante o tempo necessário à fixação em si mesmo das leis que lhe permitem aprender a manter o contato com o mundo externo, o Princípio Espiritual permanecerá ligado às sensações fisico-químicas.
Esse é o período do contato com as construções minerais, bem como com aquelas formas de características transitórias. O Princípio Espiritual está nessa fase se capacitando à manipulação dos fluidos, em particular daquele que será o fluido vital.

Da sensação ele passa à percepção. Esta será apreendida
nos contatos discriminatórios com os vários tipos de sensações.
A partir dessa perspectiva a matéria será percebida de formas
variadas mesmo que ela seja uma única coisa em si. A seletividade
da sensação, que o faz diferençar e perceber vários tipos de matéria é fruto de seu próprio desenvolvimento interno. Essa percepção lhe permitirá futuramente estabelecer a diferença entre sua essência e a de outrem. É aí o momento em que a individualidade começa se estruturar.
Na percepção o Princípio Espiritual desenvolve em si o sentido da alteridade e se percebe um ser no mundo. É o período em que estará estagiando no contato com formas vegetais.

Da percepção passa à compreensão e daí ao estabelecimento dos juízos. Nesse momento o Princípio Espiritual penetra nos domínios da valorização da vida e vive o período em que experimentará os medos, principalmente o da morte.
É o estágio marcado pela vida animal. O prazer e o medo estarão presentes nesse período e farão com que o Princípio Espiritual apreenda a noção de livre-arbítrio.
No psiquismo forjado ao longo de sua evolução já é possível a captação de imagens, a formação de idéias, o estabelecimento de valores, bem como as noções superiores da Vida.

…Deus parece que endereça o ser humano ao caminho da busca pelo seu equilíbrio emocional.

Toda a cultura, todo o saber,toda a racionalidade, toda a sabedoria, bem como todo o intelecto,podem levar o ser humano a dar passos muitos largos em sua evolução, porém jamais o farão sentir a Vida em sua beleza e sua generosidade.

Por mais que conheça o mundo e o Universo, ninguém chegará ao cume da evolução sem aprender a sentir emoções
e a educá-las nas relações com seus semelhantes.

Os fenômenos mediúnicos são decorrentes das propriedades do perispírito, afetam o organismo físico e são provocados pela ação dos espíritos. Não são ocorrências inusitadas nem raras,
pois se dão a todo o momento e nas diversas condições
ambientais.

Da mesma forma que a fala, a mediunidade não é mais do que um sistema de comunicação entre os espíritos. Não representa
nada de excepcional a não ser para aqueles que não compreendem
a natureza dos espíritos.

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…O Espírito foi criado simples e ignorante, como consta na questão 115 de “O Livro dos Espíritos”. Sua evolução se dá através
das experiências no contato com a matéria. Através delas o
Espírito apreende o conhecimento das leis de Deus, capacitando-
se a novos desafios em sua jornada.

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…A reencarnação ou o contato do Espírito com o corpo animal possibilita a apreensão de capacidades excepcionais, porém
não se pode afirmar em que estágio do caminho ele se encontra.
É apenas um momento da evolução, não sendo início, nem meio,
tampouco o fim. O que virá pela frente, nos milhões de anos adiante,
continua sendo incógnito.

A evolução é também um contínuo aprendizado do Espírito na manipulação da matéria. Em todas as fases que atravessa terá que desenvolver habilidades para lidar com formas organizadas
de matéria a seu serviço. Na fase hominal ele deve aprender
a usar o corpo físico, dotado de um sistema central complexo,
agora mais flexível e apropriado à apreensão das leis de Deus.

No período mais primitivo, já na fase humana, ele não tinha consciência de si e perambulava meio perdido tentando ajustar e organizar
o pensamento descontínuo que ressoava em seu cérebro.
O corpo físico é a máxima expressão possível que o Espírito
pode mostrar de si mesmo no estágio evolutivo em que se
encontra.

Quanto mais evoluído, mais complexa será sua expressão na matéria. Essa complexidade quer significar também habilidades sensoriais e extra-sensoriais incomuns.a rumo a perfeição, ou seja,
à condição de Espírito Puro.

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...As inteligências definidas pela ciência como capacidades intelectivas, longe de serem meros campos de avaliação do saber, se aproximam, embora que de forma acanhada, das faculdades
do espírito.
Poderíamos redefinir inteligência como uma aptidão do espírito,
a qual resume grande número de funções independentes,
tais como:

imaginação, memória, atenção, conceituação e raciocínio, dentre outras.

Ela resulta da aprendizagem através da formação de hábitos oriundos dos condicionamentos reflexos bem como da livre expressão do Espírito na utilização de seu livrearbítrio.
É uma função complexa de adaptação ao mundo onde a
consciência se torna cada vez mais capaz de compreender, criticar
e decidir sobre uma nova situação.

Inteligência é a capacidade de ordenar, organizar e utilizar os pensamentos e emoções em proveito próprio.

É a capacidade de reunir procedimentos adequados para fazer coisas. Uma inteligência é a capacidade de resolver problemas ou de criar situações que sejam valorizadas
dentro de um ou mais cenários culturais.
Modernamente já se admite as múltiplas inteligências, porém
devemos entender que se tratam de conceitos que servem
para denominar algumas capacidades do Espírito.

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.…Estamos assistindo as mudanças de paradigmas no que diz respeito aos conceitos sobre o conhecer, o saber e o pensar.

Estamos percebendo que há uma mente que pensa e uma que sente, ou pelos menos a mente é capaz de conhecer, saber, pensar,
também se emocionar, dentre outras capacidades.

O centro da consciência certamente está se deslocando do cérebro para o coração. Segundo os hindus a sede da consciência está na altura
do chakra cardíaco.
Agora a fórmula para o sucesso pessoal é a combinação
do pensamento racional agudo com o controle e o conhecimento
emocional.

Torna-se imprescindível para isso aprender a educar a ira, a ansiedade, a melancolia ou os ímpetos agressivos.

As empresas modernas estão exigindo, além de um bom currículo, sentido de cooperação, entusiasmo para encontrar as saídas de
um problema, calma e, principalmente, bom senso.

.: 1. Refeições moderadas: comer de duas a três refeições por dia, em intervalos regulares;

2 Praticar o bom humor e a alegria espontânea, começando em casa, antes de sair ao trabalho, preferencialmente logo ao acordar;

3 Construir um bom ambiente de trabalho, com ótima iluminação, cores vivas e, se possível, música ambiente;

4. Buscar o sono profundo, evitando trabalhar no próprio quarto de dormir, acostumando-se a acordar à mesma hora;

5. Ter uma conversa diferente a cada dia com alguém. …. As emoções, ou melhor, “o espírito que nos move”, são poderosos elementos direcionadores e organizadores do pensamento.

As emoções situam-se nas camadas profundas do psiquismo inconsciente e ativam determinantes sentimentos na
consciência. Elas produzem energia à espera de movimento adequado.
Governam a nossa vida inconsciente e consciente sem
que nos demos conta.

Agora …se demonstrar … maiores interesses vamos ao livro.paz e luz

 

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