A CASA DO CAMINHO

A CASA DO CAMINHO

Nubor Orlando Facure

Os apóstolos permaneciam até altas horas da madrugada em atendimento sem descanso, acompanhados por seguidores e voluntários que se entusiasmavam com o novo tipo de trabalho caridoso, que se inaugurava naquele povo após a partida do Mestre Nazareno.

Acolhia-se, sem qualquer exigência, gente de várias regiões da Judéia, da Galileia até a Síria.

Necessidades inadiáveis, perturbações mentais, limitações dos paralíticos, convulsivos atormentados, lamentos com a perda de parentes muito amados, notícias sobres Jesus enquanto andou pelo mundo, relatos de perseguições religiosas, medo da mão vingativa do soldado romano, dores de todas naturezas.

Eram distribuídos alimentos, uma porção de trigo, vasilhas com água, frutas escassas, limpeza dos corpos com os óleos, ajustes das sandálias desgastadas, tarefas de amparo e assistência espiritual.

A rotina incluía a oração do Pai Nosso, a leitura das escrituras e relatos de passagens inesquecíveis com o Senhor que os apóstolos testemunharam, principalmente os seus encontros a mesa com eles, depois da crucificação comprovando que a vida segue adiante após o túmulo.

Jesus permanecia vivo no coração de todos.

Certo dia, a chuva havia passado e, ao final de tanto trabalho Pedro assenta para descanso, quando, aproxima-se dele um jovem que começa a indagar o apóstolo.

Vejo sua força no trabalho, seu interesse em dividir as lembranças do Mestre, sua fé na sobrevivência de Jesus, a clareza com que descreve seus momentos com Ele, me surpreende saber, porém, que o negaste por 3 vezes.

Como se explica porque fracassastes nesses momentos?

Pedro pegou nas mãos limpas e ainda não calejadas do jovem entrevistador e perguntou:

E você, quantas vezes o teria negado?

Veja bem:

Ele não veio destruir a Lei

Mas, fez tantas mudanças que a Lei depois Dele jamais seria a mesma

Ele e nós trabalhamos no sábado

Curou cegos de nascença mesmo com a proibição da Lei

Assentou com mulheres de má fama e permitiu que lhes tocasse as vestes

Conviveu com ladrões

Sem se comprometer com falta alguma

Disse que o menor será o maior no Reino dos Céus

Teve a ousadia de se mostrar como o Filho preferido do Senhor, que perdoava em Seu nome

Que Ele era o caminho

Que Isaías se referia a Ele como o enviado divino para salvar o Seu povo amado

Que devemos amar aos inimigos

Dar-lhes duas de nossas túnicas se nos pedirem uma

Oferecer a outra face se nos agredirem o que significa nunca revidar

Que o maior mandamento era o amor a Deus e ao próximo

Que a caridade dispensa a ostentação

Que um centavo pode ser mais para Deus que toda uma fortuna

Que não se deve fazer aos outros o que não queremos que nos façam

Negou ser o Rei dos Judeus porque o seu reino não é desse mundo

Que não precisamos de Templos para nos dirigir a Deus

Quantos de nós, meu jovem, por milênios ainda vamos negar, negar e negar 3 vezes as propostas do Mestre

Nubor Orlando Facure

Fonte:  Portal Casa Espírita Nova Era

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