Obsessão e Drogas

O FATOR OBSESSIVO NO ABUSO DAS DROGAS

Publicado por Amigo Espírita

Artigo de Luiz Carlos Barros Costa

É preciso muito cuidado com os pensamentos e os comportamentos humanos que possam gerar culpa. O processo se instala nas malhas sutis do corpo espiritual e desencadeia os transtornos e, entre eles, os de natureza obsessiva.

Passo aos leitores um caso especial de tratamento às dependências de drogas.

Sou carcereiro de uma especializada de repressão aos entorpecentes, principalmente ao tráfico. Conheci Zenão como investigador daquela unidade policial, pessoa de ótimos princípios morais.

Pai de família, conduta irrepreensível, sem quaisquer vícios, dois anos depois naquele desafiador trabalho, não era mais o mesmo. Movido por fatores que desconhecia, iniciou a ingestão de alcoólicos e, a seguir, tornou-se usuário de drogas em escala sempre crescente.

Sensibilizado com a aguda transformação do colega, e com um quadro intenso de dependência química, sem qualquer antecedente comportamental, passei a orientá-lo sobre possível tratamento espiritual no centro espírita em que atuo como médium.

Continuamente fornecia-lhe informações a respeito das perturbações espirituais que contribuem, de forma vigorosa, à usança das drogas ou outras condutas, superestimando-as.

Dissertava sobre o processo do tratamento da fluidoterapia e dos benefícios da água fluidificada, assim como da conquista indispensável de novas ideias e imagens, de natureza superior, como forma de estabelecer ligação com ondas mentais dos Espíritos Superiores.

Quando o colega registrou um problema intenso de natureza cardíaca, numa crise sem precedentes, com comportamentos tidos como psicóticos, sem qualquer correspondência nos exames clínicos realizados, despertou para os meus aconselhamentos diuturnos. Algo estranho lhe acontecia, não conseguia encontrar a sua personalidade anterior.

Passou a participar das reuniões no centro espírita, com atendimentos aos dependentes, num dos bairros da capital paulista. Na entrevista, tomou conhecimento de que seria necessário realizar mudanças importantes em sua vida.

Deveria entrevistar-se, uma vez por semana, com um médico que atendia os dependentes, num tratamento intitulado ambulatorial. Também deveria seguir rigorosa atenção à prescrição da medicação corretora e dedicar-se uma vez por semana às reuniões com um psicólogo nas terapias em grupo.

Recebeu um livro intitulado O Evangelho segundo o Espiritismo para ser lido todos os dias, antes de se deitar e ao se preparar para o novo dia. Passou a receber passes magnéticos, em dias alternativos, bem como sorver água fluidificada para renovação lenta e gradativa dos componentes perispirituais comprometidos com as drogas ingeridas.

Escolheu o dia e horário para a instalação do estudo do Evangelho no seu lar, o que foi realizado por quatro semanas e, a seguir, continuou a atividade renovadora, com o auxílio das obras complementares da Doutrina, com psicografias de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco.

Foi informado que o grupo espírita iria produzir reuniões de vibrações espirituais para o seu lar e, especialmente, ao seu complicado estado de dependência. Essas reuniões foram orientadas pelo Espírito de São Luís a Allan Kardec, Revista Espírita 1863, p. 5.

Em Paris, foi registrada a internação de uma moça sem motivo determinado pelos médicos, com um quadro que a levaria a morte física. A orientação era precisa: um grupo de pessoas com reconhecidos atributos morais deveria se reunir na Sociedade Pariense de Estudos Espíritas, por trinta dias, em horário determinado, com vibrações intensas àquela pessoa.

As palavras da orientação eram marcantes: “Por tal meio podereis neutralizar o fluido mau que a envolve.” Após quinze dias a paciente ficou restabelecida e voltou às suas atividades normais.

Zenão teve duas recaídas, porém não mais voltou às drogas quando tomou conhecimento, através de uma das aulas na casa espírita, sobre o conteúdo da pesquisa de Carlos de Brito Imbassahy.

Esse estudioso ensina que as drogas como a cocaína e outras similares atuam diretamente nos campos bioenergéticos, com imediatas gravações no perispírito (corpo espiritual que reveste o Espírito), cujas deformações são transmitidas às próximas encarnações.

Também aprendeu que o uso dessas drogas é cumulativo no processo de deterioração estrutural do corpo espiritual, muito mais grave em relação aos efeitos já conhecidos no corpo físico, do que se concluiu que o maior malefício causado pelo vício é aquele provocado nos campos da alma e não apenas nas consequências patológicas observadas pela ciência.

Conforme orientação espiritual solicitou mudança de trabalho, passando a constituir uma equipe de plantão no Distrito Policial de seu bairro, com uma responsabilidade maior quanto ao comportamento, pela visibilidade constante com pessoas de seu conhecimento.

Incorporou-se às atividades do Centro Espírita, com estudos regulares e atividades assistenciais, no que foi acompanhado pelos componentes do colégio familiar, do que lhe resultou enorme alegria pelo reencontro consigo mesmo, numa panorâmica muito mais esperançosa.
Não se registra uma infinidade de dependências insolúveis, sem qualquer êxito, mesmo com a brilhante atuação de equipes competentes e catedráticos na recuperação aos dependentes?

Quais as causas do sucesso do tratamento espiritual?

Mesmo sem qualquer internação nas clínicas especializadas, as causas mais evidentes do sucesso da recuperação de Zenão foram as seguintes.

Primeira: o colega policial é possuidor de dons mediúnicos, com marcantes sensibilidades espirituais. Quando a pessoa os possui e se deixa levar pelas induções às drogas, o retorno ao normal é muito difícil, pela intensa vivência espiritual com os espíritos desencarnados igualmente dependentes. Eles produzem indescritível domínio a fim de que possam se alimentar do vício herdado na vida terrena, embora sitiados no mundo espiritual.

Segunda: com a aceitação dele e de sua família de que o tratamento espiritual era o único recurso, a vivência espírita renovou-lhes os conceitos e finalidades da vida, sem qualquer resistência.

Terceira: com a fluidoterapia foram desarticulados os campos escuros e infelizes através dos quais espíritos doentios e perseguidores instalavam-se na estrutura espiritual do investigador Zenão.

Quarta: as lições evangélicas e doutrinárias determinaram uma mudança radical nas fotografias espirituais que ficam gravadas no centro de força frontal (vulgarmente chamado de testa, parte anterior da cabeça). Houve uma substituição das horrendas formas de destruição e dor, levando-o a fixação de painéis superiores e a correspondente ambientação com vibrações mais sutis. Durante o sono não mais foi induzido às sombras, mas ao contrário, às colônias espirituais de elevação, onde se processam os apoios aos encarnados na escola bendita da Terra.

Quinta: as vibrações espirituais produziram camadas fluídicas protetoras com penetração nas dobras mais sutis do espírito e do seu corpo espiritual, chamado de perispírito, com produções profundas de bem-estar e estímulo.

Sobre a sexta causa há uma explicação necessária.

Imantado pelo trabalho de repressão às drogas, mas muito próximo com as tristes dependências, foi identificado por um espírito que foi sua vítima na vida terrena anterior. Para conquistar a herança somente para ele, fez-se amigo de seu irmão (mas com o qual tinha antipatias extremas).

Com muita habilidade levou-o ao mundo do alcoolismo e após, às drogas, inventando mentiras para a sua infelicidade emocional. Com a morte do irmão solteiro, conseguiu aumentar ainda mais a sua fortuna.

Um Espírito vingativo fixou em Zenão a culpa por seus atos de outrora e o domínio espiritual restou facilitado, com o apoio de quinze desencarnados dependentes, facilitado pelos dons espirituais do seu algoz.

Depois de várias reuniões mediúnicas, após diálogos constantes com o Espírito, ferrenho inimigo espiritual, convenceu-se de que deveria buscar o seu caminho evolutivo, até porque, numa de suas vidas, na Roma antiga, havia perseguido até a morte física o seu rival.

É o mesmo. Na atual reencarnação é chamado de Zenão. Vieram como irmãos para renovarem-se moralmente, mas a vingança foi realizada, frustrando-se a programação divina.

Rompido o liame espiritual de opressão, com a sequência de novos comportamentos, mais espiritualizados, conseguiu o reequilíbrio. Atualmente, Zenão é um dos mais novos médiuns da Casa Espírita e começa a treinar seus conhecimentos para a tribuna espírita.

A família acompanha-lhe as atividades renovadoras e a paz familiar é o seu grande incentivo para continuar, de forma sempre ascendente, a conquista de novos degraus evolutivos.

O Espírito de Joanna de Ângelis ditou ao médium Divaldo Pereira Franco o livro: Encontro com a Paz e a Saúde. Na página 124, há uma lição memorável:

“Ninguém consegue atingir um nível de consciência mais elevado, enquanto se encontre moralmente aprisionado nos compromissos negativos que procedem das experiências anteriores.”

Dr.Luiz Carlos Barros Costa (Fernandopolis/SP) é  membro da Rede Amigo Espírita, é Delegado Regional de Polícia aposentado,Vice Presidente e Diretor de Doutrina da Associação Espírita “Missionários da Luz”, Presidente da Use Intermunicipal Espírita de Fernandópolis – SP, Professor do Curso de Direito na Unicastelo : Universidade Camilo Castelo Branco de Fernandópolis – SP, Divulgador e Expositor da Doutrina Espírita.

e-mail: lubacosta@terra.com.br

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Entrevista com JORGE HESSEN

Postado por Carlos Pointier

O Codificador do Parácleto

Jorge Hessen, nascido no Rio de Janeiro a 18/08/1951, aposentado do INMETRO, residente em Brasília desde 1972. Formado em Estudos Sociais com ênfase em Geografia, Bacharel e Licenciado em História pela Universidade de Brasília- Unb.

Membro fundador do Posto de Assistência Espírita (DF), jornalista, historiador e escritor. Autor dos livros “Luz na Mente”, “Praeiro, um Peregrino nas Terras do Pantanal”, “Anuário Histórico Espírita 2002”( coletânea de diversos autores e trabalhos históricos de todo o Brasil, coordenado pelo Centro de Documentação Histórica da União das Sociedades Espíritas de São Paulo – USE ). Autor de 22 (vinte e dois) livros eletrônicos (E Books), todos traduzidos em Madri (espanhol), 2 (dois) traduzidos em Paris (francês) e 1 (um) traduzido para o inglês  (publicados pelo portal Autores Espíritas Clássicos), conforme o link: http://www.autoresespiritasclassicos.com/Apostilas/Artigos%20Espiri…

O Codificador do Parácleto:  Por que se tornou Espírita?

Jorge Hessen: Entrei no orbe espírita estimulado por incontida investigação da Verdade cristã. Como não encontrava respostas noutras doutrinas cristãs busquei o Espiritismo e ele a tudo me respondeu.

O Codificador do Parácleto:  O que lhe mais lhe impressionou na Doutrina Espírita?

Jorge Hessen: Desde a primeira hora, fiquei maravilhado com a cautela, o bom senso, a habilidade de síntese e o acervo cultural de Allan Kardec. Procurei conhecer a biografia do professor Rivail. Percebi que estava diante de um gênio. Seu labor se consubstanciou na Terceira Revelação e obviamente isso foi fundamental para inspirar a minha paixão pelo Espiritismo.

O Codificador do Parácleto:  O que sobressai na mensagem espírita?

Jorge Hessen: O Espiritismo é o Consolador Prometido que desvenda conceitos surpreendentes sobre Deus, o Universo, os homens, a natureza e comunicação dos “mortos” com os “vivos”, a pluralidade dos mundos habitados, a reencarnação e as leis naturais que regem a vida. A Terceira Revelação acena-nos ainda com o soberano apelo para compreendermos e refletir sobre o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.

O Codificador do Parácleto:  Quais foram os momentos que marcaram sua experiência doutrinária?

Jorge Hessen:  Nesse absorvente rumo muitas vezes esbarro com as lágrimas, reflexas e resultantes da ignorância e truculência do homem hodierno; doutros momentos deparo em mim mesmo o ânimo do regozijo em razão dos grandes exemplos de amor, humildade e abnegação que identificamos  aqui e além no coração do próximo.

O Codificador do Parácleto:    O que é a Terceira Revelação para você?

Jorge Hessen:  É Ciência porque se consubstancia num conjunto reunido de informações concernentes a certas classes de eventos ou fenômenos transcendes avaliados experimentalmente, relacionados e descritos por Kardec e outros pesquisadores de renome, representado principalmente pelas obras básicas. É Filosofia sem tanger necessariamente o contexto filosófico tradicional (materialista), embora de cunho evolucionista e metafísico, pontua a necessidade de o homem ir em busca de seu autoburilamento, estimulando-o à averiguação de respostas às questões magnas da Humanidade: sua natureza, sua origem e destinação, seu papel perante a Vida e o Universo tendo como bandeira o axioma: “nascer, viver, morrer e renascer de novo, progredindo sempre, tal é a lei. ”É, por fim e sobretudo  Religião, porque propõe unir os povos em um ideal de fraternidade, preconizado pelo Evangelho de Jesus, permitido, dessa forma, que o homem se encontre com o próprio Criador, tendo como bandeira o lema:  “fora da caridade não há salvação.”

O Codificador do Parácleto:  O Espiritismo precisa ser atualizado sob o ponto de vista científico?

Jorge Hessen: Fundamentalmente é importante ressaltarmos que o Espiritismo não tem incondicional necessidade da ciência terrena, pois como nos adverte Emmanuel na primeira questão da obra O Consolador: “Essa necessidade de modo algum pode ser absoluta. O concurso científico é sempre útil, quando oriundo da consciência esclarecida e da sinceridade do coração. Importa considerar, todavia, que a ciência do mundo se não deseja continuar no papel de comparsa da tirania e da destruição, tem absoluta necessidade do Espiritismo, cuja finalidade divina é a iluminação dos sentimentos, na sagrada melhoria das características morais do homem.”  Eis aí o meu pensamento.

O Codificador do Parácleto:  Qual é a sua mensagem àqueles que incorrem ao fanatismo religioso espírita?

Jorge Hessen: O espírita sincero precisa compenetrar-se da oportunidade, no tempo e no ambiente, com relação aos assuntos doutrinários no seu tríplice aspecto, porquanto, qualquer inconsideração nesse particular, pode conduzir a fanatismo abominável, sem nenhum caráter construtivo.

Herculano Pires já advertia sobre o igrejismo que assolava as hostes espíritas. Entendo que a FEB é roustanguista , por impor nos seus Estatutos o Parágrafo único , item III , Art. 1º  que “além das obras básicas a que se refere o inciso I, o estudo e a difusão compreenderão, também, a obra de J.-B. Roustaing e outras subsidiárias e complementares da Doutrina Espírita.” Desta forma,  o louvor das obras de Roustaing na FEB tem pervertido a racionalidade espírita no Brasil. Desconheço espíritas  mais maníacos do que os roustanguistas.

Pelo exposto, entendo que no Brasil seja imprescindível a criação URGENTE de uma Confederação Espírita (longe de Roustaing), a fim de unir concreta e racionalmente os corações dos espíritas em torno do eminente Kardec, considerando sempre o Espiritismo em seu tríplice aspecto. Para esse desígnio compete aos atuais jovens espíritas e as lideranças contemporâneas se movimentarem a fim de concretizarem tal projeto.

O Codificador do Parácleto:  Deveria ser acelerada a propagação do Espiritismo pelo mundo?

Jorge Hessen: Não deve ser apressada a expansão e a propaganda espírita. Não há necessidade imediata. A organização do Espiritismo está nas mãos de Jesus, antes de qualquer esforço incerto e volúvel de nossa parte. É imprescindível estudarmos e aplicarmos os ensinamentos do Mestre à luz do Espiritismo, pois nossa tarefa maior deve ser da própria iluminação através de uma fé racional , inabalável e serena. Ademais, devemos oferecer aos serviços da propaganda doutrinária a cota de tempo de que possamos dispor, entre os trabalhos diário do ganha pão e o cumprimento dos deveres familiares. Para Emmanuel,  a execução dessas obrigações é sagrada e urge não cair no declive das situações parasitárias, ou do fanatismo religioso.

No trabalho da propaganda da verdade, Jesus caminha antes de qualquer esforço humano e ninguém deve guardar a pretensão de converter alguém, quando nas tarefas do mundo há sempre oportunidade para o preciso conhecimento de si mesmo.

O Codificador do Parácleto: Suas considerações finais?

Jorge Hessen: Espíritas!  Em favor da unidade entre nós,  repudiemos os conceitos equivocados que nos dividem, a exemplo do misticismo roustanguista febiano   e esquadrinhando em Allan Kardec a segura orientação doutrinária para melhor compreendermos Jesus.

Rede Amigo Espírita

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O Espiritismo necessita retornar às suas origens primordiais

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Após a desencarnação de Allan Kardec o Movimento Espírita francês e mundial sucumbiu, devido à imaturidade doutrinária de Pierre G. Leymarie. A  ele foi incumbido a administração do espólio da família de Kardec e teve a obrigação de sustentar a propagação do Espiritismo, mas ao invés disso mistificou a propaganda doutrinária,  e para descrédito do Espiritismo  teve que amargar uma cadeira por comprovadas fraudes veiculadas na Revista Espirita. Leymarie era um apaixonado praticante da Teosofia de Blavatsky e defendia as ridículas obras de J.B. Roustaing e para variar era deslumbrado pela maçonaria, ora, com tal “curriculum vitae”, as suas atuações suscitaram o desfalecimento do Movimento Espírita mundial.

Cinco décadas após a desencarnação de Kardec, nos primórdios do século XX, houve um surto de renascimento do Movimento Espírita francês e mundial até os meados da década de 1920, graças às lideranças de Leon Denis, Gabriel Delanne, Gustave Geley e Camille Flammarion, desaparecendo, porém, rapidamente, quando esses quatro baluartes desencarnam. Logo após, durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu desmontagem e quase o total aniquilamento do Movimento Espírita nas plagas de Kardec. Sobre esse cenário, André Luiz indagou ao Espírito Gabriel Delanne: “qual a opinião acerca do Espiritismo, na França?”.  Delanne respondeu: “Não nos é lícito dizer haja alcançado o nível ideal (…) mas, complementando que legiões de companheiros da obra de Allan Kardec reencarnaram, não só na França, porém igualmente em outros países, notadamente no Brasil, para a sustentação do edifício kardequiano”.[1]

Sobre o translado do “Espiritismo” para o Brasil, estamos convencidos de que a transposição da respetiva  “direção” do Movimento Espírita mundial, da França para o Brasil, sobreveio após a desencarnação dos quatros baluartes supramencionados, no período entre o final da década de 1920 e o início da década de 1930, aliás, coincidindo com o início da missão mediúnica de Francisco Cândido Xavier. Antes desse período, o Espiritismo que era praticado no Brasil seguia o modelito Laymareano , portanto, obrigatoriamente inspirado pela teosofia e pelo roustanguismo, introduzido e apoiado por Luiz Olímpio Teles de Menezes, em seguida liderado pela entidade (edificada a partir do Grupo “Confúcio”) que decidiu  autoproclamar-se “mãe” das instituições espíritas do Brasil.

Retornemos à França. O Movimento Espírita francês voltou a se recuperar com certa debilidade por volta dos anos de 1950 e 1960 em razão do regresso ao país de alguns espíritas que residiam no Norte da África (Argélia, Marrocos) e começaram a retornar para a terra de Kardec, arriscando remontar o Movimento Espírita. Nesse sentido, sob a batuta de Roger Perez houve uma breve “oxigenação”  do Movimento Espírita francês, porém, a bem da verdade, nunca se recuperou, pelo menos em Paris.  

Hoje há diferentes núcleos espíritas no interior da França, mas sem as características daquelas propostas por Allan Kardec. Sobre isso, recebi de notícias de Charles Kempf, um líder espírita francês, residindo na França e participando do Movimento Francês desde os anos 1990, afiançando-me que as dificuldades continuam as mesmas até hoje, por  causa do personalismo exagerado de alguns dirigentes, e desinteresse pessoal na atuação no movimento. Tudo isso por falta de estudo das obras básicas da codificação.

Do exposto, pois, indagamos:  quais os desafios para o progresso  do Espiritismo?  Segundo  Gabriel Delanne (Espírito) a divulgação e o progresso do Espiritismo na Terra terão de efetuar-se de pessoa a pessoa, de consciência a consciência. A verdade a ninguém atinge através da coação. A verdade para a alma é semelhante à alfabetização para o cérebro. Um sábio por mais sábio não consegue aprender a ler por nós. Talvez esse “progresso” do processo de propaganda espírita seja moroso demais para a Humanidade, mas, ainda segundo Delanne (Espírito), uma obra-prima de arte exige, por vezes, existências e existências para o artista que persegue a condição do gênio. Como acreditar que o esclarecimento ou o aprimoramento do espírito imortal se faça tão-só por afirmações labiais de alguns dias? [2]

César Perri, ex-presidente da FEB, no Brasil, lembra-nos que muitos espíritas e diversos dirigentes jamais leram obras psicográficas de Chico Xavier (não consultam as fontes primárias – os livros), pois estão presos anos seguidos à estudo de “apostilas”. A liderança “oficial” do movimento espírita brasileiro não acompanha a expansão da base, ou seja, dos centros espíritas. Há muito a ser realizado para a compreensão da união entre os espíritas – como laço moral, solidário e espiritual. O respeito à diversidade das situações e condições dos centros espíritas, e o conhecimento dessas realidades para o melhor atendimento e apoio às reais demandas das diversificadas instituições. O trabalho de união deve ser constantemente adequado às bases do movimento, ou seja-os centros espíritas. [3]

Em suma, cremos que o progresso da Doutrina dos Espíritos não advirá por meio de lideranças federativas, com insuficientes lastros morais, hierarquizadas, emblemáticas e mercantilistas. Aliás, para quem conhece as opiniões de Leopoldo Cirne , após sua saída voluntária da FEB, identificará muitos  pontos convergentes que esteamos  cá no artigo.

Nossa proposta,  e eis aí o grande desafio,  será a propagação do Espiritismo no interior do centro espírita através do intercâmbio fraterno do “boca a boca”, “pessoa a pessoa”, “consciência a consciência”, “ombro a ombro”, sem total necessidade das algemas burocráticas impostas pelas “autoridades” e lideranças federativas “oficiais” , quase sempre sem os lastros de amor e humildade. Lideranças “oficiais”  que nada mais fazem do que digladiarem entre si na busca de poderes, de mandos , desmandos e apropriação indébita da coordenadoria do Movimento doutrinário,  que deve ser livre, categoricamente distante dos ranços ultramontanistas da pretensa “casa mãe” dos espíritas.

Inspirado em Herculano Pires reafirmamos que o Espiritismo no Brasil não terá salvação se permanecer sob o tacão das diretrizes oriundas do sofisticado colégio cardinalício (CFN) e das hierarquias impostas pelos ditos órgãos oficiais.  Razão pelo qual o Espiritismo necessita retornar às suas origens primordiais (pré-desencarnação de Kardec) que é a SIMPLICIDADE! Ou seja: sem absoluta necessidade de concessionárias “oficiais”[4].

 Referências bibliográficas

[1]XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA Waldo. Entre irmãos de outras terras, Entrevista realizada pelo espírito de André Luiz com o espírito de Gabriel Delanne, RJ: Ed. FEB, 1970

[2] idem

[3]Disponível em http://www.autoresespiritasclassicos.com/Apostilas/Artigos%20Espiri…

[4] que não tem nada a ver com a presumida Comissão Organizadora do Espiritismo, segundo Allan Kardec.

Rede Amigo Espírita

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Mensagens psicografadas sempre são autênticas?

Entrevista de Richard Simonetti sobre Mensagens Psicografadas

O estudioso, palestrante e escritor Richard Simonetti nos dá importantes esclarecimentos sobre esse tema muito polêmico no meio espírita, mas também com repercussões no meio “não espírita”.

 “Restabelecer verdades é agravar a animosidade dos que apoiam a hipocrisia e seu desassombro não pode provocar a sinceridade dos que se distanciam das boas intenções…”

(Chico Xavier – Arthur Joviano)

Pérolas de sabedoria – Vinha de Luz

 1 – Após o falecimento de Chico Xavier, inúmeros médiuns vêm recebendo mensagens atribuídas a mentores espirituais que o assistiam, como Emmanuel e André Luiz.  Como encarar esse fenômeno?

 S. – Com estranheza. Não estão impedidos esses espíritos de se manifestarem, porquanto não constituem propriedade de Chico Xavier. Não obstante, até para evitar dúvidas conturbadoras e críticas depreciativas, acredito que adotariam outro nome, considerando quanto aprendemos com Kardec que o importante é o conteúdo da mensagem.

 2 – Obedecendo a este critério, como situar mensagens atribuídas ao espírito Emmanuel, como tem ocorrido com alguns médiuns?

 S. – Especificamente, em se tratando de Emmanuel, duvidarei de sua autenticidade, ainda que de teor aceitável, porquanto, segundo informações do próprio Chico, ele reencarnou em 2000, no interior do Estado de São Paulo. E é altamente improvável que, em processo reencarnatório, estivesse disposto a marcar presença mediúnica com novas mensagens.

 3 – Como ficamos se o médium é respeitável e leva a sério seu trabalho?

 S. – Isso não o exime de erro quanto à identidade do espírito, refletindo até mesmo o desejo inconsciente de receber mensagens de  determinada personalidade. Aí entraria o processo anímico, não quanto à mensagem, que até pode ser boa, mas quanto à autoria.

 4 – Não pode ocorrer que o próprio espírito dê o nome de alguém ilustre para ser melhor aceito?

 S. – Sem dúvida. Em “O Livro dos Médiuns”, há uma manifestação de razoável conteúdo atribuída a Bossuet (1627-1704), teólogo francês. Consultado, o espírito de São Luiz, um dos mentores de Kardec, explicou que era uma manifestação apócrifa. Posteriormente, o próprio espírito que a produziu, confessou: “Eu desejava escrever alguma coisa, a fim de me fazer lembrado dos homens. Vendo que sou fraco, entendi de apadrinhar o meu escrito com o prestígio de um grande nome”. Quando lhe perguntaram se não imaginasse fosse a fraude descoberta, respondeu: 

“Quem sabe lá, ao certo? Poderíeis enganar-vos. Outros menos perspicazes a teriam aceitado”.

 5 – Você diria  que está faltando perspicácia para identificar mensagens apócrifas?

 S. – Quem o diz é Kardec, ao comentar esta manifestação: “De fato, a facilidade com que algumas pessoas aceitam tudo o que vem do mundo invisível, sob o pálio de um grande nome, é que anima os espíritos embusteiros. A lhes frustrar os embustes é que todos devem consagrar a máxima atenção; mas a tanto ninguém pode chegar, senão com a ajuda da experiência adquirida por meio de um estudo sério. Daí o repetirmos incessantemente: Estudai antes de praticardes, porquanto é esse o único meio de não adquirirdes experiência à vossa própria custa”.

 6 –  E quanto às mensagens atribuídas a Chico Xavier?

 S. – Chico, obviamente, não está impedido de manifestar-se. Se isso ocorresse, suas virtudes seriam um castigo, não uma vantagem, ele que recebeu milhares de comunicações, que psicografou centenas de livros.

 7 –  Fala-se numa senha que Chico teria deixado para autenticar suas mensagens…

 S. – Acho complicado uma senha, porquanto poderia ser desconhecida dos médiuns, mas não dos espíritos. Um mistificador inteligente poderia facilmente capturá-la na mente de seus depositários. Melhor atentar ao conteúdo.

 8 – Considerando sob esse ponto de vista, que sejam aceitáveis as mensagens que um médium receba de Chico, deveriam ser divulgadas?

 S. – Aqui está o “X” da questão. Geralmente são dirigidas a um círculo íntimo de pessoas que conviveram com ele. Dar-lhes divulgação é temerário, até porque estarão sujeitas às limitações do médium e distanciadas do potencial do espírito. Há um provérbio chinês: “Cala-te ou fale algo que valha mais que o teu silêncio”. De Chico, publiquemos o que for mais importante do que ele psicografou ao longo de seu apostolado mediúnico, como um acréscimo, não como um decréscimo na forma e no conteúdo.

 Fonte: Revista Internacional de Espiritismo.

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A mensagem: O Credo de Eurípedes Barsanulfo

A mensagem: O Credo de Eurípedes Barsanulfo

O Credo de Eurípedes  “CREIO que não temos nossa causa em nós mesmos; que existe acima do homem e superior à natureza um Ser Pensante, Infinito, Eterno, Imutável, um Supremo Legislador; que a existência de um Criador, de uma Razão primitiva, é um fato adquirido pela evidência material dos fatos, que o Universo não é nem surdo, nem cego; que a vida não é uma confusão sem fim, um caos informe; que tudo tem sua razão de ser, seu alvo, seu fim.

CREIO que o Nada é uma palavra vã; que a Morte não existe; que nada morre; que o ser sobrevive ao seu invólucro; que a morte não existe; que a morte não é um termo, mas. Uma metamorfose, uma transformação necessária, um renovamento; que somos eternos pela base do nosso ser; que nada do que existe pode ser aniquilado; que existiremos, porque existimos.

CREIO que não há aniquilamento, mas sempre estados sucedendo a outros estados, a eterna transmissão de outra ordem de coisas a outra, de uma economia a outra, de um serviço a outro; que tudo renasce; que tudo volta a sua hora, melhorado, aperfeiçoado pelo labor; que o nascimento não é o verdadeiro começo; que nascer não é principiar, mas mudar de figura; que nossas existências não são mais que continuações, séries, conseqüências; que o sono ou despertar, morte ou nascimento, são uma e a mesma coisa; transição semelhante, acidente previsto.

CREIO que tudo evolui e tende para um estado superior; que tudo se transforma e aperfeiçoa; que o homem marcha sempre e sempre se engrandece; que tudo rola, prolonga-se e renova-se; que a morte não é o único teatro de nossas lutas e de nossos progressos; que o universo é sem lacuna; que há mundos infinitos nesse universo infinito; que o mundo é um ponto que conduz a outro e que os há para todos os graus de crescimento.

CREIO que , saindo desta vida, não entramos em um estado definitivo; que nada se acaba neste mundo; que enquanto um destino humano tem alguma coisa a cumprir, isto é, um progresso a realizar, nada está para ele acabado ; que a morte não deve ser tomada senão como um descanso em nossa viagem; que a morte é feixe de caminhos em todas as direções do universo e nos quais efetuamos nosso destino infinito.

CREIO que DEUS não criou almas civilizadas; que a alma humana é o resultado do trabalho, que todos os homens são cidadãos da mesma pátria, membros da mesma família, ramos da mesma árvore; que todos têm origem, destino e aspiração comuns, que todos começaram a ascensão que estão somente mais ou menos altos; que os mais vis têm por lei alcançar os mais elevados.

CREIO que o homem não é o ultimo anel que une a criatura ao Criador; que não somos os primeiros depois de DEUS; que temos ao menos tantos degraus sobre a cabeça como abaixo dos pés; que a vida está em toda a parte, que a alma está em toda coisa, que o corpo envolve um espírito; que o homem não é o único; que é seguido de uma sombra; que todos , o próprio calhau miserável, tem atrás de si uma sombra, uma sombra diante deles; que todos são alma que vive, que viveu, que deve viver.

CREIO que a harmonia do Universo se resume em uma só lei; que o progresso por toda parte é para todos, para o animal como para a planta, para a planta como para o mineral; que tudo segue a mesma rotação, que tudo morre da mesma maneira e morre ultimamente; que a vida sorve todos os elementos da própria morte; que cresce por série continua de transformações infinitas, que parte do infinitamente pequeno marcha para o infinitamente grande.

CREIO que tudo que vive é encarnação; que toda evolução, toda transformação é encarnação, que as criaturas sobem no crescimento d’alma como no dos invólucros; que o homem é o espírito encarnado; que a alma não é criada ao mesmo tempo que o corpo , que ela é apenas incorporada; que a encarnação é uma lei da natureza, uma necessidade absoluta, conseqüência lógica da lei do progresso; que todo o homem é um resumo de existências anteriores, que se compõem de numerosos personagens, formando um só.

CREIO que neste universo, obra da Infinita Sabedoria, nada acontece pelo jogo do acaso; que nada se faz sem uma Soberana Justiça; que toda desordem não existe senão em aparência; que não há acaso, nem fatalidade; que as forças, leis, que ninguém pode derrogar; que todas as coisas do mundo têm ligação entre si; que nada é isolado; que o mundo material é solidário com o mundo espiritual e que ambos se penetram reciprocamente; que tudo se mantém, tudo se concorda, tudo se encadeia, e, se liga, sobre o ponto de vista moral, como físico; que na ordem dos fatos, dos mais simples aos mais complexos, tudo é regulado por uma lei.

CREIO que a lei moral é uma verdade absoluta; que a Justiça, a Sabedoria, a Virtude, existem na marcha do mundo, tanto quanto a realidade física; que não se pode transpor, sem trabalho e sem mérito, um grau na iniciação humana; que o espírito deve chegar só, por si, à verdade, e que tem de tornar-se merecedor de sua felicidade, que a felicidade para ter tido o seu preço, deve ser adquirida e não concedida.

CREIO que a vida não é um jogo, uma ilusão, que a verdadeira vida não é a que multiplica os gozos; que a felicidade tal qual a entendemos não pode existir; que é preciso que o esforço subsista neste mundo; que não estamos aqui para gozar, mas para lutar, trabalhar, combater; que a luta é necessária ao desenvolvimento do espírito, que Verdadeiro fim da vida consiste no dever que incumbe a todo ser humano de subjugar a matéria ao espírito.

CREIO que o homem é justificado não por sua fé, mas por suas obras; que a prática do bem é a lei superior, a condição ¨sine qua non¨ de nosso futuro; que a santidade é o alvo a que devem os chegar; que não se pode fazer tudo impunemente; que a felicidade e a desgraça dos homens dependem absolutamente da observação da lei universal, que regem a ordem em a natureza.

CREIO que existem um Inferno e um Paraíso filosóficos, isto é, um sistema natural que liga entre si, intimamente, as causas além e aquém do tempo; que sempre nos sucedemos a nós mesmos; que sempre determinamos, por nossa marcha presente a marcha que seguiremos mais tarde.

CREIO que o presente determina o futuro; que cada homem tece em volta de si o seu destino; que se torna sem cessar o que mereceu ser;que nenhum desvio do caminho reto fica impune; que os que dele se afastam serão a ele levados fatalmente; que o progresso é uma lei soberana a qual ninguém resiste; que não há um defeito, uma imperfeição moral, uma ação má que não tenha sua contradita e suas conseqüências naturais; que não há ato útil sem proveito, falta sem sanção; que não ação que possa sonegar-se.

CREIO que cada um deve a si mesmo sua sorte, que cada um cria as suas alegrias como as suas penas; que o homem é o seu próprio algoz; que se remunera e se pune a si mesmo; que colhe o que semeia e nutre-se do que colhe, debilitado ou fortificado pelos alimentos que ele próprio produziu; que a alma transporta em si mesma o seu próprio castigo, em todo o lugar em que possa encontrar; que o inferno não é um lugar, mas uma condição de ser, um estado da alma; que pertence a cada um de nós sair dele ou aí nos manter.

CREIO que a pena está senão na falta; que é impossível que coisas possam separar-se; que o sofrimento não é o resultado do acaso; que toda lágrima lava alguma coisa; que dor e culpabilidade são sinônimos; que o homem em evolução é tributário de seus erros e de seus maus pensamentos; que somos nós os instrumentos de nosso próprio suplicio.

CREIO que toda vida culposa deve ser resgatada; que toda falta cometida, todo mal causado é uma divida contraída, que deve ser paga no momento ou no outro, quer em uma existência quer na outra; que a fatalidade aparente, que sem eia de m ales o caminho da vida, não é senão a conseqüência do nosso passado, o efeito produzido pela causa; que a vida terrestre é ao mesmo tempo reparação e preparação; que nenhum de nós é o que deve ser e que é preciso que a razão se cumpra, que a justiça se faça e o bem seja.

CREIO que cada nova existência é um novo ponto de partida, em que o homem é aquilo que se fez; que renasce com seu débito e com seu crédito; que nada perde do que adquiriu; que o esquecimento temporário do passado é a condição indispensável de toda provação e de todo o progresso; que é preciso que o esforço seja livre e voluntário; que o conhecimento dos fatos anteriores e das sanções inevitáveis embaraçaria o homem, em lugar de ajudá-lo; que é justo e necessário que, em seu estado atual, o passado e o futuro lhe sejam ocultos.

CREIO, enfim, que a revelação é progressiva, que a verdade se desvenda sempre, segundo os tempos e os lugares; que estamos na aurora da vida consciente e que marchamos, todos, na solidariedade universal, através de vidas sucessivas para a infinita perfeição; que o futuro encerra e que tudo foi criado, tendo em vista um bem final; que o Bem é a lei do Universo e o Mal um estado transitório, sempre reparável, uma das fases inferiores da evolução dos seres para o bem ; que nada de irremediável pesa sobre nós; que tudo se apaga; tudo se dissolve; que a dor é libertadora, que nada é negro, nada é triste; que tudo acaba bem e que não se tem senão de esperar a sua hora em um mundo ou em outro.”

Eurípedes Barsanulfo, 31 de dezembro de 1913

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O INCENTIVO SANTO – Ensinamento de Jesus, na casa de Simão Pedro

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI  

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Aberta a sessão de fraternidade em casa de Pedro, Tadeu clamou, irritado, contra as próprias fraquezas, asseverando perante o Mestre:

— Como ensinar a verdade se ainda me sinto inclinado à mentira? Com que títulos transmitir o bem, quando ainda me reconheço arraigado ao mal? Como exaltar a espiritualidade divina, se a animalidade grita mais alto em minha própria natureza?

O companheiro não formulava semelhantes perguntas por espírito de desespero ou desânimo, mas sim pela enorme paixão do bem que lhe tomava o íntimo, a observar pela inflexão de amargura com que sublinhava as palavras.

Entendendo-lhe a mágoa, Jesus falou, condescendente:

— Um santo aprendiz da Lei, desses que se consagram fielmente à Verdade, chamado pelo Senhor aos trabalhos da profecia entre os homens, mantinha-se na profissão de mercador de remédios, transportando ervas e xaropes curativos, da cidade para os campos, utilizando-se para isso de um jumento caprichoso e inconstante, quando, refletindo sobre os defeitos de que se via portador, passou a entristecer-se profundamente. 

Concluiu que não lhe cabia colaborar nas revelações do Céu, pelo estado de impureza íntima, e fez-se mudo. Atendia às obrigações de protetor dos doentes, mas recusava-se a instruir as criaturas, na Divina Palavra, não obstante as requisições do povo que já lhe conhecia os dotes de inteligência e inspiração.

Sentido, porém, que a Celeste Vontade o constrangia ao desempenho da tarefa e reparando que os seus conflitos mentais se tornavam cada vez mais esmagadores, certa noite, depois de abundantes lágrimas, suplicou esclarecimento ao Todo-Poderoso.

Sonhou, então, que um anjo vinha encontrá-lo em suas lides de mercador. Viu-se cavalgando o voluntarioso jumento, vergado ao peso de preciosa carga, em verdejante caminho, quando o emissário divino o interpelou, com bondade, em seguida às saudações habituais:

— Meu amigo, sabes quantos coices desferiu hoje este animal?

— Muitíssimos — respondeu sem vacilação.

— Quantas vezes terá mordido os companheiros de estrebaria? 

— prosseguiu o enviado, sorridente — quantas vezes terá insultado o asseio de tua casa e orneado despropositadamente?

E porque o discípulo aturdido não conseguisse responder, de pronto, o anjo considerou:

— Entretanto, ele é um auxiliar precioso e deve ser conservado. Transporta medicamentos que salvam muitos enfermos, distribuindo esperança, saúde e alegria.

E fitando os olhos lúcidos no pregador desalentado, rematou:

— Se este jumento, a pretexto de ser rude e imperfeito, se negasse a cooperar contigo, que seria dos enfermos a esperarem confiantes em ti? Volta à missão luminosa que abandonaste, e, se te não é possível, por agora, servir a Nosso Pai Supremo na condição de um homem purificado, atende aos teus deveres, espalhando reconforto e bom ânimo, na posição do animal valioso e útil. nas bênçãos do serviço, serás mais facilmente encontrado pelos mensageiros de Deus, os quais, reconhecendo-te a boa-vontade nas realizações do amor, se compadecerão de ti, amparando-te a natureza e aprimorando-a, tanto quanto domesticas e valorizas o teu rústico, mas prestimoso auxiliar!

Nesse instante, o pregador viu-se novamente no corpo, acordado, e agora feliz em razão da resposta do Alto, que lhe reajustaria a errada conduta.

Surgindo o silêncio, o discípulo agradeceu ao Mestre com um olhar. 

E Jesus, transcorridos alguns minutos de manifesta consolação no semblante de todos, concluiu:

— O trabalho no bem é o incentivo santo da perfeição. Através dele, a alma de um criminoso pode emergir para o Céu, à maneira do lírio que desabrocha para a Luz, de raízes ainda presas no charco.

Em seguida, o Mestre pôs-se a contemplar as estrelas que faiscavam, dentro da noite, enquanto Tadeu, comovido, se aproximava, de manso, para beijar-lhe as mãos com doçura reverente.

Fonte – Jesus no Lar, psicografia Chico Xavier, ditado pelo espírito Neio Lúcio

Rede Amigo Espírita

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Coragem no caminho (MeiMei)

 Se chegaste aos dias anuviados de pranto, à vista de ocorrências infelizes, acende a luz da esperança e caminha adiante, olvidando na retaguarda o que te possa parecer aflição e desengano. Outro dia, com novas emoções, espera-te amanhã, renovando-te a vida. 

Circunstâncias inesperadas te deslocaram da segurança em que vivias, arrojando-te nas dificuldades do começo da existência.

Esquece quantos te surgiram por instrumentos de inquietação e lembra-te de que as oportunidades de trabalho continuam brilhando para os que não se deixam vencer pelo desânimo. 

Pessoas queridas talvez se te hajam transformado em obstáculos à paz, compelindo-te à travessia de espessas nuvens de lágrimas.

Esquece os que se acomodaram com atitudes irrefletidas e pensa nas dedicações sinceras que te felicitam as horas. Alguém a quem amas, enternecidamente, haverá falhado nos compromissos assumidos, relegando-te ao abandono.

Esquece o menosprezo de que terás sido objeto e conserva a imagem desse alguém no tesouro de tua gratidão pela felicidade que te deu e prossegue em frente, na certeza de que a vida te ofertará estradas novas para a aquisição de alegrias diferentes.

Acontecimentos calamitosos te impeliram a vacilar nos fundamentos da fé, ainda insegura.

Esquece, porém, os fatos amargos e adianta-te na jornada para diante, valorizando os recursos espirituais de que dispões, recordando que o Céu continua alentando a última planta das últimas faixas do deserto e revigorando o verme da mais oculta reentrância de abismo.

Seja qual seja o tipo de provocação que te incline ao desalento, vence o torpor da tristeza e segue para a vanguarda de tuas próprias aspirações. 

Da imensidão da noite, nascerá sempre o fulgor de novo dia. Não te permitas qualquer parada nas sombras da inércia. Trabalha e prossegue em frente, porque a bênção de Deus te espera em cada alvorecer.

Do livro : Palavras do coração, psicografado por Chico Xavier

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O esclarecimento que compromete o homem:

O futuro de volta

Postado por Antonio Carlos Navarro         

Há alguns dias atrás, assistindo a palestra semanal do Centro Espírita que trabalhamos, ouvimos o palestrante dizer que Emmanuel, o grande mentor do não menos grande Francisco Cândido Xavier, veio do futuro para nos orientar através do grande médium.

Utilizava-se, nosso querido palestrante, de uma metáfora para indicar a posição espiritual de Emmanuel, em comparação com a nossa, no sentido de mostrar o que seremos no futuro.

A propósito, já tivemos oportunidade de ouvir de um grande trabalhador do Evangelho que, quando o Senhor Jesus observa um espírito em atraso moral, encarnado ou não, ele enxerga a figura de um Emmanuel no amanhã, evidenciando a fatalidade do progresso individual.

Voltando à experiência inicial deste ensaio, lembramos, de imediato de três questões de O Livro dos Espíritos. A primeira é a de número seiscentos e vinte e dois:

Confiou Deus a certos homens a missão de revelarem a sua lei?

“Indubitavelmente. Em todos os tempos houve homens que tiveram essa missão. São Espíritos superiores, que encarnam com o fim de fazer progredir a Humanidade.”

A resposta dos Benfeitores suscita algumas elucubrações.

No que se fundamenta a vinda de Espíritos Superiores até nós para nos auxiliar?

A resposta a esse questionamento encontra-se inserida na mesma obra citada, especificamente na resposta à questão oitocentos e oitenta e oito, dada por São Vicente de Paulo, quando questionado por Allan Kardec sobre a esmola material. Discursando sobre a Caridade, como a entendia Nosso Senhor Jesus Cristo, o Benfeitor nos adverte:

“Amai-vos uns aos outros, eis toda a lei, lei divina, mediante a qual governa Deus os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados. A atração é a lei de amor para a matéria inorgânica.

Não esqueçais nunca que o Espírito, qualquer que sejam o grau de seu adiantamento, sua situação como reencarnado, ou na erraticidade, está sempre colocado entre um superior, que o guia e aperfeiçoa, e um inferior, para com o qual tem que cumprir esses mesmos deveres. Sede, pois, caridosos, praticando, não só a caridade que vos faz dar friamente o óbolo que tirais do bolso ao que vo-lo ousa pedir, mas a que vos leve ao encontro das misérias ocultas. Sede indulgentes com os defeitos dos vossos semelhantes. Em vez de votardes desprezo à ignorância e ao vício, instruí os ignorantes e moralizai os viciados. Sede brandos e benevolentes para com tudo o que vos seja inferior. Sede-o para com os seres mais ínfimos da criação e tereis obedecido à lei de Deus.”

A resposta por si só é esclarecedora; os Espíritos Superiores vêm até nós em cumprimento à Lei que vige em toda a obra divina, a Lei de Amor. Mas, assim como é esclarecedora, também traz em si o sentido de dever para nós outros, os atrasados no caminho da evolução, quando nos diz para também fazermos o mesmo com aqueles que se encontram em condições menos felizes do que a nossa.

A terceira e última questão é a de número seiscentos e vinte e cinco:

Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?

“Jesus.”

Allan Kardec comenta a resposta:

“Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava”.

Ora, se o mais perfeito modelo divino tomou para Si o encargo do socorro, urge, nesta “última hora” anunciada por Jesus, que participemos ativamente da transformação do mundo, a partir de nós mesmos, para ajudarmos na construção do Mundo de Regeneração que todos nós ansiamos por fazer parte, mas que só virá se fizermos por merecer.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Rede Amigo Espírita

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