A Obsessão e os débitos do passado

A difícil missão dos doutrinadores nas sessões mediúnicas:

 O irmão do Chico era o doutrinador…..

“O obsessor conta que foi enterrado vivo só com a cabeça para fora … besuntada com mel!”

 Certa noite, rodeados de confrades, que lhe levaram como tema os trabalhos de desobsessão, Chico, depois de aconselhá-los, falou de suas primeiras experiências neste campo:

– Quando iniciamos nossas sessões de desobsessão não tínhamos muita prática.

Apresentaram-nos, certo dia, em Pedro Leopoldo, três moças obsidiadas, que estavam hospedadas em casa de amigos, para serem tratadas em nosso grupo. Uma delas tinha o estranho hábito de mastigar vidros, o que deixava os abnegados anfitriões assustados e preocupados.

O médium observou a reação dos ouvintes e continuou:

– José, meu irmão, era o doutrinador. Iniciada a primeira série de sessões, as entidades começaram a se manifestar. Dentre elas havia antigos escravos, e um deles, o mais endurecido, manifestando-se através de um de nossos médiuns, fez pungente narrativa sobre os fatos ocorridos no tempo da escravatura, quando eles eram tratados impiedosamente pelas três jovens.

Como sinhás da fazenda, na existência passada, elas usavam a força e o poder através de cruéis capatazes. Uma delas, por motivo fútil, fez enterrar um escravo – o espírito que se manifestava – deixando apenas a cabeça fora da terra.

Em seguida mandou que a besuntassem com mel a fim de atrair os insetos. Lá permaneceu ele, sozinho, em intermináveis sofrimentos, até encontrar a morte.

Nas horas finais, em desespero ele clamava:

– Sinhá! Se existe alma depois desta vida, eu vou me vingar…

O Chico então justificou:

– Esta, entre outros dolorosos fatos do passado, era a causa da forte obsessão que acometera aquelas três moças.

E procurando encerrar a narrativa:

– As pacientes permaneceram em tratamento espiritual na nossa cidade alguns meses até que os espíritos foram esclarecidos, e elas pudessem retornar aos seus lares curadas da obsessão.

O ambiente ficara silencioso e cismarento. O médium, olhando os circunstantes concluiu o relato:

– Findo o tratamento, José me procurou o disse:

– Chico, eu não vou mais ser doutrinador.

– Por quê? Perguntei-lhe admirado. Ele, então, falou:

– Eu tomei o partido dos obsessores…

Todos, inclusive o médium, riram-se do desfecho do caso, e José, segundo o narrador, a despeito do desabafo, acabou por retornar a tarefa de doutrinador de espíritos.

(Extraído do Livro “Inesquecível Chico” de Romeu Grisi e Gerson Sestini)

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O que nos ensina a crise?

A crise econômica em nosso Brasil, assunto que em todos os instantes consta na pauta da imprensa, e do qual não se pode furtar, porquanto influencia diretamente em nossa vida, não é tema novo.

O século XX, por exemplo, produziu algumas crises econômicas. Na chamada Grande Depressão, no ano de 1929, muitos bancos e empresas estadunidenses foram à falência. Ocorre que na época da Primeira Guerra Mundial os Estados Unidos exportavam muitos produtos à Europa. Contudo, conforme a reabilitação dos países europeus, as exportações foram cessando, o que causou forte impacto na economia do país. Esta crise produziu um grande número de suicídios. Aliás, as crises econômicas, de forma geral, trazem o desespero ao homem imediatista que vê no suicídio a porta de saída para seus problemas. Ledo engano.

O Brasil, que na ocasião exportava grande quantidade de café aos EUA também foi afetado pela crise, porque seu parceiro comercial diminuiu drasticamente suas importações, o que fez o preço do café brasileiro cair um bocado.

Entretanto, esta crise no setor do café teve seu ponto positivo, pois os cafeicultores brasileiros tiveram que, a partir desta situação, investir no setor industrial, gerando bons reflexos na indústria brasileira.

Não faz muito tempo, na década de 1980, vivíamos um Brasil imerso em crise. Inflação galopante que corroía o já pequeno salário do trabalhador. Os preços eram alterados numa velocidade vertiginosa, instabilidade total.

Tivemos, também, a crise de 2008 que se iniciou nos EUA e contaminou o Brasil, além de outros países.

Poderíamos ficar aqui por páginas a fio, passeando pelo mundo e suas crises, causas, protagonistas e consequências. Entretanto, urge abordarmos um pouco a crise que no ano de 2015 tomou conta de nosso país e, pelo caminhar dos fatos, estender-se-á pelos anos vindouros, exigindo de nós, brasileiros, reflexão e atitude.

Uma das consequências da crise é o desemprego. Com a retração da economia as empresas tendem a inibir contratações e agilizar demissões. É sabido que muitas (óbvio que não todas) empresas vão no embalo da crise e suas especulações para diminuir o quadro de funcionários. Como só se fala em crise, a empresa que demite nesta época não fica mal perante o público. Não precisam demitir, mas o fazem. A conta é simples: menos funcionários, mais lucro.

Naturalmente que não está neste rol a empresa que passa verdadeiramente pela crise, pois para estas as demissões são, infelizmente, um caminho para a recuperação.

A caridade como ferramenta para superação da crise

Em “O Evangelho segundo o Espiritismo” há uma mensagem do Espírito Pascal, no ano de 1862, em que aborda tema egoísmo. Diz o benfeitor para o homem libertar-se do sentimento de indiferença e ser mais sensível ao sofrimento alheio, pois é a indiferença que aniquila os bons sentimentos.

Se colocarmos a ideia de sermos mais sensíveis ao sofrimento alheio no mundo corporativo não desempregaremos alguém sem necessidade. Não demitiremos por especulação, não deixaremos um pai de família sem a honra de poder levar para sua casa o pão de cada dia santificado pelo suor de seu rosto.

Repetindo para que não haja ruído na comunicação. Refiro-me aqui às empresas que demitem apenas porque vão no embalo da crise, ou seja, demitem sem necessidade, tão somente com o objetivo de lucrar mais, mesmo que este preço seja o das demissões.

Recentemente estive proferindo palestras pelo interior de São Paulo, e em conversa com um confrade sobre o tema crise ele, que também é empresário, disse-me:

Não demitirei meus funcionários. Tenho 60 pessoas em minha empresa e, não obstante a queda no faturamento estamos operando no azul, as contas estão sendo pagas, portanto aguardarei esta fase passar. O que não farei no momento é abrir postos de trabalho, pois não se justifica, mas não demitirei. Tenho fé no futuro, as coisas melhorarão.

Fiquei muito feliz com a visão deste amigo empresário. Não está se aproveitando da crise para promover um desmonte em sua equipe, antes, porém, sendo sensível a situação de seus colaboradores.

Eis, na prática, a caridade como ferramenta de superação da crise, pois quando eu me coloco no lugar do outro, aumento as chances de ser mais sensível a sua situação.

Reflexão: o que as crises querem me ensinar?

Diz o ditado que mar calmo não faz bom marinheiro. O progresso vem, quase sempre, quando estamos pressionados e necessitamos criar uma solução para este ou aquele caso. Aí mobilizamos as forças da alma, refletimos e agimos para ficarmos liberados da questão que nos aflige.

São nas agitações do dia a dia, são nas crises, sejam de um país, de uma família ou segmento que saímos da zona de conforto e modificamos nosso comportamento.

No estágio evolutivo em que nos encontramos, as crises têm, dentre algumas funções, a de trazer para nós algumas indagações.

Por que isto está ocorrendo?

O que esta crise quer me ensinar?

O que eu posso fazer para sair desta situação?

As crises não são, portanto, punições de Deus a um país, mas uma ferramenta de educação para um povo.

Em nosso caso, por exemplo, está nítido que a crise econômica e política é apenas o reflexo de uma crise bem mais profunda e séria: a moral.

Pouco afeitos a respeitar regras, criamos o famoso “jeitinho brasileiro”, em que sem nenhum pudor desrespeitamos regulamentos e normas para atender nossas conveniências.

Natural que, sendo parte do povo e envolvidos em sua cultura e costumes, os políticos repetirão no poder as tendências da população.

Em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, numa mensagem regada à beleza e grandiosidade, denominada: O dever, Lázaro – Espírito – ensina que o dever reflete todas as virtudes morais. O dever é severo e dócil e está sempre pronto a submeter-se às situações permanecendo firme diante das tentações.

Qual o dever de um homem público?

Qual o dever de um cidadão?

Ora, todos sabemos quais são nossos deveres. Mas, por que mesmo sabendo de nossos deveres não os cumprimos? Por qual razão, mesmo conscientes, tombamos ante às tentações?

Cumprir com o dever, portanto, é trabalhar em nossa autoiluminação que, por sua vez, resultará num total e irrestrito respeito pelas regras, pela valorização do que é bom para o coletivo, enfim, pela busca constante em superar as nossas más inclinações, pois quando nossas más inclinações vencem, o dever não se cumpre e todos perdem, nós e a sociedade.

Tempo de analisar nosso estilo de vida

Um outro ponto a abordar no assunto crise é nosso estilo de vida.

Como estamos levando nossa existência? Somos consumistas contumazes? Criamos necessidades a todo tempo? Nossos desejos são insaciáveis? Ficamos infelizes quando não conseguimos comprar?

Junto com estas questões proponho outra:

Será que esta crise veio para mostrar-me como pode ser interessante e possível viver de uma outra forma, mais simples?

Há, em “O Livro dos Espíritos”, na resposta da questão 926, uma afirmação de impacto dos Espíritos: aquele que sabe limitar seus desejos e vê sem inveja o que está acima de si poupa-se de muitos dissabores.

Uma convocação para uma vida mais simples, mais calma e tranquila, baseada na conquista dos valores do espírito imortal e não apenas no desejo desenfreado, que alimenta o consumismo irracional e faz, com frequência, os estardalhaços econômicos.

Há alguns anos, ouvi do economista Reinaldo Caffeo que um dos motivos para o alto endividamento das famílias brasileiras é a inveja. Mas, como assim? Como a inveja pode endividar alguém?

Simples: a inveja faz-nos cometer loucuras e extrapolar o orçamento doméstico. Aquele tênis que o vizinho comprou eu quero mas não tenho condições financeiras para adquirir, porém, passo ao largo do bom senso e, ainda assim, compro o bem, mas endivido-me.

Eis a inveja como elemento de endividamento.

E ensinam os Espíritos: limitar os desejos e ver sem inveja os que estão acima de nós poupa-nos de dissabores.

Assim somos poupados de cobranças, nome negativado, dores de cabeça, e nesses tempos de crise o que não precisamos é de dor de cabeça.

Mas, como diz Allan Kardec:

Quase sempre é o homem o construtor de sua infelicidade.

Por lógica, se o homem constrói a infelicidade poderá construir a felicidade.

Basta refletir e aproveitar a crise para repensar sua conduta, seu comportamento e seu estilo de vida.

Tudo passa, e a crise passará, porém, que fique para nós a experiência.

Pensemos nisto.

Fonte: Wellington Balbo

Rede Amigo Espírita

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O Evangelho no Lar e o Poder do Pensamento

A influência da prece:

– Allan Kardec, ao emitir seus comentários na questão 662 de O Livro dos Espíritos, afirma que “o pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal”.  

– A rigor “a eletricidade é energia dinâmica; o magnetismo é energia estática; o pensamento é força eletromagnética” (do livro “Pensamento e Vida” – psicografia de Chico Xavier

Atende o Mestre que te bate à porta

“Sempre que se ora num Lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico.

Cada prece do coração constitui emissão electromagnética de relativo poder.

Por isso mesmo, o culto familiar do Evangelho não é tão só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pela claridade espiritual que acende à volta.

O homem que ora traz consigo inalienável couraça.

O Lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza.”

(Os Mensageiros, Cap. 37 – FEB- l944)

 

Para Que Fazer O “EVANGELHO NO LAR”?

O cultivo dos bons pensamentos satura o ambiente doméstico de boas vibrações e facilita a presença dos benfeitores espirituais, que trazem amparo e inspiração necessários para superar as dificuldades que porventura surjam na vida.

Orientações para a realização do “Evangelho no Lar”:

Escolher um dia e uma hora na semana em que seja possível a presença de todos os elementos da família, ou a maior parte deles.

Caso não seja possível, nada impede que se faça o Evangelho no Lar estando só.

O ideal seria transformar este período em que os componentes do lar se encontram à volta dos ensinamentos de Jesus em período de harmonia, aumentando a capacidade de compreensão e a possibilidade de vivenciar os ensinamentos do Mestre Jesus no dia a dia, tornando o ambiente mais tranquilo.

Forçar as pessoas a participarem seria um ato de agressão e imposição que poderia provocar discórdias.

Não esquecer que estamos sempre acompanhados dos benfeitores e quanto importante é cumprir com o horário escolhido.

Os Irmãos Superiores têm trabalho, por isso a pontualidade e horário e dia fixos são importantes, até porque muitas vezes eles trazem, irmãos necessitados a assistirem a tal ato de harmonia para que aprendam o caminho da evolução.

Iniciar a reunião com uma prece.

Fazer a leitura de textos que enriquecem a alma e incentivam o indivíduo na prática do bem, de preferência o “Evangelho, Segundo o Espiritismo”, e comentários breves sobre os textos lidos, buscando a essência dos ensinamentos para a aplicação na vida diária, procurar mesmo comentar fatos da semana que se enquadrem no texto apreciado.

Procurar estimular a participação de todos os componentes, colocando o que foi entendido, com o objetivo de auxiliar a compreensão de todos os participantes.

Não criar polêmicas, jamais “discutir”. Contudo, nada impede o diálogo sadio, pois cada um tem sua própria capacidade de entendimento e no devido tempo todos acabam por compreender a necessidade da prática do bem.

Não alongar muito os comentários.

Não esquecer que estamos com a companhia de amigos espirituais que desejam o nosso desenvolvimento e se mantêm a postos aproveitando as melhores oportunidades para nos incutirem melhores sentimentos e disposições para o bem.

Fazer vibrações pelo lar onde o Evangelho se está a ser estudado;

Para os presentes, seus parentes, amigos e vizinhos;

Para a Paz na Terra;

Para a implantação e a vivência do Evangelho em todos os lares;

Para o entendimento fraternal entre todas as religiões;

Para a cura ou melhoria de todos os enfermos, de corpo ou da alma, minorando seus sofrimentos e suas vicissitudes;

Para o incentivo dos trabalhadores do Bem e da Verdade.

Podem-se fazer também vibrações especiais, em casos concretos que preocupem os presentes e a sociedade.

Fazer a prece de agradecimento e encerramento.

Evitar comentários ou conversação menos edificante durante o “Evangelho no Lar” e também durante toda a semana, para manter a harmonia recebida neste momento;

Não suspender a prática do “Evangelho no Lar”, em virtude de visitas inesperadas, passeios adiáveis ou acontecimentos fúteis;

Embora a assistência do Plano Espiritual seja indispensável para o andamento normal de “O Evangelho no Lar”, acautelar-se para não transformar a reunião em trabalho mediúnico; a mediunidade e a assistência espiritual devem ser atendidas em Centro Espírita idôneo.

 JESUS NO LAR

O Culto do Evangelho no Lar aperfeiçoa o homem.

O homem aperfeiçoado ilumina a família.

A família iluminada melhora a comunidade.

A comunidade melhorada eleva a Nação.

O homem evangelizado adquire compreensão e amor.

A família iluminada conquista entendimento e harmonia.

A comunidade melhorada produz trabalho e fraternidade.

A nação elevada orienta-se no direito, na justiça e no bem.

Espiritismo sem evangelho é fenômeno ou raciocínio.

O Fenômeno deslumbra, o raciocínio indaga.

Descobrir novos campos de luta e pensar em torno deles não expressa tudo.

Imprescindível conhecer o próprio destino.

Não basta, pois, a certeza de que a vida continua infinita, além da morte.

É necessário clarear o caminho.

Do Evangelho no Lar depende o aprimoramento do homem.

Do homem edificado em Jesus Cristo depende a melhoria e a redenção do mundo.

(de Emmanuel – psicografado por Chico Xavier).

 JESUS CONTIGO

Dedica uma das sete noites da semana ao culto do “Evangelho no Lar”, a fim de que Jesus possa pernoitar em tua casa.

Prepara a mesa, coloca água pura, abre o Evangelho, distende a mensagem da fé, enlaça a família e ora. Jesus virá em visita.

Quando o lar se converte em santuário, o crime se recolhe ao museu.

Quando a família ora, Jesus se demora em casa.

Quando os corações se unem nos liames da Fé, o equilíbrio oferta bençãos de consolo e a saúde derrama vinho de paz para todos.

(de Joana de Ângelis, psicografada por Divaldo P. Franco).

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Novas Gerações e o Mundo de Regeneração

– Comerciantes mirins

Postado por os pae em 27 jul 18

jorgehessen@gmail.com

Jorge Hessen

Novas gerações, velhas provocações diante dos atuais desafios da inteligência infanto-juvenil. Realmente observamos os pequenos (crianças e adolescentes) como exímios empreendedores que se sobressaem quais proeminentes alienígenas negociantes e habitantes da Terra.

São indicativos panoramas para uma Nova Era sob as ondas das informações ultrarrápidas e estímulos ao empreendedorismo, cujos efeitos são os surgimentos dos mirins fenomenais que nestes tempos de vida apressada hão faturado alto antes mesmo de completarem a maioridade. Quiçá estejamos diante do convite à solidariedade, inobstante o acúmulo de bens que paradoxalmente poderá diminuir a desigualdade das riquezas.

Além de Mikaila Ulmer, uma das empresárias mais jovens dos EUA, com a criação do BeeSweet Lemonade, comerciando 360 mil garrafas de sua limonada por ano em lojas sofisticadas, como a rede de supermercados Whole Foods, listamos aqui outros empreendedores mirins da Nova era.  É o caso de Pixies Bows, responsável pela loja virtual Pixies Bows, onde vende laços e tiaras, os dois acessórios mais marcantes de seu estilo. As peças estão à venda entre US$ 15 e US$ 24 (R$ 45 e R$ 72).

Lembramos de Charlis Crafty Kitchen de 8 anos que já virou uma celebridade na internet e fatura cerca de US$ 128 mil com vídeos em que ensina receitas. Outro fenômeno é o pequeno Evan que desde 2011 faz vídeos no YouTube. Atualmente, seu canal EvanTubeHD já tem mais de 1 bilhão de visualizações e 1,3 milhão de assinantes e fatura mais de US$ 1 milhão.

Outro exemplo é Rachel Zietz, de 18 anos que detém marca para vender equipamentos esportivos. A jovem lançou sua empresa, a Gladiator Lacrosse, e já faturou mais de 1 (um) milhão de dólares.

Noa Mintz tinha apenas 15 anos e já faturava cerca de US$ 500 mil por ano. Sua empresa cobra uma taxa de US$ 5 por serviço de baby-sitter arranjado e uma taxa de 15% sobre o primeiro salário das babás, que varia entre US$ 64 mil e US$ 100 mil por ano.

Seguramente teremos que aprender a conviver com a pós-modernidade considerando a presença do capital e o consumismo licenciosos, da difusão de conhecimento e tecnologia avançada apressando a automação da vida terrestre, da carência de valores morais, da extenuação dos sistemas de ideias, do desalento dos vínculos afetivos e do egocentrismo acentuado.

Eis aí algumas particularidades da Nova Era que ainda suscitam incertezas de um porvir de um planeta mais pacífico e fraterno. Todas essas mudanças velozes de empreendimentos precoces e as crises presentes nas inquietas esferas sociais indiciam a (pré)construção do mundo de regeneração, que não poderá ser regido pelo convite materialista ainda vigente em nosso atual estágio evolutivo.

A geração da Nova Era , encarnada ou em via de encarnar, neste período sensível de mudanças paradigmáticas , obviamente traz uma bagagem moral e intelectual  específica do mundo extrafísico  e tem ciência sobre a sua fascinante incumbência de tomar as rédeas desse patrimônio civilizacional em nome de um multiculturalismo econômico às vezes insano.

Sim, geração que deve estar comprometida com missões diferentes para o bem coletivo, com o desígnio de agenciar as transformações imprescindíveis que estão antevistas na Lei do Progresso.

Deste modo, não estamos diante de uma geração de seres perfeitos para gerar uma revolução prodigiosa na Terra, mas tão somente de Espíritos mais experientes nas diversas (re)encarnações terrestres que, mais perspicazes e ilustrados, esquadrinham um indulto na consciência com vista a edificação do amanhã brilhante, cientes de que, sem o enriquecimento moral por meio da observância da Lei de amor, justiça e caridade, será impraticável a concretização do mundo de regeneração.

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Inclusão nas instituições espíritas

Postado por Marcos Paterra  Exibir blog

Muito se ouve sobre a inclusão nas escolas e nas instituições empresariais,  isso porque desde a década de noventa o governo tenta  conscientizar e implementar a inclusão  principalmente nas redes de ensino.

Foram lembrados os grandes nomes da historia da pedagogia como Pestalozzi[1], Wallon[2], Maria Montessori[3], e finalmente houve a conscientização de que carinho, brincadeiras, e atenção eram essenciais entre professores e crianças.

Baseando-se em princípios de Jean Piaget[4], e Vygotsky[5], muitos estudiosos  abriram uma visão inclisivista  entre eles Adolphe Ferrière[6]    que  com sua visão visionaria  semeava a  “Escola Nova”[7]  que  chegou ao Brasil em 1882, pelas mãos de  do polímata[8] brasileiro Rui Barbosa[9], e exerceu grande influência nas mudanças promovidas no ensino na década de 1920, quando o país passava por uma série de transformações sociais, políticas e econômicas; com métodos construtivistas, e com as portas abertas para todas as crianças fossem negras, brancas, índias, pobres, ricas, deficientes físicas ou mentais… Iniciou-se a inclusão.

Todavia, ainda hoje as dificuldades são grandes principalmente devido ao fato de professores e diretores das escolas, não terem  ciência dos motivos e consequências desta metodologia, os educadores  ainda hoje em sua maioria usam o método tradicional, e as escolas não tem estrutura para lidar com crianças deficientes ou o Bulliyng[10] gerado pelo preconceito/racismo.

Sob essa ótica, podemos questionar se as instituições espíritas são inclusivas, se estão aptas em  abrir as portas para  o convívio com o “diferente”. Seria hipocrisia  não comentar das  instituições espíritas que tem trabalhos sérios e destaque,  alguns para inclusão social onde tem creches e/ou escolas que atende crianças carentes, outros que tem atendimento médico ou psicológico para deficientes físicos ou mentais, mas são poucos e parciais em atendimentos específicos, a questão é, as crianças deficientes  podem frequentar ou mesmo serem evangelizados em qualquer instituição espírita?

Nos últimos anos esta clara a adaptação das estruturas físicas das instituições para que possam receber cadeirantes, muitos livros já estão sendo adaptados para o Braile[11] ou os famosos “áudio-books”[12], todavia  não estaríamos caindo nos mesmos problemas que as instituições escolares ? Nossos expositores, dirigentes, evangelizadores, voluntários ou colaboradores, estão preparados?

Alguns podem indagar que o fato de recebermos pessoas com deficiência em nossas evangelizações tornamo-nos inclusivistas, porem,  são poucas as instituições que conseguem manter essa criança com o olhar inclusivista, eles no máximo as integram em um mesmo ambiente e muitas vezes não sabem lidar com as complexas situações que são geradas  ou seja em seu despreparo o centro espírita pode desencadear mais problemas ainda, e até mesmo agravar os já existentes, reforçando nessa criança, o autoconceito negativo, a desmotivação, o desinteresse e outros mecanismos de defesa, como a indisciplina, rebeldia ou agressão.

Ocorre que os dois vocábulos – integração e inclusão embora tenham significados semelhantes, são empregados para expressar situações de inserção diferentes e têm por detrás posicionamentos divergentes para a consecução de suas metas.

O processo de integração se traduz por uma estrutura educacional intitulada sistema de cascata, que oferece ao aluno a oportunidade, em todas as etapas da integração, de transitar no sistema escolar ou social. Trata-se de uma concepção de inserção parcial, porque a cascata prevê serviços segregados.

A inclusão se baseia em vários conceitos, dentre eles podemos frisar  três em que é necessário que a criança :

  1. Seja uma pessoa que  se encontra dentro de um grupo, no sentido de fazer parte.
  2. Ou que tenha  amigos e relações sociais significativas com iguais, ou sinta-se  que participa na vida social , contribuindo com alguma coisa;
  3. Por fim que seja tratada com igualdade, carinho e respeito como a pessoa única que é.

 Resumindo, ela tem que ser inserida de modo a sentir “Bem‑estar pessoal e social”. Fica evidente que a inclusão sem esses conceitos não assegura inclusão social, se as instituições não pensarem e agirem baseados nesses conceitos, as mudanças estruturais para deficientes não terão usuários com deficiência.

Enfrentamos uma paradigma cultural que vem dos conceitos Eugenistas[13]., onde o que é diferente ou deficiente deve ser “excluído”, Kardec em “A Gênese”[i] nos  ensina: “[…] na reencarnação desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade”(Kardec, Allan. A  Gênese, pág. 31).

O planejamento de políticas sócio educacionais na estrutura doutrinária e práticas pedagógicas inclusivas nas evangelizações, tendo como priori garantir à permanência, a formação de qualidade, a igualdade de oportunidades e o reconhecimento das diversas e complexas deficiências  assim como  orientações sexuais e  identidades de gênero [e étnico-raciais], contribuem para a melhoria do contexto dentro das instituições espíritas.

Adenauer de Novais em sua obra “Mito Pessoal e Destino Humano”[ii]  nos brinda com essa frase:

“Ser espírita não significa apenas adotar uma postura cordata diante da vida, acomodando-se a pequenas conquistas, muito embora importantes, no campo da educação doméstica. A insatisfação quanto à injustiça, a ignorância e a miséria humanas devem permanecer na consciência de todos que adentrem o Espiritismo. O processo de transformação assinalado pelo Espiritismo como fundamental a todo espírita, inclui, além de seu próprio mundo interno, sua participação na construção de uma sociedade mais equilibrada e harmônica. Não basta ele sozinho se transformar interiormente, sem uma efetiva participação nas mudanças que a sociedade requer. Sua consciência de cidadão, pertencente ao mundo, deve alertá-lo quanto ao seu papel social” ( NOVAES. 2005. P. 144[14])

 

 

[1] J. Heinrich Pestalozzi, Educador suíço. Grande inovador, estabeleceu as bases da pedagogia moderna com seu sistema de ensino prático e flexível.

[2] Henri Paul Hyacinthe Wallon (1879 – 1962) foi filósofo, médico, psicólogo e político francês.

[3] Maria Montessori (1870 —1952) foi médica, pedagoga e feminista italiana; Conhecida pelo método educativo que desenvolveu e que ainda é usado hoje em dia em escolas públicas e privadas mundo afora.

[4] Jean Piaget: foi um renomado psicólogo e filósofo suíço, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência  infantil. Piaget passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia.

[5] Lev Semionovich Vygotsky (1896-1934), professor e pesquisador foi contemporâneo de Piaget,  e nasceu e viveu na Rússia;  autor de dois livros básicos: Pensamento e Linguagem e A Formação Social da Mente  se tornaram um marco nos estudos do desenvolvimento humano.

[6] Adolphe Ferrière (1879 1960) Pedagogo  suíço cujo trabalho  está estreitamente ligado ao movimento da Escola Nova, como um dos seus fundadores e eventualmente o seu maior ideólogo.

[7][7]  Escola nova, também chamada de Escola Ativa ou Escola Progressiva, foi um movimento de renovação do ensino, que surgiu no fim do século XIX e ganhou força na primeira metade do século XX.

[8] Polímata (do grego πολυμαθής, transl. polymathēs, lit. “aquele que aprendeu muito”) é uma pessoa cujo conhecimento não está restrito a uma única área. Polímata:  alguém que detém um grande conhecimento.

[9] Ruy Barbosa de Oliveira (1849 —1923) foi destacou-se  principalmente como jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador. Um dos intelectuais mais brilhantes do seu tempo;  foi um dos organizadores da República e coautor da constituição da Primeira República

[10] Bullying (anglicismo, bullying, pronuncia-se AFI: [ˈbʊljɪŋ]) é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, tiranete ou valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.

[11] Braille ou braile: sistema de leitura com o tato para cegos inventado pelo francês Louis Braille no ano de 1827 em Paris.

[12] Áudio-book,  áudio-livro ou livro falado é uma gravação do conteúdo de um livro lido em voz alta.

[13] Eugenia – é um termo cunhado em 1883 por Francis Galton, significando “bem nascido”. A eugenia é a filha dileta de Darwin: se as espécies se transformam por “seleção natural”, há raças inferiores e raças superiores.

[14]  Cap. O Espiritismo e o sentido da vida

Referencias:

 

[i] KARDEC, Allan. A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Ed. FEB. Rio de Janeiro. 2007.

[ii] NOVAES, Adenáuer Marcos Ferraz. Mito Pessoal e Destino Humano. Ed. Fundação Harmonia. Salvador/BA 1999.

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UM CASO DE OBSESSÃO (Divaldo P. Franco)

“MEU OBSESSOR NÃO PERMITIU QUE EU CASASSE. ”

O médium Divaldo Pereira Franco contou uma história verídica, aliás, utilíssima para os dirigentes e doutrinadores de reuniões mediúnicas, que é assim:

Uma jovem já havia passado por reuniões mediúnicas de várias Casas Espíritas.

Havia se submetido à fluidoterapia, água fluidificada, afirmando que orava e que estudava a Doutrina Espírita, a fim de se libertar da obsessão.

Chegou ao Centro Espírita Caminho da Redenção solicitando auxílio para sua perturbação espiritual, passando a frequentar as reuniões doutrinárias.

Passados alguns anos, numa das reuniões mediúnicas da Casa, o obsessor fora doutrinado, como sempre, com amor, mas também com doce energia.

O doutrinador finalizou o seu trabalho dizendo que havia tentando os melhores argumentos, esperando encontrar uma resposta, esperando sensibilizá-lo, mas…não obteve sucesso.

O Espírito que se conservou mudo até aquele presente momento, redarguiu:

“– Vocês estão enganados. Eu preciso esclarecer-lhes algo. No início eu odiei essa mulher. São reminiscências de outras encarnações que nos prejudicaram muito. Porém, aos poucos, fui absorvendo as lições que são ministradas nesta Casa de Caridade e após receber as respostas para minhas dúvidas, nos diálogos que travei com o coordenador dos trabalhos, suavizei meu caráter, abrandei meus vícios, e hoje já começo a viver uma vida diferente, tentando praticar aquilo que aprendi. Mas, ao deixar a antiga inimiga, percebi que ela me evocava com seus pensamentos, culpando-me e injuriando-me. Assim, hoje, eu sou por ela obsedado, e peço a Deus que me liberte desse jugo.

E o Espírito desligou-se do médium, afastando-se.

O diretor da Casa falou com a moça sobre a ocorrência, interrogando-lhe sobre a autenticidade dos fatos.

Ela sempre muito calma e paciente passou a agredir o Espírito com palavras ríspidas.

Explicou que, como o obsessor a havia prejudicado por anos à fio, impedindo-a de casar-se e constituir família, ela agora também o perturbava, para que ele experimentasse o mesmo sofrimento.

O diretor conservando a calma e com muita bondade, passou a doutrinar agora a encarnada, esclarecendo-a sobre a terapia salutar do perdão, solicitando um estudo profundo da Doutrina Espírita e a sua renovação espiritual.

Dessa história podemos lembrar que:

1ª “Muitos procuram a Casa Espírita para resolver seus problemas espirituais. Querem livrar-se de obsessores, de preferência rapidamente. Mas o que devemos deixar bem claro para os que nos procuram é que a cura depende dela mesma. A Casa Espírita é um hospital da alma, mas se o paciente não tomar o medicamento corretamente, este não fará efeito. E o medicamento está no Evangelho de Jesus, que nos pede a reforma íntima, ou seja, a reforma em nossos sentimentos, pensamentos e atos. Retirando dela o ódio, o rancor, a mágoa, o ressentimento, a vingança.”

2ª “A vingança é um indício certo do estado atrasado dos homens que a ela se entregam, e dos Espíritos que podem ainda inspirá-la. Portanto, meus amigos, esse sentimento não deve jamais fazer vibrar o coração de quem se diga e se afirme espírita. Vingar-se, como vocês sabem, é contrário a esta prescrição do Cristo: Perdoai aos vossos inimigos.”

3ª “Geralmente, vemos um desencarnado obsediando um encarnado. Mas, o contrário também acontece. Um encarnado também obsedia um desencarnado com lembranças de ódio, rancor, mágoa, vingança ou por ficar lamentando sua desencarnação fazendo com que este fique preso perto de nós.”

Fonte: Kardec Rio Preto. Por: Fernando Rossit.

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A queda maior é saber e não fazer

– Reflexões sobre a consciência espírita

CONSCIÊNCIA ESPÍRITA

Diz você que não compreende o motivo de tanta autocensura nas comunicações dos espíritas desencarnados. 

Fulano, que deixou a melhor ficha de serviço, volta a escrever, declarando que não agiu entre os homens como deveria; sicrano, conhecido por elevado padrão de virtudes, regressa, por vários médiuns, a lastimar o tempo perdido…

E você acentua, depois de interessantes apontamentos:

– Tem-se a impressão de que os nossos confrades tornam, do Além, atormentados por terríveis complexos de culpa.

Como explicar o fenômeno?

Creia, meu caro, que nutro pessoalmente pelos espíritas a mais enternecida admiração. Infatigáveis construtores do progresso, obreiros do Cristianismo Redivivo.

Tanta liberdade, porém, receberam para a interpretação dos ensinamentos de Jesus que, sinceramente, não conheço neste mundo pessoas de fé mais favorecidas de raciocínio, ante os problemas da vida e do Universo. Carregando largos cabedais de conhecimento, é justo guardem eles a preocupação de realizar muito e sempre mais, a favor de tantos irmãos da Terra, detidos por ilusões e inibições no capítulo da crença.

Conta-se que Allan Kardec, quando reunia os textos de que nasceria O Livro dos Espíritos, recolheu-se ao leito, certa noite, impressionado com um sonho de Lutero, de que tomara notícias.  O grande reformador, em seu tempo, acalentava a convicção de haver estado no paraíso, colhendo informes em torno da felicidade celestial.

Comovido, o codificador da Doutrina Espírita, durante o repouso, viu-se também fora do corpo, em singular desdobramento…

Junto dele, identificou um enviado de Planos Sublimes que o transportou, de chofre, a nevoenta região, onde gemiam milhares de entidades em sofrimento estarrecedor. Soluços de aflição casavam-se a gritos de cólera, blasfêmias seguiam-se a gargalhadas de loucura.

Atônito, Kardec lembrou os tiranos da História e inquiriu, espantado:

– Jazem aqui os crucificadores de Jesus?

– Nenhum deles – informou o guia solícito. – Conquanto responsáveis, desconheciam, na essência, o mal que praticavam. O próprio Mestre auxiliou-os a se desembaraçarem do remorso, conseguindo-lhes abençoadas reencarnações, em que se resgataram perante a Lei.

– E os imperadores romanos? Decerto, padecerão nestes sítios aqueles mesmos suplícios que impuseram à Humanidade… – Nada disso. Homens da categoria de Tibério ou Calígula não possuíam a mínima noção de espiritualidade. Alguns deles, depois de estágios regenerativos na Terra, já se elevaram a esferas superiores, enquanto que outros se demoram, até hoje, internados no campo físico, à beira da remissão.

– Acaso, andarão presos nestes vales sombrios – tornou o visitante – os algozes dos cristãos, nos séculos primitivos do Evangelho? – De nenhum modo – replicou o lúcido acompanhante -, os carrascos dos seguidores de Jesus, nos dias apostólicos, eram homens e mulheres quase selvagens, apesar das tintas de civilização que ostentavam… Todos foram encaminhados à reencarnação, para adquirirem instrução e entendimento.

O codificador do espiritismo pensou nos conquistadores da Antiguidade, Átila, Anibal, Alarico I, Gengis Khan…

Antes, todavia, que enunciasse nova pergunta, o mensageiro acrescentou, respondendo-lhe à consulta mental: – Não vagueiam, por aqui, os guerreiros que recordas… Eles nada sabiam das realidades do espírito e, por isso, recolheram piedoso amparo, dirigidos para o renascimento carnal, entrando em lides expiatórias, conforme os débitos contraídos…

Então, dize-me – rogou Kardec, emocionado -, que sofredores são estes, cujos gemidos e imprecações me cortam a alma?

E o orientador esclareceu, imperturbável:

– Temos junto de nós os que estavam no mundo plenamente educados quanto aos imperativos do Bem e da Verdade, e que fugiram deliberadamente da Verdade e do Bem, especialmente os Cristãos Infiéis de todas as épocas, perfeitos conhecedores da lição e do exemplo do Cristo e que se entregaram ao mal, por livre vontade… Para eles, um novo berço na Terra é sempre mais difícil…

Chocado com a inesperada observação, Kardec regressou ao corpo e, de imediato, levantou-se e escreveu a pergunta que apresentaria, na noite próxima, ao exame dos mentores da obra em andamento e que figura como sendo a Questão número 642, de O Livro dos Espíritos:

– Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? , indagação esta a que os instrutores retorquiram:

– Não; cumpre-lhe fazer o bem, no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem.

Segundo é fácil de perceber, meu amigo, com princípios tão claros e tão lógicos, é natural que a consciência espírita, situada em confronto com as idéias dominantes nas religiões da maioria, seja muito diferente.

Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos). Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Cartas e Crônicas. Lição nº 07. Página 34.

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OS ESPÍRITOS INFERIORES – por Léon Denis

“O Espírito puro traz em si próprio sua luz e sua felicidade, que o seguem por toda parte e lhe Integram o ser.

Assim também o Espírito culpado consigo arrasta a própria noite, seu castigo, seu opróbrio.

Pelo fato de não serem materiais, não deixam de ser ardentes os sofrimentos das almas perversas.

O inferno é mais que um lugar quimérico um produto de imaginação, um espantalho talvez necessário para conter os povos na infância, porém que, neste sentido, nada tem de real.

É completamente outro o ensino dos Espíritos sobre os tormentos da vida futura; aí não figuram hipóteses.

Esses sofrimentos, com efeito, são-nos descritos por aqueles mesmos que os suportam, assim como outros vêm patentear-nos a sua ventura.

Nada é imposto por uma Vontade arbitrária; nenhuma sentença é pronunciada e o Espírito sofre as consequências naturais de seus atos, que, recaindo sobre ele próprio, o glorifica ou acabrunham.

O ser padece na vida de além-túmulo não só pelo mal que fez, mas também por sua inação e fraqueza.

Enfim, essa vida é obra sua: tal qual ele a produziu.

O sofrimento é inerente ao estado de imperfeição, mas atenua-se com o progresso e desaparece quando o Espírito vence a matéria.

A punição do Espírito mau continua não só na vida espiritual, mas, ainda, nas encarnações sucessivas que o levam a mundos inferiores, onde a existência é precária e a dor reina soberanamente; mundos que podemos qualificar de infernos.

A Terra, em certos pontos de vista, deve entrar nessa categoria.

Ao redor desses orbes, galés rolando na imensidade, flutuam legiões sombrias de Espíritos Imperfeitos, esperando a hora da reencarnação.

Vimos quanto é penosa, prolongada, cheia de perturbação e angústia, a fase do desprendimento corporal para o Espírito entregue às más paixões.

A ilusão da vida terrena prossegue para ele durante anos.

Incapaz de compreender o seu estado e de quebrar os laços que o tolhem, nunca elevando sua inteligência e seu sentimento além do círculo estreito de sua existência, continua a viver, como antes da morte, escravizado aos seus hábitos, às suas inclinações, indignando-se porque seus companheiros parecem não mais vê-lo nem ouvi-lo, errante, triste, sem rumo, sem esperança, nos lugares que lhe foram familiares.

São as almas penadas, cuja presença já de há muito se tem suspeitado em certas residências, e cuja realidade é demonstrada diariamente por muitas e ruidosas manifestações.

A situação do Espírito depois da morte é resultante das aspirações e gostos que ele desenvolveu em si.

Aquele que concentrou todas as suas alegrias, toda a sua ventura nas coisas deste mundo, nos bens terrestres, sofre cruelmente desde que disso se vê privado.

Cada paixão tem em si mesmo a sua punição.

O Espírito que não soube libertar-se dos apetites grosseiros e dos desejos brutais torna-se destes um joguete, um escravo.

Seu suplício é estar atormentado por eles sem os poder saciar.

Pungente é a desolação do avarento, que vê dispersar-se o ouro e os bens que amontoou.

A estes se apega apesar de tudo, entregue a uma terrível ansiedade, a transportes de indescritível furor.

Igualmente digna de piedade é a situação dos grandes orgulhosos, dos que abusaram da fortuna e de seus títulos, só pensando na glória e no bem estar, desprezando os pequenos e oprimindo os fracos.

Para eles não mais existem os cortesãos servis, a criadagem desvelada, os palácios, os costumes suntuosos.

Privados de tudo o que lhes fazia a grandeza na Terra, a solidão e o abandono esperam-no no espaço.

Se as massas novamente os seguem é para lhes confundir o orgulho e acabrunhá-los de zombarias.

Mais tremenda ainda é a condição dos Espíritos cruéis e rapaces, dos criminosos de qualquer espécie que sejam, dos que fizeram correr sangue ou calcaram a justiça aos pés. 

Os lamentos de suas vítimas, as maldições das viúvas e dos órfãos soam aos seus ouvidos durante um tempo que se lhes afigura a eternidade.

Sombras irônicas e ameaçadoras os rodeiam e os perseguem sem descanso.

Não pode haver para eles um retiro assaz profundo e oculto; em vão, procuram o repouso e o esquecimento.

A entrada numa vida obscura, a miséria, o abatimento, a escravidão somente lhes poderão atenuar os males.

Nada iguala a vergonha, o terror da alma que, diante de si, vê elevar-se sem cessar as suas existências culpadas, as cenas de assassínios e de espoliação, pois se sente descoberta, penetrada por uma luz que faz reviver as suas mais secretas recordações.

A lembrança, esse aguilhão incandescente, a queima e despedaça.

Quando se experimenta esse sofrimento, devemos compreender e louvar a Providência Divina, que, no-lo poupando durante a vida terrena, nos dá assim, com a calma de espírito, uma liberdade maior de ação, para trabalharmos em nosso aperfeiçoamento.

Os egoístas, os homens exclusivamente preocupados com seus prazeres e interesses, preparam também um penoso futuro.

Só tendo amado a si próprios, não tendo ajudado, consolado, aliviado pessoa alguma, do mesmo modo não encontram nem simpatias nem auxílios nem socorro nessa nova vida.

Isolados, abandonados, para eles o tempo corre uniforme, monótono e lento. 

Experimentam triste enfado, uma incerteza cheia de angústias.

O arrependimento de haverem perdido tantas horas, desprezado uma existência, o ódio dos interesses miseráveis que os absorveram, tudo isso devora e consome essas almas.

Sofrem na erraticidade até que um pensamento caridoso os toque e luza em sua noite como um ralo de esperança; até que, pelos conselhos de um Espírito, rompam, por sua vontade, a rede fluídica que os envolve e decidam-se a entrar em melhor caminho.

A situação dos suicidas tem analogia com a dos criminosos; muitas vezes, é ainda pior.

O suicídio é uma covardia, um crime cujas conseqüências são terríveis.

Segundo a expressão de um Espírito, o suicida não foge ao sofrimento senão para encontrar a tortura.

Cada um de nós tem deveres, uma missão a cumprir na Terra, provas a suportar para nosso próprio bem e elevação.

Procurar subtrair-se, libertar-se dos males terrestres antes do tempo marcado é violar a lei natural, e cada atentado contra essa lei traz para o culpado uma violenta reação.

O suicídio não põe termo aos sofrimentos físicos nem morais.

O Espírito fica ligado a esse corpo carnal que esperava destruir; experimenta, lentamente, todas as fases de sua decomposição; as sensações dolorosas multiplicam-se, em vez de diminuírem.

Longe de abreviar sua prova, ele a prolonga indefinidamente; seu mal-estar, sua perturbação persistem por muito tempo depois da destruição do invólucro carnal.

Deverá enfrentar novamente as provas às quais supunha poder escapar com a morte e que foram geradas pelo seu passado.

Terá de suportá-las em piores condições, refazer, passo a passo, o caminho semeado de obstáculos, e para Isso sofrerá uma encarnação mais penosa ainda que aquela à qual pretendeu fugir.

São espantosas as torturas dos que acabam de ser supliciados, e as descrições que delas nos fazem certos assassinos célebres podem comover os corações mais duros, mostrando à justiça humana os tristes efeitos da pena de morte.

A maioria desses infelizes acha-se entregue a uma excitação aguda, a sensações atrozes que os tornam furiosos.

O horror de seus crimes, a visão de suas vítimas, que parecem persegui-los e trespassá-los como uma espada, alucinações e sonhos horrendos, tal é a sorte que os aguarda. 

Muitos, buscando um derivativo a seus males, lançam-se aos encarnados de tendências semelhantes e os impelem ao crime.

Outros, devorados pelo fogo inextinguível dos remorsos, procuram, sem tréguas, um refúgio que não podem encontrar.

Sob seus passos, ao seu redor, por toda parte, eles julgam ver cadáveres, figuras ameaçadoras e lagos de sangue.

Os Espíritos maus sobre os quais recai o peso acabrunhador de suas faltas não podem prever o futuro; nada sabem das leis superiores.

Os fluídos que os envolvem privam-nos de toda relação com os Espíritos elevados que queiram arrancá-los à sua inércia, às suas inclinações, pois isso lhes é difícil por causa de sua natureza grosseira, quase material, e do limitado campo de suas percepções; resulta daí uma ignorância completa da própria sorte e uma tendência para acreditarem que são eternos os seus sofrimentos.

Alguns, imbuídos ainda de prejuízos católicos, supõem e dizem viver no inferno.

Devorados pela inveja e pelo ódio, muitos, a fim de se distraírem de suas aflições, procuram os homens fracos e inclinados ao mal.

Apegam-se a eles e insuflam-lhes funestas aspirações.

Destes excessos, porém, advêm-lhes, pouco a pouco, novos sofrimentos.

A reação do mal causado prende-os numa rede de fluídos mais sombrios.

As trevas se fazem mais completas; um círculo estreito forma-se e à sua frente levanta-se o dilema da reencarnação penosa, dolorosa.

Mais calmos são aqueles a quem o arrependimento tocou e que, resignados, vêem chegar o tempo das provas ou estão resolvidos a satisfazer a eterna justiça.

O remorso, como uma pálida claridade, esclarece vagamente sua alma, permite que os bons Espíritos falem ao seu entendimento, animando-os e aconselhando-os.”

Do livro – Depois da Morte (Léon Denis) Cap.36 “Os Espíritos Inferiores”

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