OS BENEFÍCIOS DO ESQUECIMENTO DO PASSADO

Andréa Laporte

Muitas pessoas questionam não somente quando e como ocorre o esquecimento das lembranças das nossas existências anteriores, mas também a justiça desse esquecimento e o real objetivo da reencarnação sem o conhecimento evidente desse passado.

Como a doutrina espírita explica que somos seres imortais, criados simples e ignorantes, e passamos por diversas experiências nem sempre agradáveis, podemos começar a esclarecer a questão já partindo da informação trazida em O livro dos espíritos, item 257, sobre o perispírito: “liame que une o Espírito à matéria do corpo, princípio da vida orgânica, mas não o da vida intelectual”.

Aprende-se também no espiritismo que “o perispírito é apenas um agente de transmissão, pois é o Espírito que possui a consciência…”, o que nos permite perceber que nossas memórias ficam gravadas, portanto, no Espírito, ainda que nunca se veja separado do seu envoltório fluídico.

Como a sabedoria e a misericórdia divinas são incontestáveis, Deus em sua perfeição considerou mais adequado que ao reencarnar o Espírito tivesse o esquecimento do passado, pois nos seria extremamente constrangedor ter todas as lembranças de nossas experiências passadas na vida corpórea. Afinal, não podemos esquecer que em nosso atual grau evolutivo ainda oscilamos entre as boas e as más ações nos nossos caminhos de tantos aprendizados.

Saber quem fomos, o que fizemos, a quem prejudicamos e por quem fomos prejudicados certamente nos causaria desequilíbrios. Longe, porém, de acharmos que fomos “jogados” na roda da vida, pois o esquecimento, plenamente ao nosso favor, é apenas temporário.

Na erraticidade, de acordo com seu estágio evolutivo, o Espírito é capaz de verificar sua trajetória, avaliar suas faltas e conquistas, para poder repensar novas oportunidades que possam melhor solidificar seu aprendizado, preparando-o para novas tentativas antes do retorno à vida material.

Na reencarnação, o processo de ligação entre o Espírito e a matéria propriamente dita se inicia no momento da concepção com a ligação fluídica entre seu perispírito e o novo corpo, sendo ele submetido a certa perturbação.

Quando nasce, o ser reencarnante vai recobrando as suas faculdades, retomando a consciência, mas com o esquecimento do que se passou. Durante a vida material, enquanto o corpo descansa, dorme, a alma se desprende. Ao despertar, podem inclusive ocorrer algumas recordações dessas vivências e certas lembranças surgirem em forma de intuições, pois “as nossas tendências instintivas são uma reminiscência do nosso passado” (LE-393). A cada nova experiencia corpórea, o ser também está mais e melhor desenvolvido em seu aspecto intelectual, o que vai também lhe permitindo maior compreensão do bem e do mal, para melhor resistir às tendências de suas imperfeições, passando a compreender e a analisar mais adequadamente a sua situação atual, como um verdadeiro estímulo para o despertar e aprimoramento de suas virtudes.

Se o Espírito se lembrasse de todas os acontecimentos de sua trajetória, certamente suas escolhas pretéritas influenciariam diretamente em suas atitudes no presente, retirando-lhe o mérito de suas conquistas, pois as vívidas lembranças de seus atos e, principalmente, de pessoas de sua relação envolvidas em situações conflituosas seriam obstáculos a serem superados. E é assim que cada nova existência é sempre um novo recomeçar, com aptidões e capacidades em nós permanecendo de maneira latente. Vale lembrar que algumas pessoas podem ter fortes lembranças de vidas anteriores, o que serve para convencimento e reflexão a respeito da pluralidade das existências. Há também quem tenha apenas ilusões a respeito. Todos nós, entretanto, somos intuídos pelas lembranças das nossas consciências e, para saber o que fomos, sugere-se analisar as nossas boas e más tendências na vida atual.

Pela perfeição de suas leis, Deus nos concede de forma justa e benevolente o que nos é necessário e suficiente para o nosso aprimoramento, cabendo a nós aproveitar da melhor maneira as infinitas oportunidades de recomeço, fortalecidos na determinação de vencermos a nós mesmos e, também, de aproveitarmos o próprio desafio da nova experiência para a reparação de questões anteriores, através do reencontro com aqueles que prejudicamos ou que nos prejudicaram em existências precedentes.

O segredo da certeza do dever cumprido está justamente em aproveitar da melhor forma essa encarnação, utilizando-se as conquistas intelectuais para análise de nossos pensamentos, sentimentos e ações, que visem ao autoconhecimento para que se promova um esforço contínuo para domar paixões e tendências inferiores, nos adequando à prática e vivência cristã.

Andréa Laporte

Assessora do Departamento de Doutrina da USE Estadual e secretária da USE Regional de Campinas, SP.

Fonte: Correio.News

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SÍNDROME DO PÂNICO – QUAL A EXPLICAÇÃO DO ESPIRITISMO

Paulo Velasco

O transtorno de pânico é uma síndrome caracterizada pela ocorrência de ataques de pânico classicamente recorrentes, imprevisíveis e espontâneos. Estes são episódios distintos de medo ou ansiedade, que cursam associados a diversos sintomas somáticos, como palpitações e sudorese. Eles se apresentam tão dolorosos para o indivíduo, que chegam a levá-lo a ter sensação de morte. A sua etiologia, entretanto, permanece ainda desconhecida para a medicina convencional.

O medo é uma das principais forças motivadoras da conduta humana. Isso porque ele é um fator de preservação da vida, de defesa e de proteção, que advém do aumento do instinto de autodefesa, de conservação. Assim, quando bem dirigido, ele se transforma em prudência e em equilíbrio, ajudando nas tomadas de decisão, ao menos no início da jornada evolutiva. Quando, porém, desmedido, avulta em expressões psicopatológicas em forma, por exemplo, de distúrbio de pânico.

A ansiedade, por sua vez é um estado emocional desprazeroso caracterizado por sentimentos de antevisão desagradável de um perigo iminente. Não se sabe, no entanto, o porquê. Antes, é um estado de angústia geral, de antecipação do sofrimento, que carece de motivo óbvio. Afora estas duas forças, uma outra entidade merece destaque, a culpa. Isso porque esta, certamente, está intimamente ligada à gênese daquelas. Por diversos processos, a culpa geraria o medo, e estes, quando jogados ao inconsciente profundo, poderiam fazer surgir a ansiedade, no momento em que aparecessem manifestações corpóreas.

Admitida a existência do espírito e do envoltório etéreo que o reveste, chega-se, facilmente, à dedução da realidade reencarnatória do mesmo. A este ponto, consegue-se entender que a tríade (culpa-medo-ansiedade), igualmente, pode ter a sua origem nas tramas espirituais, já que o distúrbio do pânico se encontra enraizado no ser que desconsiderou as Leis de Deus, e, porque estas estão grafadas na consciência do indivíduo, mesmo que a justiça humana não consiga observar o delito, o próprio infrator o guarda em suas teias psíquicas.

Desse modo, porque ficou impune, em vidas translatas, reencarna-se, atendendo a uma necessidade íntima de se livrar-se da culpa, com uma predisposição fisiológica, imprimindo nos genes a necessidade da reparação dos delitos. Esta culpa, mesmo que não identificável no presente com uma causa óbvia, gera terrível angústia, que faz o indivíduo tender à uma autopunição, como recurso, frustrante, de se livrar-se dela.

Além disso, origina o medo de ser identificado. E este medo, que, sendo bombardeado, na tentativa de ser esquecido, para o inconsciente profundo gera a ansiedade motivadora das manifestações somáticas. Além disso, outrossim, a própria soma de processos educativos e vivências equivocadas em diversas reencarnações contribuem para o aparecimento do pânico.

Semelhante estado, a seu turno, abre as barreiras psíquicas do indivíduo às intervenções de Espíritos desencarnados. Instalada a obsessão, portanto, a vítima passa a ser bombardeada e assolada, através de um intercâmbio parasitário, com clichês de aterrorizantes imagens que se vão fixando, até se tornarem vivas e ameaçadoras. Estas imagens que, por sua vez, podem ser obtidas, pelas entidades espirituais, dos refolhos do inconsciente do indivíduo infrator, ainda que não haja ou mesmo não ter relação profunda com os erros do pretérito, sendo criações dos obsessores e aceitações dos obsidiados; outrossim, uma mescla destas situações.

Dessa maneira, portanto, sem sombra de dúvidas, como se pode observar, o transtorno de pânico é uma doença por demais afligente. Mas, felizmente, o seu prognóstico não é tão desfavorável assim. Os dados da literatura médica apontam resultados impressionantes e motivadores de recuperações. E, se estes só levam em conta os benefícios dos fármacos e as psicoterapias, o que dizer das possibilidades curadoras da associação destes tratamentos à terapêutica espiritual?

Paulo Velasco

paulo.velasco.psi@gmail.com

Fonte: O Consolador de 02/2009

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CRIME LEGAL

Divaldo Pereira Franco

Entre os acontecimentos infaustos que assinalaram o ano de 2020, no breve tempo em que se encerravam as narrações das suas desventuras, uma notícia terrivelmente infeliz atingiu-nos a todas criaturas: a Argentina, através do seu Senado, legalizava o aborto até a décima quarta semana de gestação.

A alegria que invadiu o país na madrugada, em que multidão muito volumosa gritava enlouquecida pelas ruas de Buenos Aires – registrada pelas câmeras fotográficas das redes sociais –, sem máscaras nem distância preventiva, numa infernal correria ao prazer, apoiava o crime de morte em detrimento da grandeza da vida.

Aos berros de exaltação do infanticídio sucedeu-se um grande silêncio, e uma nuvem representando a barbárie coletiva desceu sobre o grande país, que a partir de agora se compromete a matar os embriões e fetos humanos até a décima quarta semana.

Neste ritmo em que o conforto da mulher exige a eliminação do filho que não deseja, mas permitiu gerar, quando existem muitos recursos morais e legais que impedem a fecundação, em não distante tempo, pessoas insensíveis legalizarão a eutanásia, matando os pais que deles venham a depender ou simplesmente pessoas idosas, cujas existências pesem na economia ou futilidades da sociedade. Aliás, já tem havido algumas tentativas a esse respeito, que estão aguardando o momento selvagem para o homicídio.

Esquecem-se estes que assim pensam que à juventude sucede a velhice, por mais disfarces estéticos e recursos para a longevidade…

O ato desafiador produzido pelos argentinos assinala a decadência moral deste período cultural e espiritual da humanidade, em que a vida, especialmente a humana, perdeu o significado, voltando aos antiquíssimos padrões da ferocidade e da violência. Os vários milênios de cultura, ética e civilização desaparecem, sucedidos pela brutalidade e paixões ferozes de governantes bárbaros.

Sob todo e qualquer aspecto, é lamentável esse passo, dito legal, na Constituição do país vizinho. No entanto, repetindo Martin Luther King Jr.: “O pior não é o atrevimento dos maus, porém o silêncio dos bons”.

É exatamente o que está acontecendo em relação ao aborto legal e perversamente sempre imoral.

Têm sido poucas as reações de indivíduos e grupamentos religiosos, que tecnicamente respeitam a vida. Sua Santidade, o Papa Francisco, que defende as árvores da Amazônia, está silencioso ante o crime hediondo, desconsiderando o Mandamento “não matarás”, e principalmente aquele que não se pode defender.

Ao vivermos numa sociedade na qual se matam crianças por nascer, apenas por prazer, devemos sentir um grande constrangimento.

Matar é crime nefasto, e tudo devemos realizar para que o amor e suas leis substituam a sua hediondez.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde (BAHIA), coluna Opinião, em 7 de janeiro de 2021.

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DÍVIDA E RESGATE

Colméia Abelhas Árvore - Foto gratuita no Pixabay

Momento Espírita

Tudo aconteceu no Século XVIII. Ano de 1769.

Na grande fazenda, na casa grande, uma jovem extremamente bela planejava algo terrível.

Ela descobrira que seu noivo começara olhar de forma mais demorada para sua prima, Tereza Cristina.

Mas, pensava ela, de modo algum, Tereza Cristina me tirará o noivo, que é meu, só meu.

Seus sonhos de moça apaixonada não seriam destruídos pela prima.

Maria Amélia pensou muito durante toda a noite. No dia seguinte marcou um passeio a cavalo com Tereza Cristina.

Lembrou-se que, às margens do rio, havia abelhas mortíferas que, dias antes, tinham acabado com dois bois desprevenidos.

Era só colocar a prima ao alcance delas.

Mas como?

Surgiu então o plano. Assustar-lhe o cavalo, no local mais próximo às abelhas. A outra nada sabia a respeito da região perigosa. Maria Amélia dispararia a arma entre as patas do animal que, com certeza, a jogaria ao chão.

Depois, ela mesma se retiraria do local e pronto… tudo terminaria.

No dia seguinte, saíram as duas a passear. Quando se aproximaram da zona perigosa, Maria Amélia disparou a arma. O cavalo de Tereza Cristina empinou. A jovem caiu com um grito de dor.

Maria Amélia pôde ouvir o zumbido ameaçador das abelhas chegando. Golpeou seu próprio animal, afugentou a outra montaria e se afastou bem depressa.

De longe, pôde ouvir os gritos de Tereza Cristina sendo atacada pelas abelhas terríveis.

Mais tarde, o corpo da jovem foi encontrado. Estava deformado. Tudo pareceu um infeliz acidente.

O tiro que Maria Amélia disparou ninguém ouvira. Todos acreditaram que ela escapara, por milagre, e sua prima não tivera a mesma sorte.

*   *   *

O tempo passou. Duzentos anos depois, no ano de 1969, na cidade de Uberaba, em Minas Gerais, os jornais traziam uma manchete: Abelhas voltam a atacar. Moça morre em um piquenique.

A notícia esclarecia que várias moças, reunidas em um piquenique, às margens de um riacho, tinham sido atacadas por abelhas ferozes.

Uma delas, a mais atingida, morrera num dos hospitais da cidade, enquanto era atendida pelos médicos.

Era Maria Amélia reencarnada. A Justiça Divina a alcançava agora, para resgatar sua dívida.

Sem necessidade de que ninguém servisse de intermediário, nem se tornasse seu algoz ou seu carrasco.

O povo diz que a Justiça de Deus tarda, mas não falha. Na verdade, ela nunca chega tarde.

Chega sempre no tempo exato. No momento em que o Espírito, consciente dos erros que praticou, se dispõe ao resgate.

Realmente, nunca falha e jamais atinge pessoas inocentes. Nunca cobra além do que a pessoa deve.

Deus, que é Justiça, é também Misericórdia.

*   *   *

Se estamos sofrendo dores físicas ou morais, pensemos que chegou o nosso momento do reajuste.

Ninguém padece sendo inocente. Ninguém colhe o que não semeou.

Ajustemo-nos, assim, à lei, sofrendo sem reclamar, com dignidade. Sem revolta e sem comodismo, porque as almas vencedoras são as que vencem a luta, por combaterem o bom combate até o fim.

Redação do Momento Espírita, com base no
cap. 33, do livro Histórias da Vida, pelos Espíritos
Hilário Silva e Valerium, psicografia de
Antonio Baduy Filho, ed. IDE.
Em 9.1.2021.

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HÓSPEDE INVÍSIVEL, OUVINTE SILENCIOSO

Orson Peter Carrara

A expressão acima está numa frase que se completa com outras diretrizes, que apresento mais adiante. Ela foi elaborada pelo casal Peixotinho, que teve um número grande de filhos e ao mesmo tempo acolhia pessoas, com necessidades variadas, em sua própria casa, inclusive para pernoite e alimentação. Quem nos contou a história foi uma das filhas, Alcione Peixoto, numa entrevista que nos concedeu.

A frase completa também está no livro “Histórias reais do Lar de Peixotinho”, e na residência do casal era sempre observada pelos filhos, à hora das refeições, na moldura colocada na parede, o que naturalmente lhes marcou a memória para sempre. Sem dúvida um convite para evitar-se a maledicência e as reclamações, tão comuns nas mesas brasileiras, às refeições.

A frase completa é: Cristo é o chefe desta casa, hóspede invisível em cada refeição e ouvinte silencioso em cada conversação. Pensar e refletir sobre a grandeza da frase significa proteção da estrutura física da moradia pela casa mental dos residentes. Exatamente pelo poder do pensamento.

Pensando na própria vida e seus desdobramentos tão intensos e variados, é o caso de sempre pensarmos como usamos o horário (e outros, é claro) das refeições, considerando a grandeza da presença, proteção e amorosidade daquele que é luz do mundo!

Orson Peter Carrara

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A CASA DO CAMINHO

Nubor Orlando Facure

Os apóstolos permaneciam até altas horas da madrugada em atendimento sem descanso, acompanhados por seguidores e voluntários que se entusiasmavam com o novo tipo de trabalho caridoso, que se inaugurava naquele povo após a partida do Mestre Nazareno.

Acolhia-se, sem qualquer exigência, gente de várias regiões da Judéia, da Galileia até a Síria.

Necessidades inadiáveis, perturbações mentais, limitações dos paralíticos, convulsivos atormentados, lamentos com a perda de parentes muito amados, notícias sobres Jesus enquanto andou pelo mundo, relatos de perseguições religiosas, medo da mão vingativa do soldado romano, dores de todas naturezas.

Eram distribuídos alimentos, uma porção de trigo, vasilhas com água, frutas escassas, limpeza dos corpos com os óleos, ajustes das sandálias desgastadas, tarefas de amparo e assistência espiritual.

A rotina incluía a oração do Pai Nosso, a leitura das escrituras e relatos de passagens inesquecíveis com o Senhor que os apóstolos testemunharam, principalmente os seus encontros a mesa com eles, depois da crucificação comprovando que a vida segue adiante após o túmulo.

Jesus permanecia vivo no coração de todos.

Certo dia, a chuva havia passado e, ao final de tanto trabalho Pedro assenta para descanso, quando, aproxima-se dele um jovem que começa a indagar o apóstolo.

Vejo sua força no trabalho, seu interesse em dividir as lembranças do Mestre, sua fé na sobrevivência de Jesus, a clareza com que descreve seus momentos com Ele, me surpreende saber, porém, que o negaste por 3 vezes.

Como se explica porque fracassastes nesses momentos?

Pedro pegou nas mãos limpas e ainda não calejadas do jovem entrevistador e perguntou:

E você, quantas vezes o teria negado?

Veja bem:

Ele não veio destruir a Lei

Mas, fez tantas mudanças que a Lei depois Dele jamais seria a mesma

Ele e nós trabalhamos no sábado

Curou cegos de nascença mesmo com a proibição da Lei

Assentou com mulheres de má fama e permitiu que lhes tocasse as vestes

Conviveu com ladrões

Sem se comprometer com falta alguma

Disse que o menor será o maior no Reino dos Céus

Teve a ousadia de se mostrar como o Filho preferido do Senhor, que perdoava em Seu nome

Que Ele era o caminho

Que Isaías se referia a Ele como o enviado divino para salvar o Seu povo amado

Que devemos amar aos inimigos

Dar-lhes duas de nossas túnicas se nos pedirem uma

Oferecer a outra face se nos agredirem o que significa nunca revidar

Que o maior mandamento era o amor a Deus e ao próximo

Que a caridade dispensa a ostentação

Que um centavo pode ser mais para Deus que toda uma fortuna

Que não se deve fazer aos outros o que não queremos que nos façam

Negou ser o Rei dos Judeus porque o seu reino não é desse mundo

Que não precisamos de Templos para nos dirigir a Deus

Quantos de nós, meu jovem, por milênios ainda vamos negar, negar e negar 3 vezes as propostas do Mestre

Nubor Orlando Facure

Fonte:  Portal Casa Espírita Nova Era

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A DEPRESSÃO NA VISÃO ESPÍRITA

Dr Wilson Ayub Lopes

A depressão pode ser conceituada como uma alteração do estado de humor, uma tristeza intensa, um abatimento profundo, com desinteresse pelas coisas. Tudo perde a graça, o mundo fica cinza, viver torna-se tarefa difícil, pesada, com ideias fixas e pessimistas.

Poderíamos considerá-la como uma emoção estragada. As emoções naturais devem ser passageiras, circularem normalmente, sem desequilibrar o ser. A tristeza por exemplo, é uma emoção natural, que nos leva a entrar em contato conosco, à introspecção e à reflexão sobre nossas atitudes. Agora, uma vez estagnada, prolongada, acompanhada de sentimento de culpa, nos leva a depressão.

Podemos dividir a “depressão” em três formas, de acordo com o fator causal:

– Depressão Reativa ou Neurose Depressiva: Esta depende de um fator externo desencadeante, geralmente perdas ou frustrações, tais como separação, perda de um ente querido, etc.

– Depressão Secundária a Doenças Orgânicas: Acidente vascular cerebral (“derrame”), tumor cerebral, doenças da tireóide, etc.

– Depressão Endógena: Por deficiência de neurotransmissores. Exemplos: depressão do velho, depressão familiar e psicose maníaco-depressiva.

Estima-se que a depressão incida em cerca de 14% da população, ou seja, temos no Brasil cerca de 21 milhões de deprimidos. Ela afeta todo o ser acarretando uma série de desequilíbrios orgânicos, sobretudo, comprometendo a qualidade de vida, tornando a criatura infeliz e com queda do seu rendimento pessoal.

André Luiz cita nas suas obras que os estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos que são unidades de força psicossomáticas que se localizam nas mitocôndrias. A mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo através dos bióforos. Ela funciona ora como um sol irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do nosso organismo, e ora como tempestades, gerando raios e faíscas destruidoras que desequilibram o ser.

Segundo Emmanuel, a depressão interfere na mitose (divisão) celular, contribuindo para o aparecimento do câncer e de outras doenças imunológicas, sobretudo a deficiência imunitária facilitando às infecções. Na depressão existe uma perda de energia vital no organismo, num processo de desvitalização. O indivíduo perde energia por dois mecanismos principais:

1º) Perde sintonia com a Fonte Divina de Energia Vital: O indivíduo não se amando como deve, com sentimento de autoestima em baixa, afasta de si mesmo, da sua natureza divina, elo de ligação com a fonte inesgotável do Amor Divino. Além do mais, o indivíduo ao se fechar em seus problemas e suas mágoas, cria um ambiente vibracional negativo que dificulta o acesso da Espiritualidade Maior em seu benefício.

2º) Gasto Energético Improdutivo: O indivíduo ao invés de utilizar o seu potencial energético para desenvolver potencialidades evolutivas, vivendo intensamente as experiências e os desafios que a vida lhe apresenta, desperdiça energia nos sentimentos de auto-compaixão, tristeza e lamentações. Sofre e não evolui.

Causas Principais – A depressão está frequentemente associada a dois sentimentos básicos: a tristeza e culpa degenerada em remorso. Quando por algum motivo infringimos a lei natural, ao tomarmos consciência do erro cometido, temos dois caminhos a seguir:

1 – Erro>Consciência>Arrependimento>Tristeza>Reparação

2 – Erro>Consciência>Culpa-Remorso (ideia fixa)>Depressão

O primeiro caminho é meio natural de nosso aperfeiçoamento. Uma vez tomando consciência de nossas imperfeições e erros cometidos, empreendemos o processo de regeneração através de lições reparadoras.

De outra maneira, se ao invés nos motivarmos a nos recuperarmos, nós nos abatermos, com sentimento de desvalia, de auto-punição, e permanecermos atrelados ao passado de erros, com ideias fixas e auto-obsessivas, nós estaremos caminhando para o estado de depressão, que é improdutivo no sentido de nossa evolução. Outra condição que nos leva à depressão é citada pelo espírito de François de Genève em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V item 5 (A Melancolia), onde relata que uma das causas da tristeza que se apodera de nossos corações fazendo com que achemos a vida amarga é quando o Espírito aspira a liberdade e a felicidade da vida espiritual, mas, vendo-se preso ao corpo, se frustra, cai no desencorajamento e transmite para o corpo apatia e abatimento, se sentindo infeliz.

Para François Genève então, a causa inicial é esta ânsia frustrada de felicidade, liberdade almejada pelo espírito encarnado, acrescido das atribulações da vida com suas dificuldades de relacionamento interpessoal, intensificada pelas influências negativas de espíritos encarnados e desencarnados.

Outro fator que está determinando esta incidência alarmante de depressão nos nossos dias é o isolamento, a insegurança e o medo que estão acometendo as pessoas na sociedade contemporânea. Absorvido pelos valores imperantes como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a necessidade de não perder, de ser o melhor, de não falhar, o homem está se afastando de si e de sua natureza. Adota então uma máscara (persona), que utiliza para representar um “papel” na sociedade. E, nesta vivência neurotizante, ele deixa de desenvolver suas potencialidades, não se abre, nem expõe suas emoções, pois estas demonstram quem de fato ele é. Enclausurado, fechado nesta carapaça de orgulho e egoísmo, ele se isola e se sente sozinho. Solidão, não no sentido de estar só, mas de se sentir só. Mais do que se sentir só é a insatisfação da pessoa com a vida e consigo mesma. O indivíduo nessa situação precisa se cercar de pessoas e de coisas para ficar bem, pois, desconhece que ele se basta pelo potencial divino que tem.

A solidão é consequência de sua insegurança, de sua imaturidade psicológica. Nos primeiros anos de vida, a criança enquanto frágil e insegura, é natural que tenha necessidade de que as pessoas vivam em função delas, dando-lhes atenção e proteção. É a fase do egocentrismo, predominantemente receptiva. Com o seu amadurecimento, começa a criar uma boa imagem de si, tornando-se mais seguro, e a partir de então, passa a se doar, a se envolver e a participar mais do mundo. O que acontece é que certas pessoas, por algum motivo, têm dificuldades neste processo de amadurecimento afetivo, mantendo-se essencialmente receptivas e não participativas, exigindo carinho, respeito e atenção, sem se preocuparem da mesma forma com os outros. Fazem-se de vítimas, pobres coitados, sem se responsabilizarem por si. Conseguem o seu equilíbrio às custas das conquistas exteriores. A primeira frustração que se deparam, não toleram, pois expõe suas fraquezas e isto motiva um quadro de depressão.

Em alguns idiomas, doença e vazio têm a mesma tradução. A doença seria decorrente de um vazio de sentimentos que gera depressão e adoece o ser.

Um indivíduo quando perde a capacidade de se amar, quando a autoestima está debilitada, passa a ter dificuldade de amar o semelhante, pois o sentimento de amor, de generosidade para com o próximo, é um sentir de dentro para fora. Este sentimento de amor ao próximo, nada mais é do que uma extensão do nosso amor, da nossa sintonia com o Deus interior que nós temos em nós.

A pessoa que tem dificuldade nesta composição de amar a si e, por consequência, amar o próximo, deixa de receber o amor e a simpatia do outro, e não consegue entrar em sintonia com a fonte sublime inesgotável do Amor Divino. Nós limitamos aquilo que recebemos de Deus, na medida do quanto doamos ao próximo. Quem ama muito, muito recebe. Quem pouco ama, pouco recebe. Esse afastamento de si, e por conseguinte de Deus, gera a tristeza, o vazio, a depressão e a doença.

Tratamento – A depressão é um sintoma que nos diz que não estamos nos amando como deveríamos. O caminho para sairmos dela é preencher este vazio com a recuperação da autoestima e do amor em todos os sentidos.

Primeiro, procurando nos conhecer e nos analisar, com o intuito de nos descobrirmos, sem nos julgarmos, sem nos punirmos ou nos culparmos. E depois, nos aceitarmos como somos, com todas as nossas limitações, mas sabendo que temos toda potencialidade divina dentro de nós, esperando para desabrochar como sementes de luz. Isto nada mais é do que desenvolver a fé em si e no criador, sentimento este que transforma e que nos liga diretamente a Deus.

Uma pessoa consciente de sua riqueza interior passa a ter segurança e fé nas suas potencialidades infinitas, começando a gostar e acreditar em si, amando-se e a partir de então, sentindo necessidade de expandir este sentimento a tudo e todos. Começa assim a se despertar para os verdadeiros valores da vida espiritual, se transformando numa pessoa feliz e sorridente, pois onde existe seriedade, há algo de errado; a seriedade está ligada ao ser doente. Sorria e seja feliz amando e servindo sempre.

A terapia contra a depressão se baseia no amar e no servir, se envolvendo em trabalhos úteis e no serviço do bem. Seja no trabalho profissional, no trabalho do lazer, ou no trabalho de servir ao próximo, o indivíduo se ocupa, exercita o amor, e deixa de se envolver com as lamentações, pois a infelicidade faz seu ninho no escuro dos sentimentos de cada um. Dificilmente conheceremos um deprimido, entre aqueles que trabalham a serviço do bem.

Para doarmos este amor, não basta somente fazermos obras de caridade, temos que nos tornarmos caridosos; antes de fazermos o bem temos que ser bons. Darmos um pão, um agasalho, mais junto colocarmos uma boa dose de afeto e carinho. Ser acima de tudo generosos, que é a caridade com afeto.

As pessoas estão com fome de amor, de calor humano, um ombro amigo, um abraço, um aconchego e uma palavra de carinho. Às vezes, com um simples sorriso, um bom dia, um olhar afetuoso, nós estamos doando energia e transmitindo vida. O homem alcançou um enorme progresso intelectual, satisfazendo suas necessidades materiais com os avanços tecnológicos. Porém, ainda se depara com enormes dificuldades na convivência fraterna com o seu semelhante. Estamos cada vez mais próximos um dos outros através dos meios de comunicação e, no entanto, mais afastados emocionalmente.

Agora, o homem está sentindo a necessidade premente de desenvolver a afetividade, de se envolver, amar e sentir o seu semelhante. Temos que ressuscitar e liberar a criança que está esquecida dentro de nós.

Para resgatarmos esta criança que adormece em nós, é necessário que vejamos o mundo de forma positiva e otimista. A nossa criança interior, geralmente se encontra retraída e oprimida, porque a vida nos apresenta de forma desagradável; ainda não vivemos de forma natural, espontânea e isto gera ansiedade e sofrimento. Como a criança é movida pelo prazer, ela se recolhe e não se manifesta. A criança não se julga, não se pune. Ela apenas vive o hoje, o agora, integrada perfeitamente a Deus e à natureza. “Deixai vir a mim as criancinhas porque o reino dos céus é de quem vos assemelham” – com estas palavras quis Jesus dizer que teremos que ser puros, autênticos, integrados com a nossa natureza divina, sem fugas ou máscaras, para alcançarmos a nossa evolução espiritual.

Ter atitudes simples, como lidar com animais, brincar com crianças, atividades criativas como a pintura, tocar um instrumento, fazer pequenas tarefas domésticas, cozinhar, manter uma conversa amena, contar um caso, ver um bom filme, escutar uma música, cantar, sorrir, ouvir com atenção, olhar com ternura, tocar as pessoas, abraçar, fazer um elogio sincero, curtir a natureza, admirar o pôr do sol, etc. Estas são tarefas que muito lhe ajudará a reencontrar o equilíbrio e a harmonia interior. Manter sempre o bom humor.

Aquele que tem no ideal de servir uma meta de vida, será sempre uma pessoa feliz. Na vida o que mais importa é o amor e o bem querer das pessoas, viver suas emoções; não se deixar afetar por coisas pequenas. Muitas vezes nos deixamos abater por problemas, que se olharmos com olhos de Espíritos Eternos em passagem pela Terra, não valorizaríamos. Substituir sentimentos de auto-piedade por vibrações em favor dos que sofrem. Se olharmos com atenção e interesse ao nosso redor, veremos que existem pessoas com problemas muito piores que o nosso a pedir socorro.

Procurar praticar atividades físicas regulares, como a caminhada, um esporte, um lazer. A mente parada começa a criar pensamentos negativos, que se assemelham a lixos amontoados dentro de casa. Com estas atividades, você estará desviando sua mente destes pensamentos deletérios.

Tornar-se empreendedor, dinâmico, criando ideias novas e construtivas em benefício do semelhante, com motivação para implementá-las, junto ao grupo ou a comunidade que pertence. Não fique estagnado esperando que as coisas aconteçam em seu favor. Aja em favor do próximo e não se surpreenda se você for o mais beneficiado.

Leituras edificantes, uma conversa com um amigo, um terapeuta ou um orientador espiritual, ajuda você a ver o problema por um outro ângulo. A oração é um recurso indispensável no processo de recuperação. Através dela estabelecemos sintonia com a Espiritualidade Maior, facilitando o caminho para que nos inspirem e revigorem nossas energias. Não nascemos para sofrer. A vontade de Deus é a nossa alegria e a nossa felicidade. Se sofrermos é por nossa causa. Os nossos problemas e nossas dificuldades devem ser interpretados como instrumentos para nossa evolução. Nunca devemos nos deprimir ou nos revoltar contra eles. O melhor aprendizado, é aquele que tiramos de nossa própria vida. Vocábulo “crise” em algumas línguas pode ter dois significados: a oportunidade ou perigo. Oportunidade de crescimento ou perigo de queda.

O que importa é sabermos que os problemas que deparamos na vida só surgem quando já temos condições de solucioná-los. Como disse o Mestre Jesus: “O Pai não coloca fardos pesados em ombros fracos”. Deste modo, ficamos mais fortes ao saber que temos todas as condições interiores, para enfrentar as dificuldades que a vida nos apresenta. Ter consciência, que acima de tudo, tem um Deus maior a zelar por nós e que nunca nos abandona.

Confiar em Jesus e seguir seu exemplo de vida: “Eu sou o Bom Pastor; tende bom ânimo; não se turbe o vosso coração; vinde a mim vós que andais fatigados, cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”.

Dr. Wilson Ayub Lopes

Fonte: FRATERLUZ – Fraternidade Espírita Luz do Cristianismo

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A HONESTIDADE CONQUISTA

Imagine que deixou seu carro estacionado numa rua qualquer e quando você volta encontra o seguinte bilhete no para-brisa:

Desculpe. Eu bati no seu carro. Desequilibrei da bicicleta. Aqui está o telefone do meu pai.

Isso aconteceu quando um menino de sete anos esbarrou o guidão de sua bicicleta num veículo parado.

O pai conta que ficou sabendo ao chegar em casa, quando o filho se mostrou bastante incomodado com o acontecido e perguntou quanto custaria o conserto porque desejava pagar com seu próprio dinheiro.

Fiquei anos juntando um pouquinho de dinheiro e daí ia ser tudo despejado em uma coisinha só. Fiquei preocupado, mas o bem sempre vai e volta – disse Benício aos repórteres que o entrevistaram, após o pequeno acontecimento ganhar notoriedade nas redes sociais.

Quem fez questão de divulgar a ação do menino foi justamente o dono do veículo, que disse nem ter percebido o pequeno arranhão, mas notou o simpático bilhete no para-brisa.

Achei um gesto de uma doçura, de uma honestidade sem igual. Meu carro estava sujo e não percebi nada de diferente. Se não fosse o bilhete, nem teria notado.

Resumo de tudo: a honestidade da criança conquistou a todos e falou muito mais alto do que os fatos geradores da situação problema.

O que você faria ou já fez numa situação parecida com essa? Se ninguém estivesse olhando, você seguiria adiante? Faria de conta que nada aconteceu? Ou assumiria a responsabilidade, fosse ela qual fosse?

Como é sua honestidade nessas pequenas coisas?

Sua linha de raciocínio em momentos assim pode dizer muito do que você é, ou do que ainda pode vir a ser.

Se está na fase do o que os olhos não veem o coração não sente ou se não consegue permitir, pela exigência da consciência, que possa causar qualquer dano a alguém sem assumir a devida responsabilidade.

Pense no exemplo do menino e sua bicicleta. Ele estava disposto a dar todas as suas economias em nome da honestidade, em nome desse bem que, segundo ele, vai e volta.

Você faria o mesmo?

A honestidade procede dessa forma, uma vez que está baseada numa justiça intocável, que dá a cada um o que é seu de direito.

Por isso é importante que busquemos sempre ser honestos em todos os passos de nosso viver.

Vivamos a honestidade e nunca enganemos a ninguém.

A vida é grande cobradora e exímia retribuidora. O que façamos com os outros sempre retornará para nós.

À sementeira sucede a colheita. Colheremos conforme tenhamos plantado. Quem engana, ilude, trai, a si próprio se prejudica, desrespeitando-se primeiro e fazendo jus aos efeitos da sua conduta reprovável.

Sejamos honestos para conosco mesmos e, como consequência, para com nosso próximo.

Lembremos que o bem vai e volta… Vai e volta. Foi Jesus de Nazaré quem afirmou que aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, também será nas grandes…

Por Momento Espírita

Redação do Momento Espírita, com base em notícia publicada no site www.sonoticiaboa.com.br, em 22.9.2020; no cap. 37, do livro Vida Feliz, pelo Espírito Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL e no Evangelho de Lucas, cap. 16, vers. 10.

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ANTES DA DESENCARNAÇÃO

Joanna de Ângelis

Não esperes os “sinais da morte” em aproximação para que penses nos programas nobilitantes da vida, que não foram executados. Nem constranjas os outros, à hora final, com as confissões de “alívio da consciência” para que consigas uma entrada tranquila no país do além-túmulo…

É muito generalizada a crença de que no instante da despedida se dissipam mágoas e azedumes sob o encantamento mágico da desencarnação, mediante acordos improcedentes…

Muitos moribundos que dispõem de voz, antes do grande coma, arrolam despedidas e acenam adeuses, apresentando as “últimas vontades” com as quais se vinculam, após a partida, aos que se acumpliciaram em atendê-los, alongando a enfermidade nos tecidos sutis do perispírito e gerando delicados processos de obsessão pertinaz nos que ficaram.

Alguns que não puderam expressar os pensamentos atormentantes do leito de agonias, remoem-se nos arrependimentos e tartamudeiam mentalmente o quanto gostariam de ter feito, tardiamente, porém…

Outros mais, ante a mensagem-aviso desencarnatório preparam-se apressadamente, para desanuviarem a mente sombreada de remorsos, expondo os erros em que incidiram e rogando perdão… Todavia, em recuperando a saúde por impositivo de continuação das lutas na forma física, retornam aos velhos sítios onde se compraziam, recomeçando, ávidos, o comércio com a loucura a que se reentregam…

* * *

A máquina funciona com eficiência enquanto a engrenagem se demora em harmonia. Desengonçada, emperra, com prejuízo para a produção.

Vigorosos cabos sustentam pesos colossais ao império da estrutura bem elaborada. Enfraquecidos pelo uso, perdem a finalidade, ameaçando a segurança.

Instrumentos sensíveis colaboram eficazmente para elaborações nobres. Desajustados levemente, tornam-se danosos a qualquer cálculo e realização.

Todas as peças do engenho humano gozam de um período hábil de utilidade, depois do que não merecem confiança. Algumas alongam o prazo da previsão. Outras, reparadas, servem mais demoradamente.

Nunca, porém, com o vigor de que dispunham ao ser produzidas.

Também o corpo, também a oportunidade da reencarnação.

“A nossa vida passa rapidamente”, afirma o Salmista.

Produze, pois, quanto possas durante o tempo em que podes.

Amanhã serão diferentes as circunstâncias de tempo, modo e lugar…

Movimenta a máquina físico-mental sob o beneplácito da saúde fazendo o melhor ao teu alcance. Retornando da enfermidade serão menores as probabilidades de êxito.

Apazigua a consciência reparando, com o bem, os males praticados, enquanto caminhas com os ludibriados pela tua incúria.

Resolve as tuas dificuldades nos dias de vigor da experiência carnal, evitando transferir para os outros os malogros em que demorastes por imprevidência.

Mesmo que te tranquilizes aparentemente por transferência de responsabilidade para outrem, despertarás, após a viagem, como és, com o que tens, como agiste durante o período previsto para a tua finalidade pelo Excelso Concessionário.

* * *

O Evangelista Lucas, no versículo 2 do Capítulo 16, narrando a Parábola do Mordomo Infiel, refere-se ao impositivo de “dar conta da administração”.

A vida física é posse transitória da Fazenda Divina, de que terás de dar conta.

Recorda que Jesus, o Operário Incansável, em chegando a hora do encontro com Deus, não arrolou, na Cruz, queixas ou recriminações, lamentos ou petitórios e, estando tranquilo pela tarefa bem cumprida, “entregou o Espírito às mãos do Pai”, serenamente, inaugurando, logo depois, com a sua Ressurreição gloriosa, após o túmulo, a Era nova do espírito imortal. Vive com reta conduta antes da desencarnação, porque, também tu, ressuscitarás depois da morte.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 30

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O que São Espíritos Agêneres?

O que é um agênere?

É uma aparição em que o desencarnado se reveste de forma mais precisa, das aparências de um corpo sólido, a ponto de causar completa ilusão ao observador, que supõe ter diante de si um ser corpóreo.

Esse fato ocorre devido à natureza e propriedades do perispírito que possibilitam ao Espírito, por intermédio de seu pensamento e vontade, provocar modificações nesse corpo espiritual a ponto de torná-lo visível.

Há uma condensação (os Espíritos usam essa palavra a título de comparação apenas) tal, que o perispírito, por meio das moléculas que o constituem, adquire as características de um corpo sólido, capaz de produzir impressão ao tato, deixar vestígios de sua presença, tornar-se tangível, conservando as possibilidades de retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível.

Para que um Espírito condense seu perispírito, tornando-se um agênere, são necessárias, além da sua vontade, uma combinação de fluidos afins peculiares aos encarnados, permissão, além de outras condições cuja mecânica se desconhece. Nesses casos a tangibilidade pode chegar a tal ponto que é possível ao observador tocar, palpar, sentir a resistência da matéria, o que não impede que o agênere desapareça com a rapidez de um relâmpago, através da desagregação das moléculas fluídicas.

Os seres que se apresentam nessas condições não nascem e nem morrem como os homens; daí o nome: agênere – do grego: a privativo, e géine, géinomai, gerado: não gerado, ou seja, que não foi gerado.

Podendo ser vistos, não se sabe de onde vieram, nem para onde vão. Não podem ser presos, agredidos, visto que não possuem um corpo carnal. Desapareceriam, tão logo percebessem a intenção diferente ou que os quisessem tocar, caso não o queiram permitir.

Os agêneres, embora possam ser confundidos com os encarnados, possuem algo de insólito, diferente. O olhar não possui a nitidez do olhar humano e, mesmo que possam conversar, a linguagem é breve, sentenciosa, sem a flexibilidade da linguagem humana. Não permanecem por muito tempo entre os encarnados, não podendo se tornar comensais de uma casa, nem figurar como membros de uma família.

Transcrevemos a seguir um exemplo extraído da Revista Espírita de 1859 – Fevereiro (EDICEL):

“Uma pobre mulher estava na igreja de Saint-Roque em Paris, e pedia a Deus vir em ajuda de sua aflição. Em sua saída da igreja, na rua Saint-Honoré, ela encontrou um senhor que a abordou dizendo-lhe:

-“Minha brava mulher, estaríeis contente por encontrar trabalho?

– Ah! Meu bom senhor, disse ela, pedia a Deus que me fosse achá-lo, porque sou bem infeliz.

– Pois bem! Ide em tal rua, em tal número; chamareis a senhora T…; ela vo-lo dará.”

Ali continuou seu caminho. A pobre mulher se encontrou, sem tardar, no endereço indicado:

– Tenho, com efeito, trabalho a fazer, disse a dama em questão, mas como ainda não chamei ninguém, como ocorre que vindes me procurar?

A pobre mulher, percebendo um retrato pendurado na parede, disse:

– Senhora, foi esse senhor ali, que me enviou.

– Esse senhor! Repetiu a dama espantada, mas isso não é possível; é o retrato de meu filho, que morreu há três anos.

– Não sei como isso ocorre, mas vos asseguro que foi esse senhor, que acabo de encontrar saindo da igreja onde fui pedir a Deus para me assistir; ele me abordou, e foi muito bem ele quem me enviou aqui.

O Espírito São Luiz consultado a respeito, forneceu instruções muito interessantes:

– Reafirma: – não basta a vontade do Espírito; é também necessário permissão para ocorrer o fenômeno.

– Existem, muitas vezes na Terra, Espíritos revestidos dessa aparência.

– Podem pertencer à categoria de Espíritos elevados ou inferiores.

– Têm as paixões dos Espíritos, conforme sua inferioridade; se inferiores buscam prazeres inferiores; se superiores visam fins elevados.

– Não podem procriar.

– Não temos meios de identificá-los, a não ser pelo seu desaparecimento inesperado.

– Não têm necessidade de alimentação e não poderiam fazê-la; seu corpo não é real.

Encerrando nosso estudo sobre os agêneres, relembramos que, por mais extraordinário que possam parecer, esses fatos se produzem dentro das leis da Natureza, sendo apenas efeito e aplicação dessas mesmas leis. Recomendamos aos leitores continuem a pesquisa sobre o tema nas Obras Básicas e na Revista Espírita, Fevereiro de 1859, 1860 e 1863.

Fonte: http://letraespirita.blogspot.com.br

Bibliografia:

KARDEC, Allan – O Livro dos Médiuns: 2. ed. São Paulo: FEESP, 1989 – Cap VII – 2ª Parte.

KARDEC, Allan – Revista Espírita – 1859 – Fevereiro: 1. ed. São Paulo: EDICEL, 1985.

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