Senhora no passado, indigente no presente

Antonio Carlos Navarro

Certa feita, em uma sessão mediúnica destinada a desobsessão e esclarecimento de espíritos em condições menos felizes, um espírito se apresentou bastante revoltado e endurecido por conta de suas convicções e condições de sofrimento.

Após algumas sessões, já mais aliviado, contou parte de sua história.

Falou de uma reencarnação sua há cerca de trezentos anos, quando, na condição de adulto, envergou a posição de feitor de escravos em uma fazenda no interior do Brasil, e sem nenhum sentimento humano tratava-os conforme as ordens dos proprietários em sintonia de sentimentos.

Os valores morais da Senhora proprietária da fazenda eram voltados para a avareza, para a frieza de coração, e portava uma vaidade doentia. Sobrepunha-se ao marido na questão dos castigos infligidos aos escravos.

Passaram-se mais algumas sessões e o espírito comunicante apontou o local onde o casal estava reencarnado, no último quarto do século vinte, conclamando os componentes do grupo mediúnico a visitá-los para amparo espiritual, e também material.

A família que os recebera como irmãos era numerosa e sobreviviam, penosamente, do resultado do trabalho pouco remunerado do pai adotivo, e também da ajuda caritativa de voluntários da benemerência. Em termos sociais a condição era precaríssima, porém de bom nível moral, mas a condição reencarnatória pessoal dos dois era ainda mais terrível.

Estavam reencarnados dentro da raça negra, e quase que vegetavam em um quartinho nos fundos, os dois juntos. Ele, outrora dono de fazenda, portava deficiências física e mental severas, mas conseguia manter-se sentado, e portava um humor surpreendente ao receber visitas. Não falava, apenas balbuciava alguns monossílabos.

Ela apresentava uma condição ainda mais complexa. Sua insuficiência mental era quase total, e a sua condição física quase não permitia outra posição senão a de manter-se deitada de lado, com todo o corpo encolhido, como que na posição fetal. Vivia grunhindo e numa agitação física constante. Quando recebia visitas precisava ser sustentada sentada, por curto período de tempo.

No entanto, era surpreendente ver sua reação ao receber visitas que portavam adereços como anéis, relógios e pulseiras, colares e brincos. Ela se excitava de tal forma que chegava a avançar, pacificamente, para acariciar os objetos, e quando lhe era permitido tocá-los, o fazia com um carinho excedido, deslumbrando-se e acalmando-se.

Confirmaram-se as informações do espírito comunicante, e constatava-se que a vaidade da antiga senhora tornara-se multissecular.

Em O Livro dos Espíritos encontramos esclarecimentos a respeito:

Questão 395: Podemos ter algumas revelações de nossas existências anteriores? – Nem sempre. Muitos sabem, entretanto, o que foram e o que fizeram; se fosse permitido dizer abertamente, fariam singulares revelações sobre o passado.

Questão 399: Os acontecimentos da vida corporal são, ao mesmo tempo, uma expiação pelas faltas passadas e provas que visam ao futuro. Pode-se dizer que da natureza dessas situações se possa deduzir o gênero da existência anterior? – Muito frequentemente, uma vez que cada um é punido pelos erros que cometeu; entretanto, não deve ser isso uma regra absoluta. As tendências instintivas são a melhor indicação (grifo nosso), visto que as provas pelas quais o Espírito passa se referem tanto ao futuro quanto ao passado.

Podemos, portanto, ter algumas revelações do passado para bom uso no presente, e no presente o espírito apresenta suas tendências e aptidões, para correção das más e desenvolvimento das boas.

A condição reencarnatória está em consonância com as necessidades espirituais particulares do espírito, e visa sempre o melhor para cada um, em obediência ao princípio da lei de ação e reação, restando a nós outros mudar nossos valores para que, no futuro, o que fazemos hoje não seja refletido penosamente, tanto quanto o passado esteja se fazendo presente na atual reencarnação.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte:  Kardec Rio Preto

Referências Bibliográficas:

O Livro dos Espíritos, Allan Kardec

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Os mecanismos da cura espiritual

Por Edvaldo Kulcheski

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MECANISMOS DA CURA ESPIRITUAL

A mediunidade de cura é a capacidade possuída por certos médiuns de curarem moléstias por si mesmos, provocando reações reparadoras de tecidos e órgãos do corpo humano, inclusive as oriundas de influenciação espiritual. Assim como existem médiuns que emitem fluidos próprios para a produção de efeitos físicos concretos (ectoplasmia), temos igualmente os médiuns que emitem fluidos que operam todas as reparações acima referidas.

Na essência, o fluido é sempre o mesmo, uma substância cósmica fundamental. Mas suas propriedades e efeitos variam imensamente, conforme a natureza da fonte geradora imediata, da vibração específica e, em muitos casos (como este de cura, por exemplo), do sentimento que precedeu o ato da emissão.

A diferença entre os dois fenômenos é que no primeiro caso (ectoplasmia), o fluido é pesado, denso, próprio para elaboração de formas ou produção de efeitos objetivos por condensação, ao passo que no segundo (curas), ele é sutilizado, radiante, próprio para alterar condições vibratórias já existentes.

Médium curador

Além do magnetismo próprio, o médium curador goza da aptidão de captar esses fluidos leves e benignos nas fontes energéticas da natureza, irradiando-os em seguida sobre o doente, revigorando órgãos, normalizando funções, destruindo placas e quistos fluídicos produzidos tanto por auto-obsessão como por influenciação direta.

O médium se coloca em contato com essas fontes ao orar e se concentrar, animado pelo desejo de fazer uma caridade evangélica. Como a lei do amor é a que preside todos os atos da vida espiritual superior, ele se coloca em condições de vibrar em consonância com todas as atividades universais da criação, encadeando forças de alto poder construtivo que vertem sobre ele e se transferem ao doente. Por sua vez, este se colocou na mesma sintonia vibratória por meio da fé ou da esperança.

Os fluidos radiantes interpenetram o corpo físico, atingem o campo da vida celular, bombardeiam os átomos, elevam-lhes a vibração íntima e injetam nas células uma vitalidade mais intensa. Em consequência, acelera as trocas (assimilação, eliminação), resultando em uma alteração benéfica que repara lesões ou equilibra funções no corpo físico.

Nas operações cirúrgicas feitas diretamente no corpo físico, os espíritos operadores incorporam no próprio médium que dispõe desta faculdade. Este, como autômato, opera o paciente com os mesmos instrumentos da cirurgia terrena, porém sem anestesia e dispensando qualquer precaução de assepsia. Em certos casos, embora raros, o espírito incorporado logra o mesmo resultado cirúrgico utilizando objetos de uso doméstico (facas, tesouras, garfos ou estiletes comuns) como instrumentos operatórios, igualmente sem quaisquer cuidados anti-sépticos.

O cirurgião invisível incorporado no médium corta as carnes do paciente, extirpa excrescências mórbidas, drena tumores, desata atrofias, desimpede a circulação obstruída, reduz estenoses ou elimina órgãos irrecuperáveis. Semelhantes intervenções, além de seu absoluto êxito, são realizadas em um espaço de tempo exíguo, muito acima da capacidade do mais abalizado cirurgião do mundo físico. Em tais casos, os médicos desencarnados fazem seus diagnósticos rapidamente, com absoluta exatidão e sem necessidade de chapas radiográficas, eletrocardiogramas, hemogramas, encefalogramas ou quaisquer outras pesquisas de laboratório.

Nessas operações mediúnicas processadas diretamente na carne, os pacientes operados tanto podem apresentar cicatrizes ou estigmas operatórios como ficarem livres de quaisquer sinais cirúrgicos. Em seguida à operação, eles se erguem lépidos e sem qualquer embaraço ou dor, manifestando-se surpreendidos por seu alívio inesperado e a eliminação súbita de seus males.

Quando opera incorporado no médium, o espírito sempre é auxiliado por companheiros experimentados na mesma tarefa, que cooperam e ajudam no controle da intervenção cirúrgica, no diagnóstico seguro e rápido e no exame antecipado das anomalias dos enfermos a serem operados. Entidades experimentadas na ciência química transcendental preparam os fluidos anestesiantes e cicatrizantes, transferindo-os depois do mundo oculto para o cenário físico através da materialização na forma líquida ou gasosa, conforme seja necessário.

Cirurgias à distância

Embora o êxito das operações mediúnicas dependa especialmente do ectoplasma a ser fornecido por um médium de efeitos físicos e controlado pelos espíritos de médicos desencarnados, há circunstâncias em que, devido ao teor sadio dos próprios fluidos do enfermo, as operações produzem resultados miraculosos no corpo físico, apesar de processadas somente no perispírito.

O processo de “refluidificação”, com o aproveitamento dos fluidos do próprio doente, lembra algo do recurso de cura adotado na hemoterapia praticada pela medicina terrena, na qual o médico incentiva o energismo da pessoa debilitada extraindo-lhe algum sangue e, em seguida, injetando-o novamente nela, em um processo que acelera a dinâmica do sistema circulatório.

No entanto, mesmo que se tratem de operações mediúnicas feitas diretamente na carne do paciente ou mediante fluidos irradiados à distância pelas pessoas de magnetismo terapêutico, o sucesso operatório exige sempre a interferência de espíritos desencarnados, técnicos e operadores, que submetem os fluidos irradiados pelos “vivos” a um avançado processo de química transcendental nos laboratórios do lado espiritual.

E quais são as diferenças entre as cirurgias realizadas com a presença do paciente e as realizadas à distância? No primeiro caso, os técnicos desencarnados utilizam o ectoplasma do médium de efeitos físicos e também os fluidos nervosos emitidos pelas pessoas presentes. Esta aglutinação polarizada sobre o enfermo presente possibilita resultados mais eficientes e imediatos. No segundo caso, os espíritos operadores procuram reunir e projetar sobre o doente os fluidos magnéticos obtidos pelas pessoas que se encontram reunidas à distância, no centro espírita. Porém, como se tratam de fluidos bem mais fracos do que os fornecidos pelo médium de fenômenos físicos, eles são submetidos a um tratamento químico especial pelos operadores invisíveis, a fim de se obterem resultados positivos. Mesmo assim, os fluidos transmitidos à distância servem apenas para as intervenções de pouco vulto, pois, sendo fluidos heterogêneos, exigem a “purificação” à qual nos referimos.

Existem alguns fatores que impedem as cirurgias à distância de serem tão eficazes e seguras como as intervenções diretas. Para muitos desses voluntários doadores de fluidos, faltam a vontade disciplinada e a vibração emotiva fervorosa, que potencializam as energias espirituais. Além disso, alguns deles não gozam de boa saúde, fumam em demasia, ingerem bebidas alcoólicas em excesso ou abusam de alimentação carnívora. Aliás, nos dias destinados a esses trabalhos espirituais, os médiuns deveriam se submeter a uma alimentação sóbria, já que, depois de uma refeição por vezes indigesta, o indivíduo não tem disposição para tomar parte em uma tarefa que exige concentração mental segura.

Dificuldades para os espíritos curadores

Durante o tratamento fluídico operado à distância, a cura depende muito das condições psíquicas em que os doentes forem encontrados durante a recepção dos fluidos. Os espíritos terapeutas enfrentam sérias dificuldades no serviço de socorro aos pacientes cujos nomes estão inscritos nas listas dos centros espíritas, pois além das dificuldades técnicas resultantes de certo desequilíbrio mental do ambiente onde eles atuam, outros empecilhos os aguardam, em virtude do estado psíquico dos próprios doentes.

Às vezes, o enfermo tem a mente saturada de fluidos sombrios, em face de conversas maledicentes, intrigas, calúnias e fofocas. Em outros casos, lá está ele em excitação nervosa por causa de alguma violenta discussão política ou desportiva, bem como é encontrado envolto na fumarada intoxicante do cigarro ou na bebericagem de um alcoólatra. Outras vezes, os fluidos irradiados das sessões espíritas penetram nos lares enfermos, mas encontram o ambiente carregado de fluidos agressivos, provenientes de discussões ocorridas entre seus familiares. É evidente que os desencarnados têm pouco êxito em sua tarefa abnegada de socorrerem os enfermos quando estes vibram recalques de ódio, vingança, luxúria, cobiça ou quaisquer outros sentimentos negativos.

Cirurgias durante o sono

As operações cirúrgicas realizadas no perispírito durante o sono só atingem a causa mórbida no tecido etérico deste, porém, depois de algum tempo, começam a desaparecer seus efeitos mórbidos na carne, pelo mesmo fenômeno de repercussão vibratória. Neste caso, como os enfermos operados ignoram o que lhes aconteceu durante o sono ou mesmo em momento de vigília e repouso, opõem dúvidas quanto a essa possibilidade.

Uma vez que esses doentes, tendo sido operados no perispírito, não comprovam de imediato qualquer alteração benéfica em seu corpo físico, geralmente supõem terem sido vítimas de uma fraude ou um completo fracasso quanto à intervenção feita. Acontece que a transferência reflexa das reações produzidas por essas operações se processa muito lentamente, levando semanas ou até meses para manifestarem seus efeitos benéficos no organismo. Além disso, há casos em que o enfermo recebe assistência de seus guias espirituais devido à circunstância de emergência, que não altera o determinismo de seu resgate cármico.

Toda cura se dá pela ação fluídica, já que o espírito age através dos fluidos. Tanto o perispírito como o corpo físico são de natureza fluídica, embora em diferentes estados, havendo relação entre eles. O agente da cura pode ser encarnado ou desencarnado e nela podem ser utilizados ou não processos como passes, água fluidificada e outros, além da intervenção no perispírito ou no corpo. Na cura por efeitos físicos, a alteração orgânica no corpo físico é imediatamente visível ou passível de constatação pelos sentidos ou aparelhamentos materiais.

Na ação fluídica sobre o perispírito, a cura será avaliada depois, pelos efeitos posteriores no corpo físico. Agindo através dos centros anímicos, órgãos de ligação com o perispírito, atinge-se este, que também se beneficia ao se purificar pela aceleração vibratória, tornando-se, assim, incompatível com as de mais baixo padrão.

É desta forma que se operam as curas de perturbações espirituais, na parte que se refere ao perturbado propriamente dito. Sabemos que a maior parte das moléstias de fundo grave e permanente não podem ser curadas porque representam resgates cármicos em desenvolvimento, salvo quando há permissão do Alto para curá-las. Entretanto, há benefícios para o doente em todos os casos, porque se conseguirá, no mínimo, uma atenuação do sofrimento.

A cura na mão de todos

A faculdade de curar pela influência fluídica é muito comum e pode se desenvolver por exercício. Todos nós, estando saudáveis e equilibrados, podemos beneficiar os doentes com passes, irradiações, água fluidificada etc. Aprendendo e exercitando, desenvolvemos nosso potencial de ação sobre os fluidos.

O poder curativo está na razão direta da pureza dos fluidos produzidos, como qualidades morais ou pureza de intenções, da energia da vontade, quando o desejo ardente de ajudar provoca maior força de penetração, e da ação do pensamento, dirigindo os fluidos em sua aplicação.

A mediunidade de cura, porém, é bem mais rara, espontânea e se caracteriza pela energia e instantaneidade da ação. O médium de cura age pelo simples contato, pela imposição das mãos, pelo olhar, por um gesto, mesmo sem o uso de qualquer medicamento. No evangelho, existem numerosos relatos onde Jesus ou seus seguidores curam por ação fluídica, alguns deles examinados por Allan Kardec no livro A Gênese, capítulo XV.

Condições fundamentais para a cura

É lícito buscar a cura, mas não se pode exigi-la, pois ela dependerá da atração e fixação dos fluidos curadores por parte daqueles que devem recebê-los. A cura se processa conforme nossa fé, merecimento ou necessidade. Quando uma pessoa tem merecimento, sua existência precisa continuar ou as tarefas a seu cargo exigem boa saúde, a cura poderá ocorrer em qualquer tempo e lugar, até mesmo sem intermediários (aparentemente, porque ajuda espiritual sempre haverá). No entanto, às vezes, o bem do doente está em continuar sofrendo aquela dor ou limitação, que o reajusta e equilibra espiritualmente, o que nos faz pensar que nossa prece não foi ouvida.

Para tanto, vejamos o que diz Emmanuel no livro Seara dos Médiuns, no capítulo “Oração e Cura”: “Lembremo-nos de que lesões e chagas, frustrações e defeitos em nossa forma externa são remédios da alma que nós mesmos pedimos à farmácia de Deus. A cura só se dará em caráter duradouro se corrigirmos nossas atuais condições materiais e espirituais. A verdadeira saúde e equilíbrio vêm da paz que em espírito soubermos manter onde, quando, como e com quem estivermos. Empenhemo-nos em curar males físicos, se possível, mas lembremos que o Espiritismo cura sobretudo as moléstias morais”.

De uma maneira primorosa, Allan Kardec nos situa sobre o assunto: “A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo está, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada, mas depende também da energia da vontade, que, quanto maior for, mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daquele que deseje realizar a cura, seja homem ou espírito”.

Daí então se depreende que são quatro as condições fundamentais das quais depende o êxito da cura: o poder curativo do fluido magnético animalizado do próprio médium, a vontade do médium na doação de sua força, a influenciação dos espíritos para dirigir e aumentar a força do homem e as intenções, méritos e fé daquele que deseja se curar.

Edvaldo Kulcheski

Fonte: Vivência Espiritualista

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O potencial do espiritismo no cuidado com os pacientes

Entrevista com o Dr Sérgio Felipe de Oliveira

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Há 35 anos, o psiquiatra Sergio Felipe de Oliveira, doutor em neurociências pela Universidade de São Paulo, vem se dedicando a pesquisas que reúnem conceitos de psicologia, física, biologia e espiritismo. Desenvolve atualmente junto ao Hospital das Clínicas (USP) e à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) trabalhos ligados à área de saúde e espiritualidade, seguindo os protocolos determinados pela Organização Mundial de Saúde.

Autor da tese sobre o mapeamento da glândula pineal e suas relações com atividades psíquicas, diretor clínico do Instituto Pineal Mind, em São Paulo, Sergio Felipe é também coordenador da Uniespírito – Universidade Internacional das Ciências do Espírito, projeto que criou em 2012 e que promove cursos de aperfeiçoamento médico, através de convênios com universidades nacionais e internacionais. Mais do que um depoimento de especialista, Sergio Felipe comenta aqui sobre a razão de seu recente desabafo sobre a necessidade do espírita entender o potencial do espiritismo ante a promoção da saúde.

Como o senhor vem desenvolvendo os tratamentos integrativos?

Tenho um trabalho junto ao Hospital das Clínicas de investigação sobre o efeito da assistência espiritual complementar no atendimento médico. Nesse projeto, 170 casos foram investigados profundamente, com realização de todos os exames necessários ao longo de uma década. Na clínica sigo o mesmo protocolo. O paciente passa por uma avaliação psicológica, tem um diagnóstico médico, é medicado, e convidado à assistência complementar, que envolve a busca da experiência espiritual e valorização de aspectos construtivos para sua vida. Há profissionais trabalhando e acompanhando esse paciente em todas as fases do tratamento. Quando tem uma melhora da resiliência, passa também a participar em algumas das áreas da assistência complementar. Muitos dos que estão trabalhando no salão de assistência espiritual são pacientes. Não é a mesma coisa que o voluntário numa sala de passes num centro espírita. Ele tem um orientador, um psicólogo, um fisioterapeuta, um médico do meu serviço que vai acompanhar todo esse processo.

Os que acompanham são espíritas?

Eu não me importo que não sejam espíritas, porque no projeto não há esse qualificativo. Tenho também mulçumanos, judeus, islâmicos, padres. Isso não é terapia de passe, mas tratamento complementar, uma pecinha de um quebra-cabeça, de um minucioso processo de ressignificação da doença, de salutogênese e de integração a um sistema preconizado pela Organização Mundial de Saúde.

Quais os resultados alcançados com ou sem a terapia complementar?

O tratamento já começa integrativo desde o consultório. Posso te mostrar aqui o eletroencefalograma de um paciente. Observa-se que é um exame normal. Não há epilepsia, mas apresenta algumas peculiaridades.

O gráfico apresentado sobre as ondas alfa, quando se entra em estado de transe, evidencia uma grande atividade da pineal com a área de estrutura cerebral mediúnica completamente em ação. O exame apresenta um traçado alterado, que não é epilepsia, mas é uma coisa diferente.

E como a medicina reconhece isso?

Não sabe o que é. Esse é um protocolo meu, dizendo que, quando a onda alfa está evidenciando a pineal, o paciente está em transe, tendo episódios de transe mediúnico sem perceber.

Como se dá o processo de cura para casos assim?

Posso te mostrar novamente resultados de exames de um paciente que veio com uma queixa clínica, e entre as comorbidades está a mediunidade. Está aqui constatada no exame. Ele tem uma ativação da área cerebral mediúnica e não está percebendo. Ora, se entre os seus sintomas existe o componente mediúnico e, se está fazendo tratamento e não resolvendo, é preciso trabalhar então esse elemento. Vou medicar o paciente para sua queixa – uma gastrite, uma hipertensão, uma artrite, uma esquizofrenia – e fazer uma investigação psicológica, porque preciso entender sua história, as nuances do seu perfil, pois para ele poder fazer uma transformação interior, precisa saber quais pontos estão ligados ao processo. Por exemplo: se ele tem uma mágoa do relacionamento com a mãe, isso é no consultório psicológico que vamos cuidar. O tratamento espiritual para tirar a culpa não vai adiantar, se ele não resolver aquela mágoa, que foi identificada no processo psicoterápico. Depois, sim, ele vai para o trabalho espiritual com a proposta de modificação daquele contexto, que já foi trabalhado. E na frequência da assistência, que é voluntária, ele começa a perceber esse ponto mediúnico, que tem os sintomas parecidos com os que tem lá fora. À medida que vai percebendo esse estado alfa, vai-se ensinando a ele a ter domínio dos ‘transes’ em que ele entra. Quando está clinicamente estável, colocamos esse paciente numa experiência proativa. Quando começa a dominar o fenômeno, passa a ter melhora clínica. Vamos então reduzindo o remédio até ele sair do medicamento.

Mas isso não é um trabalho também para desenvolver a mediunidade?

Desenvolver aqui não é criar faculdades paranormais. É o paciente tomar controle sobre um processo que já está aberto nele. Ele só não está tendo controle, nem ciência. Ele passa a participar de um processo de raciocínio clínico integrativo e vai aprender a lidar com esse ponto, refletindo depois na respectiva conduta médica. Para isso, reunimos toda semana a equipe clínica e discutimos os casos.

Como a academia recebe isso?

Normal. Esse é um projeto oficial do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo.

Houve dificuldades para implementar esse tipo de tratamento?

Nenhuma. Não sofro preconceito da classe médica, porque tenho minha vida organizada. Estou trabalhando num consultório formal, tenho minha clínica legalizada. Aliás, eu não trabalho só no Brasil, mas em outros países.

O senhor se considera pioneiro nesse modo de atendimento?

Nessa parte de atuação clínica, onde você analisa a pesquisa e aplica ao paciente, sim.

Como se sente como médico?

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Sinto que estou sendo operativo com o paciente, que com esse modelo de assistência estou conseguindo descobrir coisas reais do ponto de vista de fisiologia humana, de patologia. O pessoal da área de ciência oficial tem uma abertura intensa para isso, porque trabalho junto com a ciência formal. Apenas tenho feito descobertas expressivas e isso sempre mexe com egos. Por exemplo, minha tese sobre a glândula pineal foi um mapeamento sobre o corpo humano que ninguém tinha feito antes. Trabalho nisso há mais de 35 anos.

Quais as principais conclusões a que chegou?

A primeira questão é que não dá para entender a relação cérebro-mente sem a pineal. É como abrir uma porta – se não se mexer na fechadura, não abre aquela porta. A pineal é essa fechadura.

Posso dizer que ela é mesmo o órgão da mediunidade?

Tranquilamente.

E, se eu retirar a minha pineal, consigo ser médium?

Você vai ficar bem aérea, meio desdobrada. Quando se fala em mediunidade, está se falando de relações entre o além e aquém. Quando você tira a glândula pineal, você perde o aquém, perde o aterramento. Tem que dar neurolético para o paciente, pois ele perde a conexão do aqui, o pé no chão.

Por que ainda há certa resistência no meio espírita em se aceitar isso?

Não sei explicar. Tenho refletido muito sobre isso. A grande questão é a pessoa se deparar com a verdade e a realidade em todos os sentidos. Quando falo objetivamente que existe um órgão ligado à mediunidade, que ele está ali, acessível, você o vê no exame, isso dá para desenvolver um raciocínio clínico… Quando você bate assim na verdade, as pessoas têm uma certa dificuldade de se deparar com ela. É como se a luz ofuscasse os olhos e a pessoa tentasse se proteger da claridade. É a caverna de Platão. A verdade ofusca.

Constatar a verdade e não ver as pessoas serem tocadas por ela. Foi esse também o motivo que fez com que o senhor desabafasse sobre o espiritismo no vídeo que está na internet (assista em nosso site)?

A Organização Mundial da Saúde lança um protocolo, colocando o domínio espiritual como parte do processo de saúde; a Carta de Otawa diz que todo cidadão é responsável pela promoção de saúde. E ninguém faz nada? Isso precisa chamar a atenção dos espíritas. É um órgão das Nações Unidas falando ainda que o espiritual é importante. O espírita não pode ficar fechado dentro do templo. Ele nasceu para falar para o mundo.

O que é considerado espiritual nesse protocolo da OMS?

As crenças das pessoas. Esse aspecto é importante e tem que ser valorizado, porque faz parte da identidade delas. O outro ponto é que espiritualidade faz parte da promoção de saúde e todo cidadão é responsável por isso. Não é só médico. Quando você constata que o centro espírita tem uma proposta de ação social e a OMS diz: ‘você é um agente de promoção de saúde, estamos valorizando você e ainda falando do espiritual’. Não é para pegar isso aí e dizer “finalmente, nós alcançamos o objetivo; vamos somar para poder ajudar?”. Considero o centro espírita uma entidade altamente impactante na nossa sociedade, com trabalho muito representativo para a saúde em geral de uma população, de uma comunidade. Justamente pela operatividade do centro espírita é que, quando a ONU abre esse campo, tenho necessidade de dizer: vamos abraçar!

O centro espírita está preparado para isso?

Completamente. Ali há cidadãos. Ou não? O espírita não participa da sociedade? Ele não quer levar a espiritualidade para a sociedade? A ONU abriu esse espaço. Podemos revolucionar a saúde pública. Um dos problemas mais graves de saúde pública é o suicídio. Posso dizer que há influência espiritual, abordá-la sem preconceitos, porque a ONU está colocando esse aspecto. Quando se fala de suicídio – um suicídio a cada 40 segundos, uma tentativa a cada dois segundos –, estamos falando de um milhão de moléstias gerais que podem desembocar no suicídio. A OMS não convocou especialistas, convocou os cidadãos. Você não precisa ser especializado para ver que os números do suicídio estão muito altos e fazer algo para auxiliar. O que a gente pode fazer mesmo é reunir esforços…

O senhor acredita que tenha sido esse o pensamento de Kardec quando destacava a importância dos grupos espíritas?

Antes, vou fazer uma pergunta. Onde se encontra o saber sobre o espiritismo? Vou citar uma frase da codificação espírita, em O evangelho segundo o espiritismo: Os espíritos do senhor pulverizaram, espalharam no planeta Terra o consolador prometido. O espiritismo se encontra em todas as culturas do planeta. Se você não falar todas as línguas, não ir atrás, você não encontrará os fragmentos do Consolador. Kardec fazia isso. A Revista Espírita se comunicava com o mundo inteiro. Não se pode colocar o espiritismo como uma religião sectária, onde você deixa de operar o trabalho de resgate da mensagem do Consolador, que exige que se conheça as diversas culturas. Outro ponto importante: os espíritas fundaram hospitais. São quase cem no Brasil! E dos maiores… Eles estão minguando com os doentes, ali naqueles cárceres. E os espíritas não vão fazer nada? Estamos vivendo a fase do eu falo, você escuta, cuido da minha vida, e se precisar ajuda, eu dou algum dinheiro… Mas é muito mais que isso! Quando Kardec disse que o espiritismo estaria fadado ao fracasso se não acompanhasse o avanço da ciência, é preciso compreender que ciência não é só o laboratório, ciência é você ter ferramentas para conhecer a sua realidade.

O que o senhor faria para mudar isso tudo?

Eu estou fazendo. Eu fundei a Uniespírito. Tem uma pessoa me esperando agora para discutirmos a situação dos hospitais espíritas, para nos juntarmos ao Pró-Saúde Mental. Estou trabalhando, não estou propondo. E não sou exceção. Há muitos colegas trabalhando para isso. Estamos organizando para 2018 uma agenda mensal para receber representantes dos centros espíritas interessados em organizar programas de promoção de saúde alinhados com a ONU.

Em quantos países o senhor já está atuando?

Estou circulando… Desenvolvi um período na África, em Angola, procurando espaço em Moçambique, na Índia e Lisboa.

Por que escolheu esses lugares?

Porque o projeto da Uniespírito me foi inspirado pelo infante dom Henrique, da Escola de Sagres. E ele me pediu para que eu implantasse a Uniespírito em todas as regiões onde esteve a Escola de Sagres. Já temos duzentos alunos em Portugal, em intercâmbio na área de oncologia. A Uniespírito tem como objetivo formar pessoas para ações sociais. A verdade está onde você quer fazer o bem. O eixo axial é Allan Kardec, mas um Allan Kardec que observa, que sabe que o espiritismo foi pulverizado no planeta todo. Precisamos saber falar todas línguas.

(Publicado no jornal Correio Fraterno, edição 478, nov./dez. 2017).

Fonte: correio.news

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A música dos Beatles inspirada em um sonho

Por Redação (correio.news)

Paul McCartney, um dos maiores nomes da história do rock, compôs a melodia completa da música Yesterday em um sonho, enquanto estava na casa de sua noiva, Jane Asher, em Londres.

Gravada em 1965 para o álbum Help!,  Yesterday hoje é considerada, segundo o Guinness, a canção com mais transmissões nas rádios em todo o mundo.

Ao despertar, o vocalista e guitarrista da banda The Beatles foi rapidamente até o piano e, ligando o gravador, começou a tocá-la para não esquecer.

Diante do fato inusitado, McCartney inicialmente temeu ter plagiado uma composição já existente.

“Por cerca de um mês visitei pessoas do ambiente musical, perguntando se conheciam essa melodia. Foi como se eu tivesse encontrado algo que deveria ser entregue para a polícia. Pensei que se ninguém reclamasse em algumas semanas, então seria minha” – explica o vocalista.

Em suas buscas por respostas, para saber se alguém conhecia o possível autor, ele apenas ouvia: “Não. É adorável! Estou seguro que ela é toda sua”.

McCartney então compôs a letra para a melodia, que fala sobre uma história de amor que, ao acabar, deixou um sentimento de ser menos do que era antes. Lembrar do ontem amenizava a saudade.

A inspiração através do sonho

Ao falar sobre arte e inspiração, que no caso do artista se deu durante a emancipação da alma pelo sono, o escritor Léon Denis elucida que “quando, no espaço, o espírito de um artista decidiu reencarnar, leva com ele as amizades de seres queridos que (…), por intuição, enviarão a esse ser, aprisionado na carne, fluidos provenientes do seu meio e ideias que darão novo impulso à parcela de talento que existe nele”.

Léon Denis cita também que “uma onda de ideias, de formas, de imagens, derrama-se incessantemente do mundo invisível sobre a humanidade. A maior parte dos escritores, dos artistas, dos poetas, dos inventores, conhece essas correntes poderosas que vêm fecundar seu cérebro, ampliar o círculo das suas concepções.” (O espiritismo na arte, Lachâtre)

A Redação

Fonte: correio.news

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Tolerância

Joanna de Ângelis

TOLERÂNCIA

CONCEITO

A indulgência, a condescendência em relação a outrem, seja de referência às suas opiniões ou comportamento, ao direito de crer no que lhe aprouver, pautando as suas atitudes nas linhas que lhe pareçam mais compatíveis ao modo de ser, desde que não firam os sentimentos alheios, nem atentem contra as regras da dignidade humana ou do Estado, constitui a tolerância.

Apanágio das almas nobres, medra em clima de elevada cultura e de sentimentos superiores, espraiando-se nas comunidades onde o progresso forja a dignidade e combate o obscurantismo, a tolerância é medida de enobrecimento a revelar valores morais e ascendência espiritual.

Onde quer que um homem ou um povo lute pelas expressões da liberdade e da verdade, logo a tolerância se faz o florete com que esgrime na defesa das suas aspirações.

Enfloresce no estóico e frutesce no santo. Sempre que triunfa, ao seu lado fenecem o fanatismo e a perseguição de qualquer matiz, ensejando campo para o entendimento pacífico, no qual os homens se revelam sem peias coarctadoras, sucumbindo sob os escombros das manobras infelizes que promovem.

Nem sempre compreendida, porque adversária da tirania e opositora da prepotência, é malevolamente confundida com a indiferença ou a cobardia moral.

Supõem-na, os árbitros da arrogância, como acomodação conivente ou submissão servil, contra o que se rebelam, por exigirem subserviência total e desfalecimento das aspirações nobres naqueles que os devem atender.

A tolerância, porém, jamais é conivente; antes oferece-se aos que a estimam e a exercitam com altos critérios de renovação íntima, paciência, humildade e coragem.

Não se impondo, expõe com perseverança e conquista pela lógica da razão, auxiliando no amadurecimento do interlocutor ou do adversário que se lhe opõe, sem azedume ou precipitação. A muitos compraz vencer, esmagar, sobressair, embora os métodos infelizes impetrados e os ódios gerados. E vencer é tarefa de fácil consecução, desde que se pretenda triunfar sobre os outros. Multiplicam-se métodos da hediondez e da pusilanimidade, desde os que destroem o corpo aos que dilaceram a alma.

A urgente tarefa a que todos se devem atirar é a de vencer-se a si mesmo, sublimando as más tendências e mantendo vitória sobre as inclinações negativas e as paixões subalternas do espírito enfermo.

A tolerância, pela argumentação em que se firma, convence quanto à necessidade de respeitar-se e amar-se, concedendo-se ao próximo o direito de fruir e experimentar tudo quanto se deseja para si próprio. Manifesta-se invariavelmente como boa disposição, mesmo em relação às ideias e pessoas que não são gratas.

Acima da conivência, expressa segurança de opinião e firmeza de proceder.

CONSIDERAÇÕES

Raramente a História revela a presença da tolerância nos seus fastos. Sempre dominou a imposição política, filosófica e religiosa, através da qual pequenas minorias tidas como privilegiadas exigiram total subordinação aos seus postulados, raramente salutares ou benéficos para a coletividade.

A seu turno, a intolerância, que se alia à covardia, foi a grande fomentadora de mártires e supliciados, nos múltiplos setores da vida, fazendo que irrigassem com o seu sangue as plântulas dos formosos ideais de que se fizeram apóstolos.

No que se refere ao tolerantismo, a predominância da Igreja Católica, na Europa Meridional, durante toda a Idade Média, se impunha, impedindo qualquer liberdade de culto e exigindo ao poder civil a aplicação de medidas legais aos que considerava heréticos, culminando, normalmente, tais conchavos, na punição capital da vítima.

Com a Reforma surgiram os pródromos de um tolerantismo por parte do Estado, que desapareceria ao irromper das imposições do Protestantismo, repetindo os mesmos erros do Clero romano, no que redundaram a Contra-reforma e as lamentáveis guerras de religião dos séculos XVI e XVII, cujos lampejos infelizes vezes que outras reacendem labaredas destruidoras.

A John Locke, o pai do Empirismo, deve-se a Carta sobre a Tolerância, iniciada em 1689, através da qual muitos pensadores se insurgiram, seguindo-lhe o exemplo, contra a ortodoxia religiosa.

Posteriormente os enciclopedistas se rebelaram, preconizando o tolerantismo a nascer e fomentar a tríade que serviria de base para a Revolução Francesa de 1789, que, no entanto, descambou, igualmente, para a intolerância, a perseguição e os crimes contra os “direitos humanos”, apesar de os haver gerado na madre dos ideais eloquentes das horas primeiras.

O século XIX dilatou o conceito da tolerância, embora as lutas de opinião entre liberais e conservadores que, em controvérsias contínuas, pugnavam, os primeiros, pelo respeito às opiniões alheias, e os segundos, pela obediência como respeito às ideias políticas e religiosas predominantes.

A pouco e pouco, à medida que o homem emerge da ignorância e sonha com o Infinito que o abraça, a tolerância atende-lhe a sede de crescimento e a ânsia de evolução.

CONCLUSÃO

Havendo surgido a Codificação do Espiritismo no meado do século XIX, quando a Religião Católica, em França, fazia parte do Estado e se impunha dominadora, os Espíritos Excelsos, pontificando nas leis de amor, fizeram que Allan Kardec estabelecesse como um dos postulados relevantes a tolerância, na qual a caridade haure sua limpidez e grandeza para ser a virtude por excelência.

Tolerância, pois, sempre, porquanto, através dos seus ensinos, a fraternidade distende braços, enlaçando cordialmente toda a família humana.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Estudos Espíritas – 13

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Por dentro do jogo da vida

Adriana Machado

POR DENTRO DO JOGO DA VIDA

Engraçado como a vida funciona! A gente se prepara para tantas coisas, mas as coisas nem sempre acontecem como a gente quer e, mesmo preparados para o que não queremos viver, quando chega o momento crucial de vivenciá-las, nos sentimos desamparados diante da quebra de nossas esperanças.

Tive a oportunidade de assistir um campeonato de jogos escolares e percebi que, mesmo sendo “do jogo” perder, não houve quem aceitasse, imediatamente, a derrota. Choro, desolação, culpas e arrependimentos… foi o que eu vi entre aqueles que não ganharam as suas partidas. Suas esperanças se foram e o momento do enfrentamento de si mesmos se fez presente, o que não aconteceu com os vencedores!

Felizmente, como em qualquer jogo, também vi união. Vi times inteiros se unindo para um consolo coletivo e individual. Vi jogadores desolados indo abraçar outros e dizendo aquilo que, certamente, também gostariam de ouvir. Vi solidariedade entre os times e o início de belas amizades entre aqueles que somente eram adversários em campo.

Como o esporte ensina! E ensina muito a todo mundo que quiser aprender!

Precisamos aplicar na vida aquilo que o esporte tem como premissa, mas nós, que crescemos, nos esquecemos… a confraternização sem interesse, a solidariedade entre vencedores e vencidos, porque a batalha é só lá dentro das quadras. Fora dali, somos apenas seres humanos em uma escola da vida.

Todos os dias, acordamos sem nos dar conta que a cada dia estamos entrando em mais um jogo, um jogo de aprendizado e de crescimento. Um jogo que faz parte de nosso dia a dia e que nos faz aprimorar a nossa capacidade de nos solidarizarmos com as dificuldades alheias, porque também as temos; um jogo que nos faz aprimorar a nossa capacidade para superarmos as derrotas, porque elas são somente instrumentos que nos dão maturidade para atingirmos patamares mais altos de compreensão sobre nós mesmos. Um jogo que sempre está a nos dizer que não existem derrotados, mas sim que devemos nos esforçar para participar das “jogadas” de superação a cada partida.

Ora, nenhum time consegue vencer todos os jogos todo o tempo. Antes dele ser quem é, precisou “perder” de alguém para se aprimorar e com isso “ganhar” as experiências que o fez ser um time vencedor. Ele precisou de adversários com experiências diferentes para que fosse exigido dele um aprimoramento de suas próprias qualidades. Assim é a vida agindo sobre nós! Ela nos coloca frente a adversários competentes para nos ajudar no nosso amadurecimento. E, quando estivermos prontos, ela nos colocará frente a outros para podermos ser os adversários competentes que os auxiliarão a agir pela sua própria superação.

Para tanto, entendamos o nosso papel na vida do outro, porque as nossas escolhas e posturas servirão de exemplo para levá-lo a futuras vitórias ou a amargas derrotas. Não podemos nos iludir: para as primeiras, o louro da vitória também nos abraçará, somando-se aos nossos tesouros espirituais conquistados. Para as segundas, no entanto, o fel será o gosto que sentiremos se a nossa intenção não foi fraterna, porque o juiz desta partida (nossa consciência) não nos perdoará facilmente.

Enquanto não abandonarmos as viseiras que nos restringem a visão sobre o que é viver, jamais seremos verdadeiramente gratos a Deus pelas boas ou não tão boas experiências que nos elevam a condição de vencedores e filhos Dele na sua mais pura essência.

Determinação, superação, honestidade, fraternidade, solidariedade… qualidades inerentes àqueles que sabem bem jogar o jogo da vida!

Sejamos eles, então!

Adriana Machado

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A cura real

Rogério Coelho

A CURA REAL

O ser humano é o resultado de tudo aquilo que elabora, cultiva e realiza

“(…) e o último estado desse homem é pior do que o primeiro”. – Jesus. (Luc., 11:26.)

Disse Jesus que os sãos não necessitam de médicos, vindo Ele próprio para os doentes da alma que somos todos nós que ainda não temos méritos para reencarnar em Orbes mais evoluídos, dado nossa ancestral rebeldia e nossa refrativa tendência aos divinos desígnios que caracterizam ainda as parcas disposições em corrigir-nos.

Segundo as tradições das escrituras, há mais alegria no Céu com o arrependimento de um pecador do que de noventa e nove justos que permanecem ilibados.

A nobre mentora Joanna de Angelis, pela abendiçoada mediunidade de Divaldo Pereira Franco, afirma ser (1): “(…) indispensável fazer-se a diferença técnica entre os processos de recuperação orgânica e cura: o primeiro diz respeito ao refazimento dos equipamentos celulares que, desajustados, recompõem-se e voltam a funcionar com equilíbrio, nem sempre significando que houve o retorno da saúde; enquanto que o segundo, a cura, se verifica nas engrenagens mais delicadas da constituição celular.

Os mecanismos propiciadores da degenerescência orgânica e da instalação de enfermidades encontram-se no cerne do ser, na sua estrutura energética, de que se encarrega o perispírito na sua condição de organizador biológico, portanto, das necessidades indispensáveis à evolução do ser. O ser humano é, em decorrência, o resultado de tudo aquilo que elabora, cultiva e realiza…

A cura real é uma operação profunda de transformação interior, que ocorre somente quando os fatores propiciadores da injunção danosa se modificam para melhor, dando lugar ao equilíbrio das suas variadas funções no campo da energia. Imprescindível se faz, nesse caso, que a mente processe todos os conteúdos emocionais e morais de maneira adequada, a fim de que a recuperação da saúde através da terapia utilizada venha a produzir a cura real, evitando as recidivas que decorrem exatamente da falta de composição vibratória dos delicados elementos pelos quais o Espírito interage no corpo.

A recuperação temporária pode ocorrer em razão dos esforços empregados pelo terapeuta, da bem direcionada aplicação dos medicamentos e a momentânea mudança de atitude mental do paciente. Todavia, se não houver uma profunda alteração de comportamento interior – desejo sincero de sarar, cultivo íntimo de bem-estar, propósitos edificantes, renovação dos hábitos mentais – certamente a enfermidade reaparecerá ou se apresentará sob nova diagnose, dando curso ao seu mister de despertá-lo para a sua realidade profunda como ser imortal.

Na grande maioria das pessoas enfermas, está presente o efeito de determinada conduta vivida anteriormente, na qual houve desistência dos referenciais da Vida, mesmo que de forma inconsciente, como resultado de ocorrências que poderiam haver sido encaradas de maneira menos pessimista, menos autodestrutiva…

É inevitável a sucessão de desaires, de frustrações, de desencantos existenciais, porque a própria experiência humana é rica de manifestações dessa ordem. A atitude, porém, do indivíduo diante delas, é que define o seu futuro, mesmo quando venha a mudar de conduta emocional. Não raro, os danos já estão causados às tecelagens delicadas da aparelhagem geradora das células, na área da energia que elabora as células.

Pode-se observar que, antes do surgimento ou instalação de diversas doenças, o paciente se permitiu desconsertos íntimos, anelou pelo abandono da luta material, sentiu-se esgotado pela sucessão de tormentos e dores morais, permitindo-se o desânimo desgastante.

A consciência da realidade espiritual do ser auxilia-o a esforçar-se para continuar a viver no corpo, quanto lhe esteja destinado, sabendo, não obstante, que desencarnará, como é natural, todavia, utilizando-se de todos os valiosos recursos da própria existência, a fim de torná-la mais digna e apetecida.

Esse comportamento contribui de maneira expressiva para o seu restabelecimento, para a sua recuperação imediata e a sua cura mais tarde, ainda que venha a liberar-se da máquina física no momento próprio”.

Vemos, assim que o processo de cura real radica-se na própria intimidade do ser que deve lutar para lográ-la de maneira definitiva.

Não se pode andar descuidado: a vigilância e a oração recomendadas por Jesus constituem excelente medicação preventiva e defensiva.

Jesus mostra-nos a diferença entre recuperação e cura real ao ensinar (2):

“(…) Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha. Quando o Espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares secos, buscando repouso; e, não o achando, diz: tornarei para minha casa, de onde saí. E, chegando, acha-a varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem é pior do que o primeiro”

O caminho da cura real já vem sendo mostrado para todos nós muito antes do advento do Cristo, vez que o Velho Testamento já consignava: (II Crônica, 7:14.) “(…) E se o meu povo, chamar pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”.

Evidentemente a frase em questão refere-se à terra sáfara dos corações refratários e empedernidos de todos nós, Espíritos calcetas e endividados que ainda nutrimos a nossa personalidade com os inconvenientes prejuízos da rebeldia.

Observemos como Joanna de Angelis (1) traça o roteiro da cura real, com os ingredientes que poderíamos chamar de:

Contributos terapêuticos

“(…) A complexidade do ser humano tem raízes bem fincadas no seu emocional. Por isso, experimentando o amor, autoestima-se e luta desde que possua maturidade psicológica proporcionadora do discernimento lúcido. Quando isso não ocorre, autopune-se, envenenando-se de alguma forma, sem mesmo dar-se conta, ou permanece dominado pelo propósito de desistência da vida física.

Seja qual for, porém, a enfermidade a desgastar o indivíduo, os estímulos verbais que lhe cheguem, as vibrações de simpatia que o visitem, as emoções joviais que experimente tornam-se excelente contributo psicoterapêutico, indispensável mesmo à sua recuperação.

Rogério Coelho

Fonte: Agenda Espírita Brasil

Referências:

(1) FRANCO, Divaldo Pereira . Dias gloriosos. 4.ed. Salvador: LEAL, 2010, capítulo 7; e

(2) Lucas, 11:23 a 26.

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Sexo e Reencarnação

Divaldo Pereira Franco

SEXO E REENCARNAÇÃO

No início da década de 1960, eu iniciei minhas experiências de desdobramento consciente, nas quais Joanna de Angelis me conduzia em verdadeiras viagens pela dimensão espiritual. Naquela época, a mentora espiritual me ensinava a sair do corpo. Eu era jovem e impulsivo, o que fazia com que ela tivesse dificuldades, pois eu não conseguia neutralizar os pensamentos, fazer uma espécie de vazio na tela mental para permitir o desprendimento parcial da matéria.

Joanna de Ângelis convidou-me certa vez para testemunhar uma reencarnação. Um casal amigo e jovem, embora já possuísse dois filhos, frequentava nossa Casa espírita. E a genitora da cara confreira era um dos braços direitos da nossa instituição, pois eu trabalhava o dia todo e não podia estar à frente dos nossos serviços em tempo integral.

Em uma madrugada, Joanna desdobrou-me do corpo físico e levou-me à casa dos meus amigos. Naquele tempo era muito comum na disposição arquitetônica dos lares um tipo de sala de visitas, que precedia os outros cômodos da casa. Quando chegamos naquela sala, ao lado do quarto do casal estavam presentes vários Espíritos nobres. E ao lado de um deles havia uma linda jovem, loura e de olhos azuis, que aparentava entre vinte e vinte e cinco anos de idade. Havia um grande esplendor na sua face!

Joanna, olhando docemente, esclareceu-me:

— Nós iremos reencarná-la. Ela será a continuadora do trabalho da mãezinha que, por sua vez, será a continuadora do trabalho da avó. Trata-se de um Espírito com elevados títulos morais, que se dedicará a uma bela missão. Será uma missão anônima, mas muito nobre e muito perigosa porque lhe exigirá um esforço imenso para não falir, para não se deixar levar pelos convites da ilusão.. Necessitamos de genitores que possuam material genético adequado, com os genes e cromossomos próprios para essa reencarnação. Por isso, escolhemos este casal.

Eu exultei! Era uma notícia fascinante saber que os meus amigos foram escolhidos para uma tarefa tão nobre.

Ao observar melhor o ambiente eu notei que um Espírito estava à porta do quarto do casal. Quando me aproximei, ele esclareceu-me:

— Estamos aguardando que eles entrem em relax, pois neste exato momento estão no clímax da relação sexual. E no instante da relação íntima os bons Espíritos não entram no recinto, para deixarem em plena santificação as pessoas que estão vivenciando o amor santificado. É uma entrega para a qual não deve haver testemunhas encarnadas ou desencarnadas.

Notemos a beleza desse conceito! Os guias aguardando aquela união sexual enriquecedora para darem prosseguimento a um grande projeto. Seriam três gerações dedicadas ao trabalho espírita.

A proteção espiritual estava ali para impedir que Espíritos vulgares penetrassem no ambiente e pudessem gerar transtornos à intimidade do par. Agora imaginemos a relação sexual praticada em um bordel. Os obsessores testemunham tudo. Zombam, levam ao ridículo e participam do ato sexual, porque o que prevalece é a intenção dos que estão naquele ambiente. Enquanto aguardávamos eu fiquei conversando com a entidade que iria renascer.

Aproximadamente vinte minutos depois, Joanna falou-me:

— Agora que eles estão repousando, entraremos.

Ao entrarmos no recinto eu vi uma cena belíssima de ternura! Ambos permaneciam carinhosamente abraçados. O marido estava com o braço sobre o travesseiro e a esposa repousava em seu ombro, aconchegada. E ambos encostavam suavemente a cabeça um no outro. Era uma linda expressão de gratidão que ambos se dirigiam reciprocamente.

Em seguida, os mentores espirituais acoplaram na área genital da minha amiga um tipo de aparelho de imagem utilizado para observar o organismo humano. Eu podia ver o interior do corpo dela, particularmente a tuba uterina. Aliás, na época, eu não sabia o que era essa estrutura do sistema reprodutor feminino, mas Joanna me explicou.

Vi a massa de espermatozoides movimentando a cauda e deslocando-se na tuba uterina, ao mesmo tempo em que percebi o óvulo numa postura especial. Era muito curioso notar que o óvulo brilhava. Logo depois Joanna trouxe um especialista em embriogenia para fazer os procedimentos necessários. A nobre entidade conduziu o Espírito reencarnante para perto do organismo materno e aplicou-lhe passes, fazendo com que a jovem alterasse a sua aparência perispiritual. Ela assumiu características infantis, até os cinco anos de idade, aproximadamente. Observei que, da cabecinha da criança-Espírito começou a sair uma luz semelhante ao laser, que bailava no ar. O feixe luminoso penetrou aquela massa de gametas e se conectou a um espermatozoide, que adquiriu luminosidade especial e avançou, tomando a frente dos demais. Dessa forma, o centro coronário do Espírito foi magneticamente acoplado a um espermatozoide com a mesma densidade vibratória do reencarnante, a fim de gerar um corpo compatível com as suas necessidades evolutivas.

Ficamos ali por alguns minutos até a hora em que o espermatozoide entrou na coroa do óvulo e o fecundou. O óvulo era agora um ovo ou zigoto. E eu vi o Espírito sorrir, imantado à célula que daria origem ao seu novo corpo. Joanna esclareceu-me:

— Agora o zigoto vai subir na direção do útero, dando início ao fenômeno da multiplicação celular. Em breve, na câmara sagrada do útero, esta etapa da reencarnação será completada, ficando os detalhes finais para o futuro. Como o processo reencarnatório começa no momento da fecundação, a partir de agora qualquer interferência impeditiva caracterizará um aborto. E aonde for a gestante o ser espiritual estará ligado a ela. Como se trata de um Espírito lúcido, ele não ficará obrigatoriamente ao lado da genitora. Ela poderá ir a qualquer lugar que o vínculo perispiritual elastece-se sem romper-se (10).

No dia seguinte eu contei o ocorrido à minha amiga, sem mencionar os detalhes:

— Você está grávida! Você vai ser mãe de uma menina linda!

— Mas, meu Deus! Eu ainda nem descansei da última gestação!

— Deveria ter descansado antes. Porque agora é tarde… — acrescentei, em tom de descontração.

Passou-se um largo período… Em determinada noite Joanna informou-me:

— Vá tomar café com os nossos amigos, fulano e beltrana, porque o parto será hoje.

Naquele tempo havia uma parteira profissional que acompanhava a gestante. Somente quando o parto se complicava é que a parturiente era levada ao atendimento médico especializado. Algumas pessoas mais ricas preferiam ter seus filhos na maternidade, o que não era o caso dos meus amigos.

Eles sempre me recebiam em seu lar, pois frequentemente eu era convidado para um lanche naquela residência. Por isso, eu fui visitá-los depois das atividades espíritas daquela noite. O meu amigo e eu estávamos fazendo uma breve refeição na sala de jantar, enquanto a gestante repousava em seu quarto.

De repente, eu detectei a presença do Espírito reencarnante, imantado ao seu corpo físico pelo centro coronário. Eu pude vê-lo sendo sugado na direção do organismo materno de uma forma bem peculiar. A criancinha olhou para mim, acenou como quem se despede e me disse:

— Divaldo, eu já vou!

Então, eu falei ao marido:

— Corra que a criança está nascendo!

— Mas Divaldo…

— Corra!

Ele saiu apressado pelo corredor da casa e quando chegou ao quarto, a esposa estava com contrações intensas e inesperadas. Até aquele instante ela experimentava apenas contrações muito suaves. Mas com esta contração súbita o próprio pai precisou segurar a criança, que acabou nascendo. E eu pensei comigo mesmo: “Oh, apressadinha!”. Em seguida, eu saí às pressas para chamar a parteira, que morava em uma casa próxima e pôde terminar o trabalho de parto.

Devemos lembrar-nos de que o ser que vai reencarnar não se conecta definitivamente ao corpo de forma imediata. O organismo físico é como uma esponja que vai absorvendo lentamente o Espírito até os sete ou oito anos de idade, quando o Espírito perde a consciência da realidade espiritual e se apropria completamente do corpo (11).

Quando olhei o rostinho da menina constatei que ela possuía exatamente os traços fisionômicos que eu havia visto em minha projeção fora do corpo.

Hoje ela está com idade madura e já é avó. Casou-se aos vinte anos e uma de suas filhas casou-se aos dezoito, dando-lhe um neto.

Como Joanna me havia dito que a sua seria uma tarefa de rara beleza, eu fiquei na expectativa para testemunhar o desdobramento das suas atividades.

Esse Espírito tornou-se uma trabalhadora dedicadíssima do bem, uma espírita verdadeiramente cristã. Não é célebre. Ninguém a conhece. E portadora de uma mediunidade rutilante e anônima, tornando-se instrumento para o fenômeno da psicofonia acompanhada de xenoglossia. Sua psicografia inconsciente é luminosa e seus dons de cura espiritual têm auxiliado muitas pessoas em sofrimento.

Há muitas décadas, visitamos o hospital de hansenianos de Águas Claras, em Salvador. Quando a jovem médium completou quinze anos de idade ela começou a nos acompanhar. E, às vezes, quando a doença faz com que se abram feridas purulentas no corpo de um paciente, dolorosas e difíceis de tratar, ela distende as mãos, eleva-se em oração e se transfigura para atender ao semelhante. Eu vejo que de suas mãos se desprendem chispas luminosas que se derramam sobre a região lesionada. E os pacientes dizem: “Ah! Que alívio! Parece um ar refrigerado”.

Esse alívio que os pacientes descrevem é mesmo peculiar. Um dia, uma senhora que é um pouco aturdida mentalmente estava recebendo um passe da médium dedicada. No auge da transmissão de energias revigorantes a paciente comentou: “Quem está colocando pomada de mentol nas minhas feridas?”. A trabalhadora do bem se especializou no tratamento de hansenianos, pacientes com câncer e pacientes soropositivos para o HIV, que desenvolvem feridas provocadas pelas infecções oportunistas.

Portanto, eu tive a alta felicidade de acompanhar ao vivo, sem testemunhar o momento do clímax, uma união sexual sublime! O casal teve nove filhos e envelheceu vivendo a mais profunda ternura. Ele já desencarnou e ela continua viúva, a serviço do bem. E isso graças ao amor!

* * *

Entretanto, os Espíritos em degraus muito primários da evolução e aqueles que transitam por um estado evolutivo mediano reencarnam por um processo mais genérico e menos dotado de particularidades, no qual a interferência consciente do reencarnante na sua programação reencarnatória é muito pequena ou mesmo nula, ficando sob a responsabilidade dos seus Espíritos tutelares ou sob o efeito das leis do automatismo. Essas leis fazem com que sejamos atraídos automaticamente para uma forma física que dispõe de heranças genéticas compatíveis com a nossa frequência vibratória.. O psiquismo espiritual entra em sintonia com esses genes porque eles trazem as características biológicas adequadas à tarefa evolutiva que iremos desempenhar na encarnação que está sendo projetada. O automatismo no processo reencarnatório acontece, por exemplo, com Espíritos obsessores (12).

Entre os anos de 1962 e 1965, eu estava psicografando o livro Dimensões da Verdade, de autoria do Espírito Joanna de Angelis. A obra contém um capítulo muito intrigante, no qual Joanna esclarece que certas entidades de baixo calibre moral são programadas para renascerem em determinados meios sociais no intuito de criarem embaraços à marcha da evolução social. Nessas ocasiões, técnicos em reencarnação que se encontram comprometidos com objetivos perversos (Espíritos muito intelectualizados, porém de nível moral inferior) enviam à Terra os seus comparsas para provocarem interferências no progresso da humanidade, tentando impor obstáculos a inúmeros movimentos de elevação espiritual. Por meio de suas ideias torpes e de seu comportamento beligerante, esses comparsas retornam à dimensão física e intoxicam ambientes destinados a edificar a fraternidade e o bem.

Imaginemos uma doutrina que surge no cenário do mundo e que se transforma em uma contribuição enriquecedora para a coletividade. Espíritos atormentados e atormentadores reencarnam no seio dos trabalhadores dessa doutrina para torpedeá-la, criando controvérsias e dificuldades, uma vez que se dedicam a difundir falsos conceitos e a gerar dissensões entre os seus partidários.

É fácil concluir que a Doutrina Espírita não está imune a essas investidas do mundo espiritual inferior. Pessoas há, nas fileiras do movimento espírita, que se detêm em determinados ângulos do conhecimento e da prática espírita e assumem a condição de donos da verdade. Um indivíduo que elege tal postura costuma afirmar que sabe tudo sobre o Espiritismo e que nenhum outro estudioso ou praticante possui o respeito e o mérito que ele mesmo se atribui, passando a admitir que o seu papel é vigiar os outros para constatar se todos estão defendendo a verdade, conforme o seu ponto de vista.

Essas pessoas podem ser excelentes intelectuais, mas nunca se dispuseram a descer do trono da sua vacuidade para serem simples e humanas, distendendo a mão aos companheiros de jornada evolutiva e participando de atividades doutrinárias como mais um integrante, que pretende apenas colaborar sem sobrepor-se a ninguém.

Na época em que Joanna escreveu o livro e registrou o fato de que entidades perversas poderiam assumir a condição de técnicos em reencarnação, eu confesso que fiquei com dificuldade para assimilar a informação, pois se trata de um fenômeno inusitado. Resolvi deixar que o tempo me auxiliasse a digerir o assunto com tranquilidade.

Muitos anos depois eu conheci um senhor no Movimento Espírita e me surpreendi com a forma singular como ele interpretava os conceitos lógicos do Espiritismo. Ele distorcia os princípios espíritas e apresentava ideias exóticas para demonstrar seu presumido saber, além de estar psicologicamente armado contra tudo e contra todos. Minha surpresa foi tanta que eu resolvi dialogar brevemente com ele para tentar entendê-lo:

— O senhor é mesmo espírita? — perguntei-lhe —. Já teve a oportunidade de ler, por exemplo, O Evangelho Segundo o Espiritismo?

— Não me venha com essa tolice de Evangelho! — respondeu o confuso senhor —. Allan Kardec escreveu esse livro para agradar a Igreja!

— Mas o senhor leu O Livro dos Espíritos?

— Ah, sim! Esse é um livro fundamental.

— O senhor está esquecendo o fato de que Jesus está nessa obra. Além de afirmar que Ele é o nosso guia e modelo, O Livro dos Espíritos, em sua terceira parte, aborda as Leis Morais. E foi exatamente dessa parte que surgiu posteriormente O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Ele me olhou com ar de escárnio e desconforto emocional. Foi um olhar tão frio e cruel que me desmontou o ânimo e me causou uma desagradável sensação. Nesse instante, Joanna de Angelis aproximou-se informou-me:

– Este senhor é um daqueles indivíduos que foram programados para criar obstáculos ao bem. Ele foi trazido à reencarnação pelos menores da perversidade no mundo espiritual, junto aos quais assumiu o compromisso de provocar embaraços no movimento de divulgação do espiritismo.

Tempos depois, em uma reunião mediúnica da nossa instituição, Joanna trouxe um desses técnicos em reencarnação para comunicar-se conosco. O companheiro designado para dialogar com ele ficou em uma situação complexa e difícil de administrar, já que o comunicante se acreditava dotado de um conhecimento científico superior e praticamente não deixava o seu interlocutor expressar-se. Afinal, ele se julgava m técnico de grande saber… Na verdade, o Espírito exibia uma argumentação muito volumosa, mas de conteúdo vazio e rudimentar, como é característico em Espíritos pseudo-sábios. Quando ele se afastou do médium, Joanna comentou comigo:

— Ele tem a pretensão de ser um programador de reencarnações, quando na verdade, na condição de técnico, é apenas um executor, não conseguindo aquilatar o Planejamento Divino que se sobrepõe aos seus atos. A atividade nefasta que ele julga realizar com autonomia é simplesmente um efeito da vontade do Criador. Mesmo que uma reencarnação tenha sido efetuada por um técnico perverso, os seres que renascem sob o efeito da sua intervenção terão uma nova oportunidade de aprendizado, enquanto as criaturas humanas que estarão no caminho necessitam experimentar os obstáculos produzidos pelo mentor do mal e por seus colaboradores. A infinita Misericórdia permite a ação do Espírito em face das necessidades evolutivas da humanidade.

Ao término da explicação de Joanna eu compreendi o porquê da postura pretensamente superior daquela entidade. Não seja de admirar que esses seres perversos que habitam regiões inferiores julguem-se possuidores de uma grande força psíquica e de uma habilidade incomum para agirem conforme desejam. São Espíritos que, ao longo dos séculos, a mitologia dos povos denominou demônios, advindos de regiões do Além-túmulo que a mesma mitologia designou como inferno ou equivalente. De fato, eles possuem relativa força e habilidade na busca de seus objetivos insanos. Mas somente contam com esse instrumental porque isso lhes é concedido temporariamente para que se tornem agentes do Poder Soberano. Durante algum tempo eles serão os braços da Lei maior, até quando interessar a Deus esse processo, porque em breve os técnicos do mal serão também levados à reencarnação, que normalmente ocorre por um fenômeno compulsório (13).

Não há privilégios para a reencarnação. Não obstante, como dissemos antes, aqueles Espíritos nobres, verdadeiros missionários do bem, recebem da Divindade uma maior liberdade para escolherem vários aspectos da sua futura existência física. Uma das prerrogativas desses Espíritos é a permissão para programarem o mapa genético que atenderá às suas necessidades de realização na Terra, bem como a escolha da família que os receberá (14).

Quando falamos sobre o amor sublime, queremos lembrar que o afeto que possui uma dose mais acentuada de busca sexual também é perfeitamente compreensível. É possível amar-se sexualmente a outrem. Talvez não existam outros lances transcendentais, mas existirão o companheirismo e o carinho, porque o indivíduo pode ainda estar numa fase primária, em que o amor caminha ao lado das sensações. É muito nobre, desde que respeite o seu parceiro, pois o que foge da linha do equilíbrio é a ausência de consideração no relacionamento.

Os Espíritos amigos nos ensinam que o retorno de uma individualidade à vida corporal pode acontecer por diversos métodos. O mecanismo de imantação do Espírito à matéria será o mesmo. Desde que haja condições que propiciem a reencarnação ela poderá iniciar-se na tuba uterina ou fora dela, como é o caso da fecundação in vitro. O método para que o reencarnante se materialize na dimensão física é indiferente, desde que ele consiga produzir o acoplamento do seu períspirito ao zigoto, à célula primordial que vai desdobrar a realidade do futuro corpo. A explicação é válida, inclusive para a hipótese de uma clonagem…

Os instrutores espirituais acreditam que no futuro, provavelmente, um futuro não muito próximo, o avanço da Ciência tornará perfeitamente normal o processo de clonagem humana. E importante esclarecer que se trata da clonagem do corpo físico, porque as características psicológicas inerentes ao ser que manipulará o corpo jamais serão clonadas. A personalidade, a inteligência, as emoções, o livre-arbítrio serão sempre de responsabilidade do Espírito reencarnante, o que nos autoriza a concluir que o processo de clonagem estará restrito às características biológicasgerais que definem o ser humano (15).

Vale ressaltar que, para os Espíritos, futuro próximo pode significar cem, duzentos ou trezentos anos…

Os mentores espirituais ainda afirmam que a Ciência desenvolverá uma espécie de útero artificial que poupará à mulher os testemunhos dolorosos da gestação, já que esses equipamentos permitirão o desenvolvimento embrionário e fetal extracorpóreo.

A fertilização assistida é uma das maiores bênçãos, nessa área, que a Ciência obteve para proporcionar a felicidade à criatura humana!

Imaginemos uma pessoa que, por motivos cármicos, vem à Terra impossibilitada de ter filhos, mas que daria a vida pela honra de ser mãe. Se ela dispuser de um meio artificial que lhe proporcione esta bênção, quantas outras dádivas ela não poderá distribuir por causa da alegria que recebe? Enquanto que na frustração, quanta ira, quantos conflitos psicológicos e quantas mágoas teria se não pudesse fruir a felicidade de um filho nos braços?

A Psicologia recomenda que os pais devem manifestar um intenso carinho durante a gestação da criança, envolvendo o feto em uma atmosfera de receptividade e de amor. Numa visão espiritual concluímos que o reencarnante assimila as vibrações psíquicas emitidas pelos seus genitores, o que justifica ainda mais a participação deles para que o seu filho experimente uma reencarnação saudável. Por isso, com o surgimento desses úteros artificiais, mais facilidade ainda terão esses pais para proporcionarem ao filho um ambiente de amorosa expectativa, sobretudo a mãe, pois ela estará liberada da dificuldade de carregar a criança no útero e terá o seu filho praticamente diante de seus olhos, que envolverá com imensa ternura.

* * *

Livro: Sexo e Consciência – capítulo 2

Organizado por Luis Fernando Lopesa partir de palestras de Divaldo P. Franco

Notas:

(10) Pará ampliar a compreensão sobre o fenômeno da gravidez será útil analisar o tema da gestação frustrada e dos “partos” no mundo espiritual. Ver os livros: Painéis da Obsessão, de Divaldo Franco/Manoel P. de Miranda, Ed. LEAL, cap. 15 (Trama do Ódio) E cap. 16 (Causas Ocultas do Infortúnio); Transição Planetária, de Manoel P. Miranda/Divaldo Pratico, Ed. LEAL, cap. 12 (A Vida Responde Conforme Programada). Nota do organizador.

(11) Ver o livro Temas da Vida e da Morte, Manoel P. de Miranda/Divaldo Franco, Ed. IT.R, cap. “Reminiscências e Conflitos Psicológicos”. Nota do organizador.

(12) Consultar os livros: Temas da Vida e da Morte, cap. “Pensamento e Períspirito”; Trilhas da Libertação, de Manoel P. Miranda/Divaldo Franco, Ed. LEAL, cap. “O Caso Rau-linda” e cap. “Ocorrência Grave”; Entre a Terra e o Céu, de Francisco Cândido Xavier/André Luiz, ed. FF.R, cap. 28 (Retorno) e cap. 33 (Aprendizado). Nota do organizador.

(13) Ver também Trilhas da Libertação, cap. 11 (Reflexões Necessárias). Nota do organizador.

(14) Consultar os livros: Missionários da Luz, de Francisco Cândido Xavier/André Luiz, d. FEB, cap. 12 (Preparação de Experiências); Entre os Dois Mundos, de Manoel P. de Miranda/Divaldo Franco, Ed. LEAL, cap. 19 (Compromissos de Libertação). Nota do organizador.

(15) Sobre o acoplamento do Espírito à matéria, a fecundação in vitro e a clonagem humana, ver os livros: Atualidade do Pensamento Espírita, de Vianna de Carvalho/Divaldo Franco, Ed. LEAL, cap. 2 (Ciências Médicas e Biológicas à Luz do Espiritismo), itens “Engenharia Genética e Genética” e “Embtiologia”; Dias Gloriosos, cap. 9 (Engenharia Genética) e cap. 19 (Clonagem Humana); Transição Planetária, cap. 16 (Programações Reencarnacionistas) e cap. 18 (Reflexões e Diálogos Profundos). Nota do organizador.

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Dependência

Nilton Moreira

DEPENDÊNCIA

Uma das mais difíceis dependências de ser abandonada é o ato de fumar. O tabaco requer uma força de vontade maior em razão de estar enraizado na sociedade. Ligado ao sucesso e charme, pois usa-se piteiras e cigarros aromatizados e com visuais diferenciados.

Apesar da censura no que diz respeito a publicidade, é algo que pode ser utilizado sem proibição. Apenas está restrito em alguns locais, mas vemos em vários programas televisivos e películas, personagens ostentando os mais diversos tipos de fumo.

Por tais particularidades torna-se a mais difícil dependência de largarmos, enquanto que drogas mais fortes só podem ser consumidas na clandestinidade.

Mas todo tipo de vício é de difícil despedida, pois sabe-se que o organismo sente a necessidade, e o cérebro traduz como desejo ao espírito que é o Ser Pensante, a incumbência final.

A persuasão de onde adquirir a droga, os meios para comprá-la, isto é, como conseguir o dinheiro e posteriormente onde consumi-la, é da competência do espírito. O corpo apenas passa o alerta da necessidade, semelhante a fome, sede e outros desejos.

Dizer que uma pessoa dependente é um irresponsável pois para quando quer, não é verdade. É muito difícil a luta e requer além de força de vontade, uma desintoxicação preliminar, para depois então entrar num período de convencimento.

O dependente de qualquer tipo de vício nunca fica curado. É sempre um doente em recuperação, por isso deve ficar atento para não recair, e se acontecer, voltar novamente do ponto inicial.

O comprometimento maior é o do traficante. Este sim deve receber perseguição das autoridades e ser execrado da sociedade, pois põe em risco a vida de outrem. Geralmente o traficante não é usuário. Portanto age ciente do mal que está praticando.

A necessidade do usuário cada vez vai aumentado mais, visto que junto a ele chegam espíritos que na época que estavam encarnados eram também usuários, e em razão de não poderem mais segurar materialmente a droga, sorvem as emanações fluídicas do encarnado. Por isso a dificuldade maior de libertar-se do vício seja ele qual for.

É necessário normalmente internação para desintoxicação, e depois frequentar um grupo de apoio, mantendo sempre força de vontade através da prece ao Altíssimo, cujo socorro virá.

Força a todos.

Nilton Moreira

Artigo da Semana – Estrada Iluminada

Fonte: Espirit Book

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Onde andará meu Anjo da Guarda?

Antonio Carlos Navarro

ONDE ANDARÁ MEU ANJO DA GUARDA?

A existência de espíritos protetores junto aos encarnados também faz parte da crença popular, e se faz presente em todas as culturas religiosas do mundo.

Em meio às questões relacionadas ao tema, Allan Kardec tece o seguinte comentário:

“A doutrina dos anjos de guarda, velando sobre seus protegidos apesar da distância que separa os mundos, não tem nada que deva surpreender; é, ao contrário, grande e sublime. Não vemos na Terra um pai velar pelo seu filho, embora esteja afastado dele, ajudá-lo com seus conselhos por correspondência? O que haveria, então, de espantoso em que os Espíritos pudessem guiar aqueles que tomam sob sua proteção, de um mundo a outro, uma vez que para eles a distância que separa os mundos é menor do que aquela que, na Terra, separa os continentes? Eles não dispõem, por outro lado, do fluido universal, que liga todos os mundos e os torna solidários, veículo magnífico da transmissão dos pensamentos, como o ar é, para nós, o veículo da transmissão do som?”

Para tornar o assunto plenamente entendível, pergunta o Codificador:

Há Espíritos que se ligam a um indivíduo em particular para protegê-lo? – Sim, o irmão espiritual; é o que chamais de bom Espírito ou bom gênio. (1)

Qual é a missão do Espírito protetor? – A de um pai para com seus filhos: conduzir seu protegido ao bom caminho, ajudá-lo com seus conselhos, consolá-lo em suas aflições, sustentar sua coragem nas provas da vida. (2)

Das questões propostas à Espiritualidade Superior, sobressai, pela profundidade, a que é respondida por São Luís e Santo Agostinho:

O Espírito protetor abandona algumas vezes seu protegido quando este é rebelde aos seus conselhos? – Ele se afasta quando vê que seus conselhos são inúteis e a vontade de aceitar a influência dos Espíritos inferiores é mais forte no seu protegido. Mas não o abandona completamente e sempre se faz ouvir; é, porém, o homem quem fecha os ouvidos. O protetor volta logo que seja chamado.

É uma doutrina que deveria converter os mais incrédulos por seu encanto e por sua doçura: a dos anjos de guarda. Pensar que se tem sempre perto de si seres superiores, sempre prontos para aconselhar, sustentar, ajudar a escalar a áspera montanha do bem, que são amigos mais seguros e devotados que as mais íntimas ligações que se possa ter na Terra, não é uma idéia bem consoladora? Esses seres estão ao vosso lado por ordem de Deus, que por amor os colocou perto de vós, cumprindo uma bela, embora difícil, missão. Sim, em qualquer lugar onde estiverdes estarão convosco: nas prisões, nos hospitais, nos lugares de devassidão, na solidão, nada vos separa desses amigos que não podeis ver, mas de quem vossa alma sente os mais doces estímulos e ouve os sábios conselhos.

Deveríeis conhecer melhor essa verdade! Quantas vezes vos ajudaria nos momentos de crise; quantas vezes vos salvaria dos maus Espíritos! Mas no dia decisivo, esse anjo do bem terá que vos dizer: “Não te disse isso? E tu não o fizeste. Não te mostrei o abismo? E tu aí te precipitaste. Não te fiz ouvir na tua consciência a voz da verdade? E não seguiste os conselhos da mentira?” Ah! Interrogai os vossos anjos de guarda; estabelecei entre eles e vós essa ternura íntima que reina entre os melhores amigos. Não penseis em lhes esconder nada, porque eles são os olhos de Deus e não podeis enganá-los. Sonhai com o futuro. Procurai avançar nessa vida e vossas provas serão mais curtas; vossas existências, mais felizes. Vamos, homens de coragem! Atirai para longe de vós de uma vez por todas os preconceitos e idéias retrógradas. Entrai no novo caminho que se abre diante de vós. Marchai! Marchai! Tendes guias, segui-os: o objetivo não pode vos faltar, porque esse objetivo é o próprio Deus.

Aos que pensam que é impossível para os Espíritos verdadeiramente elevados se sujeitarem a uma tarefa tão árdua e de todos os instantes, diremos que influenciamos vossas almas estando a milhões e milhões de quilômetros. Para nós o espaço não é nada e, embora vivendo em outro mundo, nossos Espíritos conservam sua ligação com o vosso. Nós podemos usar de faculdades que não podeis compreender, mas ficais certos de que Deus não nos impôs uma tarefa acima de nossas forças e não vos abandonou sozinhos na Terra sem amigos e sem apoio. Cada anjo de guarda tem seu protegido por quem vela, como um pai vela pelo seu filho. Fica feliz quando o vê no bom caminho; fica triste quando seus conselhos são desprezados.

Não temais nos cansar com vossas questões. Ao contrário, procurai estar sempre em relação conosco: sereis mais fortes e felizes. São essas comunicações de cada homem com seu Espírito familiar que fazem de todos os homens médiuns, médiuns ignorados hoje, mas que se manifestarão mais tarde e que se espalharão como um oceano sem limites para repelir a incredulidade e a ignorância. Homens instruídos, instruí os vossos irmãos; homens de talento, elevai vossos irmãos. Não sabeis que obra cumprireis assim: é a do Cristo, a que Deus vos conferiu. Por que Deus vos deu a inteligência e a ciência, senão para as repartir com vossos irmãos, para fazê-los adiantarem-se no caminho da alegria e da felicidade eterna? (3)

Com essas explicações temos um farto material para nos posicionarmos em relação aos espíritos protetores.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte:  Kardec Rio Preto

Referências:

  1. O Livro dos Espíritos – Questão 489.
  2. Questão 491.
  3. Questão 495.
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