CASAMENTO GAY

Richard Simonetti

Não temos a posição do Espiritismo sobre o casamento gay, porquanto o assunto não foi abordado na Codificação, mas podemos, com base na liberdade de consciência preconizada pela Doutrina, considerar o elementar: não há por que opor-se a duas pessoas do mesmo sexo que decidam viver juntas, independente do fato de manterem ou não uma comunhão sexual.

Observemos as questões abaixo, de O Livro dos Espíritos:

Questão 200. Pergunta Kardec: Os Espíritos têm sexo?

Responde o mentor: Não como o entendeis, porque o sexo depende da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos

Questão 201. Pergunta Kardec: O Espírito que animou o corpo de um homem pode animar, em nova existência, o de uma mulher e vice-versa?

Responde o mentor: Sim, são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.

Se os Espíritos não têm sexo como morfologia, podendo reencarnar como homem ou mulher; se o que há entre eles é amor e simpatia, baseados na afinidade de sentimentos, o que os impede de cultivar um relacionamento afetivo com alguém do mesmo sexo?

Qualquer par de homossexuais, masculino ou feminino, indagado quanto à natureza de seu relacionamento, nos dirá que é muito mais uma questão de comunhão afetiva do que carnal. Não fosse por isso, não haveria razão para viverem juntos.

Nessa condição, têm o direito de formalizar em cartório a decisão, até por uma questão prática, envolvendo sucessão, herança, pensão, bens adquiridos em comum… antes a lei determinava que esse contrato fosse celebrado por um casal. Hoje, em muitos países, inclusive no Brasil, essa exigência foi abolida.

Considerando a semântica, há quem não admita a definição casamento para esse contrato social. Não vejo por quê. A língua portuguesa é muito generosa com relação às suas expressões.

Frequentemente apresentam vários significados, não raro até aparentemente contraditórios. O dicionário Houaiss diz, dentre outras acepções, que casamento pode ser uma associação ou uma aliança. Essas expressões, por extensão, contemplam a união entre duas pessoas do mesmo sexo, registrada em cartório para os fins legais.

Só não podemos admitir um casamento espírita, nos moldes das religiões tradicionais, já que a Doutrina não tem ritos nem rezas, nem ofícios nem oficiantes. Aprendemos que todo ato de comunhão com a espiritualidade é eminentemente único e pessoal, um assunto entre nós e a divindade.

Por isso, quem deseje pedir as bênçãos divinas para uma união matrimonial, para um filho que nasce ou um familiar que desencarna, deve fazê-lo pessoalmente, sem intermediação, elevando o pensamento na prece contrita.

Demonstrando que o casamento gay transcende a mera questão sexual, não raro os parceiros, sejam do sexo feminino ou masculino, adotam filhos, formando uma família.

Há quem não aceite, sob a alegação de que dois pais ou duas mães irão confundir a cabeça da criança.

Atendendo a essa objeção, pergunta-se: o que é preferível, a criança experimentar o trauma de crescer num orfanato ou, pior, na rua, ou ser cuidada e educada num lar formado por dois pais ou duas mães? Considere, prezado leitor, algo ponderável: pesquisas com crianças educadas por gays revelam que não apresentam dificuldades no relacionamento social. Muitas se saem até melhor nos estudos.

Tudo o que a criança precisa é de um lar ajustado, onde receba muito amor, não importando se é educada por homo ou heterossexuais.

Richard Simonetti

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

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TEMOS NOS PREPARADO PARA NOSSO RETORNO AO PLANO ESPIRITUAL?

Antonio Carlos Navarro

Transcrevemos abaixo, sequencialmente, cinco perguntas de O Livro dos Espíritos, e suas respectivas respostas, para desenvolvermos pequeno raciocínio sobre o desprendimento. Os destaques em negrito são nossos.

22 a- Que definição podeis dar da matéria?

– A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de que ele se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação.

* De acordo com essa ideia, pode-se dizer que a matéria é o agente, o intermediário, com a ajuda do qual, e sobre o qual, atua o Espírito. (AK)

76- Que definição se pode dar dos Espíritos?

– Pode-se dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Eles povoam o universo, fora do mundo material.

84- Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?

– Sim, o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.

85- Qual dos dois é o principal na ordem das coisas: o mundo espiritual ou o mundo corporal?

– O mundo espiritual, que preexiste e sobrevive a tudo.

132- Qual é o objetivo da encarnação dos Espíritos?

– A Lei de Deus lhes impõe a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição. Para uns é uma expiação; para outros é uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição, devem sofrer todas as tribulações da existência corporal: é a expiação. A encarnação tem também um outro objetivo: dar ao Espírito condições de cumprir sua parte na obra da criação. Para realizá-la é que, em cada mundo, toma um corpo em harmonia com a matéria essencial desse mundo para executar aí, sob esse ponto de vista, as determinações de Deus, de modo que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.

*****

Independentemente de nossas experiências pessoais e convicções, é de fácil dedução que somos seres espirituais de passagem pela vida corporal, e esta engloba, além da necessidade de habitarmos temporariamente um corpo físico, lidarmos com a matéria nos seus mais diversos aspectos, a começar pela própria manutenção e preservação do corpo.

Em função das nossas atuais condições encarnatórias, temos que lidar com o comércio das coisas materiais, consequentemente com a posse delas, e também convivermos com outros espíritos encarnados, alguns dos quais fornecemos a matéria para seus corpos físicos através da paternidade.

Não é difícil observarmos o quanto somos apegados à matéria. É só observarmos o quanto falamos “é meu” ou “é minha”, e quanto nos orgulhamos de ostentá-las, e quão difícil é abrirmos mão do que está conosco. E, ainda, com que zelo cuidamos do que é material, a ponto de sua perda causar-nos sofrimentos profundos, psíquica e emocionalmente.

Diante disso, podemos nos questionar:

Admitindo que, temos mérito para tanto, estamos preparados para deixar nossas residências, que com muito suor conseguimos e preparamos para nos atender, para habitarmos, por empréstimo, um quarto simples nas esferas espirituais mais acima do plano atual?

Estamos preparados para deixarmos nosso carro, principalmente aquele que foi objeto de sonho de consumo, e outros meios de transporte que nos emocionam?

Estamos dispostos a deixar aquele guarda-roupa abarrotado de vestimentas e calçados, junto aos quais se encontram alguns mais surrados, que teimamos em não passar para frente, porque um dia ainda poderão ser úteis?

Estamos preparados para o distanciamento físico daqueles que são “nossos”, seguindo nossas necessidades espirituais deixando-os seguirem as deles?

E o que dizer da alimentação? Alterar nosso cardápio para “caldos” diários será facilmente tolerável?

E a posição social e profissional?

Por último, o que temos feito para nos preparar para o retorno ao mundo incorpóreo?

Bem, já temos muito no que meditar. Vamos parar por aqui, porque desnecessário é dizer que isso tudo é o que vai nos acontecer, mais cedo ou mais tarde, como já experimentamos inúmeras vezes, para não dizermos milhares.

Pensemos nisso.

Antonio Carlos Navarro

Fonte: Kardec Rio Preto

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SEUS PENSAMENTOS REVELAM AS SUAS COMPANHIA ESPIRITUAIS

Adriana Machado

PARTE I

Quem de nós se preocupa em analisar os pensamentos que têm?

Falamos na semana passada, sobre os pensamentos reflexos e sobre os nossos outros pensamentos que acompanham esses primeiros.

Agora, gostaria de tratar com vocês, sem esgotar o assunto, sobre os pensamentos que recepcionamos em razão de nossas sintonias com o mundo exterior.

Se temos dificuldades de nos flagrar em nossos próprios pensamentos, imaginem os que nos chegam e são abraçados por nós?!

Na maioria das vezes, acreditamos que tudo o que está em nossa mente é nosso, mas a verdade não é bem assim. Somos energia! Somos seres que vibram e nos sintonizamos com tudo aquilo que está ao nosso redor. Fica bem claro entendermos essa verdade quando nos deparamos com o funcionamento da teia da aranha. Onde estivermos, se nos mexermos, toda a teia sente a vibração e a aranha saberá onde é o ponto de origem daquele balanço. Da mesma forma, basta somente existirmos para que estejamos transmutando, trocando energias com o meio ao nosso redor.

Outro exemplo é quando escutamos um som muito alto. Qual a sensação que ele nos traz em nosso corpo? Podemos estar perto ou um pouco mais longe e adorar ou não a música, e teremos reações das mais variadas face a vibração emanada por aqueles alto falantes: coração taquicárdico, dores de cabeça, euforia, incômodos… Inclusive, até uma pessoa surda é capaz de sentir essas mesmas sensações face a vibração do som que se propaga no ar.

Também é assim conosco no que se refere a interferências do plano espiritual. Sentimos, uns mais outros menos, a harmonia e o desequilíbrio de um ambiente, simplesmente porque somos energia e, por consequência, estamos interligados a tudo.

É importante frisar que, a harmonia ou o desequilíbrio é construída ou sentida por nós, estejamos encarnados ou desencarnados.

Agora, pense que você acabou de passar por uma experiência e está reagindo a ela por meio de seus pensamentos ou ações. Vamos dizer que o seu pensamento reflexo [1] pode ter sido positivo ou negativo, tanto faz. Se o pensamento é caridoso ou não, você está construindo um ambiente externo que refletirá o seu estado interior e, neste ambiente, permanecerão os seus afins.

Para facilitar a imagem, vamos chamar de “pomba” este pensamento que chega. Ela voa sobre a nossa cabeça. O que faremos com ela, só depende de nós! Seja ela positiva ou negativa, podemos lhe dar razão e deixá-la pousar. Neste momento, a pomba começará a construir o seu ninho com o acúmulo de outros tantos pensamentos que são nossos, bem como de outros que não são e que estão em sintonia com o nosso estado interior. Outra postura é podermos discordar dela e espantá-la, para que não faça ninho. Somos nós que determinaremos quais pensamentos aceitaremos em nosso templo interior.

Qual seria a nossa melhor atitude quando percebemos que uma pomba está ansiosa para fazer um ninho em nosso “telhado”? Primeiro, saber que tipo de pomba ela é, porque se ela ali se instalar, possivelmente, outras tantas a seguirão… E depois que estiverem todas lá, mais difícil será mandá-las embora.

Neste ponto, significa que estamos atentos às nossas próprias necessidades íntimas; estamos atentos ao modo que desejamos vivenciar cada momento.

Quando percebemos o tipo de pensamento que temos, compreendemos quem “estamos” naquele instante de nossa vida e quem estaremos sempre a convidar para o nosso lado.

Muitos de nós não sabem quando estão sofrendo alguma influenciação externa. Então, que fiquemos atentos às “pombas” que chegam, porque, sejam quais forem as companhias que tivermos, a responsabilidade pelas escolhas que fizermos ante esta influenciação será nossa.

O primeiro pensamento pode ser nosso, mas, se os demais podem ser de outrem, cabe a cada um de nós discernir o que deseja para a sua vida.

Paz ou discórdia interior! Só depende de quais pensamentos desejamos abraçar.

PARTE II

“Quando lá chegaram, tiveram uma ‘recepção festiva’. Todos os espíritos desagregadores que o acompanhavam diariamente estavam lá e queriam, a todo custo, levar a desarmonia ao casal. Então, se dividiram em dois grupos para que pudessem influenciar ambos.” Perdão: a chave para a liberdade. Esp. Ezequiel. Machado, Adriana. (Kindle Locations 450-452). Kindle Edition.

Gostaria de continuar refletindo junto com vocês sobre as companhias espirituais que nos cercam em virtude do que pensamos e de como vibramos.

Reafirmo que não queremos esgotar o assunto nestas humildes linhas, pois muito há para ser falado ou, simplesmente, não temos conhecimento de tudo. Mas, os remeto aos artigos que escrevemos (“Nossos pensamentos reflexos” e “Seus pensamentos relevam as suas companhias espirituais”) para uma complementação de ideias.

Como já foi dito anteriormente, nem todos têm a capacidade de saber se estamos acompanhados ou não e, por causa disso, fomos criados com um instrumento de alarme que são os nossos próprios pensamentos, as nossas ações diárias. Eles refletem aquilo que temos em nós, eles são os nossos espelhos.

Se ficarmos atentos a eles, teremos condições de identificar quem estamos convidando para ficarem ao nosso lado, porque alguém conosco estará sempre.

Gosto de dizer que estamos em plena “adolescência evolutiva”, com todas as características próprias dessa fase. Somos rebeldes, somos curiosos e tentamos nos desligar daquilo que antes nos “dominava”, ou seja, estamos buscando no raciocínio, ainda inexperiente, enfrentar todas as circunstâncias que chegam a nós com um “pingo” de rebeldia, com um “pingo” de irresponsabilidade, mas com muita garra e criatividade para atingirmos os nossos ideais.

Por isso, como todo Pai Amoroso, Deus nos coloca seus “anjos” para nos auxiliarem nesta fase e estes estarão sempre nos velando. Só por aí, vemos que não ficamos sós.

Estes “anjos”, mentores, guias, nos auxiliam com a sua presença, com os seus conselhos, com a sua proteção. No entanto, pela nossa natureza rebelde, nos colocamos numa posição de resistência ante os seus sábios conselhos, por nos sentirmos tolhidos em nosso querer. Ainda não entendemos que, na verdade, “tudo podemos, mas nem tudo nos cabe fazer”.

Por causa da nossa capacidade de aprender, nos sentimos mais seguros nesta adolescência e, portanto, vamos ficando mais curiosos, mais travessos, mais independentes e conhecendo mais as sensações que temos em nosso íntimo a cada experiência vivenciada. Começamos, consequentemente, a realizar nossas proezas baseadas nessas reações: se detestamos, não desejaremos repeti-las; se delas gostarmos, as repetiremos tantas quantas forem às vezes que quisermos senti-las.

O problema é que, até agora, o que entendemos ser positivo é a sensação de prazer que temos. Este prazer é chamativo, convidativo, intenso, mais materializado e imediato aos nossos sentidos. Por isso, ficamos tão suscetíveis aos conselhos que nos fazem tender aos prazeres do mundo. E, diante de nossa busca sempre presente para sermos felizes, acabamos tendendo a querer vivenciar as experiências que nos entorpecem os sentidos e nos dão a sensação de que estamos bem.

Diante dessa procura incessante pelo prazer, pela diversão, pelo descontrole, chamamos para o nosso lado aqueles que coadunam com os nossos pensamentos, com as nossas vontades.

Certo é que estaremos sempre vibrando, estaremos sempre em sintonia com os nossos mais puros desejos. E o que chamo de puro, aqui, são tanto aqueles desejos iluminados ou elevados, como os carnais, libidinosos, desenfreados, porque para cada meta estaremos determinados, vibrando e chamando para o nosso lado aqueles que tiverem o mesmo objetivo a ser alcançado.

“A visão daquela cena no plano espiritual era interessante: do lado de Luíza vinha um brilho resplandecente; porém, do lado de Onofre, uma escuridão o abraçava.” – Perdão: a chave para a liberdade. Esp. Ezequiel. Machado, Adriana. (Kindle Locations 1095-1096). Kindle Edition.

Flagremo-nos, portanto, como reagiremos às experiências que nos chegam. O que pensamos diante dessas experiências? Quais os objetivos que temos na vida? Que fique certo o seguinte: ter prazer não é “pecado”. O “pecado” é não nos frearmos, quando em nome deste prazer, agirmos infringindo às leis divinas que nos regem. Neste momento, aqueles que nos acompanham e nos aconselham estarão no mesmo grau de “ignorância” que nós frente aos ideais elevados de nossa evolução.

Assim, sejam as nossas ações boas ou não e, mesmo que impulsionados por outrem, receberemos da vida os seus efeitos em razão de sermos responsáveis por elas.

Portanto, observemos quais pensamentos produzimos e nos lapidemos frente às nossas reações, porquanto, seremos nós que colheremos os frutos de nossa sublime plantação.

Fonte: Adriana Machado

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A GUERRA CONTRA O PARAGUAY

(O CARMA DO BRASIL)

Por Álvaro Augusto Vargas

O conflito militar ocorrido entre 1864-1870, que envolveu a tríplice aliança entre o Brasil, Argentina e Uruguai contra o caudilho Solano Lopez do Paraguai, foi a guerra mais sangrenta ocorrida na América do Sul. Entre os aliados mais de 80.000 soldados e civis perderam a vida, e do lado paraguaio, estima-se em 300.000 fatalidades. Mas a maior causa das mortes foram a fome e as enfermidades ocasionadas pelo clima insalubre e inóspito da região de conflito.

Para o Brasil, que perdeu o maior número de cidadãos, o custo deste conflito bélico arrasou a nossa economia por vários anos e o Paraguai, que teve talvez quase 40% de sua população dizimada, amargou por décadas uma recuperação extremamente difícil. Como em todas as guerras, as perdas foram enormes para todas as nações envolvidas. Não existiu nenhuma intervenção das nações mais desenvolvidas neste conflito, exceto como mediadores para que a paz fosse negociada de uma forma justa.

Os historiadores divergem em suas interpretações, o que é compreensível devido à dificuldade em serem obtidos a comprovação das informações divulgadas. Em obra mediúnica (Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho), do autor Humberto de Campos através do médium Chico Xavier, é feito um breve relato da visão espiritual deste evento. Na verdade, o déspota Solano Lopez não era diferente da maioria dos caudilhos de sua época. A sua ação contra o Brasil e a Argentina foi motivada não só pela sua ambição, mas o desejo de negociar fronteiras (em litígio) e a navegação do Rio da Prata em condições mais favoráveis, pois não confiava em seus vizinhos, Brasil e Argentina.

Já tinha um acordo com um dos caudilhos do Uruguai e preparou-se melhor para a guerra que os demais países daquela região (seu exército superava em três vezes as forças aliadas no início do conflito).

No passado já haviam ocorridos várias guerras naquela região, inclusive com o envolvimento de D. Pedro I. Mesmo a Argentina não estava totalmente unida, com regiões administradas por governos independentes. A desconfiança de nossos vizinhos com relação ao império brasileiro que já era grande, se potencializou com a intervenção militar do império do Brasil na Argentina e depois no Uruguai, depondo o caudilho aliado de Solano Lopez, sendo isto o estopim que deflagrou este conflito.

Com certeza teria sido muito difícil D. Pedro II evitar a guerra contra o Paraguai, não invadindo o Uruguai devido as convulsões políticas naquela região. Existia grande pressão do R. G. do Sul, em favor da guerra e anos antes já havia deflagrado a revolta de farroupilha, custando muitas vidas e valores expressivos para o império. A região colonizada pela Espanha se fragmentara em vários países e existia um risco do mesmo ocorrer em nosso território. Para complicar, mais de 20% da população no Uruguai eram de brasileiros (principalmente gaúchos), que já estavam envolvidos no conflito armado que dividia aquele país em dois grupos antagônicos.

Mas é importante também considerar a forma de analisar as situações conflitantes segundo a ótica da época. Mesmo D. Pedro II, embora escolhido e preparado para esta tarefa designada por Jesus, tinha como principal referência na sua forma de analisar as situações conflitantes, os valores e a cultura europeia, sem atinar tão bem para as questões locais. E, na região sul do continente os países hoje existentes, estavam na época ainda em formação (Argentina, Uruguai, Paraguai), com questões limítrofes nas fronteiras não resolvidas. O envolvimento do império do Brasil, durante o primeiro reinado, na guerra que antecedeu o conflito bélico com o Paraguai, guardava reminiscências expansionistas da influência portuguesa. Entretanto, não constava nos planos do mundo espiritual incorporar ao império brasileiro as regiões existentes, além da marcação de nossas fronteiras como se encontra nos dias de hoje. Estas primeiras guerras foram infrutíferas e com certeza tiveram uma influência negativa na sequência de eventos que levaram a preocupação de nossos vizinhos com as pretensões territoriais e o belicismo do império brasileiro.

Interessante que antes de reencarnar, D. Pedro II conversou com Jesus sobre a tarefa a ser realizada. Nosso imperador já era uma alma de escol, que embora tivesse sido em existência pretérita um centurião romano (Longinus), presente na crucificação do Messias, recebeu do Mestre Nazareno uma tarefa que apenas almas realmente edificadas no bem poderiam empreender (D. Pedro II havia se preparado durante vários séculos em reencarnações que lhe conferiram a moral e intelectualidade necessárias para a tarefa).

Entre as tarefas principais, que Jesus lhe solicitou estavam a de proporcionar o crescimento estável do Brasil, libertar os escravos e manter a prudência e a fraternidade com as nações vizinhas, sem conflitos bélicos. Realmente D. Pedro II foi o melhor governante que o Brasil teve em toda a sua história (58 anos de reinado). Mas poderia ter assimilado melhor a advertência de Jesus e evitado a guerra, ou pelo menos ter amenizado os seus efeitos buscando negociar a paz com Solano Lopez. Sessenta mil brasileiros perderam a vida, e a nossa economia ficou arrasada por várias décadas com os custos deste conflito bélico.

Em mensagem de Bezerra de Menezes através do médium Divaldo P. Franco, é citado que o Carma da nação brasileira só foi quitado com a construção de represa de Itapu, resgatando assim o nosso débito pela destruição que causamos à aquela nação. O Brasil é um país pacífico, sem interesse em conquistas e sem litígios sérios com os nossos vizinhos. Felizmente o nosso país resgatou o seu único débito coletivo em termos de nação, preparando-se melhor para os adventos do terceiro milênio. Como todas as grandes nações do passado, o Brasil também terá de seu momento de maior glória, mas não através da expansão bélica ou econômica, mas através da divulgação do Cristianismo redivivo, a Doutrina Espírita.

Álvaro Augusto Vargas

Fonte: Vinha de Luz

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ABSTINÊNCIA E CELIBATO

Emmanuel

«Pergunta – O celibato voluntário representa um estado de perfeição meritório aos olhos de Deus?»

«Resposta – Não, e os que assim vivem, por egoísmo, desagradam a Deus e enganam o mundo.»

«Pergunta – Da parte de certas pessoas, o celibato não será um sacrifício que fazem com o fim de se votarem, de modo mais completo, ao serviço da Humanidade?

«Resposta – Isso é muito diferente. Eu disse: por egoísmo. Todo sacrifício pessoal é meritório, quando feito para o bem. Quanto maior o sacrifício, tanto maior o mérito.»

Questão nº 698 e 699, de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS».

Abstinência, em matéria de sexo e celibato, na vida de relação pressupõe experiências da criatura em duas faixas essenciais:

A daqueles Espíritos que escolhem semelhantes posições voluntariamente para burilamento ou serviço, no curso de determinada reencarnação, e, a daqueles outros que se vêem forçados a adotá-Ias, por força de inibições diversas.

Indubitavelmente, os que consigam abster-se da comunhão afetiva, embora possuindo em ordem todos os recursos instrumentais para se aterem ao conforto de uma existência a dois, com o fim de se fazerem mais úteis ao próximo, decerto que traçam a si mesmos escaladas mais rápidas aos cimos do aperfeiçoamento.

Agindo assim, por amor, doando o corpo a serviço dos semelhantes, e, por esse modo, amparando os irmãos da Humanidade, através de variadas maneiras, convertem a existência, sem ligações sexuais, em caminho de acesso à sublimação, ambientando-se em climas diferentes de criatividade, porquanto a energia sexual neles não estancou o próprio fluxo; essa energia simplesmente se canaliza para outros objetivos – os de natureza espiritual. E, em concomitância com os que elegem conscientemente esse tipo de experiência, impondo-se duros regimes de vivência pessoal, encontramos aquele; outros, os que já renasceram no corpo físico induzidos ou obrigados à abstinência sexual, atendendo a inibições irreversíveis ou a processos de inversão pelos quais sanam erros do pretérito ou se recolhem a pesadas disciplinas que lhes facilitem a desincumbência de compromissos determinados, em assuntos do espírito.

Num e noutro caso, identificamos aqueles que se fazem chamar, segundo os ensinamentos evangélicos, como sendo “eunucos por amor do Reino de Deus”.

Esses eunucos, porém, muito ao contrário do que geralmente se afirma, não são criaturas psicologicamente assexuadas, respirando em climas de negação da vida. Conquanto abstêmios da emotividade sexual, voluntária ou involuntariamente, são almas vibrantes, inflamadas de sonhos e desejos, que se omitem, tanto quanto lhes é possível, no terreno das comunhões afetivas, para satisfazerem as obrigações de ordem espiritual a que se impõem. Depreende-se daí a impossibilidade de se doarem a quaisquer tarefas de reparação ou elevação sem tentações, sofrimentos, angústias e lágrimas e, às vezes, até mesmo escorregões e quedas, nos domínios do sentimento, de vez que os impulsos do amor nelas se mantêm com imensa agudeza, predispondo-as à sede incessante de compreensão e de afeto.

Entendendo-se os valores da alma por alimento do espírito, impossível esquecer que a produção do bem e do aprimoramento se realiza à base de atrito e desgaste.

A semente é segrega da no solo para desvencilhar-se dos empeços que a constringem, de modo a formar o pão, e o pão, a rigor, não se completa em forno frio.

A força no carro não surge sem a queima de combustível, e o motor não lhe garante movimento sem aquecer-se em nível adequado.

Abstinência e celibato, seja por decisão súbita do homem ou da mulher, interessados em educação dos próprios impulsos, no curso da reencarnação, ou seja, por deliberação assumida, antes do renascimento na esfera física, em obediência a fins específicos, não contam indiferença e nem anestesia do sentimento.

Celibato e abstinência, em qualquer forma de expressão, constituem tentames louváveis do ser experiências de caráter transitório -, nos quais a fome de alimento afetivo se lhes transforma no imo do coração em fogo purificador, acrisolando-lhes as tendências ou transfigurando essas mesmas tendências em clima de produção do bem comum, através do qual, pela doação de uma vida, se efetua o apoio espiritual ou a iluminação de inúmeras outras.

Tais considerações nos impelem a concluir que a vida sexual de cada criatura é terreno sagrado para ela própria, e que, por isso mesmo, abstenção, ligação afetiva, constituição de família, vida celibatária, divórcio e outras ocorrências, no campo do amor, são problemas pertinentes à responsabilidade de cada um, erigindo-se, por essa razão, em assuntos, não de corpo para corpo, mas de coração para coração.

Emmanuel

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Vida e Sexo – 23

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NUNCA DESISTIR

Joanna de Ângelis

Por que razão sofrer indevidamente, sem esperança de alterar o quadro para melhor?

Por que essa fatalidade de tudo que planejo resultar em insucesso?

Qual a razão dos desaires e dos tormentos que nos devoram por dentro, sem perspectiva de uma mudança para melhor?

São muitos aqueles indivíduos cujas existências são uma bênção longa em sucessivas manifestações. Por que comigo é exatamente o oposto?

Qual o significado de tantos desacertos existenciais?

São inúmeras interrogações pessimistas a afligir as pessoas que se encontram distantes da fé religiosa ou a possuem sem estrutura de reflexão e da planificação divina.

A jornada terrestre é um curso de aprendizagem e de aprimoramento na escola humana.

O Espírito possui em germe as excelentes qualidades da perfeição, que se irão manifestando no processo de conquista dos sentimentos e do conhecimento intelectual.

Normalmente, o mecanismo para a depuração exige aflição e dores compreensíveis e de breve duração, enquanto dura o esforço transformador.

Quando há no indivíduo a predominância das energias materiais e dos impulsos primários, esse inevitável trabalho de evolução é sacrificial e a ausência das forças morais empurra-o para a desistência.

Não se pode nem se deve desistir de si mesmo, nem do amor em todas as suas expressões.

Toda e qualquer tentativa redunda em prejuízo de tempo e harmonia pessoal.

Muito fácil desistir-se de atuar na edificação dos valores éticos e espirituais, detendo-se no sofrimento que se pretende evitar.

Todo e qualquer deságio tem o objetivo de promover o ser humano.

Quem hoje desfruta de facilidades iluminativas adquiriu-as nas experiências passadas. Aplicando-as em favor do auto crescimento e da promoção planetária.

Aqueles que defrontam obstáculos e derreiam com facilidade, sentem-se propelidos à desistência da mensagem educadora.

Indispensável repensar-se na finalidade ideal da reencarnação e aproveitar a divina concessão do bem-querer.

Cada atraso, postergando o dever que se apresenta, contribui para ampliar a carga de aflições que serão vivenciadas porque fazem parte das Soberanas Leis.

É equívoco que induz à desistência e a um estado de presunção e de soberba, graças ao qual o indivíduo despreza os dons da Natureza, negando-se o direito de aprendizagem feliz.

Nem sempre aquilo que hoje resulta favorável, depois apresenta facetas-problemas que não foram percebidos no momento do aparente triunfo e eis a presença de resultados perturbadores.

O êxito a que todos aspiram é um acontecimento fortuito que coroa um empreendimento e dá resultados adversos em outra circunstância.

Se um planejamento não logrou os resultados esperados, repete-o de outra maneira.

Verifica onde se encontra o ponto vulnerável ao resultado negativo e realiza-o com outros cuidados. Possivelmente agora as circunstâncias são favoráveis à tua disposição que agora é de firmeza.

* * *

Nunca desistas das experiências do bem, mesmo que a custo de labores sacrificiais. Nada do que foi conquistado se perde, servindo de passe para sustentar novas conquistas.

Sempre que te ocorra o desânimo, reage com a esperança e alegria do triunfo porvindouro.

Pequenas e repetidas doses de amargura injustificada empurram para a negação da vida, o suicídio.

O autocídio pode manifestar-se por meio de um surto ou vagarosamente, quando se vai cedendo ao pessimismo, à falta de trabalho.

Desse modo, busca a terapia de ajudar aos outros e serás beneficiado quando compartas, repartas, ofereças ao teu próximo.

O triunfo não é conseguido por uma ocorrência da sorte, do destino, mas de operações muito bem elaboradas desde o Mais-Além antes da investidura carnal.

Vê o Sol dourar a Terra após as mais terríveis tempestades e destruições. Graças a ele, porém, a vida existe, foi criada e se mantém.

Torna-te pequena estrela onde estejas: clareia, ajuda, transmite vida.

Vives hoje e sempre viverás, crescendo mediante o próprio esforço e sob a soberana luz do Sol de Primeira Grandeza, que é Jesus. Ninguém se permita consumir pela ociosidade, o não feito, o cansaço do Bem.

Quem se permite desistir de algo que parece fácil de executar-se, está fadado a outros prejuízos mais graves.

O indivíduo se acostumou ao jogo fácil do agir, não agir e enfraquece-se cada vez mais até o momento grave e terrível da via física, cometendo o mais hediondo crime que é o suicídio.

Aprende a enfrentar dificuldades e transforma-as em degraus de evolução.

Observa as aves frágeis nas construções dos ninhos, utilizando um material muitas vezes sem resistência e sobrevive a tempestades e situações penosas. Quando são despedaçados, ressurgem noutro lugar sob cuidados que faltaram ao que foi desfeito.

Deus dotou o Espírito com a inteligência para que ele seja cocriador da vida no Universo.

Não desistas de lutar pelo bem-estar e pela arte sublime de viver.

Quem tropeça é porque está de pé e andando.

Sai de um desastre e avança com beleza e otimismo para a glória do aperfeiçoamento.

* * *

Não te permitas esmorecer ou acumular o desânimo, quando as tuas realizações derem resultados negativos.

A Natureza nunca deixa de ensinar-nos. Toda vez que é vencida por algum fenômeno infausto, refaz-se lentamente e estua em glória na face da Terra.

Joanna de Angelis

Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 23 de novembro de 2020, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia

Fonte: G. E. Casa do Caminho de S. Vicente

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A CADEIRA VAZIA

Richard Simonetti

Era uma singela igreja, frequentada por moradores da região daquele distante bairro de Londres. Os anos se passavam e o pequeno grupo se mantinha constante nas reuniões, ocupando sempre os mesmos lugares.

Foi por isso mesmo muito fácil ao pastor descobrir certo dia, uma cadeira vazia. Estranhou, mas logo esqueceu. Na semana seguinte, a mesma cadeira vazia lá estava e ninguém soube informar o que estava acontecendo. Na terceira ausência, o pastor resolveu visitar o faltoso. No dia frio, foi encontrá-lo sentado, muito confortável, ao lado da lareira de sua casa, a ler.

Você está doente, meu filho? Perguntou. A resposta foi negativa. Ele estava bem.

Talvez estivesse atravessando algum problema, ousou falar o pastor, preocupado.

Mas estava tudo em ordem. E o homem foi explicando que simplesmente deixara de comparecer. Afinal, ele frequentava o culto há mais de vinte anos.

Sentava na mesma cadeira, pronunciava as mesmas orações, cantava os mesmos hinos, ouvia os mesmos sermões. Não precisava mais comparecer. Ele já sabia tudo de cor.

O pastor refletiu por alguns momentos. Depois, se dirigiu até à lareira, atiçou o fogo e de lá retirou uma brasa.

Ante o olhar surpreso do dono da casa, colocou a brasa sobre a soleira de mármore, na janela. Longe do braseiro, ela perdeu o brilho e se apagou. Logo, era somente um carvão coberto de cinza.

Então o homem entendeu. Levantou-se de sua cadeira, caminhou até o pastor e falou: tudo bem, pastor, entendi a mensagem.

E voltou para a igreja.

Todos nós somos brasas no braseiro da fé. Se mantemos regular freqüência ao templo religioso, estudando e trabalhando, nos conservamos acesos e quentes.

Mas, exatamente como fazem as brasas, é preciso estender o calor. Assim, acostumemos a não somente orar, pedir e esperar graças. Iluminados pelo evangelho de Jesus, nos disponhamos a agir em favor dos nossos irmãos.

Como as brasas unidas se transformam em um imenso fogaréu, clareando a escuridão e aquecendo as noites frias, unidos aos nossos irmãos de ideal, poderemos estabelecer o calor da esperança em muitas vidas.

Abrasados pelo amor a Jesus, poderemos transformar horas monótonas em trabalho no bem. A simples presença passiva na assembléia da nossa fé em um dinâmico trabalho de promoção social, beneficiando a comunidade.

Pensemos nisso e coloquemos mãos à obra.

Pensamento: Clarificados pela mensagem do Cristo, espalhemos calor nas planícies geladas da indiferença, da soledade e da necessidade. Procuremos a dor onde ela se esconda e a envolvamos nos panos quentes da nossa dedicação. Estendamos o brilho da esperança nas vidas amarfanhadas dos que nunca conseguiram crer em algo que estivesse além do alcance dos seus sentidos físicos. Tornemo-nos brasas vivas, fazendo luz onde estejamos, atuando e servindo em nome de Jesus.

Richard Simonetti

Fonte: Portal do Espírito

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VELHO ARRIMO

Joanna de Ângelis

Emaranhado nos cordéis das próprias limitações, o candidato à Boa Nova gravita em volta de interesses subalternos, mesmo depois de notificado sobre as legítimas aspirações que devem animar o espírito encarnado. E perde ocasiões de serviço precioso, em que poderá agir com segurança, construindo a alavanca que o impulsionaria a alturas morais expressivas.

A linguagem do Cristo, no entanto, não enseja qualquer equívoco:

“Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça falou, incisivo, o mestre, e tudo o mais vos será acrescentado”.

A busca, todavia, entre os homens por enquanto, com raras exceções, resume-se, invariavelmente, na perseguição a mordomia dos bens transitórios.

“Devo acautelar me e preparar o amanhã” – afirmam, previdentes, muitas vozes.

“Creio e necessito de Jesus, mas a família me impõe deveres de preservar algo para o futuro” – esclarecem, seguros, diversos aprendizes.

“Buscar primeiro o Reino dos Céus… Mas não esquecer que se vive na terra”, – informam, sardônicos, os mais acomodados.

Passa o tempo e as oportunidades de realização íntima se transferem, sem que se reatem com a segurança que seria de desejar para uma ação elevada e libertadora.

Arrimados ao velho desculpismo, no qual ocultam a indolência e a própria aceitação da inércia, preocupam-se com o futuro que não passa de um hoje um pouco mais elástico.

* * *

Busca-se amontoar dinheiro, sem que, no entanto, com ele se consiga a paz.

Busca-se alimentar vaidades de variada catalogação, e o tempo se encarrega de despojar dos cendais da ilusão.

Busca-se poder, e nele empedernece-se o sentimento.

Busca-se autoridade, falindo desastradamente nas diretrizes de aplicação.

Busca-se prestígio social e político, para despertar se com o caráter envilecido.

Busca-se admiração, fugindo-se a si mesmo.

As buscas não vão além dos vagos e atormentados limites do imediato.

Todos os bens, em primeira plana, pertencem a nosso Pai, e ele sabe o que mais nos é necessário para o lídimo progresso.

O homem inteligente não se afadiga pelos tesouros que sobrecarregam de preocupações inúteis e não podem ser transportados.

Os valores evangélicos são-lhe meta, as realizações da terra constituem meios de uso que se consomem, e se empenha na conquista do continente a desbravar do próprio Espírito.

Nessa busca – o Reino de Deus dentro de nós – tudo encontra por misericórdia acrescentado.

* * *

Quando Teresa D’Ávila, a abnegada da Mística espanhola, deu início a campanha para angariação de meios, a fim de erguer um mosteiro para ensinar austeridade moral e dignificação cristã às jovens noviças, saiu como esmoleira.

Visitando garboso nobre a quem solicitou auxílio, deste não recebeu a mínima consideração.

“Do que valem Teresa e três coroas?” – Teria inquirido, sarcástico, considerando os arcos bens de que dispunha a lutadora cristã.

Inspirada, no entanto, respondeu a monja: “De nada valem e nada podem fazer Teresa e três coroas, mas Deus, Teresa e três coroas tudo podem” e, buscando o Reino de Deus, seguiu o rumo das suas nobres tarefas, tendo-lhe sido “tudo o mais acrescentado”.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 47

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QUAIS SÃO OS TIPOS DE ESPÍRITAS?

Antônio Carlos Navarro

Em Conclusão, em O Livro dos Espíritos, no item VII, Allan Kardec anota:

“O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: o das manifestações, o dos princípios e da filosofia que delas decorrem e o da aplicação desses princípios. Daí, três classes, ou, antes, três graus de adeptos:

1º os que creem nas manifestações e se limitam a comprová-las; para esses, o Espiritismo e uma ciência experimental;

2º os que lhe percebem as consequências morais;

3º os que praticam ou se esforçam por praticar essa moral.

Qualquer que seja o ponto de vista, científico ou moral, sob que considerem esses estranhos fenômenos, todos compreendem constituírem eles uma ordem, inteiramente nova, de ideias, que surge e da qual não pode deixar de resultar uma profunda modificação no estado da Humanidade e compreendem igualmente que essa modificação não pode deixar de operar-se no sentido do bem.”

O interesse pelo maravilhoso, pelo fenômeno e pelo sobrenatural ainda é uma realidade muito viva entre nós, e se sobrepõe à curiosidade para desvendar do que se trata, ou qual seria a razão da fenomenologia espiritual. Como a diversidade humana é muito grande, no que se refere ao desenvolvimento intelecto-moral, há, naturalmente, diversos entendimentos a respeito.

No entanto, devido ao fatalismo imposto por Deus às Suas criaturas, a perfeição, mais cedo ou mais tarde todos se interessarão pelo aspecto moral decorrente da intervenção espiritual no mundo material.

Essa condição está expressa, ainda em O Livro dos Espíritos:

O Espiritismo se tornará crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas pessoas?

“Certamente que se tornara crença geral e marcará nova era na história da Humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos. Terá, no entanto, que sustentar grandes lutas, mais contra o interesse, do que contra a convicção, porquanto não há como dissimular a existência de pessoas interessadas em combatê-lo, umas por amor-próprio, outras por causas inteiramente materiais. Porém, como virão a ficar insulados, seus contraditores se sentirão forçados a pensar como os demais, sob pena de se tornarem ridículos.” (1)

À resposta dada pelos Espíritos Superiores, comenta Allan Kardec:

“As ideias só com o tempo se transformam; nunca de súbito. De geração em geração, elas se enfraquecem e acabam por desaparecer, paulatinamente, com os que as professavam, os quais vem a ser substituídos por outros indivíduos imbuídos de novos princípios, como sucede com as ideias políticas. Vede o paganismo. Não há hoje mais quem professe as ideias religiosas dos tempos pagãos.

Todavia, muitos séculos após o advento do Cristianismo, delas ainda restavam vestígios, que somente a completa renovação das raças conseguiu apagar. Assim será com o Espiritismo. Ele progride muito; mas, durante duas ou três gerações, ainda haverá um fermento de incredulidade, que unicamente o tempo aniquilara. Sua marcha, porém, será mais célere que a do Cristianismo, porque o próprio Cristianismo e quem lhe abre o caminho e serve de apoio. O Cristianismo tinha que destruir; o Espiritismo só tem que edificar.”

“Bebe água mais limpa quem chega primeiro à fonte”, diz o ditado popular, e que poderíamos adaptar para a condição dos que acessam o conhecimento espírita e se esforçam por compreendê-lo. Adquirem condições de acertar mais, errando menos, tirando com isso melhor proveito da encarnação aqueles que optam pelo estudo e pela prática da moral decorrente dos seus ensinos. É o progresso que se acelera em benefício dos que se esforçam para consegui-lo, não nos esquecendo que a soma do progresso individual trará como resultado o progresso da humanidade, e a consequente alteração do estágio evolutivo do planeta.

É uma reação em cadeia que se acelera na medida em que quanto mais nos desenvolvemos, mais adquirimos a consciência de que, por nossa vez, poderemos ajudar o progresso daqueles que conosco ombreiam a escalada evolutiva, assim como o fazem os Espíritos Superiores, capitaneados por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pensemos nisso.

Antonio Carlos Navarro

Fonte: Kardec Rio Preto

Referência:

(1) O Livro dos Espíritos, item 798.

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O HOMEM ANTE A VIDA

Emmanuel

No crepúsculo da civilização em que rumamos para a alvorada de novos milênios, o homem que amadureceu o raciocínio supera as fronteiras da inteligência comum e acorda, dentro de si mesmo, com interrogativas que lhe incendeiam o coração.

Quem somos?

Donde viemos?

Onde a estação de nossos destinos?

À margem da senda em que jornadeia, surgem os escuros estilhaços dos ídolos mentirosos que adorou e, enquanto sensações de cansaço lhe assomam à alma enfermiça, o anseio da vida superior lhe agita os recessos do seu, qual braseiro vivo do ideal, sob a espessa camada de cinzas do desencanto.

Recorre à sabedoria e examina o microcosmo em que sonha.

Reconhece a estreiteza do círculo em que respira.

Observa as dimensões diminutas do Lar Cósmico em que se desenvolve.

Descobre que o Sol, sustentáculo de sua apagada residência planetária, tem um volume de 1.300.000 vezes maior que o dela.

Aprende que a Lua, insignificante satélite do seu domicílio, dista mais de 380.000 quilômetros do mundo que lhe serve de berço.

Os Planetas vizinhos evolucionam muito longe, no espaço imenso.

Dentre eles, destaca-se Marte, distante de nós cerca de 56.000.000 de quilômetros na época de sua maior aproximação.

Alongando as perquirições, além do nosso Sol, analisa outros centros de vida.

Sírius ofusca-lhe a grandeza.

Pólux, a imponente estrela do Gêmea, eclipsa-o em majestade.

Capela é 5.800 vezes maior.

Antares apresenta volume superior.

Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao do Sol.

Deslumbrado, apercebe-se de que não existe vácuo, de que a vida é patrimônio de gota dágua, tanto quanto é a essência dos incomensuráveis sistemas siderais, e, assombrado ante o esplendor do Universo, o homem que empreende a laboriosa tarefa do descobrimento de si mesmo volta-se para o chão a que se imanta e pede ao amor que responda à soberania cósmica, dentro da mesma nota de grandeza, todavia, o amor no ambiente em que ele vive é ainda qual milagrosa em tenro desabrochar.

Confinado ao reduzido agrupamento consanguínea a que se ajusta ou compondo a equipe de interesses passageiros a que provisoriamente se enquadra, sofre a inquietação do ciúme, da cobiça, do egoísmo, da dor. Não sabe dar sem receber, não consegue ajudar sem reclamar e, criando o choque da exigência pra os outros, recolhe dos outros os choques sempre renovados da incompreensão e da discórdia, com raras possibilidades de auxiliar e auxiliar-se.

Viu a Majestade Divina nos Céus e identifica em si mesmo a pobreza infinita da Terra.

Tem o cérebro inflamado de glória e o coração invadido de sombra.

Orgulha-se, ante os espetáculos magnificentes do Alto e padece a miséria de baixo.

Deseja comunicar aos outros quanto apreendeu e sentiu na contemplação da vida ilimitada, mas não encontra ouvidos que o entendam.

Repara que o Amor, na Terra, é ainda a alegria dos oásis fechados.

E, partindo os elos que o prendem à estreita família do mundo, o homem que desperta, para a grandeza da Criação, perambula na Terra, à maneira do viajante incompreendido e desajustado, peregrino sem pátria e sem lar, a sentir-se grão infinitesimal de poeira nos Domínios Celestiais.

Nesse homem, porém, alarga-se a acústica da alma e, embora os sofrimentos que o afligem, é sobre ele que as Inteligências Superiores estão edificando os fundamentos espirituais de Nossa Humanidade.

Pelo Espírito Emmanuel

Do livro: Roteiro

Médium: Francisco Cândido Xavier

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