Violência moral

O Sermão da Montanha, proferido por Jesus num final de tarde nas proximidades de Cafarnaum, tinha como objetivo libertar consciências infantis e adormecidas despertando-as para uma realidade transcendental.

Essa voz que ecoava nas montanhas, ainda hoje ecoa na psicosfera do Planeta Terra e pode ser ouvida pelos corações brandos.

Na ocasião, a pregação do Mestre era procurada pelos pobres, os estropiados, as pessoas de má vida e uma grande massa que queria ouvir a Boa Nova do Reino ou curar-se de alguma doença física. Buscavam modificar os rumos de suas vidas mescladas pela miséria e pelo sofrimento.

Era um final de tarde, o sol se punha e a Claridade Divina começava entoar o poema que seria ouvido pelos Espíritos imortais.

Jesus naquele instante teria que multiplicar-se em focos de irradiação de muitas luzes e alcançar os corações ali presentes. O Manso por excelência cantaria o código de conduta para uma vida feliz. O Evangelho adentraria o solo pedregoso. Era o preparo para receberem a semente das virtudes que em vindouras eras dariam seus frutos. Ele, o Agricultor divino, desbravaria a mata fechada da subjugação romana, abriria estradas para uma rota com claridades novas, prepararia os corações para receberem a mensagem imortal. Regaria com amor, os solos mais áridos, mais violentos, mais hostis, fertilizaria com o adubo da compaixão as regiões íntimas de mais difícil acesso, fortaleceria os corações mais desesperançados da época e por fim, lançaria a semente da Boa Nova aos desconsolados do mundo.

 “Bem aventurados os que são brandos e pacíficos” –  assim Jesus convidava para a implantação do seu Reino na Terra. O Mestre falava para o espírito imortal, ao mesmo  tempo em que essa cantiga ia penetrando o âmago do ser,  o  consolo jungia-se  ao timbre da voz daquele galileu. Era como se toda a violência moral e física, sofrida por aquele povo tivera recebido o bálsamo celeste minimizando seus efeitos nefastos.

Muitos gravaram a lição na alma e compreenderam que Jesus não se referia ao mundo material ou aos bens terrenos. Após entendida a lição teriam agora um caminho a seguir: desapegar-se de todos os valores terrenos, vencer as más inclinações, porquanto pela maneira como Ele falava,  era possível àqueles deserdados da sorte entrar no Reino dos Céus.

Qual daqueles, encarnados ou desencarnados, não tinham motivos legítimos para o choro, o desespero, as aflições, as incertezas do futuro?

A Terra, um dia será morada dos espíritos mansos e pacíficos. Essa afirmativa parece ainda ser nos dias atuais uma utopia. Mas não o é!

Os violentos, habitantes temporários desse orbe, estão ouvindo o soar dos últimos clarins, embora pareça que eles sejam senhores são na verdade escravos e terão que renovar-se ou partir desse orbe, considerando a chegada do período de regeneração que a Terra adentra, tão bem explicitado pelo Espiritismo.

Convidados por Jesus a habitar este Planeta, tínhamos um contrato a cumprir, nos renovar pelo trabalho e amor, uma oportunidade valorosa e assim voltarmos em melhores condições à Casa do Pai.

Muitos se demoram na senda do crime, da morte, da injúria, da violência, da perturbação. Evidentemente, Jesus sendo o Governador Espiritual do orbe, esteve sempre ciente desses fatos que se desenrolaram à guisa da nossa infantilidade espiritual.

Na jornada evolutiva muito se violentou em nome de Deus, em nome de uma divindade quase que personalística. O recurso dos fracos sempre foi a violência, mas a proposta de renovação proclamada por Jesus a todos é o abandono de toda e qualquer forma de violência, seja ela física, cultural, emocional ou espiritual.

Quando o Mestre por Excelência  afirma que são bem aventurados os mansos e pacíficos é inteligível que  é preciso desistir de qualquer ato egoístico e exaltar a paz e a mansidão. Importante a mensagem de Paulo de Tarso na sua epístola aos Romanos“Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero esse faço”,precisando a necessidade de submetermo-nos à lei soberana de amor, da justiça e de caridade, abandonando a condição e violentos e logrando a condição de verdadeiros Filhos de Deus.

Naquele fim de tarde, nas proximidades de Cafarnaum o amor fora plantado para permanecer indelevelmente no seio da humanidade terrena que Jesus tanto amou e ama. 

 Jane Maiolo (Jales/SP)

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