PRODUZE TU…

PRODUZE TU…

Joanna de Ângelis

Mãos vazias de feitos e coração cheio de mágoas…

Mãos que ficaram paralisadas por falta de ação no pórtico dos deveres e coração que se converteu em taça de desgosto.

Visão acostumada a paisagens tristes e pensamentos vencidos pelo vozerio das lamúrias.

Província da existência transformada em furna de sombras onde se agasalham adversários sutis, mas vigorosos, prontos a agressões indébitas.

Obscurecido por dúvidas atrozes não te atreves a avançar, detendo os passos na aduana das tentativas que não se concretizam…

(…) E esperavas muito, dizes, da Doutrina Espírita, em cujo seio procuraste agasalho.

Depois dos primeiros contatos, apagaram-se as fulgurações festivas que estimulaste, revigorando os antigos painéis mentais.

Constataste quase alegre, embora inconsciente, que os comensais do banquete espiritista eram homens comuns, espíritos doentes quanto tu próprio: tem problemas, sofrem, erram…

Desejavas revelação enganosa apoiada aos postulados do mínimo esforço. E crias que os espíritos, envergando os tecidos da angelitude cultivavam a negligência aos títulos de merecimento e esforço, e te candidataste a triunfos e íntimos sem a contribuição do sacrifício e o cômputo das provações.

Dizes-te então, amargurado como se a linfa da confiança se tivesse tornado minadouro de fel a escorrer continuamente… Contemplas os obstáculos, estacionas, esfaimado e com asco, qual se enfrentasses acepipes em decomposição sobre mesa dominada por humores pestilentos… E recusas prosseguir, ficando com as mãos vazias, porém…

* * *

Examina antigo sítio feliz, hoje em abandono.

Mananciais cantantes jazem dominados por lama pútrida.

Árvores vetustas vencidas por parasitas vorazes.

Solo gentil e fértil coberto por escalrachos e espinheiros.

Flores coloridas sombreadas por arbustos perniciosos.

Umidade agasalhando répteis peçonhentos e ofídios venenosos que se multiplicam celeremente.

Pastos desolados e odor de morte onde margens frescas bordavam lagos tranquilos.

Não esperes pela renovação alheia para que esposes a renovação própria.

Não solicites a descida incessante dos espíritos puros as várzeas sombrias onde te acolhes.

Opera a tua tarefa como servidor que não dispõe de tempo para a inoperância.

Desatrela o carro das facilidades e aciona o dínamo dos nobres propósitos para que produzas com acerto.

Os que se lamentam apenas queixam.

Os que censuram somente verberam.

Os que se demoram no pessimismo vitalizam deserção.

Mas os que estão construindo a vida mais perfeita agem no culto do bem com acerto e devotamento.

* * *

Diante do donativo da viúva pobre, Jesus reverenciou, humilde, a renúncia, exaltando a dádiva maior; considerando as “virgens prudentes” consignou o impositivo da vigilância ante o imperativo da confiança; expondo sobre o feixe de varas, conclamou à união para o resultado da força positiva; e em toda a Boa Nova escreveu o otimismo, cultivando a luta, o trabalho, a obediência, o respeito e a fraternidade a todo instante e incessantemente, no mais perfeito e nobre culto de amor ao Pai. E desejando fixar nas mentes o roteiro seguro para todos os espíritos, respondeu ao sacerdote que o inquiria quanto aquele que seria o seu próximo, conforme se verifica na Parábola do bom samaritano: “Vai tu e faze o mesmo…”

Da mesma forma, produze tu, e não reclames.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 29

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