PERISPÍRITO – Joanna de Ângelis

PERISPÍRITO – Joanna de Ângelis

CONCEITO

Parte essencial do complexo humano o perispírito ou psicossoma se constitui de variados fluidos que se agregam, decorrentes da energia universal primitiva de que se compõe cada Orbe, gerando uma matéria hiperfísica, que se transforma em mediador plástico entre o Espírito e o corpo físico.

Graças à sua existência, a dualidade ancestral, Espírito e Matéria, se transformou em organização trina, em considerando a essencialidade de que se faz objeto, na sustentação da vida vegetativa e orgânica, de que depende o soma, como veículo da Alma, e, simultaneamente, pelas impressões que envia à centelha encarnada, que as transforma em aquisição valiosa, decorrente da marcha evolutiva.

Revestimento temporário, imprescindível à encarnação e à reencarnação, é tanto mais denso ou sutil, quanto evoluído seja o Espírito que dele se utiliza. Também considerado corpo astral, exterioriza-se através e além do envoltório carnal, irradiando-se como energia específica ou aura.

Por mais complexos cálculos se processem as técnicas para o estudo da irradiação perispiritual ou da sua própria constituição, faltam, no momento, elementos capazes de traduzir aquelas realidades, por serem, por enquanto, de natureza desconhecida, embora existente e atuante. Não é uma condensação de caos elétrico ou de forças magnéticas, antes possui estrutura própria, maleável, em algumas circunstâncias tangível – como nas materializações de desencarnados, nas aparições dos vivos e dos mortos; atuante – nos transportes, nas levitações; ora ponderável, podendo aumentar ou diminuir o volume e o peso do corpo; ora imponderável, como ocorre nas desmaterializações e transfigurações.

Informe na sua natureza íntima, adquire a aparência que o Espírito lhe queira imprimir, podendo, desse modo, tornar-se visível em estado de sono ou de vigília, graças às potencialidades de que disponha o Ser que o manipula.

Conhecido pelos estudiosos, desde a mais remota antiguidade, há sido identificado numa gama de rica nomenclatura, conforme as funções que lhe foram atribuídas, nos diversos períodos que duravam as investigações.

Desde as apreciáveis lições do Vedanta quando apareceu como Manu, maya e Kosha, era conhecido no Budismo esotérico por Kama-rupa, enquanto no Hermetismo egípcio surgiu na qualidade de Kha, para avançar, na Cabala hebraica, como manifestação de Rouach. Chineses, gregos e latinos tinham conhecimento da sua realidade, identificando-o seguramente. Pitágoras, mais afeiçoado aos estudos metafísicos, nominava-o carne sutil da alma e Aristóteles, na sua exegese do complexo humano, considerava-o corpo sutil e etéreo. Os neoplatônicos, de Alexandria, dentre os quais Orígenes, o pai da doutrina dos Princípios, identificava-o como aura; Tertuliano, o gigante inspirado da Apologética, nele via o corpo vital da alma, enquanto Proclo o caracterizava como veículo da alma, definindo cada expressão os atributos de que o consideravam investido.

Na cultura moderna, Paracelso, no século XVI, detectou-o sob a designação de corpo astral, refletindo as pesquisas realizadas no campo da Química e no estudo paralelo da Medicina com a Filosofia, em que se notabilizou. Leibniz, logo depois, substituindo os conceitos panteístas de Spinoza pela teoria dos “átomos espirituais ou mônadas”, surpreendeu-o, dando-lhe a denominação de Corpo Fluídico.

Outros perquiridores, penetrando a sonda da investigação no passado e no presente, localizam-no na tecedura da vida humana como elemento básico da organização do ser.

Perfeitamente consentâneo aos últimos descobrimentos, nas experiências de detecção por efluvioscopia e efluviografia, denominado corpo bioplásmico, o Apóstolo Paulo já o chamava corpo espiritual, conforme escreveu aos coríntios (I Epístola, 15:44), corpo corruptível, logo depois, na mesma Epístola, verso 53, ou alma, na exortação aos companheiros da Tessalônica (I Epístola, 5:23), sobrevivente à morte.

FUNÇÕES

Organizado por energias próprias e electromagnéticas e dirigido pela mente, que o aciona conforme o estágio evolutivo do Espírito, no corpo espiritual ou perispírito estão as matrizes reais das funções que se manifestam na organização somática.

Catalisador das energias divinas, que assimila, é encarregado de transmitir e plasmar no corpo as ordens emanadas da mente e que procedem do Espírito.

Arquivo das experiências multifárias das reencarnações, impõe, na aparelhagem física, desde a concepção, mediante metabolismo psíquico muito complexo e sutil, as limitações, coerções, punições, ou faculta amplitude de recursos físicos e mentais, conforme as ações do estágio anterior, na carne, em que o Espírito se acumpliciou com o erro ou se levantou pela dignificação.

Interferindo decisivamente no comportamento hereditário, não apenas modela a forma de que se revestirá o Espírito, desde o embrião que se lhe amolda completamente, como reproduzindo as expressões fisionómicas e anatómicas, quando da desencarnação.

Graças às moléculas de que se forma, responde pelas alterações da aparelhagem fisiopsíquica, no campo das necessidades reparadoras que a Lei impõe aos Espíritos calcetas.

É o responsável pela irradiação da energia dos trilhões de corpúsculos celulares – essas pequenas usinas que se aglutinam ao império das radiações que lhes impõem a gravitação harmônica, na aparelhagem que constitui os diversos órgãos cuja forma e anatomia lhe pertencem, cabendo às células apenas o seu revestimento -, exteriorizando a aura e podendo, em condições especiais, modelar a distância o duplo etéreo, tornando-o tangível.

Graças à sua complexidade, conserva intacta a individualidade, através da esteira das reencarnações, e se faz responsável pela transmissão ao Espírito das sensações que o corpo experimenta, como ao corpo informa das emoções procedentes das sedes do Espírito, em perfeito entrosamento de energias entre os centros vitais ou de força, que controlam a aparelhagem fisiológica e psicológica e as reações somáticas, que lhes exteriorizam os efeitos do intercâmbio.

Nele estão sediadas as gêneses patológicas de distúrbios dolorosos quais a esquizofrenia, a epilepsia, o câncer de variada etiologia, o pênfigo… que em momento próprio favorece a sintonia com microrganismos que se multiplicam desordenadamente e tomam de assalto o campo físico ou através de sintonias próprias, ensejando a aceleração das perturbações psíquicas de largo porte.

Em todo processo teratológico os fatores causais lhe pertencem. E, num vasto campo de problemas emocionais como fisiológicos, as síndromes procedem das tecelagens muito delicadas da sua ação dinâmica, poderosa.

Desde épocas imemoriais, a filosofia hindu, estudando as suas manifestações no ser reencarnado, relacionou-o com os chakras (1) ou centros vitais que se encontram em perfeito comando dos órgãos fundamentais da vida, espalhados na fisiologia somática, a saber: coronário, também identificado como a “flor de mil pétalas”, que assimila as energias divinas e comanda todos os demais, instalado na parte central do cérebro, qual santuário da vida superior – sede da mente -, responsável pelos processos da razão, da morfologia, do metabolismo geral, da estabilidade emocional e funcional da alma no caminho evolutivo; cerebral ou frontal, que se encarrega do sistema endocrínico, do sistema nervoso e do córtice cerebral, respondendo pela transformação dos neuroblastos em neurônios e comandando desde os neurônios às células efetoras; laríngeo, que controla os fenômenos da respiração e da fonação; cardíaco, que responde pela aparelhagem circulatória e pelo sistema emocional, sediado entre o esterno e o coração; esplénico, que se responsabiliza pelo labor da aparelhagem hemática, controlando o surgimento e morte das hemácias, volume e atividade, na manutenção da vida; gástrico, que conduz a digestão, assimilação e eliminação dos alimentos encarregados da manutenção do corpo; genésico, que dirige o santuário da reprodução e engendra recursos para o perfeito entrosamento dos seres na construção dos ideais de engrandecimento e beleza em que se movimenta a Humanidade.

Incorporando experiências novas e eliminando expressões primitivas, é o fator essencial para o intercâmbio medianímico entre encarnados e desencarnados.

(1) Chakra – Palavra sánserita que significa roda. Igualmente conhecida, em páli, como Chakka. – Nota da Autora espiritual.

MORAL x PERISPÍRITO

Refletindo o pretérito do homem, na forma de tendências no presente, liberta-se das fixações negativas ou as avoluma, consoante a direção, que ao Espírito aprouver aplicar, dos recursos natos.

 

Toda experiência venal brutaliza-o, desequilibrando-Ihe os centros vitais que, posteriormente, responderão com distonias e desordens variadas, em forma de enfermidades insolúveis.

As ações de enobrecimento e os pensamentos superiores, quando cultivados, oferecem-lhe potencialidades elevadas, que libertam das paixões, com consequente sublimação dos sentimentos que exornam o Espírito.

Não foi por outra razão que o Mestre recomendou cuidado em relação aos escândalos, às agressões mentais, morais e físicas, considerando melhor o homem entrar na Vida sem o membro escandaloso, do que com ele, como a afirmar que melhor é ser vítima do que fator de qualquer desgraça.

Possui todo Espírito os inestimáveis recursos para a felicidade como para a desdita, competindo-lhe moralizar-se, disciplinar-se, elevar-se, a fim de ascender à pureza, após a libertação das mazelas de que se impregnou.

ESTUDO E MEDITAÇÃO

“O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer?” “Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.” Envolvendo o gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Estudos Espíritas – 4

(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 93).

“(.-.) Somente faremos notar que no conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas até hoje insolúveis”..

(O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, item 54).

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