FEITIÇOS – Joanna de Ângelis

FEITIÇOS

Joanna de Ângelis

Augusto Comte ensinava que o homem religioso, analogamente aos seus antepassados dos períodos primevos, prende-se múltiplos feitiços, pela necessidade de uma fé materializada, sendo a religião uma crendice que o escraviza e amesquinha.

E, na atualidade, não falta aqueles que afirmam, estribados em grosseiro materialismo, que “a religião é ópio para a massa”.

Examinando a questão, somos de acordo que a ignorância engendrou, desde épocas muito recuadas, pequenos feitiços para reter em suas malhas quantos não dispunham de lucidez espiritual para elucidar os problemas da fé em suas variadas manifestações…

Nessa época primeira da luta, entre o instinto que cede lugar à inteligência que se afirma, as manifestações dos mortos ensejavam falsas concepções sobre a vida Além Túmulo; e os viandantes da imortalidade imanados às formas grosseiras da matéria compraziam-se em exigir banquetes de sangue e gozo, pressionando exorcismos e práticas compatíveis ao próprio estado evolutivo em que se demoravam.

Desde então, as práticas de Goécia se desenvolveram, avançando através das gerações para, na Idade Média, serem reprimidas a ferro e fogo, em hediondas quanto brutais mancomunações.

Concomitantemente a Teurgia, ensejando intercâmbio com os espíritos lúcidos, oferecia lampejos de discernimento sobre a vida extra-física, procurando conduzir o espírito encarnado com elevados princípios morais.

E, como o além-túmulo sempre exerceu grande fascínio sobre as mentes humanas, os primeiros pesquisadores, insipientes e precipitados, legaram à posteridade heranças complexas de consequências, muitas vezes, comprometedoras…

Ainda agora, ligados aos processos da ignorância tradicional, muitos espíritos se deixam dominar por fórmulas e patuás ineficientes, cultivando superstições e carregando amuletos inóculos, mentalizados com a finalidade de conseguir libertação que os defenda de todos os males…

Fixações da mente em desalinho, atormentada por espíritos enfermos além da forma física…

Mentalizações que geram ações lamentáveis, frutos do comércio nefando de encarnados e desencarnados, em vampirismo de longa duração…

Inúteis, no entanto, uns e outros como feitiços a espíritos tranquilos e caracteres retos.

Perturbações que, por natural processo de justiça transcendente, perturbam aos que se comprazem em perturbar…

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Keppler, deslumbrado com as constelações do firmamento em noite serena, exclamou: “Louvai ao Altíssimo celestes harmonias… E tu, minha alma…”.

Lineu, o naturalista egrégio, tocado pelas leis de botânica, bradou: “O universo canta a glória de Deus”.

E Davi, no Salmo 19, cantava há mais de dois milênios: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”.

Epicteto, o filósofo estoico, escravo de Epafrodito, liberto de Nero, concitava: “Pesquisai e achareis, pois tendes a natureza a voz auxiliar na descoberta da Verdade., Se, entretanto, não vos sentirdes capazes de avançar pelos caminhos que levam a descobri-la, atendei aos que já investigaram”.

Ante os excelsos arcanos o homem descobre o amor e vibra de amor.

Se, no entanto, não consegues compreender a grandeza do Amor, indaga aos que se enobreceram amando, e amando se libertaram de toda limitação, conseguindo paz.

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Com o Espiritismo rasgaram-se os véus do ocultismo e uma luz mais clara se projetou sobre mentes e corações para ajudar o espírito humano em sua ascese imortalista.

Tabus, amuletos, feitiços, superstições, ignorância em torno dos magnos problemas da Vida foram superados e a doutrina da Razão esclarecida, oferecendo vasto patrimônio intelectual, elucida as inquietantes indagações de após a morte, representando os conceitos morais do Evangelho de maneira compatível com o bom senso de modo a atender às exigências do pensamento moderno…

Exaltando a doutrina do Cristo e difundindo-a, o Espiritismo conduz o homem sem peias dogmáticas em negociações com encarnados ou desencarnados, a fim de que organize o domicílio mental e, livre de qualquer limitação, estabeleça o primado do Espírito, na materialização dos elevados princípios do amor. Supera receios e aclara dúvidas, liberta-te de qualquer feitiço de crença avoenga e embrionária, arrebenta os amuletos mentais da superstição e faze luz no íntimo, alçando o pensamento e o coração ao amor de nosso pai, trabalhando fêmea de pouso, mesmo que, aflito, não sinta a alegria do serviço; recordando Jesus que, logo após a crucificação retornou à estrada de Emaús para elucidar a Cléofas e o companheiro, testificando a glória imortal acima de todas as misérias humanas…

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo P. Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 55

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