FALANDO DE OBSSESSÃO

FALANDO DE OBSSESSÃO 

(Alfredo Zavatte) 

Tratamento de Desobsessões e manifestação de mudanças são essenciais ao êxito

 Criança obsidiada

O assunto é tão vasto e tão antigo, quanto o surgimento do homem na face da Terra.

Kardec o tratou com clareza e podemos até mesmo afirmar que foi pioneiro na preparação dos homens para o entendimento das  manifestações no ser humano, ao verificarmos a forma pedagógica como ele organizou o Evangelho Segundo o Espiritismo, que  começa  de forma sucinta e objetiva em seu titulo I, da Introdução sobre o Controle Universal do Ensino dos Espíritos e,  logo em seguida, ao falar da Doutrina de Sócrates (399 a.C.)  e Platão (428 a.C.) que já diziam que “o homem é uma alma encarnada. Antes de sua encarnação ela já existia junto aos modelos primordiais”.

Em seu titulo II, menciona que a ”alma  se perturba e confunde quando se serve do corpo” (1) Podemos dizer que Kardec lançou, nessa introdução, uma semente para que a ideia fosse sendo assimilada aos poucos para, no Capítulo Das Preces (XXVIII), ele trata de “Prece para afastar os maus espíritos” (item 15) , “ Prece para afastar uma tentação” (item 20), “Prece nas Aflições da Vida” (item26), “Prece pelos Espíritos Endurecidos” (item 75), “Prece pelos Doentes e os Obsedados” (Item V-77),  “Preces pelos Obsedados” (itens 81/82/83/84) e, no último parágrafo, como quem encerrando todos os ensinamentos, Kardec faz uma observação, falando da forma de nos conduzir ao desejarmos a cura das obsessões graves”. (2)

Só um orientador como Kardec poderia ir, aos poucos, preparando o leitor para que chegasse ao final do livro e entender que todos nós estamos à mercê de influências boas e más e que somos os responsáveis por trazer para perto de nós quem desejamos por companhia.

Há inúmeras citações onde Kardec e outros pesquisadores escrevem sobre esse tema e estamos citando apenas algumas para que o leitor possa tomar conhecimento e se conscientize da vigilância necessária que devemos ter para que não fiquemos subjugados por espíritos obsessores que, por um motivo justo, vem nos fazer companhia. Lembrando que para o tratamento devido, há que se ter um empenho da família, do Centro onde se trata o obsidiado e sua própria participação no processo de melhora.

Na Revista Espirita de Fevereiro de 1854, Kardec relata o caso de uma mocinha de 13 anos que era tida como epilética. Os pais a tratavam dessa forma por desconhecimento dos verdadeiros sintomas apresentados. Após 5 dias de tratamento espiritual, a menina teve sua ultima crise .

Essa cura, encarada noutros tempos como milagre por uns  e como feitiçaria  por outros, pelo qual, segundo a opinião, teríamos sido santificados ou queimados, produziu certa sensação na cidade”. (3)

Muito embora, naquela época, a obsidiada ter da ser tratada como “mocinha”, podemos  considerá-la uma criança e é sobre a obsessão em crianças que queremos falar .

Lembremo-nos também que, apesar de considerarmos a infância como um estado normal de inocência, o espirito que ali se apresenta é milenar e carrega consigo seus saldos positivos e negativos de vidas passadas.

Aliás, não é racional considerar-se a infância como um estado normal de inocência. Não se vêem crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que ainda nenhuma influência pode ter tido a educação?

Donde a precoce perversidade, senão da inferioridade do Espírito, uma vez que a educação em nada contribuiu para isso?” (4)

Não podemos deixar de admitir também que, se fizermos mal a uma criança, atingiremos em cheio os pais desta e os espíritos obsessores, sabem faze-lo  com muita astúcia. Mas não vamos tratar deste fato, atendo-nos somente à obsessão em crianças propriamente ditas.

As obsessões nos pequenos nos deixa muito condoídos pois não conhecemos o passado daquele espirito o que promove, em nós, grandes sentimentos de solidariedade.

Da mesma forma, tal como acontece com outras enfermidades que atormentam as crianças, também sentimos o desejo de protegê-las,  desejando que nada as faça sofrer.

Não raro recorremos às oração em benefício desses pequeninos seres que se nos apresentam torturados, inquietos, padecentes de enfermidades impossíveis de serem diagnosticadas. Eles são muitas vezes obsidiados de berço, que precisam de nosso maior empenho para ajudá-los a amenizar seus sofrimentos.

Quantos não há que se apresentam irrequietos, irritados  desde que abrem seus olhos para este mundo. Seus problemas vão numa crescente, enchendo consultórios de psicólogos, psiquiatras e neurologistas, na busca de entendimento e cura.

Diríamos que são crianças que já nascem aprisionadas, como aves que nem sequer conseguem voar.

Podemos dizer que muitas dessas crianças já passaram por esta Casa Espírita e, infelizmente, seus pais, por não aceitarem os ensinamentos espiritas, abandonaram seus tratamentos, deixando-os nas mãos de profissionais da medicina terrena.

Alguns pequenos traziam nos olhos visões de panoramas apavorantes que os inquietavam, que nada mais eram que reminiscências de vidas passadas; outros, quando em tratamento, percebíamos que os obsessores tinham relação com os pais. Como dissemos, os espíritos também sabem que, atacando os filhos, a dor nos pais é ainda maior.

Os débitos do passado atravessam o tempo e as pendências devem ser quitadas a qualquer custo. A nova existência terrestre se apresenta difícil e dolorosa, porém  ela é, sem duvida , bem mais suportável que os sofrimentos padecidos antes de reencarnar. O novo corpo atenua as torturas que ocasionaram  no passado.

Graças à benção da reencarnação, nova oportunidade é concedida e favorece a redenção para essas almas conturbadas.

A Misericórdia Divina ofertará,  aos seres,  instantes de refazimento que chegarão por vias indiretas, como convite para que se redimam as faltas cometidas. Nesse rol está a resignação, a paciência, a humildade e o trabalho a bem do próximo, que muito exigirão para o reequilíbrio.

Crianças que sofrem de Obsessão devem ser tratadas em nossas instituições espiritas, através do passe, da água fluidificada, aliando a isso o empenho dos pais na manutenção de um lar harmonioso, onde também é aconselhável a adoção do “Culto do Evangelho no Lar”.

À esses pequeninos devemos dispensar muita atenção e amor, para que se sintam confiantes e seguros no meio em que vivem. Só o amor conseguirá auxiliar essas almas em sofrimento, que carecem ser amadas por todos aqueles que os cercam.

É fundamental, nesses casos, a orientação aos pais, para que entendam melhor as dificuldades a enfrentar e melhor ajudar seus filhos e a si próprios, pois o sofrimento não é só da criança. Os pais, na grande maioria, são coadjuvantes nesse cenário de acontecimentos do passado, agora reunidos em provações redentoras.  Eles devem ser instruídos de forma a favorecer o ambiente em que vivem solicitando eflúvios benéficos que nunca faltam àqueles que recorrem à Misericórdia do Pai.

Complementa-se a tudo isso, como conselho aos pais, levarem a criança às aulas de Evangelização Espirita, onde receberão os ensinamentos que lhes darão o conhecimento e o conforto de que necessitam.

Paz a seu Espírito

Postado por Alfredo Zavatte 

Citações

1)- KARDEC, Allan- Evangelho S. Espiritismo – Introdução 1 – Ed. LAKE – 9ª Ed. Ano 1974 – pag. 33).

2)- _____/______ Pag 347.

3)- KARDEC, Allan, Revista Espírita Fev/1854 – pag. 69

4)- KARDEC, Allan- Livro dos Espíritos – Ed. FEB – 45 edição – 1978 – P: 199a

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