Driblando a Dor

“DRIBLANDO A DOR”

Luiz Sérgio – Psicografia de Irene Pacheco Carvalho (pag.10)

 “É isso, irmão, se a dor, o desequilíbrio ou a fraqueza buscarem sua alma, não se deixe abater. Segure a mão de Deus e com fé lute contra as adversidades, principalmente quando desejar tomar tranqüilizantes ou algum outro tóxico que poderá levá-lo à dependência; nada disso dribla a dor, o que precisamos é transpor a dor com o coração repleto de fé e de amor.”

“Aqui estamos, esperando que cada equipe crie o seu método de treinamento, nunca esquecendo que o doente deve ser respeitado e que cada caso é um caso, não importando a gravidade do mesmo, lembrando sempre que Jesus é o Médico e que o seu companheiro é um enfermeiro em trabalho. O amor é a essência que todos precisam usar nesse tratamento de almas sem vida. Queremos que as pessoas sejam instruídas e alertadas sobre o perigo das drogas, mostrando às famílias que elas precisam inteirar-se do problema e que somente a compreensão e o equilíbrio poderão ajudar a enfrentar a questão. O tratamento inicia-se no lar; é nele que o jovem aprende a viver em sociedade. Um lar sem disciplina leva o jovem a afundar-se no ócio e nos vícios. Os pais devem desenvolver no jovem o senso de responsabilidade com relação à própria vida. A criança já deve ser orientada sobre o seu valor como ser humano e o quanto a sociedade precisa de pessoas portadoras de moral; que cada ser recebe de Deus uma tarefa e ai daqueles que não tiverem tempo nem força para realizá-la. Desejamos a todas as equipes um bom trabalho e que todos tragam para Jesus almas renovadas e felizes, e que cada jovem seja despertado para a verdadeira vida, deixando para trás as suas fraquezas, voltando a viver para o cumprimento do plano divino. Muita paz, amigos, que Deus nos acompanhe. Lourival”

– “Existem muitas divergências sobre informação e prevenção, que devem ser avaliadas por quem deseja trabalhar com drogados. É desagradável para o viciado e para quem deseja ajudá-lo ouvir um milhão de palavras inúteis sobre repressão e ameaças. O que se deve fazer é levar a pessoa a se interessar por si mesma, a se gostar, mostrar-lhe o quanto sociedade perde por tê-la tão distante, agonizante mesmo. A pessoa precisa conhecer o perigo que está enfrentando. Quem a está ajudando não está fazendo isso apenas por fazer, mas sim porque é um conhecedor do assunto. Cabe explicar ao possível consumidor, ou já dependente, que o drogado carrega um estigma, por parte da comunidade, de difícil aceitação para a família. – Samita” (pag.11)

– “O jovem, quando busca o tóxico, o faz por alguma causa. Se buscarmos a origem encontraremos primeiramente a fraqueza familiar, ou seja, pais inseguros, lar desequilibrado, filhos negligenciados ou superprotegidos, quer dizer mimo ou desprezo. Ainda mais: dinheiro fácil, excesso de liberdade.” – Carlos (pag.11)

– “Existem vários métodos, explicou Enoque, sendo o primeiro através de clínicas para toxicômanos. Nessas clínicas a família, ou a polícia leva o doente. Sendo assim, pouco se faz ao paciente. A psiquiatria de uma clinica tenta curar o vício e não o homem, e o drogado é um ser doente, fraco e carente. Nessas clínicas o psiquiatra não dispõe de tempo para cuidar da alma. Em segundo lugar, vêm os recintos religiosos, louvados por nós. O jovem larga a droga e busca Cristo na leitura do Evangelho. È inserido num rígido regime cotidiano, tarefas caseiras, leituras da Bíblia e cultos em horas fixas. Esse programa ensina ao doente a se disciplinar. Queríamos que em muitos lugares existissem trabalhos semelhantes a esses. Só que o viciado muitas vezes não aguenta a pressão religiosa. Mas, mesmo assim, esse programa tem ajudado inúmeras famílias. Muitas vezes, contudo, o viciado larga o vício mas se torna um fanático religioso, não voltando a ser ele mesmo.” – (Pag. 23)

– “A espiritualidade, no momento, procura orientar o viciado sobre o seu comportamento, fazendo-o compreender o valor da vida. Enfim, ganha a confiança do doente para aplicar um remédio. É preciso uma cooperação dos pais, sem se sentirem culpados, nem filhos acusando-os. A droga adotou o seu filho e você precisa vencê-la. Quando o jovem busca a companhia da droga é porque algo acontece com ele. A família tem de conscientizar-se de que algo falhou na vida do jovem. Ou ele é por demais orgulhoso, ou tímido e complexado. Um jovem dono de si mesmo jamais se droga. A família de um drogado deve buscar a orientação de um bom psicólogo. Algo o jovem deseja: agredir a família ou se autodestruir. Ele, muitas vezes, é agressivo, e outras vezes ótimo filho, dependendo do ambiente familiar. Os pais não são culpados, como também não o são os filhos dependentes. No dia a dia de uma família algo triste aconteceu e eles não perceberam as tendências do filho e alimentaram seu ego, fazendo dele um ser especial ou inexistente. O que é preciso é o filho ser tratado como um componente da família. Não importa a sua idade, importa, sim, que ele se julgue útil e amado por todos. Geralmente, o jovem, quando deseja agredir os pais, tudo faz para que a família descubra o seu vício. Mas se os pais continuarem desejando que ele seja um homem de bem, sem a família ter um procedimento elevado, ele continuará a agredir. Quem descobrir que seu filho é viciado tudo deve fazer para mudar o ambiente familiar. O pai tem que voltar a ser o herói da época infantil, a mãe o ninho de amor que o aconchega nas horas de tormenta. Se não for assim, o filho viverá distante da sociedade e a família sentirá ainda mais a sua ausência. – Enoque” pag. 24 e 25

– “…Quem se vicia é porque gosta. Veja bem, Luiz Sérgio, o exemplo do obeso: se não partir dele a vontade de emagrecer, jamais deixará de ser gordo. Pode freqüentar as melhores clínicas, que de nada adiantará. A cura parte de dentro. O que a Casa Espírita precisa fazer é elucidar as crianças desde a evangelização, mostrar através de fantoches, de teatro infantil, o perigo do monstro devorador, que é a droga. Hoje o casal dá aos filhos bons colégios, conforto, mas se esquece do diálogo, de sentar-se com as crianças e discutir o que está ocorrendo no mundo. Um garoto de seis anos já deve participar dos comentários relativos aos acontecimentos do dia, inflação, assuntos internacionais, enfim, estar a par do que está acontecendo na sociedade, através do que aprenderá a respeitá-la. Uma criança não deve apenas brincar. Deve, desde cedo aprender a viver e só aprendemos a viver convivendo com as verdades. O mundo da criança só é fantasia até os quatro anos, passou daí ela precisa enxergar com seus próprios olhos.” – (Pag. 27 e 28)

– Todos os jovens devem procurar um psicólogo?  – Sim, se os pais notarem que há algo errado no comportamento dos filhos, se mente por demais, se é áspero com os irmãos, se agride a propriedade alheia, se é péssimo aluno, se destrói o que é seu e o que é dos outros ou apresenta mudanças de humor.  – Mas essa já não é a conduta de um viciado? – Não, nesse estágio a droga ainda não chegou, mas as tendências da falta de educação familiar já. Portanto, o jovem difícil precisa de um tratamento da mente antes que o verdadeiro mal o atinja: o tóxico. – Nunca imaginei que antes o jovem apresentasse a sua outra face. – È verdade, com oito ou doze anos a criança já está colocando para fora as suas neuroses. E parte desse princípio, daí é que vem a dependência. O jovem se droga somente para se auto-afirmar, agredir a família e sentir que está na moda.  – Por que não se educa o jovem para não consumir tóxico? – O certo é desde tenra idade oferecer ao filho uma educação firme e disciplinada, dando-lhe exemplos de hombridade, longe das mentiras e das fraquezas.” – (Pag. 35 e 36)

– “…O viciado busca a droga porque ele deseja algo e não consegue  através de uma liberação consciente, isto é, natural, sem excitantes. Se a criança desde pequena fosse educada para enfrentar qualquer situação, ela correria pouco ou nenhum risco. O aumento do número de drogados ocorre simplesmente porque o ser que está chegando à terra é recebido erradamente e criado de maneira ainda mais errada.” – (Pag. 38)

– “Vou aqui falar do cérebro espiritual, como se processa a entrada do tóxico no organismo humano, como reage o cérebro, enfim, todo o corpo físico e espiritual. A região frontal do cérebro, responsável pela formação do juízo e ondas de retorno, governa todas as manifestações nervosas, centro de força mental. O diencéfalo, centro de força coronário, fixa conhecimentos, virtudes, morais, compreensão. Aqui se encontra a consciência de cada indivíduo, é a sede do Espírito. Ele supervisiona os demais centros de força e lhes transmite os impulsos vindos do espírito. É ele que capta as energias da aura espiritual e as transmite aos chacras e ao físico. É a sede do Espírito, é dele que partem as decisões. Aglutina, transmite e dissemina energias do córtex cerebral para o funcionamento equilibrado de Sistema Nervoso. Ele é majestoso e de grande poder; é concentração de força do Espírito e das forças psíquicas e físicas do ambiente da vida. Irradia energias vitalizadoras e correntes magnéticas. Portanto, é máquina poderosa que, quando violentada por pensamentos ou idéias de mentes desencarnadas, ou algo forte como o tóxico, faz com que o cérebro trabalhe com sobrecarga, muitas vezes causando sérias lesões. Daí o viciado não trabalhar ou render pouco e suas cordas vocais ficarem deficientes, falando pausadamente. O tóxico age no sistema nervoso central, composto pelo cérebro e pela medula espinhal, centro esse formado por vários bilhões de células nervosas denominadas neurônios, que se comunicam entre si por meio de mensageiros químicos denominados neurotransmissores. A droga, ao penetrar no cérebro, interfere diretamente nas transmissões desses neurotransmissores, esmagando cada célula, que possui vida própria. Estas, ao serem atingidas, fazem com que o viciado sinta sensações sempre novas e nunca idênticas. Mas morrem pouco a pouco também. E à medida que vão aumentando as doses, o viciado apresenta uma doença cerebral orgânica, dificuldade de concentração, agitação ou prostração, perda de memória e muitas vezes uma dilatação dos ventrículos cerebrais, atrofia ou até mesmo morte destes ventrículos. O cérebro de um dependente apresenta-se alterado. Por isso ele nada teme quando a droga já tomou conta, lesando-lhe o cérebro.” (Pag. 42 e 43)

– “Quando analisamos um toxicômano, sentimos que à nossa frente se encontra alguém extremamente fraco. O tóxico é o combustível para o neurótico assumir outra personalidade. Muitas vezes a família deseja que o psicólogo opere milagres, mas não contribui para a cura do viciado. Uma família sã é mais fácil de cooperar com o profissional, mas muitas vezes o psicólogo tem de curar antes a família para depois chegar no indivíduo. Muitos pais demoram a aceitar a dependência, o vício, e para salvar o filho iniciam com as agressões. Em protesto, o filho agride e é cada vez mais agredido. O certo é a família se autoanalisar, buscar onde se encontra o erro e todos lutarem para saírem da UTI, porque não só o filho, mas a família também precisa de cuidados médicos. Um psicólogo precisa investigar a alma, conhecer o espírito e descobri-lo. Só assim encontrará no inconsciente as neuroses. Não raro essas lembranças estão tão infectadas de ódio e vingança, que o profissional  tem de dar ao indivíduo seguras orientações. A família, quando se deparar com filhos problemáticos, deverá não só buscar apoio profissional, mas também se autoanalisar, porque na mais das vezes o erro vem da educação do indivíduo. O psicólogo tem de buscar a causa nas raízes profundas da alma. Se um dependente de droga desejar agredir a sociedade, esta agressão não é gratuita.” (P. 130)

–  “Olavo, como deve agir a mãe quando descobrir o vício do filho? – Dar-lhe a certeza de que é amado, fazê-lo entender que tudo deve mudar dali para diante e que os pais desejam salvá-lo. Precisam ser autoritários e ao mesmo tempo carinhosos. Como digo sempre: os pais precisam de um bom psicólogo para saber tratar o filho, que hoje oferece seus serviços profissionais gratuitamente em muitas instituições.” (Pag. 131)

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