Das Necessidades Das Sessões Espíritas E Das Condições Para A Sua Realização

J. Herculano Pires

Conhecimento, harmonia e seriedade na tarefa são essenciais.

A realização das sessões mediúnicas nos centros ou grupos espíritas é uma necessidade doutrinária. As sessões não são feitas com a finalidade pura e simples de “ouvir espíritos”, como pensam as pessoas pouco informadas sobre a doutrina. Bem mais ampla é a finalidade das sessões, que se destinam ao socorro espiritual de criaturas necessitadas, tanto encarnadas quanto desencarnadas. Por que realizam as várias religiões as suas cerimônias e os seus sacramentos? O Espiritismo não tem cerimônias, nem fórmulas sacramentais, mas possui também a sua maneira de relação com o invisível. Essa maneira se apóia na mediunidade: é a sessão mediúnica.

Há pessoas, mesmo entre os espíritas, que censuram as sessões mediúnicas de incorporação, realizadas semanalmente nos centros. Acham que as comunicações são poucas, e as mistificações são muitas nesses trabalhos.

Outras entendem que, em geral, nos meios incultos, nos centros e grupos de criaturas simples, não há comunicações de espíritos, mas simples manifestações de histerismo e outras formas de morbidez psíquica ou nervosa. A experiência nos mostra, porém, que mesmo nos meios mais incultos, onde impera a credulidade ingênua, verificam-se fatos notáveis de identificação espirítica e de socorro eficiente aos necessitados.

As imperfeições no trabalho mediúnico não são privilégio dos meios incultos. Há grupos de pessoas ilustradas que se entregam a formas inadequadas de trabalhos práticos, por falta de conhecimento das obras básicas do Espiritismo. Dirigentes vaidosos, que confiam mais em suas próprias idéias, ou na orientação de guias que lhes enfunam a vaidade através de constantes elogios, cometem mais disparates do que dirigentes ingênuos e analfabetos. Tanto nos grupos incultos, quanto nos de pessoas ilustradas, o que vale é a intenção, apoiada num verdadeiro sentimento de humildade. Os vaidosos incultos ou ilustrados prejudicam os trabalhos mediúnicos.

Mediunidade é sensibilidade. Os médiuns, quanto mais sensíveis, mais sujeitos estão às influências dos espíritos e às do ambiente. O dirigente dos trabalhos e os freqüentadores também exercem a sua parte, e esta é tanto maior quanto mais fechado se mostrar o ambiente, quanto mais ele se fechar nas idéias pessoais de seus componentes. Há reuniões em que os espíritos quase não têm oportunidade, porque as idéias do grupo fecham completamente o ambiente, como um céu nublado impede o trânsito normal dos aviões. Os médiuns se tornam, então, joguetes da influência do meio. Muitas mistificações nada mais são do que resultado da opressão desses meios “fechados” sobre a sensibilidade dos médiuns.

Essas dificuldades do trabalho prático alimentam a desconfiança de muitas pessoas em relação à mediunidade. Mas os obstáculos existem para serem transpostos. Os espíritas suficientemente cônscios de suas responsabilidades doutrinárias não podem entregar-se às dificuldades. Os trabalhos mediúnicos, como dissemos acima, são necessários. Não se pode compreender Espiritismo sem exercício da mediunidade. Porque toda a doutrina se assenta nos fatos de natureza mediúnica, e porque estes fatos, constituindo a forma natural de manifestação das inteligências invisíveis, nos fornecem os meios de conhecê-las e de tratarmos com elas.

A doutrinação de espíritos sofredores ou inferiores não é uma ilusão, mas uma realidade amplamente constatada. Perguntam algumas pessoas que poder possuímos para doutrinar espíritos. O poder natural que Deus concede a todos os homens que souberem cultivar a fraternidade e as boas intenções. Os espíritos doutrinados nas sessões são criaturas inferiores, entidades submetidas a vícios ou perturbadas por idéias feitas, velhos preconceitos que alimentaram na vida terrena. Doutrinar esses espíritos não é mais do que esclarecê-los a respeito de sua verdadeira situação espiritual e de seus deveres morais. Coisa que, habitualmente, os homens de bom senso vivem fazendo na terra, com as pessoas fracas a que dão conselhos e orientação.

Não há, pois, nada de sobrenatural nas sessões mediúnicas de doutrinação.

O que há é simplesmente a prática da fraternidade. Na sua primeira epístola aos coríntios, tratando das manifestações espirituais que se verificavam nas reuniões do cristianismo primitivo, o apóstolo Paulo ensina como devemos nos portar nas sessões mediúnicas. Um coração puro, a mente voltada para o bem, e a firme confiança no auxílio dos Espíritos Superiores, são as condições essenciais para a realização de eficientes trabalhos mediúnicos.

O coração puro implica humildade. E a humildade nos livra dos enganos e das mistificações, que sempre nos atingem através da vaidade. Quer nos meios incultos, ou entre pessoas ilustradas, desde que estejam presentes aqueles atributos e o conhecimento das obras de Kardec, as sessões mediúnicas só podem produzir benefícios, e imensos benefícios.

(Texto transcrito da “Revista Internacional de Espiritismo” de setembro de 2003. Ed. “Casa Editora O Clarim”, Matão, São Paulo)

Gentilmente Cedido Por “A Luz Da Doutrina Espírita”.

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