A mente é eterna, o cérebro não

Fátima Farias

Assuntos paranormais fascinam muito as pessoas. Da mesma forma, fazem muita confusão entre os termos, não sabendo distinguir um fenômeno mediúnico de um paranormal. Confundem mente com cérebro e outras coisas semelhantes. Para esclarecer os equívocos, ninguém melhor que um expert no assunto, o parapsicólogo baiano e pesquisador de fenômenos paranormais, Clóvis Nunes. Hoje abordaremos a interação cérebro e mente e posteriormente, as diferenças entre mediunidade e paranormalidade.

A distinção entre cérebro e mente, segundo Clóvis, hoje é absoluta, informando que inclusive a psiquiatria fez revisão no seu conteúdo de fundamentação de palavras. E comenta: Até algum tempo pensadores radicais e desatualizados acreditavam ser a mente uma segregação cerebral. Isso hoje está em desuso. Já se sabe: a mente não pertence ao cérebro e o cérebro não explica a mente, embora exista uma interação entre os dois. A mente é uma entidade independente. Ela acontece pelo cérebro, mas não pertence a ele e muito menos é uma segregação cerebral. Portanto, a psiquiatria aboliu os termos de doente ou enfermo mental, histeria e outras.

Não existe mais os psicóticos, maníacos depressivos, neurose, psicose”.

Isso, conforme ele, porque estas palavras todas não designam bem o que é a mente. Complementa: “A psiquiatria já desenvolveu pesquisas sérias revelando que a mente é independente do cérebro e que também não é um órgão. Então, se ela não é um órgão não pode adoecer, uma vez que toda doença pressupõe um órgão afetado, portanto, doente mental é um termo inadequado. A histeria é uma palavra do século passado. Acreditava-se que só afetava as mulheres, porque o útero murchava, secava, entrava pela corrente sanguínea e ‘subia para o cérebro’. Daí esta expressão subiu para a cabeça. Mais tarde, psiquiatras descobriram que existiam homens muito histéricos e nós não temos útero e assim não podia ‘subir para a cabeça’. Isso tudo era fruto de ignorância dos nossos antepassados”.

A palavra de ordem, hoje, na psiquiatria são os transtornos, informa Clóvis, concluindo, portanto que a mente independe dele. “O autista, que era chamado de enfermo mental, não tinha nenhum sintoma que caracteriza qualquer doença e no passado eram considerados deuses. Na Idade Média eram levados à fogueira como endemoniados e hoje se trata com medicamentos, mas não têm doenças. Os autistas são absolutamente normais, têm uma saúde de ferro e erroneamente classificados de doentes mentais. Hoje o fenômeno do autista é chamado de transtorno do desenvolvimento psicológico, numa classificação mais digna. Existem psiquiatras desatualizados que continuam utilizando conceitos antigos, mas a própria psiquiatria já mudou até o cid (código internacional das doenças), com a nova nomenclatura, trazendo para a prática médica esta independência da mente com o cérebro”.

Questionado se faz muita diferença, ele respondeu: “Bem, isso legitima muita coisa de nossa indestrutibilidade, porque se a nossa mente independe do cérebro, então a mente sobrevive ao cérebro. A neurologia profunda também sabe disso e se a tomografia computadorizada não apontar nada e mesmo assim o paciente tem problema psíquico, manda procurar o psiquiatra porque escapa do seu controle para tratar a mente. Pesquisadores concluíram que o cérebro não gera pensamento e não explica a mente. O pensamento ocorre no cérebro, mas não pertence a ele, da mesma forma que a fala acontece ao telefone e não é o telefone que fala. A fala é que fala pelo telefone. Então, não é o cérebro que pensa. O pensamento é que pensa pelo cérebro. Portanto, a mente, consciência, o espírito hoje são palavras quase sinônimas no campo da ciência moderna”.

– O cérebro e a mente sobrevivem à morte física?

– O cérebro não. Porque a morte física pertence ao cérebro, mas não alcança a mente. A mente pré-existe ao nascimento do cérebro, comanda todo cérebro, mas sobrevive à dissolução cadavérica do cérebro. Portanto, a mente é a contraparte imaterial de todos os seres. É a força criadora e responsável pelas funções dos órgãos. O cérebro está para os órgãos do corpo como um grande computador, no entanto, a mente é a entidade extra-corpórea, o princípio espiritual que habita os corpos. Conclusão: a mente é eterna, o cérebro não. O cérebro nasce, cresce, atinge a sua plenitude, entra em decadência, degenera e morre. Mas a mente sobrevive.

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