A Ferida da Mágoa

A Ferida da Mágoa

O jovem aproxima-se do leito do hospital, um senhor com cabelos muito brancos respira com extrema dificuldade, seus olhos estão ligeiramente abertos, a mulher ao lado do leito levanta um olhar carinhoso em direção ao recém-chegado.

“Filho, eis aqui seu pai, ele precisa falar com você, tem pedido isso todos os dias a Deus.”

“Pai? Jamais tive um pai, esse é simplesmente aquele homem que nos abandonou por conta de uma aventura, deixou a família largada à própria sorte.” – não consegue ter qualquer sentimento por aquele homem, seu coração está fechado para aquele ser.

Nesse momento o senhor abre os olhos, um olhar triste, estende a mão em direção ao jovem, implorando por um pequeno gesto de aproximação.

“Filho, sei o quanto errei e todo o mal que fiz a vocês. Tenho pedido todos os dias ao Pai que me permitisse encontrar você e sua mãe, uma ultima vez que fosse. Errei, fui egoísta, não posso corrigir nada do que fiz, mas peço o seu perdão!” – a respiração torna-se mais intensa e difícil, o jovem mostra-se impassível.

A mãe aproxima-se do filho, passa a mão em sua cabeça, olha em seus olhos, segura seu rosto com as duas mãos, para em seguida colocar uma delas sobre o seu coração.

“Perdoa, filho! Pelo amor que nos guiou e iluminou todos os nossos dias até hoje, perdoa! Tira essa ferida do seu espírito, deixa Jesus curá-la com o bálsamo do seu divino amor.”

O jovem sente um intenso calor envolvê-lo, alguém de maneira invisível o ajuda a estender a mão para aquele triste senhor, ao se tocarem, o senhor abre os olhos, puxa a mão do filho e beija-a.

“Filho, preciso do seu perdão! Me dá sua benção.” – lágrimas escorrem agora pelo seu rosto de maneira incontrolável, o coração arrependido procura pelo coração machucado, fechado ao amor.

“Eu te perdôo, de todo meu ser, de todo meu espírito, Deus o abençoe, me dá sua benção Pai!” – o jovem ajoelha-se ao lado do leito, e após beijar a mão do pai, leva-a até o seu peito.

Aquele senhor com um rosto tão sofrido, respira profundamente, esboça um sorriso, cerra os olhos e desencarna. A mãe levanta então o filho, os dois se abraçam, choram intensamente, sentem-se leves e abraçados pelo Mestre naquele momento.

GOTA DE LUZ : Na jornada, magoamos e somos magoados. A mágoa como ferida não cicratiza se não tratada com o único remédio que a cura, o amor em plenitude, o perdão. Perdoar não é concordar com o ato cometido, é colocar o bálsamo divino sobre a ferida. Curada a ferida, regenera-se o espírito.

“À semelhança de ácido que corrói a superfície na qual se encontra, a mágoa desgasta, a pouco e pouco, as peças delicadas das engrenagens orgânicas do homem……quem acumula mágoas, coleciona lixo mental.”Joana de Ângelis

“Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho….”  (Mateus, cap. V)

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI, em Rede Amigo Espírita

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