Paradigmas Espíritas na Prática Médica

Nubor Orlando Facure

Introdução 

O conhecimento e a prática médica na atualidade estão fundamentados em postulados típicos daquilo que costuma ser chamado nos dias de hoje de conhecimento científico. Com este “Status” de Ciência, a medicina usufrui das vantagens de um atributo metodológico para confirmação das suas hipóteses e formulação das suas teorias. Esta mesma base exclusivamente científica, restringe, no entanto, sua capacidade de responder questões vitais para o ser humano, além de a tornar, tão vulnerável e transitória, como tem sido todo conhecimento científico na história da humanidade.

Enquanto corre atrás de respostas complexas usando equipamentos sofisticados para desvendar a intimidade da biologia molecular, a Medicina de hoje deixa ainda sem respostas questões básicas como a natureza e o sentido da vida.

Inúmeras vezes na história da medicina a explicação racional para determinadas situações de doença só puderam ser compreendidas quando se estabeleceram novos paradigmas para sua interpretação. Enquanto não foi descoberto a existência das células, não compreendemos o funcionamento dos órgãos, enquanto não identificamos o inconsciente, não reconhecemos os mecanismos que operam a mente.

No que se refere ao ser humano integral, o espiritismo tem condições de revelar paradigmas fundamentais para uma revolução no conhecimento médico.

Esta doutrina deixa claro que a origem e a justiça do sofrimento humano só serão reconhecidos, por inteiro, quando aceitarmos nossa natureza espiritual como a única forma possível de dar sentido a vida e justificar nosso destino.

OS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS 

Codificada por ALLAN KARDEC na segunda metade do século passado, a Doutrina Espírita expõe uma série de postulados não dogmáticos ditados por espíritos evoluídos que se utilizaram de médiuns de diversas partes da Europa, principalmente da França. Allan Kardec organizou de forma didática e sistemática estes ditados mediúnicos formando um conjunto de obras tidas como básicas para o estudo da Doutrina Espírita.

Dentre elas, a primeira e mais destacada é O Livro dos Espíritos que, na forma de perguntas e respostas, expõe toda sua base doutrinária. Considerando a área médica em particular, a literatura espírita, posterior a Allan Kardec, foi enriquecida de forma extraordinária com as publicações mediúnicas do espírito André Luiz através da psicografia de Francisco Candido Xavier.

Focalizando as obras de Kardec e André Luiz podemos anotar que a doutrina espírita estabelece postulados fundamentais cuja orientação doutrinária tem repercussões significativas na área médica.

Ensinam os espíritos que somos seres imortais, criados por Deus, sujeitos, como todos os seres da natureza, a um processo evolutivo que visa o progresso incessante de todas as criaturas, sem exceção e sem retrocesso, que se fundamenta nas leis de reencarnação.

A reencarnação, no estágio evolutivo em que nos encontramos, ocorre sempre na espécie humana, em qualquer sexo ou raça.

O nascimento não representa o início da vida, nem a morte o seu fim.

Tanto o nascimento como a morte física obedecem a desígnios de objetivos superiores visando o aprimoramento contínuo, segundo critérios da mais absoluta justiça.

Prevalece para todos a lei universal de ação e reação de modo inflexível e infalível.

A natureza física do corpo é para o ser humano apenas uma de suas expressões. O corpo físico nos permite interagir no ambiente material onde estamos inseridos. Cada um de nós, no entanto, é uma entidade espiritual organizada e independente, que sobrevive a morte e que se aperfeiçoa nos diversos corpos físicos que vai tendo oportunidade de utilizar com as reencarnações.

A união do corpo físico, carnal, com o espírito, que é sempre o senhor de nossas ações, se processa através de um organismo intermediário de constituição “semimaterial” chamado perispírito ou corpo espiritual.

Nas propriedades deste corpo intermediário (perispírito) se justifica toda uma série de fenômenos de intercâmbio entre nós e o mundo espiritual e nos apontam para uma linha de pesquisa fundamental para o esclarecimento das doenças humanas.

São chamados de fenômenos mediúnicos certas manifestação de efeitos físicos ou intelectuais que os espíritos desencarnados provocam através de pessoas dotadas de condições especiais, por isto denominados de médiuns. O corpo espiritual destes médiuns ampliam sensibilidades específicas para possibilitar este tipo de manifestação.

Os espíritos desencarnados habitam o mundo espiritual que, de certa forma, nos envolve, expandindo porém em dimensões inacessíveis as nossas limitações materiais. No mundo espiritual, conservamos o perispírito que, na dependência da nossa conveniência, repete a aparência do corpo físico que possuímos quando encarnados.

Os espíritos convivem constantemente conosco, atuando sobre nossos procedimentos, tanto física como moralmente, através de sugestões. Eles mantém uma atuação direta sobre nós, na dependência da nossa aceitação e assimilação, conforme princípios de sintonia e afinidade. No mundo espiritual prevalece também, para a afinidade e a convivência entre os espíritos, os mesmos princípios segundo o qual, o que aproxima ou afasta os espíritos entre si, é o padrão vibratório (mental) que depende do grau de evolução espiritual de cada um. Para cada estágio evolutivo corresponde determinado padrão de vibração mental que, por sintonia, aproxima espíritos de padrão vibratório semelhante.

Há em todo Universo um elemento fundamental denominado de Fluído Cósmico Universal de onde se originam todos os elementos tanto do mundo material como do mundo espiritual. Uma vez criadas as condições físicas adequadas, a matéria orgânica preparada na Terra, recebeu o Princípio Vital que possibilitou o desenvolvimento da vida no planeta. O Princípio Vital foi se expandindo em cada ser vivo à medida em que os organismos iam se aprimorando sob os efeitos de seleção que a evolução exigia.

Ao mesmo tempo, o elemento espiritual primordial, foi adquirindo complexidade até o desabrochar da consciência e da inteligência que permitiram a incursão da espécie humana na Terra.

A energia emanante do espírito é o pensamento. Como fonte plasmadoura de idéias, o pensamento, é capaz de agregar elementos do Fluído Cósmico, construindo um material “idealizado” que constroe o ambiente espiritual em torno de nós.

As imagens mentais produzidas pelo pensamento de toda humanidade cria, em torno do planeta, uma atmosfera espiritual condizente com o teor destes pensamentos.

DISCUSSÃO 

Sem a pretensão de ter esgotado os enunciados da doutrina espírita, podemos nos ater apenas aos que enumeramos para deduzir uma sequência extensa de informações inovadoras para a ciência médica. Paradigmas fundamentais como a descoberta do mundo microbiano, (Pasteur) da circulação do sangue, (Harvey), da homeostase, (Claude Bernard), da psicodinâmica do inconsciente, (Freud), da seleção natural (Darwin), promovendo as transformações evolutivas dos organismos, trouxeram com suas teorias mudanças na interpretação dos fatos. A cada nova ordem de conhecimento que cada um destes paradigmas introduzia, ocorreram mudanças de atitudes nos procedimentos médicos.

Nenhum destes paradigmas, nem qualquer outro que possamos citar, teve a pretensão de revelar uma verdade acabada e sem contestações.

Os paradigmas espíritas estão dentro desta mesma ordem de propósitos. Trata-se de um conhecimento inovador, que esclarece razões fundamentais para a doença e o sofrimento e vai modificar substancialmente nossas atitudes diante dos doentes. Entretanto, esta nova interpretação para os acontecimentos, não suprime o esforço da pesquisa nem a experiência que se conquista com o trabalho perseverante. Os postulados espíritas não se propõem, por exemplo, para a busca de um suposto agente etiológico para uma moléstia cuja causa atual é desconhecida. O que o conhecimento espírita introduz, de forma racional e passível de comprovação experimental, é o elemento espiritual na essência fundamental de todo acontecimento relacionado com a vida na Terra.

CORPO ESPIRITUAL OU PERISPÍRITO 

A literatura espírita registra três elementos fundamentais na constituição do ser humano. O espírito, nosso eu inteligente, dotado de competência para criar as idéias e manter a unidade do organismo. O corpo físico, estruturado a partir do aglomerado celular que o compõe e que sustenta seu estado de vitalidade às custas do Princípio Vital que emana do Criador. O perispírito, um organismo intermediário que possibilita a atuação no corpo físico, da energia que emana do espírito.

Após a morte, o espírito desencarnado continua dispondo do perispírito para sua apresentação. Embora tenha fundamentalmente a mesma natureza, há diferenças na disposição orgânica do perispírito do homem enquanto encarnado e do espírito no mundo espiritual. O perispírito tem natureza coloidal que lhe faculta propriedades eletromagnéticas sutilmente sensíveis à energia mental emitida pelo espírito que o controla. A ligação entre o perispírito e o corpo físico se processa na intimidade das ligações de partículas subatômicas ao nível das quais não se distingue os limites precisos onde termina o corpo físico e onde se inicia o corpo espiritual. A natureza do perispírito é dita “semimaterial”, pela falta de terminologia mais adequada e não difere dos mesmos elementos fundamentais que organizam nosso mundo físico. A diferença em comprimentos de ondas em que se expressa a “matéria física” e a “matéria espiritual” é que as expõe em “realidades” diferentes. O corpo espiritual exerce um papel plasmador e estruturador da forma física que o corpo humano assume durante a vida. Pelo conhecimento espírita sabemos que as mudanças evolutivas que foram transformando os organismos vivos na Terra, foram programadas e articuladas primordialmente, nos corpos espirituais, antes de se processarem por consequência inevitável, nos organismos que a biologia terrena desenvolveu.

Através da força que a vibração mental impõe ao perispírito, este pode sofrer modificações quanto à forma e a aparência.  Espíritos elevados tem o mais amplo domínio sobre seus perispíritos, enobrecendo sua aparência e, irradiando através deles, uma luminosidade extraordinária.

Por outro lado, tanto o homem comum, como os espíritos de mediana evolução, mostram em seus corpos espirituais, expressões e formas que denunciam sua pobreza de pensamentos. Quase sempre, por persistirmos em vibrações mentais de conteúdo vulgar e de franca animosidade, estamos todos enegrecidos por irradiações de baixo nível espiritual.

Prevalece no perispírito do homem encarnado a mesma composição celular e disposição dos órgãos físicos. Enquanto o corpo humano atua como um fator limitante da expressão plena do potencial espiritual de cada um, o perispírito, registra e acumula toda experiência de nossas múltiplas encarnações, além de dispor de forma expandida, de todas as percepções da alma. Sabemos que o espírito, através do corpo espiritual, pode ver, sentir ou ouvir com as mãos ou com qualquer outra parte do corpo.

Outra propriedade fundamental do corpo espiritual se relaciona com os fenômenos mediúnicos.

A atuação da entidade comunicante através do médium exige uma combinação dos fluídos do perispírito de ambos.

A maior fidelidade das mensagens está ligada com a maior afinidade entre os fluídos do médium e do espírito comunicante. Sendo o perispírito constituído de “matéria” radiante, extremamente sensível às vibrações mentais, o processo de comunicação entre os médiuns e os espíritos que com eles se familiarizam, depende muito desta sintonia em comprimento de ondas, que se ajustam entre os dois corpos espirituais que se aproximam.

Nos fenômenos de efeitos físicos em que ocorre o transporte de objetos materiais de um ambiente para outro, dizem os espíritos, que, o objeto transportado, fica como que, “animado” de vida, por efeito do seu envolvimento com os fluídos do perispírito do médium e do espírito que se presta a fazer este tipo de fenômeno.

Pode-se concluir que, a combinação dos fluídos do corpo espiritual é capaz de mudar a natureza dos elementos que compõe a matéria física que conhecemos. É bem provável que este processo também ocorra por modificações no comprimento de onda pelos quais se expressam os átomos que conhecemos.

MATÉRIA MENTAL E AS LEIS DE SINTONIA 

A vida é a expressão de um fenômeno espiritual. Enquanto a mente, é o espírito que interpretando sensações cria as idéias e as emoções que através do pensamento exteriorizam nossos desejos.

O Fluído Cósmico serve de substrato ao pensamento que se projeta como energia expressa em partículas de comprimentos de ondas variados. Nossos pensamentos criam em torno de nós um ambiente psíquico onde estão “esculpidas” as imagens mentais que idealizamos com mais persistência. Portanto, cada um de nós convive “materialmente” com suas próprias idéias. Somos de certa forma “escravos” de nossos próprios desejos. Cultivar ódio ou amor por alguém significa também conviver psiquicamente com o personagem que construímos em nossa psicosfera para odiar ou amar.

As projeções das nossas vibrações mentais estão sintonizadas em pelo menos três níveis de emissão mais ou menos hierarquizados conforme o cumprimento de onda em que ressoa nossos pensamentos. Por processos de automatismos e condicionamentos herdados, temos aptidão para emissão de pensamentos controladores das funções básicas do organismo, responsáveis pela nossa sobrevivência.

Numa outra hierarquia de fenômenos, nossas emissões mentais mantém nossa consciência desperta e interagindo com o ambiente exterior em que estamos inseridos.

E, finalmente em condições especiais podemos emitir pensamentos com comprimento de ondas ultracurtas, expandindo nossa capacidade de comunicação mental, atingido as dimensões espirituais mais nobres.

A afinidade que atrai ou repele qualquer criatura que se aproxime de nós vai depender essencialmente do teor das vibrações mentais que emitimos. Os comprimentos de ondas mentais se ajustam ou criam ressonância conforme a sintonia que se estabelece entre elas. Ao criarmos uma idéia e projetarmos as ondas mentais pertinentes a um determinado tema, estamos estabelecendo sintonia com todos os indivíduos, encarnados ou não, que mentalizarem conosco o mesmo assunto. A convivência entre as pessoas tende as induzir a pensarem e aceitarem os mesmos princípios.

Frequentemente somos vítimas de sugestões mentalizadas por nós ou induzidas pelos outros que produzem figuras mentais que se organizam em torno de nossa psicosfera. A imagem que passamos a fazer do mundo fica ligada então, a estas formas-mentais que induzem sistematicamente nossos comportamentos.

O empenho em assimilar um aprendizado novo, implica em sintonizar e desenvolver compreensão adequada para aceitação das sugestões propostas pela idéia nova. Por outro lado, todos os desejos e vontades que buscamos ardentemente com insistência, nos escravizam com imagens que podem nos condicionar a comportamentos obsessivos.

As idéias que combatemos com veemência, por que nos incomodam ou nos martirizam, acabam por persistirem em nós porque, de certa forma, estamos aceitando inconscientemente o seu conteúdo e de alguma forma nos sintonizando com seus emissores.

DILEMA CÉREBRO-MENTE 

A visão materialista da Ciência de hoje não tem alcance suficiente para explicar a origem do pensamento. Não há como justificar através de circuitos neuronais nossa capacidade de aprender e criar idéias novas. A partir dos estímulos neurais como a visão ou o tato, não se compreende como o cérebro, recebendo sensações físicas é capaz de gerar percepções, criar interpretações ou processar julgamentos. São funções psíquicas extremamente complexas para as quais a fisiologia cerebral é insuficiente para justificar.

No processo evolutivo em que os organismos vivos foram se aprimorando ocorreram mudanças morfológicas e funcionais que pressupunham a sobrevivência dos mais aptos. Sem aceitarmos a existência do espírito fica muito difícil compreender como a mente, participando deste processo evolutivo, foi se aprimorando em todas as criaturas até atingir o estágio de humanização da consciência. Todo cientista, no entanto, é forçado a acreditar que foi a partir de reflexos simples da vida unicelular que se atingiu o discernimento e a inteligência.

Com uma visão espiritualista, a mente deixa de ser uma expressão sintetizada pela atividade cerebral para se apresentar como uma entidade que organiza a vida, que sobrevive à morte e que acumula conhecimento a medida em que repete as experiências de novas vidas.

A partir dos reflexos desenvolvemos automatismos e instintos. Com a capacidade de tomar decisões adquirimos o discernimento. Pela experiência, selecionando caminhos, aprendemos a raciocinar. O raciocínio e o julgamento desenvolveram a inteligência. O pensamento fragmentário dos animais deu origem ao pensamento contínuo do ser humano. A consciência tomou conhecimento do eu, do mundo exterior e de seu significado. Já temos a consciência temporal que nos permite situar os acontecimentos do presente, rememorar o passado e antever o futuro. Falta-nos conquistar a consciência da espiritualidade que nos envolve. A percepção de espaço-tempo registrada pelos nossos sentidos, se limita, no momento, às três dimensões que nos cercam. O aprimoramento espiritual deve nos reservar para o futuro a consciência contínua e a consciência expandida a outras dimensões.

FENÔMENO FÍSICO E O FENÔMENO PSICOLÓGICO 

O cérebro é capaz de registrar milhões de informações em curtíssimo espaço de tempo. Ondas luminosas atravessam o olho e alcançam o lobo occipital, as auditivas ativam os lobos temporais e ao tocar um objeto registramos suas propriedades nos lobos parietais. Cada uma destas sensações não se limitam a provocar percepções de luz, de sons ou de objetos. Para cada uma delas o cérebro promove interpretações e julgamentos “criando” imagens que passam a ser representações das sensações percebidas.

A todo instante estamos “sonhando” com imagens que tem para cada um de nós o significado da realidade. Nossa grande dificuldade é explicar como e quando um fenômeno físico se processa em fenômeno psicológico.

A nível de circuitos neuronais há muito pouco que justifique este dilema. Admitindo a existência do espírito como fonte emissora da energia que faz fluir nossos pensamentos podemos deduzir que todo fenômeno psicológico é de natureza espiritual. As sensações projetadas pelo mundo físico onde estamos inseridos devem atingir o espírito onde se processa todo fenômeno de interpretação e reconhecimento. A segunda questão é compreender como a energia emanada do espírito alcança o cérebro físico constituído de matéria densa e, como os estímulos que sensibilizam o cérebro podem ser registrados pelo espírito que pertence a outra dimensão.
Esclarece a doutrina espírita que, o elemento transdutor ou transformador das sensações física é o corpo espiritual que, como vimos, participa da nossa natureza material em diferentes comprimentos de ondas susceptíveis a ação direta da mente.

Allan Kardec estudando a importância do corpo espiritual, já chamava a atenção de que o conhecimento de suas propriedades deverá trazer esclarecimentos fundamentais para a Medicina.

Podemos conjeturar que, sendo o corpo espiritual constituído de elementos mais sutis que o corpo físico, sua capacidade para armazenar e transmitir informações mentais deve estar fundamentada em redes de circuito eletromagnético, que se espraiam por todo perispírito, sem necessidade da intermediação química como a que se processa “morosamente” no cérebro físico entre redes mentais e seus neurotransmissores.

DOENÇAS ESPIRITUAIS 

A Medicina compreende como doença as perturbações no bem estar físico, psíquico e social do ser humano. A tendência atual é de se aceitar uma interação constante entre estes três aspectos. Qualquer doença de expressão física desencadeia repercussões psicológicas ou psicossociais e, as perturbações psíquicas ou sociais se consolidam em quadros psicossomáticos.

Admitindo-se porém, o pressuposto da nossa natureza espiritual e, que todo processo psíquico em sua essência é uma atividade da alma, pode-se conjeturar a existência das doenças espirituais. Esta hipótese se fundamenta em postulados que já adiantamos no início deste trabalho.

Numa tentativa de classificação, podemos separar as doenças espirituais dentro da seguinte ordem:

Desequilíbrios vibratórios,
Lesões cármicas do corpo espiritual,
Vampirismo,
Obsessão
Mediunismo.

Desequilíbrios vibratórios

Os desequilíbrios vibratórios consistem numa perturbação na dinâmica da interação entre o corpo físico e o corpo espiritual. Sabemos que o perispírito não ocupa o nosso corpo como se vestisse uma roupa. Ele interage com o corpo físico por ligação eletromagnética promovendo uma transição sutil entre um corpo e o outro. Esta junção entre os dois corpos permite variações na “aderência” entre um corpo e o outro. Esta ligação é mais “solta” na criança, nos idosos e na maioria dos médiuns.

Esta possibilidade de maior “desprendimento” do corpo espiritual é que possibilita toda a série de fenômenos mediúnicos.

Num mesmo indivíduo, a interação entre seu corpo físico e o perispírito, aumenta ou diminui nas horas de sono ou de meditação, nos momentos de tensão ou ansiedade e sob o efeito de certos medicamentos e alimentos.

O processo de doença espiritual, que classificamos como desequilíbrio vibratório, se estabelece, por efeito do nosso descontrole emocional, quando damos lugar em nossos pensamentos, ao ódio, a cólera, a agressividade, ao mau humor, ao desespero, a ociosidade, a maledicência permitindo com isto, uma desincronização entre o perispírito e o corpo físico. Habitualmente, esta situação provoca em todos nós, uma sensação de mal-estar e indisposição que atribuímos frequentemente a insucessos ou situações de animosidade vivenciadas no nosso dia a dia. Cabe aqui a recomendação de lembrarmos da vigilância permanente em relação aos nossos comportamentos e as nossas atitudes cotidianas.

LESÕES CÁRMICAS DO CORPO ESPIRITUAL

Quadros extremamente frequentes de cardiopatias, hidrocefalia, atrofias cerebrais, criptorquidia, deformações uterinas, são possíveis exemplos de doenças que arrastamos por longos anos, penosamente, resgatando e reformando estas lesões.

Antigos desvios como o aborto ou o suicídio, provocados por nós mesmos em vidas anteriores, deixam marcas permanentes em nosso perispírito. Estes sinais nos acompanham no mundo espiritual e cada um de nós, com os compromissos agravados, busca uma nova encarnação, onde num corpo lesado, conseguimos o resgate cármico de nossas culpas.

VAMPIRISMO

Ocorre por desvios de conduta do comportamento humano quando nos permitimos enveredar pelo vício das drogas, dos tóxicos, do álcool, dos desvios sexuais e de extravagâncias alimentares.

Por criação da própria mente que persistentemente convive com o vício, criam-se, às custas da matéria mental, os “microorganismos mentais” ou “micróbios psíquicos” que passam a “corroer” e infestar o corpo físico sugando suas energias a partir dos centros vitais.

Estes desvio do comportamento humano, atraem pela perversão que promovem, grande número de espíritos que se associam à estes procedimentos viciados, comportando-se como parasitas ou “vampiros” do homem cujas atitudes lhes serve de gozo ou prazer.

As formas microbianas elaboradas pela mente, são construídas às custas da matéria fluídica perispiritual que “vivifica” sua atuação. Mesmo sem ter vida própria são extremamente danosas para o organismo que “vampiriza”.

No momento em que uma decisão sincera faz o homem mudar de conduta e modificar seu conteúdo mental, especialmente quando ele passa a usar a oração e o trabalho como instrumentos de cura, estas formas-imagem perdem sua “vitalidade” e deixam de parasitá-lo.

OBSCESSÃO

Sabemos que cada ser humano, por discórdias promovidas em vidas anteriores, pode ser perturbado por espíritos que se consideram credores de suas vítimas. Estas entidades passam a exercer uma perturbação obsessiva, impondo sofrimento, principalmente, através de doenças mentais ou somatizações as mais complexas possíveis.

Em qualquer ambiente de atendimento psiquiátrico é possível encontrar pacientes com quadros esdrúxulos ou atípicos que as classificações médicas da psiquiatria de hoje se mostra incapaz de identificar. Muitos, senão a maioria destes quadros, estão relacionados com os processos obsessivos que a literatura espírita descreve.

MEDIUNISMO

Na verdade, o “mediunismo” não deveria estar aqui rotulado como doença. Porém sua apresentação, em pessoas não esclarecidas ou não disciplinadas, pode revelar quadros rotulados na medicina humana tradicional como crises de epilepsia, ou crises histéricas. Uma boa orientação num centro espírita pode fazer com segurança a triagem destes quadro

CONCLUSÕES 

1-      Os paradigmas espíritas esclarecem de forma racional a natureza espiritual do ser humano.

2-      Nas propriedades do perispírito se encontram os mecanismos de interação entre o cérebro e a mente.

3-      Um grande número de doenças, se não todas, tem seus transtornos previamente, programados no perispírito.

4-      Os paradigmas espíritas sugerem a mudança de conduta, a reforma íntima, a espiritualização do homem como forma de resolver o problema do sofrimento humano.

Artigo reproduzido com autorização do autor

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