Um “médium curador” [não espírita] e o rebuliço na mídia global

Jorge Hessen

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

A TV Globo entrevistou mulheres que acusaram o “médium” [não espírita] João de Deus sobre as violações sexuais que teriam sofridos quando elas buscaram o tratamento espiritual na “Casa Dom Inácio de Loyola”, localizada em Abadiânia, Goiás. As acusações são de três brasileiras que pediram para não serem identificadas e da coreógrafa holandesa Zahira Lieneke Mous, a única que aceitou mostrar o rosto na televisão.

Será que estamos diante de crimes análogos ao cometido pelo médico “Roger Abdelmassih” ? Hum! Será ?

Em nota enviada à TV Globo a assessoria de imprensa do “médium” [não espírita] afirmou que as acusações são “falsas e fantasiosas” e questiona o motivo pelo qual as vítimas não procuraram as autoridades. Ainda afirma que a situação é lamentável, uma vez que o Médium [não espírita] João é uma pessoa de “índole ilibada”(sic).

Após a difusão da sinistra notícia (de repercussão nacional), a Federação Espírita Brasileira emitiu uma pequena nota sobre atuação de médiuns curadores, declarando que o Espiritismo orienta que o serviço espiritual não deve ocorrer isoladamente, em face disso, não recomenda a atividade de médiuns que atuem em trabalho individual, por conta própria. Esclarece ainda que tais médiuns “curadores” [dentre eles o (não espírita) “João de Deus”] não estão vinculados ao Movimento Espírita, nem seguindo sua recomendação. (1) “Oh, meno male!”

Há 5 anos, após leitura de reportagem da Revista VEJA, resolvemos refletir e contextualizar alguns trechos da matéria publicada. O título da reportagem era exatamente: “A face humana do mais endeusado médium brasileiro” (2), a Revista VEJA destacou a capacidade do médium [não espírita] João de Deus de atrair gente do mundo inteiro para um município próximo do Distrito Federal. Afirma a reportagem que o “santificado médium” vive o cotidiano sob o manto da contradição entre o “espírito e a carne”, a “cura e a doença”, o “desprendimento e a vaidade”, os gestos de “generosidade, os arroubos de cólera” e os negócios terrenos (3) [é milionário], os amores [tem onze filhos com dez mulheres diferentes]. (grifei) A cada dois anos o “curandeiro-endeusado do cerrado” troca a frota de carros da família. O dele era um Mohave Kia, avaliado em 2013 em 170 000 reais” [cento e setenta mil reais]. (4)

Sabemos que a mediunidade não guarda relação com a retidão moral do medium; seu funcionamento independe das qualidades de honradez. O fato é que os médiuns de tais “cirurgiões do além” sempre seduzem grande número de fregueses, estabelecendo, não raro, com a mediunidade, um negócio rendoso, uma polpuda fonte de captação de dólares e reais.

Em 2013 a instituição dirigida por tal “deus da mediunidade de cura” “ teve um faturamento de aproximadamente 7,2 milhões de reais (isso mesmo! sete milhões e duzentos mil reais), levando-se em conta somente a venda de passiflora, preparado à base de maracujá, produzido ali mesmo, comercializado à época a bagatela de 50 reais o frasco e receitado a uma média de 3.000 visitantes semanais.”. (5)

É lamentável que os médiuns invoquem “Espíritos” para que lhes sirvam  como “cirurgiões do além” a fim de retalhar e perfurar corpos físicos em nome de “operações espirituais”, que lhes prescrevam placebos.

É constrangedor essa tendência de subestimar a contribuição da medicina humana, entregando nossas enfermidades aos Espíritos “curandeiros do além” (preferencialmente com nome de santos, ou com sotaque germânic ou hindu) para que “curem” doenças. Lembremos que precisamos “aproveitar a moléstia como período de lições, sobretudo como tempo de aplicação de valores alusivos à convicção religiosa. A enfermidade pode ser considerada por termômetro da fé”. (6)

Não desconhecemos a possível intervenção dos desencarnados nos processos terapêuticos na Terra, mas não se pode dar prioridade a esse tipo de trabalho, na suposição de curas ou na falsa ideia de fortalecimento do Espiritismo por esses meios. Lembramos que certa vez o Espírito do “Dr. Fritz” quis operar Chico Xavier, em 1965, através do médium [não espírita] Zé Arigó: – “Eu te ponho bom desse olho. Faço-te a cirurgia agora! Pronunciou Arigó, e Chico Xavier respondeu-lhe: – “Não, isso é um reflexo do passado. Eu sei que o senhor pode consertar o meu olho. Mas como o compromisso do passado continuará, vai aparecer-me outra doença. Como eu já estou acostumado com essa, eu a prefiro. Por que eu iria querer uma doença nova?.

Os Espíritos não estão à disposição para promover curas de doenças que não raro representam providências corretivas para nosso crescimento espiritual no buril de reparação moral. Por tudo isso, é urgente não abrirmos mão da precaução! Ainda mesmo que o excesso em tudo seja ruinoso. Contudo, Kardec endossa nossa atitude dizendo que “vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança”. (7)

Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

[1] Disponível em http://www.febnet.org.br/blog/geral/noticias/feb-esclarece-sobre-at…    acesso 08/12/2018

[2] Disponível em http://vejabrasil.abril.com.br/brasilia/materia/joao-do-ceu-e-da-te… acesso em 14/09/2013

[3] Suas economias vêm do garimpo. Ele é dono de fazendas na região, é proprietário de apartamentos em Brasília, Goiânia, Anápolis e Abadiânia, segundo a Revista Veja

[4] Disponível em http://vejabrasil.abril.com.br/brasilia/materia/joao-do-ceu-e-da-te… acesso em 14/09/2013

[5] Idem

[6] VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Cap.35. RJ: Editora FEB, 1977-5ª edição

[7] KARDEC, Allan. Viagem Espírita-1862, Brasília, Ed. Edicel, 2002, pág. 33

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A IMPORTÂNCIA DOS BONS PENSAMENTOS  Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI

“Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável.” 

“A ação dos Espíritos sobre os fluidos espirituais tem consequências de importância direta e capital para os encarnados. Desde o instante em que tais fluidos são o veículo do pensamento; que o pensamento lhes pode modificar as propriedades, é evidente que eles devem estar impregnados das qualidades boas ou más, dos pensamentos que os colocam em vibração, modificados pela pureza ou impureza dos sentimentos.” – (Allan Kardec – A Gênese, cap. XIV, item 16).

É certo que o pensamento exerce uma poderosa influência nos fluidos espirituais. Os pensamentos bons impõem-lhes luminosidade e vibrações elevadas que culminam em boas sensações.

Os pensamentos maus provocam alterações vibratórias contrárias àquelas. Os fluidos ficam escuros e sua ação provoca sensações desagradáveis.

Assim, em torno, por exemplo, de uma pessoa, existe uma atmosfera espiritual fluídica, que varia conforme seu campo vibratório, e consequentemente segundo a natureza moral dos Espíritos que se atraem por estas energias. Isto pode ser ampliado para uma cidade, estado, país e para todo o planeta Terra. 

À atmosfera fluídica, associam-se Espíritos com tendências morais e vibratórias semelhantes. Desta forma, os Espíritos superiores recomendam que a conduta dos seres humanos, nas relações com tudo na vida, seja a mais harmoniza possível. Despir-nos de sentimentos que não nos eleva moralmente

Alguém que vive, por exemplo, entregue ao pessimismo e aos maus pensamentos, tem em volta de si uma atmosfera espiritual escura, atraindo Espíritos com os mesmos pensamentos.

É sempre importante lembrar, que estas situações podem ser modificadas a qualquer momento. Depende apenas da nossa força de vontade de viver. Bem viver, sempre sob a orientação dos ensinos morais de Jesus.

“Melhorando-se, a humanidade verá depurar-se a atmosfera fluídica em cujo meio vive, porque não lhe enviará senão bons fluidos, e estes oporão uma barreira à invasão dos maus. Se um dia a Terra chegar a não ser povoada senão por homens que, entre si, praticam as leis divinas do amor e da caridade, ninguém duvida que não se encontrem em condições de higiene física e moral completamente outras que as hoje existentes” – (Allan Kardec – Revista Espírita, Maio, 1867)

Rede Amigo Espírita

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A existência passageira e o tempo de morrer

Perante os filhinhos que retornam para o além  

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Efetivamente, ninguém está preparado para receber a notícia de que o filho tem câncer, ainda mais quando se trata de uma criança. E nada é capaz de preparar um pai e uma mãe para ver essa criança perder a batalha. Em Lancashire, na Inglaterra, o menino Charles Proctor, de 5 anos, pediu “desculpas” à mãe antes de falecer em seus braços. Ele tinha um tipo raro de câncer e desencarnou no colo de sua mãe, Amber Schofield.

No mês de novembro de 2018, Schofield, 24 anos, segurava o pequeno Charles no colo, quando ele deu seu último suspiro. Em um post emocionado na página que criou no Facebook para contar a história do garoto e pedir ajuda financeira para que ele pudesse realizar um transplante nos Estados Unidos, ela relatou que, algumas horas antes de desencarnar, o menino disse a ela: “Mamãe, me desculpe por isso”. [1]

É dificílimo imaginar o tamanho da angústia pela qual passou Amber Schofield. Só quem viveu situações semelhantes pode descrever. Imaginemos a aflição da mãe ao ouvir o pedido de “desculpas” do filho, por uma situação da qual ele não tinha controle algum, apenas por vê-la sofrer. Todavia, a dignidade que Schofield experimentou, sem revolta e com humildade, demonstrou o quanto ela estava preparada para a situação.

Foi-se o corpo de Charles, não sua essência, o espírito imortal, que o corpo habitava. Há muitas pessoas que passam por experiência análoga, porém revoltam-se e blasfemam.

No século XIX, Allan Kardec inquiriu aos espíritos: “qual a utilidade das mortes prematuras?”. E os Benfeitores responderam: que “a maioria das vezes servem como provação para os pais.” [2] Todavia, alguns insistem em dizer que é uma terrível tragédia ver uma vida, tão cheia de esperanças, ser ceifada prematuramente.

Pacifiquemos a consciência em vez de nos infelicitarmos quando for dos desígnios de Deus retirar um de nossos filhos deste planeta de provas e expiações. Concebemos que muitas situações chamadas de infelicidade, segundo apressadas interpretações, cessam com a vida física e encontram a sua compensação na vida além-túmulo.

Há casos de desencarnações precoces que não estão inseridos no processo de consequências naturais das escolhas do passado delinquente e configuram sim, ações meritórias de Espíritos missionários que renascem para viverem poucos anos em contato com a carne em função de tarefas espirituais relevantes. Sobre isso, o Espirito André Luiz escreveu o seguinte: “Conhecemos grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo, simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais, recobrando, logo após o serviço levado a efeito, a respectiva apresentação que lhes era costumeira.” [3]

Emmanuel, com a nobre sensibilidade que lhe assinala o modo de ser, considera que “nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.” E acentua, convincente: “Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia. [4]

Porém, ante aqueles que demandam a Vida na Espiritualidade, o comportamento do espírita é algo diferente, ou pelo menos deve ser diferente, variando contudo de pessoa a pessoa, com prevalência, evidentemente, de fatores ligados à fé e à emotividade. Chora, discreto, mas se fortalece na oração. Na certeza da Imortalidade Gloriosa, reprime o pranto que desliza na fisionomia sofrida, porém busca na Esperança uma das virtudes evangélicas, o bálsamo para a saudade justa.

O Espírita sincero jamais se confia ao desespero. “Não cede aos apelos da revolta, porque revolta é insubordinação ante a Vontade do Pai, que o espírita aprende a aceitar, paradoxal e estranhamente jubiloso, por dentro, vergado embora ao peso das mais agudas aflições.” [5]

Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

[1] Disponível em https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/entretenimento/201…; acesso em 25/11/2018

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001 questão n° 346 a 347

[3] XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB 1988 Xavier

[4] PARALVA, J. Martins. O PENSAMENTO DE EMMANUEL, RJ: Ed FEB, 1990

[5] Idem

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A Terra e a vida extraterrestre

Postado por os pae  – Exibir blog

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília/DF

A vida e o Universo são magníficos mistérios. Dádiva de Deus, que não podemos, nem vamos compreender de maneira tão simplória. Há dois mil anos, Jesus proclamou que “há muitas moradas na Casa do meu Pai”. (1) Atualmente, não é difícil compreendermos que Deus criou Sua Casa (Universo), em cuja morada estão os incontáveis planetas. A questão fundamental é: Nós estamos sozinhos no Universo? Os astrônomos afirmam que estão próximos de responder essa questão que sempre perseguiu a humanidade, desde o início da civilização.

O diretor do observatório astronômico do Vaticano (2), padre José Gabriel Funes, afirmou que Deus pode ter criado seres inteligentes em outros planetas, do mesmo jeito como criou o Universo e os homens. “Isso não contradiz nossa fé, porque não podemos colocar limites à liberdade criadora de Deus”, acrescentou Funes, em entrevista ao jornal L’Osservatore Romano, órgão oficial de imprensa da Santa Sé”.(3)

Um dos ramos científicos que mais têm crescido, desde os anos 50, fazendo audaciosas pesquisas, ampliando muito o acervo de seus conhecimentos, é a Astronomia. Dela derivam, ou com ela interagem, a Astrofísica, a Astroquímica, a Exobiologia (estudo da possibilidade de vida fora da Terra). Simon “Pete” Worden, astrônomo, que lidera o Centro de Pesquisas Ames da NASA, afirma que nós [na Terra] não estamos sozinhos, pois que há muita vida [pelo Universo]. Desde 1995, a Astronomia registrou a descoberta de 400 novos planetas, pertencentes a outros sistemas planetários, muito além deste do qual fazemos parte. Na conferência anual da Sociedade Astronômica Norte-Americana, em cada descoberta, envolvendo os planetas de fora do nosso Sistema Solar (exoplanetas), apontam para a mesma conclusão: orbes, como a Terra, são, provavelmente, abundantes, apesar do violento Universo de estrelas explosivas, buracos negros esmagadores e galáxias em colisão.

O fato é que estamos na Terra, um dos nove planetas do Sistema Solar. Embora pese mais de 6 sextilhões de toneladas e apresente uma superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados, nem por isso é o maior destes planetas que giram ao redor do Sol. Júpiter, por exemplo, lhe é 1.300 vezes maior. Sobre este planeta, Kardec escreveu que “muitos Espíritos, que animaram pessoas conhecidas na Terra, disseram estar reencarnados em Júpiter” (4)

James Jeans, um dos maiores astrônomos do nosso século, afirma, no livro The Universe Around Us (o Universo em volta de nós) que: o número de sistemas planetários, em todo o Espaço, é inimaginavelmente grande. Bilhões deles podem constituir réplicas, quase exatas, de nosso sistema Solar, e milhões de planetas podem constituir outras réplicas, quase exatas, da Terra. Ora, por que só existiria vida aqui no orbe, um planeta que tem um volume de 1.300.000 vezes menor que Júpiter; que dista da lua aproximadamente de 380.000 quilômetros. “Marte, está distante de nós (na Terra) cerca de 56.000.000 de quilômetros, na época de sua maior aproximação; Capela é 5.800 vezes maior que nosso [planetinha]; Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao Sol”. (5) Há estrelas tão brilhantes, cuja luz tem uma intensidade 1 milhão de vezes maior do que a luminosidade solar.

O Sistema Solar possui 9 planetas com 57 satélites. No total, são 68 corpos celestes. E, para que tenhamos noção de sua insignificância, diante do restante do Universo, “nosso Sistema compõe um minúsculo espaço da pequena da Via Láctea” (6), ou seja, um aglomerado de, aproximadamente, 100 bilhões de estrelas, com, pelo menos, cem milhões de planetas, que, segundo Carl Seagan, no mínimo, 100 mil deles com vida inteligente e mil com civilizações mais evoluídas que a nossa. (7)

As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), elevaram o número de galáxias conhecidas. Sabe-se, hoje em dia, existirem, pelo Universo observável, pelo menos, 10 bilhões de galáxias. Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a 1 quatrilhão de sóis [isso mesmo, 1 quatrilhão!]. Acreditar que somente a Terra tenha vida é supor que todo esse imensurável Universo tenha sido criado sem utilidade alguma, e seria uma impossibilidade matemática que, num Universo tão inimaginável, não se tivesse desenvolvido vida inteligente, senão neste pequeno planeta. Aliás, seria um incompreensível desperdício de espaço.

Concretamente, a Terra é, sem dúvida, o “único” local habitado que sabemos com certeza ter vida, pois, afinal, estamos aqui. No entanto, as provas materiais, da possibilidade fortíssima de haver vida em muitos outros lugares, estão em todo lugar: Astrônomos descobriram sinais de matéria orgânica em outro planeta; meteoros caem, aos montes, com vários compostos orgânicos essenciais à vida, sendo, talvez, o mais famoso deles o meteorito de Murchison; e, nem precisando ir tão longe, a Terra, mesmo, mostra-nos que a vida existe, também, nos locais mais inóspitos e surpreendentes e sob as condições mais hostis, como se vê no caso das formas de vida extremófilas, presentes em ambientes extremos, como gêiseres, mares polares frios e lagos altamente salinos.

Segundo Allan Kardec , “repugna à razão crer que esses inumeráveis globos que circulam no espaço não são senão massas inertes e improdutivas.”(8) A Ciência vem descobrindo, incessantemente, planetas situados em outros sistemas estelares. No campo das pesquisas científicas “o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro, acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.” (9)

A proposição kardequiana, da pluralidade dos mundos habitados, continua tão atual quanto na data de sua publicação. Portanto, o Espiritismo corrobora com a tese da existência de vida fora da Terra. Destaque-se que, antes que a ciência humana e as religiões tradicionais admitissem essa possibilidade, os Espíritos revelaram, na questão 55, de O Livro dos Espíritos, “que são habitados todos os mundos que giram no espaço e que a Terra está muito longe de ser o único planeta que asila vida inteligente”. (10)

A propósito, o Espírito Emmanuel confirma que, “nos mapas zodiacais, observa-se, desenhada, uma grande estrela na Constelação do Cocheiro, que recebeu, na Terra, o nome de Cabra ou Capela. Magnífico sol entre os astros que nos são mais vizinhos, ela, na sua trajetória pelo Infinito, faz-se acompanhar, igualmente, da sua família de mundos, cantando as glórias divinas do Ilimitado. A sua luz gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra, considerando-se, desse modo, a regular distância existente entre a Capela e o nosso planeta. Há muitos milênios, um dos orbes da Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos.”(11)

Reafirma, ainda, Emmanuel que “alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberam, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores.” (12)

Aqueles seres, explica o mentor de Chico Xavier: “angustiados e aflitos, que deixavam, atrás de si, todo um mundo de afetos, não obstante os seus corações empedernidos na prática do mal, seriam degredados na face obscura do planeta terrestre; andariam desprezados na noite dos milênios da saudade e da amargura; reencarnariam no seio das raças ignorantes e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes. Por muitos séculos, não veriam a suave luz da Capela, mas trabalhariam na Terra acariciados por Jesus e confortados na sua imensa misericórdia.”(13) Sobre isso Agostinho afirmou no século XIX que “não avançar é recuar, e, se o espirito não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam”.(14)

 Rede Amigo Espírita

Jorge Hessen

E-Mail: jorgehessen@gmail.com

Site: http://jorgehessen.net

Blog: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

FONTES:

(1) Cf. João 14:2

(2) A sede do observatório do Vaticano se localiza em Castelgandolfo, cidade próxima de Roma, onde fica situado o palácio de verão do papa, desde 1935. O interesse dos pontífices pela astronomia surgiu com o Papa Gregório 13, que promoveu a reforma do calendário em 1582, dividindo o ano em 365 dias e 12 meses e introduzindo os anos bissextos.

(3) Disponível em http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL468362-5603,00-VATICANO+…, acessado em 18-01-10

(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. IV – Pluralidade das Existências / Item III – (Encarnação nos Diferentes Mundos)

(5) XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro, ditado pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1994, Cap. 1.

(6) As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), mostram o número de galáxias conhecidas de 50 milhões.

(7) Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a um quatrilhão de sóis.

(8) Allan Kardec, esposava a mesma idéia. Em 1858, escreveu em A Revista Espírita

(9) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, cap. I

(10) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 55

(11) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1994

(12) idem

(13) idem

(14) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, cap. III

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(Por Jane Maiolo e Jorge Hessen) 

O que é o mal?

Tu és mestre em Israel e não conheces essas coisas?…

Por Jane Maiolo

Jorge Hessen

Uma das maiores indagações humanas, desde que o mundo é mundo, é a questão da existência do mal.

O mal existe? Se existe, quem o criou?

Afinal, qual poderia ser a definição plausível para a questão do mal?

Seria o mal a ausência do bem, consoante conceituava filosoficamente o pensador Agostinho, teólogo de Hipona, no fim do século IV?  

Talvez pudéssemos estabelecer que o mal é a consequência natural dos nossos atos, na condição de incipientes do senso moral e, portanto, desconhecedores dos sentimentos superiores que carregamos no escrínio da consciência.

Os Espíritos asseguram que o mal nada mais é do que a ignorância do bem. E o grau de responsabilidade dos atos varia de acordo com o conhecimento. Assim, em si mesmo, o mal não existe. Será que o mal pode ser traduzido na forma de sofrimentos, misérias e agravos outros? O mal não é uma energia inerte ou força dinâmica que brota por si só, porém, é a reverberação natural da escolha equivocada do Espírito em sua marcha evolutiva quer corporificado ou incorpóreo.

A vida é bancada pela lógica das nossas livres escolhas, que podem ser acertadas ou não, portanto, o erro ou o “mal” têm naturalmente um protagonista, um nome, um sobrenome, um endereço psíquico. Mas não podemos esquecer de que somos perfectíveis e pelas leis divinas da liberdade, somos regidos pelo direito de errar com o dever de reparar o “mal” através do serviço no bem no limite das nossas forças.

Portanto, seria o sofrimento um mal?

A desventura física é o mal?

Quais prejuízos morais derivariam da reprodução do mal?

Se afirmarmos que o sofrimento é um mal em si, então é preciso desconsiderar as fases do desenvolvimento que passam os seres vivos, visto que as metamorfoses presentes no reino animal geram cargas de sofrimento físico. Agonia, aliás, sem o qual não se transformaria em outro ser, tal qual ocorre com a borboleta e o sapo. Da mesma forma ocorre com a cobra  e a águia que não se metamorfoseariam sem processos árduos e doloridos da natureza.

Obviamente tais sofrimentos estão na ordem natural das coisas, porém, há de se pensar e destacar o sofrimento moral humano que é uma escolha de cada um.

Notemos os panoramas de abandono, solidão, maus-tratos, lesões afetivas, abusos, agressões físicas e psicológicas, preconceitos, a tudo isso titulamos de mal, embora transitório, mas que não provém de Deus, porém, são expressões materializadas dos comportamentos da criatura humana no uso inconveniente do livre-arbítrio.

Nesse contexto, não podemos admitir que tais males sejam a argamassa para ajustar a cerâmica amorosa da vontade de Deus. O Criador é amor e nos Seus estatutos não há espaços para o mal. O Autor da Vida dota-nos de liberdade na consciência a fim de aprendermos com o chamado erro (mal), através do próprio esforço, para a conquista do bem com foco na eterna felicidade ou aquisição definitiva dos sentimentos superiores.

O mal se apresenta na consciência da gestante que consome crack. Se materializa naquele marido que agride a esposa. Na conduta desacertada que invade a dignidade do trabalhador que jaz furtando na empresa que o emprega. É a deslealdade entre amigos. É o flerte virtual com pessoas comprometidas afetivamente com outros corações.

Ampliar a compreensão da essência do que consagramos chamar de mal é questão de razão e coerência. Lembrando que Deus não é o algoz combatente do mal. A rigor, o mal não precisa ser combatido, todavia deve ser suplantado consciente e amorosamente.

Seriam a miséria, a desventura, a dor o enigma do mal? Ora, o entendimento sobre o infortúnio ser o mal modifica-se sobremaneira quando se abrange a pluralidade das existências, a imortalidade da alma e a Providência divina. Aliás, dimensões conceituais e filosóficas que o Espiritismo esclarece sem falazes rodeios. Sob esse enfoque, a miséria, as dores, as desilusões, a desdita não são traduções nem abstrações do mal, visto que estamos incursos em vastas experiências reencarnatórias, e muitas vezes nos desafios da adversidade muitos sofredores alcançam expandir os sentimentos superiores sob situações intensamente desafiadoras.

Conclui-se que: O sofrimento há em caráter transitório. A miséria não perdura para sempre. A dor é passageira. O homem que erra, esbarra circunstancialmente no mal que não é permanente. Deus é amor, logo é soberanamente bom e justo. Deus instituiu o livre-arbítrio para os todos os seres inteligentes. Deus acata as decisões, certas ou erradas, do homem, por isso jamais penitencia.

O mal somente se conserva pulsante, palpável, visível enquanto não se percebe a imortalidade e a transitoriedade da forma física na trajetória evolutiva do homem.

Por mais que o mal derive dos atos circunstanciais e equivocados do Espírito é absolutamente lógico errarmos e aprendermos com o erro, reparando o equívoco pela prática do bem, a ter bloqueada a consciência, perdendo a prerrogativa natural de agirmos livremente, errando e acertando, ante a lei divina da liberdade que jamais se desvincula da lei de responsabilidade.

A cada um segundo suas obras, disse Jesus. Por isso, a educação moral moldadas nas lições do Evangelho é, sem dúvida, um dos mais seguros caminhos para a conquista dos sentimentos sublimados.

Referência Bibliográfica

1- João 3, 10

Jane Maiolo

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Amor, alimento das almas

Publicado por Feeak Minas em Artigos Espíritas

AMOR, ALIMENTO DAS ALMAS

 Felipe Estabile Moraes [estabile@uol.com.br]

Muito refletimos sobre o que nos “alimenta”. Sobre o que nos proporciona bem-estar, sustentação.   

Esta oportunidade nos foi ofertada pela União Espírita Mineira ao sermos convidados para apresentar este tema na Feira do Livro Espírita, em outubro de 2018.

Recorremos, inicialmente, à comparação feita por Jesus entre a mesa que recebe o alimento material e também o alimento espiritual.  É o conhecido Capítulo “O Culto Cristão no Lar, do livro “Jesus no Lar”, de Neio Lúcio, quando Jesus afirma:

“O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum.  Se o negociante seleciona a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco sem afeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranquila sem que o lar se aperfeiçoe?  A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações?  Se nos não habituamos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?

Jesus relanceou o olhar pela sala modesta, fez pequeno intervalo e continuou:

— Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procuram a assistência fraterna, uma claridade nova. A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebes do Senhor o alimento para cada dia. Porque não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento? O Pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, envia-nos a luz através do Céu. Se a claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas, sim, no singelo domicílio dos pastores e dos animais.”

Reflexão importante. Necessitamos do sustento, por meio da alimentação. No plano físico, o alimento material, o pão, que dará a necessária sustentação ao corpo físico. Espiritualmente necessitamos do sustento, para a alma. E o Mestre faz o convite a Pedro, e também a todos nós, da sementeira do Amor, da Caridade.

Retomamos a conhecida pergunta de “O Livro dos Espíritos”, relativa à Caridade:

  1. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

Allan Kardec, em seu comentário, nos auxilia no entendimento:

“O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos.”

Desta forma procuramos entender melhor o significado do amor ao próximo, da fraternidade, que procuramos sentir em nossos corações.

No Livro “Nosso Lar”, de André Luiz, temos um capítulo com o título “Amor, Alimento das Almas”. Em forma de diálogos, envolvido em ambiente de fraternal entendimento, vamos aprendendo um pouco mais sobre este interessante tema. Interessante, é que conversação se dá no lar de Dona Laura, a nos convidar para aproveitarmos este ambiente para nossa edificação espiritual, na forma do convite de Jesus a Pedro.

Inicialmente, a conversa se dá em torno da necessidade de alimentação no plano espiritual. A senhora Laura comenta:

— Afinal, nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. Há residências, em “Nosso Lar” que as dispensam quase por completo; mas, nas zonas do Ministério do Auxílio, não podemos prescindir dos concentrados fluídicos, tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. Despendemos grande quantidade de energias. É necessário renovar provisões de força.

Uma jovem que participa da conversação, complementa:

“Todos os Ministérios, inclusive o da União Divina, não os dispensam, diferindo apenas a feição substancial. Na Comunicação e no Esclarecimento há enorme dispêndio de frutos. Na Elevação o consumo de sucos e concentrados não é reduzido, e, na União Divina, os fenômenos de alimentação atingem o inimaginável.”

A mãe de Lísias amplia o tema, incluindo o Amor como base de toda alimentação:

“— Nosso irmão talvez ainda ignore que o maior sustentáculo das criaturas é justamente o amor. De quando em quando, recebemos em “Nosso Lar” grandes comissões de instrutores, que ministram ensinamentos relativos à nutrição espiritual. Todo sistema de alimentação, nas variadas esferas da vida, tem no amor a base profunda. O alimento físico, mesmo aqui, propriamente considerado, é simples problema de materialidade transitória, como no caso dos veículos terrestres, necessitados de colaboração da graxa e do óleo. A alma, em si, apenas se nutre de amor. Quanto mais nos elevarmos no plano evolutivo da Criação, mais extensamente conheceremos essa verdade. Não lhe parece que o amor divino seja o cibo  do Universo?”

Lísias, complementa:

“— Tudo se equilibra no amor infinito de Deus, e, quanto mais evolvido o ser criado, mais sutil o processo de alimentação. O verme, no subsolo do planeta, nutre-se essencialmente de terra. O grande animal colhe na planta os elementos de manutenção, a exemplo da criança sugando o seio materno. O homem colhe o fruto do vegetal, transforma-o segundo a exigência do paladar que lhe é próprio, e serve-se dele à mesa do lar. Nós outros, criaturas desencarnadas, necessitamos de substâncias suculentas, tendentes à condição fluídica, e o processo será cada vez mais delicado, à medida que se intensifique a ascensão individual.”

O Amai-vos uns aos outros passa, então, a ser melhor interpretada, pela expressão da senhora Laura:

“(…)Jesus não preceituou esses princípios objetivando tão somente os casos de caridade, nos quais todos aprenderemos, mais dia menos dia, que a prática do bem constitui simples dever. Aconselhava-nos, igualmente, a nos alimentarmos uns aos outros, no campo da fraternidade e da simpatia. O homem encarnado saberá, mais tarde, que a conversação amiga, o gesto afetuoso, a bondade recíproca, a confiança mútua, a luz da compreensão, o interesse fraternal — patrimônios que se derivam naturalmente do amor profundo — constituem sólidos alimentos para a vida em si. Reencarnados na Terra, experimentamos grandes limitações; voltando para cá, entretanto, reconhecemos que toda a estabilidade da alegria é problema de alimentação puramente espiritual. Formam-se lares, vilas, cidades e nações em obediência a imperativos tais.

Vamos refletindo e aprendendo, desde já, o bem que nos faz uma boa conversação, a confiança entre amigos e irmãos. Já conseguimos sentir como isto é importante para nós, para a nossa vida. Como nos sentimos realmente alimentados, sustentados quando temos essas oportunidades de trocas singelas e sinceras de afeto, entre Espíritos imortais.

Vamos entendendo que o alimento material tem origem no Amor Divino e nele estamos envolvidos. Em nossa jornada evolutiva, rumo à perfectibilidade, vamos encontrando Espíritos que amamos e que nos amam. Em contato com esses irmãos, vamos nos alimentando espiritualmente, colocando em prática a verdadeira Caridade, conforme entendia Jesus. A reciprocidade no Bem se torna, então, algo importante para nós;

Na sequência da conversa em Nosso Lar, alguns participantes da agradável conversação vão se dirigir a uma excursão ao Campo da Música.  A senhora Laura, então, comenta:

“Vão em busca do alimento a que nos referíamos. Os laços afetivos, aqui, são mais belos e mais fortes.”

E termina, com uma frase que nos leva a profunda reflexão:

“O amor, meu amigo, é o pão divino das almas, o pábulo(*) sublime dos corações.”

* Pábulo. Dic.virtual: substantivo masculino. Aquilo que mantém, que sustenta; alimento, sustento.

Rede Amigo Espírita

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O pecado e castigo

Adão e Eva, “pecado”, “castigo”, “culpa” e o livre arbítrio

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

É ingênuo crermos no “pecado”, qualificado dogmaticamente como uma ofensa contra Deus, que por sua vez revida mediante o tal “castigo” que inflige ao “pecador”. Ora, vejamos que Deus não se ofende com os equívocos das suas criaturas em processo de evolução. Em face disso o tal “castigo” não é e nem pode ser uma espécie de vingança ou uma atividade pessoal do Criador (antropomórfico) para penitenciar o “pecador”.

Deus não pune; Deus AMA! Sobre isso, Jesus inovou o pensamento teológico ao apresentar Deus como um pai bondoso e justo, em substituição à divindade colérica, vingativa e caprichosa dos povos ancestrais. Na verdade, o indigesto dogma do “pecado” foi criado pela senil e heterônoma teologia humana. Advém dos espetáculos mitológicos protagonizados por Adão e Eva, que supostamente teriam desobedecido uma ordem divina e atraíram para si e para toda humanidade uma maldição que implicaria em toda sorte de males, dores, erros, crimes e tudo quanto fosse ruim.

Daí a pueril crença do “pecado original” na Terra, com a represália divina entre os homens através das doenças, da morte e todo tipo de contradição. Vagando por essas crendices, afirma-se que já nascemos “culpados”, que somos “pecadores”, que temos o DNA da transgressão, tudo isso por causa do escandaloso casal adâmico da velha mitologia. Garantem os arautos de tais imposições dogmáticas que se há injustiça no mundo, se crianças nascem defeituosas, se existe guerra, fome, tragédias e muita malignidade, tudo é culpa do “pecado original’; portanto, tudo procedente dos lendários Adão e Eva.

Perante a Lei de justiça divina, o adepto do Espiritismo recusa a ideia de transferência de responsabilidade dos atos errados dos outros, pois cada um é responsável por si naquilo que deliberar empreender. Pela lei da reencarnação, todos trazemos ao renascer as matrizes das imperfeições que mantemos. Deste modo, transportamos os germens dos defeitos que não superamos que se traduzem pelos instintos naturais e tendências para tal ou qual ação. É esse o sentido racional para o tal “pecado original”, ou seja, escolhemos sempre as experiências provacionais a fim de superá-las.

Quando nos desviamos do amor escolhendo arrastar-nos pelas paixões, entramos em rota de colisão com as Leis Divinas (inscritas na consciência) e criamos para nós o psiquismo desarmônico, mantendo as deficiências do senso moral. Ao desencarnarmos arrastamos para o mundo espiritual todas as imperfeições e ao renascermos trazemos as desarmonias conscienciais como tendências naturais.

O anseio íntimo pela liberdade consciencial rejeita o dogma do “pecado original” e da vassalagem cega a Deus. Reencarnamos muitas vezes na Terra ou em outros orbes realizando nosso aperfeiçoamento moral. Recordemos que no princípio de nossa evolução humana éramos “simples e ignorantes” (sem qualquer “pecado original”) e pela evolução chegaremos à perfeição moral. Portanto, penetramos na humanidade sob o manto de purezas e simplicidades; dessa forma nos tornamos gradualmente senhores e únicos depositários da consciência, cuja lesão ou bem-estar não dependem definitivamente senão de nossa vontade e das disposições do nosso livre-arbítrio.

O comportamento livremente deliberado acarreta consequências naturais. Se transgredimos as leis divinas da consciência atraímos consequências naturais e desagradáveis na medida da imperfeição moral que mantemos. Por isso, jamais devemos nos entender injustiçados ou apenados nas ocorrências da vida. E nem perseguidos, e muito menos punidos.

A “cada existência temos os meios de nos redimir pela reparação e de progredirmos, quer despojando-nos de alguma imperfeição, quer adquirindo novos conhecimentos, e assim, até que suficientemente aperfeiçoados, não necessitemos mais da vida corporal e possamos viver exclusivamente a vida espiritual, eterna e bem-aventurada. ” [1]

Somos reflexos das nossas livres escolhas, porém inevitavelmente somos por Deus amorosa e sabiamente conduzidos rumo à suprema felicidade, sempre na conformidade dos caminhos que sem coação elegemos através do uso cabal do livre-arbítrio.

 Referência bibliográfica:                                                                                     

[1] KARDEC, Allan. A Gênese, 26ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984. Cap. I item 38

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Considerações Sobre a Cura

Tudo quanto nasce, morre. É uma fatalidade inderrogável.

A vida, para viver, exige energia, e todo o processo vital, à medida que desempenha o mister, gasta-se, consome-se.

Todos os seres vivos, em consequência, nascem, vivem, enfermam, envelhecem e morrem.

Nesse panorama que se manifesta nos seres sencientes, tem lugar a dicotomia saúde/doença.

Nas criaturas humanas, esse fenômeno transcende o impositivo fundamental, dependendo do ser, em si mesmo, muito mais do que da fatalidade biológica.

O Espírito é sempre o responsável por todas as manifestações que surgem na organização molecular. É ele que modela o corpo de que se utilizará durante o périplo carnal, nele imprimindo as suas necessidades morais de acordo com o programa da evolução. É, desse modo, o agente responsável pelo equilíbrio ou destrambelho celular. A ocorrência tanto pode acontecer por ocasião das manifestações patológicas congênitas, como também sem qualquer influência da hereditariedade. Em muitas ocasiões, por impositivo da Lei de Afinidade, o Espírito é atraído para os futuros genitores, junto aos quais tem compromissos que lhe oferecem os genes propiciatórios à instalação das formas degenerativas ou não, de que se revestirá para os resgates que lhe são necessários.

A presença, portanto, dos fenômenos graves, de disfunções teratológicas, decorre dos títulos infelizes referentes aos comportamentos desastrosos em existências transatas.

Concomitantemente, em razão dos males praticados, vincula-se às vítimas que ficaram maceradas na retaguarda e não tiveram resistências morais para perdoar o que lhe sofreram, sendo atraídas pelo impositivo da identidade fluídica e vibratória, dando lugar aos transtornos obsessivos, às vezes, antes do berço…

Confundem-se, inevitavelmente, os gravames, dando lugar aos processos lamentáveis das doenças de variada etiologia, ampliadas pelas influências espirituais daqueles infelizes ora transformados em algozes inclementes.

Desde priscas eras, os seres humanos, inspirados pelos Espíritos nobres, compreenderam essa intercorrência, dando origem ao xamanismo, às pajelanças, por cujo conhecimento da vida espiritual elaboraram alguns processos de cura das enfermidades derivadas do convívio com os desencarnados em sofrimento.

Variando de denominação, os mortos influenciavam os seres humanos, sendo afastados, quando tal acontecia, através de métodos compatíveis com o seu estado de lucidez ou de ignorância.

Surgiram, então, os cerimoniais, os exorcismos, as técnicas variadas que o Espiritismo aprimorou nos memoráveis diálogos com os desencarnados nas reuniões mediúnicas especializadas, através de sensitivos adestrados e devotados à prática do bem.

Jesus, por conhecer a causalidade das ocorrências, usava a Sua autoridade moral para aplicação da terapêutica do amor, libertando os enfermos não somente das influências maléficas, como também das deformidades e degenerescências orgânicas.

Os extraordinários casos de pacientes cegos, surdos e mudos, da atormentada hemorroíssa, do portador de mão mirrada demonstram o Seu poder de agir nos tecidos sutis do períspirito, precipitando o movimento das moléculas que restauravam os órgãos, Nada obstante, sempre advertia aos recém-curados que preservassem a saúde moral, a fim de não insculpirem no organismo danos mais graves em decorrência da conduta insana.

A enfermidade, no entanto, não é um castigo ou punição divina de que o seu padecente se deve libertar de imediato. Possui uma função mais significativa, que é trabalhar os valores morais, aprimorá-los, enquanto desenvolve resistências íntimas para os futuros embates evolutivos…

Na atualidade, graças às conquistas da ciência e da tecnologia médica, aos saneamentos básicos, às contribuições da alimentação correta e aos programas de exercícios equilibrados, várias enfermidades dizimadoras têm recebido consideração adequada, algumas das quais já foram eliminadas, enquanto a vida física tornou-se mais longa e melhor… Entretanto, porque não tem havido correspondente desenvolvimento moral, equilíbrio ético nos relacionamentos e serviços de dignificação, proliferando os vícios dourados, a frivolidade e os desvios para os crimes, alguns hediondos, as mentes em desvario têm criado outras graves e dolorosas enfermidades que cobram elevados preços à insensatez e à irresponsabilidade.

Pululam os transtornos emocionais, os de natureza psíquica, assim como os tormentosos fenômenos cardiovasculares, neoplásicos, gástricos, ao lado dos males degenerativos e infecções que atingem cifras alarmantes.

O Espiritismo chegou à Terra para iluminar as consciências e consolar as emoções em desespero, sustentando os fracos e fortalecendo-os para oferecer conforto aos desesperados pela ausência física dos afetos que a morte lhes arrebatou do convívio, para curar os corpos e proporcionar bem-estar para um bem viver aprazível.

A fim de ser conseguido o mister, a Revelação Espírita objetiva, essencialmente, o trabalho de renovação moral para melhor de cada qual, de construção edificante, assim como o amealhar de valores edificantes.

A cura das enfermidades, antes de ter prioridade no conceito espírita, é menos relevante, porque possui um caráter secundário ante o impositivo precípuo do paciente, o Espírito, do qual procedem as ondas vibratórias contínuas que lhe proporcionam o equilíbrio ou o desconserto celular.

Comprova-se em outras áreas, na ciência médica, que o pensamento é portador de força ainda não totalmente mensurada.

A sua intensidade sobre a organização física, emocional e psíquica responde pelas ocorrências na área da saúde.

Cada um vive, portanto, sem dar-se conta no continente mental e experiencia na forma física tudo quanto cultiva no pensamento.

Contribuir-se espiritualmente para que as pessoas despertem para a sua realidade é dever que se impõe a todo discípulo do Evangelho restaurado, que advoga a Lei de Causa e Efeito como responsável por todos os acontecimentos humanos.

Prometer-se curas mediante as técnicas fluidoterápicas é maneira ineficaz para a boa propaganda da Revelação dos Imortais.

O paciente recuperado que se não modifica interiormente volta à ribalta do sofrimento em decorrência da irresponsabilidade. Demais, nem todo doente se recuperará, em razão da necessidade evolutiva no estágio de resgate em que se encontra, vivenciando expiação redentora.

É compreensível a busca e a oferta de milagres na área da saúde. No entanto, a atitude correta é sempre a da cura interior, da instalação da saúde espiritual, que sempre proporciona paz e alegria, mesmo quando sob a injunção do sofrimento.

A biomédica, por sua vez, recomenda que a saúde integral é preservada quando os indivíduos mantêm condutas saudáveis, tanto do ponto de vista físico como emocional, cultivando pensamentos elevados que proporcionam clima de alegria e de paz.

O cultivar de tormentos de qualquer natureza, desde a moderna e vulgar área do erotismo, assim como da drogadição em fuga da realidade, a manutenção das paixões dissolventes, a cultura do ressentimento e do ódio, da competição desleal para a conquista das migalhas financeiras e dos destaques ilusórios na sociedade, evidentemente criam transtornos nas neurocomunicações, com a consequente presença de tóxicos mentais que desorganizam o raciocínio e contribuem para alguns distúrbios emocionais e também orgânicos.

A somatização de problemas responde pela presença de diversas enfermidades geradas pelo comportamento do paciente, dando lugar aos distúrbios gástricos, respiratórios, cardíacos e psicológicos.

A saúde mental é essencial para a conquista das outras expressões de bem-estar.

Conscientizar o indivíduo em torno dos seus compromissos para com a existência e a grave responsabilidade pela atual reencarnação deve ser o comportamento de todo aquele que deseja exercer a mediunidade curadora, auxiliando na causa de todos os fenômenos, ao tempo em que poderá fomentar a contribuição fluídica, a fim de atenuar ou liberar o sofrimento daqueles que buscam a paz.

Mantendo, porém, o esclarecimento de que a cura de um órgão não significa saúde real, porque o problema moral não resolvido ressurgirá em outro aspecto, em forma de nova doença.

Conversações de significado nobre, convivência fraternal, labor em favor do próximo, esforço pessoal para o cultivo do bem-estar, hábito da oração que eleva o ser a dimensões superiores da Vida, constituem a terapêutica preventiva para todos os males, ao mesmo tempo curativa, quando estão instalados os problemas na área da saúde.

Caberia repetir o provérbio latino elaborado pelo poeta romano Juvenal: Mente sã em corpo saudável.

Portanto, o compromisso do Espiritismo, embora a sua valiosa contribuição nos problemas da saúde humana, é com a modificação moral de cada ser, a aquisição do equilíbrio interior que se manifestará em forma de harmonia.

Além do mais, ter-se sempre em vista que uma existência, mesmo saudável, por mais longa que seja, alcança o final, consumida pela fatalidade da morte ou desencarnação.

Estar-se preparado para o Mais-além é a proposta sublime da Revelação dos Imortais.

Manoel Philomeno de Miranda, Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica de 26 de fevereiro de 2014, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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