A razão de ser do Espiritismo

Quando o obscurantismo da fé dominava as mentes, levando-as ao fanatismo desestruturador da dignidade e do comportamento; quando a cultura, enlouquecida pelas suas conquistas no campo da ciência de laboratório, proclamava a desnecessidade de qualquer preocupação com Deus e com a alma, face à fragilidade com que se apresentavam no proscênio do mundo; quando a filosofia divagava pelas múltiplas escolas do pensamento, cada qual mais arrebatadora e irresponsável, inculcando-se como portadora da verdade que liberta o ser humano de todos os atavismos e limitações; quando a arte rompia as ligações com o clássico, o romântico e a beleza convencional, para expressar-se em formulações modernistas, impressionistas, abstracionistas, traduzindo, ora a angústia da sua geração remanescente dos atavismos e limitações do passado, ora a ansiedade por diferentes paradigmas de afirmação da realidade; quando se tornavam necessários diversos comportamentos sociais e políticos para amenizar a desgraça moral e econômica que avassalava a Humanidade; quando a religião perdia o controle sobre as consciências e tentava rearticular-se para prosseguir com os métodos medievais ultramontanos e insuportáveis; quando as luzes e as sombras se alternavam na civilização, surgiu o Espiritismo com a sua razão de ser para promover o homem e a mulher, a vida e a imortalidade, o amor e o bem a níveis dantes jamais alcançados.

Realizando uma revolução silenciosa como poucas jamais ocorridas na História, tornou-se poderosa alavanca para o soerguimento do ser humano, retirando-o do caos do materialismo a que se arrojara ou fora atirado sem a menor consideração, para que adquirisse a dignidade ética e cultural, fundamentada na identificação dos valores morais, indispensável para a identificação dos objetivos essenciais e insuperáveis da paz interna e da consciência de si mesmo durante o trânsito corporal.

Logo depois, no Collège de France, proclamando ser Jesus um homem incomparável, no seu memorável discurso, o acadêmico e imortal Ernesto Renan confirmava, a seu turno, embora sem qualquer contato com a Doutrina nascente, a humanidade do Rabi galileu, rompendo a tradição dogmática do Homem Deus ou do ancestral Deus feito homem.

Sob a ação do escopro inexorável das informações de além-túmulo, o decantado repouso ou punição eterna, o arbitrário julgamento mais punitivo que justiceiro, cediam lugar à consciência da vida exuberante que prossegue morte afora impondo a cada qual a responsabilidade pela conduta mantida durante a trajetória encerrada.

As narrações da sobrevivência tocadas pela legitimidade dos fatos fundamentadas na lógica da indestrutibilidade do ser espiritual, davam colorido diferente às paisagens da Eternidade, diluindo as fantasias e mitos que as adornaram por diversos milênios.

Permitiu que o ser humano se redescobrisse como Espírito imortal que é, preexistente ao berço e sobrevivente ao túmulo, facultando-lhe compreender a finalidade existencial, que é imergir no oceano do inconsciente, onde dormem os atos pretéritos e as construções que projetam diretrizes para o momento e o futuro, a fim de diluir as volumosas barreiras de sombra e de crueldade a que se entregou e que lhe obnubila a compreensão da sua realidade, emergindo em triunfo, para que lobrigue a imarcescível luz da verdade que o há de conduzir pelos infinitos roteiros do porvir.

Intoxicado pelos vapores da organização fisiológica, mergulhado em sombras que lhe impedem o discernimento, vagando pelos dédalos intérminos da busca da realidade, somente ao preço da fé raciocinada e lógica, portadora dos instrumentos que se derivam dos fatos constatados, o homem e a mulher podem avançar com destemor pelas trilhas dos sofrimentos inevitáveis, que são inerentes à sua condição de humanidade, vislumbrando níveis mais nobres que devem ser conquistados.

O Espiritismo traçou novos programas para a compreensão da vida e a mais eficaz maneira de enfrentá-la, desafiando o materialismo no seu reduto e os materialistas no seu cepticismo, oferecendo-lhes mais seguras propostas de comportamento para a felicidade ante as vicissitudes do processo existencial.

Não se compadecendo da presunção dos vazios de sentimento e soberbos de conhecimentos em ebulição de idéias, demonstrou a sua força arrastando desesperados que foram confortados, violentos que se acalmaram, alucinados que recuperaram a razão, delinquentes que volveram ao culto do dever, perversos que se transformaram, ateus que fizeram as pazes com Deus, ingratos que se reabilitaram perante os seus benfeitores, miseráveis morais que se enriqueceram de esperança e de alegria de viver, construindo juntos o mundo de bem-estar por todos anelado.

O Espiritismo trouxe a perfeita mensagem da justiça divina, por enquanto mal traduzida pela consciência humana, contribuindo para a transformação da sociedade, mas sem a revolução sangrenta das paixões em predomínio, que sempre impõe uma classe poderosa sobre as outras que são debilitadas à medida que vão sendo extorquidos os seus parcos recursos até a exaustão das suas forças, quando novas revoluções do mesmo gênero explodem, produzindo desgraça e ódios que nunca terminam…

Trabalhando a transformação moral do indivíduo, propõe-lhe o comportamento solidário e fraternal, a aplicação da justiça corretiva e reeducativa quando delinqui, conscientizando-o de que as suas ações serão também os seus juízes e que não fugirá de si mesmo onde quer que vá.

Todo esse contributo moral foi retirado do Evangelho de Jesus, especialmente do Seu Sermão da montanha, no qual reformulou os valores humanos até então aceitos, demonstrando que forte não é o vencedor de fora, mas aquele que se vence a si mesmo, e poderoso, no seu sentido profundo, não é aquele que mata corpos, mas não é capaz de evitar a própria morte.

Revolucionando o pensamento ético e abrindo espaço para novo comportamento filosófico, a Sua palavra vibrante e a Sua vivência inigualável, colocaram as pedras básicas para o Espiritismo no futuro alicerçar, conforme ocorreu, os seus postulados morais através da ética do amor sob qualquer ponto de vista considerado.

Nos acampamentos de lutas que se estabeleciam no Século XIX, quando a ciência e a razão enfrentavam a fé cega e a prepotência das Academias e dos seus membros fascinados como Narciso por si mesmo, o Espiritismo surgiu como débil claridade na noite das ambições perturbadoras e lentamente se afirmou como amanhecer de um novo dia para a Humanidade já cansada de aberrações de conduta como fugas da realidade e sonhos de poder transitório, transformados em pesadelos de guerras infames, cujas sequelas ainda se demoram trucidando vidas e dilacerando sentimentos.

A razão de ser do Espiritismo encontra-se na sua estrutura doutrinária, diversificada nos seus aspectos de investigação científica ao lado das demais correntes da ciência, do comportamento filosófico com a sua escola otimista e realista para o enfrentamento do ser consigo mesmo e da vivência ético-moral-religiosa que se estrutura em Deus, na imortalidade, na justiça divina, na oração, na ação do bem e sobretudo do amor, única psicoterapia preventiva-curativa à disposição da Humanidade atual e do futuro.

Autor: Espírito Victor Hugo Médium: Divaldo Pereira Franco Página psicografada no dia 7 de junho de 2001, em Paris, França.

 Rede Amigo Espírita

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OS ENSINAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA

Perante a Codificação de Alan Kardec

1. A Codificação Kardequiana orienta o homem para o “construir-se”, de dentro para fora. Com semelhante afirmativa numerosas legendas repontam do plano individual, ampliando os distritos do mundo interior para a reestruturação da personalidade, ante o continuísmo da vida.

2. A morte ser-me-á simplesmente estreito corredor para o outro lado da vida.

3. Atravesso atualmente caminhos determinados pela lei da causa e efeito; contudo, já sei que desfruto o privilégio de renovar o próprio destino pelo uso sensato da liberdade de escolha;

4. Desilusões de provas me assaltam comumente a senda diária; no entanto, reconheço que preciso aceitá-las por lições valiosas, necessárias, aliás, à minha própria formação espiritual, na academia da experiência;

5. Edificação íntima, em cujo levantamento a criatura pode concluir de maneira instintiva: Deus é nosso Pai, mas a certeza disso não me exonera da responsabilidade de burilar-me, trabalhar e viver;

6. Moro presentemente na Terra, com a obrigação de compartilhar-lhe o progresso; entretanto, na essência, sou um espírito eterno, evoluindo na direção da Imortalidade;

7. O mundo por vezes passa por transições inesperadas e rudes, todavia, tenho a paz imutável, no âmago do ser;

8. O tempo é a minha herança incorruptível;

9. Possuo a família do coração; todavia, em todos os seres da estrada, encontro irmãos verdadeiros, componentes da família maior a que todos pertencemos — a Humanidade;

10. Revela-nos Jesus que o Reino de Deus está dentro de nós, e Allan Kardec complementa-lhe a obra ensinando-nos a desentranhá-lo, através de ação e discernimento, serviço e amor, a fim de que o homem sublimado consiga sublimar a Terra para que a Terra, por fora e por dentro, se incorpore, em espírito e verdade, ao Reino dos Céus.

11. Sofro desafios e obstáculos, nas vias planetárias, porém guardo a certeza de que a alegria imperecível é a meta que me cabe atingir;

12. Travo duras batalhas no campo externo, mas compreendo que a maior de todas elas é a que sustento, dia por dia, no campo íntimo, procurando a vitória sobre mim mesmo;

Emmanuel

Doutrina de Luz — Emmanuel

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O túmulo [de Jesus] permanece aberto e vazio

Postado por os pae – Exibir blog

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

As pessoas têm sentido inquietação e temor perante a expectativa da desencarnação. Há aqueles que sofrem de tanatofobia (receio mórbido da morte). Psicólogos têm examinado os efeitos mentais e sociais causados por pensar na morte. Muitas pessoas associam a desencarnação a sentimentos como tristeza, dor e saudade. Raros fazem associação a sentimentos como aceitação e libertação. Falar sobre a morte ainda é visto como algo depressivo e mórbido. Muitos têm ressalvas de como e com quem falar sobre o tema. Normalmente os amigos e parentes próximos são pessoas mais procuradas para conversar sobre isso.

E esse receio tem sido alimentado por uma mistura de falsos conceitos religiosos, senso comum e crenças pessoais arraigadas. As religiões humanas são especialmente responsáveis por gerar uma série de fobias e mitos a respeito da inevitável viagem ao túmulo.  

O problema do medo da morte é que tal fobia pode impedir que tenham liberdade e prazer de viver. Daí o conforto que a Doutrina Espírita apresenta, ao instruir sobre a vida do espírito aqui e no além.   A morte apenas dilata as concepções e aclara a introspecção, iluminando o senso moral, sem resolver, obviamente, de maneira absoluta, os problemas que o Universo propõe a cada passo, com os seus espetáculos de grandeza.

A maior surpresa da morte física é a de colocar o homem face a face com própria consciência, onde edifica o céu, estaciona no purgatório ou precipita-os no abismo infernal. Nesse sentido, a ninguém devem o destino senão a si próprios.

Por outro lado, os que vivem com mais dedicação às coisas do Espírito, esses encontram maiores elementos de paz e felicidade no futuro. Todos os que alcançaram aproveitar a encarnação sem viciações e apegos, os que cumpriram a lei de amor, adquirem laços magnéticos menos densos aprisionando o Espírito ao corpo.  

Permitamos que o pensamento sobre a “morte” componha de forma ininterrupta e serena nossos estados mentais, reflexão sem a qual estaremos desaparelhados, ou para o regresso inevitável ou despreparados para enfrentarmos com serenidade a “morte” dos nossos entes queridos.

A revelação Espírita demonstra que “morte” física não é o aniquilamento das aspirações e anseios no bem, porém o ingresso para a existência autêntica, para a vida real. Sim! A existência física é ilusória, fugaz, transitória demais. A separação do corpo pela “morte” não é uma anomalia da natureza. Simplesmente transfere-se da dimensão física, para o ambiente espiritual.

Sobre isso, Allan Kardec nos remete a Jesus, e com o Cristo certificamos que o fenômeno da “morte” é totalmente diferente. No túmulo de Jesus não há sinal de cinzas humanas, nem pedrarias, nem mármores luxuosos com frases que indiquem ali a presença de alguém. Quando os apóstolos visitaram o sepulcro, na gloriosa manhã da “ressurreição”, não havia aí nem luto nem tristeza. Lá encontraram um mensageiro do reino espiritual que lhes afirmou: “não está aqui”.

Os séculos se dissiparam e o túmulo [de Jesus] permanece aberto e vazio, há mais de dois mil anos. Seguindo, pois, com o Cristo, através da luta de cada dia, jamais localizaremos a amargura do luto por ensejo da “morte” de pessoa amada, e sim a vida em plenitude.

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Anticristo – Senhor do Mundo: Obra raríssima e histórica

Postado por Antonio Cesar Perri de Carvalho

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 Anticristo – Senhor do Mundo: Obra raríssima e histórica

No dia de Kardec (3/10/2018), foi lançada uma obra raríssima – em edição digital -, de autoria do ex-presidente da Federação Espírita Brasileira Leopoldo Cirne (gestão 1900-1914), que sucedeu Bezerra de Menezes, grande divulgador das obras de Kardec.

Em mais um esforço para oferecer aos estudiosos do Espiritismo subsídios para o conhecimento histórico e fundamentação doutrinária acerca da Terceira Revelação, a equipe “Luz Espírita” em parceria com o site “Autores Espíritas Clássicos” finalizou a edição de uma importante obra literária e agora a disponibiliza para todos em edição digital. Trata-se do livro Anticristo – Senhor do Mundo, da autoria do memorável Leopoldo Cirne. O objetivo da obra, definido pelo autor é claro: “[…] apreciando a ação perturbadora do Anticristo na existência da igreja – alvo do seu inveterado rancor – do mesmo que em todas as manifestações da vida humana, em que essa interferência transparece, colher ensinamentos e advertências para salvaguarda dos que, nesta época de transformações e num radioso futuro que se avizinha, desejem sinceramente seguir a Jesus e necessitam estar apercebidos contra as insidiosas manobras dos que com propriedade são denominados inimigos da luz. […] O presente estudo é assim uma contribuição exclusivamente pessoal, fundada na observação e análise dos fatos à luz dos conhecimentos adquiridos na doutrina espírita, que temos a felicidade de professar há quarenta anos”. Leopoldo Cirne esclarece que entende por “Anticristo” uma força, também chamada de “príncipe deste mundo”, “poder das trevas”, que age “em oposição, deliberada e sistematicamente, ao plano evolutivo traçado por Deus à humanidade”.

Em “Anticristo. Senhor do Mundo”, o autor trata da trajetória do Cristianismo e do Espiritismo, focalizando progressos e enganos.

No desenvolvimento do tema, na parte sobre Espiritismo, surgem informações e depoimentos históricos. Leopoldo Cirne renovou os Estatutos da FEB no ano de 1902, instituindo o estudo das obras completas de Allan Kardec como básicas para a instituição, retirando a referência ao estudo de obras de J.B. Roustaing e eliminando os poderes discricionários que haviam sido concedidos a Bezerra de Menezes, pois este assumiu a FEB em momento de profunda crise. Em 1904 promoveu o I Congresso Espírita – o primeiro grande evento espírita do Brasil -, evocativo do Centenário do nascimento de Kardec, com a participação de mais de duas mil pessoas. Na oportunidade foi aprovada sua proposta “Bases de Organização Espírita”, definindo que a FEB filiaria diretamente centros espíritas e orientaria o trabalho de união dos espíritas, estimulando a fundação de Federações Estaduais. Até então somente existiam duas Entidades Federativas Estaduais. Dedicou-se para implantar a “Escola de Médiuns” e iniciou a promoção do Esperanto na FEB e junto ao movimento espírita (1909). Em sua gestão foi construída e inaugurada a sede própria da FEB, em dezembro de 1911. Atualmente é a chamada Sede Histórica da FEB, sita à av. Passos, 30, no Rio de Janeiro.

Em virtude de resistências dentro da FEB, que não concordavam com algumas inovações e propostas implantadas por Cirne, principalmente do setor de “Assistência aos Necessitados” e também um certo descontentamento dos seguidores da obra Roustaing, o presidente Leopoldo Cirne perdeu a eleição para a presidência em 1914. Analisa este cenário e as dificuldades estatutárias, organizacionais e doutrinárias da FEB. Retira-se completa e definitivamente da instituição, mantendo-se em atividades espíritas como escritor e expositor. Cirne desencarnou com 71 anos de idade no Rio de Janeiro em 1941.

Nos últimos capítulos do livro, Cirne faz uma significativa análise da obra de Allan Kardec, diferenciando-a de interferência ou confusões com outras obras como de Roustaing, da Teosofia e do Esoterismo.

Esta obra lançada em 1935, esgotada há décadas e raríssima, contém subsídios para estudos e muitas reflexões para o cenário do movimento espírita.

O Prefácio da edição digital é de autoria de Antonio Cesar Perri de Carvalho, ex-presidente da FEB.

Rede Amigo Espírita
Mais informações – link:
https://espiritismoemmovimento.blogspot.com/2018/10/sala-de-leitura…;
Para download gratuito – link:
http://luzespirita.org.br/leitura/pdf/L163.pdf

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AS IDEOLOGIAS MATERIALISTAS NÃO SE AJUSTAM AS MENSAGENS DOS ESPÍRITOS

JORGE HESSEN

jorgehessen@gmail.com

Deus não concede privilégios a ninguém, e, se há sofredores e felizes é por força do mau ou bom uso do livre arbítrio do Espírito. Por força da liberdade de escolha, cada pessoa decide qual o caminho a seguir. Não é com regozijo que coexistimos com o infausto vulto do “mendicante social”.

Quem é tal figura?

Ressalvando-se as exceções, não ignoramos que há pessoa insensível, usurpadora, que abomina trabalhar, não produz nada para a sociedade e (sobre)vive vampirizando os recursos dos programas sociais do estado. Apresenta-se como uma coitadinha, “abandonada social”, e exige impetuosamente muitos direitos para si, despreocupada com os próprios deveres.

Existe pessoa que fala de si como uma infeliz desfavorecida, mas não cumpre suas obrigações, ou se as cumpre, entende que está sendo explorada. Não gosta de estudos, detesta leituras (quando alfabetizada). Quase sempre por ter ojeriza à sala de aula e professores, esquivou-se da escola, mas responsabiliza a sociedade e o “(des)governo” por sua condição de iletrada e pobre.

Não esqueçamos que Deus proporciona a todos os seres idênticas e incessantes oportunidades de crescimento. Coloca em estado latente o mesmo poder, a mesma sabedoria e os mesmos estímulos evolutivos para todos, no longo e difícil trajeto para a perfeição.

Nessa linha de raciocínio, o que pensar do cidadão que execra e exorciza tudo o que exige raciocínio? Aquele que vive na sua trapeira sem quaisquer bens, exceto um aparelho de TV, para poder discutir sobre capítulos de novela e jogos de futebol.

Comumente alimenta a fé nas religiões que praticam o comércio espiritual, prioritariamente as que incluam exorcismos e rituais com berreiros e espasmos convulsivos. Culpa o destino, o governo, a raça, a cor, o bairro onde reside. Em suma, a responsabilidade da sua inércia é sempre do outro.

O Criador criou-nos essencialmente idênticos, contudo nem todos fomos criados na mesma época, e, por conseguinte, uns são mais velhos e somam maior conjunto de aquisições do que outros mais “jovens”. As desigualdades entre nós estão na diversidade dos graus da experiência alcançada e do exemplo nos caminhos do bem sob a tutela do livre arbítrio.

A variedade das aptidões, ao contrário do ideal igualitário, é um meio propulsor do progresso social, já que cada homem contribui com sua parcela de conhecimento. As desigualdades que apresentamos entre nós, seja em inteligência ou moralidade, não derivam de privilégios de uns em detrimento de outros, mas do maior ou menor aproveitamento desse “tempo cósmico”, no esforço do alargamento das habilidades e virtudes que nos são inerentes, consoante o melhor uso do livre arbítrio por parte de cada um.

Destarte, as desigualdades naturais das aptidões humanas são os degraus das múltiplas experiências do passado. E cremos que essas diferenças constituem os agentes do progresso e paz social.

Como se vê, a nossa tese é contrária à pretendida igualdade sócio-econômica, frequentemente artificial na vida de relação dos Espíritos encarnados. Por que não são igualmente ricos todos os homens?

Com base nas instruções do XVI capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo, aprendemos que não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.

A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a qual cada espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. A pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus-Cristo; a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos.

Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis santuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.

A Mensagem de Jesus não preconiza que os ricos do mundo se façam pobres e sim que todos os homens se façam ricos de conhecimento, porque somente nas aquisições de ordem moral descansa a verdadeira fortuna. Reconhecemos que o socialismo que vigora em muitos países da Terra é uma bela expressão de cultura humana, enquanto não resvala para os polos do extremismo.

Porém, a concepção igualitária absoluta é um erro grave dos estudiosos, em qualquer departamento da vida. A tirania política poderá tentar uma imposição nesse sentido, mas não passará das espetaculosas uniformizações simbólicas para efeitos exteriores, porquanto o verdadeiro valor de um homem está no seu íntimo, onde cada espírito tem sua posição definida pelo próprio esforço.

Aos radicais segmentos “progressistas” vimos esclarecer que aceitar os preceitos espíritas não significa concordância conformista dos problemas de natureza econômica e política, porém maior compreensão desses estágios humanos.

Os conceitos espíritas não concebem as desigualdades como algo estático e insensível a mudanças pelas nossas ações. As lições espíritas jamais visam privilegiar os interesses de uma elite rica no campo social.

A necessidade de se transformar a nossa sociedade desigual em uma sociedade justa é o escopo doutrinário, sem necessidade absoluta de ideologias materialistas e tacanhas para esse desiderato.

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DESGRAÇAS TERRENAS – pelo espírito Joanna de Ângelis

Toda vez que uma desgraça se abate sobre um homem, a verdadeira desgraça para ele é não saber receber devidamente o infortúnio que lhe chega. Desgraça, realmente, é o mal, o prejuízo, o dano que se pode praticar contra alguém e não o que se recebe ou se sofre. 

O que muitas vezes tem aparência de desgraça — e isto quase sempre — é resgate intransferível e valioso que assoma à alfândega do devedor, cobrando­-lhe os débitos livremente assumidos e aceitos. Das mais duras provações sempre resultam benefícios valiosos para o espírito imortal. Há que considerar cada um a própria posição que mantém na vida terrena para avaliar com acerto os acontecimentos que o visitam. 

Quando somente se experimentam as emoções físicas e conceituamos os valores imediatos, desgraças, em realidade, para tais, são os pequenos caprichos não atendidos, as veleidades vaidosas não respeitadas, as ambições ridículas não satisfeitas que assumem papel preponderante e se transformam em infelicidades legítimas, porquanto, ignorando propositalmente as realidades superiores, esses descuidados se apegam às menores coisas e aos recursos de nenhuma monta, derrapando para a irritabilidade, as paixões, a loucura, o suicídio: desgraças que levam o espírito às províncias de amarguras inomináveis, a vencerem tempo sem limite em etapas de dor sem nome… 

As desgraças que foram convencionadas como: perda de saúde, prejuízos financeiros, ausência de pessoas amadas, desemprego, acidentes, abandono por parte de queridos afetos, se constituem áspero testemunho que chega ao ser em jornada redentora, se transformam também em portal que transposto estoicamente descerra a dádiva da felicidade permanente e enseja paz sem refrega de luta em atmosfera de harmonia interior. Quando o infortúnio não resulta de imediato desatino ou leviandade é bênção da Vida à vida, facultando vitória próxima. 

Nesse particular os Espíritos Superiores levam em alta consideração os sofrimentos humanos, as desgraças que abatem homens, famílias, povos e, pressurosos, em nome da Misericórdia Divina, acorrem a ajudar e socorrer esses padecentes, dando-lhes forças e coragem para permanecerem firmes e confiantes, buscando diminuir neles a intensidade da dor, e, noutras circunstâncias, tendo em vista os novos méritos que resultam das conquistas individuais ou coletivas, desviando­-as, atenuando-as, impedindo mesmo que se realize, pela constrição do sofrimento, a depuração espiritual, o que faculta meios de crescimento pelo amor em bênçãos edificantes capazes de anular o saldo devedor constritivo e perseverante, porque se a Justiça Divina é rigorosa e imutável, a Divina Misericórdia se consubstancia no amor, tendo-­se em vista que Deus, nosso Pai Excelso, “é amor”. 

“Bem­-aventurados os que choram, pois que serão consolados”. (Mateus, 5:4) 

“De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir: umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida”. (O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Capítulo 5º — Item 4)

 – Fonte – Florações Evangélicas (psicografia Divaldo Pereira Franco – espírito Joanna de Ângelis)

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Exoremos comiseração pelo Brasil! (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Nas vésperas das eleições de 2018, no Brasil,  o espírita deve conservar-se acautelado. Não pode olvidar os mais graves casos de corrupção na política brasileira. Por conseguinte, diante da deterioração da dignidade e da má administração do dinheiro público, cujo objetivo foi o aparelhamento de todas instâncias jurídicas e legislativas, para a edificação e manutenção do IMPÉRIO POLÍTICO no Brasil (tal como acontece na China e Coreia do Norte). Percebe-se entre os brasileiros uma certa desesperança, descrença e desordem, infectando, inclusive, as instituições dos três poderes.

Nota-se, além disso, precário entusiasmo patriótico e desinteresse para a reorganização cívica vigorosa para a mantença da nossa nacionalidade. Jazem relativamente inertes alguns segmentos midiáticos e religiosos. As instâncias militares e outros agentes públicos de todas as instâncias encontram-se hibernados nas suas zonas de conforto e grande contingente de compatrícios fazem vistas grossas diante dos últimos episódios políticos.

O efeito dos bramidos oriundos do afamado “Manifesto de 1848”, avaliada em 1871, pela “Comuna de Paris” que, diga-se de passagem, foi universalmente contraditada pelos operários que se mataram na Primeira Guerra Mundial, sob o consentimento dos senhores do capital. Como se não bastasse, ocorreu  o histórico morticínio , sob o tacão da “foice e do martelo”,  onde centenas de milhões seres humanos foram sentenciados à morte , sobretudo a partir de 1917, na antiga União Soviética , na China, no Camboja, em Cuba, na Coreia do Norte e, ultimamente, na Venezuela.  

Os espíritas do Brasil não podem se rebaixar diante da putrefação moral e da corrupção que aniquilam as conquistas morais do brasileiro castiço. Urge exorar aos bons espíritos, solicitando que advoguem diretamente com o Cristo (Modelo e Guia da Humanidade) impetrando a imediata intercessão espiritual a favor dos patriotas honrados e das futuras gerações de brasileirinhos.

De alguns anos par cá, tornou-se lugar comum os figurantes (massa de manobra) da desordem reagirem, bradando por confrontos entre classes sociais, vociferando urros de paz e de justiça social como armas para a agressão entre compatriotas.  A exemplo dos “Movimentos dos Sem” criados por sinistros grupos insurgentes.

O povo brasileiro tem colhido inúmeras desilusões nas experiências coletivas, reflexas, muitas vezes, dos deploráveis atos de invasão.  Movimentos perturbadores que representam lutas dolorosas onde as ações refletem as palavras de comando das praças públicas, em que as massas ingênuas, padecentes e anônimas obedecem sob o jugo dos embustes provindos dos capciosos emissários da violência.  

Com a materialização do ideário dos populares “movimentos sem” conseguiu-se montar uma logística bem temperada com erário público e instituíram uma massa de “criaturas incivilizadas” que nos ameaçam e assustam. Possivelmente, suas ideias tenham sido justa e legítima no primeiro instante, mas, na radicalização, o que se assiste atualmente é um grupo de seres manipulados e fora-da-lei que atua com suas próprias noções de justiça, ignorando o Estado de direito.

Oremos por tais “pessoas violentas”, eis aí nossas armas poderosas. Queiram ou não queiram tais grupos , na verdade o Cristo permanecerá com a rédeas nas mãos comandando o povo para a definitiva vitória da paz e da ordem entre todos os brasileiros. Não por acaso, consta na composição do hino nacional o fragmento – “se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta”. Sim, os legítimos representantes do Cristo não abdicarão da luta pela probidade, pelo decoro, pela liberdade e pela honra.  

Que o Cristo tenha clemência de todos nós, intérpretes diminutos, neste paradoxal panorama incrustado neste território geopolítico da América do Sul. É urgente orar, solicitar a Jesus pedindo-lhe a interseção a favor dos denodados cidadãos (juízes, delegados, agentes policiais, advogados, procuradores, jornalistas, religiosos, articulistas espíritas e outros) que confiam na paz!.

Estamos seguros de que o Espiritismo auxiliará eficazmente nas reconstruções de ordem sociopolítica e econômica do Brasil, porque dentre outras propostas, sugere a substituição dos impulsos antigos do egoísmo pelos impulsos da fraternidade universal.

Oremos pelo Brasil!

 

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 Quando se fala em suicídio, e em setembro é comum mensagens nas redes sociais, reuniões nos mais diversos segmentos da sociedade darem destaque ao assunto, concluímos que é o ato pelo qual alguém tira a própria vida. Mas se a pessoa não chega a morrer o ato passa a ser tratado como tentativa de suicídio, o que a própria Lei humana prevê não ser punível, a não ser quando existe a instigação ao consumado, pois que se trata de decisão pessoal de cada indivíduo que vendo que não tem saída para seu problema a extingue.

Mas existe o quase suicídio que não deixa de ser também grave.

Em muitas situações da vida, isto é, ao longo da nossa permanência aqui na Terra, certamente vamos ter de enfrentar alguns problemas, mesmo que procuremos ter bons pensamentos e tentar não praticar mal a outrem. Quantos se desesperam por ocasião do passamento de pessoa querida, ou às vezes não tão querida, mas é a que dava suporte financeiro a família? Quantos entram em pânico em razão de perderem fortunas em ações judiciais ou por mau negócio concretizado? Quantos cometem injustiças ou até crimes hediondos e depois se arrependem e ficam impossibilitadas de reparar o erro? Quantos sofrem acidentes dos mais diversos e após longo tratamento doloroso ficam com mobilidade parcial ou ás vezes em uma cama?

Pois é, o fato de não conseguir meios para enfrentar todos estes momentos difíceis que lembrei, entrando em depressão, angústia profunda, tristeza avassaladora, revolta com todos que os cercam, procurando colocar a culpa em alguém ou alimentando sentimento de vingança, ou até mesmo passando a viver com o pensamento voltado para uma punição pela justiça que normalmente leva muitos anos para sentenciar, tudo isso faz com que a pessoa transforme seu organismo num complexo gerador de energia ruim, cujo contaminado é ela própria, podendo a qualquer momento fazer eclodir em si doenças das mais variadas e até gravíssima ao cabo de alguns anos. Isso pode ser interpretado como quase suicídio, pois o indivíduo deixa de existir no meio para o qual veio a Terra, passando a ocupar sua mente apenas com questões de baixo padrão vibratório.

Pensamento é energia poderosa, e o primeiro a ser envolvido por ela é o pensador. Quando emanamos um mau conceito o primeiro a banhar-se neste fluido somos nós, para depois o alvo ser alcançado. O famoso olho grande, ou olho gordo, maquiado pelo nome de inveja ou ciúmes, existe sim e sabemos da sua letalidade.

O quase suicídio é um atraso muito grande na nossa trajetória na Terra, pois viemos aqui para progredir, nos melhorar, sermos resignados. De que adianta, por exemplo, um casal viver harmonicamente um tempo e depois passar a brigar constantemente, e ao cabo de alguns anos voltarem à harmonia? Será que valeu a pena o tempo perdido com as brigas? Certamente que não.

Então, temos que desenvolver em nós meios de enfrentar as intempéries que surgirem, sem desespero, pensando tudo ter saída. Não estamos abandonados na Terra. Existe um Ser Supremo que permitiu que aqui viéssemos e nos possibilita todos os meios de enfrentamentos, bastando que não percamos o endereço Dele, e peçamos socorro no momento certo.

        Muita harmonia amigos.

Rede Amigo Espírita

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