O CHORO COMO VÁLVULA DE ESCAPE DA AFLIÇÃO

Por Jorge Hessen

O choro pode durar a noite inteira, mas de manhã vem a alegria. (1) Estudiosos afirmam que a função evolutiva do choro foi despertar empatia no semelhante e estimular o auxílio em momentos de necessidade. Na verdade, a histórica cooperação entre indivíduos foi e continua sendo essencial para a sobrevivência da espécie humana.

Sabe-se que o choro libera hormônios e neurotransmissores que aliviam a tristeza e a dor. Especialistas alegam que reprimir o choro significa abafar alguns sentimentos, tornando mais difícil lidar com eles. Em face disso, médicos e psicólogos recomendam chorar para liberar as emoções. O choro amiúde constitui o acesso nas essências mais profundas dos sentimentos. É quando não se domina a amargura e ela necessita ser vazada, exposta, nem que seja solitariamente.

As lágrimas são um mecanismo de defesa do organismo para liberar o stress e auxiliar no reequilíbrio das emoções. O choro alivia a angústia e pode nos levar a submersões mais intensas, quando oferecemos um sentido para as lágrimas, para aquela dor vivida no presente.

Todavia, são urgentes alguns alertas! O choro pode ser um episódio ligeiro de tristeza, mas também pode ser um transtorno psicológico depressivo. A tristeza é um estado emocional transitório e comum, uma reação psicológica circunstancial. Entretanto, a depressão, ao contrário da tristeza, não é algo efêmero. Uma pessoa deprimida padece de condição emocional crônica sob as chibatas da ansiedade mental prolongada.

Meditando a questão do choro, observamos que ele foi sublime em Jesus. Como registrou o evangelista afirmando que à frente de Lázaro “morto”, o Cristo chorou. O excelso Galileu “também chorou lamentando a incompreensão dos homens sentado em uma das grandes raízes de uma árvore no fundo do quintal da casa de Pedro”. (2) Jesus chorou no Getsêmani, quando sozinho, todavia, em Jerusalém, sob o peso da cruz, rogou às mulheres generosas a cessação das lágrimas. Na alvorada da Ressurreição, questionou Madalena a razão do seu choro junto ao sepulcro.

Conta o Espírito Hilário Silva no livro “A Vida Escreve” uma metáfora em que Eurípedes Barsanulfo teria indagado ao Mestre: “Senhor, por que choras?”. Jesus não respondeu. O nobre filho de Sacramento reiterou: “Choras pelos descrentes do mundo?” E após um instante de atenção, Jesus respondeu em voz dulcíssima: “Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o praticam”. (3)

Sabendo que o choro pode significar abrigo de alívio, consintamos que ele advenha, para benefício daquele que chora. Apenas expressemos compaixão. Abriguemos os que choram, dizendo-lhe frases do tipo: “Conte comigo”, “estou ao seu lado”, “compreendo e respeito sua agonia”, “confie e espere’, ‘tudo passa”, sempre sussurrando-lhe Jesus aos ouvidos: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” (4)

Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

1, Salmo 30:5

2, FRANCO, Divaldo. Primícias Do Reino Ditado pelo Espírito Amélia Rodrigues, Salvador: Editora, LEAL 2015

3, XAVIER, Francisco, VIEIRA, Waldo. A Vida Escreve, pelo Espírito Hilário Silva, ed. FEB, 1998

4, Mateus 5:4

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CONTRASTES

Por Divaldo Pereira Franco

Não penseis que vim trazer paz à Terra. Não vim trazer paz, mas espada… Mateus, 10:34

Quando Jesus pronunciou essa frase singular, causou um certo espanto, porque toda a Sua doutrina é de amor e de misericórdia, fundamentada na compaixão e no exercício da caridade.

Todos aqueles profetas e missionários de Luz que vieram antes dEle estiveram apoiados nas propostas tiranizadoras da espada destrutiva. Ele veio como a esperança dos mais fracos, a coragem dos desfalecidos, a alegria dos desdenhados, a abnegação dos aparentemente vencidos. Ele mesmo na Cruz era o símbolo de quem fora dominado e submetido pelas espadas triunfantes dos poderosos de mentira e dos gozadores da ilusão. No entanto, ali estava como o triunfo da Verdade sobre a mentira, da liberdade sobre a escravidão, da honra sobre a vileza moral, da Imortalidade sobre a transitoriedade do mundo…

Isso, porém, somente foi reconhecido depois, assim como a Sua advertência especial sobre a espada.

À medida que os Seus nobres conceitos penetravam as vidas, todas experimentavam profundas mudanças e alteravam por completo o seu rumo. A espada, a Verdade, separava a ignorância da presunção, a dignidade da desfaçatez e do ludíbrio, o amor real pela volúpia da libido exacerbada.

Ela significava um ontem e um depois, mediante um comportamento que era o mesmo em qualquer circunstância.

Em relação aos Seus ensinamentos, não havia lugar para dubiedades, vacilações nem aparências. A aceitação deles era um divisor de águas, que somente o amor no seu mais elevado significado consegue viger.

É necessário dispor-se de muitos recursos morais e de decisões legítimas para abandonar-se toda uma trajetória de engodos para firmar-se numa realidade que não aceita conchavos para a sobrevivência, nem dissimulações para evitar prejuízos.

Com Ele ou sem Ele, não há possibilidade de postura morna, meio a meio, aguardando o vencedor da batalha, a fim de saltar-se para o lado do vitorioso mesmo que ignóbil.

Foi por essa razão que a Sua mensagem derrubou o Império Romano e impôs novos padrões de justiça, de responsabilidade, de honradez. Houve alteração total da ética de subserviência, de pusilanimidade para a conduta de desejar e fazer ao próximo o que gostaria que lhe fosse feito…

A sociedade, porém, não estava amadurecida suficientemente para manter a igualdade, a solidariedade e o respeito no mesmo padrão entre todos.

Os interesses vis e as paixões em desgoverno diluíram a espada no ardor das suas conquistas miseráveis, e os velhos hábitos e costumes corromperam a Sua mensagem e o mundo voltou ao passado.

Merece, porém, considerar que a espada está em ação…

De que lado te encontras nestes severos dias?

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, 20 de agosto de 2020

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NÃO SOU O ÚNICO CAPAZ

Por Orson Peter Carrara

O que se vai ler abaixo é trecho de um pronunciamento de alguém que não se deixou levar pela vaidade ou por tolas pretensões oriundas do orgulho. O texto original e completo é bem longo e selecionamos aqui um único parágrafo para análise e reflexão do leitor. Referido pronunciamento foi feito em outubro de 1865. Vejam:

Deus me guarde de ter a presunção de me crer o único capaz, ou mais capaz do que um outro, ou o único encarregado de cumprir os desígnios da Providência; não, este pensamento está longe de mim. Neste grande movimento renovador tenho a minha parte de atuação; não falo senão daquilo que me concerne; mas o que posso afirmar sem vã fanfarrice, é que, no que me incumbe, nem a coragem, nem a perseverança, me faltarão. Nisso jamais falhei, mas hoje que vejo o caminho se aclarar de uma maravilhosa claridade, sinto minhas forças crescerem, não tenho mais dúvida e graças às novas luzes que praza a Deus me dar, estou certo, e digo a todos os meus irmãos, com toda a certeza que jamais tive: coragem e perseverança, porque um esplendoroso sucesso coroará vossos esforços”.

A seleção parcial está dentro de um contexto geral. Destacamos, todavia, esse parágrafo específico para apresentar uma posição bem coerente com a realidade de nossa fragilidade humana, que pede dispensar vaidades, orgulho e tolas pretensões, ao lado de intensa força pessoal construída sobre virtudes que todos podemos valorizar nesses tempos de imensa dificuldade social: coragem e perseverança.

O autor não se coloca em posição superior a ninguém, reconhece que todos tem sua parte de ação no programa geral de evolução do planeta.

Esse reconhecimento da parte de trabalho que cabe a cada um de nós no concerto geral de construção da harmonia social, onde se inclui naturalmente o próprio esforço pessoal nesse objetivo, é o primeiro passo que vacina contra vaidades ou pretensões desconectadas com nossa condição de filhos de Deus destinados à felicidade.

Todos podemos oferecer nosso trabalho, nosso esforço. Se soubermos agir com lucidez, se nos respeitarmos mutuamente, usando as ferramentas da coragem e da perseverança – como destaca o autor – um esplendoroso sucesso coroará vossos esforços, usando as palavras dele próprio.

E o que seria esse sucesso senão a vitória sobre nós mesmos, no domínio das paixões e imperfeições que ainda trazemos, no cumprimento do dever, do esforço pela conquista de virtudes, na luta pelo progresso. Exemplo claro trazido pelo Professor Denizard Rivail, que não se deixa vencer pela postura vaidosa ou orgulhosa, embora todo o trabalho que estava em suas mãos.

Orson Peter Carrara

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A INSTRANSFERIBILIDADE DA OBRA DA REDENÇÃO

Jane Maiolo

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” [1]

O Salmos 139, cujo autoria é atribuída ao Rei Davi, reconhecido como unificador e fundador da nação hebraica, descrito nos Velhos apontamentos bíblicos como possuidor de muitos dons artísticos, como o da música, da poesia e autor dos tradicionais Salmos Penitenciais.

Sua maior inspiração ocorreu no momento em que conduzia as ovelhas pelos pastos verdejantes, criando salmos e cânticos para louvar a Deus, porém, ao pastorear as ovelhas, refletia na grandeza de Deus e na sua insignificância como criatura, embora entendendo-se único. Esses momentos geravam um amadurecimento do conceito do relacionamento do homem com o Criador.

O nosso amadurecimento espiritual, ao longo de milênios tem se revelado precioso instrumento para sondarmos os caminhos que tendem a elevar-nos ou afastar-nos daquilo que é divino.

Ao contrário de muitas teorias que divulgam a redenção ou salvação do espírito imortal através da doutrina da graça, sabemos convictamente que toda evolução, redenção ou salvação se dará através do esforço do próprio espírito, através de lutas incessantes para domar as suas más inclinações e transformar seu teor vibratório em ondas sutilíssimas de amor e paz.

Indagou Allan Kardec sobre a progressão dos espíritos na questão de número 114, de O Livro dos Espíritos: “Os espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que se melhoram?” Os Benfeitores responderam: “São os próprios espíritos que se melhoram e, melhorando-se passam de uma ordem inferior para outra mais elevada” [2].

A intransferibilidade da obra de nossa redenção requer um entendimento das nossas responsabilidades, assumir compromissos sérios e legítimos. Reconhecermos a profundidade de nossas mazelas e misérias, descobrindo caminhos para nos libertar das amarras da ignorância e do mal, visto que este não deixa de ser produto da ignorância.

Acreditar que podemos encarregar os Espíritos superiores dessa tarefa é atitude ingênua, infantil e ilusória.

O tempo de evoluir acontece agora.

Oportunidades são franqueadas.

Trabalhos são disponibilizados.

Ações podem levar a redenção.

Sem dúvida poderíamos sempre pelos nossos esforços vencer as nossas más inclinações, porém quão poucos entre nós fazemos esforços para adquirir a ciência do bem viver.

A transformação do nosso sentimento será possível se houver o combustível da boa vontade, do método e da persistência. Entendamos aqui “boa vontade” como o esforço contínuo de transformação comportamental e o uso da razão a serviço da nossa evolução espiritual.

Vivemos tempos dinâmicos onde a trajetória evolutiva do espírito imortal deve ser alterada do status do ter para o ser.

Houve um tempo em que lutávamos pela liberdade e dessas pelejas instituímos a democracia, sob os ares da Grécia. Momentos póstumos, ansiávamos o poder, o domínio, a posse, criamos, então, o direito nas composições sociais romanas.

Senhores, pois, da liberdade e do direito ambicionamos perenizar nosso existir, assim sendo, engendramos a medicina, as tecnologias e ainda se crê que falta pouco para sequestrarmos e assumirmos o lugar sacrossanto do Criador nas plagas terrenas.

Entretanto, afeiçoados ao ter, ainda acreditamos que podemos transferir a outrem nossa tarefa de iluminação interior. Esquecidos que o ser é o mais importante.

Não ouvimos os apelos dos imortais, dos sábios, dos filósofos. Escutamos tão somente a voz da consciência, ou da inconsciência, viciadas nas paixões e nas conquistas de curto prazo. Portanto, efêmeras!

A questão do livre-arbítrio nunca fizera tanto sentido, como nos dias atuais.

Somos sempre responsáveis pelas nossas ações. O trabalho que nos aguarda é necessário e urgente.

A Doutrina Espírita é o convite mais lúcido para o espírito que amadureceu moralmente e que deseja modelar seu roteiro divino. Atentemos para os campos verdejantes do trabalho no bem. Que nossa alma aflita encontre o refrigério do consolo e do entendimento ofertados pelos tutelados imortais e tal qual o pai de Salomão roguemos ao Pai Maior: “Vê se em minha conduta algo te ofende e dirige-me pelo caminho eterno.” [3]

Que o trabalho de edificação dos valores imortais, em nós mesmos, jamais ressoe pesado, em demasia, que as forças físicas e espirituais nunca sejam escassas.

Jane Maiolo
Fonte: Kardec Rio Preto

Referências bibliográficas:

1. II Timóteo 3.1
2- KARDEC, Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, 3ª edição, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2007.
3-Salmos 139

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DITADURA INFANTIL

Joanna de Ângelis

A cultura hodierna exalta em demasia a juventude, oferecendo-lhe as mais belas contribuições para o prazer e o aplicar nas experiências imaturas dos compromissos para os quais ainda não se encontra psicologicamente preparada.

Muito cedo se faz a iniciação sexual, sem qualquer consciência de responsabilidade, como se fosse um jogo de sensações sem as inevitáveis consequências da concepção que abre as portas ao aborto delituoso, e, em razão da variação de parceiros aos contágios de enfermidades perversas e devastadoras.

O estímulo à frivolidade, por meio dos atrativos bem trabalhados para os jogos das paixões, e quando se anuncia o cansaço prematuro, surgem as soluções mentirosas das drogas alucinógenas que permitem a ilusão da alegria e da renovação das energias que logo se consomem.

A imaturidade dos jovens atirados à tirania do momento ligeiro que passa responde pela violência, pela exploração dos mais fracos, pela presunção ou pela perda da autoestima, por infelizes transtornos alimentares levando à anorexia e à bulimia, a fim de se submeter aos extravagantes ditames da moda em torno da beleza física, com a perda das possibilidades de um futuro feliz.

Cria-se nova linguagem, surgem comportamentos esdrúxulos estimulados pelos veículos de comunicação de massa e a vulgaridade toma conta dos arraiais da sociedade no culto exacerbado do erotismo, como se o ser humano fosse apenas o animal sexual atormentado pela libido.

A cada momento surgem os deuses da alucinação na música estranha e agressiva, sem qualquer conteúdo de harmonia, na qual a extravagância e a alucinação dão vida aos seus mitos, assim como nos esportes, nas artes, com predomínio do agressivo e do desrespeito aos valores de dignificação da Humanidade em bem-urdida campanha para o retorno ao primarismo, como se fosse possível abandonar-se todas as conquistas éticas logradas ao largo dos milênios de cultura, de civilização e de beleza…

Dá-se a impressão que o investimento da loucura tem primazia desde que se possa fruir até a exaustão, sem nenhum amanhã à vista…

Sucede, porém, que o tempo, na sua voragem inexorável, vai reduzindo em cinzas as construções de cada dia e atirando ao passado triste tudo quanto em um momento foi denominado de glória e disputa guerreira.

Onde se encontram os grandes conquistadores de um dia, sejam aqueles belicosos que conquistaram os países e os perderam, sejam aqueloutros que fascinaram a geração em que nasceram ou todos que vieram de maneira exaltada e agora se encontram nas furnas do olvido.

Astros luminosos das telas do cinema, da televisão, gênios do teatro e exemplares de incomum beleza não conseguiram manter-se na crista da onda e hoje são tristes sombras dos dias de mentirosa glória, sofrendo o abandono e a solidão, quando não devorados pelas enfermidades degenerativas ou pelo efeito dos farmaco-dependentes a que se entregaram, pelo abuso do álcool, do tabaco, dos excessos sexuais…

Quem os veja, envelhecidos, debilitados e frágeis, com a máscara da tristeza afivelada à face, não tem ideia dos seus antigos momentos de brilho e de ostentação…

Essa inevitável ocorrência sucede a todos quantos não desencarnaram no auge da fascinação que exerceram sobre as massas, tornando-se verdadeiros mitos na imaginação doentia dos seus fanáticos….

A juventude é a quadra própria para a preparação da existência, breve ou longa, em que o sentido da vida caracterizar-se á pela construção do futuro feliz, sem a perda da alegria inefável de viver com júbilo e harmonia.

Mantém-se jovem em qualquer idade todo aquele que cultiva os ideais de beleza e de serviço à sociedade, não somente os que possuem a maquinaria orgânica ainda nova, mas essencialmente quem é capaz de amar e de sorrir mesmo quando as ocorrências não se apresentam aureoladas de bênçãos, antes de reflexões e de dores que fazem parte da agenda evolutiva de todas as vidas.

Os anos juvenis são relativamente poucos, quando se trata de uma larga existência, mas tudo aquilo que foi armazenado nesse período irá permanecer para sempre como direcionador das aspirações e mantenedor dos sentimentos profundos do ser.

Jovem, desse modo, pode ser considerado todo aquele que seja capaz de olhar para trás não se envergonhando dos atos que ficaram na retaguarda constituindo-lhes algozes impenitentes geradores de culpa e de desar.

Corpos jovens existem que conduzem Espíritos profundamente comprometidos com as atitudes infelizes que resultaram da imaturidade psicológica, e que se pudessem retornar àqueles dias de descuido emocional tudo fariam por terem agido de maneira diferente.

Sendo, porém, impossível retornar para corrigir o que foi praticado equivocamente, dispõe-se do futuro que se encontra no presente ensejando um novo recomeço, uma nova atitude dignificadora cujos resultados se apresentarão no momento adequado.

Educado o jovem e informado da transitoriedade de todas as coisas terrenas e das admiráveis aquisições morais, facilmente adapta-se aos ditames da ordem e do progresso, tornando-se cidadão responsável que promove o progresso da sociedade e avança em direção à plenitude.

Desse modo, não são responsáveis os jovens pelas terríveis ondas de alucinação que varrem a Terra em todos os lados, mas aqueles que se lhes constituem modelos, na condição de educadores, de guias, mais interessados em fruir os resultados nefastos dos seus atos consumistas e mentirosos, do que promoverem as gerações novas que chegam necessitadas de diretrizes de equilíbrio e de orientação.

A cultura do corpo muito difundida estabelece os padrões de beleza esquecendo-se de informar que o indivíduo, em realidade, não é a forma, antes, pelo contrário, é a essência de que se constitui e que exterioriza, queira-o ou não através das vibrações que lhes são próprias.

Por essa razão, é demasiadamente comum encontrar-se os ídolos das massas cercados de tudo menos de bem-estar, esfaimados nos banquetes físicos pelo pão do amor real, da fraternidade legítima, da amizade, da paz interior.

Sucede que todas as conquistas externas não lograram proporcionar, conforme se esperava o desenvolvimento psíquico.

Há como efeito um terrível vazio existencial, mesmo nos jovens, quase em geral, que se atiram em busca de prazeres cada vez mais exorbitantes, pela perda da sensibilidade para as emoções simples e encantadoras da vida.

Viciados, desde cedo, facilmente entregam-se ao tédio ou às emoções fortes predatórias para se sentirem realizados.

Observe-se a conduta dos fanáticos desportistas, em suas reações contra a sociedade em geral e as pessoas em particular, quando os seus clubes não são vitoriosos, depredando, agredindo, matando em sanha selvagem inimaginável.

Juventude, no entanto, é quadra primaveril preparatória para a grandeza do verão da vida, e logo, o outono e o inverno existencial.

Para que seja revertida essa ordem de valores negativos torna-se necessário restaurarem-se os princípios psicopedagógicos da atualidade, facultando liberdades de escolhas com responsabilidades de conduta; colocando-se limites na educação doméstica, a fim de que a criança compreenda que não é um títere, mas um aprendiz da vida e que a existência não lhe transcorrerá conforme gostaria, mas consoante os padrões gerais estabelecidos por Deus.

Os transtornos e graves comportamentos de agora constituem um período de transição agressiva que cederá lugar ao de sofrimento expungitivo e de paz renovadora que virá.

Conduzir, portanto, as mentes novas aos compromissos dignificantes é dever de todos os indivíduos adultos que marcham adiante, devendo deixar-lhes a trilha evolutiva assinalada pelas bênçãos que lhes facilitem a ascensão, evitando-lhes as dores que estão programando para o futuro.

Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Liberta-te do Mal

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Colavida e a perseverança na divulgação

A perseverança de Fernández Colavida na divulgação do espiritismo na Espanha

Simoni Privato Goidanich

A escassez de material de estudo e de divulgação do espiritismo era uma limitação importante na Espanha.

Para amenizá-la, um dedicado espírita em Barcelona chamado José María Fernández Colavida decidiu importar uma grande quantidade de livros e jornais espíritas da França.

Para isso, contou com a colaboração de Maurice Lachâtre, escritor e editor francês, que, naquela ocasião, também residia em Barcelona. Lachâtre foi, pois, um intermediário na importação. Era Fernández Colavida o destinatário dessas obras, segundo os relatos de Amalia Domingo Soler, Miguel Vives y Vives, Bernardo Ramón Ferrer, bem como dos jornais espanhóis Luz y Unión e El Diluvio, analisados na pesquisa que realizamos e publicamos, em 2013, no livro Divulgación del Espiritismo: enseñanzas del ejemplo de José María Fernández Colavida.

A importação cumpriu com os requisitos legais. Contudo, por ordem do bispo de Barcelona, Antonio Palau y Térmens, as obras importadas foram queimadas, no dia 9 de outubro de 1861, por um sacerdote com o auxílio de funcionários da alfândega, na Cidadela de Barcelona – o mesmo lugar onde eram executados os criminosos. O episódio ficou conhecido como o Auto de Fé de Barcelona.

Muito mais que um fato histórico, o Auto de Fé de Barcelona é um símbolo dos ataques que o espiritismo, na pessoa dos trabalhadores espíritas, especialmente os que se dedicam à divulgação, podem sofrer.

Diante de uma prova de fogo, várias reações são possíveis.

Uma delas é o desânimo, que nem sempre necessita de uma fogueira para instalar-se.

Às vezes, basta um fogo de palha para consumir o entusiasmo no trabalho no bem.

Outra reação é a rebeldia, o contra-ataque, que desperdiça valiosos recursos que deveriam ser destinados ao trabalho edificante e envolve em trevas o trabalhador que teria como tarefa difundir a luz.

Também é possível o medo, que pode produzir a paralisação das tarefas, a fuga das responsabilidades e até a deserção com relação ao espiritismo.

No entanto, Fernández Colavida não teve essas reações. Ele não se desanimou com o Auto de Fé de Barcelona, mas se sentiu estimulado. Tornou-se o primeiro tradutor para o espanhol das obras de Allan Kardec. Passou a publicá-las na Espanha e a divulgá-las naquele país e em muitos outros, sobretudo da América. Também fundou um jornal espírita de alcance internacional. Ficou conhecido como o “Kardec espanhol” por ser o maior líder e divulgador do espiritismo em língua castelhana.

Com relação aos agressores, a resposta de Fernández Colavida foi o perdão e a reconciliação. Nove meses após o Auto de Fé de Barcelona, o bispo Antonio Palau faleceu e, pouco depois, se manifestou em Espírito, arrependido, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e no centro espírita dirigido por Fernández Colavida. Desde então, o Espírito de Antonio Palau passou a trabalhar com o “Kardec espanhol” na divulgação do espiritismo. Também anunciou que a Cidadela, onde haviam sido queimadas as obras espíritas, seria transformada em um jardim, o que ocorreu poucos anos depois.

Fernández Colavida sabia que os ataques não devem ser temidos. A agressividade mediante a qual se manifestam, em lugar de ser uma demonstração de força, é, na verdade, uma confissão de debilidade, de impotência, diante do espiritismo e de todos aqueles que lhe são fiéis. Jamais poderão aniquilar nem o espiritismo nem os espíritas.

De fato, o Auto de Fé de Barcelona, cuja finalidade era reprimir o espiritismo, teve uma repercussão tão intensa na população, nos meios de imprensa e até nas altas esferas do governo que serviu para divulgá-lo amplamente.

Em suma, o Auto de Fé de Barcelona e o exemplo do “Kardec espanhol” proporcionam ensinamentos muito úteis para enfrentar os desafios no trabalho espírita.

(Simoni Privato é diplomata e pesquisadora brasileira, residente em Montevidéu, no Uruguai.)

Fonte: Rede Amigo Espírita

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AS FLORES VOLTARÃO – Momento Espírita

Uma suave melancolia canta uma balada. E essa música sinfônica da nostalgia, da saudade, nos alegra.

Apesar da pandemia nos ter roubado a primavera, nossos corações estão florescendo, porque a nossa estação das flores está no mundo íntimo, independendo dos fatores do lado de fora.

Aprendemos com Jesus Cristo que a alegria real é aquela que diz respeito à plenitude do mundo espiritual.

Essa primavera nada, ninguém nos pode roubar.

A pandemia passa e as flores voltarão a perfumar os bosques, voltarão a cantar as aves, a murmurar os córregos. E a vida em abundância irá repetir a inolvidável canção da gratidão.

Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, finalizou com estas belas palavras o seu Roteiro Europa de palestras, edição 2020.

Pela primeira vez, sem estar presente fisicamente nas atividades doutrinárias, essa alma de luz cumpriu sua missão no formato on-line.

Divaldo utilizou todas as oportunidades para usar seu verbo seguro para acalmar os corações do mundo, tão ansiosos nos dias atuais.

O orador fez menção a um trecho da obra “Il capitano e il mozzo”, do escritor italiano Alessandro Frezza, que descreve o diálogo entre um jovem e o capitão de um navio.

Toda tripulação está retida no navio, devido à quarentena, e o jovem reclama da situação pela qual estão passando, em tom de desânimo.

Diz que a pandemia estava fazendo com que ele perdesse muitas coisas.

O capitão, com toda sua experiência de outras quarentenas, lembrando de uma outra ocasião em que fora obrigado a permanecer na embarcação, o esclarece:

Sim, naquele ano me privaram da primavera, e de muitas coisas mais, porém eu, mesmo assim, floresci. Levei a primavera dentro de mim, e ninguém, nunca mais, pôde tirá-la.

Estamos sendo privados de primaveras lá fora. Muitos ficamos privados da liberdade de ir e vir. Muitos não pudemos nos despedir de nossos amores, que partiram de forma repentina.

São, realmente, duras provações.

No entanto, tais experiências, quando enfrentadas com consciência, nos fortalecem muito. Fazem o trabalho de anos e anos de dias comuns.

Que possamos entender que este é o mundo que habitamos, mundo das provas, das batalhas diárias, dos sacrifícios constantes.

Ninguém nos prometeu o paraíso na Terra. Ninguém nos disse que seria fácil, porém, nos garantiram sim, que teríamos condições de superar, de vencer.

A primavera interior é uma analogia perfeita. A vida nos ensinou que as estações devem ser cultivadas na alma e não do lado de fora.

Voltamos os pensamentos para nós mesmos. Fomos convidados a refletir sobre questões graves, muito mais importantes do que as distrações que consumiam todas as nossas energias.

Não nos assustemos diante do flagelo que nos alcança. Não estamos desamparados. Nunca estivemos.

E, quando tudo tiver passado, olharemos para trás e nos haveremos de surpreender com tudo o que enfrentamos, com tudo que superamos.

Confiemos, as flores voltarão.

Redação do Momento Espírita, com base em trecho de conferência proferida por Divaldo Franco, no encerramento do Roteiro Europa 2020, em 7.6.2020 e citação de frase da crônica O Moço e o Capitão, de Alessandro Frezza.
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A DELICADA E FEMININA QUESTÃO DO ABORTO

Marcelo Teixeira

Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

Resposta: Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.

“O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, questão 359.

Já pensei várias vezes em escrever sobre aborto, assunto que requer vários ângulos de compreensão e compaixão. Sempre esbarrei, no entanto, nas seguintes considerações: eu tenho útero, vulva, clitóris, trompas e ovário? Eu ovulo, menstruo, corro o risco de ser assediado sexualmente, ser estuprado e passar por uma gravidez de baixo ou alto risco? A resposta será sempre não por uma simples razão: sou do sexo masculino. Por essa razão, não tenho como avaliar as dores e delícias de ser mulher e mãe. Eu não sinto isso na pele.

Dou início dizendo o óbvio porque me assusta a quantidade de homens – incluindo alguns espíritas – que vão para os púlpitos, tribunas e similares criticar com veemência a mulher que faz aborto; legislar de forma a criminalizá-las; condená-las ao inferno, umbral, reencarnações dolorosas e similares. Dizia o filósofo e escritor suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) que “O homem é produto do meio”. Sendo assim, por estarmos num país machista, muitos homens espíritas não deixam de sê-lo, apesar de serem espíritas.

Se o espiritismo é ciência, filosofia e religião, por que muitos de seus profitentes se agarram ao aspecto religioso, levam-no para os confins do medievalismo e transformam a doutrina codificada por Kardec em algo rígido que condena mulheres que praticaram aborto a duras penas? Onde o “Amai-vos uns aos outros”? Onde o “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”? Onde a solidariedade que acolhe e a compaixão que cura as feridas morais? Onde a empatia para nos colocarmos no lugar dessas mulheres? Onde, enfim, a ciência que analisa e a filosofia que nos ensina a relativizar e contextualizar os fatos, a fim de percebermos que cada caso é um caso e que não podem ser analisados sob a mesma ótica? Sim; cada aborto é um aborto. Cada um deles contém meandros que envolvem a vida íntima da mulher, o ambiente em que ela foi criada, os sentimentos (raiva, medo, angústia, desespero etc.) pelos quais ela está passando, sua situação socioeconômica, entre outros tantos e tantos fatores.

Resolvi escrever a respeito de tão delicado e ao mesmo tempo espinhoso tema depois do ocorrido com a menina capixaba de 10 anos. Desde os 6 anos, ela era sistematicamente estuprada por um tio. O Brasil inteiro começou a opinar, incluindo vários representantes do movimento espírita que, por serem espíritas, acreditam ter opinião formada e definitiva a respeito de tudo. Não temos, convém frisar. O fato de sermos espíritas não nos dá pleno conhecimento e autoridade para emitirmos opiniões definitivas sobre todo e qualquer tema. Bem melhor analisarmos cada situação separadamente, à luz da razão, como preconiza Allan Kardec.

Recebi pela rede social Messenger uma postagem de Marcos (nome fictício), presidente de centro espírita. Ela dizia respeito a uma visita que um grupo de católicos fez ao hospital onde foi realizado o aborto legal, enfatizo. Os católicos queriam que a gestação fosse levada a termo, pois já tinham uma família disposta a adotar o bebê. Mas, como se sabe, a gravidez – de risco, diga-se – foi interrompida, conforme preconiza a lei brasileira, que autoriza a cessação da gravidez em casos de estupro.

Perguntei a Marcos se ele também achava que o aborto deveria ser impedido. A resposta é um fiel retrato de como pensa a fatia conservadora e machista do movimento espírita: “Por acreditar que Deus permitiu a gravidez e que Deus não erra, sou contra qualquer aborto. Além disso, precisamos considerar as consequências para todos os espíritos envolvidos neste caso”.

Atônito, perguntei se ele achava que Deus também permitiu que a menina fosse estuprada pelo tio. Aproveitei o ensejo e lembrei-lhe que, há alguns anos, ocorreu um caso semelhante em Alagoas, se não me engano. Uma menina de 11 anos fora estuprada, engravidara de gêmeos e fora submetida ao aborto terapêutico. Ante a gritaria de vários religiosos, à época, Gérson Simões Monteiro, palestrante e escritor espírita do RJ, defendeu o aborto nesse caso específico. Afinal, tratava-se de uma criança vítima de estupro submetida a uma gravidez com alto potencial para tirar-lhe a vida. Gérson reiterou, ainda, que, se fosse o caso de os gêmeos estarem programados para serem filhos dela, a Providência Divina daria o ensejo de, mais adiante, ela ser mãe de ambos, já adulta e senhora de si. Como Marcos retrucou e começamos a ir para o desagradável terreno da troca de farpas, encerramos o assunto.

Muito me choca a postura conservadora e embotada desse tipo de espírita. Assim como o caso defendido pelo Gérson, a menina do ES não tinha estrutura física para levar uma gravidez até o fim. O risco de que ela perecesse era alto. Num caso grave como esse, é melhor o espírita posicionar-se a favor da proteção da menina e para que o tio estuprador responda pelo crime que cometeu. Isso não significa gritar palavras encolerizadas para que a lei seja severa. O caso precisa ser apurado; o culpado (ou culpados) tem de responder pelo que fizeram. No entanto, não percamos de vista a piedade para com os criminosos.

Depois desse entrevero entre mim e Marcos, resolvi dar uma olhada no perfil de alguns espíritas que, em geral, se posicionam contra o aborto. Vi homens e mulheres preocupados somente com o feto, gente sugerindo o que a menina e familiares deveriam fazer após o nascimento da criança. Isso sem falar nos vídeos em que expositores (homens, em sua maioria) falam que tudo estava programado, que a menina tinha de passar pela prova da gravidez em tenra idade, que decerto algo de errado ela fez no passado, que o referido aborto havia sido um crime… Deparei-me também com uma nota seca e cruel da Associação Médico Espírita (AME), que deixa um rastro de punição e passa longe do carinho que deveria receber uma criança de 10 anos vítima de uma violência abjeta. Tão fácil deliberar sobre a vida alheia e fazer generalizações rasteiras tendo a doutrina espírita como pretexto! Por favor, companheiros de ideal espírita, tenhamos delicadeza ante a dor alheia!

Confesso que teria me sentido confortado se tivesse visto mais espíritas saindo em defesa de uma criança que deve ter vivido dias infernais nos últimos quatro anos. Um inferno que deve ter sido um misto de ansiedade, revolta, medo, depressão, sensação de abandono, carência, desespero…

Eu sou contra o aborto, é bom salientar! Sei das implicações espirituais que ele acarreta. Mas também sei que Deus é misericordiosamente justo e bom e que não analisará todos os abortos sob a mesma ótica. Cada caso é um caso e depende de diversas circunstâncias (culturais, familiares, sociais, econômicas, psicológicas etc.). Isso tem a ver com não julgar, acolher, ajudar e por aí vai. A lei é de amor, não nos esqueçamos! Ainda mais quando se trata de uma garotinha seviciada por quatro anos!

O jornalista e ambientalista André Trigueiro (que é espírita), em transmissão ao vivo realizada pela rede social Instagram na manhã de 18 de agosto de 2020, observou que a menina, segundo informado pela avó, vinha tendo crises de histeria por não querer o filho que o tio lhe impôs. E que, no hospital de Recife (PE), onde foi realizado o aborto autorizado pela justiça, é feito, toda semana, pelo menos um procedimento semelhante em menores de idade vítimas de estupro, conforme declaração do diretor da instituição. Ou seja, a questão é bem mais grave do que se pensa neste Brasil carente de educação, saúde, qualidade de vida, justiça, cidadania, amparo social… Carências que resultam em problemas de variada monta. Entre eles, crianças sendo violentadas.

Analisando os fundamentalistas de direita que se dizem cristãos e que foram para a porta do hospital ofender a menina e a equipe médica, André salientou ser muito o grave o fato de confundirmos o público com o privado. André é contra o aborto, assim como eu e todos os espíritas, creio. Mas isso é uma questão nossa. Uma questão privada, de foro íntimo.

O Estado, todavia, é laico, ou seja, não tem religião. Por isso, é muito absurdo querer que todas as pessoas enxerguem a interrupção proposital da gravidez da mesma forma que a minha religião enxerga. Por isso, em vez de julgar com impiedade e frieza uma criança de 10 anos, o melhor que temos a fazer é respeitar a cidadania e o direito legal que uma menina ou mulher possui de passar pelo procedimento do aborto caso tenha sido violentada. Não é caridoso, nessas horas, querer enfiar conceitos espíritas pela goela alheia.

Volto à questão dos homens que levantam a voz contra o aborto. O Congresso Nacional é composto, em sua maioria, por deputados e senadores do sexo masculino. Muitos deles, profitentes de religiões conservadoras. E machistas também. Homens que, assim como eu, não possuem trompa, útero e afins. Tampouco correm o risco de estupro ou de passar por uma gravidez de risco. Em vez de condenarem a mulher que aborta, por que não elaboram leis que punam o homem que aborta? Será que o machismo corporativo não permite? Afinal, quando uma mulher recorre ao aborto, o homem que a engravidou já abortou a criança antes, seja abandonando a parceira, mandando-a se virar, fugindo para não pagar pensão ou para não ser preso etc.

Não seria melhor todos os homens, sem exceção, se meterem o menos possível no assunto e deixarem as mulheres decidirem o que melhor lhes convém? Falo sobre deputadas e senadoras reunidas com mulheres representantes de vários segmentos sociais e profissionais para legislarem em causa própria. Fica a sugestão.

Marcelo Teixeira
Fonte: Associação Brasileira de Pedagogia Espirita (ABPE)

G. E. Casa do Caminho de São Vicente

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PELAS TRILHAS DE JESUS

Joanna de Ângelis

A medida que se avolumam o desespero e os desvios de conduta entre as criaturas terrestres, aumentando os índices dos crimes hediondos e a terrível avalanche dos caminhantes sem roteiro, a maioria delas vencida pelos desconsertos da emoção e pela perda do sentimento nobre da alegria de viver, as notáveis conquistas da inteligência deste século de tecnologia e de ciência perdem o brilho, por não haverem conseguido tornar o ser humano mais feliz do que os seus antepassados…

As gloriosas aquisições que lhe facultaram uma existência mais longa, assinalada por muitas comodidades e recursos para a fácil locomoção, para as comunicações, para o desaparecimento e a diminuição de várias enfermidades físicas, infelizmente não lhe alteraram as angústias, as dores morais, nem lhes preencheram as necessidades de acompanhamento, de afeto, de autorrealização.

Um grande número de seres humanos movimenta-se como sonâmbulo inconsequente, transitando de um para outro lado, sem se dar conta do que lhe sucede em volta, enquanto outros, desarvorados, atiram-se na correria intérmina pela busca de coisa nenhuma, acumulando haveres sem maior significado pela impossibilidade de armazenar paz interior e enriquecimento espiritual.

O vazio existencial domina as diversas classes sociais, mesmo aquelas ditas privilegiadas pelo poder temporal, pelos haveres amoedados, pelas posições de destaque social e político, empurrando-as para a drogadição, o sexo exaustivo, o alcoolismo, o tabagismo, a agressividade, em que se desgastam e sucumbem.

A perda de objetivos relevantes caracteriza-lhes a fuga para a futilidade e o prazer que não satisfazem as ânsias do coração nem as aspirações profundas do pensamento.

Quanto mais aumenta a população terrestre mais se amplia a área da solidão, impondo grande silêncio aos relacionamentos, em decorrência da desconfiança que assalta, zombeteira as criaturas, armando-as, quase sempre, umas contra as outras, quando se deveriam amar umas às outras.

Os condomínios de luxo multiplicam-se numericamente assinalados pelos mecanismos de proteção aos seus residentes que constroem ilhas de prazer distanciando-se cada vez mais da sociedade em geral, impossibilitados de viverem em paz e em saudável alegria, porque, mesmo nesses seletos paraísos, a maquilagem da ilusão não consegue ocultar a realidade pessoal, mascarando as suas faces sem modificar os seus sentimentos…

Predador, o ser humano parece retornar à caverna em mecanismo defensivo-agressivo, ansiando por afeição e entendimento fraterno…

Dois mil anos de mensagem cristã, incontáveis denominações religiosas, exibições doutrinárias utilizando os mais avançados mecanismos da cibernética e da informática, e pouquíssima religiosidade no comportamento e na ação dos novos crentes! Técnicos em administração de empresas orientam núcleos de fé religiosa, preocupados em acumular poder e finanças, falhando, porém, nos objetivos essenciais, porque, embora esses lugares se apresentem repletos de assistentes, os mesmos sorriem combatendo-se mutuamente através das rixas de fluentes da insegurança psicológica, da inveja, da insensatez, do quase total desconhecimento ou crença na imortalidade do Espírito, que prosseguirá após a disjunção molecular com o patrimônio do que fez durante a vilegiatura carnal, conduzindo os valores reais que lhe caracterizam o processo evolutivo e não com a aparência habilmente cuidada.

E tão fácil, no entanto, seguir pela trilha percorrida por Jesus! Ele não se preocupou em ter, em amealhar, mas em ser, em distribuir.

Jamais se prendeu às questões transitórias, sempre preocupado com aquelas de natureza imorredoura.

Nunca se dispôs a prejudicar quem quer que fosse desculpando até mesmo os que se compraziam em Lhe ser adversários perversos e impertinentes.

Aberto ao amor, nunca se impôs, deixando livres todos quantos se Lhe acercassem, embora os sentimentos nem sempre edificantes que os assinalavam.

Jamais se dedicou à censura, à maledicência, à perda de tempo nos jogos de interesses materiais.

Desobrigou-se de todos os deveres que Lhe diziam respeito com naturalidade, sem ostentação, afável e simples como o lírio do campo, sempre vigilante em relação ao verbo servir sem esperar resposta dos que se beneficiavam da Sua bondade.

Filho excelente de Deus, jamais se jactou dessa condição superior, misturando-se aos mais infelizes, aos perseguidos e indesejados, tendo paciência incomum com as suas misérias e mesquinhezes, sem deixar de atender aos outros infelizes mergulhados no poder temporal, nos negócios de César, nas disputas de toda natureza…

Absolutamente consciente da Sua missão entre as criaturas humanas, dignificou-as com a Sua ternura, orientando-as e vivendo de tal forma que ninguém pudesse duvidar da autenticidade dos Seus ensinamentos.

Despojado de tudo, era possuidor dos tesouros da paz e da alegria, submetendo-se às injunções mais penosas sem qualquer queixa nem reclamação, sempre exaltando o Pai de Quem procedia…

A trilha percorrida por Jesus encontra-se vazia, empoeirada, com espinhos e pedrouços à mostra, queimada pelo Sol ardente…

Vez que outra se pode ver alguém se movimentando pelo terreno áspero, tentando repetir-Lhe a passagem, quase sempre, porém, sob o sarcasmo de outros companheiros que estão na margem e lhe atiram pedras, vencidos pelas trevas interiores e pelos desencarnados adversários do Bem, tentando desviá-los, para que se percam no desespero ou no desencanto…

Vinculado, no entanto, a Jesus, esse alguém segue dominado pela consciência do dever, sem a preocupação das láureas nem dos aplausos da mentira que tanto agradam a vacuidade e a ilusão.

Não dispondo de tempo para as discussões inúteis, para os debates da vaidade exacerbada, para as defesas pessoais, seguem incompreendidos, para serem laureados depois da desencarnação com os encômios insignificantes das glorificações terrestres, porque, então, as homenagens que lhes dedicam permitem que a sua luz projete aqueles que os engrandecem inutilmente…

Não são poucos aqueles que exaltam outros que crucificaram! A memória deles lhes permite exibir-se e se tornar herdeiros da sua mensagem, continuadores do seu trabalho, mais em teoria do que na realidade.

Desejassem honestamente dar-lhes continuidade ao estafante labor, fariam um grande silêncio exterior, a fim de que as suas obras exaltassem-lhes o Bem disseminado em todas as suas formas de expressão.

Sucede que, enquanto entoam hinos de gratidão àqueles que optaram pela renúncia e pelo trabalho de abnegação, tornam-se conhecidos, comentados, disputados, saciados na sede de projeção humana.

….E Jesus continua esperando no fim da trilha percorrida por aqueles que tiverem a coragem de completá-la.

Desse modo, não te olvides nunca de Jesus, dAquele que se fez guia e modelo para toda a Humanidade, a quem amas e a quem desejas servir.

Deixa-te impregnar por Suas lições de amor e te entrega docilmente a Ele, tentando segui-lo pela trilha que te deixou, talvez incompreendido, mas isso não é significativo, porque nem Ele foi respeitado ou estimado, antes arrojaram-no desdenhosamente em uma cruz de ultrajes que transformou em sublime ponte de vinculação com Deus.

Aproveita hoje para O seguir, sem passado nem futuro, com o coração e a mente tomados pelo Seu amor.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Liberta-te do Mal

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Como surgiu a imagem que virou símbolo do coronavírus - Jornal O GloboVIROSES

Divaldo Pereira Franco

Periodicamente são utilizadas palavras que se tornam famosas pelo sentido de que se revestem.

Na área da saúde, de quando em quando, questões de alta importância são repudiadas por inúteis e outras consideradas nulas passam a merecer maior consideração. Assim também ocorre com determinadas enfermidades que se tornam pandêmicas e perdem o significado após o excesso em que se manifestam.

É o caso das viroses hoje em alta moda. É certo que a tecnologia médica e os avanços da ciência contribuem para a desmistificação de muitas tradições e a descoberta de muitos males antes ignorados. No entanto, é surpreendente como as viroses estão no top.

Qualquer mal-estar ou ocorrência afligente na área da saúde, logo os leigos diagnosticam seguros: Trata-se de virose.

Estranhável é que, não poucas vezes, após o paciente submeter-se a exames exaustivos e não se lhe encontrando a causa, o médico, com as exceções compreensíveis, para não deixar de apresentar um diagnóstico, utiliza-se do mesmo chavão: É virose!

Na visão espírita, todos os males que afligem a Humanidade têm a sua gênese no ser, no Espírito, propiciando ou utilizando-se dos fatores ambientais para a instalação das enfermidades. Logo, a terapêutica deveria ser realizada na origem, na transformação moral do enfermo para melhor, e naturalmente com a valiosa contribuição médica, porque a Divindade, proporcionando o progresso à Humanidade, tem facultado à ciência médica conquista s imensuráveis.

É o caso das viroses, reais ou imaginárias.

Não seria de bom alvitre pensar-se que os vírus, organismos primitivos e simples, poderiam estar sendo alimentados pelas mentes em desalinho muito comum na atualidade e procurar-se, simultaneamente ao contributo médico, a psicoterapia moral, através da mudança do comportamento para melhor?

Diante, portanto, da quase epidemia de viroses que hoje nos assaltam, propomos também a terapia do Evangelho: amar mais a si mesmo e ao próximo, a fim de melhor amar a Deus.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião em 02-07-2015.

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