O Capítulo 6 do Evangelho de Mateus

Postado por PATRIZIA GARDONA 

O Capítulo 6 do Evangelho de Mateus

Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Jesus (Mt 6:33)

O Capítulo 6 do Evangelho de Mateus é muito rico em orientações ditadas pelo Senhor Jesus.

Logo no primeiro versículo Ele nos discorre sobre a discrição necessária quando da prática do bem e, em sequência, fala da esmola que deve ser intencionalmente anônima. Ensina-nos a orar sem intenções secundárias, e nos garante que o Pai sabe tudo o que necessitamos mesmo antes de pedirmos. Nesse ponto nos apresenta a oração do Pai Nosso, que se transformou em oração universal.

Sobre a prática religiosa do jejum também indica a mesma discrição da esmola.

Orienta sobre o tesouro pelo qual devemos buscar, os dos Céu, porque nosso coração sempre estará junto ao que escolhermos, e fala que a bondade ilumina o Espírito de quem a pratica.

Aconselha-nos a nos resguardar da ansiedade causada pela vida material, e nos aponta as aves do céu e as flores do campo com sendo objetos dos cuidados de Deus, que muito mais faz por seus filhos humanos, pois Ele sabe do que precisam.

Chegamos, então, ao penúltimo versículo do capítulo, que colocamos no início deste ensaio, e sobre o qual pretendemos reflexionar.

Nele o Senhor nos orienta a buscarmos, em primeiro lugar, o Reino dos Céus e a sua justiça, para que todas as coisas nos sejam acrescentadas.

Quê coisas?

Por Reino dos Céus entendamos Mundo Espiritual, ambos invisíveis, e a eles destinam-se as Almas dos viventes na carne depois da romagem terrena.

Nesse Reino há uma justiça, portanto, um conjunto de Leis que a rege, e a qual tudo e todos estamos sujeitos.

Por simples dedução, o Reino de Deus é tudo o que existe, visível e invisível, conhecido e o ainda desconhecido, portanto, sua lei também abrange os encarnados, e é por isso, podemos concluir, que Jesus disse que o Amor resume “toda a Lei e os Profetas”, referindo-se à Lei de Moisés e ao que preconizavam os Profetas, que eram, como os médiuns em geral, “as vozes dos céus”.

Ensinam os Benfeitores Espirituais, que o Mundo Material se subordina ao Mundo Espiritual, e que o primeiro serve de estágio para o Espírito imortal desenvolver-se moralmente tendo como objetivo último a perfeição relativa a que está destinado, e a Doutrina Espírita, na terceira parte de O livro dos Espíritos, descreve todas as Leis que regem o Mundo Moral, suficientes para o nosso atual estágio evolutivo permitindo, inclusive, conhecer as razões de nossa infelicidade sobre a Terra.

Dessa forma, enquanto insistirmos na busca por satisfações pessoais no campo da posse e da vaidade, do orgulho e do egoísmo, mais nos tornaremos ansiosos por aquilo que não sacia pondo a perder a oportunidade do desenvolvimento espiritual, há tempos inadiável.

Quando almejamos somente o sucesso terreno, em detrimento do espiritual, mais nos expomos ao desajuste da consciência, por contrariar a Lei de Amor que nela reside.

Quis dizer Jesus, nesse versículo, que é necessário nos ajustarmos a Lei de Deus, que é de Amor, ou seja, de desprendimento e justo valor espiritual do que é material, para que todas as coisas que são necessárias ao desenvolvimento do Espírito, e não ao homem corporal, sejam supridas pela Providência Divina.

Portanto, é bom que nós vivamos, conscientemente, o momento presente tirando dele o proveito espiritual necessário, eliminando as inquietações decorrentes da vida material pelo amanhã, porque, pela Lei Natural, “o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”, encerra o evangelista, com dizeres de Jesus, o último versículo do capítulo em estudo neste pequeno ensaio literário.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Rede Amigo Espírita

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Desordens de comportamento e obsessão

Rede Amigo Espírita

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Charity era viciada em drogas e deu à luz o menino Paris.  Nove anos depois engravidou novamente e teve a menina Ella. O menino era mais introvertido e tímido, enquanto Ella era extrovertida, teimosa e determinada.

Charity conseguiu ficar longe das drogas por alguns anos. Porém, quando Paris tinha 12 anos e Ella 3, teve uma recaída (por seis meses) com cocaína. Foi difícil para Paris perceber que sua mãe era uma viciada. Transtornado, com 13 anos de idade, ele sufocou e esfaqueou sua irmã 17 vezes com uma faca de cozinha. Após o crime, ligou para o 911, o número de emergência local. Paris disse à polícia que estava dormindo e que, ao acordar, viu que Ella tinha se transformado em um demônio em chamas. Então, ele teria pegado a faca e tentado matar o “demônio”.

Em 2007, Paris foi condenado a 40 anos de prisão pelo assassinato. Charity estava convencida de que o crime não havia sido um acidente ou resultado de uma psicose temporária, pois, para ela, Paris realmente quis matar a irmã. Charity acredita que a recaída nas drogas contribuiu para deixar Paris furioso. Entretanto, do mesmo modo crê que grande parte do que está por trás da personalidade do filho seja genética, pois o pai de Paris tinha esquizofrenia do tipo paranoica, caracterizada por exemplo pela presença de ideias frequentemente de perseguição, em geral acompanhadas de alucinações.

Cremos que o ambiente familiar e social tem papel importante no desenvolvimento e manutenção de transtorno de conduta. Em alguns casos o uso de álcool e drogas pela mãe durante a gestação, e também de alguns medicamentos, já foram confirmados. As pessoas com transtorno de conduta são caracterizadas por padrões persistentes de comportamento socialmente inadequado, agressivo ou desafiante, com violação de normas sociais ou direitos individuais. São pessoas carentes de amor e de apreço pela sociedade, por isso ignoram o outro. Adotam costumes criminosos sem nenhum remorso, conservando-se frios e insensíveis ao que ocorre ao seu redor.

Para a psicologia o “self” nessas pessoas é desconectado do “ego”, padecendo uma rachadura que impede o completo relacionamento que determinaria a sua adaptação ao grupo social. O Espiritismo explica que isso procede de legados morais e espirituais que brotam das experiências infelizes de outras existências, quando o Espírito delinquiu, camuflando a sua culpa e se esquivando da coexistência social. E há em muitos casos influências espirituais que podem levar a desviosde conduta e mau caráter.

Allan Kardec esclarece que há vários tipos de obsessão, sendo o mais grave o de subjugação, em que o obsessor interfere e domina o cérebro do encarnado. A subjugação pode ser psíquica, física ou fisiopsíquica. Assim, as doenças mentais ou físicas também podem, de acordo com o conhecimento espírita, sofrer influências externas.

Recuando à época de Jesus, conferimos que os evangelistas anotaram diversos episódios de obsessões. A exemplo de Lucas, que descreveu o homem que se achava no santuário, possuído por um Espírito infeliz, a gritar para Jesus, tão logo lhe marcou a presença: “que temos nós contigo?”. [1]

Numa ação obsessiva, seguida de possessão e vampirismo, o evangelista Marcos escreveu sobre o auxílio seguro prestado pelo Cristo ao pobre gadareno, tão intimamente manobrado por entidades cruéis, e que mais se assemelhava a um animal feroz, refugiado nos sepulcros. [2] No episódio da obsessão envolvendo alma e corpo, o apóstolo Mateus anotou que o povo trouxe ao Mestre um homem mudo, sob o controle de um Espírito em profunda perturbação e, afastado o hóspede estranho pela bondade do Senhor, o enfermo foi imediatamente reconduzido à fala. [3]

Na obsessão indireta, cuja vítima padece de influência aviltante, sem perder a própria responsabilidade, o discípulo amado João registrou que um Espírito perverso havia colocado no sentimento de Judas a ideia de negação do apostolado. [4] E na complicada obsessão coletiva causadora de “moléstias-fantasmas”, encontramos o episódio em que Filipe, transmitindo a mensagem do Cristo entre os samaritanos conseguiu que muitos coxos e paralíticos se curassem, de pronto, com o simples afastamento dos Espíritos inferiores que os molestavam. [5]

Diante dessas inquietações espirituais, Emmanuel afirma que o Novo Testamento trata o problema da obsessão com o mesmo interesse humanitário da Doutrina Espírita. Em face disso, devemos manter-nos atentos e ampliar o serviço de socorro aos processos obsessivos de qualquer procedência, porque os princípios de Allan Kardec revivem os ensinamentos de Jesus, na antiga batalha da luz contra a sombra e do bem contra o mal. [6]

 Referências bibliográficas:

[1] Lucas  4: 33,35

[2] Marcos 5: 2,13

[3] Mateus 9: 32,33

[4] João 13: 2

[5] Atos 8: 5,7

[6] XAVIER, Francisco Cândido. Seara dos Médiuns, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001

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O Efeito da Cólera

Um velho judeu, de alma torturada por pesados remorsos, chegou, certo dia, aos pés de Jesus, e confessou-lhe estranhos pecados.

Valendo-se da autoridade que detinha no passado, havia despojado vários amigos de suas terras e bens, arremessando-os à ruína total e reduzindo-lhes as famílias a doloroso cativeiro. Com maldade premeditada, semeara em muitos corações o desespero, a aflição e a morte.

Achava-se, desse modo, enfermo, aflito e perturbado… Médicos não lhe solucionavam os problemas, cujas raízes se perdiam nos profundos labirintos da consciência dilacerada.

O Mestre Divino, porém, ali mesmo, na casa de Simão Pedro, onde se encontrava, orou pelo doente e, em seguida, lhe disse:

— Vai em paz e não peques mais.

O ancião notou que uma onda de vida nova lhe penetrara o corpo, sentiu-se curado, e saiu, rendendo graças a Deus.

Parecia plenamente feliz, quando, ao atravessar a extensa fila dos sofredores que esperavam pelo Cristo, um pobre mendigo, sem querer, pisou-lhe num dos calos que trazia nos pés.

O enfermo restaurado soltou um grito terrível e atacou o mendigo a bengaladas.

Estabeleceu-se grande tumulto.

Jesus veio à rua apaziguar os ânimos.

Contemplando a vítima em sangue, abeirou-se do ofensor e falou:

— Depois de receberes o perdão, em nome de Deus, para tantas faltas, não pudeste desculpar a ligeira precipitação de um companheiro mais desventurado que tu?

O velho judeu, agora muito pálido, pôs as mãos sobre o peito e bradou para o Cristo:

— Mestre, socorre-me!… Sinto-me desfalecer de novo… Que será isto?

Mas, Jesus apenas respondeu, muito triste:

– Isso, meu irmão, é o ódio e a cólera que outra vez chamaste ao próprio coração.

E, ainda hoje, isso acontece a muitos que, por falta de paciência e de amor, adquirem amargura, perturbação e enfermidade.

Meimei

Médium: Francisco Cândido Xavier;

Do livro: Pai Nosso.

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Genética e caviares ante o mérito natural

Postado por os pae – Exibir blog

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

O termo meritocracia provém do prefixo latino meritum (“mérito”) e do sufixo grego cracia, (“poder”), sugere conjunturas conseguidas por mérito pessoal. É óbvio que a estrutura biogenética (os genes) não definem méritos individuais, embora posam influenciar. Considerando-se que há fatores ambientais e espirituais os méritos pessoais não podem ser explicados somente por fatores genéticos. 

Vociferam, especialmente os ideólogos “caviar” que há contradição na crença popular da “meritocracia”, considerando o modelo de hierarquização baseado nos méritos pessoais de cada indivíduo. Trombeteiam que nascer em berço de ouro é melhor do que nascer inteligente, porque duas pessoas geneticamente semelhantes podem ter pontuações diferentes no teste de QI, porque as mais ricas investiram mais recursos escolares em seus filhos. Esbravejam, assim, os seguidores da “romanesca ideologia igualitária” , inclusive alguns “espíritas ateus” conforme declara o blog http://espiritismoateu.blogspot.com/ (creia!).

Essa “vã ideologia igualitária”, que extasia a mente desconexa de lógica, parece ser mais “justa”, e parece atender melhor à parte mais “desprotegida” da sociedade. Porém a pauta do “igualitarismo” carrega consigo a nódoa desprezível da incapacidade de respeitar o livre arbítrio individual. A “fantasiosa ideologia igualitária” não conseguirá jamais se estabelecer com o consentimento dos cidadãos lúcidos, em face disso precisa se impor à força para que os “mais iguaizinhos” (grupelhos saqueadores da liberdade individual) conduzam e proíbam a “liberdade” do resto da massa aturdida e reprimida.

Via de regra, os oportunistas e ideólogos “esturjões” ou obsidiados por caviar são ateus , abrangendo, como vimos no blog acima, determinados “espíritas”…espíritas!?…hum!!!!, materialistas e impetuosos mensageiros de sistemas [repressores] e incontestavelmente são repletos de cobiça (fascinados por dinheiro). Tais criaturas bucólicas não compreendem que a tão sonhada e “folclórica ideologia igualitária” seria a curto prazo desfeita pelo pesadelo lógico da meritocracia e pela força das circunstâncias.

As considerações espíritas, certamente, não podem ser entendidas de forma ingênua e fatalista, segundo o conceito de que as coisas são como são em decorrência unicamente de causas passadas e de que devemos nos sujeitar a elas. Rejeitarmos a extrema desigualdade social e fazermos o possível para reduzirmos as distâncias que existem entre as pessoas é obrigação de todos.  Indubitavelmente não é natural a desigualdade extrema na sociedade. É obra dos egoístas e não de Deus. Mas essa desigualdade extremada desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. “Permanecerá porém a desigualdade do merecimento, pois que a cada um segundo seus méritos, como proferiu Jesus.” [1]

Em verdade, “O Espiritismo […] em face das doutrinas religiosas enfraquecidas, petrificadas pelo interesse material, impotentes para esclarecer o Espírito humano, ergueu-se uma filosofia racional, trazendo em si o germe de uma transformação social, um meio de regenerar a Humanidade, de libertá-la dos elementos de decomposição que a esterilizam e enodoam”. [2] A Justiça Divina se baseia no livre-arbítrio e nas ações individuais. Não é a opressão coletiva que fará um indivíduo social, fraterna ou moralmente melhor. É o mérito de cada um que refletirá no coletivo.

Não é raro se fazer referência à meritocracia espírita, designada por Kardec como aristocracia intelecto-moral, desmerecendo-a por analogia à meritocracia vigente. A meritocracia espírita é fundamentada nas conquistas morais do Espírito encarnado. Os conceitos do Espiritismo defendem a meritocracia do ideário liberal, a liberdade individual e quem batalha por esses valores não deve ser tido como um antidemocrata.

O conceito meritocrata reflete que o progresso depende diretamente do esforço individual que não é “recompensa”, mas consequência natural , efeito desejado, ou seja, só prospera quem escolhe avançar. Quem assim não age, padecerá as naturalíssimas decorrências educativas conexas. Todavia, do ponto de vista material, a sociedade organiza-se conforme o próprio nível moral dos seres e, quanto mais evoluída, mais o mérito é reconhecido como base da justiça.

 

Referências bibliográficas:

[1] KARDEC Allan. O Livro dos Espíritos , questão 812,  RJ: Ed. FEB, 2000

[2] DENIS, Leon. Depois da Morte, capitulo 24, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1998

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O Evangelho segundo o Espiritismo não incluído no “Pacto Áureo”

Postado por Antonio Cesar Perri de Carvalho – Exibir blog

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*) 

Estudos e entrevistas que realizamos ao longo de alguns anos nos estimularam à elaboração do livro União dos espíritas. Para onde vamos? (Ed. EME, 2018)1 e, mais recentemente, à preparação da palestra de abertura do Encontro promovido pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo para comemoração – nos dias 20 e 21 de outubro de 2018 -, dos 70 anos do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita (São Paulo, 1948).2,3

Os Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita 4 contém riquíssimo material de estudo e propositivo elaborado por notáveis líderes espíritas vinculados ao movimento espírita de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e do antigo Distrito Federal. 

Como repercussão das teses aprovadas houve rejeição por parte da direção da Federação Espírita Brasileira da época. 

Todavia, vários dos protagonistas do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, por estarem no Rio de Janeiro participando do Congresso da CEPA, repentinamente, foram recebidos pelo presidente da FEB. E num dia e meio, sem prévia preparação aconteceu a reunião que ficou conhecida como a Grande Conferência Espírita do Rio de Janeiro, também chamado “Acordo de Cavalheiros” e cognominado por Lins de Vasconcellos como “Pacto Áureo” e se constituiu no Acordo de Unificação do Movimento Espírita Brasileiro. Na oportunidade, o presidente da FEB Wantuil de Freitas, em nome da Diretoria da FEB, apresentou outra proposição, contendo dezoito itens, sintetizando os princípios sobre os quais poderiam assentar-se a União e a Unificação do Movimento Espírita, além de detalhamento de providências complementares para o funcionamento do Acordo.1,5 

O Acordo foi assinado no dia 5/10/1949 na sede da FEB, “ad referendum” das Entidades cujos dirigentes estavam presentes, pois essa reunião não havia sido planejada e mesmo porque o tempo da reunião foi extremamente exíguo para se tratar de temas tão complexos. 

Pelas reações ocorridas em São Paulo logo após o evento, e por declarações de alguns protagonistas, sabe-se que prevaleceu um gesto de boa vontade, mas com a expectativa de um futuro aprimoramento do documento.1,5 

Esse aprimoramento ou revisão que não ocorreu, faz falta com vistas ao atendimento do cenário atual do movimento espírita. 

A primeira questão a ser levantada é sobre o Artigo 1o do “Pacto Áureo”: “Cabe aos Espíritas do Brasil porém em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo.” 

E o outro relacionado à fundamentação, é que apenas no Artigo 12o cita-se duas obras de Allan Kardec: “As Sociedades componentes do Conselho Federativo Nacional são completamente independentes. A ação do Conselho só se verificará, aliás, fraternalmente, no caso de alguma Sociedade passar a adotar programa que colida com a doutrina exposta nas obras: O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, e isso por ser ele, o Conselho, o orientador do Espiritismo no Brasil.”

A citação do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, desde aquela época gerou controvérsias. Independentemente do conteúdo da obra há várias especulações ligadas ao fato de que se trata da única obra psicográfica de Francisco Cândido Xavier que faz citação nominal de um autor não aceito pela ampla maioria dos espíritas brasileiros.1 

Aí surgem indagações óbvias: Por que os proponentes do Acordo de união que foram participar do 2º Congresso da CEPA levando a tese “Prevalência do Espiritismo Religioso”, e a própria FEB deixariam de citar o livro O evangelho segundo o espiritismo, a obra espírita mais lida e comercializada no Brasil? Por quê no citado Acordo não estão relacionadas todas Obras Básicas de Allan Kardec?1

Fato digno de nota é que Francisco Cândido Xavier, não podendo comparecer ao citado Congresso Brasileiro enviou mensagem assinada pelo espírito Emmanuel com o título: “Em nome do Evangelho”, incluída nos Anais do Congresso.1,2,3,4,5

À vista disso consideramos que no caso de uma revisão do “Pacto Áureo” ou na elaboração de um acordo de união novo, e sem nenhum juízo do conteúdo geral do livro, seja removida a referência à obra Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho, bem como de apenas duas obras do Codificador, substituindo pela citação completa das Obras Básicas de Allan Kardec.1,2,3 

Pelo menos em tempos mais recentes seria uma total incoerência, pois até nas recomendações de Estatutos para os centros espíritas, em geral, há a indicação como Artigo 1º, por exemplo: 

“O Centro Espírita … fundado em … , neste Estatuto designado “Centro”, é uma organização religiosa, com duração indeterminada e sede na cidade de … , no endereço … , e que tem por objeto e fins: I – o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo em todos os seus aspectos, com base nas obras de Allan Kardec, que constituem a Codificação Espírita.”1 

Depois de analisar o “Pacto Áureo” item a item em nosso livro União dos espíritas. Para onde vamos? concluímos: 

“Em nosso entendimento e experiência, com os apontamentos acima expressos, o texto do “Pacto Áureo” está superado. Imaginemos um dirigente que, ao ler o citado documento, resolva colocar em prática “ao pé da letra” o que está definido em seus artigos. O “Pacto Áureo” é um importante referencial histórico, mas não é mais aplicável na atualidade.”1,2,3 

Mesmo se considerando várias ações encetadas pelo CFN da FEB para se divulgar Allan Kardec, como a Campanha Comece pelo Começo, aprovada em novembro de 2014, não se pode olvidar que o “Pacto Áureo”, com a questão doutrinária que destacamos e vários itens defasados, ainda é uma norma vigente. Há necessidade de se rediscutir e se refazer o “Pacto Áureo”!

 Extraído de: http://grupochicoxavier.com.br/o-evangelho-segundo-o-espiritismo-na…

Referências: 

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. União dos espíritas. Para onde vamos? 1.ed. Capivari: Ed. EME. 2018. 144p. 

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. 70 ANOS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE UNIFICAÇÃO ESPÍRITA – HISTÓRICO. Texto da palestra em edição digital: http://www.usesp.org.br/Associacao/Documentos;  Depois clique em DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA, que contém o arquivo: Palestra – Comemorações dos 70 anos do 1o CBUE. 

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. 70 ANOS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE UNIFICAÇÃO ESPÍRITA – HISTÓRICO. Vídeo. Link: http://www.youtube.com/watch?v=oZVb7MfxejQ 

4) Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita. São Paulo: USE. 191p. Edição em versão digital AEC/USE: http://www.usesp.org.br/Associacao/Documentos; Depois clique em DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA, que contém o arquivo: Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita. 

5) Monteiro, Eduardo Carvalho; D’Olivo, Natalino. USE – 50 anos de unificação. São Paulo: USE. 1997. 335p.

(*) Foi presidente da USE-SP e da FEB.

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Superações íntimas por meio do perdão

Postado por os pae – Exibir blog

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

 

Com Kardec aprendemos que devemos amar os criminosos [que nos ultrajam] como criaturas de Deus, “às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem” (1) como também a nós, pelas faltas que cometemos contra sua lei. Não nos cabe dizer de um criminoso: é “um miserável; deve-se expurgar da terra; não é assim que nos compete falar. Que diria Jesus, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. Em realidade, não podemos fazer o mesmo; mas, pelo menos, podemos orar por ele.” (2)

No quotidiano quando somos ofendidos por esse ou aquele motivo, quase sempre encapsulamos o desejo de revanche e mantemos o “link” mental com as forças poderosas do mal, que somadas a outras tantas circunstâncias potencializam as sombras de nossos desagravos. Naturalmente, o perdão não significa conivência com o erro, até porque atitudes de perdoar e desculpar sem limites pode incitar o criminoso à prática do mesmo ato reprovável. Isto não é perdoar, mas, subserviência ou omissão.

Ora, todos sabemos que perdoar coisas leves contra nós mesmos é relativamente fácil, porém quando se trata de algo mais grave como um assassinato, um estupro, uma infidelidade conjugal por exemplo, a dificuldade de superação da mágoa aumenta consideravelmente. Por isso que a Doutrina Espírita leva refletir, que o perdão será sempre o sentimento que nas superações pessoais transcendem ao próprio ser.

Escutemos as palavras de Jesus: “Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem e caluniam; (3)”. E mais “Se perdoares aos homens as faltas que cometeram contra vós, também vosso Pai celestial vos perdoará os pecados; mas, si não perdoardes aos homens quando vos tenham ofendido, vosso Pai celestial também não vos perdoará os pecados”. (4)

Não resta dúvida que aprendendo a perdoar, estaremos promovendo nosso crescimento espiritual. Mas não podemos deixar-nos ensopar de hipocrisia ao ponto de dizermos que já conseguimos perdoar todos os que nos ofendem. Certamente, os agravos que nos façam não ficarão isentas das consequências naturais, mas deixemos a cargo do Criador a justa reparação.

Ouçamos o Mestre: “Aprendestes que foi dito: olho por olho e dente por dente. – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra…”(5) Os Benfeitores advertem: “No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Jesus não quis dizer para deixarmos de reprimir o mal, mas para não pagar o mal com outro mal. Perdão é o pagamento do mal com o Bem… O perdão nivela os homens pelo que neles há de melhor, libertando quem perdoou dos maus sentimentos que o escravizavam a quem o feriu.” (6)

Refrear o desejo de vingança não é possível quando alguém sente o coração transbordar de fúria. Contudo, lembremos que entre o desejo de vingança e a execução da ação vingativa existe espaço suficiente para exercermos o livre-arbítrio, ou seja, a escolha entre o bem e o mal. A vingança será sempre uma atitude insensata e inútil, até porque, nenhum benefício trará ao nosso progresso, e uma vez consumada, terá satisfeito, apenas, à nossa inconformação diante dos desconhecidos motivos da nossa provação.

 Rede Amigo Espírita

Referências bibliográficas:

[1] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Caridade ara com os criminosos, instruções de Elisabeth de France (Havre, 1862), Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap. 11 

[2] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Caridade ara com os criminosos, instruções de Elisabeth de France (Havre, 1862), Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap. 11 

[3] Mateus, 5: 43 e 44

[4] MATEUS, cap. VI, vv. 14 e 15.

[5] Cf. Mateus, cap. V, vv. 38 a 42

[6] KARDEC Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB, 2003, cap. VI, item 5, 118

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O VÍCIO DA INDIFERENÇA

UM DOS ESTADOS ALIENANTES DO SER, DA SOCIEDADE MODERNA, VÍCIO MENTAL – A INDIFERENÇA

Nos estados depressivos a apatia se manifesta, não raro, dominando as paisagens emocionais da pessoa. Essa apatia impede a realização das atividades habituais, matando o interesse por quaisquer objetivos. É uma indiferença tormentosa, que isola, a pouco e pouco, o paciente do mundo objetivo, alienando-o.

Além dessa manifestação psicopatológica, há aquela que resulta da viciação mental em não se preocupar com as outras pessoas, nem com o lugar onde se encontra. Tão grave quanto a primeira, essa indiferença provém de vários conflitos, como as decepções em relação à própria existência, em demasiada valorização do secundário em detrimento do essencial, que é a própria vida e não aqueles que a utilizam egoisticamente, de forma infeliz, com desrespeito pelo seu próximo, pela sociedade.

Noutros casos, há a atitude egocêntrica, que remanesce da infância e não alcançou a maturidade psicológica na idade adulta, sentindo-se o ser desconsiderado, desamparado, sem chance de triunfar; o cansaço decorrente de tentativas malogradas de autoafirmação, de empreendimentos perdidos; o desamor, em razão de haver aplicado mal o sentimento, como troca de interesses ou vigência de paixões; o abandono de si mesmo pela falta de autoestima… 

Para esse tipo psicológico é mais fácil entregar-se à indiferença, numa postura fria de inimigo de todos, do que lutar contra as causas desse comportamento.

Vício mental profundamente alienador, arraigado nos derrotistas, a indiferença termina por matar os sentimentos, levando o paciente a patologias mais graves na sucessão do tempo.

Caracteriza também a personalidade esquizofrênica de muitos títeres e algozes da Humanidade, a insensibilidade que resulta da indiferença, quando praticam crimes, por mais hediondos sejam.

Inicia-se, às vezes, numa acomodação mental em relação aos acontecimentos, como mecanismo de defesa, para poupar-se a trabalho ou a preocupação, caracterizado num triste conceito: – Deixa pra lá.

Toda questão não resolvida, retorna complicada.

Ninguém se pode manter em indiferença no inevitável processo da evolução. A vida é movimento e o repouso traduz pobreza de percepção dos fenômenos em volta.

Terminada uma cerimônia religiosa em plena Natureza, fez-se um imenso silêncio que tomou conta de todos os presentes. Sensibilizado, um jovem disse ao seu pastor:

– Nunca percebi tão grande e profundo silêncio. Ao que o outro respondeu: — Nunca havia ouvido toda a música das galáxias nas suas revoluções siderais…

Quando a indiferença começar a sinalizar as atividades emocionais, faz-se urgente interrompê-la, aplicar-lhe a terapia da mudança do centro de interesse emotivo, despertando outras áreas do sentimento, adormecidas ou virgens, a fim de poupar-se o indivíduo à sua soberania. Acostumando-se-lhe, inicia-se uma viciação mental mais difícil de ser corrigida, por ter um caráter anestesiante, tóxico, ao largo do tempo.

Se o estresse responde pela sua existência, em alguns casos, o relaxamento, acompanhado de novas propostas de vida, produz efeito salutar, que deve ser utilizado.

O Fluxo Divino da força da vida é incessante, e qualquer indiferença significa rebeldia aos códigos do movimento, da ação, proporcionando hipertrofia do ser e paralisia da alma.

Uma análise do próprio fracasso em qualquer campo redunda eficaz, para retirar proveitosa lição dele e levantar -se para novas tentativas.

Nas experiências retributivas da afetividade mal direcionada, das quais resulta a síndrome da indiferença, a escolha pelo amor sem recompensa, pelo bem sem gratidão, emula o indivíduo a sair do gelo interior para os primeiros ardores da emotividade e da autorrealização.

Nunca deixar que a indiferença se enraíze. E se, por acaso, crer que a própria vida não tem sentido nem significado, num gesto honroso de arrebentar algemas, deve experimentar dar-se ao próximo, a quem deseja viver, a quem, na paralisia e na enfermidade, busca uma quota mínima de alegria, de companheirismo, de afeto e de paz. Fazendo-o, esse indivíduo descobre que se encontra consigo mesmo no seu próximo ao doar-se, assim recuperando a razão e o objetivo para viver em atividade realizadora.

Da obra – Autodescobrimento – Uma Busca Interior (psicografia Divaldo Pereira Franco – ditado pelo espírito Joanna de Ângelis)

Rede Amigo Espírita

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Não Pedi para Nascer!

Rede Amigo Espírita

Não Pedi para Nascer!

Já ouvimos essa frase ou mesmo já dissemos, especialmente num repente de rebeldia na adolescência: – Não pedi para nascer!!

Será mesmo?

O escritor espírita Richard Simonetti aduz com muita propriedade:

“Ledo engano. No Plano Espiritual não só pedimos como, não raro, imploramos a casais em disponibilidade que nos dêem a oportunidade de um retorno às experiências humanas, reconhecendo-as indispensáveis à nossa edificação e à solução de problemas cármicos.”

Nossa reencarnação se dá com vistas ao nosso adiantamento, nosso progresso e à reparação de erros cometidos no passado – que implicam em reconciliações com antigos desafetos (que prejudicamos), eis que é impossível avançar com segurança e liberdade deixando rastros de dores para trás: sem consciência limpa não adquirimos a “asa” da libertação.

Dessa forma, é muito frequente a reencarnação entre afetos e desafetos.

Qual o papel de cada um deles na nossa nova existência?

Nossos amados, espíritos com os quais possuímos laços de afetividade, serão o porto seguro, pessoas da família ou amigos que nos ajudarão a superar as dificuldades e a passar pelas provações, tornando a nossa vida mais leve e feliz.

E os adversários? Eles são os parentes difíceis, a exigir de nós constantes sacrifícios. Não sentiremos simpatia por eles e a convivência fraterna será um grande desafio. Mas será por meio dessa convivência que teremos a possibilidade de transformar os sentimentos de aversão, ressentimento, mágoa, em amor e perdão.

O palco da vida, dessa forma, é preparado para nos receber. E quando estamos desencarnados, no intervalo entre uma existência e outra, sentimos em profundidade a importância de estarmos todos reunidos novamente.

Assim, solicitamos aos benfeitores amigos que nos reúna novamente sob o mesmo teto para que possamos nos reajustar com os adversários, aprimorar o amor por aqueles com os quais já possuímos afinidade, desenvolver o amor genuíno por todos e avançar na senda do progresso, apoiando-nos naqueles que nos amam.

Sim, pedimos para nascer. E como desejamos estar exatamente nesse lar que muitas vezes negligenciamos na atualidade….

Reencarnar não é difícil não. Ocorrem 77 milhões de nascimentos por ano no mundo. Na Índia ocorrem 33 partos por minuto e deve ultrapassar a população da China em 2035.

Difícil mesmo é retornar nessas condições “ideais”: estar com as pessoas certas, na hora certa.

Juntar todos os envolvidos não é tarefa fácil. Quase sempre existem outros espíritos na fila, antes de nós, aguardando e necessitando da mesma oportunidade: reencarnar junto daqueles que serão seus pais, irmãos, avós, tios, amigos….

E aí, o que ocorre? Reencarna primeiro aquele que tiver mais preparado e estiver mais tempo aguardando a sua hora chegar.

Por isso, valorizemos a grande oportunidade que temos de conviver bem com aqueles que Deus nos ofereceu como familiares nessa existência, e façamos por merecer futuros empreendimentos ao lado de criaturas amadas, promotoras de bem-estar e alegria aos nossos corações.

Fernando Rossit

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