Desafios do Evangelho – Ser espírita

Publicado por Amigo Espírita

Desafios do Evangelho – Ser espírita

Vladimir Alexei

Belo Horizonte, das Minas Gerais,

Domingo de Páscoa, 1 de abril de 2018.

Estudando com os amigos do Grupo da Bênção (Mario Campos, Minas Gerais) a respeito dos tesouros contidos no Antigo e no Novo Testamento, nos assombramos, novamente, com o tamanho de Jesus.

Jesus é de uma profundidade e amplitude que a nossa razão ainda desconhece adjetivos e analogias que melhor representem sua condição espiritual. Faltam-nos sensibilidade para conseguirmos medir Sua grandeza, que, certamente, vai além do que é descrito no Novo Testamento.

No livro Gênese, Antigo Testamento, em seu primeiro capítulo, nos cinco primeiros versículos, encontramos, em seu sentido espiritual, elementos de uma profunda conexão entre Deus e Jesus, cuja beleza Emmanuel descreve na obra A Caminho da Luz, com riqueza de detalhes, em sua capacidade de síntese extraordinária.

Na Bíblia de Jerusalém, os cinco primeiros versículos foram traduzidos da seguinte forma: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas. Deus disse: haja luz e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”.” Poderíamos nos dedicar a interpretar versículo por versículo (quem sabe um dia?), mas nos limitaremos a entender alguns pontos. Por formação da Terra, Emmanuel explica a partir da nebulosa que se desprende do Sol e que se forma, incandescente, depois esfria e se transforma incessantemente no decorrer do tempo até criar condições para os primeiros movimentos de vida no planeta.

Quando nos mantemos no estudo e entendimentos do campo “material” é possível compreender o processo de transformação vivenciado pela Terra. O desafio está em traduzir a simbologia contida nas escrituras, para a transformação da vivência espiritual.

Sem dúvida alguma a Uranografia, assim como estudos a respeito da evolução planetária são de suma importância para compreendermos que tudo no Universo se encadeia em uma lógica infinitamente superior à nossa compreensão de mundo, na atualidade. O que é estimulante, do ponto de vista da pesquisa e superação dos limites. Os estudos acadêmicos, notadamente a partir do positivismo de Augusto Comte, que tentou atribuir um caráter mais seguro e definitivo às investidas científicas, produzem, ao longo do tempo, pesquisas estruturadas de acordo com os mecanismos capazes de comprovar, em parte ou no todo, aquilo que se propõe estudar. Contudo, esse estudo esbarra nas comprovações espirituais, algo que algumas universidades já aceitam melhor, de acordo com as recentes publicações (artigos, dissertações e teses). Allan Kardec se valeu dessa filosofia para, ao longo de quatorze anos, conceber obra que pudesse nos acompanhar no melhor entendimento daquilo que Jesus trouxe.

Parece místico, mas é totalmente racional: sem a chave do espiritismo, a compreensão dos ensinamentos de Jesus continuaria arranhando a superfície, sem abrir espaço para a compreensão do ser, quanto ao seu destino e as dificuldades vivenciadas no presente. Sem compreendermos os princípios fundamentais em que a Doutrina dos Espíritos se assenta, será incompleto o entendimento a respeito das ocorrências diárias. A reencarnação, por exemplo, explica uma série de fenômenos, que os defensores de uma vida única não conseguem compreender. Aliás, a vida é única sim: o espírito é um só, mas as experiências são multisseculares. Herculano Pires em sua magistral obra O Espírito e o Tempo, nos diz que “nunca poderemos fugir à realidade dos fatos, que nos mostra o homem, na História, tomando conhecimento do mundo pela experiência (…)”.

É por isso que compreendemos melhor a tentativa do homem em traduzir a presença de Jesus, antes de sua encarnação. No versículo quarto, citado anteriormente, encontramos a expressão Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. A “luz boa” é a luz do Cristo, cuja sintonia com o Pai (“Eu e o Pai somos um”, Jo., 10:30), foi capaz de conjugar os elementos necessários para a formação de um orbe que abrigasse espíritos exilados de outros orbes e aqueles que estagiariam aqui pela primeira vez em sua caminhada evolutiva. Existe luz ruim? Existem “gradações” da Luz, assim como existem gradações do Amor. Aquilo que ainda não compreendemos pode ser classificado à conta de ruim, assim como aquilo que nos ofusca o olhar pode também ser compreendido como algo ainda distante de fazer o bem. André Luiz, em uma de suas obras, relata a manifestação de espíritos que, de certa forma, apresentavam-se até com certa luminosidade, porém, essa chama, de um amarelado opaco, não resistia à razão calcada no amor e em busca da verdade, fazendo com que a entidade aos poucos caísse em si. É apenas uma interpretação de um fragmento do assunto, que vai muito além.

Os filósofos pré-socráticos, notadamente aqueles de Mileto, além de Pitágoras, Parmênides, Anaxágoras, Empédocles e Protágoras, traduziam suas compreensões da vida, pelas expressões da natureza, sempre em busca de algo superior. São considerados pré-socráticos em função dos seus estudos e não necessariamente por terem vivido antes de Sócrates. Com esse a filosofia passa a ter como elemento central o ser humano, por isso é um dos precursores do Espiritismo. “A vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”.

Poderíamos avançar ainda por Platão, Aristóteles, assim como viajarmos para a Ásia, na China milenar com Fo-Hi, Confúcio e Lao-Tse, dentre outros, que também perceberam a proteção de um Ser infinitamente Superior a tudo que já haviam sentido nesse orbe (e até em outros, cuja compreensão fora turvada pelo egoísmo e os degredaram para cá). De acordo com suas compreensões da vida, tentaram traduzir essa grandeza ainda a ser compreendida em profundidade que é a presença do Cristo.

Se imaginarmos que, ao encarnar, Jesus ficou durante trinta anos “misturado” à plebe, como se fosse mais um, já teríamos elementos de sobra para extrairmos da letra o espírito que vivifica. Entretanto, chama-nos a atenção, de forma vertiginosa, o que ele fez em três anos. O que Ele fez em apenas três anos ecoa e ecoará pela eternidade da humanidade vivente na Terra, seja de provas e expiações ou como mundo de regeneração. É o que na atualidade chamamos de “exponencial”. As atitudes de Jesus foram exponenciais, superlativas, de tal forma que o tempo não foi capaz de limitá-la.

Encontraremos Agostinho de Hipona, Santo Agostinho, falando sobre o “Sermão do Senhor na Montanha”, da seguinte forma, apenas para ilustrar essa exponencial figura chamada Jesus: “quem quer que considere de modo piedoso e simples o Sermão que Nosso Senhor Jesus Cristo pronunciou na Montanha, segundo lemos no Evangelho de São Mateus, julgo que encontrará nele, no tocante à retidão moral, a regra perfeita da vida cristã, o que não ouso afirmar temerariamente, mas deduzindo-o das mesmas palavras do Senhor. Do próprio final do Sermão depreende-se que nele estão contidos todos os preceitos concernentes à regulação da vida.”

As conexões entre aqueles que conseguiram apreender em profundidade os ensinamentos exponenciais do Cristo, são maiores do que nossa vã filosofia de vida é capaz de compreender, se nos movermos apenas no limitado campo de nossos conhecimentos. É preciso ampliar nossos limites: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original” (atribuída a Albert Einstein).

A teoria da relatividade, explicada pelo cientista recém desencarnado Stephen W. Hawking, em sua obra Uma breve história do Tempo, nos faz compreender porque essas conexões se assemelham a pontes atemporais: “o tempo deve parecer correr mais lentamente perto de um corpo volumoso como a Terra. Isso é devido à relação entre a energia da luz e sua frequência (…)”. O que isso quer dizer? Quer dizer que, traçando um paralelo entre as regras vigentes do campo físico (pelo menos aquilo que é considerado “axioma”), atribuindo os mesmos princípios ao campo do espírito, encontraremos, de tempos em tempos, espíritos decodificando os ensinamentos do Cristo (energia da Luz) de forma a ampliar ainda mais a ressonância do amor trazido pelo Cristo para os corações que já estão calejados e sobrecarregados de tantas experiências não tão bem sucedidas assim (frequência).

Por isso ainda, Allan Kardec, na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz que a doutrina se vale do estudo “moral” dos ensinamentos de Jesus. E isso não limita-se aos ensinamentos amarrados por Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ali temos o roteiro dos estudos quanto ao “método” (“como” estudar), atribuindo-lhes interpretações de cunho moral e espiritual. Aqueles que desdobraram a obra de Kardec, com base em seus ensinamentos, mantiveram-se fieis aos princípios. Aqueles que tentaram “inovar”, se perderam por falta de base. Distinguir uns dos outros, só conseguiremos se estudarmos suas obras. Por isso Paulo recomendava “ler de tudo”…

O Amor é a base de uma pujante obra que tivemos a capacidade de absorver fragmentos daquilo que foi emitido há mais de dois mil anos, no decorrer de apenas três anos. Será que compreendemos, em essência, o que Jesus conseguiu fazer em três anos? Por isso o adágio diz que “o amor cobre uma multidão de pecados”. É compreensível: uma atitude de amor concentra energia suficiente para sobrepor as mazelas dos homens. O desafio é empregar energia no Amor, quando o amor que conhecemos ainda é a manifestação maior do egoísmo. O Amor do Cristo é o que nos convida o entendimento Espírita. Desinteressado, fraterno, Divino!

Três anos que representaram instantes que se perpetuam e se imortalizam pela trajetória de figuras que conseguiram seguir e compreender os ensinamentos do Cristo, notabilizando-se, como aprendemos no estudo de ontem, em virtude de suas tendências, habilidades e “ressonâncias”, fruto da experiência, quedas e tropeços. Vejamos Paulo. Paulo de Tarso é um exemplo por que? Porque, dentre outros prismas, ele representa a figura do intelectual que falhou, que se deixou abater pelos encantos da inteligência, de uma mente preparada para conquistas materiais, que relegaram as conquistas espirituais ao plano do esquecimento.

Por fim, os desafios do Evangelho, para o espírita, passam pela assimilação da profundidade dos ensinamentos do Cristo. Passam por deixarmos as discussões frívolas, superficiais e abraçarmos aquilo que nos tornará seres humanos melhores, mais fraternos, menos egoístas e orgulhosos.

Que Jesus renasça diariamente em nossos corações e mentes, iluminando nossos caminhos para que possamos fazer algo de bom para o próximo, mais próximo e mais carente!

Autor:

Vladimir Alexei é orador espírita na cidade de Belo Horizonte/MG e colaborador da Rede Amigo Espírita

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EUTANÁSIA OU SUICÍDIO ASSISTIDO

Diante das dores não existe injustiça no Código de Deus

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Letícia Franco, de 36 anos, médica de Cuiabá já foi internada dezenas vezes desde 2010.  Só na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) foram 34 vezes. O grande sofrimento é causado por uma doença crônica degenerativa que fez com que ela postasse recentemente, uma espécie de despedida nas redes sociais: “Em 16 dias estarei longe, na Suíça, fazendo o que me deixará livre da dor e do medo. Acho que amanhã ou depois desligo esse facebook […] (sic) Toda minha família deixo meu mais sincero amor”, postou no dia 1º de março de 2018. [1]

Foi em 2017, quando foi internada e fez a traqueostomia para poder respirar, que começou a pensar no suicídio assistido. Como médica, ela sempre defendeu que pacientes de doenças incuráveis ou com morte cerebral pudessem ter essa opção. A decisão de colocar fim à vida, segundo Letícia Franco, foi extremamente difícil e envolveu questões religiosas. No momento, Franco afirma ter suspendido o plano – a possibilidade de poder ter seu caso estudado e ajudar outras pessoas que tenham a mesma doença a levou a mudar de ideia. [2]

A viagem à Suíça citada na mensagem apontava para o plano de “eutanásia” ou suicídio assistido em uma conhecida clínica que oferece esse serviço para pacientes terminais que desejam por um fim a sua vida, prática que é legal naquele país, ao contrário do que acontece no Brasil.

No Brasil, a Constituição e o Direito Penal são bem claros: a eutanásia constitui assassínio comum. Nas hostes médicas, sob o ponto de vista da ética da medicina, a vida é considerada um dom sagrado, e portanto é vedada ao médico a pretensão de ser juiz da vida ou da morte de alguém. A propósito, é importante deixar consignado que a Associação Mundial de Medicina, desde 1987, na Declaração de Madrid, considera a eutanásia como sendo um procedimento eticamente inadequado.

Não cabe ao homem, em circunstância alguma, ou sob qualquer pretexto, o direito de escolher e deliberar sobre a vida ou a morte de seu próximo, e a eutanásia , essa falsa piedade, atrapalha a terapêutica divina nos processos redentores da reabilitação. Nós, espíritas, sabemos que a agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser, em verdade, um bem.

Nós, espíritas, sabemos que a agonia física e emocional prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a enfermidade pertinaz pode ser, em verdade, um bem. A questão 920, de O Livro dos Espíritos, registra que “a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores”. [3]

O verdadeiro espírita porta-se, sempre, em favor da manutenção da vida, respeitando os desígnios de Deus, buscando não só minorar seus próprios sofrimentos, mas também se esforçar para amenizar as dores do próximo (sem eutanásias), confiando na justiça perfeita e na bondade do Criador, até porque, nos Estatutos Dele não há espaço para injustiças e cada qual recebe da vida segundo suas necessidades e méritos. É da Lei maior!

 Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

[1] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43575735, acesso em 10/04/2018

[2] Idem

[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2002, pergunta 920

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FAZER O EVANGELHO NO LAR SOZINHO   

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI

Tem algum sentido fazermos Evangelho no Lar sozinho, sem a companhia de amigos ou familiares?

Vai abaixo uma bela história do Chico Xavier que responde essa pergunta.

Em meados de 1932, o “Centro Espírita Luiz Gonzaga” estava reduzido a um quadro de cinco pessoas, José Hermínio Perácio, D. Carmen Pena Perácio, José Xavier, D. Geni Pena Xavier e o Chico.

Os doentes e obsidiados surgiram sempre, mas, logo depois das primeiras melhoras, desapareciam como por encanto. Perácio e senhora, contudo, precisavam transferir-se para Belo Horizonte por impositivos da vida familiar. 

O grupo ficou limitado a três companheiros. D. Geni, porém, a esposa de José Xavier, adoeceu e a casa passou a contar apenas com os dois irmãos. 

José, no entanto, era seleiro e, naquela ocasião, foi procurado por um credor que lhe vendia couros, credor esse que insistia em receber-lhe os serviços noturnos, numa oficina de arreios, em forma de pagamento. Por isso, apesar de sua boa vontade, necessitava interromper a frequência ao grupo, pelo menos, por alguns meses.

Vendo-se sozinho, o Médium também quis ausentar-se.

Mas, na primeira noite, em que se achou a sós no centro, sem saber como agir, Emmanuel apareceu-lhe e disse:

– Você não pode afastar-se. Prossigamos em serviço.

– Continuar como? Não temos frequentadores…

– E nós? – disse o espírito amigo. – Nós também precisamos ouvir o Evangelho para reduzir nossos erros. E, além de nós, temos aqui numerosos desencarnados que precisam de esclarecimento e consolo. Abra a reunião na hora regulamentar, estudemos juntos a lição do Senhor, e não encerre a sessão antes de duas horas de trabalho.

Foi assim que, por muitos meses, de 1932 a 1934, o Chico abria o pequeno salão do Centro e fazia a prece de abertura, às oito da noite em ponto. Em seguida, abria o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, ao acaso e lia essa ou aquela instrução, comentando-a em voz alta.

Por essa ocasião, a vidência nele alcançou maior lucidez. Via e ouvia dezenas de almas desencarnadas e sofredoras que iam até o grupo, à procura de paz e refazimento. Escutava-lhes as perguntas e dava-lhes respostas sob a inspiração direta de Emmanuel.

Para os outros, no entanto, orava, conversava e gesticulava sozinho…

E essas reuniões de um Médium a sós com os desencarnados, no Centro, de portas iluminadas e abertas, se repetiam todas as noites de segundas e sextas-feiras.

Rede Amigo Espírita

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OBSESSÃO

A AÇÃO DAS ENTIDADES DESENCARNADAS SOBRE O PSIQUISMO HUMANO

Postado por: ANA MARIA TEODORO MASSUCI

A Doutrina Espírita distingui, em suas pesquisas, três graus do processo obsessivo: obsessão simples, subjugação e fascinação. No primeiro grau a infestação espiritual atinge a mente causando perturbações mentais; no segundo grau amplia-se aos centros da afetividade e da vontade, afetando os sentimentos e o sistema psicomotor, levando o obsedado a atitudes e gestos estranhos e tiques nervosos; no terceiro grau afeta a própria consciência da vítima, desencadeando processos alucinatórios.

As causas da obsessão decorrem de vários fatores, dos quais os mais frequentes são: problemas reencarnatórios, tendências viciosas, egoísmo excessivo, ambições desmedidas, aversão a certas pessoas, ódio, sentimentos de vingança, futilidade, vaidade exagerada, apego ao dinheiro e assim por diante. 

Essas disposições da criatura atraem espíritos afins que a envolvem e são aceitos por ela como companheiros invisíveis. Os Espíritos obsessores não são os únicos culpados da obsessão. Geralmente o maior culpado é a vítima.

Na Antiguidade a obsessão era tratada com violência. As práticas do exorcismo, até hoje vigentes no Judaísmo e no Catolicismo, destinam-se a afastar o demônio de maneira agressiva e violenta. 

No Espiritismo o método empregado é o da persuasão progressiva do obsessor e do obsedado. É o que se chama de doutrinação, ou seja, esclarecimento de ambos à luz da Doutrina Espírita. Não se usa nenhum ingrediente especial. Emprega-se apenas a prece e a conversação persuasiva. Esclarecido o obsedado, atinge-se o obsessor, que ficam, por assim dizer, vacinados contra novas ocorrências obsessivas.

O tratamento mediúnico não segue uma regra única. Varia de acordo com a natureza dos casos e as condições psicológicas específicas dos pacientes. 

Todo tratamento mediúnico deve ser gratuito, segundo a prescrição de Kardec, pois depende estritamente do auxílio espiritual. Os Espíritos não cobram por seus serviços e não gostam que cobrem por eles. Os que não compreendem isso, deixando-se levar pela ganância, acabam fatalmente subjugados pelos Espíritos inferiores. Como assinalava Kardec, o desprendimento dos interesses terrenos é a primeira condição do interesse dos Espíritos superiores pelo nosso esforço em favor do próximo.

Do livro “Obsessão, o passe, a doutrinação”

  1. Herculano Pires

Rede Amigo Espírita

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Adolescentes que “casam” e ou engravidam precocemente

Jorge Hessen

Jorgehessen@gmail.com

Estreando mais cedo na prática sexual e estando mais suscetíveis às influências dos adultos, as adolescentes são vítimas das induções psicológicas da sociedade. Dados do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, os últimos disponíveis, indicam que 877 mil mulheres que têm hoje entre 20 e 24 anos se “casaram” quando tinham até 15.

Segundo estudo realizado pelo Instituto Promundo entre 2013 e 2015, Maranhão e Pará são os Estados com maior prevalência de “uniões” precoces. O levantamento mostra que as meninas se “casam” e têm o primeiro filho, em média, aos 15 anos. A pesquisa atribui o “casamento” infantil a três principais causas.

A primeira é vulnerabilidade das comunidades, caracterizada por baixos níveis de escolaridade e infraestrutura, e fraca presença do Estado. Em segundo lugar, as adolescentes querem sair da casa dos pais porque desejam começar a namorar e, por isso, veem no “casamento” uma forma de fuga das proibições dos pais. A terceira causa é a fragilidade das estruturas familiares, que leva as meninas a buscar estabilidade e segurança fora de casa.

A ânsia por liberdade, a desestrutura familiar e a vulnerabilidade das comunidades atingem também os grandes centros urbanos, especialmente a periferia  das cidades. É o retrato de um Brasil sacudido por uma violenta crise ética, alimentada pela petulância e cinismo  presentes nalguns juízes do ineficaz STF (nossa suprema corte de justiça)e da desonestidade de políticos que deveriam dar exemplo de integridade moral e honradez.

A responsabilidade também pode ser compartilhada com o povo, com os governantes, com os formadores de opinião e pais de família, que, num exercício de anticidadania, aceitam que uma nação além de corrupta ainda seja definida no exterior como o poleiro do sexo fácil, barato, descartável. É triste, para não dizer trágico, ver o Brasil ser citado como um paraíso cultural  de promiscuidade, corrupção , um oásis excitante para os turistas que querem satisfazer suas taras e fantasias sexuais com crianças e adolescentes conterrâneos.

A juventude está atônita, sem alicerces morais intensos, ofuscada, com influências extremamente sensualistas. Nas crônicas históricas, jamais um jovem teve contato tão aberto com mensagens erotizantes, como nos dias atuais, graças à Internet. Esse trágico quadro moral nos remete à filosofia do prazer que impulsiona a recondução do adolescente à era das cavernas, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das orgias e, aí, entregando-se à fuga da consciência e do raciocínio, pela busca do deleite alucinado pelo prazer imediato do sexo.

No Sudeste brasileiro há casos em que meninas de 10 a 12 anos, frequentadoras dos típicos bailes (funk e análogos) engravidam. No Nordeste há diversos casos de aliciamento de menores, muitas vezes abusadas pelos próprios pais. Cada vez mais cedo, e com maior magnitude, as excitações da criança e do adolescente germinam adicionadas pelos diversos e desencontrados apelos das revistas libertinas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo impulsivo, do mau gosto comportamental, da banalidade exibida e outras tantas extravagâncias, como espelhos claros de pais que relaxam em demorar-se à frente da educação dos próprios filhos.

Uma adolescente que “casa” e ou engravida precocemente é, sem dúvida, uma pessoa cujos direitos foram violados e cujo futuro fica comprometido. O “casamento” e ou gravidez precoce ecoa a indigência e a repressão de cúmplices (família e comunidade). Não obstante esse caótico cenário há muitas adolescentes que têm atividade religiosa oferecendo um conjunto de valores morais que as encoraja a desenvolver comportamento sexual equilibrado.

De ordinário, uma adolescente evangelizada, fiel ao recado de Jesus (independente do rótulo religioso que abrace), é, quase sempre, bastante rígida no que diz respeito à constituição familiar e abstenção da prática sexual pré-marital.

Lembremos que pais equilibrados produzem lares equilibrados; lares equilibrados resultam em filhos equilibrados, mesmo que resvalem em algumas compreensíveis e pequenas falhas humanas.

Jorge Hessen

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O Espírita e a Política: uma reflexão a respeito das manifestações em redes sociais

Artigos Espíritas

O Espírita e a Política: uma reflexão a respeito

das manifestações em redes sociais

Vladimir Alexei

Belo Horizonte, das Minas Gerais,

07 de abril de 2018

Um dos maiores espíritas que reencarnaram no Brasil, foi político renomado: Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti. No mesmo período – final do século XIX – encontraremos Anália Franco como membro do Partido Republicano, fato que ela sabia separar, com distinção, de sua militância social e educativa. Cairbar Schutel assumia o posto de vereador pela primeira vez em 1889, Eurípedes Barsanulfo na pequena Sacramento, também dedicou-se à política, dentre muitos outros.

Ignorar a presença de políticos, cientistas, acadêmicos, empresários e filósofos no meio espírita, ao longo de sua existência, seria uma injustiça histórica. Figuras ilustres como Lins de Vasconcelos e Frederico Figner, empenharam suas vidas e suas respectivas fortunas à divulgação do Espiritismo. Envolviam-se em terreno delicado ao propor levar um pouco mais de luz, de esclarecimento ao povo mais necessitado.

Se recuarmos um pouco mais no tempo, veremos que o movimento que ocorreu no Brasil, espelhava aquilo que havia começado na França quando intelectuais, artistas, políticos e acadêmicos fizeram coro ao trabalho de Allan Kardec na propagação doutrinária. A França que abrigou Voltaire e Rousseau, precisou de conflitos armados para fazer com que a democracia se instaurasse. Segundo o historiador Will Durant, o movimento democrático nasceu do “dinheiro e da pólvora”.

Onde queremos chegar? Que falar sobre política e fazer política é tão natural quanto necessário. O que tem chamado a atenção, nas redes sociais, é a falta de compromisso com que a política tem sido compartilhada, inclusive, por espíritas. Assemelha-se a uma torcida de futebol em que os opostos desfilam provocações cada vez mais ácidas, demonstrando fragilidades preocupantes.

A omissão de instituições espíritas quanto ao cenário político, transformou-se em algo “normal”, quando lideranças confundem a liberdade de opinião com o laissez faire, no sentido de o que você quiser fazer é problema seu, afinal, não esclarecerem seus profitentes.

Recentemente, um espírita de renome, por seu belíssimo e indiscutível trabalho assistencial desenvolvido em bairro de periferia de Salvador, além de extensa obra mediúnica, foi duramente criticado por posicionar-se a favor da “direita” e daqueles que a imprensa tem noticiado como “pessoas de bem”. É a opinião dele e deve ser respeitada, assim como devemos respeitar a opinião daqueles que pensam diferente, como os que se colocam de “esquerda”.

Aliás – apesar de toda a crítica que essa reflexão receberá –, combina mais com o espírita o posicionamento de esquerda do que da situação. Por que? Porque o progresso social, a partir do progresso individual com acesso à educação e melhores condições de vida deveria ser uma plataforma de trabalho do espírita, de acordo com seus recursos e posicionamento social. As Leis Morais em O Livro dos Espíritos podem elucidar melhor esse pensamento.

O que tem ocorrido é uma confusão dantesca entre o agente de corrupção e a corrupção. A corrupção é uma das manifestações do egoísmo humano, quando, em detrimento ao bem comum, opta-se por levar vantagens pessoais, sem pensar no progresso que poderia realizar se agisse da forma diferente. O “instrumento de escândalo” (o corrupto) é refém de suas escolhas, arregimentando compromissos de ordem espiritual cada vez mais sérios e que deveria ser motivo para profundas reflexões de nossa parte: acaso estamos isentos de erros, mazelas e dificuldades de toda ordem? Eleger um “salvador” que não seja o “Modelo e Guia da Humanidade” é procurar amparo para legitimar ideias egoístas.

Os instrumentos que hoje avaliam a corrupção, também se beneficiam dela, de maneira que, seu senso de justiça nem sempre é capaz de sobrepor o posicionamento político de “situação-oposição”, obnubilando o julgamento de condenar.

Quem está certo? Quem está errado? Camille Flammarion, no túmulo de Allan Kardec proferiu discurso que se notabilizou por considerar Kardec o “bom senso encarnado”.

Um amigo, de esquerda, com profundo bom senso – em todos os campos da vida, admirável, diga-se de passagem – sempre nos diz que “os extremos devem ser evitados”.

Não tenho vinculação a nenhum partido político. Fui eleitor tanto de esquerda quanto de direita ao longo dessa jornada terrena. Procuro, como livre pensador, analisar prós e contras, ainda que contrariem as opiniões dos amigos. No máximo, evito discutir e tentar “impor” meu ponto de vista para que as discussões não se exaltem além do ambiente fraterno em que começaram. Busco vislumbrar qualidades na oposição e situação para escolher candidatos e seus respectivos projetos para solucionar os problemas do país. Acertamos e erramos em nossas escolhas, mas não transformamos nosso posicionamento pessoal em motivo para brigas, contendas e desavenças, sejam no meio espírita ou fora dele.

Que o espírita se posicione favorável ou contra determinada corrente política, mas que sua forma de se posicionar seja pautada nos princípios doutrinários que, na atualidade, ele consegue praticar. Não sejamos nós, espíritas, motivo de escândalo, incentivando a proliferação de ideias contrárias ao que a Doutrina Espírita nos orienta, seja de esquerda ou direita: o contraditório é saudável no processo de aprendizado!

“Aos homens progressistas se deparará nas ideias espíritas poderosa alavanca e o Espiritismo achará, nos novos homens, Espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo.” (Allan Kardec)

Autor: Vladimir Alexei é orador espírita na cidade de Belo Horizonte/MG e colaborador da Rede Amigo Espírita

Rede Amigo Espírita

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A solidariedade humaniza o homem

Sermos solidários nos torna pessoas melhores (Jorge Hessen)

Jorgehessen@gmail.com

Quando mantemos sentimento de compadecimento com as dificuldades e/ou sofrimentos de outras pessoas e esse sentimento consiga identificar as suas misérias e demonstramos o efetivo propósito de socorrer, amparar ou apoiar moralmente estaremos exercendo comisso a solidariedade. O mundo precisa ser solidário.

Mas o que é solidariedade? Para os egoístas a palavra reverbera perturbadora. Incomoda porque o seu verdadeiro significado impõe mobilização de recursos em favor do próximo. Fundamenta-se em valores que não conseguimos quantificar. Ser solidário é sentir a necessidade íntima de partilhar, é querer ir mais além, é perceber que a alegria de dar é indiscutivelmente superior à de receber; é estender a mão ao próximo sem olhar sua raça, condição gênero, conta bancária.

A internalização do sentimento solidário torna-nos efetivamente pessoas melhores.  A solidarização é o “sentimento de identificação com os problemas de outrem, o que leva as pessoas a se ajudarem mutuamente”(1). É uma maneira de assistência moral e espiritual que se concede a alguém, seja por simpatia, piedade ou senso de justiça. No sentido de laço de união fraternal que une as pessoas, pelo fato de serem semelhantes, chamamos de solidariedade humana. É compromisso pelo qual nos sentimos em obrigação umas em relação às outras, ou seja, é a interdependência e a reciprocidade.

Infelizmente vivemos num ambiente social de quimeras postergadas, de sonhos frustrados, de mentes cansadas, numa sociedade de nódoas morais, de “mentes vazias” e atoladas nas futilidades hodiernas, isoladas no cipoal do “ego” enregelado. Vivemos completamente mergulhados na vida egocêntrica, que nos remete irreversivelmente à solidão. O Espírito Emmanuel ressalta que “a técnica avançou da produção econômica em todos os setores, selecionando o algodão e o trigo por intensificar-lhes as colheitas, mas, para os olhos que contemplam a paisagem mundial, jamais se verificou entre os encarnados tamanha escassez de pão e vestuário. Aprimoraram-se as teorias sociais de solidariedade e nunca houve tanta discórdia”(2).

Os males que afligem a Humanidade são resultantes exclusivamente do egoísmo (ausência de solidariedade). A eterna preocupação com o próprio bem-estar é a grande fonte geradora de desatinos e paixões desajustantes. A máxima “Fora da Caridade não há Salvação”(3) é a bandeira da Doutrina Espírita na luta contra o egoísmo. A solidariedade é a caridade em ação, a caridade consciente, responsável, atuante, empreendedora.  Os preceitos espíritas contribuem para o progresso social, deteriora o materialismo, faz com que os homens compreendam onde está seu verdadeiro interesse. O Espiritismo destrói os preconceitos “de seitas, de castas e de raças, ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos”(4). Destarte, segundo os Benfeitores espirituais, “quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade”(5).

A recomendação do Cristo “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”(6) assegura-nos o regime da verdadeira solidariedade e garante a confiança e o entendimento recíproco entre os homens. A solidariedade na vida social é como o ar para o avião.

O avião, apesar de toda tecnologia, se não tiver ar ele não voa. A prática desse sentimento vivifica e fecunda os germens que nele existem, em estado latente, nos corações humanos. A Terra, local de provação e de exílio, será pacificada por esse fogo sagrado e verá exercido na sua superfície a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício, virtudes todas filhas do amor e da solidariedade.

É imprescindível darmo-nos, através do suor da colaboração e do esforço espontâneo na solidariedade, para atender, substancialmente, as nossas obrigações primárias, à frente do Cristo(7).

Ante as responsabilidades resultantes da consciência doutrinária, que nos impõe a superar a temática de vulgaridade e imediatismo ante o comportamento humano, em larga maioria, a máxima da solidariedade apresenta-se como roteiro abençoado de uma ação espírita consciente, capaz de esclarecer e edificar os corações, com a força irresistível do exemplo.

 Rede Amigo Espírita

Referências bibliográficas:

(1) Cf. Dicionário Caldas Aulete

(2) XAVIER, Francisco Cândido.  “Fonte Viva” ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992

(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. XV

(4) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, questão 799

(5) idem questão 566

(6) João 15:12

(7) XAVIER, Francisco Cândido.  “Fonte Viva” ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992

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O espírito deseja, o perispírito vibra e o corpo experimenta

Jorge Hessen

Jorgehessen@gmail.com

Pesquisadores da divisão de doenças digestivas do Mount Sinai Medical Center, em Nova York, nos Estados Unidos, encontraram um “novo órgão” do corpo humano. A descoberta só foi possível porque eles utilizaram um novo equipamento, uma nova versão do endoscópio, mangueira com uma câmera na ponta que permite analisar o sistema digestivo.

Para Neil Theise, professor em patologia e um dos responsáveis pela pesquisa, existe uma unidade e singularidade de estrutura ou de função do fluido intersticial, que compõe 20% do líquido do corpo. Esse fluido intersticial circunda as partes do corpo que se movem, como a pele ou o pulmão. O pesquisador jamais questiona como o fluido intersticial (densa camada de tecido conjuntivo) sobrevive a tanto estresse sem se romper. Agora se sabe que não são tecidos conectivos densos; eles são distensíveis e compressíveis espaços cheios de fluido. Isso pode inclusive ajudar a explicar como o câncer se espalha pelo corpo”, segundo Theise. [1]

Os espíritas sabem que a nossa carcaça biológica é o espelho do corpo perispiritual. Para que futuramente a ciência avalie melhor a mecânica e a natureza do corpo humano, necessitará estudar mais profundamente a estrutura funcional do perispírito, como matriz gerenciadora das funções do corpo físico. O perispírito não tem sido estudado atualmente por ausência de instrumentos e equipamentos de laboratório mais possantes. A ciência acadêmica ainda está muito distante de conhecer e melhor entender a estrutura de funcionamento do psicossoma.

A nossa realidade mento-espiritual gera o impulso criador que se projeta no corpo perispiritual e, depois, no corpo físico. Em outras palavras: quando o espírito deseja, o psicossoma vibra e o corpo experimenta. Nessa linha de raciocínio concluímos que o processo imunológico, que neutraliza o desenvolvimento de doenças (inclusive o câncer), é resultante do trabalho permanente no bem e na prática da solidariedade, da fraternidade e do perdão irrestrito, atributos estes do espírito imortal.

Alguns embriogenistas atuais “desconfiam” da existência desse princípio e tentam, de alguma forma, comprovar essa desafiadora “matriz gerenciadora” no mecanismo da geração orgânica. Ensinam os benfeitores espirituais que o psicossoma tem função organogênica. Destarte, permite a formação do próprio organismo e funciona em harmonia com os códigos genéticos. Por essa razão, na sua ausência, o processo de fecundação seria uma composição orgânica sem forma definida (amorfa).

O espírito, através do perispírito, “influencia o citoplasma (sede das forças fisiopsicossomáticas), juntamente com as funções endocrínicas, por estar fixado no sistema nervoso central e enraizado intrinsecamente no sangue, sendo o modelador definitivo da célula”. [2]

Sabe-se que se forem colocados fragmentos de tecidos orgânicos da epiderme ou do cérebro numa porção de soro em temperatura ideal, o fragmento acusa uma intensa vida. Depois de algumas horas, os produtos da excreta intoxicam o soro, impedindo, com isso, o desenvolvimento celular. Renovando o soro, as células crescem novamente. Porém, sem o governo mental, através do perispírito, em nada ficam sequer parecidas com as suas irmãs em funções orgânicas. [3]

A nossa realidade mento-espiritual gera o impulso criador que se projeta no corpo psicossomático e, depois, no arcabouço físico. Em outras palavras, quando o espírito quer, o períspirito amolda e o corpo é formado de conformidade com o molde perispiritual.

 Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

[1]     Disponível em  https://br.yahoo.com/financas/noticias/medicos-encontram-novo-orgao…   acesso 28 de março de 2018

[2]     XAVIER, Francisco Cândido & VIEIRA Waldo. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito  André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2002

[3]     As células tomam aspectos diferentes conforme a natureza das organizações a que servem e a inteligência, influenciando o citoplasma, obriga as células ao trabalho de que necessita para expressar-se, trabalho este que, à custa de repetições quase infinitas, se torna perfeitamente automático para as unidades celulares que se renovam, de maneira incessante, na execução das tarefas que a vida lhes assinala.

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