RAZÃO DE VIVER

Divaldo Pereira Franco

No tumulto gigantesco destas horas de tempestade viral e moral, não poucos indivíduos estamos podendo manter uma diretriz de segurança que nos faculte uma existência harmônica.

As incomparáveis conquistas da inteligência em todas as áreas, especialmente na tecnologia de ponta, facultam-nos horizontes abençoados, concedendo-nos comodidades dantes jamais sonhadas, nada obstante, não equacionaram os desafios do sentimento, os problemas dos relacionamentos sociais e afetivos.

Prolongaram a vida física, abriram caminhos para realizações de beleza e divertimento, facilitaram o manejo dos instrumentos de trabalho, propuseram regras para a dignidade humana, trabalham para fazer desaparecer os preconceitos de qualquer procedência, diminuíram as distâncias e derrubaram algumas fronteiras…

Mas não foram suficientes para tornarem a sociedade mais feliz, eliminando os bolsões de intolerância e de ódio, os movimentos anarquistas e devastadores, as sublevações das massas esmagadas ante leis injustas e incapazes de trabalhar em favor do bem, tornando este um período de transição dolorosa, sem que se saiba quais as novas éticas que dignifiquem o indivíduo. Teorias rasteiras conclamam os descontentes a viverem o momento conforme suas necessidades, sem qualquer controle das emoções que visam apenas ao prazer, como se esse fosse a razão única de se viver.

Ao longo da cultura e da civilização, saímos do primarismo do instinto para os altos significados da emoção, e saturados de deveres e de prazeres, estamos sendo convocados a descer à vala das paixões servis e novamente nos afogarmos no paul dos tormentos.

A maioria das propostas sociológicas e filosóficas, não se levando em conta as dificuldades financeiras e as dificuldades para a conquista do trabalho edificante e honorável, traz o amargo conceito da rebelião contra Deus e os Seus missionários de amor que estiveram na Terra, vivendo e ensinando plenitude através do autoconhecimento e do mergulho nos arcanos originais da vida.

A rebelião busca destruir figuras de líderes honoráveis, a começar por Jesus Cristo, numa fúria assustadora, como se eles fossem os impedimentos para a libertinagem e a perversidade de todos os matizes.

O profano vem assumindo posturas de sagrado, enquanto este se transforma no responsável pelas misérias que desorganizam as criaturas.

Jamais uma proposta filosófica tendo por base o amor e o bem que se deve fazer ao próximo produz desarmonia nos delicados equipamentos mentais e emocionais do ser humano.

A História é um manancial de documentação a esse respeito. Ante o contubérnio extravagante e devastador das teorias destruidoras, seja o amor a nossa razão de viver.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 17.9.2020

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A chance à paz

9 de outubro:  John Winston Lennon.

Marcelo Henrique

All we are saying is give peace a chance
(Tudo o que eles dizem é dar à paz uma chance)
John Winston Lennon (1940-1980)

A paz continua sendo uma angustiante busca. Tanto a que se abriga dentro de nós, quanto a que ocupa nossos nichos de convivência pessoal, em ambientes múltiplos e, também, aquela que deve povoar o planeta azul.

Mas, os dias andam bem turvos. As polaridades – que é certo fazem parte da vida, diante da faculdade individual de pensar e decidir o que se quer, para si – estão bem acirradas e é muito difícil, praticamente em todos os setores e quadrantes da existência, diante das mais diferentes paixões ou preferências, conversar amistosamente.

Parece que vivemos um hiato de temperança e compreensão. Há tentativas, de todos os lados, de colonização de mentes, porque já não se pode mais escravizar corpos, prendendo-os por correntes pesadas, e o que resta, para os que querem impor suas convicções, é o bombardeio psíquico e a bravata.

Grita-se! E os gritos não são mais (tanto) orais, presenciais, que seriam estridentes mas ecoariam até desaparecer – porque até a reverberação do som tem fim, por princípios físicos – mas, são, do contrário, escritos, sobretudo os expressos nas redes sociais que aproximaram – e distanciaram – as pessoas.

É fato que o diálogo é uma ferramenta necessária, porquanto nenhum homem sobrevive apenas das suas (próprias) ideologias. Desde tempos imemoriais, ainda nômades e, depois, já sedentários, desenvolvendo os primeiros rudimentos da propriedade (privada) sobre terras, cavernas, cabanas ou palafitas, a dialética se fez entre os iguais e a persuasão, pelas capacidades cognitivas ou pela força física, cooptou colaboradores para as revoluções possíveis.

                “….A dialógica conduz à maiêutica, porque é necessário perquirir, questionar, provocar, buscar conhecer… Os maiores ícones da história não foram os que apresentaram respostas prontas, como bulas ou receitas para a felicidade, mas os que provocaram, nos homens, o desejo de sair de seus mundinhos, zonas de conforto e cascas protetivas, na direção do “algo mais”…..”

Não raro, estes personagens da História que merecem ser lembrados e cujos exemplos – mais do que as meras palavras ditas ou escritas – são diretrizes ou rotas, todos se caracteriza(ra)m por questionar seus interlocutores, propor a escolha entre várias alternativas possíveis e direcionar cada ser ao autoexame e à caminhada por suas próprias pernas.

Vamos lembrar, neste 9 de outubro, de um dos maiores compositores e cantores que se materializou nesta Terra: John Winston Lennon que, vivo fosse, estaria completando 80 primaveras (pois esta é a estação deste mês).

Música, aliás, que foi o seu principal megafone para influenciar gerações. Aos 15, o adolescente, que já crescera no contato com as palavras cruzadas, a música e a literatura, e tocava banjo, ouvindo os discos de Elvis Presley, ganhou seu primeiro instrumento. Com ela e o baixo de Paul, e mais dois amigos, criaram The Quarrymen.

Depois, ele e John mais George e Stuart foram os “quatro fantásticos”, ainda que este último tivesse ficado pouco, sendo substituído por Ringo. Os Fab4, The Beatles, fizeram a maior banda de rock do planeta. Referindo-se ao conjunto, no início da década de 60, Lennon disse que os besouros canoros de Liverpool eram mais populares que Jesus de Nazaré, naqueles dias. Talvez tenham sido mesmo naquele “flash” do tempo infinito, dada a amplitude de suas canções e, mais do que isso, o conteúdo de muitas de suas letras.

O quarteto inglês, aliás, vaticinou: Tudo do que precisamos é o amor (“All you need is love”, 1967) e o amor que você recebe é igual ao que você dá (“The end”, 1969). Neste ponto, entendemos, Lennon & McCartney reproduzem Yeshua, porque a mensagem deste último sempre foi relacionada (e direcionada) ao amor.

                   “….Mas muitos falam de Jesus e não agem como Jesus. Então, em 1966, no auge da banda, John afirmou sem qualquer peso na consciência e, de fato, separando o “Cristianismo do Cristo e o de seus vigários” – título, aliás, de um livro que ressalta as diferenças entre a mensagem originária do homem Jesus e as prédicas das religiões instituídas em “seu nome”, nestes termos: “O cristianismo irá embora. Vai desaparecer e encolher. Eu não preciso discutir sobre isso; eu estou certo e ficará provado que estou certo. Somos mais populares que Jesus agora. Eu não sei quem vai acabar primeiro, o rock’n roll ou o cristianismo. Jesus era legal, mas seus discípulos são grossos e medíocres. São eles distorcendo isso o que estraga, pra mim”….”

O homem que ousou IMAGINAR não haver nem Céu nem Inferno, nem as distinções relativas à pátria; nenhum motivo (para matar ou morrer) e nenhuma religião. Não haverem posses e, por isso, ganância ou fome forem inexistentes. Todos vivendo o presente, compartilhando o mundo e gozando a vida em paz (“Imagine”, 1971).

E, ainda, houve tempo para, nesta canção, ele afirmar e convidar os demais que sonhassem um mundo assim. Porque ele não era o único!

Lennon esteve bem pouco entre nós, já que um fanático religioso que o fulminou em frente ao apartamento em que vivia em Nova Iorque, declarando que, de fã dos trabalhos desde os The Beatles, havia se indignado contra afirmações do cantor sobre Deus e a religião. Quarenta anos, apenas!

Ativista político e “embaixador” da paz, afirmou: “Nossa sociedade é controlada por pessoas insanas com objetivos insanos. Acho que estamos sendo administrados por maníacos para fins maníacos e acho que sou passível de ser colocado como louco por expressar isso. Isto que é insano sobre a situação”.

                 “….. O grande contributo de John para a contemporaneidade está correlacionado à sua crença – e afirmação, em suas falas e músicas – que o poder do povo será capaz de mudar o mundo, dentro da ideia de corresponsabilidade para a edificação de cenários sociais mais favoráveis, igualitários e progressistas…..”

Ele repetia sempre que não deveríamos apenas ser pessimistas, achando que o planeta estava cada vez pior. O planeta são as pessoas e estas apenas repetem os mesmos erros, para ele.

Por detrás de seus inconfundíveis óculos arredondados (“afinal, o que é rock-n roll? os óculos de John e o olhar do Paul – comporia e cantaria Humberto Gessinger, Engenheiros do Hawaii), a paz sempre foi a obsessiva luta do poeta inglês, que asseverou: “Todos falam de paz, mas ninguém faz nada por ela. A paz só pode ser atingida com métodos pacíficos. Combater o sistema com armas é errado. Eles são milhares e ganhariam sempre”.

Num autorretrato, Lennon se imaginava um palhaço. Gostava de rir, abundantemente e fazer rir. A esse respeito, Elton John, outro dos maiores músicos de 1960 para cá, muito próximo do cantor e dos demais besouros, disse que amava estar com John justamente pela incrível capacidade dele em fazer os outros rirem e se divertirem. Foi, aliás, eleito pelos críticos americanos da música como o “Palhaço do Ano”. O beatle riu disto também e concordou, criticamente: “Somos humoristas. Todas as pessoas sérias, como Kennedy, Luther King e Gandhi foram assassinadas. Queremos ser os palhaços do mundo”.

Que ironia, não! Ao que parece, o levaram a sério e o colocaram neste panteão, naquele 8 de dezembro de 1980, com quatro balas à queima-roupa…

O anseio pela paz, todavia, não morreu! Será que daremos chance a ela

Marcelo Henrique

Fonte: Nova Era

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EDUCAÇÃO PRA QUÊ?

A EDUCAÇÃO, SE BEM COMPREENDIDA, É A CHAVE DO PROGRESSO MORAL

A humanidade é, genuinamente, produtora de conhecimentos, desde os primórdios o homem procura solucionar problemas que afetariam sua sobrevivência senão utilizasse de seu bom gênio, da sua intuição, da sua inteligência.

A capacidade investigativa e criativa do homem possibilita-lhe sempre novos caminhos, novas descobertas, novas perspectivas.

Num cenário, propício a desenvolver as habilidades socioemocionais e sociocognitivas, solidificado ao longo dos milênios, eis que surge a escola e consequentemente o professor.

Se a escola é um organismo vivo e complexo, cuja esperança é o currículo mais almejado, o professor é o oxigênio de todo esse corpo. Sentir-se professor é ter a lucidez da desconstrução contínua no momento histórico, líquido onde há de se reconstruir a cada instante.

O professor é o profissional cujo maior interesse é o aluno. É o aluno que interessa, que aprende, que avança, que cria, que inventa, que realiza, que lhe tira o sono, que lhe rouba a paz, que lhe impulsiona as mudanças e a aquisição de novos valores. Portanto, sem oxigênio o aluno não respira. O que seria o oxigênio se não tivesse função a cumprir? Certamente esse é um processo bilateral, aprende o aluno, mas também o professor. Talvez o professor saiba, sem saber, que a sua profissão lhe aproxima do amor ágape e que sua atuação deva ser um compêndio de valores e ações que contribuam para a transformação da sociedade tornando-a mais equilibrada, humana e socialmente justa, entretanto, educar para quê?

Notário aceitar que “a educação, se bem compreendida, é a chave do progresso moral, instrumento pelo qual a humanidade se renovará”, como afirmava o mestre lionês Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Há décadas acompanhamos os sérios problemas dos desvios morais, do desequilíbrio no caráter e da ausência de valores elevados. O alto índice da violência como reflexo de uma sociedade sem inteligência racional, sem rumos e sem perspectivas progressistas demonstram como a revolução educacional é urgente.

Nas últimas três décadas 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas no Brasil, o negro ainda hoje é sobre representado nos estratos sociais de mais baixa renda, o feminicídio ainda é crescente fortalecendo uma concepção de sociedade patriarcal. Relata o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) de 2013, que em 2012 foram notificados 50.617 casos de estupro no país.

O Brasil é um dos países mais violentos do planeta. A cada ano mais de 53 mil pessoas são assassinadas, outras 54 mil morrem em acidentes, inclusive os de trânsito, 12 mil se suicidam e 10 mil são fatalmente vitimados de forma violenta sem que o Estado consiga definir a causa do óbito. Educar pra quê?

Educação significa VIDA, vida que vale a pena preservar. Educar é parceria família e escola.

Valorizar o professor é questão de esperança nas futuras gerações. Que as políticas públicas possam contemplar o professor na sua identidade múltipla geradora de vida, sabedoria e esperança!

Os Homens, de boa vontade, se servirão de seu entendimento para iluminar os rumos da nossa Humanidade.

Jane Maiolo

janemaiolo@bol.com.br
Fonte: Rede Amigo Espírita

Referência:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2007- questão 917

https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/artigo/13/custo-da-juventude-perdida-no-brasil

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SOU CRISTÃO, POSSO TECER CRÍTICAS AOS POLÍTICOS?

Um assunto espinhoso é a chamada crítica.

Quem gosta de recebê-la? Ainda não ouvi quem goste, embora alguns já amadurecidos consigam filtrar e extrair pontos positivos sem se deixar abalar.

Emmanuel disse a Chico Xavier certa vez: Se as críticas são verdadeiras não reclame, se não são, nada de ligar para elas.

Boa orientação, mas para saber aplicá-la é preciso um tanto de sangue frio, de razão, de analisar a questão como se estivesse de fora. Eis aí um bom exercício para o progresso.

Mas por que falo da crítica? Abordo este tema por conta da crise que nosso país está enfrentando; crise moral, com desmandos, absurdos, corrupção e tantas outras situações que fazem corar o povo brasileiro.

Como proceder ante ao que está ocorrendo?

Como falar, discutir, argumentar, lutar pelos direitos e criticar sem faltar com a caridade cristã?

Complicado, porém, possível.

Para o cristão ainda mais complicado, porquanto Jesus recomendou o perdão, o não julgamento, o olhar o lado positivo das coisas.

Logo, sendo a Terra morada dos Espíritos imperfeitos fato é que muitos se sentem pouco à vontade para dar alguns “puxões de orelha” no semelhante.

Entretanto, vale lembrar que Jesus não se omitia diante das barbaridades de sua época. O mestre falava mesmo.

Ah, mas era Jesus… E ele podia fazer isso porque reunia condições morais para puxar a orelha de seus contemporâneos.

Digo a você que esse argumento é frágil. Naturalmente que estamos longe da natureza moral sublime de Jesus, todavia o fato de ainda sermos limitados não nos tira a possibilidade de enxergar inconvenientes e falar, criticar, argumentar.

Inconveniente, segundo os Espíritos, ver apenas o bem tapando os olhos para os absurdos.

Os Espíritos ensinam que é lícito repreender alguém desde que seja com fim útil e de forma moderada.

E onde está o problema?

O problema é que sempre queremos dar publicidade ao mal que os outros fazem, denegrindo o semelhante para que assim sejamos exaltados.

Todavia, ver apenas o bem e deixar as coisas como estão em omisso silêncio pode, também, ser configurado como falta de caridade.

E para ilustrar nosso texto deixo um fato que pude presenciar certa vez:

Um rapaz costumava apresentar-se aos clientes sempre com forte odor que exalava por baixo dos braços. Os colegas, constrangidos, nada diziam a ele, todavia quando o rapaz ausentava-se tome-lhe risadas e comentários nada caridosos. Eis que chegou alguém e o alertou sobre seu cheiro. Desde então ele corrigiu-se e passou a apresentar-se melhor. Suas vendas melhoraram, sua reputação cresceu, ele foi promovido a supervisor, de supervisor a gerente, de gerente a diretor… Neste caso o silêncio era pura omissão, e a repreensão tornou-se o gatilho que fez sua carreira ascender…

Vale pensar nisso, refletir no coletivo, conversar, discutir, falar sobre a situação do país e buscar alternativas para a melhoria de todos.

Deus observará nossa intenção, e se esta, mesmo quando tecermos críticas for a de dar nossa parcela de contribuição, sem o intuito de denegrir instituições ou pessoas, será sempre bem-vinda, pois gerará mudanças.

Wellington Balbo
Fonte: Espiritismo na Rede

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A ORAÇÃO CURATIVA

Mensagem de Padre Eustáquio, por Chico Xavier

A reunião da noite de 11 de novembro de 1954, trouxe-nos a confortadora visita do Espírito de Padre Eustáquio. Sacerdote extremamente consagrado ao bem, nosso amigo residiu, por alguns anos, em Belo Horizonte, onde, através de seu nobre coração e de sua mediunidade curadora, inúmeros sofredores encontraram alívio. Sempre rodeado por verdadeira multidão de infelizes, Padre Eustáquio foi o apóstolo das curas, das quais se ocuparam largamente os jornais de nosso País. E, continuando, além-túmulo, o seu ministério sublime, conforme a observação dos médiuns clarividentes de nosso grupo, compareceu às nossas preces acompanhado por uma pequena multidão de Espíritos conturbados e infelizes a lhe pedirem socorro.

O prezado visitante senhoreou as faculdades psicofônicas do médium com todas as características de sua personalidade, inclusive a mímica oratória e a voz que lhe eram peculiares quando encarnado. Sua alocução, de grande beleza para nós, em vista da simplicidade em que foi vazada, é portadora de expressivos apontamentos com respeito à oração.

Meus amigos…

Que a paz do Cristo permaneça em nossos corações, conduzindo-nos para a luz.

Fui padre católico romano, naturalmente limitado às concepções do meu ambiente, mas não tanto que não pudesse compreender todos os homens como tutelados de Nosso Senhor.

A morte do corpo veio dilatar os horizontes de meu entendimento e agora vejo com mais clareza a necessidade do esforço conjunto de todas as nossas escolas de interpretação do Evangelho, para que nos confraternizemos com fervor e sinceridade, à frente do Eterno Amigo.

Com esse novo discernimento, visito-vos o núcleo de ação cristianizante, tomando por tema a oração como poder curativo e definindo a nossa fé como dom providencial.

O mundo permanece coberto de males de toda a sorte.

Há epidemias de ódio, desequilíbrio, perversidade e ignorância, como em outro tempo conhecíamos a infestação de peste bubônica e febre amarela.

Em toda parte, vemos enfermidades, aflições, descontentamentos, desarmonias…

Tudo é doença do corpo e da alma.

Tudo é ausência do Espírito do Senhor.

Não ignoramos, porém, que todos temos a prece à nossa disposição como força de recuperação e de cura.

É necessário orientar as nossas atividades, no sentido de adaptar-nos à Lei do Bem, acalmando nossos sentimentos e sossegando nossos impulsos, para, em seguida, elevar o pensamento ao manancial de todas as bênçãos, colocando a nossa vida em ligação com a Divina Vontade.

Sabemos hoje que outras vibrações escapam à ciência terrestre, além do ultravioleta e aquém do infravermelho.

À medida que se desenvolve nos domínios da inteligência, compreende o homem com mais força que toda matéria é condensação de energia.

Disse o Senhor: -“Brilhe vossa luz” – e, atualmente, a experimentação positiva revela que o próprio corpo humano é um gerador de forças dinâmicas, constituído assim como um feixe de energias radiantes, em que a consciência fragmentária da criatura evolui ao impacto dos mais diversos raios, a fim de entesourar a Luz Divina e crescer para a Consciência Cósmica.

Vibra a luz em todos os lugares e, por ela, estamos informados de que o Universo é percorrido pelo fluxo divino do Amor Infinito, em freqüência muitíssimo elevada, através de ondas ultracurtas que podem ser transmitidas de espírito a espírito, mais facilmente assimiláveis por intermédio da oração.

Cada aprendiz do Evangelho necessita, assim, afeiçoar-se ao culto da prece, no próprio mundo íntimo, valorizando a oportunidade que lhe é concedida para a comunhão com o Infinito Poder.

Para isso, contudo, é indispensável que a mente e o coração da criatura estejam em sintonia com o amor que domina todos os ângulos da vida, porque a lei do amor é tão matemática como a lei da gravitação.

Mentalizemos a eletricidade, por exemplo, na rede iluminativa. Caso apareça qualquer hiato na corrente, ninguém se lembrará de acusar a usina, como se o fluxo elétrico deixasse de existir. Certificar-nos-emos sem dificuldade de que há um defeito na lâmpada ou na tomada de força.

Derrama-se o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo para todos os corações, no entanto, é imprescindível que a lâmpada de nossa alma se mostre em condições de receber-lhe o Toque Sublime.

Os materiais que constituem a lâmpada são apetrechos de exteriorização da luz, mas a eletricidade é invisível.

Assim também, nós vemos o Amor de Deus em nossas vidas, por intermédio do Grande Mediador, Jesus Cristo, em forma de alegria, paz, saúde, concórdia, progresso e felicidade; entretanto, acima de todas essas manifestações, abordáveis ao nosso exame, permanece o invisível manancial do Ilimitado Amor e da Ilimitada Sabedoria.

Usando imagens mais simples, recordemos o serviço da água no abrigo doméstico. Logicamente, as fontes são alimentadas por vivas reservas da Natureza, mas, para que a água atinja os recessos do lar, não prescindiremos da instalação adequada. A canalização deve estar bem disposta e bem limpa.

Em vista disso, é necessário que todas as atitudes em desacordo com a Lei do Amor sejam extirpadas de nossa existência, para que o Inesgotável Poder penetre através de nossos humildes recursos.

O canal de nossa mente e de nosso coração deve estar desimpedido de todos os raciocínios e sentimentos que não se harmonizem com os padrões de Nosso Senhor.

Alcançada essa fase preparatória, é possível utilizar a oração por medida de reajuste para nós e para os outros, incluindo quantos se encontram perto ou longe de nós.

Ninguém pode calcular no mundo o valor de uma prece nascida do coração humilde e sincero diante do Todo Misericordioso.

Certamente as tinturas e os sais, as vitaminas e a radioatividade são elementos que a Providência Divina colocou a serviço dos homens na Terra. É também compreensível que o médico seja indispensável, muitas vezes, à cabeceira dos doentes, porque, em muitas situações, assim como o professor precisa do discípulo e o discípulo do professor, o enfermo precisa do médico, tanto quanto o médico necessita do enfermo, na permuta de experiência.

Isso, porém, não nos impede usar os recursos de que dispomos em nós mesmos. E estejamos convictos de que, ligando o fio de nossa fé à usina do Infinito Bem, as fontes vivas do Amor Eterno derramar-se-ão através de nós, espalhando saúde e alegria.

Assim como há lâmpadas para voltagens diversas, cada criatura tem a sua capacidade própria nas tarefas do auxílio.

Há quem receba mais, ou menos força.

Desse modo, conduzamos nossa boa vontade aos companheiros que sofrem, suplicando a Infinita Bondade em favor de nós mesmos.

É indispensável compreender que a oração opera uma verdadeira transfusão de plasma espiritual, no levantamento de nossas energias.

Se nos sentimos fracos, peçamos o concurso de um companheiro, de dois companheiros ou mais irmãos, porque as forças reunidas multiplicam as forças e, dessa forma, teremos maiores possibilidades para a eclosão do Amparo Divino que está simplesmente esperando que a nossa capacidade de transmissão e de sintonia se amplie e se eleve, em nosso próprio favor.

Mentalizemos o órgão enfermo, a pessoa necessitada ou a situação difícil, à maneira de campos em que o Divino Amor se manifestará, oferecendo-lhes nosso coração e nossas mãos, por veículos de socorro, e veremos fluir, por nós, os mananciais da Vida Eterna, porque o Pai Todo-Compassivo e Jesus Nosso Senhor nunca se empobrecem de bondade.

A indigência é sempre nossa.

Muitos dizem “não posso ajudar porque não sou bom”, mas, se já fôssemos senhores da virtude, estaríamos noutras condições e noutras esferas.

Consola-nos saber que somos discípulos do bem e, nessa posição, devemos exercitá-lo.

Movimentemos a boa vontade.

Não temos ainda as árvores da generosidade e da compreensão, da fé irrepreensível e da perfeita caridade, mas possuímos as sementes que lhes correspondem.

E toda semente bem plantada recolhe do Alto a graça do crescimento.

Assim, pois, para que tenhamos assegurado o êxito da nossa plantação de qualidades superiores, é preciso nos disponhamos a fazer da própria vida um canal de manifestação do Constante Auxílio.

Todos temos provas, dificuldades, moléstias, aflições e impedimentos, contudo, dia a dia, colocando nosso espírito à disposição do Divino Amor que flui do centro do Universo para todos os recantos da vida, desenvolver-nos-emos em entendimento, elevação e santificação.

Trabalhemos, portanto, estendendo a oração curativa.

A vossa assembléia de socorro aos irmãos conturbados na sombra é uma exaltação da prece desse teor, porque trazeis ao vosso círculo de serviço aquilo que guardais de melhor e contais simplesmente com o Divino Poder, já que nós, de nós mesmos, nada detemos ainda de bom senão a migalha de nossa confiança e de nossa boa-vontade.

Em nome do Evangelho, sirvamos e ajudemos.

E que Nosso Senhor Jesus Cristo nos assista e abençoe.

 

Pelo Espírito Padre Eustáquio

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Livro: Instruções Psicofônicas. Lição nº 36 Página 167

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SOBRE ABORTOS E ABORTOS

Marcelo Teixeira

Júlia foi minha colega de trabalho. Quando ela ingressou na empresa, estava vindo de uma fase de desemprego. Meses depois, ela engravidou do quarto filho, que nasceu em novembro, lembro até hoje. Após a licença-maternidade, voltou com mil histórias para contar sobre a menina que tinha nascido para dar mais cor à vida dela, do marido e dos três filhos mais velhos – duas meninas e um menino.

Certa vez, quando almoçávamos juntos, ela me perguntou sobre a visão espírita do aborto. Disse, então, que o aborto não convinha porque o espírito se liga ao feto no momento em que óvulo e espermatozoide se encontram, que já há vida plena no embrião etc. Júlia, então, para o meu espanto, começou a chorar. E de remorso. Motivo: ela havia feito um aborto na época em que estava desempregada. Detalhe: o marido também estava sem trabalho. Desesperados, com orçamento apertado e três filhos para criar, acabaram optando pela interrupção da gravidez do quarto rebento. Disse a ela para ficar tranquila. Afinal, tempos depois de ela e o marido terem voltado a trabalhar, engravidara novamente e tivera a criança. A meu ver, os amigos espirituais haviam compreendido o sufoco material que a família atravessava e resolveram dar uma chance até a situação se recompor. Como ambos já estavam reinseridos no mercado de trabalho, nova gravidez acontecera e aquele espírito que tanto queria reencarnar havia tido o tão esperado ensejo. Ao saber disso, Júlia compreendeu a grandeza das leis de amor que regem o universo, respirou aliviada e almoçou em paz. E até onde eu percebera, dera adeus ao remorso.

Clarice estava grávida do primeiro filho. Quarto decorado, enxoval comprado. Seria também o primeiro neto de ambos os lados do casal. Por isso, os pais, os sogros, os irmãos e os cunhados de Clarice enchiam-na de mimos. Só que o menino nasceu com sérios problemas e durou pouquíssimas horas. Luto na família! Frustração geral! Clarice entrava no quartinho que seria do bebê e começava a chorar. Só que, em dado momento, deu-se conta que estava viva, era moça, tinha um marido e uma carreira e seguiu adiante, na certeza de que engravidaria novamente. E engravidou! Só que, por volta do terceiro mês, teve rubéola, doença que costuma acarretar malformações no feto, microcefalia, surdez, cegueira… Alguns familiares começaram a falar em aborto. Clarice e o marido, no entanto, resolveram dar uma chance à criança. Ela viria ao mundo e seria amada do jeito que viesse! E nasceu uma menina com uma anomalia mínima: um dedo faltando em uma das mãos. Somente isso! Depois dela, o casal teve mais dois filhos. A primogênita, hoje, é uma profissional liberal e mãe de família. E quase ninguém percebe que ela tem quatro dedos na mão esquerda. Ou será na direita? Nem sei, pois nunca prestei atenção!

Valéria tinha dois anos de casada quando o marido precisou viajar para o exterior a trabalho. Anos 60 do século XX, muitas novidades acontecendo pelo mundo. O marido estava em ascensão na empresa, e o ensejo de passar seis meses na matriz, na Europa, faria com que ele voltasse ocupando um cargo melhor, o que seria ótimo para a vida do casal.

Só que, um mês após a viagem, Valéria foi assaltada e estuprada. E descobriu-se grávida tempos depois! Apesar de estarmos na década dos hippies, dos Beatles e afins, a tradicional família brasileira de então jogava (e ainda joga) a culpa na mulher. Os pais e sogros de Valéria eram bem rígidos, e ela não contara a ninguém que havia sido estuprada, tamanha a vergonha! Como contar agora que engravidara! Como explicar ao marido o ocorrido quando ele retornasse? Como justificar a barriga de grávida que fatalmente apareceria? Ele acreditaria que a esposa havia sido vítima de um assalto seguido de estupro? Como provar?

Desesperada e sozinha, Valéria recorreu ao aborto. Apesar do procedimento agressivo e traumático, respirou aliviada. Tempos depois de o marido ter regressado, Valéria engravidou da primeira filha. Um menino e outra menina vieram nos anos subsequentes. Quando Valéria contou essa história ao marido, ambos já estavam na casa dos 50 anos. Abraçaram-se emocionados, e ele entendeu perfeitamente a dor, a angústia e a solidão pelas quais a amada passara. Seguiram felizes, com o amor fortalecido.

A gravidez de primeira viagem havia chegado para Marisa. Muita esperança e alegria entre ela e o amado. Jovem e professora de educação física, ela sabia o que era preciso para manter o corpo saudável. Por isso, exercitava-se e mantinha uma alimentação balanceada. Tudo para manter a própria saúde e a do bebê. Subitamente, aos três meses de gravidez, Marisa teve um sangramento intenso. A família correu com ela para o hospital, mas não teve jeito. Aborto espontâneo.

A vontade que Marisa sentiu nos primeiros dias depois da alta hospitalar foi de nunca mais sair de casa. Queria ficar no quarto, deitada. As forças lhe faltavam. Incentivada pela família e amigos, ela foi retomando o ritmo das atividades e recuperou a alegria de viver. Ao comentar comigo o acontecido, observou que a iminência da perda do filho fora, até então, a dor mais aguda que sentira. E completou: – Se eu, que sofri um aborto espontâneo, experimentei uma agonia indescritível a caminho do hospital, fico imaginando a dor moral pela qual passa a mulher que se dirige rumo a um aborto decidido por ela própria. Um aborto que ela fará por estar sozinha, desesperada, sem condições de criar a criança, pressionada ou abandonada pelo companheiro. Nenhuma mulher que tomou a decisão de fazer um aborto encara o procedimento como se fosse uma cirurgia corriqueira. A dor moral que senti ante o aborto espontâneo que sofri foi intensa, mas a dor que uma mulher que opta pela interrupção proposital da gravidez deve ser bem pior. Pensei, então, com os meus botões: – Ainda mais se levarmos em conta o local e as condições em que tudo é feito.

Estas são apenas quatro histórias que mostram como é complexa para a mulher a questão do aborto. Mostram também, como já observado em outro artigo de minha autoria, que um aborto nunca é igual a outro. Por isso, não dá para analisá-los sob a mesma ótica. Muito menos julgá-los.

Se para nós, míseros humanos imortais, essa premissa precisa prevalecer, imaginem para Deus, que é amor, conforme a bela e exata definição do apóstolo João. Se Deus é amor, ele não condena, não julga, não discrimina, não castiga. Nem perdoar ele perdoa, pois, para perdoar, ele precisa ter se ofendido. Mas como Deus não é uma pessoa, e sim uma força maior que não cabe dentro da estreiteza do nosso raciocínio, ele apenas ama!

A Providência Divina, uma espécie de sistema operacional do Criador, entendeu a angústia de Júlia e lhe possibilitou, em nova gravidez, receber a menina que fora abortada porque ela e o marido estavam em situação difícil. Também consolou Clarice quando da perda do primeiro filho e incentivou-a a levar a segunda gravidez a termo. Também deu a mão à Valéria no momento de decisão tão difícil, entendendo-lhe os motivos e possibilitando, mais adiante, o ensejo de ter três filhos com o homem que amava. E finalmente, amparou Marisa no momento do aborto espontâneo e deu-lhe forças para reerguer-se, preparando-a, futuramente, para ser mãe.

Deus age de forma diferente por diversas formas e circunstâncias. Conhece nossas forças e fraquezas, ampara-nos nos momentos de dor, entende nossas limitações e nos dá o ensejo de refazermos a jornada.

Por mais duras que sejam as críticas dos homens e os preceitos dessa ou daquela religião acerca do aborto, tenhamos em mente que Deus conhece intimamente cada um de nós. E que, quando muitos nos apedrejam e nos ferem, é ele que nos abraça e restaura nossas forças.

Marcelo Teixeira
Fonte: Associação Brasileira de Pediatria Espirita (ABPE)

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INTENÇÃO PREDOMINANTE

Por Orson Peter Carrara

Afirma Cairbar Schutel em seu Preâmbulo, no livro Parábolas e Ensinos de Jesus (de 1928): “(…)

A intenção predominante de Jesus, não cansemos de repeti-lo, foi libertar os homens do jugo do dogma e excluir dos corações o espírito da dúvida que obsidia os relutantes, os indecisos e os que não sabem donde vieram, quem são e para onde vão (…)”.

Dogmas e espírito de dúvida realmente aprisionam, condicionam, resultando em lamentáveis fatos. Libertar-nos de tais prisões emocionais e psicológicas – normalmente decorrentes de dogmas e espírito de dúvida – significa serenidade e compreensão para os altos objetivos da vida. Saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos, altera completamente o panorama e a perspectiva de nossos dias. A convicção firmada no raciocínio e na reflexão vai gradativamente construindo ambientes de serenidade, exatamente pela compreensão que traz.

Interessante observar a atualidade da observação na afirmação de Schutel: “excluir dos corações o espírito da dúvida que obsidia os relutantes, os indecisos, os que não sabem… “. Essencial essa providência, pois que a dúvida alimentada obsidia mesmo, causando variados transtornos no entender do processo de viver e aprender. Muito mais seguro prosseguir quando sabemos as razões de seguir adiante.

No texto, pois, do citado livro, de onde retiramos a afirmação, as considerações do autor são valiosas, pois que demonstra em poucos parágrafos o esforço de Jesus nessa direção: libertar da ignorância, romper os prejuízos dos condicionamentos causados pela limitação da visão humana.

E isso foi seguido por aqueles que o compreenderam e continua despertando continuamente outras almas para esse exato sentido da vida: não somos o corpo, esta é uma experiência temporária. Somos imortais, rumo aos grandes anseios da evolução. Sugiro ao leitor reler o citado e rico Preambulo.

Orson Peter Carrara
Fonte: Kardec Rio Preto

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SEMEADURAS E COLHEITAS

Plantaremos todos os dias. É a lei.

Até os inativos e ociosos cultivam, mesmo que seja o joio da imprevidência.

É necessário reconhecer, porém, que diariamente também colheremos.

Há vegetais que produzem em poucas semanas. Outros, no entanto, só revelam frutos na passagem laboriosa de muito tempo.

Em todas as épocas, uma multidão cria complicações de natureza material, acentuando o labirinto das próprias vidas, demorando-se em dolorosas dificuldades.

Ainda hoje, temos notícia dos que pretendem curar a honra com o sangue alheio e lavar a injustiça com a vingança. Daí, o ódio de ontem gerando as guerras de hoje, a ambição pessoal formando a miséria que há de vir, os prazeres fáceis que irão acarretar retificações no amanhã.

Vivemos nesse processo de constante semeadura e colheita.

Infelizmente, até hoje, a maioria de nós tem semeado com descaso, sem se preocupar com a qualidade das sementes que atiramos no solo das múltiplas existências.

Vida após vida, então, somos surpreendidos por colheitas amargas, ingratas, que geram em nós indignação e tristeza.

Como alterar esse curso doloroso?

Semeando melhor, semeando bem.

Pensemos, nos anos de nossa vida aqui na Terra, sejamos jovem, maduro ou idoso, quantas coisas boas semeamos?

Quantas vidas mudamos para melhor? Que papel importante desempenhamos na sociedade à nossa volta? O que de louvável construímos? Como somos para nossa própria família?

São todas possibilidades ímpares de semeaduras felizes.

Pensemos nos caminhos que seguimos, desde que nascemos. Quantos deles foram de sementeiras conscientes e maduras?

Se percebermos que foram poucas as boas sementes cultivadas, não entremos em desespero. Ainda há tempo.

Sempre estamos aptos a semear. Hoje mesmo, daqui a alguns minutos, podemos tomar uma decisão importante, podemos encontrar-nos com alguém e mudar os rumos de uma história.

Hoje mesmo podemos perdoar, podemos começar uma tarefa nova, nos engajarmos em alguma causa valorosa com responsabilidade.

Comecemos qualquer semeadura nova hoje mesmo, a qualquer instante. Tomos somos capazes.

E não nos preocupemos com as colheitas penosas, reflexos de outros tempos. Façamos a colheita resignados, aprendamos e semeemos melhor de agora em diante.

Tornemo-nos um melhor semeador, o que seleciona as sementes que espalhará no solo do mundo.

Passados séculos sobre o Cristianismo, apenas alguns de nós, que nos afirmamos seguidores do Cristo, compreendemos a necessidade da sementeira da luz espiritual em nós mesmos.

Dessa forma, se desejamos plantar na lavoura divina, cabe-nos fugir do velho sistema da semeadura do mal, optando por cultivar o bem.

São muitos os que padecemos, no mundo, por equívocos do ontem. Se desejamos criar nossa felicidade, importante que não percamos tempo, prosseguindo em caminhos escusos.

A luz veio ao mundo há séculos. Milênios se passaram. Optemos pela reconstrução de nós mesmos.

Por: Momento Espírita

Fonte: G. E. Casa do Caminho de São Vicente

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ERRAR É HUMAMO, PERMANECER NO ERRO É APENAS IMATURIDADE ESPIRITUAL

Cristina Sarraf

Mesmo sendo espíritas e nos sabendo em evolução, errar é sempre um grande incômodo e motivo de muitas reações psicológicas indesejáveis, mas que ainda nos pertencem.

Errar, em verdade precisa de um bom exame sobre o que seja, na medida em que muitas vezes está sendo apenas a opinião de outro sobre nosso modo de ser, pensar e agir. Esse outro que nos aponta um erro, está agindo por imposição? Por espírito de domínio? Por considerar-se dono da verdade? Por querer nos diminuir? Por se incomodar conosco, porque o desagradamos? Por querer nosso bem estar? Mas quem quer o nosso bem, aponta erros? Precisamos examinar isso!

Muitas outras questões poderiam ser feitas, no entanto, cada um pode elaborá-las segundo a situação que vive, viveu ou viverá.

Quando nós mesmos nos reconhecemos em erro, teremos realmente errado ou estamos nos comparando a algum padrão estabelecido por alguém, pela sociedade, pela religião ou por nossa vontade de agradar para ter reconhecimento e/ou amor? Tudo isso e mais algumas coisas precisam ser examinadas, como por exemplo o nível de orgulho, pretenciosidade e vaidade que possamos estar cultivando. Sim… também ver se não estamos querendo ser iguais a outra pessoa, que consideramos melhor por alguma razão.

À luz do Espiritismo, estamos todos em processo evolutivo. Processo é algo que veio de algo, que veio de algo… e que vai para algo, que vai para algo… sem término, sem interrupção e sem exceção.

Se estamos em evolução, é possível ser criticado ou condenado por alguém, que nos aponta um erro, sendo que esse alguém também, está em evolução? Bom… há os mais maduros e com mais experiência. Mas se alguém é melhor, aponta erro, critica e condena? Ou ajuda a entender, respeita e considera as razões que temos; e admite que pode não haver erro? É preciso examinar isso!

Esses raciocínios não estão isentando que erramos, e sobretudo não estão “passando a mão na cabeça” de ninguém, e muito menos esquecendo que há erros que realmente prejudicam, destroem e matam.

Na medida em que há Espíritos encarnados de todos os tipos em nossa sociedade humana, e que recebem influências de desencarnados, também de todo tipo – fato de fácil compreensão para os espíritas – mas ignorado pela legislação social, as punições são a condição, por enquanto, para que abusos e crimes não predominem. Ou que sejam temidas as consequências, inibindo um pouco a maldade, a ignorância moral e a “injustiça”. Se bem que tudo isso possa ser acobertado e imposto de forma oficial, disfarçada e sob ameaça, na medida em a maioria não sabe prever o resultado de certo tipo de escolhas, como por exemplo de governantes.

Mas voltando as relações de amizade, família, grupo espírita, trabalho profissional, há que pensarmos melhor sobre o que se considera serem erros.

Por exemplo: se já sabemos que algo não é bom, não faz bem, não ajuda e pelo contrário, atrapalha e prejudica, mas continuamos agindo da mesma forma, o que está acontecendo? Sabemos mesmo? Estamos convictos de que isso ou aquilo é errado, ou apenas ficamos submetidos ao que nos dizem? Será negligência, prepotência e imposição? Será que conhecemos os passos, as etapas para chegar ao acerto? Estaremos nos forçando, sem conseguir acertar? É que forçar mostra desconhecimento dos caminhos!

Porque, muitas vezes, um hábito, um modo de ser é tão antigo e condicionado, que nem é percebido que está sendo usado, até que se concretize. Porém… o fundamental é entender, de verdade, que os atos são frutos, são consequência da maneira de pensar. Se o pensamento perdura, não há como mudar os atos! Ou seja, ser condenado ou condenar-se não resolve nada. Culpar-se é usar de raciocínio não espírita. Os equívocos são parte de nossa ignorância espiritual, por mais que o intelecto esteja desenvolvido. E sair deles – sempre chamados de erros – requer condições de percepção, compreensão, humildade intelectual e verdadeiro entendimento de estarmos em evolução. Ah, sim… todos somos bem e mal inspirados, influenciados e temos limites, equívocos, preconceitos e tendenciosidade no que sabemos e somos.

Como resolver? Aí vai uma sugestão: Primeiro ver se realmente é um erro ou apenas uma opinião alheia. Segundo sair da culpa e ver-se em evolução e por isso, errar e acertar faz parte do processo. Terceiro observar-se, com respeito e amor, em relação a sua forma de pensar sobre a questão, assunto ou conduta. Quarto, analisar se está com disposição de empreender uma mudança de pensamento e sustentar-se no devido tempo de transição entre o hábito antigo e a nova forma. Quinto, aceitar-se como é, integralmente e propor-se a uma modificação que lhe será benéfica; e para isso comece a dar-se todo apoio necessário. Com paciência e muito amor.

A escolha é de cada um, conforme sua possibilidade!

Mas… afaste-se da utopia da perfeição, do conhecimento absoluto, da verdade inconteste e da falsa superioridade, que só é orgulho. E orgulho é também, apenas ignorância espiritual.

Cristina Sarraf
Fonte: Portal Casa Espírita Nova Era

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PAISAGEM MENTAL

Joanna de Ângelis

Inscrevem-se em todas as mentes, pensamentos, palavras e atos.

As paisagens mentais de cada ser humano resultam das suas reflexões, assim como dos seus interesses.

Tudo aquilo que o atrai, impregna a mente, passando a fazer parte do seu patrimônio, que será utilizado oportunamente, quando as circunstâncias assim o impuserem.

A vida mental é, pois, o somatório das construções psíquicas que permanecem dando lugar às realizações e atividades do ser no seu processo de evolução. Em consequência, cada ser reside no local psíquico onde deposita as suas ideias.

São elas o natural resultado dos hábitos mantidos durante a vilegiatura orgânica.

Todo pensamento que passa pelos registros mentais deixa traços de alto significado que, pela sucessão da ocorrência, transforma-se em cultivo para a reprodução oportuna, pelo automatismo dos equipamentos eletrônicos que constituem os chips de registro de tudo que ocorre. Portanto, tal vida conforme os ajustamentos mentais.

Jesus afirmou com muita beleza: Onde estiver o vosso tesouro aí estará também o vosso coração. (Mateus, 6:21)

Equivale dizer: onde estiverem as tuas ideias, estará a tua realidade, o ser que és.

O Seu Evangelho, em sua proposta de terapia preventiva aos males da existência física, oferece a ensementação operosa, gentil e produtora de frutos nutrientes.

Em todos os momentos suas páginas registam as ocorrências edificantes: mesmo quando os primeiros registos apresentem algo de mau, a sua diretriz demonstrará o resultado equivalente aos seus conteúdos.

Não estranhes, pois, o pessimismo, o pânico e a insegurança quando fores defrontado com os testes do movimento da existência humana planificada para vivência da plenitude naqueles indivíduos de mente desabituada a reflexões positivas e a fixações primorosas, que serão as primeiras reações à manifestações do dia a dia.

Expulse-se da mente o hábito do mau julgamento, em particular quando chamam a atenção às más qualidades. Há razões que escapam ao observador apressado que tomam cada pessoa específica ou especial.

Compreendamos que existe em todos os seres humanos a outra face, isto é, o outro lado, talvez, sombrio, como num espelho.

A realidade é que ninguém se sente feliz por inspirar antipatia ou desagrado. E, se por acaso demonstra que sim, está oculto um conflito perverso que desarticula o seu possuidor.

Elege os melhores pensamentos, mesmo quando a situação for extremamente perigosa e negativa.

Vive-se num Universo de leis inalteráveis que funcionam por automatismos inflexíveis.

Se pensas bem, num momento mau, tornas o clima mental menos denso, portanto, favorável a um resultado inesperado.

Esforça-te por ser gentil com todos, pois que a gentileza, como afirma o brocardo popular, gera gentileza.

Conserva a ideia da vitória em circunstâncias aziagas, porque, mesmo quando o resultado não é positivo, o aprendizado é de alto coturno.

O pântano ignora a podridão que exala.

O matagal não sabe os prejuízos que produz…

A peste ignora as vidas que arrebata.

Desse modo, drena as águas paradas e dá-lhes movimento, capina a erva má e retira a mata que agasalha ofídios e aracnídeos perigosos e transforma o terreno em formoso jardim.

Precata-te da pestilência e a saúde triunfará em teu organismo.

A vida é um convite intérmino à ação edificante.

Cuida do teu jardim mental.

As boas conversações são os maravilhosos instrumentos da edificação do Bem.

As palavras carregam as vibrações do tônus que as envolvem. Nem sempre é o som do verbo, mas a emissão do seu conteúdo moral que tem significado.

Como não podes viver sem pensar, habitua-te a reflexionar nas belezas da vida: o desabrochar de uma flor, o gotejar da água, o leve perfume da brisa que beija o roseiral, as coisas simples da Natureza…

As questões complexas exigem mentes que sabem elaborar esquemas e equacionar enigmas.

Sê simples e acaricia tudo que é delicado e desconsiderado.

Sorri ante um amanhecer irizado da luz do Sul ou o poente em fogo do entardecer.

Olha a vegetação numa greta de pedra onde caiu um pólen, manifestando o poder da vida.

Detém-te e examina um grão de areia que reflete a luz, um pirilampo que brilha no escuro, e descobrirás a maravilha da vida em mil manifestações surpreendentes que fascinam.

Pensa em Deus, analisando a Sua obra e deslumbrando-te com um colibri no ar ou uma borboleta leve e também flutuante, bailando ao vento brando, ou uma laboriosa abelha, produzindo mel e fecundando a Natureza sem o saber.

Considera que a tua mente é um jardim portador de belezas inimagináveis. Seleciona o que nele irás plantar, com a certeza, porém, de que colherás conforme a semente que lhe entregares aos cuidados.

Jesus foi peremptório, afirmando que: (…) A cada um segundo as suas obras. (Mateus, 16:27)

Normalmente o momento da desencarnação libera a memória que evoca toda a existência, especialmente aquilo que mais se fixou na mente através da repetição.

Essas fixações são os pensamentos comezinhos, constantes, viciosos.

Desse modo, vive de maneira que, ao desencarnar, a tua memória te abençoe com o jardim de pensamentos elevados, a fim de poderes seguir feliz desde esse momento.

Pelo Espírito de Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em 16 de junho de 2020, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.

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