Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

“O amor é a força mais abstrata e, também, a mais poderosa que o mundo possui.”(Mahatma Gandhi)

Dizem os Benfeitores do além que, nos albores de sua evolução, predominam no homem as cargas instintivas. Na medida em que avança na escala da evolução, surgem as sensações. Com o passar dos milênios, irrompem os sentimentos – ponto fundamental para o desabrochar do amor. Isto posto, analisemos os sentimentos que advêm das tendências eletivas e o das afinidades familiares. Na primeira condição, estão as expressões complexas do desejo, do sensualismo; na outra situação, sedimentam-se a fraternidade e o enlevo conjugal, numa simbiose mágica, químio-eletro-magnética, na entranha do ser.

Na questão 938-a de “O Livro dos Espíritos” lemos: “A natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores gozos que lhe são concedidos na Terra é o de encontrar corações que com o seu simpatizem”. (1) O amor deve ser o objetivo excelso no roteiro humano para a conquista da paz na sua expressão apoteótica.

Porém, diversas vezes, o nosso sentimento é meramente desejar, e tão-somente com o “desejar”, desfiguramos, instintivamente, os mais promissores projetos de vida. Alguns estudiosos estabelecem que o “amor” é a resultante de uma determinada reação química comandada pelo cérebro. (!?) Deste modo, sobressai-se a feniletilamina (2) produzida pelo organismo, à medida em que surge uma atração sexual intensa.

A Dra. Hellen Fischer, estudiosa do tema, afirma que o romantismo tende a desvanecer-se em pouco tempo. Fischer afirma, ainda, que existe outra substância relacionada ao “amor”: a Ocitocina, que sensibiliza os nervos nas contrações musculares, mas o efeito dessas substâncias é pouco duradouro, resultando nas separações entre os casais, razão do grande número de divórcios. (3) (sic)

Nesses argumentos absurdamente maquinais, os “especialistas” propõem uma análise dos sentimentos, apenas como resultante de um amontoado de forças nervosas, movimentando células físicas, regidas pela combinação de substâncias neurotransmissoras. É totalmente despropositada essa tese que subestima a vontade, o pensamento, o livre-arbítrio do ser racional, atribuindo-se o “arrefecimento do amor” ao simples processo de descompensação hormonal e às alterações das combinações neuropsicoquímicas.

Nos dias de hoje, fala-se e escreve-se muito sobre o sexo e pouco sobre o amor. Certamente, porque esse sentimento não se deixa decifrar, repelindo toda tentativa de definição. Por isso, a poesia, campo mítico por excelência, encontra, na metáfora, a tradução melhor da paixão, como se esta fosse o amor. Segundo o psiquiatra William Menninger, “o amor é um sentimento que a gente sente quando sente que vai sentir um sentimento que jamais sentiu”.(4) Entendeu?… Nem eu!

Esse vazio conceptual deve-se à dificuldade de manifestação de solidariedade e fraternidade no mundo de hoje. O desenvolvimento dos centros urbanos criou a “síndrome da multidão solitária”. As pessoas estão lado a lado, mas suas relações são de contiguidade.

A paixão é exclusivista, egoísta, dominadora, é predominantemente desejo. Para alguns pensadores, esse sentimento é a tentativa por capturar a consciência do outro, desenvolvendo uma forma possessiva, onde surge o ciúme e o desejo de domínio integral da pessoa “amada”.

O legítimo amor é o convite para sair de si mesmo. Se a pessoa for muito centrada em si mesma, não será capaz de ouvir o apelo do outro. Isso supõe a preocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva como ela é, e não como queiramos que ela seja. O amor representa a liberdade, e não o psicótico sentimento de posse. É a lei de atração e de todas as harmonias conhecidas, sendo força inesgotável que se renova sem cessar e enriquece, ao mesmo tempo, quem dá e quem recebe.

Podemos até afirmar que o amor é quase tudo o que imaginamos ser: é o extasiar-nos com a presença do outro, sem que essa presença seja a nossa única razão de existir e sonhar; é a índole de ajudar o outro, todavia sem exigir que o outro seja ou faça, somente, o que julgamos correto; é a sublimidade dos bons sentimentos dirigidos ao outro, porém, sem que haja limites ou condições para que expressemos tais sentimentos; é o abraço, o olhar sereno, o aperto de mão, a palavra dúctil e tranquila, os ouvidos atentos para ouvir; tudo isso em função do outro, contudo, sem que venhamos impor, ao outro, que nos recompense; e, mais ainda, que todo esse sentimento possa ser projetado a todas as pessoas, não somente aos nossos consanguíneos, mas aos amigos próximos e companheiros de jornada humana.

Se quisermos melhor contemplar e traduzir o que é amor, inspiremo-nos na placidez dos campos, no sussurro do frágil regato, na cadência dos silvos dos pássaros ao lado da destreza instintiva da ave tecelã… Arrebatemo-nos no tremeluzir das flores em multicores, nas pétalas singelas que espalham aromas em pequenos canteiros, nas miríades de mundos que enfeitam galáxias nos jardins do firmamento e no brilho feérico da estrela que jaz no infinito.

O amor está presente na leve brisa que acaricia os ramos de uma roseira e nos vendavais que agitam ondas imensas nos oceanos; está no tênue sussurro da criança e, também, nas estrondosas explosões solares; está na força do jovem que busca seu espaço ao sol e na sabedoria do ancião que recorda e descansa; está na graciosidade da borboleta e na habilidade inconteste dos reflorestadores alados. O amor é a dinâmica da vida, e a harmonia da Natureza é o remédio para todos os males que atormentam o homem.

Em síntese, tudo o que possamos idealizar sobre o amor pode se consubstanciar como parcela deste sentimento, mas ele é muito maior e mais abrangente, até porque o bem-querer, toda a bondade, a tolerância, a alegria, a proximidade, só poderão ser um fragmento do amor quando não tiverem laços no apego, na imperiosa necessidade de permuta, no egoísmo que exige sempre condições e regras.

Em verdade, o amor só será verdadeiro e incondicional quando for dilatado por todos nós, a todas as coisas e a todos os seres que nos cercam, nessa estupenda experiência humana que é a própria vida.

 Referências bibliográficas

(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB ed. 2002, questão 983-a

(2) Líquido oleoso, incolor, redutor enérgico, uso como reagente [fórm.: C6H8N2]

(3) FISCHER, Helen. The Anatomy of Love, New York: Norton,1992

(4) MENNINGER, Willian C. e MUNRO Leaf. ABC da psiquiatria, São Paulo: ed. Ibrasa 1973 1 edição tradução de Nair B

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ESPIRITISMO E POLÍTICA – MANIFESTO

Postado por Antonio Cesar Perri de Carvalho – Exibir blog

(Manifesto aprovado no dia 4 de agosto de 2018, durante a Mesa Redonda “Espiritismo e Política”, realizado na Câmara Municipal de São Paulo, em São Paulo, promovido pelo Grupo Espíritas na Política, de São Paulo).

ESPIRITISMO E POLÍTICA – MANIFESTO

O Brasil vive momentos extremamente delicados nos contextos: político, social, econômico e ético.
A maneira mais importante para o cidadão se manifestar dentro do arcabouço democrático é através do voto consciente.

Os espíritas devem cumprir o dever como cidadãos, preocupados e comprometidos com os destinos da Pátria.
O espírita como cidadão – pessoa física -, pode contribuir para a solução dos problemas políticos e sociais vivenciados na atualidade, sem necessariamente comprometer-se com legendas ou organizações partidárias, mas ciente de que esse é também um direito que cabe a cada um.
Para se analisar a participação de espíritas na política, e especificamente

como candidato a cargo eletivo, é sabido que o rótulo religioso não é garantia de integridade na vida pública. A trajetória de vida do cidadão na sociedade é o primeiro referencial a ser considerado pelo eleitor consciente. O importante é que os anseios com um ideal sejam compatíveis os exemplos de vida.

O espírita tem conhecimento que O livro dos espíritos, obra básica e inaugural de Allan Kardec, contempla 405

perguntas e respostas sobre “As Leis Morais”, que envolvem questões sobre o relacionamento do homem com o Criador da vida, com o planeta em que vive, com seus semelhantes, com as sociedades de que participa, ao tratar das Leis de Adoração, Trabalho, Reprodução, Conservação, Destruição, Sociedade, Progresso, Igualdade, Liberdade, e Justiça, Amor e Caridade, da Perfeição, das Esperanças e Consolações.
Em “As Leis Morais” de O livro dos espíritos, o Espiritismo apresenta recomendações para a vida em sociedade pautadas na ética e na moral, autênticas normas políticas para o ideal de uma civilização espiritualista e cristã.
Referencial oportuno que merece destaque na atualidade foi registrado por Paulo de Tarso: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (I Coríntios 10, 23).


 É recomendável que o cidadão analise a compatibilidade entre as propostas partidárias e as ações e ideias do candidato, com os princípios ético-morais e espíritas.
A análise prévia desses parâmetros deve superar e ser mais importante do que os critérios de amizades, expectativas de retribuições e de benefícios de ordem pessoal.
O momento é muito delicado para o Brasil e de grande importância para o consciente exercício da cidadania, destacando-se a ética e a moral fundamentada nos ensinos de Jesus, com conceitos ampliados com os subsídios oferecidos pela Doutrina Espírita.

Coordenação: Júlia Nezu e Paulo Francisco. Mediação de André Marouço e Antonio Cesar Perri de Carvalho.

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A DEPRESSÃO INICIA NA ALMA

Vitória sobre a depressão

Apresentando-se em caráter pandêmico, a depressão avassala os mais variados segmentos sociais, arrastando verdadeiras multidões ao terrível distúrbio de conduta.

Pode-se afirmar que a depressão é ocorrência que se manifesta como um distúrbio do todo orgânico e resulta de problemas do quimismo neuronal, com a falta de alguns neurocomunicadores responsáveis pela alegria, o bem estar, o afeto, tais como a dopamina, a serotonina e a noradrenalina. Aprofundando-se, porém, a sonda investigadora a respeito desse cruel distúrbio comportamental da área da afetividade, a doença se exterioriza em razão do doente, que é sempre o Espírito reencarnado em processo de reequilíbrio dos delitos anteriormente praticados. A depressão é doença da alma que se sente culpada e, não poucas vezes, carrega esse sentimento no inconsciente, em decorrência de comportamentos infelizes praticados na esteira das reencarnações, devendo em consequência, ser tratada no cerne da sua origem. O Espírito é um viajor incansável da imensa estrada das reencarnações, avançando das trevas para a luz, do instinto para a inteligência, e dessa para a razão, logo mais para a intuição. O seu comportamento esteve adstrito aos impositivos do primarismo por onde jornadeou longamente.

Constatado essa psicogênese respeitável, que facilita o diagnóstico da problemática, o Espiritismo também oferece o grande contributo terapêutico para a solução, tendo base os ensinamentos de Jesus Cristo, o Médico por excelência, cuja vida é o mais belo poema de amor e sabedoria que a história conhece. De início, o esclarecimento do paciente, a fim de que adquira a consciência de responsabilidade, dispondo-se à recuperação a esforço pessoal, sem o mecanismo passadista de transferir para outrem o que ele deve realizar. Em seguida, o hábito saudável da oração, dos bons pensamentos através de leituras edificantes, dos diálogos que enriquecem o ser interior, da fluidoterapia, água fluidificada….

A saúde é portanto, o estado ideal do Espírito que se descobriu a si mesmo e se identifica com o Cosmo, nele inserido em clima de harmonia. O corpo humano é a mais grandiosa obra de engenharia que se conhece. Uma existência laboriosa, ativa, guiada pela mente edificada no amor e na solidariedade, transforma-se num arquipélago de saúde, mesmo quando ocorram alguns fenômenos de aflição, perfeitamente controláveis, não permitindo angústias desnecessárias, ansiedades injustificáveis, medos sem lógica, solidão egoísta. Podes, portanto, adquirir saúde e preservá-la, se te resolveres por ser feliz e te empenhares na execução do programa iluminativo que te diz respeito.

Cada Espírito é responsável por tudo quanto lhe acontece.

Por Divaldo Pereira Franco, do Espírito Joanna de Ângelis.

 * * * Estude Kardec * * *

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A Obsessão e os débitos do passado

A difícil missão dos doutrinadores nas sessões mediúnicas:

 O irmão do Chico era o doutrinador…..

“O obsessor conta que foi enterrado vivo só com a cabeça para fora … besuntada com mel!”

 Certa noite, rodeados de confrades, que lhe levaram como tema os trabalhos de desobsessão, Chico, depois de aconselhá-los, falou de suas primeiras experiências neste campo:

– Quando iniciamos nossas sessões de desobsessão não tínhamos muita prática.

Apresentaram-nos, certo dia, em Pedro Leopoldo, três moças obsidiadas, que estavam hospedadas em casa de amigos, para serem tratadas em nosso grupo. Uma delas tinha o estranho hábito de mastigar vidros, o que deixava os abnegados anfitriões assustados e preocupados.

O médium observou a reação dos ouvintes e continuou:

– José, meu irmão, era o doutrinador. Iniciada a primeira série de sessões, as entidades começaram a se manifestar. Dentre elas havia antigos escravos, e um deles, o mais endurecido, manifestando-se através de um de nossos médiuns, fez pungente narrativa sobre os fatos ocorridos no tempo da escravatura, quando eles eram tratados impiedosamente pelas três jovens.

Como sinhás da fazenda, na existência passada, elas usavam a força e o poder através de cruéis capatazes. Uma delas, por motivo fútil, fez enterrar um escravo – o espírito que se manifestava – deixando apenas a cabeça fora da terra.

Em seguida mandou que a besuntassem com mel a fim de atrair os insetos. Lá permaneceu ele, sozinho, em intermináveis sofrimentos, até encontrar a morte.

Nas horas finais, em desespero ele clamava:

– Sinhá! Se existe alma depois desta vida, eu vou me vingar…

O Chico então justificou:

– Esta, entre outros dolorosos fatos do passado, era a causa da forte obsessão que acometera aquelas três moças.

E procurando encerrar a narrativa:

– As pacientes permaneceram em tratamento espiritual na nossa cidade alguns meses até que os espíritos foram esclarecidos, e elas pudessem retornar aos seus lares curadas da obsessão.

O ambiente ficara silencioso e cismarento. O médium, olhando os circunstantes concluiu o relato:

– Findo o tratamento, José me procurou o disse:

– Chico, eu não vou mais ser doutrinador.

– Por quê? Perguntei-lhe admirado. Ele, então, falou:

– Eu tomei o partido dos obsessores…

Todos, inclusive o médium, riram-se do desfecho do caso, e José, segundo o narrador, a despeito do desabafo, acabou por retornar a tarefa de doutrinador de espíritos.

(Extraído do Livro “Inesquecível Chico” de Romeu Grisi e Gerson Sestini)

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O que nos ensina a crise?

A crise econômica em nosso Brasil, assunto que em todos os instantes consta na pauta da imprensa, e do qual não se pode furtar, porquanto influencia diretamente em nossa vida, não é tema novo.

O século XX, por exemplo, produziu algumas crises econômicas. Na chamada Grande Depressão, no ano de 1929, muitos bancos e empresas estadunidenses foram à falência. Ocorre que na época da Primeira Guerra Mundial os Estados Unidos exportavam muitos produtos à Europa. Contudo, conforme a reabilitação dos países europeus, as exportações foram cessando, o que causou forte impacto na economia do país. Esta crise produziu um grande número de suicídios. Aliás, as crises econômicas, de forma geral, trazem o desespero ao homem imediatista que vê no suicídio a porta de saída para seus problemas. Ledo engano.

O Brasil, que na ocasião exportava grande quantidade de café aos EUA também foi afetado pela crise, porque seu parceiro comercial diminuiu drasticamente suas importações, o que fez o preço do café brasileiro cair um bocado.

Entretanto, esta crise no setor do café teve seu ponto positivo, pois os cafeicultores brasileiros tiveram que, a partir desta situação, investir no setor industrial, gerando bons reflexos na indústria brasileira.

Não faz muito tempo, na década de 1980, vivíamos um Brasil imerso em crise. Inflação galopante que corroía o já pequeno salário do trabalhador. Os preços eram alterados numa velocidade vertiginosa, instabilidade total.

Tivemos, também, a crise de 2008 que se iniciou nos EUA e contaminou o Brasil, além de outros países.

Poderíamos ficar aqui por páginas a fio, passeando pelo mundo e suas crises, causas, protagonistas e consequências. Entretanto, urge abordarmos um pouco a crise que no ano de 2015 tomou conta de nosso país e, pelo caminhar dos fatos, estender-se-á pelos anos vindouros, exigindo de nós, brasileiros, reflexão e atitude.

Uma das consequências da crise é o desemprego. Com a retração da economia as empresas tendem a inibir contratações e agilizar demissões. É sabido que muitas (óbvio que não todas) empresas vão no embalo da crise e suas especulações para diminuir o quadro de funcionários. Como só se fala em crise, a empresa que demite nesta época não fica mal perante o público. Não precisam demitir, mas o fazem. A conta é simples: menos funcionários, mais lucro.

Naturalmente que não está neste rol a empresa que passa verdadeiramente pela crise, pois para estas as demissões são, infelizmente, um caminho para a recuperação.

A caridade como ferramenta para superação da crise

Em “O Evangelho segundo o Espiritismo” há uma mensagem do Espírito Pascal, no ano de 1862, em que aborda tema egoísmo. Diz o benfeitor para o homem libertar-se do sentimento de indiferença e ser mais sensível ao sofrimento alheio, pois é a indiferença que aniquila os bons sentimentos.

Se colocarmos a ideia de sermos mais sensíveis ao sofrimento alheio no mundo corporativo não desempregaremos alguém sem necessidade. Não demitiremos por especulação, não deixaremos um pai de família sem a honra de poder levar para sua casa o pão de cada dia santificado pelo suor de seu rosto.

Repetindo para que não haja ruído na comunicação. Refiro-me aqui às empresas que demitem apenas porque vão no embalo da crise, ou seja, demitem sem necessidade, tão somente com o objetivo de lucrar mais, mesmo que este preço seja o das demissões.

Recentemente estive proferindo palestras pelo interior de São Paulo, e em conversa com um confrade sobre o tema crise ele, que também é empresário, disse-me:

Não demitirei meus funcionários. Tenho 60 pessoas em minha empresa e, não obstante a queda no faturamento estamos operando no azul, as contas estão sendo pagas, portanto aguardarei esta fase passar. O que não farei no momento é abrir postos de trabalho, pois não se justifica, mas não demitirei. Tenho fé no futuro, as coisas melhorarão.

Fiquei muito feliz com a visão deste amigo empresário. Não está se aproveitando da crise para promover um desmonte em sua equipe, antes, porém, sendo sensível a situação de seus colaboradores.

Eis, na prática, a caridade como ferramenta de superação da crise, pois quando eu me coloco no lugar do outro, aumento as chances de ser mais sensível a sua situação.

Reflexão: o que as crises querem me ensinar?

Diz o ditado que mar calmo não faz bom marinheiro. O progresso vem, quase sempre, quando estamos pressionados e necessitamos criar uma solução para este ou aquele caso. Aí mobilizamos as forças da alma, refletimos e agimos para ficarmos liberados da questão que nos aflige.

São nas agitações do dia a dia, são nas crises, sejam de um país, de uma família ou segmento que saímos da zona de conforto e modificamos nosso comportamento.

No estágio evolutivo em que nos encontramos, as crises têm, dentre algumas funções, a de trazer para nós algumas indagações.

Por que isto está ocorrendo?

O que esta crise quer me ensinar?

O que eu posso fazer para sair desta situação?

As crises não são, portanto, punições de Deus a um país, mas uma ferramenta de educação para um povo.

Em nosso caso, por exemplo, está nítido que a crise econômica e política é apenas o reflexo de uma crise bem mais profunda e séria: a moral.

Pouco afeitos a respeitar regras, criamos o famoso “jeitinho brasileiro”, em que sem nenhum pudor desrespeitamos regulamentos e normas para atender nossas conveniências.

Natural que, sendo parte do povo e envolvidos em sua cultura e costumes, os políticos repetirão no poder as tendências da população.

Em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, numa mensagem regada à beleza e grandiosidade, denominada: O dever, Lázaro – Espírito – ensina que o dever reflete todas as virtudes morais. O dever é severo e dócil e está sempre pronto a submeter-se às situações permanecendo firme diante das tentações.

Qual o dever de um homem público?

Qual o dever de um cidadão?

Ora, todos sabemos quais são nossos deveres. Mas, por que mesmo sabendo de nossos deveres não os cumprimos? Por qual razão, mesmo conscientes, tombamos ante às tentações?

Cumprir com o dever, portanto, é trabalhar em nossa autoiluminação que, por sua vez, resultará num total e irrestrito respeito pelas regras, pela valorização do que é bom para o coletivo, enfim, pela busca constante em superar as nossas más inclinações, pois quando nossas más inclinações vencem, o dever não se cumpre e todos perdem, nós e a sociedade.

Tempo de analisar nosso estilo de vida

Um outro ponto a abordar no assunto crise é nosso estilo de vida.

Como estamos levando nossa existência? Somos consumistas contumazes? Criamos necessidades a todo tempo? Nossos desejos são insaciáveis? Ficamos infelizes quando não conseguimos comprar?

Junto com estas questões proponho outra:

Será que esta crise veio para mostrar-me como pode ser interessante e possível viver de uma outra forma, mais simples?

Há, em “O Livro dos Espíritos”, na resposta da questão 926, uma afirmação de impacto dos Espíritos: aquele que sabe limitar seus desejos e vê sem inveja o que está acima de si poupa-se de muitos dissabores.

Uma convocação para uma vida mais simples, mais calma e tranquila, baseada na conquista dos valores do espírito imortal e não apenas no desejo desenfreado, que alimenta o consumismo irracional e faz, com frequência, os estardalhaços econômicos.

Há alguns anos, ouvi do economista Reinaldo Caffeo que um dos motivos para o alto endividamento das famílias brasileiras é a inveja. Mas, como assim? Como a inveja pode endividar alguém?

Simples: a inveja faz-nos cometer loucuras e extrapolar o orçamento doméstico. Aquele tênis que o vizinho comprou eu quero mas não tenho condições financeiras para adquirir, porém, passo ao largo do bom senso e, ainda assim, compro o bem, mas endivido-me.

Eis a inveja como elemento de endividamento.

E ensinam os Espíritos: limitar os desejos e ver sem inveja os que estão acima de nós poupa-nos de dissabores.

Assim somos poupados de cobranças, nome negativado, dores de cabeça, e nesses tempos de crise o que não precisamos é de dor de cabeça.

Mas, como diz Allan Kardec:

Quase sempre é o homem o construtor de sua infelicidade.

Por lógica, se o homem constrói a infelicidade poderá construir a felicidade.

Basta refletir e aproveitar a crise para repensar sua conduta, seu comportamento e seu estilo de vida.

Tudo passa, e a crise passará, porém, que fique para nós a experiência.

Pensemos nisto.

Fonte: Wellington Balbo

Rede Amigo Espírita

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O Evangelho no Lar e o Poder do Pensamento

A influência da prece:

– Allan Kardec, ao emitir seus comentários na questão 662 de O Livro dos Espíritos, afirma que “o pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal”.  

– A rigor “a eletricidade é energia dinâmica; o magnetismo é energia estática; o pensamento é força eletromagnética” (do livro “Pensamento e Vida” – psicografia de Chico Xavier

Atende o Mestre que te bate à porta

“Sempre que se ora num Lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico.

Cada prece do coração constitui emissão electromagnética de relativo poder.

Por isso mesmo, o culto familiar do Evangelho não é tão só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pela claridade espiritual que acende à volta.

O homem que ora traz consigo inalienável couraça.

O Lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza.”

(Os Mensageiros, Cap. 37 – FEB- l944)

 

Para Que Fazer O “EVANGELHO NO LAR”?

O cultivo dos bons pensamentos satura o ambiente doméstico de boas vibrações e facilita a presença dos benfeitores espirituais, que trazem amparo e inspiração necessários para superar as dificuldades que porventura surjam na vida.

Orientações para a realização do “Evangelho no Lar”:

Escolher um dia e uma hora na semana em que seja possível a presença de todos os elementos da família, ou a maior parte deles.

Caso não seja possível, nada impede que se faça o Evangelho no Lar estando só.

O ideal seria transformar este período em que os componentes do lar se encontram à volta dos ensinamentos de Jesus em período de harmonia, aumentando a capacidade de compreensão e a possibilidade de vivenciar os ensinamentos do Mestre Jesus no dia a dia, tornando o ambiente mais tranquilo.

Forçar as pessoas a participarem seria um ato de agressão e imposição que poderia provocar discórdias.

Não esquecer que estamos sempre acompanhados dos benfeitores e quanto importante é cumprir com o horário escolhido.

Os Irmãos Superiores têm trabalho, por isso a pontualidade e horário e dia fixos são importantes, até porque muitas vezes eles trazem, irmãos necessitados a assistirem a tal ato de harmonia para que aprendam o caminho da evolução.

Iniciar a reunião com uma prece.

Fazer a leitura de textos que enriquecem a alma e incentivam o indivíduo na prática do bem, de preferência o “Evangelho, Segundo o Espiritismo”, e comentários breves sobre os textos lidos, buscando a essência dos ensinamentos para a aplicação na vida diária, procurar mesmo comentar fatos da semana que se enquadrem no texto apreciado.

Procurar estimular a participação de todos os componentes, colocando o que foi entendido, com o objetivo de auxiliar a compreensão de todos os participantes.

Não criar polêmicas, jamais “discutir”. Contudo, nada impede o diálogo sadio, pois cada um tem sua própria capacidade de entendimento e no devido tempo todos acabam por compreender a necessidade da prática do bem.

Não alongar muito os comentários.

Não esquecer que estamos com a companhia de amigos espirituais que desejam o nosso desenvolvimento e se mantêm a postos aproveitando as melhores oportunidades para nos incutirem melhores sentimentos e disposições para o bem.

Fazer vibrações pelo lar onde o Evangelho se está a ser estudado;

Para os presentes, seus parentes, amigos e vizinhos;

Para a Paz na Terra;

Para a implantação e a vivência do Evangelho em todos os lares;

Para o entendimento fraternal entre todas as religiões;

Para a cura ou melhoria de todos os enfermos, de corpo ou da alma, minorando seus sofrimentos e suas vicissitudes;

Para o incentivo dos trabalhadores do Bem e da Verdade.

Podem-se fazer também vibrações especiais, em casos concretos que preocupem os presentes e a sociedade.

Fazer a prece de agradecimento e encerramento.

Evitar comentários ou conversação menos edificante durante o “Evangelho no Lar” e também durante toda a semana, para manter a harmonia recebida neste momento;

Não suspender a prática do “Evangelho no Lar”, em virtude de visitas inesperadas, passeios adiáveis ou acontecimentos fúteis;

Embora a assistência do Plano Espiritual seja indispensável para o andamento normal de “O Evangelho no Lar”, acautelar-se para não transformar a reunião em trabalho mediúnico; a mediunidade e a assistência espiritual devem ser atendidas em Centro Espírita idôneo.

 JESUS NO LAR

O Culto do Evangelho no Lar aperfeiçoa o homem.

O homem aperfeiçoado ilumina a família.

A família iluminada melhora a comunidade.

A comunidade melhorada eleva a Nação.

O homem evangelizado adquire compreensão e amor.

A família iluminada conquista entendimento e harmonia.

A comunidade melhorada produz trabalho e fraternidade.

A nação elevada orienta-se no direito, na justiça e no bem.

Espiritismo sem evangelho é fenômeno ou raciocínio.

O Fenômeno deslumbra, o raciocínio indaga.

Descobrir novos campos de luta e pensar em torno deles não expressa tudo.

Imprescindível conhecer o próprio destino.

Não basta, pois, a certeza de que a vida continua infinita, além da morte.

É necessário clarear o caminho.

Do Evangelho no Lar depende o aprimoramento do homem.

Do homem edificado em Jesus Cristo depende a melhoria e a redenção do mundo.

(de Emmanuel – psicografado por Chico Xavier).

 JESUS CONTIGO

Dedica uma das sete noites da semana ao culto do “Evangelho no Lar”, a fim de que Jesus possa pernoitar em tua casa.

Prepara a mesa, coloca água pura, abre o Evangelho, distende a mensagem da fé, enlaça a família e ora. Jesus virá em visita.

Quando o lar se converte em santuário, o crime se recolhe ao museu.

Quando a família ora, Jesus se demora em casa.

Quando os corações se unem nos liames da Fé, o equilíbrio oferta bençãos de consolo e a saúde derrama vinho de paz para todos.

(de Joana de Ângelis, psicografada por Divaldo P. Franco).

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Novas Gerações e o Mundo de Regeneração

– Comerciantes mirins

Postado por os pae em 27 jul 18

jorgehessen@gmail.com

Jorge Hessen

Novas gerações, velhas provocações diante dos atuais desafios da inteligência infanto-juvenil. Realmente observamos os pequenos (crianças e adolescentes) como exímios empreendedores que se sobressaem quais proeminentes alienígenas negociantes e habitantes da Terra.

São indicativos panoramas para uma Nova Era sob as ondas das informações ultrarrápidas e estímulos ao empreendedorismo, cujos efeitos são os surgimentos dos mirins fenomenais que nestes tempos de vida apressada hão faturado alto antes mesmo de completarem a maioridade. Quiçá estejamos diante do convite à solidariedade, inobstante o acúmulo de bens que paradoxalmente poderá diminuir a desigualdade das riquezas.

Além de Mikaila Ulmer, uma das empresárias mais jovens dos EUA, com a criação do BeeSweet Lemonade, comerciando 360 mil garrafas de sua limonada por ano em lojas sofisticadas, como a rede de supermercados Whole Foods, listamos aqui outros empreendedores mirins da Nova era.  É o caso de Pixies Bows, responsável pela loja virtual Pixies Bows, onde vende laços e tiaras, os dois acessórios mais marcantes de seu estilo. As peças estão à venda entre US$ 15 e US$ 24 (R$ 45 e R$ 72).

Lembramos de Charlis Crafty Kitchen de 8 anos que já virou uma celebridade na internet e fatura cerca de US$ 128 mil com vídeos em que ensina receitas. Outro fenômeno é o pequeno Evan que desde 2011 faz vídeos no YouTube. Atualmente, seu canal EvanTubeHD já tem mais de 1 bilhão de visualizações e 1,3 milhão de assinantes e fatura mais de US$ 1 milhão.

Outro exemplo é Rachel Zietz, de 18 anos que detém marca para vender equipamentos esportivos. A jovem lançou sua empresa, a Gladiator Lacrosse, e já faturou mais de 1 (um) milhão de dólares.

Noa Mintz tinha apenas 15 anos e já faturava cerca de US$ 500 mil por ano. Sua empresa cobra uma taxa de US$ 5 por serviço de baby-sitter arranjado e uma taxa de 15% sobre o primeiro salário das babás, que varia entre US$ 64 mil e US$ 100 mil por ano.

Seguramente teremos que aprender a conviver com a pós-modernidade considerando a presença do capital e o consumismo licenciosos, da difusão de conhecimento e tecnologia avançada apressando a automação da vida terrestre, da carência de valores morais, da extenuação dos sistemas de ideias, do desalento dos vínculos afetivos e do egocentrismo acentuado.

Eis aí algumas particularidades da Nova Era que ainda suscitam incertezas de um porvir de um planeta mais pacífico e fraterno. Todas essas mudanças velozes de empreendimentos precoces e as crises presentes nas inquietas esferas sociais indiciam a (pré)construção do mundo de regeneração, que não poderá ser regido pelo convite materialista ainda vigente em nosso atual estágio evolutivo.

A geração da Nova Era , encarnada ou em via de encarnar, neste período sensível de mudanças paradigmáticas , obviamente traz uma bagagem moral e intelectual  específica do mundo extrafísico  e tem ciência sobre a sua fascinante incumbência de tomar as rédeas desse patrimônio civilizacional em nome de um multiculturalismo econômico às vezes insano.

Sim, geração que deve estar comprometida com missões diferentes para o bem coletivo, com o desígnio de agenciar as transformações imprescindíveis que estão antevistas na Lei do Progresso.

Deste modo, não estamos diante de uma geração de seres perfeitos para gerar uma revolução prodigiosa na Terra, mas tão somente de Espíritos mais experientes nas diversas (re)encarnações terrestres que, mais perspicazes e ilustrados, esquadrinham um indulto na consciência com vista a edificação do amanhã brilhante, cientes de que, sem o enriquecimento moral por meio da observância da Lei de amor, justiça e caridade, será impraticável a concretização do mundo de regeneração.

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Inclusão nas instituições espíritas

Postado por Marcos Paterra  Exibir blog

Muito se ouve sobre a inclusão nas escolas e nas instituições empresariais,  isso porque desde a década de noventa o governo tenta  conscientizar e implementar a inclusão  principalmente nas redes de ensino.

Foram lembrados os grandes nomes da historia da pedagogia como Pestalozzi[1], Wallon[2], Maria Montessori[3], e finalmente houve a conscientização de que carinho, brincadeiras, e atenção eram essenciais entre professores e crianças.

Baseando-se em princípios de Jean Piaget[4], e Vygotsky[5], muitos estudiosos  abriram uma visão inclisivista  entre eles Adolphe Ferrière[6]    que  com sua visão visionaria  semeava a  “Escola Nova”[7]  que  chegou ao Brasil em 1882, pelas mãos de  do polímata[8] brasileiro Rui Barbosa[9], e exerceu grande influência nas mudanças promovidas no ensino na década de 1920, quando o país passava por uma série de transformações sociais, políticas e econômicas; com métodos construtivistas, e com as portas abertas para todas as crianças fossem negras, brancas, índias, pobres, ricas, deficientes físicas ou mentais… Iniciou-se a inclusão.

Todavia, ainda hoje as dificuldades são grandes principalmente devido ao fato de professores e diretores das escolas, não terem  ciência dos motivos e consequências desta metodologia, os educadores  ainda hoje em sua maioria usam o método tradicional, e as escolas não tem estrutura para lidar com crianças deficientes ou o Bulliyng[10] gerado pelo preconceito/racismo.

Sob essa ótica, podemos questionar se as instituições espíritas são inclusivas, se estão aptas em  abrir as portas para  o convívio com o “diferente”. Seria hipocrisia  não comentar das  instituições espíritas que tem trabalhos sérios e destaque,  alguns para inclusão social onde tem creches e/ou escolas que atende crianças carentes, outros que tem atendimento médico ou psicológico para deficientes físicos ou mentais, mas são poucos e parciais em atendimentos específicos, a questão é, as crianças deficientes  podem frequentar ou mesmo serem evangelizados em qualquer instituição espírita?

Nos últimos anos esta clara a adaptação das estruturas físicas das instituições para que possam receber cadeirantes, muitos livros já estão sendo adaptados para o Braile[11] ou os famosos “áudio-books”[12], todavia  não estaríamos caindo nos mesmos problemas que as instituições escolares ? Nossos expositores, dirigentes, evangelizadores, voluntários ou colaboradores, estão preparados?

Alguns podem indagar que o fato de recebermos pessoas com deficiência em nossas evangelizações tornamo-nos inclusivistas, porem,  são poucas as instituições que conseguem manter essa criança com o olhar inclusivista, eles no máximo as integram em um mesmo ambiente e muitas vezes não sabem lidar com as complexas situações que são geradas  ou seja em seu despreparo o centro espírita pode desencadear mais problemas ainda, e até mesmo agravar os já existentes, reforçando nessa criança, o autoconceito negativo, a desmotivação, o desinteresse e outros mecanismos de defesa, como a indisciplina, rebeldia ou agressão.

Ocorre que os dois vocábulos – integração e inclusão embora tenham significados semelhantes, são empregados para expressar situações de inserção diferentes e têm por detrás posicionamentos divergentes para a consecução de suas metas.

O processo de integração se traduz por uma estrutura educacional intitulada sistema de cascata, que oferece ao aluno a oportunidade, em todas as etapas da integração, de transitar no sistema escolar ou social. Trata-se de uma concepção de inserção parcial, porque a cascata prevê serviços segregados.

A inclusão se baseia em vários conceitos, dentre eles podemos frisar  três em que é necessário que a criança :

  1. Seja uma pessoa que  se encontra dentro de um grupo, no sentido de fazer parte.
  2. Ou que tenha  amigos e relações sociais significativas com iguais, ou sinta-se  que participa na vida social , contribuindo com alguma coisa;
  3. Por fim que seja tratada com igualdade, carinho e respeito como a pessoa única que é.

 Resumindo, ela tem que ser inserida de modo a sentir “Bem‑estar pessoal e social”. Fica evidente que a inclusão sem esses conceitos não assegura inclusão social, se as instituições não pensarem e agirem baseados nesses conceitos, as mudanças estruturais para deficientes não terão usuários com deficiência.

Enfrentamos uma paradigma cultural que vem dos conceitos Eugenistas[13]., onde o que é diferente ou deficiente deve ser “excluído”, Kardec em “A Gênese”[i] nos  ensina: “[…] na reencarnação desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade”(Kardec, Allan. A  Gênese, pág. 31).

O planejamento de políticas sócio educacionais na estrutura doutrinária e práticas pedagógicas inclusivas nas evangelizações, tendo como priori garantir à permanência, a formação de qualidade, a igualdade de oportunidades e o reconhecimento das diversas e complexas deficiências  assim como  orientações sexuais e  identidades de gênero [e étnico-raciais], contribuem para a melhoria do contexto dentro das instituições espíritas.

Adenauer de Novais em sua obra “Mito Pessoal e Destino Humano”[ii]  nos brinda com essa frase:

“Ser espírita não significa apenas adotar uma postura cordata diante da vida, acomodando-se a pequenas conquistas, muito embora importantes, no campo da educação doméstica. A insatisfação quanto à injustiça, a ignorância e a miséria humanas devem permanecer na consciência de todos que adentrem o Espiritismo. O processo de transformação assinalado pelo Espiritismo como fundamental a todo espírita, inclui, além de seu próprio mundo interno, sua participação na construção de uma sociedade mais equilibrada e harmônica. Não basta ele sozinho se transformar interiormente, sem uma efetiva participação nas mudanças que a sociedade requer. Sua consciência de cidadão, pertencente ao mundo, deve alertá-lo quanto ao seu papel social” ( NOVAES. 2005. P. 144[14])

 

 

[1] J. Heinrich Pestalozzi, Educador suíço. Grande inovador, estabeleceu as bases da pedagogia moderna com seu sistema de ensino prático e flexível.

[2] Henri Paul Hyacinthe Wallon (1879 – 1962) foi filósofo, médico, psicólogo e político francês.

[3] Maria Montessori (1870 —1952) foi médica, pedagoga e feminista italiana; Conhecida pelo método educativo que desenvolveu e que ainda é usado hoje em dia em escolas públicas e privadas mundo afora.

[4] Jean Piaget: foi um renomado psicólogo e filósofo suíço, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência  infantil. Piaget passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia.

[5] Lev Semionovich Vygotsky (1896-1934), professor e pesquisador foi contemporâneo de Piaget,  e nasceu e viveu na Rússia;  autor de dois livros básicos: Pensamento e Linguagem e A Formação Social da Mente  se tornaram um marco nos estudos do desenvolvimento humano.

[6] Adolphe Ferrière (1879 1960) Pedagogo  suíço cujo trabalho  está estreitamente ligado ao movimento da Escola Nova, como um dos seus fundadores e eventualmente o seu maior ideólogo.

[7][7]  Escola nova, também chamada de Escola Ativa ou Escola Progressiva, foi um movimento de renovação do ensino, que surgiu no fim do século XIX e ganhou força na primeira metade do século XX.

[8] Polímata (do grego πολυμαθής, transl. polymathēs, lit. “aquele que aprendeu muito”) é uma pessoa cujo conhecimento não está restrito a uma única área. Polímata:  alguém que detém um grande conhecimento.

[9] Ruy Barbosa de Oliveira (1849 —1923) foi destacou-se  principalmente como jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador. Um dos intelectuais mais brilhantes do seu tempo;  foi um dos organizadores da República e coautor da constituição da Primeira República

[10] Bullying (anglicismo, bullying, pronuncia-se AFI: [ˈbʊljɪŋ]) é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, tiranete ou valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.

[11] Braille ou braile: sistema de leitura com o tato para cegos inventado pelo francês Louis Braille no ano de 1827 em Paris.

[12] Áudio-book,  áudio-livro ou livro falado é uma gravação do conteúdo de um livro lido em voz alta.

[13] Eugenia – é um termo cunhado em 1883 por Francis Galton, significando “bem nascido”. A eugenia é a filha dileta de Darwin: se as espécies se transformam por “seleção natural”, há raças inferiores e raças superiores.

[14]  Cap. O Espiritismo e o sentido da vida

Referencias:

 

[i] KARDEC, Allan. A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Ed. FEB. Rio de Janeiro. 2007.

[ii] NOVAES, Adenáuer Marcos Ferraz. Mito Pessoal e Destino Humano. Ed. Fundação Harmonia. Salvador/BA 1999.

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