A tarefa da Doutrina Espírita

1 Na inquietação dos tempos que correm, os próprios Espíritos, cuja elevada missão devia ser levada a efeito dentro da maior simplicidade, sofrem a influência dos fortes antagonismos da atualidade do mundo.

2 A falsa acusação de que os seus núcleos se constituam em redutos de conspiração contra a ordem social veio encarecer aos olhos de todos a necessidade de sentimentos cristãos no setor da serenidade e da temperança, dentro dos quais possam manter os compromissos em que se acham empenhados.

3 O Espiritismo vem justamente coordenar os elementos dispersos pela desorganização das ciências sociais, conduzindo as criaturas em suas atividades para o equilíbrio e para a ordem.

4 Nenhuma doutrina oferece dados mais exatos para a construção da harmonia social que aquela formada dos seus ensinamentos consoladores.

5 Dentro das suas atividades, conhece cada um o absurdo das teorias igualitárias absolutas, considerada, no seu justo sentido, a necessidade do esforço individual para a catalogação dos valores de cada personalidade, no instituto das provas purificadoras.

6 A própria reencarnação, com as suas confortadoras verdades, demonstra o impositivo da igualdade irrestrita no plano das aquisições de cada um na edificação de si mesmo.

7 Solidariedade e tolerância, a caminho da paz e da fraternidade universais, não constituem elementos de subversão ou de desordem, mesmo porque somente no Cristianismo Redivivo, tal qual no-lo apresenta o Espiritismo, em sua feição pura e simples, pode orientar as novas filosofias sociais dentro das organizações coletivas que hoje sofrem as mais amplas renovações, filhas das intenções generosas e puras, conhecendo, desse modo, a necessidade de caminharmos, assim mesmo, vagarosamente, para a uniformidade das interpretações, na observância d’Aquele que é a luz da humanidade.

8 Requisitar o apoio da justiça do mundo para a garantia da verdade? Bem reconhecemos quão precária é essa mesma justiça da Terra.

9 Mirem-se, os espiritistas, em Jesus. A grandeza do Mestre na condenação do pretório e nas humilhações do Calvário não reside tão somente na fortaleza da divina Vítima.

10 Reside muito mais na sua humildade que, confiando no Pai celestial, prescindiu de todo o socorro das organizações meramente humanas dos aparelhos estatais.

11 Entretanto, examinado o problema, é justo que os espiritistas, gratuitamente acusados, venham a campo, na estrada das reivindicações? Sob o ponto de vista humano, nas expressões sociais e políticas do mundo, semelhante iniciativa estaria certa, mas sob o ponto de vista espiritual consideramos que os cristãos sinceros não podem esperar a compreensão das horas que passam.

12 Entreguem-se ao Senhor de todos os tempos, purificando-lhes os ambientes, sem permitir que os corações se contaminem ao toque das organizações e concepções viciosas da atualidade.

13 Não é lícito que a verdade peça socorro às convenções transitórias. De posse dela, a criatura sabe sofrer, aprender, consolar e esperar. Com ela guardamos uma concepção mais justa, com respeito aos dois infinitos que constituem o espaço e o tempo.

14 A principal função do Espiritismo está adstrita à grande obra de educação e de consolação no plano da reforma de cada qual com o divino Modelo.

15 Atravessa o orbe os períodos mais dolorosos e mais críticos. Organizam-se os estados mais fortes.

16 A sua missão e o seu primeiro objetivo é a transformação de todas as coisas e de todos os indivíduos para o bem e temos, todavia, de reconhecer que dentro da feição liberal da sua doutrina pode parecer que os seus prosélitos experimentam uma certa hipertrofia da liberdade, mas como não ser assim se essa mesma doutrina é a liberdade ampla na busca do conhecimento superior?

17 Daí o reconhecimento, igualmente, que dentro dela há lugar para todas as vozes e para todas as opiniões, desde que, muito embora respeitando a justiça dos homens, sigam a Jesus que, na epopeia gloriosa dos seus sofrimentos, poderia ter solicitado a garantia dos direitos humanos, provocando a organização de um processo, onde fosse especificada a procedência da calúnia que o conduziu aos julgamentos cegos da justiça do mundo.

18 Entretanto, os seus lábios estiveram mudos. E foi nessa certeza de que a Justiça em si mesma não se encontrava na Terra, no desprendimento das glórias humanas no reino da iniquidade, na renúncia de tudo, que residiu a luz misteriosa e infinita que iluminou o Calvário, atravessando os séculos até os nossos dias.

Emmanuel

Deus conosco — Emmanuel

– Mensagem recebida por Chico Xavier no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo | MG, sem referência de data.

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Direitos autorais nas hostes espíritas, uma vergonha!

Artigos Espíritas – JORGE HESSEN

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília/DF

 

Há instituições filantrópicas exigindo e cobrando atualmente por “direitos autorais” dos conteúdos e imagens de alguns ilustres figurões palestrantes “espíritas” que estavam sendo exibidos nalgumas tv’s (GRATUITAS) da Internet, razão pelo qual tais canais (GRATUITOS) correm o risco de encerramento das atividades. Isto é uma vergonha! Como diria Boris Casoy.

Alegam que o pretexto da ação (cobrança dos direitos autorais), tem sido o uso INADEQUADO de conteúdos dos venerados oradores para arrecadação de dinheiro e monetização no YouTube. Isto motivou a denúncia e a ação extrajudicial contra os canais (GRATUITOS). Pois que algumas das práticas de tais canais estariam ferindo o direito autoral.

Ora, cremos que a divulgação das ideias espíritas através das tv’s (GRATUITAS) não pode ficar condicionada à questão dos “direitos autorais”. Infelizmente esses portais têm esbarrado com a avareza dos vendilhões, que sob o jargão da suposta destinação dos lucros financeiros para obras filantrópicas, elevam a bandeira do famoso “direito autoral”, promovendo ameaças ridículas e antidoutrinárias através de intimidações extrajudiciais. (Pasmem!)

O movimento espírita transformou-se num balcão de  negócios lucrativos, onde se comercializa (vídeos de palestras na internet por assinaturas), livros doutrinários, CDs, DVDs, refletindo a cobiça de compulsivos de alguns líderes vendilhões “espíritas”. Será que tal mesquinhez alcançará os Centros Espíritas? Será que algum dia, em nome dos “direitos autorais”, os vendilhões “espíritas”  impetrarão mandados extrajudiciais proibindo exibição de videos das palestras dos “ban-ban-bans” e / ou  os empréstimos de livros contidos nas bibliotecas das humildes Casas Espíritas?

É urgente reconhecer que o mundo virtual tem sido admirável veículo de disseminação dos conteúdos revelados pelo mundo espiritual. Além disso, tem facilitado a democratização da apropriação do conhecimento espírita e a inserção social dos espíritas mais pobres. É inaceitável a proibição das reproduções (GRATUITAS) da mensagem espírita pela Internet para fins específicos de informações e estudos. A Terceira Revelação não pode demorar-se à mercê dos vendilhões e nem dos ridículos interesses do mundo material.

Sem ferir os princípios da ética e do respeito aos “direitos autorais”, cremos que os vendilhões “espíritas” deveriam estimular e apoiar os divulgadores dos portais (Tv’s (GRATUITAS)  e bibliotecas espíritas virtuais) para o exercício do pleno direito da divulgação gratuita dos princípios doutrinários. Até porque, inevitavelmente diversas mensagens (áudio, livros e vídeos) já foram e continuarão sendo publicados pelas redes sociais, e atualmente se encontram dispersos e disponíveis através da rede mundial de computadores, sendo inexecutável o controle jurídico desse cenário.

Em que pese existirem muitos espíritas excluídos do ambiente virtual, sobretudo aqueles mais pobres, que não possuem computador / internet, e os menos afeitos às tecnologias novas, a Doutrina dos Espíritos tem um colossal papel social e em tempo de Internet é um absurdo a exclusão dos acessos virtuais gratuitos para um enorme número de espíritas que não podem pagar inclusive para participarem dos festivos e luxuosos congressos espíritas e ou comprarem livros psicografados caríssimos.

Onde está o limite dessa exploração comercial da mensagem espírita? Cremos que o Espiritismo não assenta com interesses comerciais e a publicação das mensagens do mundo espiritual não pode ser objeto de lucro financeiro, apenas moral. Isso não faz o menor sentido, já que na espiritualidade não precisamos desse artifício do mundo material, que tanto corrompe o homem encarnado.

Entendemos que é uma improbidade falar em direitos autorais quando se trata de uma mensagem espírita. O autor de uma mensagem espírita deveria dispensar o negócio doutrinário, pois não precisa dele. Seu objetivo (mensagens espíritas) são a elevação e a educação, fatores essenciais à nossa evolução, e não há como colocar preço nisso.

Uma instituição espírita, por mais briosa que seja, por mais filantrópica consistam em as suas atividades, seu interesse não pode sobrepor aos objetivos doutrinários da divulgação correta e honesta do Espiritismo, sobretudo através da Internet, que pode proporcionar consolação aos corações e mentes atormentados.

Sabemos que urge encontrar-se um caminho apropriado de financiamento das ações espíritas nas instituições, considerando que muitos confrades resistem em cooperar na formação de um caixa para o trabalho de difusão, mas insistimos que o equilíbrio está no meio…nem tanto ao mar nem tanto a terra. Até porque são nossos esforços de exemplificação de auto moralização, não nossa fama ou esplêndidas palavras na tribuna que auxiliarão na renovação do cenário terreno.

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Jeito de Falar

– Orson Peter Carrara

O escritor Rubem Alves (www.rubemalves.com.br) publicou no Correio Popular, de Campinas, caderno C, página C-2, de 18 de julho de 2004, uma bela crônica intitulada O que é que você faria? Considerei-a muito oportuna. Embora longa (quase uma página), destaco ao leitor o teor principal. Ele traz uma estória no artigo e usa um exemplo médico, desculpando-se pela comparação, para citar como é importante a maneira de dizer as coisas ou se quisermos, como dizemos e a quem. Pois esta maneira pode destruir vidas e sonhos.

A história citada pelo escritor comenta o relacionamento de um casal que muito se ama. Ela desenvolveu um câncer no seio e teve que extraí-lo, mas isso não abalou o relacionamento do casal, apesar das dores e aflições. Em cinco anos, o outro seio também foi afetado, mas o bom e amigo médico que antes a atendera já havia morrido.

Procuraram outro médico, mas este, completamente insensível às dores do casal e especialmente da mulher, ao vê-la sem um seio, já exclamou friamente: “Mas a senhora já não tem um seio… Seu caso é muito mais grave do que eu imaginava”.

E o escritor, comentando a própria estória, colocou em seu texto: “Fico a me perguntar. Por que é que ele falou o que falou? Não falou para informar mulher e marido de uma coisa que não soubessem. Eles sabiam que ela não tinha um seio. Também não falou para certificar-se de algo que estava vendo, mas não via bem, por ser ruim dos olhos, pois ele enxergava muito bem. E qual a razão do seu frio, imediato e cruel diagnóstico. Para que falou isso? Era necessário? Não, não era necessário. Seu diagnóstico em nada contribuiu para o tratamento daquela mulher. Ou será que ele falou assim por inocência? Não imaginava o veneno que suas palavras carregavam? Não imaginava o efeito de suas palavras sobre aquela mulher despida, sem um seio, humilhada, amedrontada. Se falou por inocência digo que o dito médico só pode ser um idiota que nada conhece sobre os seres humanos.”

E continua: “Crueldade não é algo que somente existe nas câmaras de tortura. Ela se faz também com palavras. Há palavras cruéis que apagam a tênue chama da esperança. (…)” E pergunta em seguida: “(…) qual é o lugar, nos currículos de medicina, onde tanta coisa complicada se ensina, para uma meditação sobre a compaixão? É na compaixão que a ética se inicia e não nos livros de ética médica. Ah! Dirão os responsáveis pelos currículos – compaixão não é coisa científica. Não entra na descrição dos casos clínicos. Não pode ser comunicada em congressos. Portanto, não tem dignidade acadêmica. Certo. Mas acontece que não somos automóveis a serem consertados por mecânicos competentes. Somos seres humanos. Amamos a vida, queremos viver. Sofremos de dores físicas e de dores da alma: o medo, a solidão, a impotência, a morte. O que esse médico fez não tem conserto. Uma vez feito a ferida sangra. Palavras não podem ser recolhidas. O sofrimento foi plantado.(…)”

E como indagou o autor em seu texto, deixo a pergunta para nós mesmos: o que é que faríamos na mesma situação? Claro que não especificamente como médico, pois o exemplo se aplica a qualquer outra ocorrência de relacionamentos humanos.

A situação traz à lembrança o capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado Bem-aventurados os misericordiosos. No subtítulo O argueiro e a trave no olho, em lúcido texto, pondera o Codificador: “Um dos defeitos da Humanidade é ver o mal de outrem antes de ver o que está em nós. (…) Que pensaria eu se viesse alguém fazendo o que faço? Incontestavelmente é o orgulho que leva o homem a se dissimular os próprios defeitos, tanto ao moral como ao físico. Esse defeito é essencialmente contrário à caridade, porque a verdadeira caridade é modesta, simples e indulgente (…). Se o orgulho é o pai de muitos vícios, é também a negação de muitas virtudes; encontramo-lo no fundo e como móvel de quase todas as ações (…)”.

Nessa última palavra, podemos enquadrar as situações do exemplo acima, na questão médica e que pode ser transferida para qualquer outra situação, onde nos permitimos desprezar, discriminar, maltratar com palavras ou acentuar o sofrimento de alguém com nossa maneira de dizer…

Afinal, nada justifica a crueldade, ainda que em palavras.

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AMOR, ALIMENTO DAS ALMAS

 Felipe Estabile Moraes

[estabile@uol.com.br]

Muito refletimos sobre o que nos “alimenta”. Sobre o que nos proporciona bem-estar, sustentação.

Esta oportunidade nos foi ofertada pela União Espírita Mineira ao sermos convidados para apresentar este tema na Feira do Livro Espírita, em outubro de 2018.

Recorremos, inicialmente, à comparação feita por Jesus entre a mesa que recebe o alimento material e também o alimento espiritual.  É o conhecido Capítulo “O Culto Cristão no Lar, do livro “Jesus no Lar”, de Neio Lúcio, quando Jesus afirma:

“O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum.  Se o negociante seleciona a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco sem afeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranquila sem que o lar se aperfeiçoe?  A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações?  Se nos não habituamos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?

Jesus relanceou o olhar pela sala modesta, fez pequeno intervalo e continuou:

— Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procuram a assistência fraterna, uma claridade nova. A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebes do Senhor o alimento para cada dia. Porque não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento? O Pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, envia-nos a luz através do Céu. Se a claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas, sim, no singelo domicílio dos pastores e dos animais.”

Reflexão importante. Necessitamos do sustento, por meio da alimentação. No plano físico, o alimento material, o pão, que dará a necessária sustentação ao corpo físico. Espiritualmente necessitamos do sustento, para a alma. E o Mestre faz o convite a Pedro, e também a todos nós, da sementeira do Amor, da Caridade.

Retomamos a conhecida pergunta de “O Livro dos Espíritos”, relativa à Caridade:

  1. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

Allan Kardec, em seu comentário, nos auxilia no entendimento:

“O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos.”

Desta forma procuramos entender melhor o significado do amor ao próximo, da fraternidade, que procuramos sentir em nossos corações.

No Livro “Nosso Lar”, de André Luiz, temos um capítulo com o título “Amor, Alimento das Almas”. Em forma de diálogos, envolvido em ambiente de fraternal entendimento, vamos aprendendo um pouco mais sobre este interessante tema. Interessante, é que conversação se dá no lar de Dona Laura, a nos convidar para aproveitarmos este ambiente para nossa edificação espiritual, na forma do convite de Jesus a Pedro.

Inicialmente, a conversa se dá em torno da necessidade de alimentação no plano espiritual. A senhora Laura comenta:

— Afinal, nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. Há residências, em “Nosso Lar” que as dispensam quase por completo; mas, nas zonas do Ministério do Auxílio, não podemos prescindir dos concentrados fluídicos, tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. Despendemos grande quantidade de energias. É necessário renovar provisões de força.

Uma jovem que participa da conversação, complementa: 

“Todos os Ministérios, inclusive o da União Divina, não os dispensam, diferindo apenas a feição substancial. Na Comunicação e no Esclarecimento há enorme dispêndio de frutos. Na Elevação o consumo de sucos e concentrados não é reduzido, e, na União Divina, os fenômenos de alimentação atingem o inimaginável.”

A mãe de Lísias amplia o tema, incluindo o Amor como base de toda alimentação:

— Nosso irmão talvez ainda ignore que o maior sustentáculo das criaturas é justamente o amor. De quando em quando, recebemos em “Nosso Lar” grandes comissões de instrutores, que ministram ensinamentos relativos à nutrição espiritual. Todo sistema de alimentação, nas variadas esferas da vida, tem no amor a base profunda. O alimento físico, mesmo aqui, propriamente considerado, é simples problema de materialidade transitória, como no caso dos veículos terrestres, necessitados de colaboração da graxa e do óleo. A alma, em si, apenas se nutre de amor. Quanto mais nos elevarmos no plano evolutivo da Criação, mais extensamente conheceremos essa verdade. Não lhe parece que o amor divino seja o cibo  do Universo?”

Lísias, complementa:

“— Tudo se equilibra no amor infinito de Deus, e, quanto mais evolvido o ser criado, mais sutil o processo de alimentação. O verme, no subsolo do planeta, nutre-se essencialmente de terra. O grande animal colhe na planta os elementos de manutenção, a exemplo da criança sugando o seio materno. O homem colhe o fruto do vegetal, transforma-o segundo a exigência do paladar que lhe é próprio, e serve-se dele à mesa do lar. Nós outros, criaturas desencarnadas, necessitamos de substâncias suculentas, tendentes à condição fluídica, e o processo será cada vez mais delicado, à medida que se intensifique a ascensão individual.”

O Amai-vos uns aos outros passa, então, a ser melhor interpretada, pela expressão da senhora Laura: 

“(…)Jesus não preceituou esses princípios objetivando tão somente os casos de caridade, nos quais todos aprenderemos, mais dia menos dia, que a prática do bem constitui simples dever. Aconselhava-nos, igualmente, a nos alimentarmos uns aos outros, no campo da fraternidade e da simpatia. O homem encarnado saberá, mais tarde, que a conversação amiga, o gesto afetuoso, a bondade recíproca, a confiança mútua, a luz da compreensão, o interesse fraternal — patrimônios que se derivam naturalmente do amor profundo — constituem sólidos alimentos para a vida em si. Reencarnados na Terra, experimentamos grandes limitações; voltando para cá, entretanto, reconhecemos que toda a estabilidade da alegria é problema de alimentação puramente espiritual. Formam-se lares, vilas, cidades e nações em obediência a imperativos tais.

Vamos refletindo e aprendendo, desde já, o bem que nos faz uma boa conversação, a confiança entre amigos e irmãos. Já conseguimos sentir como isto é importante para nós, para a nossa vida. Como nos sentimos realmente alimentados, sustentados quando temos essas oportunidades de trocas singelas e sinceras de afeto, entre Espíritos imortais.

Vamos entendendo que o alimento material tem origem no Amor Divino e nele estamos envolvidos. Em nossa jornada evolutiva, rumo à perfectibilidade, vamos encontrando Espíritos que amamos e que nos amam. Em contato com esses irmãos, vamos nos alimentando espiritualmente, colocando em prática a verdadeira Caridade, conforme entendia Jesus. A reciprocidade no Bem se torna, então, algo importante para nós;

Na sequência da conversa em Nosso Lar, alguns participantes da agradável conversação vão se dirigir a uma excursão ao Campo da Música.  A senhora Laura, então, comenta:

“Vão em busca do alimento a que nos referíamos. Os laços afetivos, aqui, são mais belos e mais fortes.”

E termina, com uma frase que nos leva a profunda reflexão:  

“O amor, meu amigo, é o pão divino das almas, o pábulo(*) sublime dos corações.”

* Pábulo. Dic.virtual: substantivo masculino. Aquilo que mantém, que sustenta; alimento, sustento.

Rede Amigo Espírita

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A Mente e a Vontade – Emmanuel

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A Mente

A mente é o espelho da vida em toda parte. Ergue-se na Terra para Deus, sob a égide do Cristo, à feição do diamante bruto, que, arrancado ao ventre obscuro do solo, avança, com a orientação do lapidário, para a magnificência da luz. Nos seres primitivos, aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória Divina. 

Estudando-a de nossa posição espiritual, confinados que nos achamos entre a animalidade e a angelitude, somos impelidos a interpretá-la como sendo o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar. Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar. 

Em todos os domínios do Universo vibra, pois, a influência recíproca. Tudo se desloca e renova sob os princípios de interdependência e repercussão. O reflexo esboça a emotividade. A emotividade plasma a ideia. A ideia determina a atitude e a palavra que comandam as ações. 

Em semelhantes manifestações alongam-se os fios geradores das causas de que nascem as circunstâncias, válvulas obliterativas ou alavancas libertadoras da existência. Ninguém pode ultrapassar de improviso os recursos da própria mente, muito além do círculo de trabalho em que estagia; contudo, assinalamos, todos nós, os reflexos uns dos outros, dentro da nossa relativa capacidade de assimilação. 

Ninguém permanece fora do movimento de permuta incessante. Respiramos no mundo das imagens que projetamos e recebemos. Por elas, estacionamos sob a fascinação dos elementos que provisoriamente nos escravizam e, através delas, incorporamos o influxo renovador dos poderes que nos induzem à purificação e ao progresso. O reflexo mental mora no alicerce da vida. Refletem-se as criaturas, reciprocamente, na Criação que reflete os objetivos do Criador.

A Vontade

Comparemos a mente humana – espelho vivo da consciência lúcida – a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço. Aí possuímos o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estimulo ao trabalho; o Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução e da cultura; o Departamento da Imaginação, amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade; o Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros, ainda, que definem os investimentos da alma. Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade. 

A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental. A Divina Providência concedeu-a por auréola luminosa à razão, depois da laboriosa e multimilenária viagem do ser pelas províncias obscuras do instinto. Para considerar-lhe a importância, basta lembrar que ela é o leme de todos os tipos de força incorporados ao nosso conhecimento. A eletricidade é energia dinâmica. O magnetismo é energia estática. O pensamento é força eletromagnética. 

Pensamento, eletricidade e magnetismo conjugam-se em todas as manifestações da Vida Universal, criando gravitação e afinidade, assimilação e desassimilação, nos campos múltiplos da forma que servem à romagem do espírito para as Metas Supremas, traçadas pelo Plano Divino. A Vontade, contudo, é o impacto determinante. Nela dispomos do botão poderoso que decide o movimento ou a inércia da máquina. 

O cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria; no entanto, na Vontade temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo causas que comandam os problemas do destino. Sem ela, o Desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento, a Inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade, a Imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a Natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento. 

Só a Vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do espírito. Em verdade, ela não consegue impedir a reflexão mental, quando se trate da conexão entre os semelhantes, porque a sintonia constitui lei inderrogável, mas pode impor o jugo da disciplina sobre os elementos que administra, de modo a mantê-los coesos na corrente do bem.

Fonte – Pensamento e Vida (psicografia Chico Xavier – espírito Emmanuel)

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O Apóstolo Paulo Proíbe o Espiritismo?

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI

Manhã de domingo. Uma amiga telefona e me propõe interessante questão. Em conversa com um vizinho, este lhe diz estar estudando a Bíblia há mais de um ano, embora não seja adepto de nenhuma religião. E sabendo que essa amiga era espírita, resolve interrogá-la quanto à proibição que Paulo coloca, em sua epístola aos Efésios (6:10 a 20), quanto ao Espiritismo.

A razão do telefonema foi de me perguntarem como explicar a proibição de Paulo (minha amiga é novata na Doutrina). É quase desnecessário dizer que achei deliciosa a pergunta, só de imaginar o efeito da resposta…

A essa altura, o estudante da Bíblia, já aberta na página em questão, falava diretamente comigo. Não – disse-lhe -, não leia ainda o trecho. Deixe-me primeiro pegar a minha Bíblia.

E que Bíblia! Bem antiga, um exemplar raro, edição portuguesa de 1877, que ganhei de presente. De passagem, pego também o Novo Testamento, de bolso, edição de 1954, tradução de João Ferreira de Almeida, para confronto dos textos.

Inicialmente procurei lembrar-lhe – já que a estava estudando – que a Bíblia é constituída do Velho e do Novo Testamentos; que este contém o Evangelho de Jesus etc…, etc… Que a tal passagem de Paulo aos Efésios está pois, no Novo Testamento e, como é evidente, fora escrita pelo apóstolo há quase dois mil anos. E que o Espiritismo, palavra criada por Allan Kardec, surgiria em abril de 1857, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, tendo, portanto, 140 anos de existência.

– Como – indaguei – poderia Paulo proibir algo que nem existia?

– Então, como explicar esse texto? – me pergunta ele inocentemente.

– Agora sim, vou ler para você uma Bíblia muito antiga, de 1877, e depois um Novo Testamento, de 1954.

Li, ao telefone, para o confuso estudioso da Bíblia, os textos correspondentes, nos quais, como é óbvio, não consta absolutamente nada quanto à aludida proibição. Em seguida, ele fez a leitura do trecho que motivou todo o nosso diálogo. Nele estão várias interpolações, e proibição não apenas do Espiritismo, mas de outras coisas, inclusive (numa linguagem bem atual) sexo antes do casamento.

– Como vê – arrematei – está havendo uma adulteração dos textos evangélicos, para atender a determinadas conveniências religiosas, o que é lamentável e grave.

No dia seguinte, ao fazer uma palestra na Sociedade Espírita Joanna de Ângelis, em Juiz de Fora, aproveitei para contar o caso e comentar a respeito dessas adulterações e como as pessoas não raciocinam, não enxergando tais aberrações e mantendo ainda, infelizmente, uma fé cega e, o que é pior, fanática.

Esse assunto motivou-nos uma preocupação: o que restará dos textos bíblicos e evangélicos daqui a alguns anos?

Outras reflexões nos ocorrem, inclusive a preocupação que os espíritas devemos ter de preservar os livros da Codificação, sem jamais admitirmos que sejam modernizados, modificados, atualizados.

Qualquer coisa nesse sentido será abrir um perigoso precedente, mesmo porque não há o que modernizar ou o que atualizar, pois isso significaria modificar o texto original, e a obra de um autor, recomenda a ética, é sagrada, não deve ser retocada por ninguém e sob nenhum pretexto. Ainda mais quando se trata dos livros da Codificação, se mais não fosse por ter caráter de revelação. Com dupla característica: revelação divina e científica, que Allan Kardec esclarece em a Gênese: “Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem”.

Pessoalmente, considero o discurso de Kardec atualíssimo, muito didático, claro, estilo sóbrio e elegante, e não vejo motivo para colocá-lo na forma de linguagem atual, como às vezes pretendem, o que representaria nivelar por baixo. Como diz Alexandre, instrutor de André Luiz em Missionários da Luz, em outras palavras, que nós, encarnados, queremos a presença e companhia dos Espíritos Superiores e que estes baixem até nós, porém, não fazemos nenhum esforço para subir até eles.

Ante tais provas de fanatismo, de intransigência, de sectarismo de nossos irmãos que estão adulterando os textos bíblicos e evangélicos, é compreensível que nos ocorram à mente comparações entre religiões e a Doutrina Espírita, que prega o respeito ao próximo, a liberdade de consciência, a fraternidade, revivescendo a mensagem do Cristo e conclamando os seres humanos a vivenciá-la. Realmente, esse código de amor e solidariedade, de libertação das faixas primárias da evolução, enfim, é ainda muito difícil de ser assimilado e vivenciado. A sua vigência, portanto, depende de nós que já o entendemos, aceitamos e divulgamos.

Afinal, de que vale ser espírita, acreditar na existência dos Espíritos, se essa crença não nos torna melhores, mais pacientes, indulgentes e benignos? De nada valeria, então, pois a humanidade permaneceria estacionária.

É o que nos alerta Allan Kardec no item 350 de O Livro dos Médiuns.

Suely Caldas Schubert

Do Jornal “Candeia Espírita – USE São José dos Campos – março/98

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As calamidades coletivas perante a Codificação kardeciana

Rede Amigo Espírita

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com 

Brasília/DF

 

Para todos os fenômenos da vida humana, há invariavelmente uma razão de ser. No dicionário Espírita, não consta a palavra “acaso”, ainda que as circunstâncias se nos afigurem insuportáveis. A tragédia anunciada de Brumadinho (MG) nos expõe, de maneira evidente, um dramático evento purgatorial e reparador sob o ponto de vista coletivo.

Qual o significado consciencial para cada uma das pessoas que foram vitimadas pelo desmoronamento da barragem da mineradora “Vale do Rio Doce”? Catástrofe, cuja repercussão deixou o mundo entristecido.

Para as calamidades coletivas, a Doutrina Espírita indica expressivas anotações presumíveis, apreciando que, nos Estatutos de Deus não há dispositivos para injustiças. Não deveria ser ocasião para zangas políticas e ideológicas adicionadas às vociferações revoltosas. Isso de nada prospera. A rigor, só alarga a consternação dos parentes que permaneceram “vivos”.

Para os Benfeitores espirituais, “se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há, também, aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, os flagelos naturais [e “acidentais”].” (1)  Pela reencarnação e pela destinação da Terra – como mundo expiatório – são compreensíveis as anomalias que o planeta apresenta quanto à distribuição da ventura e da desventura neste planeta.

Aliás, aberração só existe na aparência, quando considerada, tão-só, do ponto de vista da vida presente. “Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à ideia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (2)

Ora, “as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”. (3) É bem verdade que as catástrofes sejam “naturais” e/ou “acidentais”, como a de Brumadinho (MG), abatem centenas de pessoas. Nesses acontecimentos, as imagens midiáticas, virtuais ou impressas, mostram-nos, com colorido intenso, o drama inenarrável de inúmeras pessoas que padecem, enquanto recolhem o que sobrou e choram seus “mortos”.

Os flagelos “naturais” e ou “acidentais” ocorrem e podem fazer o homem avançar moralmente mais depressa. É óbvio que tal situação não exime de culpa os responsáveis da famigerada mineradora.

A destruição, muitas vezes, é inevitável e necessária visando a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, em cada nova existência, um novo degrau de aperfeiçoamento. “Esses transtornos são, frequentemente, necessários para fazerem com que as coisas cheguem, mais prontamente, a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.” (4)

Dessa maneira, esses açoites destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam, “pois eles modificam, algumas vezes, o estado de uma região; mas o bem, que deles resulta, só é, geralmente, sentido pelas gerações futuras.” (5)

Antes de reencarnarmos, sob o peso de compromissos morais coletivos, quase sempre, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos reparar as faltas morais, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até, porque, depende de intermináveis circunstâncias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida e “o amor cobre uma multidão de pecados.” (6)

Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal, a própria Lei de causa e efeito (que funciona para que nos resguardemos de nós mesmos) se incumbirá de trazê-lo de retorno às vias do bem. O passado, embora não seja determinante, influi no presente que, por sua vez, produz reflexos no futuro. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação e ou reparação.  No item 9, Cap. V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: “Não se deve crer que todo sofrimento que se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, frequentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento.” (7)

Referências bibliográficas:

(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. V

(2) idem Cap. V

(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. IX

(4) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 737

(5) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 739

(6) Cf. Primeira Epístola de Pedro Cap. 4:8

(7) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1989, Cap. V

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Sessões para os “curandeirismos” ilusórios

Jorge Hessen
Sessões para os “curandeirismos” ilusórios (Jorge Hessen)
Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
Brasília/DF

Kardec não priorizou o estudo específico da mediunidade de “cura” nas obras da Codificação, a rigor, jamais tocou no assunto sobre “cirurgiões do além”. Em face disso, é inteiramente contraditório e lamentável a forma de como alguns centros espíritas propõem sessões de “cura especial” através da incorporação de “espíritos cirurgiões” por meio de alguns médiuns “especiais”.

Não ignoramos os efeitos relativamente atraentes contraídos por alguns incomuns médiuns de “cura”, contudo não entendemos como imprescindível e nem valorizamos esse tipo de mediunidade. As práticas mediúnicas fora das orientações de Kardec, são sempre espetacularizadas e não devem colonizar as instituições espíritas.

Em que pese terem despertados curiosidades de cientistas e estudiosos no Brasil e no exterior em face do uso de apetrechos cirúrgicos estranhos , alguns até mesmo enferrujados, doutrinariamente jamais identificamos nas mediunidades de José Arigó, Rubens Faria, Edson Queiroz, João de Deus e semelhados como “médiuns” imprescindíveis para propagação dos princípios espíritas, não obstante seja o Espiritismo capaz de explicar as intervenções de “médicos do além” nos fenômenos de “cirurgias espirituais”.

Obviamente quando os médicos encarnados compreenderem o valor da mediunidade (em suas várias tipificações) e sobretudo da obrigatoriedade de mudança de comportamento moral do homem, a medicina terrena ampliará o seu poder terapêutico.

Não somos dos que aceitam ou deixem de aceitar um centro espírita sem “espíritos”, mas cremos que a legítima mediunidade transformadora, a da cura legítima e concreta, é a mediunidade da mudança de conduta, mediunidade do amor ao próximo, mediunidade da caridade, mediunidade da paciência, mediunidade da tolerância, mediunidade da benevolência, mediunidade da indulgência e mediunidade do perdão. Ou seja, uma instituição espírita também pode funcionar impecavelmente sem absoluta necessidade da mediunidade com “desencarnados”.

Um Centro espírita bem orientado não privilegia ou destaca os fenômenos mediúnicos ditos “ostensivos”, especialmente aqueles agrupamentos espíritas imprudentes que apenas oferecem tratamentos de “cura” espiritual ou físico. A legítima instituição espírita deve priorizar (acima de tudo e de todos) as reflexões pelos os estudos, especialmente do Evangelho e ponto!

Ah! Vociferam alguns, há muitos sofredores no mundo. Sim e daí? É óbvio que ninguém sofre os ressaibos das dores por prazer, mas a dor não provém de Deus, pois é apenas reflexo de quem erra e ponto! E quem não erra? Portanto, todos nós sofremos algum tipo de dor. Por isso, ofereçamos nas casas espíritas o Evangelho, eis aí o remédio para todas as dores.

Fazer uso da mediunidade sem o adequado entendimento dos seus perigos pode levar a distúrbios mentais. Não estamos recriminando a mediunidade, todavia refletindo-a melhor, propondo enxergar maiores finalidades através do intercâmbio com o além tumulo.

Ora, se a mediunidade está presente no cotidiano de cada um e se manifesta por diversas fontes e foi herdada nessa longa trajetória evolutiva que percorremos, ela deve ser aproveitada como potencial de transformação pessoal sem qualquer necessidade de apelos invocatórios e sistemáticos aos irmãos do além.

Sim!! Nossa reforma íntima é o salvo-conduto para a espiritualidade e não a mediunidade ostensiva. Recordemos que os Espíritos não estão à nossa disposição para promover curas de patologias que quase sempre são providências corretivas para nosso crescimento espiritual no buril expiatório.

Em resumo, os dirigentes de Centros espíritas deveriam promover as bases de estudos e reflexões sobre as propostas do Evangelho, em vez de prestigiarem sessões inócuas para os “curandeirismos” ilusórios.

Jorge Hessen

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