O Poder das Nossas Vibrações

Somente os “Filhos do Evangelho” podem formar a “Pátria do Evangelho”

Postado por ANA MARIA TEODORO MASSUCI 

Tudo é energia. Nossos pensamentos e nossas palavras são as maiores fontes de transmissão de energia de que dispomos. Alcançamos pessoas a quilômetros de distância com nossas energias, tanto positivas quanto negativas. Mas, o primeiro a ser alcançado é quem emana estes pensamentos e palavras.

Ao vibrar positividade, é como se cuidássemos de nós mesmos com um “auto passe”. O contrário, porém, também é verdade.

Imagine que você abriu o chuveiro e, ao invés de água, sai lama. É isso o que acontece com nosso organismo físico quando vibramos negativamente, ainda que acreditemos estar vibrando positivamente: recebemos a ‘lama’ de nossas vibrações negativas. E isso fica impregnado em nossas células, percorrendo nossa corrente sanguínea e levando-nos a doenças físicas (graves) e desequilíbrios emocionais.

Todos nós precisamos ter muito cuidado com nossas reações perante os fatos que nos cercam. Os acontecimentos atuais em nosso País levaram a uma enxurrada de manifestações de ódio, especialmente pelas redes sociais. Muitas pessoas que jamais demonstraram qualquer atitude agressiva no dia a dia começaram a expressar-se de forma totalmente afastada do bom senso e do equilíbrio, sob a argumentação de não ser um alienado político.

Desejo de morte para seus rivais, incentivo ao suicídio, zombaria a respeito da triste condição em que vivem os presidiários, depredação de prédios, agressão física, xingamentos e tantas outras manifestações que nada de positivo acresce à vida da pessoa e à coletividade.

O que estas pessoas têm de diferente daqueles que partem para as vias de fato, inclusive com a morte de seus adversários? NADA. Porque no resultado do efeito vibracional, as ações de ambos os lados (os que defendem posicionamentos políticos antagônicos) são iguais. No fim, além de todo o prejuízo individual há o prejuízo da coletividade.

Queremos um Brasil melhor??? Doutrinemos nossas vibrações!!!!!

Não conseguiu fazer isso até hoje??? Comece agora!!!!

Afinal, o que estamos vivendo atualmente é o resultado de tanto tempo de vibração negativa, isso no aspecto coletivo. E no aspecto pessoal, será que a vida de quem está empenhado em manifestar estes pensamentos está totalmente equilibrada?

Está na hora de mudar, não é? ORAI E VIGIAI DISSE JESUS (Mateus 26, 41).

Para que possamos viver no mundo que queremos, precisamos estar atentos aos mínimos detalhes de nossas condutas. A Pátria do Evangelho chama seus filhos à luta, porém, à luta espiritual que fará do nosso País um oásis em meio ao caos, permitindo que as expiações e provas sejam cumpridas dentro do fraterno acolhimento do Evangelho.

Chico Xavier, em entrevista ao Jornal “O Triângulo Espírita”, edição de abril/maio de 1993, assim orientou:

Pergunta – “Chico, com tanta violência e corrupção em nosso país, os Benfeitores acreditam que o Brasil seja o “Coração do Mundo e Pátria do Evangelho?”

Resposta – “Essa pergunta tem sido assunto em muitos diálogos com os companheiros de nossa casa. O nosso Emmanuel é de opinião que dentro do mundo turbulento, com a incompreensão comandando tantos corações, tantos milhões de pessoas, não pode ser motivo de dúvida para nós que o Brasil é o coração do mundo. A violência que existe no Brasil é a que existe no mundo, mas como povo nós temos sabido honrar a destinação a que fomos chamados. Como povo temos sofrido a reviravoltas enormes, inconformações, dilapidações, faltas graves daqueles que foram chamados a dirigir nossos destinos. Mas as nossas mãos não se sujaram com sangue fraterno. Quantos povos, por muito menos, acharam na rebelião e na indisciplina a porta falsa a que eles se atiraram para encontrarem dificuldades muito maiores. (acreditem ou não, aceitem ou não, a reencarnação vem aí! – o adendo é nosso). Somos, sim, uma grandeza da Terra em que nós renascemos. Somos filhos do coração do mundo. E o Senhor nos fortalecerá para sermos filhos também da Pátria do Evangelho, quando soar a hora em que formos chamados para a grande renovação”.

Para que esta renovação aconteça, os bons espíritos deixaram valiosa lição no Evangelho Segundo o Espiritismo sobre o que é ser um homem de bem (cap. XVII, item 3). Nesta encontramos a orientação de que “o verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza. Se interroga a consciência sobre seus próprios atos, pergunta a si mesmo se não violou essa lei; se não fez o mal e se fez todo o bem que podia (…); respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança o anátema àqueles que não pensam como ele”. Grandiosa e valiosa lição sobre a qual devemos refletir a todo momento, e praticar em nossas atitudes seja em casa, no cinema, no trabalho, na escola, no shopping, na rua, no trânsito, na escolha das leituras a serem feitas bem como dos programas de TV, na convivência com vizinhos, afetos e desafetos e, também, naquilo que optamos por manifestar nas redes sociais, que alcançam tantas pessoas facilmente influenciadas por aquilo que vibramos.

A responsabilidade é individual e o alcance é geral.

Fonte: Letra Espirita

Rede Amigo Espírita

Publicado em por admin | Deixar um comentário

OUVIR TAMBÉM É CARIDADE

Pediu e chorou – Orson Peter Carrara

Postado por PATRIZIA GARDONA

Pediu e chorou – Orson Peter Carrara

Em declaração emocionada aquele homem aproximou-se bem devagar e pediu. Estava atônito, aflito, não sabia que rumo tomar. Esperava-se, óbvio, que ele pedisse dinheiro para completar a passagem – como é tão comum – ou solicitasse algum alimento. Ou mesmo alegasse enfermidade de filho ou esposa. Nada disso!

Apenas pediu para ser ouvido. Não desejava objetos, roupas ou dinheiro, nem mesmo alimentos. Apenas desejava ser ouvido. Desejava apenas a companhia de outro ser humano para abrir o coração. E começou a falar.

Disse da solidão que sentia. Falou que sua aparência simples talvez fosse a causa da indiferença alheia. Sua barba por fazer, suas roupas e calçados surrados e mesmo por não estar empregado, por não possuir família, talvez causassem a distância com outros seres humanos. Sentou na sarjeta e chorou. Chorou não de sofrimento ou de fome, chorou de emoção porque alguém se dispôs a simplesmente ouvi-lo.

E o que falou? Disse apenas que se sentia muito só. Que não lhe faltava comida, pois muita gente lhe entregava pratos prontos, lhe levava roupas e agasalhos, lhe fornecia água e mesmo algum dinheiro, lhe pagavam lanches vez por outra, mas ninguém parava para conversar com ele…

O episódio comoveu. Ele remete à necessidade do calor humano, muito além de doações que satisfaçam a fome ou o frio do corpo. Fica distante da simples doação de dinheiro, de objetos ou roupas. Ele pede simplesmente a atenção de olhar nos olhos, de oferecer tempo, ainda que breve, para ouvir o sentimento daquele que procura.

Verdade seja dita. Ainda somos muito indiferentes uns com os outros. Optamos mais pela crítica do que pela observação atenta de sentir a necessidade real de quem está à nossa volta, de quem nos procura. Não paramos, por pressa, para olhar nos olhos ou simplesmente raciocinar sobre o que o outro está dizendo. Temos pressa de dizer ou ouvir o que nos interessa…

Na verdade, fala-se em solidariedade, em caridade. Mas solidariedade e caridade estão mais no gesto do que no fato. Caridade é sentir. De nada adianta envolver-se com muitas iniciativas e permanecer irritado, contrariado. De nada adianta fazer por obrigação. O ideal, o correto, é fazer com amor, por amor.

E este fazer com amor ou por amor, é sentir. É sentir o que se faz. Sentir-se bem em estar presente, em participar, em poder colaborar.

Aliás, por falar em colaborar, a cooperação é lei da vida. Nada se faz isoladamente. Todos precisamos uns dos outros, muito mais do que imaginamos. E isto sugere a atenção que podemos nos dispensar mutuamente.

Atenção que muitas vezes é sinônimo apenas de ouvir. Como no caso relatado, verídico e comovente.

Já imaginou o leitor alguém sentar-se e chorar apenas porque alguém se dispôs a ouvi-lo. Quanta indiferença não sofreu? Quanto desprezo experimentou?

Aí ficamos a pensar em nossa pequenez! Ainda guardamos tanta arrogância interior! Para quê? Não é melhor assumirmos nossa condição de seres humanos…?!

( Rede Amigo Espírita)

Publicado em por admin | Deixar um comentário

Pátria do Evangelho do Cristo?… essa afirmativa alimenta o amor ou a presunção?

– A legenda do  “povo ungido na terra da promissão” robustece a permanência de “núcleos” de domínio do movimento espírita brasileiro

Postado por os pae

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Trafega há alguns anos nas redes sociais um vídeo cuja temática versa sobre a confusa “missão” do Brasil como “Coração do mundo e pátria do Evangelho”. Assistimos o jornalista André Trigueiro, fazendo citações, mencionando uma pesquisa que aponta para tão-somente 11% dos brasileiros que se declaram voluntário na área da filantropia.

Trigueiro alega que o Brasil é o país com maior número absoluto de homicídios. Na hipotética “pátria do Evangelho” outra questão gravíssima é o problema do aborto. Segundo estimativa da Organização Pan-Americana da Saúde ocorrem no Brasil mais de 1 (um) milhão de abortos por ano.  No Brasil, são roubados mais de 400 mil veículos o que dá uma média de 1 (um) veículo a cada minuto.

O jornalista ainda destaca que ocorre no Brasil o maior escândalo de corrupção da história humana, revelada a partir da “operação lava jato”, considerando os gigantescos valores financeiros desviados é o episódio sem precedentes na história da humanidade. [1] Diante dessas informações instigantes, Trigueiro levanta a questão se realmente o Brasil é a “Pátria do Evangelho coração do mundo”. Um dos oradores, “movido” por entusiasmo aguçado ousou aventurar determinadas e excêntricas anotações, visando explicar a “missão” do Brasil.

O palestrante expôs que os espíritas brasileiros imaginam que o Brasil poderá ser um modelo político, econômico e social e que desfilará como uma grande “rainha” (sic…) diante de um mundo se ajoelhando diante dela. Falou sobre Jesus tentando convocar seus transcendentes colaboradores para improvisarem um inventário do cristianismo na Terra. Descreveu a transfiguração do semblante de Jesus humilhado. Citou o Cristo modificando estratégias, procurando na Terra um ambiente geográfico especialmente “magnetizado”.

E nos seus estranhos arroubos o orador se superou ao  descrever o Brasil como “o coração do mundo” porque aqui se encontra a maior concentração de magnetismo do planeta.(?!) Afirmou também que  só reencarnariam no Brasil as turbas de espíritos infelizes que se encontravam nas regiões mais tenebrosas do umbral, ou seja os espíritos que faliram nesses últimos milênios quais sejam os soldados das cruzadas, os inquisidores, os políticos corruptos de todos os tempos, os generais homicidas da história, os religiosos que se desvirtuaram.

A “cereja do bolo” adveio com a citação da máxima do Cristo aos seus colaboradores de então: “eu não vim para os sãos, mas para os doentes”, deste modo, o Brasil nada mais é do que um nosocômio e não uma galeria de arte e nem vitrine de ídolos e “santos” (imagine se fosse, hein…?). Conclui então o aplaudidíssimo palestrante que no Brasil está reunida o que há de pior no caráter dos humanos, por isso é um grande hospital do Cristo para a regeneração dos réprobos da humanidade. 

Todos sabemos nenhuma nação é e nem pode ser espiritualmente mais importante do que as outras na Terra. Além disto, o brasileiro se encontra espiritual e eticamente muito aquém a inúmeras nações mais afáveis e dignas, especialmente no quesito probidade.

Como “hospital” torna mais evidente que o Brasil não detém nenhuma missão espiritual peculiar diante do mundo. Até mesmo porque nossa pátria é um dos países menos filantrópicos, sopesando a doações financeiras e dedicação caritativa voluntária do serviço ao semelhante. Considerando ainda todas as aberrações políticas e sociais o que sobraria nesse contexto para o suposto “hospital” ou “povo escolhido” ? Seria o trabalho dos espíritas leigos teleguiados pela “Cúria candanga”? Obviamente que não, pois conhecemos como se encontra a confusa prática doutrinária no Brasil.

Por conseguinte, se compararmos com o mundo não necessitamos fazer um esforço exagerado para observar os exemplos de civilidade, respeito às leis e progresso que nos tem dado outras nações. Quem mantém e difunde sofregamente a ilusão de “Brasil coração do Mundo…” é a instituição centralizadora do M.E.B. a fim de manter o poderio que tem domado com o seu universo místico e historicamente roustanguista, a massa de manobra (espíritas neófitos) conduzida sob o tacão de uma ideologia primária e dominante, anulando a possibilidade de um trajeto histórico e protagonista do espírita mais leal ao Kardec.

Creio ser urgentemente necessário que os líderes e presidentes das federações estaduais (bispos de dioceses ?!) consigam se alforriar da “lavagem cerebral” ameaçadora que a “Cúria candanga” lhes inflige sob o tacão do fadigoso jargão “quem não está com a “Cúria da L 2 Norte de Brasília” é desagregador e está com a treva”.

Os decênios passam, e a Cúria candanga arrasta multidões enceguecidas com ela.  E hora de repensarmos esse nativismo bairrista que se assemelha a ilha da fantasia kardeciana tupiniquim. A verdadeira pátria do Evangelho é e deve ser o coração de cada cidadão que se pautar nos preceitos da honestidade, da liberdade, da bondade, ainda que por qualquer circunstância esteja habitando países longínquos.

Como espírita brasileiro, confesso que sou um entusiasta do Brasil e da potencialidade daqueles bons cidadãos brasileiros, bem como de suas virtudes e cultura, todavia enfatizo que essa visão de que somos ou seríamos uma espécie de “povo ungido” na “terra da promissão” é extremamente alucinante e só reforça a conservação de núcleos de poder (que se revezam entre sim) no movimento espírita brasileiro.

Referência:

{1} Debate realizado durante o 4º Congresso Espírita do Estado do Rio de Janeiro, em outubro de 2015

Publicado em por admin | Deixar um comentário

Desafios do Evangelho – Ser espírita

Publicado por Amigo Espírita

Desafios do Evangelho – Ser espírita

Vladimir Alexei

Belo Horizonte, das Minas Gerais,

Domingo de Páscoa, 01 de abril de 2018.

Estudando com os amigos do Grupo da Bênção (Mario Campos, Minas Gerais) a respeito dos tesouros contidos no Antigo e no Novo Testamento, nos assombramos, novamente, com o tamanho de Jesus.

Jesus é de uma profundidade e amplitude que a nossa razão ainda desconhece adjetivos e analogias que melhor representem sua condição espiritual. Faltam-nos sensibilidade para conseguirmos medir Sua grandeza, que, certamente, vai além do que é descrito no Novo Testamento.

No livro Gênese, Antigo Testamento, em seu primeiro capítulo, nos cinco primeiros versículos, encontramos, em seu sentido espiritual, elementos de uma profunda conexão entre Deus e Jesus, cuja beleza Emmanuel descreve na obra A Caminho da Luz, com riqueza de detalhes, em sua capacidade de síntese extraordinária.

Na Bíblia de Jerusalém, os cinco primeiros versículos foram traduzidos da seguinte forma: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas. Deus disse: haja luz e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”.” Poderíamos nos dedicar a interpretar versículo por versículo (quem sabe um dia?), mas nos limitaremos a entender alguns pontos. Por formação da Terra, Emmanuel explica a partir da nebulosa que se desprende do Sol e que se forma, incandescente, depois esfria e se transforma incessantemente no decorrer do tempo até criar condições para os primeiros movimentos de vida no planeta.

Quando nos mantemos no estudo e entendimentos do campo “material” é possível compreender o processo de transformação vivenciado pela Terra. O desafio está em traduzir a simbologia contida nas escrituras, para a transformação da vivência espiritual.

Sem dúvida alguma a Uranografia, assim como estudos a respeito da evolução planetária são de suma importância para compreendermos que tudo no Universo se encadeia em uma lógica infinitamente superior à nossa compreensão de mundo, na atualidade. O que é estimulante, do ponto de vista da pesquisa e superação dos limites. Os estudos acadêmicos, notadamente a partir do positivismo de Augusto Comte, que tentou atribuir um caráter mais seguro e definitivo às investidas científicas, produzem, ao longo do tempo, pesquisas estruturadas de acordo com os mecanismos capazes de comprovar, em parte ou no todo, aquilo que se propõe estudar. Contudo, esse estudo esbarra nas comprovações espirituais, algo que algumas universidades já aceitam melhor, de acordo com as recentes publicações (artigos, dissertações e teses). Allan Kardec se valeu dessa filosofia para, ao longo de quatorze anos, conceber obra que pudesse nos acompanhar no melhor entendimento daquilo que Jesus trouxe.

Parece místico, mas é totalmente racional: sem a chave do espiritismo, a compreensão dos ensinamentos de Jesus continuaria arranhando a superfície, sem abrir espaço para a compreensão do ser, quanto ao seu destino e as dificuldades vivenciadas no presente. Sem compreendermos os princípios fundamentais em que a Doutrina dos Espíritos se assenta, será incompleto o entendimento a respeito das ocorrências diárias. A reencarnação, por exemplo, explica uma série de fenômenos, que os defensores de uma vida única não conseguem compreender. Aliás, a vida é única sim: o espírito é um só, mas as experiências são multisseculares. Herculano Pires em sua magistral obra O Espírito e o Tempo, nos diz que “nunca poderemos fugir à realidade dos fatos, que nos mostra o homem, na História, tomando conhecimento do mundo pela experiência (…)”.

É por isso que compreendemos melhor a tentativa do homem em traduzir a presença de Jesus, antes de sua encarnação. No versículo quarto, citado anteriormente, encontramos a expressão Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. A “luz boa” é a luz do Cristo, cuja sintonia com o Pai (“Eu e o Pai somos um”, Jo., 10:30), foi capaz de conjugar os elementos necessários para a formação de um orbe que abrigasse espíritos exilados de outros orbes e aqueles que estagiariam aqui pela primeira vez em sua caminhada evolutiva. Existe luz ruim? Existem “gradações” da Luz, assim como existem gradações do Amor. Aquilo que ainda não compreendemos pode ser classificado à conta de ruim, assim como aquilo que nos ofusca o olhar pode também ser compreendido como algo ainda distante de fazer o bem. André Luiz, em uma de suas obras, relata a manifestação de espíritos que, de certa forma, apresentavam-se até com certa luminosidade, porém, essa chama, de um amarelado opaco, não resistia à razão calcada no amor e em busca da verdade, fazendo com que a entidade aos poucos caísse em si. É apenas uma interpretação de um fragmento do assunto, que vai muito além.

Os filósofos pré-socráticos, notadamente aqueles de Mileto, além de Pitágoras, Parmênides, Anaxágoras, Empédocles e Protágoras, traduziam suas compreensões da vida, pelas expressões da natureza, sempre em busca de algo superior. São considerados pré-socráticos em função dos seus estudos e não necessariamente por terem vivido antes de Sócrates. Com esse a filosofia passa a ter como elemento central o ser humano, por isso é um dos precursores do Espiritismo. “A vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”.

Poderíamos avançar ainda por Platão, Aristóteles, assim como viajarmos para a Ásia, na China milenar com Fo-Hi, Confúcio e Lao-Tse, dentre outros, que também perceberam a proteção de um Ser infinitamente Superior a tudo que já haviam sentido nesse orbe (e até em outros, cuja compreensão fora turvada pelo egoísmo e os degredaram para cá). De acordo com suas compreensões da vida, tentaram traduzir essa grandeza ainda a ser compreendida em profundidade que é a presença do Cristo.

Se imaginarmos que, ao encarnar, Jesus ficou durante trinta anos “misturado” à plebe, como se fosse mais um, já teríamos elementos de sobra para extrairmos da letra o espírito que vivifica. Entretanto, chama-nos a atenção, de forma vertiginosa, o que ele fez em três anos. O que Ele fez em apenas três anos ecoa e ecoará pela eternidade da humanidade vivente na Terra, seja de provas e expiações ou como mundo de regeneração. É o que na atualidade chamamos de “exponencial”. As atitudes de Jesus foram exponenciais, superlativas, de tal forma que o tempo não foi capaz de limitá-la.

Encontraremos Agostinho de Hipona, Santo Agostinho, falando sobre o “Sermão do Senhor na Montanha”, da seguinte forma, apenas para ilustrar essa exponencial figura chamada Jesus: “quem quer que considere de modo piedoso e simples o Sermão que Nosso Senhor Jesus Cristo pronunciou na Montanha, segundo lemos no Evangelho de São Mateus, julgo que encontrará nele, no tocante à retidão moral, a regra perfeita da vida cristã, o que não ouso afirmar temerariamente, mas deduzindo-o das mesmas palavras do Senhor. Do próprio final do Sermão depreende-se que nele estão contidos todos os preceitos concernentes à regulação da vida.”

As conexões entre aqueles que conseguiram apreender em profundidade os ensinamentos exponenciais do Cristo, são maiores do que nossa vã filosofia de vida é capaz de compreender, se nos movermos apenas no limitado campo de nossos conhecimentos. É preciso ampliar nossos limites: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original” (atribuída a Albert Einstein).

A teoria da relatividade, explicada pelo cientista recém desencarnado Stephen W. Hawking, em sua obra Uma breve história do Tempo, nos faz compreender porque essas conexões se assemelham a pontes atemporais: “o tempo deve parecer correr mais lentamente perto de um corpo volumoso como a Terra. Isso é devido à relação entre a energia da luz e sua frequência (…)”. O que isso quer dizer? Quer dizer que, traçando um paralelo entre as regras vigentes do campo físico (pelo menos aquilo que é considerado “axioma”), atribuindo os mesmos princípios ao campo do espírito, encontraremos, de tempos em tempos, espíritos decodificando os ensinamentos do Cristo (energia da Luz) de forma a ampliar ainda mais a ressonância do amor trazido pelo Cristo para os corações que já estão calejados e sobrecarregados de tantas experiências não tão bem sucedidas assim (frequência).

Por isso ainda, Allan Kardec, na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz que a doutrina se vale do estudo “moral” dos ensinamentos de Jesus. E isso não limita-se aos ensinamentos amarrados por Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ali temos o roteiro dos estudos quanto ao “método” (“como” estudar), atribuindo-lhes interpretações de cunho moral e espiritual. Aqueles que desdobraram a obra de Kardec, com base em seus ensinamentos, mantiveram-se fieis aos princípios. Aqueles que tentaram “inovar”, se perderam por falta de base. Distinguir uns dos outros, só conseguiremos se estudarmos suas obras. Por isso Paulo recomendava “ler de tudo”…

O Amor é a base de uma pujante obra que tivemos a capacidade de absorver fragmentos daquilo que foi emitido há mais de dois mil anos, no decorrer de apenas três anos. Será que compreendemos, em essência, o que Jesus conseguiu fazer em três anos? Por isso o adágio diz que “o amor cobre uma multidão de pecados”. É compreensível: uma atitude de amor concentra energia suficiente para sobrepor as mazelas dos homens. O desafio é empregar energia no Amor, quando o amor que conhecemos ainda é a manifestação maior do egoísmo. O Amor do Cristo é o que nos convida o entendimento Espírita. Desinteressado, fraterno, Divino!

Três anos que representaram instantes que se perpetuam e se imortalizam pela trajetória de figuras que conseguiram seguir e compreender os ensinamentos do Cristo, notabilizando-se, como aprendemos no estudo de ontem, em virtude de suas tendências, habilidades e “ressonâncias”, fruto da experiência, quedas e tropeços. Vejamos Paulo. Paulo de Tarso é um exemplo por que? Porque, dentre outros prismas, ele representa a figura do intelectual que falhou, que se deixou abater pelos encantos da inteligência, de uma mente preparada para conquistas materiais, que relegaram as conquistas espirituais ao plano do esquecimento.

Por fim, os desafios do Evangelho, para o espírita, passam pela assimilação da profundidade dos ensinamentos do Cristo. Passam por deixarmos as discussões frívolas, superficiais e abraçarmos aquilo que nos tornará seres humanos melhores, mais fraternos, menos egoístas e orgulhosos.

Que Jesus renasça diariamente em nossos corações e mentes, iluminando nossos caminhos para que possamos fazer algo de bom para o próximo, mais próximo e mais carente!

Autor:

Vladimir Alexei é orador espírita na cidade de Belo Horizonte/MG e colaborador da Rede Amigo Espírita

Publicado em por admin | Deixar um comentário

Obsessão e Sexo

Sexo e Fator Obsessão

Publicado por Amigo Espírita

Vive-se na Terra, a hora do sexo. O sexo vive na cabeça das pessoas, parecendo haver saído da organização genética onde se sedia. Vulgarizado e barateado pelos meios de comunicação de massa, tornou-se motivo essencial da vida de milhares de pessoas, sempre frustradas e insatisfeitas. Julgando-se a criatura humana como sendo tão somente o corpo, cresce hoje o vil mercado das sensações, em completo desrespeito e desconsideração pelo ser humano.

O homem e a mulher verdadeiros são os seus valores éticos, as suas aspirações, as suas lutas e sonhos, os objetivos nobres que trazem dentro de si. Sitiar a criatura apenas nos vapores da libido desenfreada, como vem acontecendo, é atitude injustificável perante todo o progresso psíquico, emocional e intelectual que nos colocam hoje no patamar da razão.

Alheios a tais aquisições, homens tomam de seus veículos automotores, a vagar pela noite, à procura de uma parceira que lhe satisfaça os impulsos. Forma-se uma corrente mental indirecionada, já que a mulher de seus desejos só existe no seu pensamento. Imediatamente, dezenas de espíritos trevosos captam o “fio mental” do desejo sexual do homem imprevidente e vão em sua direção. Por influência deles é encontrada a parceira ideal, a fim de estarem eles próprios a participar do infeliz ato sexual, porque desprovido dos condimentos do amor.

Sem a afetividade sincera e honesta dando sustentabilidade à relação sexual do ser humano, este se faz presa fácil da parasitose obsessiva que se estabelece. Acoplando-se ao Chakra Coronário, localizado no topo da cabeça, centro vital responsável pela “alimentação das células do pensamento” e relacionado ao funcionamento de todo o sistema nervoso, conforme elucida o espírito Manoel Philomeno de Miranda, em seu livro “Sexo e Obsessão”, o desencarnado penetra nas ondas mentais do encarnado e, desta forma, passa a sentir as mesmas e idênticas sensações que sua vítima experiencia. Simultâneo a este acoplamento, ocorre a expansão de uma densíssima massa energética chamada ectoplasma, a qual permite com maior facilidade a absorção das baixas energias da relação sexual do casal desavisado.

Hoje, dessa forma, milhares de criaturas são vítimas das vampirizações espirituais. Se tivessem envolvido as suas vibrações no sentimento sincero do amor; se tivessem resguardado seus canais mediúnicos, que todos temos; se tivessem mantido seus pensamentos em patamar elevado; e não seriam vítimas então desses terríveis conúbios obsessivos.

Urge na Terra a necessidade de uma educação mental por parte das criaturas. O pensamento é força atuante e estamos constantemente rodeados por consciências desencarnadas de toda natureza. Pensar de maneira correta e elevada é atitude de todo aquele que tem o desejo sincero de evoluir, de progredir sem limites no rumo da plenitude que o espera. Conforme as emanações mentais que mantivermos, da mesma forma se apresentará a nossa vida e o nosso comportamento. O ser humano é energia pensante e onde estiver irradiará o que traz dentro de si, atraindo as companhias correspondentes: “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”, já dizia o conhecido provérbio popular.

Quando um encarnado mantém o seu pensamento no nível dos prazeres vulgares, sua vibração é sentida pela espiritualidade inferior como se fora um estridente sinal sonoro, uma verdadeira “sirene do desejo”… e então localizam com facilidade o homem e a mulher inadvertidos, de acordo com as afirmações do espírito Galileu Galilei, em seu livro “Amor e Fator Obsessão”. Tais emissões vibratórias em suas mentes ocasionam a produção de enzimas psíquicas ou bacilos psíquicos, microscópicos corpúsculos desconhecidos da ciência terrena os quais irão atacar as células reprodutoras masculina e feminina. Ao exaurir as fontes da sexualidade, da vitalidade genésica, provocam transtornos e doenças como o câncer de próstata e o câncer uterino. Da mesma forma, o baixo teor vibratório emitido pela tela mental desorganiza a sede da consciência individual de cada célula, que passam então a funcionar irregularmente, conforme nos esclarece Joanna de Ângelis, em seu livro “Adolescência e Vida”, abrindo o campo receptivo à instalação de várias doenças. Não são os microorganismos visíveis os responsáveis pela causa das doenças, mas sim o psiquismo em deterioramento, que abre um canal enfermiço para todo o corpo perispiritual e físico.

Há casais em nossos dias, os quais entenderam erroneamente que o sexo é tudo, e entregam-se a viciações sexuais de difícil libertação, as quais nem mesmo os especialistas conseguem compreender com facilidade. Enquanto se permitirem licenças morais e aberrações sexuais como vem ocorrendo, desorganizarão sistematicamente toda a sua aparelhagem genésica, o que acarretará doenças inadiáveis, por lesarem com vigor seus perispíritos.

Sob a óptica espírita, portanto, a única maneira de vivenciar a função sexual de forma correta é através do amor. Quando os indivíduos se amam, não ocorre somente a permuta física mas, principalmente, a de ordem psíquica, conforme afirma Walter Barcellos, em “Sexo e Evolução”. Os olhares sinceros se encontram e intercambiam raios psíquico-magnéticos que os vitalizam, estimulando a coragem, o ânimo e a alegria de viver. Quanto mais espiritualizado, quanto mais sincero e honesto for o sentimento que une duas criaturas, mais rica e sublime será a permuta magnética entre as duas, que têm a sua intimidade completamente protegida pelos mentores de ambos, os quais utilizando-se dos pensamentos elevados da atmosfera psíquica do casal, constróem a “residência fluídica” que os protegerá de qualquer espírito infeliz.

Já o mesmo não ocorre quando a relação sexual é desprovida de sentimentos nobres, sendo a sua passagem rápida e frustrante, o que gera naqueles a que se entregam sentimentos de vazio e arrependimento – porque não completa, não preenche, não vitaliza -, além de ficar o casal completamente vulnerável à ação da espiritualidade inferior.

O sexo não foi elaborado por Deus a fim de possibilitar tais deleites irresponsáveis, mas sim para o renascimento das vidas, que retornam ao cenário terreno, e para as sensações compensativas das jornadas diárias, na permuta de hormônios que acalmam e da afetividade que robustece as criaturas e as completam. Sendo o espírito neutro na sua sexualidade, possui ambas as polaridades psíquicas, masculina e feminina, e as expressa conforme for o melhor para a sua evolução; ora encarnando como homem, ora encarnando como mulher, com o intuito de desenvolver os sentimentos inerentes a cada polaridade.

Quando a sexualidade, entretanto, é aviltada, vulgarizada e desrespeitada em sua constituição, retorna o espírito em outra polaridade a qual não corresponde ao corpo físico, de forma a não poder dar curso aos seus desejos, esclarece o nobre mentor Bezerra de Menezes. Pode ainda o ser reencarnante vir a ocupar um corpo com sérias limitações mentais, o que impossibilitará – com fins preventivos e terapêuticos -, a elaboração das obscenidades que tanto o prejudicaram, quando o empurraram para o fosso das paixões primitivas.

Considera-se nos nossos dias, o prazer corporal como o único meio de felicitar os indivíduos. Os defensores de tal idéia ignoram, por outro lado, uma série de outros prazeres mais sutis, mas que também são fortemente registrados no psiquismo, fomentando o bem-estar e a alegria de viver. São os prazeres da afetividade sincera, o prazer intelectual que se frui diante do aprofundamento em alguma área do conhecimento, o prazer estético, através das artes e das criações da cultura em toda parte, e ainda o prazer espiritual, decorrente dos mergulhos dentro de si mesmo e do contato com a espiritualidade. Há ainda o prazer cultivado quando acalentamos ideais para nossas vidas, objetivos pelos quais nos esforçamos com empenho e dedicação, planos profissionais ou afetivos, junto daqueles que amamos. Todos esses são prazeres do espírito, da alma humana, uns passageiros, como os prazeres físicos, outros perenes porque abstratos, imateriais, mas que da mesma forma impulsionam o indivíduo para as lutas diárias, para os desafios da caminhada terrena.

Tudo isto constitui o que a benfeitora Joanna de Ângelis considera como sublimação ou transmutação da função sexual. A libido, como a denominou Sigmund Freud, é energia psíquica que pode ser canalizada para várias áreas: para os esportes, para o conhecimento, para a arte, a afetividade… Sempre que nos dedicamos a alguma tarefa ou trabalho, ou mesmo a algum esporte, estamos sublimando ou transmutando energia sexual para diferentes aspectos da vida, a gerar equilíbrio energético e saúde orgânica.

A função sexual, em sua constituição íntima, é criativa das formas físicas, mas principalmente das expressões da beleza, da cultura e da arte, como elucida a mentora de Divaldo Franco, em seu livro “O Despertar do Espírito”. Todos os grandes avanços do conhecimento humano, seja através das expressões artísticas ou da ciência, foram frutos desta energia sublimada de homens e mulheres abnegados. Isso não significa ausência de relações sexuais, mas sim o direcionamento criativo da libido para diversas áreas, e não somente para a área genésica.

Nesta tarefa, portanto, de sublimação e transmutação das energias sexuais, devemos tomar ainda o cuidado de não acalentar qualquer sentimento de culpa ou vergonha em relação às sensações fisiológicas, perfeitamente naturais, o que provocaria a repressão de conteúdos para o inconsciente, gerando transtornos e desequilíbrios inevitáveis. Devemos sempre lembrar de que o sexo é obra Divina, elaborado para o crescimento e felicidade das criaturas. A forma como empregarmos as forças sexuais do espírito é que responderá por suas conseqüências – quer sejam de luz ou de trevas.

Torna-se inadiável, e quão urgente, neste momento, que esta visão espiritual da sexualidade seja levada às gerações mais novas, na tarefa de proporcionar uma correta educação para a vida sexual. A educação sexual que os jovens tem recebido nas escolas, na qual somente o corpo físico é abordado, os têm levado à entrega completa aos impulsos fisiológicos, os atirando em viciações e processos obsessivos lamentáveis. Conforme nos adverte Joanna de Ângelis, em seu livro “Adolescência e Vida”, “quando se pretende transferir para a Escola a responsabilidade da educação sexual, corre-se o risco, que deverá ser calculado, de o assunto ser apresentado com leveza, irresponsabilidade e perturbação do próprio educador, que vive conflitivamente o desafio, sem que o haja solucionado nele próprio” (1997, pg.21). Certamente existem professores os quais trabalham o tema com dignidade e honradez – embora ignorem os fatores espirituais -, mas, infelizmente, estes constituem exceção. O que se percebe nas aulas ministradas sobre sexo, em sua maioria, é a completa banalização do aparelho genésico, com a utilização de palavreado impróprio e vulgar, além de imagens chocantes, a causar perturbação nos mais tímidos e incitar ao cinismo e à malícia aqueles espíritos que renascem sob a influência de vícios muito arraigados, que longe de serem reforçados, deveriam ser substituídos por hábitos salutares.

A correta educação sexual, sob a óptica do Espiritismo, consiste na aquisição de valores por parte do jovem reencarnante, na introjeção do respeito aos seus semelhantes, aos sentimentos que possuem, seus corpos e individualidade; pois as criaturas hoje são tratadas como objetos – indivíduos descartáveis -, sem qualquer dignidade ou consideração. Ao lado da informação de ordem física, que é necessária, tornam-se indispensáveis os valores éticos e morais para o jovem, as informações espirituais sobre o sexo e suas várias decorrências, a fim de que não tombem nos resvaladouros da vulgaridade dos nossos dias. Sem esses ingredientes, a atual educação sexual se faz ineficiente e perigosa, nos assevera Walter Barcellos.

O Espiritismo, assim, como doutrina de educação das almas, oferece os melhores métodos para tal cometimento, através de seu inestimável patrimônio de saberes, disponível à pais, mães, educadores e todo e qualquer investigador que tenha dentro de si o desejo sincero de conhecer a Verdade.

Este é o grande momento para todos nós que aspiramos a uma vida melhor. Reflexionar em torno dos objetivos da vida e da função sexual é tarefa de todo aquele que pensa e deseja o melhor para si. Cumpre-nos, a todos, somar esforços em favor dos princípios da dignidade, da honradez, dos valores éticos, morais, e principalmente da educação moral das novas gerações, único meio de formarmos um novo homem e uma nova mulher para o porvir, na construção de uma sociedade mais equilibrada e feliz.

Tão logo o ser humano resolver-se pela liberdade ante as amarras que o prendem aos baixos desejos; tão logo decida educar o seu pensamento e manter as suas relações sob os alicerces do amor sincero e puro; libertar-se-á com facilidade das malhas terríveis da obsessão sexual. De outra forma, prosseguirá no fosso das paixões insanas e de difícil libertação.

“Ninguém se engane quanto aos compromissos do sexo perante a Vida.

E cuide também de não enganar a outrem. Cada um responde pelo o que inspira, e pelo o que faz.” – Manoel Philomeno de Miranda

Rede Amigo Espírita

Bibliografia:

Miranda, Manoel Philomeno de (Espírito), Sexo e Obsessão; psicografado por Divaldo Pereira Franco. – Salvador, BA: Livr. Espírita Alvorada, 2002.

Galilei, Galileu (Espírito), Amor e Fator Obsessão; psicofonia de João Berbel. – Franca, SP: Editora Farol das Três Colinas, 2003.

Ângelis, Joanna de (Espírito). Adolescência e Vida; psicografado por Divaldo P. Franco. – Salvador, BA: Livr. Espírita Alvorada, 1997.

O Despertar do Espírito; – Salvador, BA: LEAL, 2000.

Amor, Imbatível Amor; – Salvador, BA: LEAL, 1998.

O Homem Integral; – Salvador, BA: LEAL, 2000.

Sendas Luminosas, – Salvador, BA: LEAL, 1998.

Nascente de Bençãos, – Salvador, BA: LEAL, 2001.

Dias Gloriosos; – Salvador, BA: LEAL, 1999.

Barcelos, Walter. Sexo e Evolução; – Brasília, DF: FEB, 1995.

Jr, Décio Iandoli. Fisiologia Transdimensional; São Paulo, SP: FE Editora Jornalística Ltda, 2001.

Publicado em por admin | Deixar um comentário

Ideologia partidária X Doutrina dos Espíritos

Jorge Hessen – Artigos Espírita

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

O legado da tolerância doutrinária não se deve manifestar na forma de omissão diante das enxertias conceituais e ideias anômalas que alguns companheiros intentam impor nas instituições doutrinárias em nome da militância política. Principalmente nas proximidades das disputas para eleições político-partidárias, em que surgem aqui e acolá discussões sobre se o espírita deve ou não se candidatar a algum cargo eletivo. 

Em verdade, a Doutrina dos Espíritos não estimula o engajamento para funções nas estruturas político-partidárias. E não ajusta sua tribuna a serviço da propaganda partidária de quaisquer candidatos. A tarefa urgente do espírita é a transformação de comportamento individual, a luta pelo ideal do bem, em nome do Evangelho. Agindo assim, os espíritas não estão alheios às questões políticas; engana-se quem pensa o contrário. Os espíritas incorruptíveis, fiéis à família, à sociedade e aos compromissos morais, são, integralmente, cidadãos ativos, que exercem o direito e/ou obrigação (depende do ponto de vista) de votar; porém, sem vínculos com as absurdas contendas ideológico-partidárias.

Se algum confrade estiver vinculado a qualquer partido político, se deseja concorrer como candidato a cargo eletivo, obviamente tem total liberdade de fazê-lo, mas que atue bem longe dos ambientes espíritas, de modo que não camufle, dentro da Instituição Espírita, disfarçada intenção, visando conquistar votos dos frequentadores. O excesso de cautela nesse caso é recomendável; não é questão de preconceitos; é até uma questão de lógica, pois, em se discutindo assuntos da política humana, é inadmissível trazer, para as hostes espíritas, o partidarismo, a ideologia (de “direita”, “esquerda”, “centro”, “ambas” etc. etc. etc.). Conquanto, como cidadão, cada espírita tenha o direito e o livre-arbítrio para militar no universo fragmentado das ideologias político-partidárias, não tem o direito de confundir as coisas. Não esqueçamos que o Espiritismo não é um fragmento da política mundana, nem tampouco se envolve com grupos políticos sectários, que utilizam meios contraditórios com os fins de poder. 

Como vimos, por razões óbvias, repetimos, é imperioso distinguir o interesse de valor inócuo da política humana da excelsa política de Jesus – a “Verdadeira luz que alumia a todo homem” (1). Quando trabalhamos pela erradicação da miséria e da exclusão social, estamos adotando a política “d’Aquele que é desde o princípio” (2). A política do verdadeiro espírita é a favor do ser humano e de seu crescimento espiritual. O espírita consciente não se submete nem se omite diante do poder político, e nem tampouco assume o lugar de “oposição” ou de “situação”. Até porque “o discípulo sincero do Evangelho não necessita respirar o clima da política administrativa do mundo para cumprir o ministério que lhe é cometido. O Governador da Terra, entre nós, para atender aos objetivos da política do amor, representou, antes de tudo, os interesses de Deus junto do coração humano, sem necessidade de portarias e decretos, respeitáveis embora”(3). 

Bezerra e Eurípedes 

O primeiro capítulo do Estatuto da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas estabelece a seguinte PROIBIÇÃO (isso mesmo, PROIBIÇÃO!): “AS QUESTÕES POLÍTICAS, DE CONTROVÉRSIA RELIGIOSA E DE ECONOMIA SOCIAL NELA [S.P.E.E.] SÃO INTERDITAS”. Portanto, e por imparcial razão, é inaceitável alguém utilizar a tribuna espírita para propaganda político-partidária. Da mesma forma, é situação deprimente um espírita utilizar palanques eleitoreiros a fim de implorar votos, valendo-se demagogicamente de sofismas e simulacros de “modéstia”, “pobreza”, “humildade”, “altruísmo”, “tolerância”, exaltando suas inigualáveis “virtudes” e colossais obras de “caridade”. Aconselhamos a tais imponderados “espíritas”, mendicantes de votos, que se afastem do Espiritismo e optem por outro credo, a fim de que seja assegurado ao movimento espírita a não contaminação dessa infecciosa política reles e mesquinha de interesses pessoais.

Alguns defensores da politização nas casas espíritas evocam Bezerra de Menezes e Eurípedes Barsanulfo a fim de justificarem seus arrazoados. A carreira política de Bezerra de Menezes iniciou-se em 1861, quando foi eleito vereador municipal pelo Partido Liberal. Foi reeleito para o período 1864-1868 e elegeu-se Deputado Geral em 1867. Novamente foi eleito vereador em 1873. Ocupou o cargo de presidente da Câmara, que atualmente corresponde ao de prefeito do Rio de Janeiro, de julho de 1878 a janeiro de 1881. Nessa época, a intensificação da luta abolicionista teve a adesão de Bezerra, que usou de extrema prudência no trato do assunto. Entretanto, no dia 16 de agosto de 1886, o público de duas mil pessoas que lotava a sala de honra da Guarda Velha, no Rio de Janeiro, ouviu, silencioso e atônito, o famoso médico e político anunciar sua conversão ao Espiritismo. A partir daí, não se envolveu com o partidarismo político.

Quanto a Eurípedes Barsanulfo, foi respeitável representante político de sua comunidade, sem dúvida. Tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal “Gazeta de Sacramento” e do “Liceu Sacramentano”. Logo viu-se guindado à posição natural de líder, por sua segura orientação quanto aos verdadeiros valores da vida. Através de informações prestadas por um dos seus tios, tomou conhecimento da existência dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Espírita. Diante dos fatos, voltou completamente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por todos os meios e maneiras, até desfazer totalmente suas dúvidas. A partir daí, o partidarismo político deixou de ser parte integrante dos anseios do jovem mineiro. 

Não temos necessidade de representantes políticos 

Por fortes razões, é necessário que façamos profunda distinção entre Espiritismo e política partidária. Somos “políticos” desde que nascemos e vivemos em sociedade; sim, e daí? A Doutrina Espírita não poderá, jamais, ser veículo de especulação das ambições particulares nesse campo. Se o mundo gira em função de políticas econômicas, administrativas e sociais, não há como tolerar militância política dentro das hostes espíritas. Não se sustentam as teses simplistas de que só com a nossa participação efetiva nos processos políticos ao nosso alcance ajudaremos a melhorar o mundo. Isso é parvoíce ideológica.

Não há como confundir a política terrena de interesses menores com a política do “Filho do Altíssimo” (4). Cada situação na sua dimensão correta. Política partidária, aos políticos pertence, enquanto que prática espírita é atividade para espíritas cristãos. O argumento de que os parlamentares se servem, com o pretexto de “defender” os postulados da Doutrina, ou aliciar prestígio social para as hostes espíritas, ou, ainda, ser uma “luz” entre os legisladores, é argumento ardiloso, desonesto. “NÃO TEMOS NECESSIDADE ABSOLUTA DE REPRESENTANTES OFICIAIS DO ESPIRITISMO EM SETOR ALGUM DA POLÍTICA HUMANA”(5). 

Os legítimos estudiosos espiritistas acercam-se da compreensão de viver naturalmente impregnados de bom senso e humildade. Entendem que “a missão da doutrina é consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida. Trocá-la por um lugar no banquete dos Estados é inverter o valor dos ensinos, porque todas as organizações humanas são passageiras em face da necessidade de renovação de todas as fórmulas do homem na lei do progresso universal”(6).

Mais uma vez, afiançamos que não se sustentam as teses inúteis de que só com a nossa participação efetiva nos processos políticos ao nosso alcance ajudaremos a “melhorar” o Brasil. Não esqueçamos que o “Rei dos Séculos” (7) cogitou muito a melhora da criatura em si. Não nos consta que o “Filho de Deus” (8) tivesse aberto qualquer processo político-partidário contra ou a favor do poder constituído à época. Portanto, a nossa conduta apolítica (apartidária) não deve ser encarada como conformismo; pelo contrário, essa atitude é sinonímia de paciência operosa, que trabalha sempre para melhorar as situações e cooperar com aqueles que recebem a responsabilidade da administração de nossos interesses públicos.

É acertado lembrar que, nos imperceptíveis consentimentos, vamos descaracterizando o programa da Terceira Revelação. A título de tolerância, diversas vezes fechamos os olhos para a politização nas casas espíritas; entretanto a experiência demonstra que, às vezes, é presumível até fechar um olho, porém nunca os dois. Considerando que nosso mundo é a morada da opinião, é natural que apresentemos para os companheiros militantes políticos desacordos sobre esse tema. Inadmissível, porém, tendo em vista a própria orientação da Doutrina Espírita, é o clima de injunções que se coloca, não raro, envolvendo os que confundem intensidade com agressividade, ou defesa da verdade com inflexibilidade.

Estamos investidos de compromisso mais imediato, em vez de mergulhar no mundo da política saturada por equívocos deploráveis. Por isso, não devemos buscar uma posição de destaque, para nós mesmos, nas administrações transitórias da Terra. Se formos convocados pelas circunstâncias, devemos aceitá-la, não por honra da Doutrina que professamos, mas como experiência complexa, onde todo sucesso é sempre muito difícil. “O espiritista sincero deve compreender que a iluminação de uma consciência é como se fora a iluminação de um mundo, salientando-se que a tarefa do Evangelho, junto das almas encarnadas na Terra, é a mais importante de todas, visto constituir uma realização definitiva e real. A missão da doutrina é consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida. Trocá-la por um lugar no banquete dos Estados é inverter o valor dos ensinos, porque todas as organizações humanas são passageiras em face da necessidade de renovação de todas as fórmulas do homem na lei do progresso universal.”(9) 

Conclusão 

Fosse uma sociedade educada para a tolerância recíproca, para o respeito à autoridade, para o trabalho persistente, sem conflitos entre servidores e governo, empresários e trabalhadores, em que as pessoas se unissem para compreender a necessidade dos valores espirituais na vida de cada um ou de cada grupo social, seríamos um país venturoso e pacífico. Muitos podemos admirar a política enquanto ciência, enquanto princípios, enquanto filosofia, mas definitivamente não precisamos nos envolver em partidarismos políticos. Pensamos ser justos em lutar por nossa ação voluntária na Sociedade, seja na ação profissional, seja na ação de cidadania, sem trocar nossa dignidade por politicagens ou conveniências pessoais.

Referências bibliográficas:
1 João 1:9
2 1 João 2:13
3 Xavier, Francisco Cândido. Vinha de Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, cap. 59
4 Lc 1.32
5 VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de janeiro: FEB, 2001, Cap. 10
6 Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1984, pergunta 60
7 1Tm 1.17
8 Mt 2.15
9 Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1984, pergunta 60.

Publicado em por admin | Deixar um comentário

Momento Brasileiro    A ÓTICA ESPÍRITA

Orson Peter Carrara

Momento Brasileiro

– Orson Peter Carrara

Diante de crimes hediondos, suicídios, tragédias provocadas (como atentados e sequestros dramáticos), e mesmo a insensibilidade reinante no governo diante da realidade brasileira, a perplexidade domina os círculos da sociedade humana.

É importante, de início, já informar: ninguém nasceu predestinado a matar (não se mata apenas com armas) ou a matar-se. Matar ou matar-se são resultantes da liberdade de agir. Estamos todos destinados ao progresso e o desajuste das emoções, do equilíbrio, é o grande responsável por tais tragédias. Estamos absolutamente convidados à harmonia na convivência, à solidariedade nas iniciativas. Da mesma forma, o dever dos que estão investidos de poder é usar a política em sua devida finalidade: gerir o tesouro nacional em favor da coletividade do país. A corrupção, em todos os níveis igualmente é um atentado à vida.

Referida liberdade de decisão – seja no caso dos crimes em geral ou mesmo numa gestão de poder –, no entanto, nos sujeita a reparações que virão a seu tempo. Isso por uma razão muito simples: somos responsáveis pelo que fazemos. A vida e suas leis determinam essa responsabilidade intransferível, deixando bem claro que toda lesão que causamos a nós mesmos ou a terceiros teremos que reparar. Não é castigo, mas apenas consequência. Isso vale nesses dramas que envolvem famílias ou na administração de valores que envolvem toda a sociedade.

E as vítimas? Como ficam essas pessoas? Por que sofrem atentados e se tornam vítimas de crimes passionais, etc? E mesmo uma nação enfrentando mal-uso do poder com a corrupção reinante? Podemos acrescentar outras questões: Por que Deus permite? Por que uns se livram inesperadamente de determinados perigos, enquanto outros deles são vítimas? Por que ocorrem com uns e com outros não? Qual o critério para todas essas situações? E também, claro, por que os abusos do poder ou a insensibilidade gerada pelo egoísmo e pelo império do materialismo?

Apesar da dor e sofrimentos decorrentes, e da não justificativa – sob qualquer pretexto – de gestos que violentem a vida, as chamadas vítimas enquadram-se em quadros de aprendizados necessários ou de reparações conscienciais perante si mesmos, envolvendo, é claro, os próprios familiares. Raciocínio também cabível nos aprendizados de uma nação, como é o nosso caso, onde ainda negociamos os votos ou somos seduzidos por interesses que violentam os reais objetivos da pátria.

Por outro lado, os autores – apesar de equivocados e cruéis – são dignos de piedade, uma vez que enfermos. Quem agride está doente, desequilibrado na emoção e necessitado de auxílio, compreensão, tolerância e, mais ainda, de perdão. Inclusive na indiferença ou omissão do cargo investido, acrescente-se.

Cristãos que nos consideramos, sem importar a denominação religiosa que adotamos, a postura solicitada em momentos difíceis como o agora enfrentando pela mentalidade brasileira, é de compaixão com agressores e vítimas. Todos são dignos da misericórdia que norteia o amor ao próximo. A situação de quem agride é muito pior do que quem é agredido. O agredido (não se restrinja aqui a nomenclatura à agressão física) já se liberta de pendências que aguardavam o momento difícil ou faz importantes aprendizados; o agressor, por sua vez, abre períodos longos, no futuro, de arrependimentos e reparações que lhe custarão dores e sofrimentos.

Nada justifica a crueldade, mesmo que seja por indiferença ou omissão. Sua ocorrência coloca à mostra nossas carências e enfermidades morais expostas, demonstrando a necessidade do quanto ainda precisamos fazer uns pelos outros. Não podemos julgar. Não temos competência para isso. O histórico divulgado pela mídia já demonstra por si só as carências expostas, entre tantos outros fatos lamentáveis. Mas há a bagagem que não vemos…O momento é de vibrações e preces para que todos tenhamos equilíbrio. Todos somos filhos de Deus…

Rede Amigo Espírita

Publicado em por admin | Deixar um comentário

Os vendilhões do templo…

Puritanismos ou inaceitável comércio do Consolador???… (Jorge Hessen)

Postado por os pae  – Exibir blog

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Assistimos pelo youtube uma entrevista de um médium espírita e ficamos estupidificados com as suas declarações. Primeiro, pela maneira presunçosa de como foram tratados os confrades que se posicionam contra a INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS “ESPÍRITAS”; depois, pela forma desdenhosa de como se referiu aos espíritas de baixos salários e os desempregados (pobres), dizendo que na instituição que dirige são realizadas semanal e “gratuitamente” 4 (quatro) reuniões públicas doutrinárias, 8 (oito) reuniões mediúnicas, 8 (oito) módulos de estudos espíritas, além de outros trabalhos de grande relevância doutrinária. Todavia, muitos espíritas simplesinhos (pobres) não participam, porque não querem. Contudo, referindo-se ao evento que será realizado no hotel luxuoso sob sua coordenação, afirmou que quem não pode pagar também não pode frequentar. Sabe por quê? Porque os eventos são negociados através de “pacotes fechados” entre a instituição que dirige e os hotéis promotores. O médium esqueceu-se de que a lídima divulgação não exclui pessoas, não impõe condições, não faz peditórios, justamente para fugirmos dos equívocos cometidos por outras religiões e credos.

Martinho Lutero dizia que “não são as boas obras que tornam o homem bom, o homem bom é que faz as boas obras.” (1) O sistema elitista e o assistencialismo cego assemelham-se à dança em torno do bezerro dourado a que se entregou o povo hebreu, quando a caminho do paraíso prometido.

Durante a entrevista, o médium procurou relativizar a advertência de Jesus – “dai de graça o que de graça recebeste”. Para ele, o que importa é dar um ar de grandiosidade à divulgação espírita, como se a importância da mensagem espírita estivesse atrelada às exterioridades, a títulos, aos locais elegantes onde ela é pronunciada.

A mediunidade com Jesus não se relativiza. O “dai de graça ao que de graça recebemos” não pode ser deformado. O Espiritismo é a disseminação da palavra de consolo tal como Jesus nos ensinou, tal como Ele pregava, tal como Kardec esperava, tal como Chico Xavier exemplificou, para todos e ao alcance de todos. O entrevistado enfatizou a palavra “colaboração” para justificar o pagamento das taxas de ingresso, alegando que, se o interessado declarar que é pobre, não é restringido o seu acesso por causa do fator financeiro. Sabemos que isso não é verdade! Ou pelo menos é meia verdade. (Ora! Será que um espírita desempregado precisará apresentar atestado de pobreza?).

E, para justificar seus arrazoados na entrevista, sempre em intransigente defesa do comércio dos eventos “espíritas”, classificou de puritanos (?!…) os que discordam da cobrança de taxas para os eventos destinados à divulgação do Espiritismo. Mas, os “puritanos”, não podemos nos intimidar com os sofismas das sombras. Devemos caminhar de olhos voltados para as coisas do firmamento, e mãos operosas na Terra, lembrando que menos pesa na consciência o epíteto de puritanos do que de vendilhões das coisas santas!

O Cristianismo primitivo, pela simplicidade dos primeiros núcleos cristãos, foi conquistando integralmente a sociedade de sua época, mas, com o passar dos séculos, desgastou-se doutrinariamente. Conspurcou-se por imposição dos interesses políticos, institucionais e principalmente financeiros (industrialização da cruz).

É bastante preocupante e gravíssimo o ideal dos festivais de ofertas de pacotes para tour doutrinários. Para quem desconhece o fato, informamos (de graça) que há encontros “espíritas” realizados em instalações de luxuosos hotéis 5 estrelas ao “irrisório” preço de R$. 1.600,00 (em média). Se colocarmos na ponta do lápis a arrecadação final, considerando a participação de 300 pessoas (por baixo), chegaremos ao montante de quase meio milhão de reais. Isso apenas para um evento de três dias.

Fomos instados a procurar pela Internet outros eventos “espíritas” para 2011. Encontramos congressos, seminários, fóruns, cursos espíritas, simpósios de profissionais “espíritas” etc., todos eles com fichas de inscrição caracterizadas por ENTRADAS NÃO GRATUITAS.

É evidente que essas práticas, em nome de Kardec, têm fragilizado as bases da Doutrina dos Espíritos, provocando rachaduras no edifício doutrinário. Há desmesurada distância entre aqueles simples bancos e cadeiras de madeira do Grupo Espírita da Prece de Uberaba e os soberbos hotéis que servem de tablado para espetáculos de oradores que, absortos em suas insânias dinásticas, veiculam temas decorados apoiados nas suas memórias privilegiadas.

Na imprudência, disfarçada por envernizada prática assistencialista, pregam “Espiritismo” com rebuscadíssimos verbos e palavras, e ainda contam as moedas douradas arrecadadas, de mãos unidas com “Mamon”. As extravagantes taxas cobradas nesses eventos evidenciam uma grave metástase doutrinária, com fulminantes consequências para o futuro do Espiritismo na Pátria do Evangelho.

Nem é necessário fazermos um esforço descomunal para identificar o abismo existente entre o “Espiritismo” e o “movimento espírita”. É lamentável que o movimento doutrinário atual esteja navegando nas mesmas águas que transferiram o cristianismo primitivo das casas de simples pescadores, lavadeiras, operários, para a suntuosidade dos hotéis, centros de convenções e outros grandes edifícios religiosos.

Os defensores da não gratuidade dos eventos espíritas escudam-se na alegação de que há confrades que frequentam o centro espírita anos a fio e nem perguntam como contribuir com a conta de luz ou com os gastos com o papel higiênico e ficam esperando receber sem nada retribuir. Proclamam o argumento de que a comunidade espírita é o segundo maior PIB entre os religiosos (de acordo com o IBGE), perdendo apenas para os judeus, e os espíritas não gostam de colocar a mão no próprio bolso para a obra espírita. Será esse o real motivo para a cobrança dos eventos doutrinários?

Infelizmente, o Espiritismo das origens, tal como Chico pregava, parece não mais fazer sentido, mormente para os mais afamados representantes do movimento. Assistimos ao sepultamento da simplicidade da Terceira Revelação no jazigo dourado da espetacularização da oratória, dos aplausos provindos da massa entusiasta e inconsciente, das ovações delirantes, dos elogios soberbos e extravagantes. Por essas e outras razões disse o Mestre: “ouça quem tem ouvidos de ouvir e veja quem tem olhos de ver”. (2)

Chico Xavier advertia há 30 anos “é preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (…) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e delas nos aproximemos (…). Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (…).” (3)

Quando escrevemos o artigo “INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS “GRANDIOSOS”, o ex-reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora, e escritor espírita, José Passini, afirmou: “Seu artigo, Jorge Hessen, deveria ser eternizado em placa de bronze e distribuído às instituições espíritas. Você acertou em cheio no monstro que desgraçadamente cresce em nosso meio.” (4) Talvez a espiritualidade, consciente dos despropósitos dos eventos pagos esteja de alguma forma nos alertando para um tempo de profundas mudanças. Que seja assim!

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referências:
(1) Disponível no site http://pensador.uol.com.br/frase/NTg0MzY0/.acesso em 11/05/2011
(2) Lucas 8:8
(3) Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.
(4) Disponível em http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/…/jose-passin…, acesso em 11-05-2011

Publicado em por admin | Deixar um comentário