O Sofrimento: CHICO XAVIER RESPONDE

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Por que pessoas que fazem tanto bem para a humanidade, como a Irmã Dulce, tem uma morte tão sofrida?

– Lembrando com muito respeito e reconhecimento a Irmã Dulce, nossa patrícia, nós perguntamos: E por que o sofrimento de Jesus no lenho? ! Ele era o guia da Humanidade e, a bem dizer, um anjo protetor da comunidade humana. É que nós necessitamos de uma interpretação mais exata do sofrimento em nosso caminho diário. Creio que todos nós devemos pagar o tributo da evolução, no agradecimento à Divina Providência dos bens que desfrutamos. E nesse particular, se é possível, eu peço licença para recordar o meu próprio caso.

Eu sempre tive uma vida normal, como a de tantos seres humanos. Entretanto, com uma labirintite que me apanhou há 3 anos, sou agora praticamente um paraplégico, porque tenho as minhas pernas constantemente doloridas e inúteis. Mas reconheço que estou com 82 anos de existência física, a caminho dos 83, tenho muita alegria de viver e tenho muita satisfação pela oportunidade de conhecer uma doença que me priva da vida natural de intercâmbio com os próprios familiares.

Um paraplégico que se habituou a usar muletas nos visitou há dias e me perguntou:

” Chico Xavier, eu sou um leitor das páginas mediúnicas que você tem recebido… Indago a você por que é que Emmanuel, um Espírito benemérito; por que é que André Luiz, um médico de altos conhecimentos; por que é que Meimei, uma irmã que foi a professora devotada da infância e da mocidade; por que é que o Dr. Bezerra de Menezes, que continua sendo, na Vida Maior, um médico do mais elevado gabarito e que é seu amigo – por que é que eles não curam você?

” Eu disse assim:

” Meu amigo, graças a Deus, eu não me sinto com privilégio algum…

A mediunidade não me exime das vicissitudes e das lutas naturais de qualquer pessoa dos nossos grupos sociais”. Penso que essa moléstia tão longa e tão difícil é um ensinamento de que eu necessito, porque, quando chegar à Vida Espiritual, breve como espero, e algum Instrutor me perguntar: “Chico Xavier, você nunca teve uma moléstia grave que durasse longo tempo?…”

Eu vou dizer:

“Sim, fiz 80 anos e, depois do dia em que completei 80 anos, começou a defasagem do meu corpo físico…”

Mas isto é muito natural em qualquer pessoa, especialmente na pessoa idosa. É uma crucificação gradual e que eu necessito, para não ficar envergonhado no Além, quando eu chegar à convivência dos nossos irmãos já desencarnados…

Eu quero não sentir vergonha de nunca ter sofrido…

Mas para mim isto não é sofrimento. Tenho muitos bons amigos, cultivo a amizade com muito calor humano, gosto muito da vida e sei que vou continuar vivendo…

Se Jesus permitir, os médicos desencarnados lá me ofertarão, talvez, quem sabe?, alguma melhora ou, se a doença continuar, eu devo saber que é a Vontade de Deus, é o Desígnio Divino que nos deu a felicidade da vida…

Então, eu estou aqui com vocês na maior alegria e creio que nenhum escutou de mim qualquer queixa, porque estou muito bem. Não me falta alimentação, não me falta alimentação, não me falta medicina, os médicos amigos me tratam estudando a moléstia com muita atenção, me proporcionando as melhoras possíveis…

E eu continuo há 2 anos na condição de paraplégico, mas estou muito feliz e, creio eu, estou muito longe da grandeza espiritual da Irmã Dulce, não tenho nada a me queixar, e sim agradecer; eu creio que ela também terá sentido muita felicidade ao se ver libertada do corpo doente. Se ela puder – eu compreendo -, e, sendo possível, ela nos auxiliará.

(Transcrição Parcial da entrevista concedida à TV Manchete, de Uberaba, Minas, em 11 de maio de 1992 – Anuário Espírita – 1995)

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É sempre tempo de receber visitas (Jane Maiolo)

Publicado por Amigo Espírita em 11 julho 2019

É sempre tempo de receber visitas

Por Jane Maiolo

Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?” (1) Lucas 12:26

O evangelista Lucas descreve a presença de Jesus na casa de Marta e Maria. Narra que na ocasião o Mestre é recepcionado pelas irmãs de Lázaro, o “ressuscitado”, iniciando um momento prazeroso de conversação, seguido de grandes e preciosos ensinamentos. (2)

É oportuna a narrativa para reflexão sobre a ansiedade e as escolhas que fazemos diariamente. É imperioso, pois, analisar alguns dados sobre o comportamento do homem contemporâneo e os reflexos do tênue e arriscado mundo virtual em nossa saúde sócio psicossomática.

A temática, descrita por Lucas: “Jesus na casa de Marta e Maria”, traz do mesmo modo, uma indicação sutil de como desenvolvermos hábitos saudáveis nos círculos de convivência e como o Evangelho meditado, sentido e vivenciado pode lançar luz sobre nossas escolhas.

A personagem “Marta” simboliza a ação, agitação e o fazer, enquanto que “Maria” representa a serenidade, contemplação e a emoção. Portanto, “Marta” e “Maria” sintetizam as variantes dos estados psicológicos do ser humano.

Nesse sentido, podemos rematar que todos temos uma parcela psíquica de “Marta” e um fragmento de “Maria”, no entanto é urgente o incremento do equilíbrio íntimo a fim de provar nossas escolhas com o foco na serenidade e na paz diante dos desafios dos atuais dias conturbados que vivemos.

O apontamento de Lucas demonstra que Jesus destacou a opção de “Maria” como a melhor parte, que não lhe será tirada. Ao ensejo da lição é importante ajuizarmos nossas eleições entre “Marta” e “Maria” sabendo que “Marta” continua sendo a representação de tudo o devemos realizar sem com isso nos aprisionar.

O apego aos bens materiais, o corre-corre tresloucado, as doenças psicossomáticas indicam-nos sobre o imperativo de organizarmos redes de proteção e nos percebamos acudidos nos círculos de afetos, apaziguando, por efeito, as rotineiras agitações e distonias que desavisadamente elegemos.

A inquietação mental e a agitação emocional impactam a saúde de tal modo que resultam nas inevitáveis incapacitações de atos proativos, promovem distúrbios e ou transtornos que obrigam a um longo período de terapias psicológicas.

Segundo dados disponíveis no portal da OMS, os transtornos de ansiedade atingem um total de 264 milhões de indivíduos, 18 milhões são brasileiros.

 Para apaziguar os colapsos psicológicos generalizados será imprescindível o atendimento médico especializado, as psicoterapias, e outros processos terapêuticos além das propostas socorristas das casas espíritas, através de palestras, cursos doutrinários, acolhimento fraternal, atividades assistenciais, passe magnético e a água fluidificada.

Porém, para bancar tais procedimentos socorristas e atendimentos apropriados o trabalhador do centro espírita não pode constar no rol dos neurotizados, padecendo as mesmas alterações cognitivas e comportamentais dos desajustados do mundo.

Paira certo transtorno de ansiedade nalguns trabalhadores espíritas, mormente quando tais “obreiros” aceleram as imaginações futuristas em processos de antecipação de eventuais ocorrências futuras. Aliás, paranoia contida nas evidentes correrias para promoções de eventos, obstando plenificação consciencial nas lides espíritas através das experiências simples do cotidiana.

A desordem ansiosa começa quando tal subversão fica descomedida. O nervosismo narcotiza o indivíduo, impedindo que realize as tarefas, atrapalhando os compromissos, emperrando a vida social e espiritual.

Logicamente os tempos apresentados na referência de Lucas eram diferentes e não decretavam das pessoas tantas atividades sociais, culturais e econômicas, entretanto a lição contida na citação do evangelista é lecionar aos homens, de todas as épocas, a discernir entre o que é circunstancial e o que é essencial na vida.

Personificar “Maria” é oferecer as melhores escolhas, assumir “Marta” pode equilibrar circunstancialmente as ações mirando o bom, o belo e o bem sem desânimo e sem inquietação.

Em síntese: “É importante mover as mãos de “Marta”, contudo, primordialmente vale auscultar o coração de “Maria”.

Jane Maiolo

janemaiolo@bol.com.br

Referência bibliográfica:

1-LUCAS 12:26

2-LUCAS 10:38

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A TRANSIÇÃO DO MUNDO E A TRANSIÇÃO DO EU

Também é assim no mundo da matéria. Quando estamos numa empresa, numa sala de aula ou mesmo num grupo de amigos, há períodos em que essas coletividades passam por transformações e, nem por isso, somos obrigados a nos transformar também. Empresas adquirem novas tecnologias, adotam novos paradigmas, modificam sua visão de mundo; uma sala de aula passa por provas e exames após os quais abrem-se a novas etapas, a estágios superiores de aprendizado; mesmo um grupo de amigos vive ciclos de casamento, de filhos, por exemplo, nos quais um solteirão isola-se e afasta-se.

Quantas vezes tivemos contato com a mensagem cristã nesses últimos dois mil anos? É verdade, é muito provável que já tivéssemos contato indireto com ela antes da encarnação do Cristo, pois os grandes mestres e profetas que o antecederam na Terra foram seus mensageiros, mas pensemos apenas na Vida depois da Vinda: por quantas encarnações tivemos contato com igrejas, organizações, almas de conduta exemplar e situações de vida que, vistas na perspectiva da eternidade, foram claras oportunidades para percebermos que o sentido da vida é desenvolvermos um Amor puro, sem apego e desinteressado por toda a Criação, atingindo o mais profundo das criaturas, lá onde reside o Criador? Nesse momento, não temos como saber quantas oportunidades já desperdiçamos.

Sabemos, no entanto, que ninguém vem à Terra à passeio, mas em missão ou resgate, e todos nós que tivermos clara consciência de não estarmos no estágio espiritual do Missionário, teremos que deduzir que viemos em resgate. A verdade, que surge assim límpida, é que somos alunos multirrepetentes  de uma escola tão generosa que, mesmo depois de tantos fracassos motivados por nosso desprezo aos professores, por nossas fugas das aulas , por nossas reiteradas opções pela satisfação imediata e egoísta, ainda assim nos oferece mais uma chance.

Nesses nossos tempos, todos os membros de todas as religiões sabem da transição planetária. Todos aqueles que são desligados de quaisquer instituições religiosas também vem sendo, há muito, informados das mudanças geológicas, climáticas e magnéticas por que passa nosso planeta. Absolutamente todos nós fomos exaustivamente preparados antes dessa encarnação, e vimos sendo sistematicamente acompanhados em nossas crises e angústias de forma a nos tornarmos capazes, pelo menos nessa última tentativa, de aprender os rudimentos necessários ao novo estágio do planeta, expressos, tais aprendizados, com clareza plena nas bem-aventuranças do Sermão da Montanha, magnífico roteiro para nossa evolução.    

Na primeira bem-aventurança (em Mateus, 5), Jesus deixou claro, como Sócrates já evidenciara, que sem a humildade inabilitamo-nos a qualquer processo educativo. De posse desse reconhecimento mínimo de nossa insuficiência, adquirimos condição de, atendendo à segunda bem-aventurança, não nos fixar nas dores da vida habilitando-nos a extrair delas as lições das quais são portadoras. A terceira bem-aventurança deixa claro que, entre as inúmeras conquistas às quais somos convidados por nossas dores, a fundamental para a entrada no mundo de regeneração é a auto-pacificação: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”, promete o Cristo.  Inacreditavelmente, vivemos ainda entre multidões inconscientes que apenas travam a luta por sua própria vida, como os animais, ou pior, como se sua vida só fosse possível com a opressão dos seus semelhantes, como só os piores humanos são capazes.

Mesmo entre aqueles que acreditamos no grave momento de transição que atravessamos, alguns absurdamente se atêm aos fenômenos físicos, paralisando-se no debate sobre quais catástrofes enfrentaremos, que efeitos causarão, em quanto tempo e onde ocorrerão, repetindo equívocos – nossos equívocos! – , de, buscando nossos interesses políticos e econômicos não enxergarmos o Messias Espiritual, de, ansiando pela exaltação de nosso conhecimento e senso crítico, não ouvirmos o Mestre para muito além do produtor de milagres. Erros que, repetidos, nos trouxeram até aqui e que, agora, nos ameaçam incompatibilizar com a Terra.

Reverberando palidamente o chamamento em grandes brados que nos vem do Alto, concitemo-nos às lições de Humildade, ao Bem-sofrer (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, 18) e à Auto-pacificação contidas em romances, leituras doutrinárias, filmes, observações da vida e, muito especialmente, nos desafios mais dolorosos que enfrentamos, pois que colocados pela Pedagogia Divina no momento e na intensidade exatos que nossas almas necessitam. 

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Reflexões sobre ações e críticas

            Você já se perguntou o que é a verdade? Jesus ao ser indagado por P Pilatos, na descrição do Evangelho segundo João, capítulo XVIII, respondeu com o maior silêncio que a humanidade já ouviu. Tenho me perguntado por que Ele adotou tal postura?   

            Neste período de confusionismo social, o pouco conhecimento em torno das lições do Evangelho, somos chamamos para agir com mais eficiência.       

            Para isto nada melhor do que refletir antes de agir, buscar inspiração por humildade, e contar ainda com a Revelação do Mundo Espiritual para construir, deixando que as desconstruções sejam resultados da ação da luz. 

            Divido este singelo post, adentrando nos portais da Revista Espírita, junto com Allan Kardec, para ouvir as VOZES DO CÉU na brilhante palestra sobre a VERDADE, antes da próxima escolha.   

                                                                                                                                                                                                                                 A VERDADE

A verdade, meu amigo, é uma dessas abstrações para as quais tende o Espírito humano incessantemente, sem jamais poder atingi-la. É preciso que ele tenda para ela, é uma das condições do progresso, mas, pela simples razão da imperfeição de sua natureza, ele não poderia alcançá-la. Seguindo a direção que segue a verdade em sua marcha ascendente, o Espírito humano está na via providencial, mas não lhe é dado ver o seu termo.

Compreender-me-ás melhor quando souberes que a verdade é, como o tempo, dividida em duas partes, pelo momento inapreciável que se chama o presente, a saber: o passado e o futuro.

Assim, há duas verdades: a verdade relativa e a verdade absoluta; a verdade relativa é o que é; a verdade absoluta é o que deveria ser.

Ora, como o que deveria ser sobe por graus até a perfeição absoluta, que é Deus, segue-se que, para os seres criados e seguindo a rota ascensional do progresso, não há senão verdades relativas.

Mas, do fato de uma verdade relativa não ser imutável, não se segue que seja menos sagrada para o ser criado.

Vossas leis, vossos costumes, vossas instituições são essencialmente perfectíveis e, por isto mesmo, imperfeitas; mas suas imperfeições não vos liberam do respeito que lhes deveis. Não é permitido adiantar-se ao tempo e fazer leis fora das leis sociais. A Humanidade é um ser coletivo que deve marchar, se não em seu conjunto, ao menos por grupos, para o progresso do futuro.

Aquele que se destaca da sociedade humana para avançar como criança perdida, sofre sempre na vossa Terra a pena devida à sua impaciência. Deixai aos iniciadores inspirados pelo Espírito de Verdade, o cuidado de proclamar as leis do futuro, submetendo-se à do presente. Deixai a Deus, que mede vossos progressos pelos esforços que tendes feito para vos tornardes melhores, o cuidado de escolher o momento que julgar útil para uma nova transição, mas jamais vos esquiveis a uma lei senão quando for derrogada.

Porque o Espiritismo foi revelado entre vós, não creiais num cataclismo das instituições sociais; até agora ele tem realizado uma obra subterrânea e inconsciente para aqueles que foram os seus instrumentos. Hoje que ele vem à tona e surge à luz, nem por isso a marcha do progresso deve ser de lenta regularidade.

Desconfiai dos Espíritos impacientes, que vos impelem para as sendas perigosas do desconhecido. A eternidade que vos é prometida deve levar-vos a ter piedade das ambições tão efêmeras da vida. Sede reservados até em suspeitar, muitas vezes, da voz dos Espíritos que se manifestam.

Lembrais-vos disto: O Espírito humano move-se e se agita sob a influência de três causas, que são: a reflexão, a inspiração e a revelação.

A reflexão é a riqueza de vossas lembranças, que agitais voluntariamente. Nela, o homem encontra o que lhe é rigorosamente útil, para satisfazer às necessidades de uma posição estacionária.

A inspiração é a influência dos Espíritos extraterrestres, que se misturam mais ou menos às vossas próprias reflexões para vos compelir ao progresso; é a intromissão do melhor na insuficiência da passagem, uma força nova que se junta a uma força adquirida, para vos levar mais longe que o presente, a prova irrecusável de uma causa oculta que vos impulsiona para frente, e sem a qual permaneceríeis estacionários. Porque é regra física e moral que o efeito não poderia ser maior que sua causa, e quando isto acontece, como no progresso social, é que uma causa ignorada, não percebida, juntou-se à causa primeira de vosso impulso.

A revelação é a mais elevada das forças que agitam o Espírito do homem, porque vem de Deus e só se manifesta por sua vontade expressa; ela é rara, por vezes mesmo inapreciável, algumas vezes evidente para o que a experimenta a ponto de sentir-se involuntariamente tomado de santo respeito. Repito, ela é rara e dada ordinariamente como recompensa à fé sincera, ao coração devotado; mas não tomeis como revelação tudo quanto vos pode ser dado como tal. O homem se vangloria da amizade dos grandes, os Espíritos exibem uma permissão especial de Deus, que muitas vezes lhes falta.

Algumas vezes fazem promessas que Deus não ratifica, porque só ele sabe o que é e o que não é preciso.

Eis, meu amigo, tudo quanto posso dizer-te sobre a verdade. Humilha-te perante o grande Ser, por quem tudo vive e se move na infinidade dos mundos, que seu poder governa; medita que se nEle se acha toda a sabedoria, toda justiça e todo poder, nEle também se acha toda a verdade.

Pascal

(Lyon, novembro de 1863 – Médium: Sr. X…) Revista Espírita. Maio 1865

A Kardec

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A FAMÍLIA E OS DESAFIOS DA VIDA

A família como estrutura capaz de nos sustentar nas lutas da vida (Jorge Hessen)

Jorge Hessen 
jorgehessen@gmail.com 
Brasília/DF

Os Benfeitores espirituais esclarecem que de todos os institutos sociais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida. A família reaviva em nós as sensações de segurança e aconchego, tal a importância do grupo familiar como estrutura capaz de nos sustentar nas lutas da vida.

Atualmente o distanciamento familiar tem sido definido como a perda de afeto que ocorrem ao longo de anos ou mesmo décadas em uma família. O divórcio contribui para a perda de relacionamentos familiares, especialmente com os pais. O abandono de parentes com identidades marginalizadas também é um fator comum, como a rejeição familiar a minorias sexuais e de gênero, por exemplo.

Também é importante notar que o distanciamento nem sempre é permanente. As pessoas se afastam e se reaproximam. Ademais, cortar o contato com um membro da família pode ser muito doloroso devido à forma como a sociedade não entende bem e atribui a isso um aspecto de vergonha ou reprovação.

Os laços de família são necessários à harmonia e evolução da sociedade. O resultado da negligência ou ruptura dos laços familiares leva a exacerbação do egoísmo. Existem duas espécies de vínculos familiares: os espirituais e corporais. As ligações corporais são frágeis e temporárias, entretanto os laços espirituais se fortalecem pela união e se vinculam na eternidade por meio das múltiplas migrações do Espírito.

É impossível auxiliar a composição social, quando ainda não conseguimos ser úteis nem mesmo com a família em que Deus nos colocou, a título precário. Portanto, antes da grande projeção pessoal na obra coletiva, aprendamos a colaborar, em favor dos familiares, no dia de hoje, convicto de que análogo empenho importa realização essencial.

A nossa família consanguínea pode ser contemplada como o cerne eficaz de nossas representações. Imagens aprazíveis ou desagradáveis que o pretérito nos restitui. Aprendamos antes de tudo a exercer piedade para com a própria família e a recompensar nossos pais, porque isto é bom e agradável diante de Deus, conforme narrava Paulo de Tarso.

A família é uma escola onde aprendemos a amar umas poucas pessoas para um dia amar a Humanidade. É assim que em nossas múltiplas existências aprendemos lidar com o amor, nos seus diversos aspectos: amor de mãe para filho, de filho para mãe, de irmão para irmão, de avô para neto, de neto para avô, de tio para sobrinho, de sobrinho para tio, de esposo para esposa e assim por diante. E, quando alcançamos amar genuinamente um filho, por exemplo, nosso coração se comove igualmente pelos filhos alheios.

Ponderando-se sobre a lei da reencarnação consolidamos os laços de afetividade com maior número de Espíritos, que (re)nascem sob o mesmo teto que nós. Dessa forma, nossa família espiritual se amplia e os laços de bem-querer se solidificam a cada nova possibilidade de convivência. Deste modo, conviver em família é um desafio e, igualmente, um formidável aprendizado, pois o convívio cotidiano nos oferece ensejo de cinzelar as arestas com os que eventualmente tenhamos alguma contenda.

(Re) nascendo no mesmo reduto doméstico é mais fácil suplantar os desamores, pois os vínculos consanguíneos ainda se compõem numa referência altiva a benefício da indulgência e da coexistência serenas. É por isso que existe a família: para que aprendamos a exercitar o amor na condição de irmãos, pois que todos somos filhos do mesmo PAI.

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CULPA E DIREITO DE ERRAR

“Culpa e direito de errar” (Jorge Hessen)

Moisés nos aconselhou O QUE NÃO DEVEMOS FAZER em nossa trajetória evolutiva, posteriormente, Jesus ensinou O QUE DEVEMOS FAZER e o Espiritismo sugere COMO FAZER. Essas reflexões nos remeteram ao “Projeto Espiritizar” volumoso estudo da coletânea psicológica de Joana de Angelis organizado pela Federação espírita do estado de Mato Grosso, do qual nos situamos como humílimo educando.

Dentre múltiplos temas propostos pelo projeto, nomeamos o subtema “Culpa e direito de errar”, do módulo “Diretrizes seguras para libertar-se da culpa”, que abreviaremos nas reflexões a seguir.

O movimento da culpa é resultante do culto ao perfeccionismo, eis aí um capcioso quisto psicológico. Quando erramos, ao invés de assumirmos atitudes reparadoras, cultuamos uma perfeição impraticável e nos acusamos peremptoriamente, por conseguinte não nos consentimos o direito de errar com a correspondente obrigação de reparar.

É importante aprendermos e refletirmos com os erros, assumindo corajosamente a cogente reparação dos mesmos. Porém, se mergulharmos na síndrome da inútil culpa, minamos a autoestima e nos punimos, produzindo, assim, todo um estado psíquico de angústia. Deste modo, nos magoamos com agente mesmos e conservamos uma espécie de ferida aberta na consciência, apunhalando-a sem tréguas. À vista disso, não vivemos equilibradamente e transformamos nossos anseios em azedumes, mágoas, mau humor acoplados ao cortejo de antipatias, projetando nos outros os detritos psíquicos que empilhamos.

Urge nos permitirmos o direito de errar. Até porque fomos criados simples e ignorantes. Ademais, como é possível, em nosso atual estágio evolutivo, acertar sempre? Isso é impossível! Assim raciocinando, é fácil perceber que a culpa é intensamente injusta conosco, porque ela não nos permite o direito de errar, aliás, direito que Deus nos proporcionou. Até porque, fomos criados simples e ignorantes a fim de que evoluíssemos gradualmente, errando e acertando até chegarmos à perfeição relativa, quando atingiremos o nível do “Guia e Modelo” da humanidade a partir de então não erraremos mais.

É crença vulgar e equivocada admitir a Justiça Divina como condenatória e punitiva. As Leis de Deus, incrustradas na consciência humana, não são punitivas, porém são educativas (provação) e reeducativas (expiação). Ora, se não nos permitimos o direito de errar e o dever de acertar, permaneceremos numa atitude preguiçosa passiva e acomodada. Para evitar que isso ocorra, é urgente movimentarmo-nos ativamente para a forçosa reparação ante os equívocos deliberados.

Para tal, urge reflexão consciencial, esforço para nos harmonizarmos com as Leis divinas, coragem para pacificarmos nosso eu e desenvolvermos virtudes, evidentemente tudo isso é muito custoso. Mas não podemos permitir os extremos, ou seja, nem exigirmos de nós perfeição e nem ingressarmos na negligência de aperfeiçoamento, senão nos enleamos nas tormentas ao invés de harmonizarmos com nós mesmos (em essência).

As quedas morais das experiências transatas não hão como alterá-las, porque a compulsão da culpa que trazemos de ontem somente será decomposta gradativamente, entretanto tudo que diz respeito aos erros do presente podemos mudar. Como? Já não nutrindo o mecanismo da inutilidade da culpa quando erramos hoje. Sim, podemos alterar-lhe, tendo consciência de que podemos errar, todavia temos a obrigação de reparar o erro de forma amorosa, bancando o bem na fronteira das nossas energias.

A culpa é um anseio de prepotência e onipotência porque cobiçamos assumir os atributos de Deus ao divergirmos da Lei de misericórdia e da Lei de amor, justiça e caridade. Ora, se Deus não nos pune, então instituímos uma lei particular e através de um auto decreto infligimos a lei de autopunição.

Naturalmente na condição de seres humanos acertamos e erramos consecutivamente. Ou seja, temos sucessos ou desacertos nos empreendimentos da vida. Um aprendiz consciente aprende mediante a experiência que nem sempre é laureada de sucesso. Em verdade, o aprendiz consciente objetiva o acerto, mas não na exigência de acertar, porém se esforça em dar o melhor sem paranoides e sem desleixos desculpistas, porque é consciente e como tal, se vê como aprendiz responsável.

Com efeito, se errar o foco dele será no aprendizado em relação ao erro porque a exclusiva atitude positiva e proativa frente ao erro é aprender com ele. Então o aprendiz se esforçará para dar o melhor, admitindo que nesse movimento pode equivocar e ao errar aprenderá e reparará o engano quantas vezes forem necessárias.

Por outro lado, o perfeccionista não quer errar, porque crê que o erro traz punição e como já está cansado de ser penitenciado escolhe desenvolver a agreste culpa. Naturalmente sob o véu do perfeccionismo está embutida a soberba egoica. Por causa disso, quando acerta blasona, mas quando erra se percebe como um asno e se arremessa no despenhadeiro da culpa. É essa dualidade que sobrevém ao perfeccionista.

A pessoa que acredita que a perfeição é o limite entra no processo de autoflagelação, porque percebe como difícil e ilusória qualquer aspiração libertadora. Na verdade, não é difícil, é fadigoso, porque precisa larguear o amor para governar todas as demais virtudes que transmutarão o processo de culpa. Porque a imprestável culpa é um movimento de auto desamor profundo, uma cruel repressão do amor. O culpado quer sofrer as consequências martirizantes dos erros porque acha que esse mecanismo é libertador. Mas só e unicamente o amor liberta a consciência.

O nosso compromisso consciencial é realizar o bem no limite das nossas forças. Porém, nosso movimento psíquico de cansaço angustiante e inquietante decorrente da culpa só será superado com o descanso para a alma conquistado pelo jugo do amor, da mansidão e da humildade conforme nos convidou Jesus. Isso será determinante para nosso desenvolvimento consciencial como aprendizes da vida que somos.

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AQUELE QUE É OFENDIDO

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“Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe ? Até sete vezes ?” – Mateus, 18:21. 

“Se alguém te ofendeu, perdoa, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes. ” 

O ensinamento do Cristo define com clareza as vantagens potenciais da criatura insultada ou incompreendida. Por isso mesmo, não traça o Divino Mestre quaisquer obrigações de caráter imediato para os ofensores, de vez que todos aqueles que ferem os outros esculpem para logo, na própria alma, os estígmas da culpa. 

E toda culpa é sempre fator de enfermidade ou perturbação. 

Em todo processo de ofensa, quem a recebe se encontra num significativo momento de Vida Espiritual; é quem dispõe do privilégio de desfazer as trevas dos gestos impensados, suscetíveis de se alastrarem em desequilíbrio; quem guarda a possibilidade de preservar a coesão e a harmonia do grupo em que se integra; quem conserva as rédeas da defesa íntima de quantos lhe usufruam a amizade e a convivência, ainda capazes de reações inconvenientes ou negativas à frente da injúria; quem efetivamente pode auxiliar o ofensor, através da bondade e do entendimento com que lhe acolhe as agressões; e quem, por fim, consegue beneficiar-se, resguardando o próprio coração, por imunizá-lo contra a queda em revide ou violência. 

O ofendido, entretanto, tão somente obterá tudo isso, caso se disponha a esquecer o mal e perdoar o adversário, prosseguindo sem reclamar na construção incessante do bem e na sustentação da harmonia, porque, toda vez em que nos transformamos levianamente em ofensores, passamos à posição de doentes da alma, necessitados de compaixão e de socorro, a fim de que não venhamos a cair em condição pior. 

Fonte – Francisco Cândido Xavier – Livro: “Perante Jesus” ditado pelo espírito Emmanuel

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Espiritualidade em comportamento de crise

Publicado por Amigo Espírita

Espiritualidade em comportamento de crise

Por Jane Maiolo

Então disseram os fariseus entre si: vede que nada é proveitoso! Eis que o mundo vai atrás dele.

As anotações contidas no capítulo 12 do versículo 19 do Evangelho de João nos traz o diálogo dos fariseus sobre a infrutífera armadilha de prender Jesus, que dias antes houvera ressuscitado Lázaro, o amigo de Betânia.  Lidar com a verdade e a superação não é tarefa fácil ao homem contemporâneo, arraigado ao materialismo e ao imediatismo da vida terrestre.

Vivemos em tempos de crises sob o guante do conflito existencial, da subversão de valores éticos, das deficiências morais. Em face disso, é flagrante a incapacidade humana de lidar com os desafios das experiências do cotidiano. Nos escandalizamos com o comportamento dos outros, ficamos assombrados com a liberdade do próximo, discordamos dos propósitos de muitos e quase sempre nos iludimos com aquilo que diz respeito ao nosso eu.

Na verdade, todo crescimento é doloroso segundo explicação de Allan Kardec, contida em A Gênese: “(…) a Humanidade se transforma, como já se transformou noutras épocas, e cada transformação se assinala por uma crise que é, para o gênero humano, o que são, para os indivíduos, as crises de crescimento”.²

O homem atormentado, produto do século XXI, não se permite aquietar-se a fim de comprazer-se ante a beleza da vida. Entretanto, há silenciosas vitórias diárias e imensas conquistas no mundo íntimo daquele que desperta gradativamente para a sua realidade de espírito imortal que é. De tal modo que não tem faltado empenho do mundo espiritual a fim de oferecer luzes aos nossos dias. O comportamento de crise que agora se manifesta em abundância, demarca um período de grandes e profundas decisões.

A inteligência emocional há que se desenvolver a duros entraves, mas haveremos de lidar com as situações de crescimento.

A advertência do Cristo persiste ativo e altivo, conclamando os homens de boa vontade para a luta, que é e sempre será individual e intransferível, em qualquer plano da vida. O Evangelho do Cristo é o único roteiro infalível para nossa redenção. Talvez sigamos outros itinerários mais animados, festivos, longos ou sinuosos, porém, é da Lei divina que, enquanto não incorporarmos a vivência evangélica cristã no nosso comportamento não haverá equilíbrio e lucidez para o espírito imortal.

O pensamento do homem deve inundar-se de espiritualidade. Os avanços científicos e tecnológicos não podem eliminar a ideia de Deus, de imortalidade, de esperança e de fé racional do homem. Toda ciência que promove esse afastamento do divino é desumana em si mesma. A espiritualidade é o canal invisível que possibilita ao homem continuar sua trajetória ascensional.

Oportuna a reflexão de João para os dias atuais: “Vede que nada é proveitoso! Eis que o mundo vai atrás dele”, prossigamos, mesmo que em crises, buscando Jesus, o Cristo, para nossa real transformação.

Referências bibliográficas:

2- KARDEC, Allan /A Gênese –  CAP.XVIII- São Chegados os Tempos

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