Educando emoções

 TIAGO MISTIERI MARTINS 

Cada momento da vida guarda lições e aprendizados muito especiais.

No trabalho da educação da mente, reside uma grande dificuldade para a maioria das pessoas.

Quando você esteja à frente de alguém que lhe é apresentado, ou alguém que esteja vendo por primeira vez, é comum a excitação das conjecturas.

Há momentos em que você é tomado por grandes simpatias, à primeira vista, entregando-se, totalmente, ao amigo novo.

Em nome do bom senso, será recomendável que você trate a todos com fraternidade, deixando, porém, a maior abertura do coração para depois do devido entrosamento, do necessário conhecimento recíproco, o que a convivência cuidadosa permite.

Agindo assim, trabalhará com simpatia, sem se queixar de frustrações ou decepções, decorrentes do estouvamento e invigilância tão comuns em muitas almas.

Há circunstâncias, porém, nas quais você marca o novo conhecido por tremenda antipatia, prevendo ou prejulgando-lhe o caráter, fazendo-se enormemente fechado, frio e antipático, cerrando qualquer chance de maior aproximação do outro.

Não há nenhuma necessidade de tanta frieza emocional.

Pode-se ter cuidados e manter cautelas, com gestos fraternos, com espírito de cooperação, devidamente equidistante dos arroubos entusiásticos e das posições de gelo.

Evite tachar as pessoas, antes de as conhecer melhor.

Como é perfeitamente natural que você tenha o seu parecer inicial sobre qualquer pessoa, e isso é inevitável, pelo menos reserve espaço para mudar de opinião e de postura, na medida do maior contato, para que não peque por excesso ou por falta, guardando-se em clara maturidade emocional.

Nunca suponha que estará deixando de ser bom cristão se tiver cautelas emocionais. Não, não é assim.

“Descobri que fulano não era quem eu pensava.”

Mas, era você que pensava, e não o fulano que afirmou ser o que você pensava.

“Sofri decepção com beltrano.” – Falam outros.

A verdade é que a decepção não foi bem com o beltrano, mas sim consigo mesmo, que fez um juízo avantajado do outro, sem considerar que o outro é igualmente falível, porque é gente.

Dessa forma, lembre-se de educar as emoções relativamente ao contato humano. Você só terá a crescer, aprendendo a descobrir as suas reais afinidades da alma, identificando aqueles que não lhe sejam tão amistosos, conseguindo, não obstante, conviver e ser útil a todos.

*   *   *

Há muitas pessoas que assumem a postura de suposta sinceridade e transparência nos relacionamentos, encobrindo assim seu comportamento anticristão, de cordialidade e respeito ao próximo.

Muito cuidado para não acreditar que ser honesto e sincero é ferir a suscetibilidade de alguém.

Muito cuidado para não ser exigente demais, e assim afastar de sua vida as pessoas.

Lembre-se que, antes de tudo, deve existir a caridade. E caridade, nesse caso, é sinônimo de tolerância, de paciência e simpatia.

 – com base no cap. 22, do livro Para uso diário, pelo Espírito Camilo, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter.

Em 28.4.2014

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