Divagações sobre o Sofrimento

– Bismael B. Moraes

– Após uma grande desilusão, pensando-se injustiçado, alguém procurou fugir do mundo de relações mais próximas. Imaginou que, assim, distanciando-se dos demais, o problema desapareceria e o esquecimento seria mais rápido. As mágoas se dissipariam e a vida seria a mesma, apagando-se o registro negativo, como se a mente fosse um computador. De nada lhe valeu a fuga.

Até que ponto o indivíduo conhece a si mesmo, no bem e no mal?

Independentemente das crenças, dos costumes e dos padrões educacionais, o ser humano acha-se em constante aprendizado. Por vezes, nem descobre quando a lição está sendo ministrada. Nem sabe que o sofrimento – físico ou moral – é uma forma de aprendizado posto pela Providência Divina à sua disposição. Mas essa descoberta virá, com o tempo.

E não se trata de consolo baseado em dogmas, numa esperança incerta, mas com base sustentável em grandes pensadores, filósofos de escol, cujas idéias não se condicionam ao tempo e ao espaço. São luzes de conhecimento que, sem cessar, se transportam para todos os cantos do Universo. E o ser humano, embora imperfeito e cheio de vícios, é parcela desse todo.

Uma decepção, uma traição, uma ingratidão, uma doença, um acidente, um desgosto, uma perda brusca – tudo, enfim – são testes para saber se sua mente e o seu coração estão alertas. O preconceito, a vaidade, o orgulho e o egoísmo se instalam com grande facilidade no íntimo dos seres humanos despreocupados com a sua condição de integrantes do mundo circundante.

Desse modo, fechar os olhos e os ouvidos às aflições, dar de ombro aos problemas, sem absorver de todos eles lições essenciais ao progresso individual, é demonstrar despreparo para a vida, que não se resume num breve espaço temporal. Para onde for o ermitão, consigo levará as suas verdades e as suas mazelas. Não se revoga a lei natural. Ela se acha no livro da consciência de cada um.

Ninguém sofre sem merecer. Basta analisar o seu comportamento presente e pregresso à luz das leis da Natureza, e descobrirá isso logo, logo. Apontar o outro como responsável, num primeiro instante, é muito cômodo. Como pretender que leis divinas sejam revogadas e se condicionam às imperfeições do ser humano? Sua fuga ou revolta de nada valerão. Ninguém foge da própria consciência. Se cada um descobrir as suas falhas e procurar evitá-las, a justiça, a verdade e o amor talvez se tornem mais fáceis de alcançar, e – quem sabe? – a própria felicidade!

São Paulo, 31/08/2006

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