Diálogo franco com notável de uma “associação de profissionais espíritas” (Jorge Hessen)

Diálogo franco com notável de uma “associação de profissionais espíritas”

Postado por os pae

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

“Dra. Sicrana” : Prezado Sr. Jorge Hessen Permita-me uma reflexão sobre conteúdo de sua entrevista ao C.E. Joana D´Arc. (*)

Jorge Hessen: Certamente, minha irmã.

Dra. Sicrana”: Eu nasci em berço espírita, em uma das menores cidades do Estado de (…) e convivi com as pessoas mais simples e economicamente desprovidas, que se possam imaginar. A gente estudava Kardec, fazia preces, participava das reuniões mediúnicas e tinha Jesus como Mestre.

Jorge Hessen: Toda Casa Espírita, minha irmã, tem que ter esse perfil, ou seja: Oração, Estudo e Caridade, tendo Jesus como  Modelo e Guia.

“Dra. Sicrana” : Na sequência dos tempos, vim estudar na cidade de (…) e fiquei por aqui, onde desenvolvi minha vida profissional, criei minha família e continuei com minhas atividades junto a essa nossa doutrina de libertação das consciências. Foi assim que acabei me ligando também à Associação de (…). Tenho testemunhado o esforço hercúleo de seus integrantes, em divulgar um paradigma de humanização de todos os procedimentos de bem-estar, agregando profissionais (…), enfim, de todas as modalidades correlatas. Lá eu tenho ouvido sempre que “o diploma do (profissional) espírita pertence a Jesus”.

Jorge Hessen: A minha opinião particular sobre os profissionais da área da (…), principalmente, é que todos, indistintamente, deveriam honrar o compromisso que assumiram, como humildes servidores do Cristo, pois são irmãos que vivenciam, na alma, a dor dos seus semelhantes; são os socorristas de plantão, literalmente falando. Devemos a eles o nosso maior respeito, sem dúvida alguma. Porém, não podemos entender “humanização” a portas fechadas, onde profissionais se reúnem para estabelecerem um padrão de comportamento humanitário, mas que, na verdade, ainda têm uma visão turva sobre o que realmente isso significa. O maior humanista que já tivemos, na área, foi o inesquecível Dr. (…). É nele que a classe (…) deveria se inspirar. Por outro lado, quem já leu a coleção André Luiz sabe qual foi a sua surpresa ao adentrar no Mundo dos Espíritos. Preciso dizer mais, minha irmã?

“Dra. Sicrana” : O trabalho das associações (…), por exemplo, em defesa da vida, contra o aborto intencional, inclusive contra o aborto do chamado (equivocadamente) de “anencéfalo”, é inegável. Foi com a estrutura da associação (…) que o Espiritismo conseguiu ser ouvido no Supremo Tribunal Federal, no final do ano passado, defendendo a vida do anencéfalo.

Jorge Hessen: Eu seria incoerente, minha irmã, se negasse esse esforço em defesa da vida. Perdoe-me, mas é muita presunção atribuir à associação (…), a única e legítima representante legal do Espiritismo na Alta Corte a defender a vida do anencéfalo. Não somente os espíritas, mas, principalmente estes, arregimentaram-se e avançaram contra a descriminalização do aborto. Nesse dia, minha irmã, não houve distinção de classe, pois todos estavam irmanados em um só coração, em um só pensamento em nome do amor incondicional e do respeito à vida. Modestamente escrevi muito e publiquei sobre o específico e dei ampla divulgação à época. Foi minha humilde contribuição diretamente de Brasília, onde resido há mais de 40 anos.

“Dra. Sicrana” : Em todos os eventos das associações (…), de que eu tenho participado, assisto sempre a demonstração do caráter verdadeiro da Doutrina Espírita, ou seja, de ciência, de filosofia e da moral de Jesus. Não se tem o objetivo de “elitização”, nem de “atrair para si os holofotes da fama” ou de “divulgar o evangelho apenas às pessoas laureadas” (expressões que constam de sua entrevista). Pelo contrário, nas associações (…) os profissionais se reúnem em uma entidade de classe, para assumir a responsabilidade de tratar de assuntos específicos à sua formação, como aborto, transplante de órgãos, utilização de células-tronco embrionárias, depressão e obsessão, etc., sem perda de seu denominador comum, que é o fato de serem espíritas.

Jorge Hessen: O verdadeiro caráter da Doutrina Espírita, minha irmã, não se resume em “assistir a reuniões de classe” para tratar de assuntos específicos à sua formação, pois basta ser específico e ser entidade de classe, para assumir caráter “elitista” e, mesmo porque, o personalismo de classe caracteriza um comportamento egoísta e, sobretudo vaidoso, uma vez que se julgam cumprindo admirável missão, mas “a sete chaves”. Ser espírita exige mais, muito mais do que isso. Os exemplos Chico Xavier e Bezerra de Menezes respondem por mim.

“Dra. Sicrana” : Senhor Jorge Hessen, eu tenho estado lá e estou testemunhando o que digo. Portanto, é com tristeza que leio referências injustas e infundadas ao trabalho de companheiros idealistas que só merecem nosso respeito e consideração. Não vejo a menor diferença de atitude nesses companheiros, em comparação a dos trabalhadores do centro espírita de minha pequena cidade natal. A seara continua a ser a de Jesus e laureados ou não pela academia da Terra, a honra que nos cabe é a de servir na condição de aprendizes na escola da vida.

“Dra. Sicrana” : Com abraço fraterno

Jorge Hessen: Não duvido, minha irmã, do seu testemunho. Porém, eu vejo uma diferença imensa entre uma coisa e outra, pois ser idealista não significa ser ativista. O equilíbrio está em ser idealista e ativista sincero e humilde. Concluindo: Associação é uma organização entre duas ou mais pessoas para a realização de um objetivo comum. Sendo assim, podemos finalizar que o associativismo, normalmente de voluntariado, usado como instrumento de satisfação das necessidades individuais humanas, pode ser facilmente banalizado e colocado à prova a sua credibilidade se, e somente se, for para privilegiarmos um determinado grupo ou classe no campo da religião ou mesmo da fé, propriamente dita. Eu entendo que a possibilidade de pessoas de uma mesma ideologia, de uma mesma formação acadêmica, de uma mesma classe social, criarem uma orientação à parte, mesmo dentro da mesma crença religiosa, é visível a intenção de manter relações sociais somente com seus iguais. Criar uma associação, onde se destaca somente aqueles da mesma “formação”, acho inviável, imoral e degradante – perdoe-me a franqueza – pois revela um sentido, totalmente, contrário a tudo aquilo que qualquer religião ensina.

Allan Kardec propõe que o Espiritismo é uma doutrina natural, isto é, que coloca o homem ou o espírito diretamente em relação com Deus, de forma igual perante o SENHOR. Portanto, qualquer formação fora dessa realidade é, simplesmente, egocentrismo, demagogia e pretensiosismo.

Não estou aqui para ajuizar ou exprobrar, mas, para contra argumentar e dizer que o meu pensamento, sobre a criação de as Associações de profissionais espiritas, encontra-se patenteado na entrevista a que você se refere e nos artigos que escrevo, pois que essa iniciativa afasta, cada vez mais, a ideia de União Espírita sem jugos institucionais, tão aguardada pelos Espíritos Superiores que nos transmitiram essa abençoada Doutrina.

Fraternalmente,

Jorge Hessen

(*)   http://www.autoresespiritasclassicos.com/Apostilas/Artigos%20Espiri…

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