A cura real

A cura real

Rogério Coelho

A CURA REAL

O ser humano é o resultado de tudo aquilo que elabora, cultiva e realiza

“(…) e o último estado desse homem é pior do que o primeiro”. – Jesus. (Luc., 11:26.)

Disse Jesus que os sãos não necessitam de médicos, vindo Ele próprio para os doentes da alma que somos todos nós que ainda não temos méritos para reencarnar em Orbes mais evoluídos, dado nossa ancestral rebeldia e nossa refrativa tendência aos divinos desígnios que caracterizam ainda as parcas disposições em corrigir-nos.

Segundo as tradições das escrituras, há mais alegria no Céu com o arrependimento de um pecador do que de noventa e nove justos que permanecem ilibados.

A nobre mentora Joanna de Angelis, pela abendiçoada mediunidade de Divaldo Pereira Franco, afirma ser (1): “(…) indispensável fazer-se a diferença técnica entre os processos de recuperação orgânica e cura: o primeiro diz respeito ao refazimento dos equipamentos celulares que, desajustados, recompõem-se e voltam a funcionar com equilíbrio, nem sempre significando que houve o retorno da saúde; enquanto que o segundo, a cura, se verifica nas engrenagens mais delicadas da constituição celular.

Os mecanismos propiciadores da degenerescência orgânica e da instalação de enfermidades encontram-se no cerne do ser, na sua estrutura energética, de que se encarrega o perispírito na sua condição de organizador biológico, portanto, das necessidades indispensáveis à evolução do ser. O ser humano é, em decorrência, o resultado de tudo aquilo que elabora, cultiva e realiza…

A cura real é uma operação profunda de transformação interior, que ocorre somente quando os fatores propiciadores da injunção danosa se modificam para melhor, dando lugar ao equilíbrio das suas variadas funções no campo da energia. Imprescindível se faz, nesse caso, que a mente processe todos os conteúdos emocionais e morais de maneira adequada, a fim de que a recuperação da saúde através da terapia utilizada venha a produzir a cura real, evitando as recidivas que decorrem exatamente da falta de composição vibratória dos delicados elementos pelos quais o Espírito interage no corpo.

A recuperação temporária pode ocorrer em razão dos esforços empregados pelo terapeuta, da bem direcionada aplicação dos medicamentos e a momentânea mudança de atitude mental do paciente. Todavia, se não houver uma profunda alteração de comportamento interior – desejo sincero de sarar, cultivo íntimo de bem-estar, propósitos edificantes, renovação dos hábitos mentais – certamente a enfermidade reaparecerá ou se apresentará sob nova diagnose, dando curso ao seu mister de despertá-lo para a sua realidade profunda como ser imortal.

Na grande maioria das pessoas enfermas, está presente o efeito de determinada conduta vivida anteriormente, na qual houve desistência dos referenciais da Vida, mesmo que de forma inconsciente, como resultado de ocorrências que poderiam haver sido encaradas de maneira menos pessimista, menos autodestrutiva…

É inevitável a sucessão de desaires, de frustrações, de desencantos existenciais, porque a própria experiência humana é rica de manifestações dessa ordem. A atitude, porém, do indivíduo diante delas, é que define o seu futuro, mesmo quando venha a mudar de conduta emocional. Não raro, os danos já estão causados às tecelagens delicadas da aparelhagem geradora das células, na área da energia que elabora as células.

Pode-se observar que, antes do surgimento ou instalação de diversas doenças, o paciente se permitiu desconsertos íntimos, anelou pelo abandono da luta material, sentiu-se esgotado pela sucessão de tormentos e dores morais, permitindo-se o desânimo desgastante.

A consciência da realidade espiritual do ser auxilia-o a esforçar-se para continuar a viver no corpo, quanto lhe esteja destinado, sabendo, não obstante, que desencarnará, como é natural, todavia, utilizando-se de todos os valiosos recursos da própria existência, a fim de torná-la mais digna e apetecida.

Esse comportamento contribui de maneira expressiva para o seu restabelecimento, para a sua recuperação imediata e a sua cura mais tarde, ainda que venha a liberar-se da máquina física no momento próprio”.

Vemos, assim que o processo de cura real radica-se na própria intimidade do ser que deve lutar para lográ-la de maneira definitiva.

Não se pode andar descuidado: a vigilância e a oração recomendadas por Jesus constituem excelente medicação preventiva e defensiva.

Jesus mostra-nos a diferença entre recuperação e cura real ao ensinar (2):

“(…) Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha. Quando o Espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares secos, buscando repouso; e, não o achando, diz: tornarei para minha casa, de onde saí. E, chegando, acha-a varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem é pior do que o primeiro”

O caminho da cura real já vem sendo mostrado para todos nós muito antes do advento do Cristo, vez que o Velho Testamento já consignava: (II Crônica, 7:14.) “(…) E se o meu povo, chamar pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”.

Evidentemente a frase em questão refere-se à terra sáfara dos corações refratários e empedernidos de todos nós, Espíritos calcetas e endividados que ainda nutrimos a nossa personalidade com os inconvenientes prejuízos da rebeldia.

Observemos como Joanna de Angelis (1) traça o roteiro da cura real, com os ingredientes que poderíamos chamar de:

Contributos terapêuticos

“(…) A complexidade do ser humano tem raízes bem fincadas no seu emocional. Por isso, experimentando o amor, autoestima-se e luta desde que possua maturidade psicológica proporcionadora do discernimento lúcido. Quando isso não ocorre, autopune-se, envenenando-se de alguma forma, sem mesmo dar-se conta, ou permanece dominado pelo propósito de desistência da vida física.

Seja qual for, porém, a enfermidade a desgastar o indivíduo, os estímulos verbais que lhe cheguem, as vibrações de simpatia que o visitem, as emoções joviais que experimente tornam-se excelente contributo psicoterapêutico, indispensável mesmo à sua recuperação.

Rogério Coelho

Fonte: Agenda Espírita Brasil

Referências:

(1) FRANCO, Divaldo Pereira . Dias gloriosos. 4.ed. Salvador: LEAL, 2010, capítulo 7; e

(2) Lucas, 11:23 a 26.

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