As calamidades coletivas perante a Codificação kardeciana

As calamidades coletivas perante a Codificação kardeciana

Rede Amigo Espírita

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com 

Brasília/DF

 

Para todos os fenômenos da vida humana, há invariavelmente uma razão de ser. No dicionário Espírita, não consta a palavra “acaso”, ainda que as circunstâncias se nos afigurem insuportáveis. A tragédia anunciada de Brumadinho (MG) nos expõe, de maneira evidente, um dramático evento purgatorial e reparador sob o ponto de vista coletivo.

Qual o significado consciencial para cada uma das pessoas que foram vitimadas pelo desmoronamento da barragem da mineradora “Vale do Rio Doce”? Catástrofe, cuja repercussão deixou o mundo entristecido.

Para as calamidades coletivas, a Doutrina Espírita indica expressivas anotações presumíveis, apreciando que, nos Estatutos de Deus não há dispositivos para injustiças. Não deveria ser ocasião para zangas políticas e ideológicas adicionadas às vociferações revoltosas. Isso de nada prospera. A rigor, só alarga a consternação dos parentes que permaneceram “vivos”.

Para os Benfeitores espirituais, “se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há, também, aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, os flagelos naturais [e “acidentais”].” (1)  Pela reencarnação e pela destinação da Terra – como mundo expiatório – são compreensíveis as anomalias que o planeta apresenta quanto à distribuição da ventura e da desventura neste planeta.

Aliás, aberração só existe na aparência, quando considerada, tão-só, do ponto de vista da vida presente. “Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à ideia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (2)

Ora, “as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”. (3) É bem verdade que as catástrofes sejam “naturais” e/ou “acidentais”, como a de Brumadinho (MG), abatem centenas de pessoas. Nesses acontecimentos, as imagens midiáticas, virtuais ou impressas, mostram-nos, com colorido intenso, o drama inenarrável de inúmeras pessoas que padecem, enquanto recolhem o que sobrou e choram seus “mortos”.

Os flagelos “naturais” e ou “acidentais” ocorrem e podem fazer o homem avançar moralmente mais depressa. É óbvio que tal situação não exime de culpa os responsáveis da famigerada mineradora.

A destruição, muitas vezes, é inevitável e necessária visando a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, em cada nova existência, um novo degrau de aperfeiçoamento. “Esses transtornos são, frequentemente, necessários para fazerem com que as coisas cheguem, mais prontamente, a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.” (4)

Dessa maneira, esses açoites destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam, “pois eles modificam, algumas vezes, o estado de uma região; mas o bem, que deles resulta, só é, geralmente, sentido pelas gerações futuras.” (5)

Antes de reencarnarmos, sob o peso de compromissos morais coletivos, quase sempre, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos reparar as faltas morais, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até, porque, depende de intermináveis circunstâncias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida e “o amor cobre uma multidão de pecados.” (6)

Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal, a própria Lei de causa e efeito (que funciona para que nos resguardemos de nós mesmos) se incumbirá de trazê-lo de retorno às vias do bem. O passado, embora não seja determinante, influi no presente que, por sua vez, produz reflexos no futuro. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação e ou reparação.  No item 9, Cap. V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: “Não se deve crer que todo sofrimento que se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, frequentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento.” (7)

Referências bibliográficas:

(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. V

(2) idem Cap. V

(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. IX

(4) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 737

(5) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 739

(6) Cf. Primeira Epístola de Pedro Cap. 4:8

(7) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1989, Cap. V

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